Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Dias em Sintang & Travessia para Tanjung Puting

Na chegada à casa de Doni, depois daquela viagem cansativa e molhada, reparei que tinha a mochila encharcada! Causando-me uma imediata preocupação, o delicado Wayang comprado em Yogyakarta (felizmente, sobreviveu bem ao banho forçado). Em Sintang, fiquei hospedado durante um par de dias, na companhia do meu cicerone e da sua adorável família, e durante esse tempo comi muito e bem, fumei como uma chaminé, conversei, repensei a minha rota e no facto de ter de voltar a Jakarta, devido à avaria da máquina fotográfica, fiz mais uma sessão de motivação na escola onde a esposa de Doni era professora, visitei o agradável museu da cidade, continuei a conversar com aquelas pessoas tão simpáticas, calorosas e amáveis e apanhei um autocarro que me levou de volta a Pontianak, numa viagem que demorou nove horas.

IMG_6954 (FILEminimizer)     IMG_6962 (FILEminimizer)

IMG_6965 (FILEminimizer)     IMG_6967 (FILEminimizer)

IMG_6989 (FILEminimizer)     IMG_7009 (FILEminimizer)

À capital ocidental de Kalimantan, cheguei às 4.00, sem paciência para os incontáveis ojeks que me rodeavam. Comecei então a andar a pé, até uma zona mais tranquila e aí decidi apanhar um ojek para o porto de Seng Hei. Depois de comprar o bilhete, aguardei pela partida, mas antes da mesma conheci o irmão de Supriadi que era o segundo capitão do barco. 🙂 A viagem de cerca de oito horas até Ketapang, foi confortável e passou rapidamente, uma vez que durante a viagem aproveitei para atualizar a minha folha das despesas (excel), o meu caderno e escrever mais textos para o blog.

IMG_7012 (FILEminimizer)      IMG_7014 (FILEminimizer)

IMG_7015 (FILEminimizer)      IMG_7018 (FILEminimizer)

Chegámos a Ketapang por volta das 15.00 e no desembarque fiquei dentro do barco. Aos poucos, a tripulação foi-me fazendo algumas perguntas e lentamente consegui transmitir-lhes que queria ficar a dormir com eles no interior do barco. Entretanto arranjaram-me um ojek de confiança (Mr. Houdini) e com ele fui até ao aeroporto comprar o bilhete para Pangkalabun, o meu próximo destino. Com esse assunto resolvido, voltei à zona do porto e durante o resto da tarde/noite estive em confraternização (falar, fumar, beber, comer…), arranjei graças ao Doni o contacto de Mr. Ani (um dos responsáveis pelo parque nacional de Tanjung Punting), comecei a preparar papéis para ir à embaixada de Myanmar (voos, hotel, extrato bancário…) e apesar de me deitar cedo, passei uma noite pouco descansada.

IMG_7021 (FILEminimizer)     IMG_7024 (FILEminimizer)

IMG_7025 (FILEminimizer)

Às 6.30, o Mr. Houdini já estava a apitar em frente do barco, apesar de apenas termos combinado às 7.00! 😛 A verdade é que essa situação foi benéfica, pois antes de seguirmos para o aeroporto, pedi-lhe para ele me levar até a um multibanco e assim fiquei descansado relativamente aos fundos. Antes do embarcar comi, atualizei o caderno, fiz o check-in (como a balança estava inactiva, não paguei excesso de bagagem), paguei a célebre taxa aeroportuária, “escrevinhei” mais um pouco para o blog, vi aviões a aterrar e a descolar, e embarquei rumo ao parque natural dos orangotangos e dos crocodilos. 😀

IMG_7033 (FILEminimizer)      IMG_7036 (FILEminimizer)

IMG_7040 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito

Putussibau. Aguardando por Doni

De Singkwang, parti por volta das 17.00 e as doze horas de viagem até Sintang foram passadas a dormir. 🙂 Para apanhar um novo autocarro para Putussibau, esperei duas horas num mercado quase deserto e por volta das 7.00, voltei a partir. No início, a viagem foi lenta, arrastada e em certas zonas a estrada parecia um queijo suiço. Durante o caminho, o autocarro apinhado de pessoas e carga, arrastou-se (principalmente nas subidas) pelas estradas verdes do Bornéu. Ao longo do tempo, tentei atualizar o caderno e fui sentindo um nervoso miudinho por não ter conseguido falar com ninguém que me pudesse ajudar em Putussibau, até que depois de múltiplos telefonemas e várias trocas de mensagens, recebi o contacto de Doni (vice-diretor do Parque Nacional de Danau Sentarum e amigo de Sonja) e tudo mudou! Tinha acabado de arranjar um cicerone! 😀

À medida que nos aproximávamos do nosso destino começou a chover, sentindo-se um cheiro intenso a terra molhada. O embalo do autocarro fazia-me quase, quase adormecer, até que passávamos por pontes de madeira que nos faziam saltar dos lugares – bump, bump! Na paisagem, viam-se agora pequenas aldeias e povoações, onde a maioria das casas estavam construídas sobre estacas e o acesso era feito por passadiços de madeira. Cheguei a Putussibau às 19.00, depois de um dia inteiro de viagem, e graças ao Doni fui apanhado por um membro do parque natural que me deu boleia até ao HQ.

IMG_6585 (FILEminimizer)

Na chegada à sede geral do parque natural, conheci o chefe de Doni, que começou a conversa à “Javanesa” (modo muito polido) e acabou a pedir-me uma contribuição monetária, para o meu alojamento. Apesar de não ter apreciado o seu gesto, não quis ficar a dever-lhe favores e rapidamente resolvemos o assunto, com o pagamento de uma “propina”. Entretanto, falei com o Doni, combinámos que ele passaria no dia seguinte (às 17.00) para me apanhar e seguiríamos juntos para Lanjak (vila, colada ao lago Sentarum).

IMG_6588 (FILEminimizer)       IMG_6596 (FILEminimizer)

O dia em Putissabau, foi um dia lento e de espera pelo Doni, mas como tinha contactos da ONG, WWF passei por lá para conhecer os responsáveis daquela delegação (Albertus e Hermas) e saber detalhes acerca das áreas de intervenção. Durante o resto do dia escrevi textos para o blog e quando o Doni apareceu percebi imediatamente que ele era (felizmente!) muito diferente do seu chefe… 😀 A viagem durou duas horas e meia e o caminho para Lanjak foi feito em alegre algazarra, estavam lançados os dados para o que seriam os meus próximos dias… 😀

IMG_6593 (FILEminimizer)

IMG_6595 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Kabuuuuum! & Regresso a Jakarta

Depois da “sova” infligida pelo Merapi, acordei cedo e empacotei a mochila pronto para fazer o check-out e seguir para a zona do templo de Borobudur, porém quando fui à janela… a cor do céu e da cidade estava estranha! Pus os óculos e interroguei-me, “tempestade de areia? na Indonésia?” Naaaaaaaaa… cinza! A cidade estava coberta de cinza de um vulcão, que tinha entrado em erupção no leste da ilha! :/

IMG_5866 (FILEminimizer)      IMG_5871 (FILEminimizer)

Desse modo, desisti de ir até Borobudur, aliás tal, nem sequer era possível pois o templo tinha sido encerrado. O ambiente e a cor da cidade eram doentias e mesmo dentro do hostel havia muitas pessoas com máscaras postas! Durante o dia, aproveitei para limar algumas arestas pendentes de alguns textos do blog e escrevi novas crónicas. Ao fim do dia, recebi a informação que o templo iria permanecer encerrado durante duas semanas!! :/ E se até esse momento estava com dúvidas do que iria fazer, a partir daí tudo na minha mente ficou claro e límpido! Voltaria a Jakarta e assim que conseguisse voaria para Pontianak em Kalimantan (Bornéu Indonésio). À hora do jantar, sai pela primeira vez do hostel nesse dia e o ambiente que encontrei nas ruas foi algo de fantasmagórico.

IMG_5876 (FILEminimizer)      IMG_5877 (FILEminimizer)

Às oito em ponto, do dia seguinte, estava na estação de comboios e quando tentei comprar um bilhete para Jakarta fiquei ligeiramente chocado, comboios para a capital só dali a dois dias e para Badung nessa noite. Assim, parti em busca de uma alternativa e apanhei um ojek para estação de autocarros de Ciwangan. Aí, encontrei o que procurava! Um autocarro para Jakarta às 14.00! Num cenário de crise? Perfeito! 😀 Enquanto esperava conheci duas francesas (Stéfanie de Marselha e uma amiga que vivia na Argentina) e pouco depois apareceu Eddy (um rapaz indonésio que estuda medicina na Holanda e que tinha conhecido no hostel), que se juntou a nós.

IMG_5878 (FILEminimizer)      IMG_5879 (FILEminimizer)

Parti de Yogyakarta, com uma hora de atraso no meio de um ambiente surreal, mas à medida que fomos percorrendo quilómetros na direção oeste da ilha, o ambiente foi-se desanuviando. Durante a viagem, estive quase sempre a dormir e os únicos momentos em que estive acordado, aproveitei para comer na companhia de Lestari, uma senhora muito simpática que estava sentada ao meu lado. Cheguei a Jakarta às 5.00 e imediatamente apanhei um ojek para o aeroporto… 

IMG_5880 (FILEminimizer)       IMG_5884 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Díli – ? Nova Odisseia no Oriente

Depois da festa de despedida (Domingo), a noite acabou comigo e com o Gregório a esperar no “terminal” de Tasitalu por um autocarro da 1.00 às 5.00, hora em que finalmente o autocarro/carrinha se dignou a aparecer. 😛 A viagem até Batugade, nas imediações da fronteira demorou cinco horas e foi um martírio, pois para além do “bólide” estar apinhadíssimo, a estrada estava em péssimas condições (nada de novo, em Timor Leste) e eu desconhecia o local onde tinha de sair. Já depois de “desembarcar”, enquanto andava até à fronteira, recordava a data de nascimento errada no visto e pensava que se tivesse que voltar a Díli por causa desse “detalhe”, iria desejar “cortar a cabeça” a alguém! 😛

No controlo de passaporte, no lado da fronteira Timorense tudo foi muito rápido, no lado Indonésio um pouco mais demorado (vários agentes militares e da alfândega) mas simultaneamente todos os intervenientes foram muito simpáticos comigo. Nesse altura, ao olhar para eles, lembrei-me do que aconteceu em 1999 e houve um sentimento estranho ao pensar, se estas pessoas tinham estado envolvidas. :/ Depois dos múltiplos controlos, entrei oficialmente e pela segunda vez no maior país/arquipélago do nosso planeta. 🙂 Já no interior de um mikrolet para Atambua, falei em português com indonésios (o que foi curioso) e passados apenas quarenta minutos, estava a ser largado no centro desta cidade, cinzenta e desinteressante. Aí, não me demorei muito, levantei dinheiro, comprei “mantimentos”, uma capa para a chuva e apanhei um autocarro para a capital de Timor Oeste, Kupang.

Quando cheguei ao destino (22.30 de segunda feira), tive algumas dificuldades de comunicação com o meu condutor (que não percebeu que queria ser deixado numa guesthouse barata). Apesar de tudo o Senhor Félix, revelou-se muito generoso pois deixou-me dormir no interior do autocarro e chamou um ojek (Senhor Nando) com quem combinei partir para o aeroporto nessa madrugada. 🙂 Às 4.30, no meio da escuridão e de uma chuva miudinha, já estava a caminho do aeroporto e quando lá cheguei comprei um bilhete para Bali via Maumerè (6.30). O voo sobre a ilha das Flores e a sua topografia “louca”, revelou-me uma nova visão com uma beleza renovada e senti que a chegada a Bali, passados dois meses, via aérea e vindo de Leste foi como o fechar de um círculo. 🙂

Na chegada à ilha do Hinduísmo, desta vez sem a companhia do meu amigo Manu, o meu primeiro passo foi apanhar um táxi para a Fuji Professional (nome da loja de fotografia, que me foi dado em Díli), porém quando lá cheguei… um balde de água gelada! Assistência técnica e reparações, só em Jakarta! 😦 Desilusão, espelhada na minha face e a “oferta” imediata de uma objetiva por duzentos dólares. Saí da loja um pouco desanimado, mas decidido a ver mais algumas objetivas/preços sem me precipitar demasiado, ao mesmo tempo ponderava seriamente a hipótese de seguir para Jakarta. No meio dos meus pensamentos, comprei um kit limpeza para ver os resultados, mas… 0! Quando andava neste processo físico e mental, encontrei uma agência de viagens que vendia bilhetes de autocarro para a capital e foi assim que decidi, mudar a minha rota e seguir para a ilha de Java 

A viagem que esteve para começar às 15.00 na estação de Ubung, atrasou-se, apenas se iniciando às 19.00 (terça feira) e quando parti para mais uma odisseia nas terras do Oriente, apesar de um pouco cansado, estava de espírito animado. Da maratona para Jakarta, não há muito a dizer, a travessia fez-se pelo norte da ilha de Java, através de estradas em más condições, arrozais, campos de cultivo, muitas vilas e cidades caóticas, em que à semelhança de alguns locais de Sumatra e da Malásia, as construções mais bonitas são as mesquitas – refletindo a importância que a religião/espiritualidade tem na cultura asiática; apanhámos múltiplos engarrafamentos; consegui atualizar o “diário de bordo”; os filmes que passaram eram de pancadaria e sangue a rodos… 😛

À capital cheguei às 12.30 de quinta feira, depois de mais de quarenta horas de viagem consecutivas e se somar as noites passadas em Timor (tanto a de espera em Díli, como a de Kupang), depois de quatro dias seguidos a dormir em autocarros… De Díli para Jakarta, a odisseia derradeira…

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Ramelau. Via Sacra

Prólogo

Regressar a Dili foi um “processo” muito looooooooooooongo e demorou um dia inteiro de viagens! Primeiro, caminhei de regresso a Tutuala, depois tive um compasso de espera atribulado – informações contraditórias sobre a existência de autocarros para sair da vila – de mais duas horas até conseguir apanhar uma boleia para Los Palos, numa rápida e confortável carrinha strakar de uma empresa do governo. 🙂 Já na cinzenta e desinteressante cidade, mais uma loooooooooonga espera antes de começarmos a percorrer as ruas à procura de passageiros e pouco tempo depois, de realmente partirmos parámos numa aldeia onde estivemos a carregar cocos durante quase uma hora. 😛 Felizmente o resto da viagem decorreu com muito mais normalidade e tranquilidade e se às 19.30 já estavámos em Baucau, a chegada a Dili ocorreu por volta das 22.00, onde andámos a distribuir pessoas durante uma hora como se a carrinha fosse um táxi coletivo – nada de novo em tantas outras viagens que fizera, na Ásia.

Antes de partir para a montanha Ramelau, fiz um compasso de espera de um dia em Dili para ir buscar o meu passaporte já com o visto da Indonésia impresso e quando o abri, vi que existia uma gralha na data de nascimento! Ao relatar este facto, a funcionária disse que não havia qualquer problema e que o importante era o nome estar correcto! :/ Na despedida desta embaixada surreal, se dúvidas ainda existissem, fiquei com a certeza que para além desta ser um templo da burocracia, também o é da incompetência! :/


Dois dias depois de ter dito adeus ao paraíso terrestre de Jaco, estava no mercado de Halilarau na companhia do Gregório às sete e pouco da manhã. Antes de partir comprei água, sumos, pão e bolos para partilhar com os outros passageiros e com as crianças – sujas, ranhosas, esfarrapadas e pobres – e constatei uma falta de educação geral, por não existir um simples agradecimento na hora da partilha. Depois do Gregório se despedir, esperei que a carrinha de caixa aberta/autocarro enchesse durante hora e meia e só quando as pessoas estavam todas umas em cima das outras qual gado humano, o nosso “jarbas” decidiu arrancar.

IMG_5420 (FILEminimizer)     IMG_5428 (FILEminimizer)

A viagem até à junção da estrada que seguia para Hatubuilico foi um verdadeiro “massacre” – temporal – cinco horas para percorrer oitenta quilómetros!! E de desconforto, pois a estrada estava em péssimas condições, a carrinha estava super lotada e era muito, muito desconfortável -, a ponto de na última hora apenas desejar chegar ao meu destino! 😛 Quando finalmente pus os pés no chão e comecei a andar a pé, a paisagem era bastante bonita – verdes vales e serras, nuvens de vários cinzentos, sol e pedacitos de céu azul.

IMG_5429 (FILEminimizer)      IMG_5430 (FILEminimizer)

A estrada de dezoito quilómetros que me levou até à vila de Hatubuilico, já nas imediações da montanha Ramelau foi percorrida sensivelmente em três horas e durante a caminhada aproveitei para fotografar a bonita paisagem isto nas alturas que a chuva deu tréguas: as transições do céu cinzento e neblina para chuva, as plantações, as casas tradicionais, os cavalos, as vacas, as cabras; sentir o ambiente fresco e cheio de água; e pensar que os meus amigos e amigas vão tendo filhos, outros casando… e que eu seguia a andar para o sopé da montanha mais alta de Timor Leste. 😀

IMG_5432 (FILEminimizer)      IMG_5442 (FILEminimizer)

IMG_5444 (FILEminimizer)

IMG_5462 (FILEminimizer)

IMG_5477 (FILEminimizer)      IMG_5483 (FILEminimizer)

Quando finalmente cheguei à vila, a minha primeira preocupação foi arranjar um poiso para dormir e depois deste assunto estar resolvido, lá consegui com alguma “dificuldade” arranjar um guia, para fazer a ascensão da montanha. Em rifa saiu-me um miúdo minorca que aparentava dez anos – ele dizia que tinha treze – com quem combinei começar a ascensão por volta das 3.30. Durante a noite choveu torrencialmente, eu fui acordando inúmeras vezes e pensando se o meu guia ia cancelar a subida devido a más condições atmosféricas. Felizmente as minhas preocupações revelaram-se infundadas e às 3.40 partimos no meio da escuridão. A viagem para o topo demorou duas horas e meia e posso classificá-la de: escorregadia, escura, molhada, por vezes irritante – o meu “guia” tinha a minha lanterna e andava, muitas vezes demasiado à minha frente, ficando eu no meio das trevas -, “tropeçante”, ventosa e na chegada vimos uma estátua de Nossa Senhora – oferecida pelo exército português – envolta num denso nevoeiro. 😛 À medida que fomos descendo o dia foi clareando e apesar da neblina reinante, o Ramelau mostrou-se uma montanha verde, de árvores místicas e mágicas! 😀 A descida apesar de um pouco escorregadia, foi muito mais fácil, interessante, rápida e deu finalmente para tirar algumas fotografias.

IMG_5487 (FILEminimizer)      IMG_5501 (FILEminimizer)

IMG_5490 (FILEminimizer)      IMG_5494 (FILEminimizer)

Na chegada à pousada fiz os meus pagamentos, tomei banho e o pequeno-almoço, arrumei a minha pequena bagagem e falei durante um par de minutos com o viajante mais stressado que alguma vez conheci – a forma dele falar com as pessoas era tão acelerada que chegava a ser aflitiva. Às nove da manhã e na altura em que estava de saída de Hatubuilico, a máquina fotográfica deu um erro de mau contacto entre a lente e o corpo! – “Ok! Vamos relaxar, também está de chuva.” – à semelhança do dia anterior, percorri a pé quase todo o caminho até à junção, pois quase no final apanhei uma boleia de uma carrinha das obras. Desse local, comecei a descer caminhando em direção a Maubisse e passado um quilómetro, apanhei uma nova boleia desta feita para o centro da vila. Quando cheguei à zona do mercado, reparei numa carrinha de uma ONG que estava estacionada com pessoas a bordo e sem complexos fui pedir boleia para Dili, moral da história? Poupei tempo, dinheiro e principalmente o meu corpo! Já chegava de vias sacras, o dia e a noite anteriores tinham sido pródigos nelas… 😉    

IMG_5516 (FILEminimizer)      IMG_5518 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Rei do Ilhéu

A chegada à praia de Valu revelou-me uma praia de areia branca semi-deserta, um mar de múltiplos azuis e a visão do verde e esticadinho ilhéu de Jaco. Porém, apenas depois de tratar das questões práticas – arranjar poiso para dormir, local para comer e transporte para o ilhéu – é que consegui finalmente relaxar. Nessa altura estava contente, porque para além de ter conseguido encontrar as opções mais económicas, acabei por distribuir de forma bastante equitativa o dinheiro pelos intervenientes locais – o que é sempre benéfico. 🙂

IMG_5205 (FILEminimizer)      IMG_5236 (FILEminimizer)

Acampado nas imediações da praia, fruto da escuridão reinante, vi um mágico céu hiper/mega estrelado e no dia seguinte bem cedo, depois de ver nascer o dia, de tomar um saboroso pequeno-almoço, dirigi-me ao local de embarque como previamente combinado, com um dos pescadores – porém e como o meu “barqueiro” não apareceu tive de acertar a travessia com outro. Na curta distância que separa o “continente”, de Jaco conseguimos ver simpáticos golfinhos e no desembarque combinámos o horário de regresso – Jaco é considerado, uma reserva natural e um ilhéu sagrado e como tal passar a noite no mesmo é proibido.

IMG_5252 (FILEminimizer)     IMG_5290 (FILEminimizer)

IMG_5299 (FILEminimizer)

Depois de me despedir, a primeira visão que tive foi MÁGICA! 😀 Virado de frente para a costa este de Timor Leste, vi montanhas a sul, a linha do horizonte coberta de verde – um oceano de árvores e vegetação em todas as direções -, um mar de infinitos azuis, verdes – lindo, lindo, lindo! – e tive contacto com uma areia branca finíssima que em alguns locais parecia pó – nesta altura lembrei-me de Maya beach na Tailândia e do tour que fizera há uns meses nas ilhas Phi Phi. Estava num local de beleza natural virgem e um deserto absoluto! Cheirava a mar… era a única pessoa na ilha… o rei do ilhéu! 😀

IMG_5305 (FILEminimizer)     IMG_5311 (FILEminimizer)

Durante uma hora e tal percorri parte do ilhéu à beira mar – devido à existência de algumas paredes de rocha, não foi possível percorrer todo o seu perímetro e como estava sozinho, fui aconselhado previamente pelos nativos a não penetrar no interior da ilha -, tirei fotografias àquela paisagem de sonho, aos cómicos caranguejos e senti paz, serenidade, alegria e que estava a andar para o “fim do mundo”. O local era de facto único e singular e para além do som do mar, o som do vento a passar nos pinheiros era uma constante e fazia parte da ilha e da sua identidade.

IMG_5313 (FILEminimizer)     IMG_5314 (FILEminimizer)

Em Jaco acompanhado dos elementos e dos animais – águias, andorinhas, caranguejos, moscas, formigas, abelhas, peixinhos – atualizei o caderno, continuei a ler Bukowski – “(…) an intelectual is a man who says a simple thing in a dificult way, an artist is a man who says a difficult thing in a simple way.” -, tomei banhos de sol e mar, estive deitado a dormitar, a sonhar e a fruir o local. Nessa altura tomei a resolução de não querer passar mais dias no ilhéu, para não partir totalmente “cheio” e desse modo guardá-lo de forma mais cuidada e carinhosa, no meu coração e senti-me um privilegiado por aí estar.

IMG_5250 (FILEminimizer)      IMG_5324 (FILEminimizer)

IMG_5356 (FILEminimizer)

Na hora do almoço, cheguei a pensar se o pescador se teria esquecido de mim e pensei que ficar no ilhéu só com água e bolachas, apesar do local ser um paraíso não teria muita graça… e a verdade é que o almoço chegou via marítima – um peixe inteiro, grelhado apenas com sal. A deliciosa simplicidade, servida numa praia de uma beleza comovente! 😀

IMG_5366 (FILEminimizer)      IMG_5350 (FILEminimizer)

Ao longo do dia, existiram muitas variações da forma e cor das nuvens – escuras e claras – e desse modo ver as transições de luz foi um dos meus “desportos” favoritos; andei e tomei banho nu e fiquei na dúvida se algum dia estaria noutra praia/ilha assim! Também pensei que este local, seria com quase toda a certeza, o meu extremo Oriental da viagem e o mais afastado de Portugal – diga-se em abono da verdade, que independentemente de ser ou não o extremo oriental, Jaco seria sempre um digníssimo marco da viagem.

IMG_5375 (FILEminimizer)      IMG_5380 (FILEminimizer)

O meu dia no paraíso, terminou quando o sorridente pescador me veio buscar e o céu estava coroado com nuvens muito densas de prata – chuva – a sul e nuvens brancas – tipo algodão doce – a norte. Eu mantive-me no meio e a partir do caminho da virtude, vi todas as metamorfoses dos elementos de Timor Leste e na despedida a natureza presenteou-me com as dádivas e visões dos Deuses e da sagrada ilha de Jaco.

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Em trânsito: Viagem ao Fim do Mundo? Não… ao de Timor Leste

No dia em que me despedi de Com, acordei às 4.00, ainda de noite cerrada para apanhar o mikrolet – autocarro. Esperei, esperei, esperei, durante uma, duas, três horas… até ter a certeza que ao Domingo não existia ligação para Asalainu! :/ Durante o looooooooooooooooongo tempo em que aguardei, foi chovendo, vi estrelas a iluminarem o céu, fui presenteado com o nascer do astro-rei, tomei um pequeno-almoço reforçado e tentei negociar um táxi-mota na guesthouse. Devido ao valor que me pediam ser excessivamente elevado, não chegámos a consenso e às 7.30 estava de saída da vila de Com, a andar.

IMG_5179 (FILEminimizer)     IMG_5182 (FILEminimizer)

IMG_5184 (FILEminimizer)

Após percorrer dois/três quilómetros sempre em sentido ascendente, passou por mim uma mota que parou. Com o condutor, numa mistura de gestos e palavras consegui negociar, um valor razoável… e em boa hora o fiz, pois a viagem mesmo montado, ainda demorou 40 minutos e fiquei com a ideia que se tivesse feito todo o caminho a pé até ao meu destino teria demorado entre quatro e cinco horas!! :/ Em Asalainu fui deixado na estrada que seguia para Tutuala e depois de aguardar quinze-vinte minutos por um mikrolet, parou novamente um rapaz de mota, que me “ofereceu” transporte. Passados dez minutos de viagem, parámos em casa dele para arranjar um capacete para mim e aproveitámos para visitar a sua família. 🙂 A viagem de trinta quilómetros, demorou quase três horas!! Pois o rapaz – Lázaro – conduziu muito devagar, de qualquer modo e uma vez que não estava com pressa aproveitei para observar a paisagem – lago de Ilaralo, planícies, casas povoações e pessoas, montanhas calcárias… e ir falando em português – para ele foi uma boa oportunidade para praticar e para mim de aprender um pouco mais sobre o país.

IMG_5189 (FILEminimizer)     IMG_5405 (FILEminimizer)

A última fase da viagem, ligou a vila de Tutuala à praia de Valu, oito quilómetros que foram percorridos a pé. Nas alturas em que o sol brilhava, foi duro, pois ao calor associavam-se dores no ombro direito – pele sensível – e nesse momentos só pensava em andar, andar… andar. A “estrada” era horrível, estando cheia de pedras roladas e se a pé ainda dava para escolher as zonas que eram pisadas, de carro/jipe não me parece que existam muitas alternativas. À minha volta apenas se via floresta, coqueiros, pequenas aldeias e cada passo associava-se ao desejo de querer chegar”! Quando vi uma pontinha do verde ilhéu de Jaco no mar fiquei realmente feliz, estava a percorrer a pé a estrada que me conduzia ao extremo leste do país. Estuguei o passo em direção à irrealidade, acabara de chegar à praia quase deserta de Valu…o “fim” de Timor Leste! 😀       

IMG_5192 (FILEminimizer)       IMG_5197 (FILEminimizer)

IMG_5195 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Watabo & Com. Praias de Timor Leste

Do mundo tranquilo de Laclubar voltei a Baucau para reencontrar o Gregório como “prometido”. Primeiro apanhei um autocarro/carrinha de caixa aberta até Manatuto por entre serras, colinas, montes, florestas, plantações e ao longo da viagem, fizemos várias paragens para carregar mercadorias – lenha, vegetais, motorizadas… – e passageiros, muitos passageiros. 🙂 Já em Manatuto e na estrada principal do país, esperei que passasse um autocarro/carrinha para Baucau e à semelhança do primeiro “troço”, tive que acertar o preço do transporte sem inflações turísticas. 😛

IMG_4896 (FILEminimizer)      IMG_4899 (FILEminimizer)

Na cidade fiquei mais um par de dias tranquilos com o Gregório e durante esse tempo continuei a visitar a família Nicolau, a falar com pessoas muito simpáticas e hospitaleiras, dormi sestas, mostrei as fotografias que tirei previamente tanto em Baucau como em Laclubar e visitei a famosa praia de areia branca e mar de múltiplos verdes e azuis de Watabo – coco.

IMG_4922 (FILEminimizer)     IMG_4931 (FILEminimizer)

Daí segui para Com e a viagem durou sensivelmente três horas, no primeiro troço segui até Lautém e nessa vila apanhei um novo transporte que me levou por mais vinte quilómetros até finalizar a viagem. Durante todo o trajeto vi arrozais, aldeias, búfalos bem gordinhos, cabras e vacas, atravessei pontes, enseadas, colinas, coqueiros, campos de pasto, observei o céu azul e as nuvens brancas que corriam alegremente e senti a temperatura a ficar mais agradável à medida que me aproximava do meu destino.

IMG_4953 (FILEminimizer)

IMG_4956 (FILEminimizer)      IMG_5089 (FILEminimizer)

Na rudimentar “estância balnear” de Com, tentei dividir o “bem” pelas aldeias e desse modo, fiquei hospedado na Kati guesthouse e tomei todas as refeições na guesthouse da Dona Rosa. Aí para além de ter tido refeições agradáveis, fui informado que apenas existia um autocarro por dia para Asalaiunu e que o mesmo era de madrugada, negociei e acabei por comprar um lindo e colorido thai, e conheci a doce e educada Agnes – neta da Dona Rosa – que me pediu dinheiro para comprar cadernos para a escola.

IMG_4989 (FILEminimizer)      IMG_5164 (FILEminimizer)

IMG_5074 (FILEminimizer)      IMG_4981 (FILEminimizer)

Em Com passeei ao longo da costa – tanto para este como para oeste da vila -, tirei múltiplas fotografias; fascinei-me com a areia muito fina, com uma zona mágica de manguezais, com aquele mar de incontáveis azuis, com o silêncio reinante em praias completamente desertas; vi múltiplos cemitérios que misturavam motivos religiosos católicos – cruzes, Nossas Senhoras, Cristos – com animistas – múltiplas ossadas de animais; observei búfalos a banharem-se em charcos de lama; fiz praia e tomei belas banhocas – tanto de mar, como de sol; atualizei o caderno; vi filmes – The Third Man e The Man who shot Liberty Valance; apanhei um par de boleias de mota e constatei que nas estradas em redor da vila circulam mais cabras, vacas, galinhas, porcos e búfalos que automóveis e motorizadas :D; e houve uma situação em que tive de furar literalmente por uma vegetação muito densa e verde de coqueiros, bananeiras, campos e cercas até chegar a uma praia deserta, estrondosa! 🙂 Nesse momento ao observar o mar apaixonei-me definitivamente por Com e pelas praias de Timor Leste.           

IMG_5028 (FILEminimizer)      IMG_5013 (FILEminimizer)

IMG_5038 (FILEminimizer)    IMG_5115 (FILEminimizer)    IMG_5002 (FILEminimizer)

IMG_5137 (FILEminimizer)      IMG_5147 (FILEminimizer)

IMG_5158 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Em trânsito: Oecussi – Dili. À Flor da Pele

De manhã acordei às 4.30 para comprar o bilhete de barco para Dili no porto. Depois duma curta boleia, numa carrinha de pedreiros e serventes, e assim que cheguei ao destino, deitei-me em frente da bilheteira no chão, onde dormi durante cerca de uma hora na companhia de outros vultos noturnos. Assim que o dia começou a clarear, as pessoas começaram a despertar e eu sentado aguardei, aguardei, até que…. perto das 7.00 se começaram a vender os bilhetes. A fila que parecia estar criada desapareceu, gerou-se um enorme caos  empurrões, safanões, apertos – e senti que estava no meio de animais a lutarem pela sobrevivência! :/ No meio desse estrafego, conheci Garey  um estudante de Dili – e combinámos que quem chegasse primeiro ao guichet compraria o bilhete do outro. Depois de uma hora de “luta” e já depois de entregarmos o dinheiro e os documentos de identificação, os “diligentes” funcionários chamaram-nos para nos entregarem os bilhetes num guichet lateral.

Ao Garey entregaram-lhe o bilhete e a mim devolveram-me o passaporte, o dinheiro e disseram: “Já não há bilhetes de classe económica” – atenção, nesse momento todas as pessoas que estavam em “luta” na “fila” estavam a comprar esse mesmíssimo bilhete. Passei-me! Já com uma postura física de quem podia cometer uma loucura, de dedo apontado em riste e com a voz meio alterada, disse-lhes: “Há sim senhor! Estas pessoas estão a comprá-lo e o senhor vai vender-mo! Senão faço queixa de si em Dili!”. Nesse momento o Garey agarrou-me o braço, disse para eu ter calma e de dentro da bilheteira disseram para eu não preocupar e aparecer no porto à tarde. Entretanto o Garey ficou a falar com um funcionário, enquanto eu fiquei parado, desolado e a pensar: ” FDP! Eu não acredito que isto me está a acontecer!” Saí do porto revoltado com aquela corrupção gritante! No regresso à cidade combinámos reencontrar-nos ao meio dia para voltarmos ao porto juntos e ele me ajudar a apanhar o barco para Dili.

À hora marcada, na residência dos profissionais de saúde encontrei-me com Garey – Gregório -, Benny – Bendito -, outros médicos e enfermeiros timorenses e contei-lhes a história do porto e o motivo da minha fúria momentânea: “Não é o dinheiro em si que me revolta, mas o falta de princípios destes “tipos”, roubarem impunemente, quando existem pessoas que trabalham arduamente e que não ganham um caracol!”. Depois destas palavras, Benny apenas disse: “Não se preocupa, não Tomás. Fica comigo que tudo vai correr bem.”

IMG_4405 (FILEminimizer)     IMG_4406 (FILEminimizer)

Já no porto, entrámos por um portão lateral e não houve nenhum funcionário “diligente” ou segurança que se atreveu a pedir-nos, “propina”. Durante uma hora e enquanto esperávamos, falei tranquilamente com eles sobre vários assuntos, sendo um deles a possibilidade de ficar na casa da família de Garey em Dili. Até que… soaram as buzinas e se gerou rapidamente um grande aglomerado de pessoas na zona de embarque, que estava rodeada de arame farpado e de um contingente de polícia militar e civil! À medida que íamos andando lentamente – e eu pensava no exagero de tal aparato -, o Benny ia dizendo: “Mantêm-te, junto a mim Tomás” e no controlo de bilhete graças aos seus “conhecimentos” entrámos sem pagar nada. De um momento para o outro e sem esperar, tive a minha recompensa… estava a bordo do barco para Dili, sem pagar bilhete e/ou “propina”. 😀

IMG_4407 (FILEminimizer)     IMG_4408 (FILEminimizer)

IMG_4415 (FILEminimizer)     IMG_4418 (FILEminimizer)

Durante as doze horas de viagem para Dili, observei a bonita paisagem na saída do enclave, tirei fotografias, atualizei o caderno, distribui sorrisos, cumprimentei muitas pessoas – e vice-versa – e falei com um rapaz Timorense – Raimundo – sobre vários temas: binómio – Timor/Ásia, Portugal/Europa e os contrastes abissais das sociedades – explosão demográfica Vs. envelhecimento da população; riqueza primária do país – petróleo, gás, minérios, sândalo… e a inexistência de um setor secundário – fábricas e produção; desemprego; emigração. Para além disso, falei com um senhor português – Vitor – que tinha visto anteriormente na Timor Telekom, que fazia parte dos irmãos São João de Deus, que estava em Timor Leste há dez anos, a fazer trabalho na área dos doentes mentais em Laclubar e fui convidado a fazer-lhe uma visita 😀 , continuei a falar com o Benny e o Garey e dormi umas horas deitado no deck, até chegarmos a Dili por volta da uma da manhã. Depois do enclave de Oecussi, estava a desembarcar na capital de Timor Leste. 😀

  IMG_4420 (FILEminimizer)      IMG_4433 (FILEminimizer)

IMG_4435 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Oecussi. Por Timor com Amor

Tal como em outros destinos – Laos, Tailândia e Malásia -, em Timor Leste passei a fronteira, de mochila às costas, a caminhar. Quando encontrei o primeiro controlo e comecei a falar com os polícias em português, emocionei-me por ouvir a nossa língua passados tantos meses e comecei a chorar de alegria e emoção, parecia uma Maria Madalena. 😛 Foi como sentir-me em casa, sem realmente estar em casa! 😀 No segundo controlo de passaporte, já no posto de fronteira tudo correu com sorrisos e com um carimbo vermelho a marcar 90 “diaz” segui a caminhar, desta feita já na companhia de um tímido rapaz timorense.
IMG_4195 (FILEminimizer)      IMG_4201 (FILEminimizer)
Na pequeníssima aldeia de Bobometo, esperei uma hora por um mikrolet – carrinha/bus – e quando este chegou, rapidamente ficou apinhadíssimo de pessoas muito sorridentes e simpáticas. Durante a viagem, de cerca de duas horas, segui primeiro até Tono e daí até Oecussi e ao longo do trajeto a paisagem mostrou um misto de verdes colinas, montanhas, arrozais e estradas esburacadas e poeirentas. Oecussi revelou-se uma vila muito mais “rudimentar” e pequena do que esperava, mas envolvida por uma paisagem natural bela, serena – entre o mar azul e colinas/montes verdejantes, muitas vezes cobertos de nuvens nos topos – e nos três dias que aí estive, comecei a descobrir Timor Leste, a simpatia do seu povo e o lado mais obscuro do país.

IMG_4199 (FILEminimizer)

Na vila e nas suas imediações, passeei à beira-mar encontrando praias de areia clara e outras de areia negra, zonas de arvoredo, manguezais, campos de cultivo, cabras, vacas e galinhas; disse olá a muitas pessoas e crianças e senti uma energia super-positiva e contagiante; vi muitas crianças a banharem-se no mar nuas com uma pureza cristalina; em mais do que uma ocasião houve nativos que se aproximaram, que me tentaram dar beijos e me apalparam a “salada” – “mas o que é que se se passa em Oecussi!?” -; visitei Linfau e o seu monumento histórico – local onde os portugueses desembarcaram pela primeira vez em Timor em 18 de Agosto de 1515; estive alguns momentos no bonito e tranquilo café das irmãs Dominicanas, onde bebi sumos extraordinários, entre os quais de papaia e abacate 😀 ; fui até à colina de Fatusaba, onde encontrei vestígios de um antigo forte e pude observar a vila do topo; estive na Timor Telekom  único local com internet – a enviar e-mails para a minha família; visitei a longa praia de Mahata; atualizei o caderno e escrevi textos para o blog; percebi que o país é bastante mais caro que outros aqui no Sudeste asiático e que existe um aumento generalizado de preços – comida, alojamento, transportes, etc… – mas que tal é natural, uma vez que tudo ou quase tudo é importado – maioritariamente da Indonésia; tive um serão na “cavacada” a beber tuasabo  vinho timorense, feito de palma – e a esfumaçar com timorenses, entre os quais Benny – um médico que esteve a estudar em Cuba e no Brazil e que agora estagia no enclave – e senti na pele algo que nunca tinha sentido antes…
IMG_4212 (FILEminimizer)     IMG_4236 (FILEminimizer)
IMG_4255 (FILEminimizer)     IMG_4325 (FILEminimizer)

IMG_4250 (FILEminimizer)    IMG_4336 (FILEminimizer)    IMG_4337 (FILEminimizer)

IMG_4328 (FILEminimizer)      IMG_4360 (FILEminimizer)

IMG_4345 (FILEminimizer)      IMG_4372 (FILEminimizer)

IMG_4386 (FILEminimizer)     IMG_4352 (FILEminimizer)