Oecussi. Por Timor com Amor

Tal como em outros destinos – Laos, Tailândia e Malásia -, em Timor Leste passei a fronteira, de mochila às costas, a caminhar. Quando encontrei o primeiro controlo e comecei a falar com os polícias em português, emocionei-me por ouvir a nossa língua passados tantos meses e comecei a chorar de alegria e emoção, parecia uma Maria Madalena. 😛 Foi como sentir-me em casa, sem realmente estar em casa! 😀 No segundo controlo de passaporte, já no posto de fronteira tudo correu com sorrisos e com um carimbo vermelho a marcar 90 “diaz” segui a caminhar, desta feita já na companhia de um tímido rapaz timorense.
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Na pequeníssima aldeia de Bobometo, esperei uma hora por um mikrolet – carrinha/bus – e quando este chegou, rapidamente ficou apinhadíssimo de pessoas muito sorridentes e simpáticas. Durante a viagem, de cerca de duas horas, segui primeiro até Tono e daí até Oecussi e ao longo do trajeto a paisagem mostrou um misto de verdes colinas, montanhas, arrozais e estradas esburacadas e poeirentas. Oecussi revelou-se uma vila muito mais “rudimentar” e pequena do que esperava, mas envolvida por uma paisagem natural bela, serena – entre o mar azul e colinas/montes verdejantes, muitas vezes cobertos de nuvens nos topos – e nos três dias que aí estive, comecei a descobrir Timor Leste, a simpatia do seu povo e o lado mais obscuro do país.

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Na vila e nas suas imediações, passeei à beira-mar encontrando praias de areia clara e outras de areia negra, zonas de arvoredo, manguezais, campos de cultivo, cabras, vacas e galinhas; disse olá a muitas pessoas e crianças e senti uma energia super-positiva e contagiante; vi muitas crianças a banharem-se no mar nuas com uma pureza cristalina; em mais do que uma ocasião houve nativos que se aproximaram, que me tentaram dar beijos e me apalparam a “salada” – “mas o que é que se se passa em Oecussi!?” -; visitei Linfau e o seu monumento histórico – local onde os portugueses desembarcaram pela primeira vez em Timor em 18 de Agosto de 1515; estive alguns momentos no bonito e tranquilo café das irmãs Dominicanas, onde bebi sumos extraordinários, entre os quais de papaia e abacate 😀 ; fui até à colina de Fatusaba, onde encontrei vestígios de um antigo forte e pude observar a vila do topo; estive na Timor Telekom  único local com internet – a enviar e-mails para a minha família; visitei a longa praia de Mahata; atualizei o caderno e escrevi textos para o blog; percebi que o país é bastante mais caro que outros aqui no Sudeste asiático e que existe um aumento generalizado de preços – comida, alojamento, transportes, etc… – mas que tal é natural, uma vez que tudo ou quase tudo é importado – maioritariamente da Indonésia; tive um serão na “cavacada” a beber tuasabo  vinho timorense, feito de palma – e a esfumaçar com timorenses, entre os quais Benny – um médico que esteve a estudar em Cuba e no Brazil e que agora estagia no enclave – e senti na pele algo que nunca tinha sentido antes…
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Em trânsito: Oecussi via Kefa. Com a Ajuda do Sr. Jorge

Na chegada ao porto de Kupang e depois de evitar alguns “taxistas” trapaceiros apanhei uma carrinha coletiva que me levou para o centro da cidade. Aí apanhei uma nova carrinha/autocarro para Oinlasi e até sair de Kupang andei a passear um par de horas, uma vez que a carrinha andava para trás e para a frente a tentar angariar passageiros – a tradição indonésia não falha! 😛 . Durante a viagem que me levou por paisagens bastante verdes e algumas estradas esburacadas, mudei de ideias e decidi seguir diretamente para Kefamenanu  Kefa -, uma vez que o “fogo no rabo” para chegar a Timor Leste estava a aumentar. 🙂

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No simpático e tranquilo Hotel Cendana consegui negociar o preço do quarto, com o dono e passado pouco tempo conheci o Sr. Jorge, um senhor muito tranquilo que era simultaneamente tradutor e guia turístico. Depois de falarmos um pouco acordámos que ele me levaria até à fronteira com Timor Leste – enclave de Oecussi -, ajudar-me-ia a arranjar dólares e durante a minha estadia na cidade seria simultaneamente meu guia num passeio turístico e ojek. Vida orientada e simplificada! 🙂

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Na manhã seguinte, o Sr. Jorge foi-me buscar e juntos seguimos rumo à pequena aldeia de Bitauni  acerca de trinta quilómetros de Kefa, no estrada que segue para Atambua – onde visitámos uma gruta/santuário, que no seu interior albergava uma estátua de Cristo, levada por portugueses. Na gruta, a escuridão não era total pois a luz entrava por alguns buracos, existiam morcegos a voar e no ar sentia-se um odor pesado às suas fezes. Em frente à estátua da Nossa Senhora e da estátua do Redentor, o Sr. Jorge acendeu velas e rezou durante alguns momentos – ao que parece parte das suas orações foram a pedir proteção divina para mim – :), enquanto eu observava silenciosamente. No caminho de regresso acenei algumas vezes aos simpáticos nativos e parámos algumas vezes para tirar fotografias à paisagem: as verdes colinas; as montanhas, entre as quais Tatamailau – a maior montanha de Timor -; as casas típicas – Lopos as mais ricas e Umes as mais humildes e os campos de cultivo. Já em Kefa, imprimi e ofereci ao Sr. Jorge algumas fotografias do nosso passeio, troquei rúpias indonésias por dólares americanos – a moeda oficial de Timor Leste – e estive sossegado no quarto a ler alguma informação sobre o meu próximo destino.

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Como combinado, o Sr. Jorge foi-me buscar às 8.00 e no caminho de sobes e desces continuámos a ver a paisagem verde típica da ilha de Timor: montanhas, vales e colinas. Na chegada à fronteira o Sr. Jorge, desmontou da mota e acompanhou-me pelos múltiplos controlos de passaporte, até sair de território indonésio. O primeiro efetuado pela polícia militar, o segundo pela polícia civil e o último e mais “complexo”, no posto de fronteira – tudo começou porque não tinha um papel de controlo emitido pela embaixada de Timor Leste – tentei explicar-lhe que era português e que por esse facto, não precisava dele -; depois porque não tinha o cartão de emigração comigo, que me tinha sido entregue no aeroporto de Medan – tentei explicar-lhes que alguém mo perdeu e pedi desculpa por isso. Comecei então a ouvir falar da sua importância, etc… continuei a dizer que não podia fazer nada, a não ser preencher um novo e que sim, que percebia a sua importância. Passados cinco minutos e depois de me carimbarem o passaporte, lá me deixaram seguir viagem e na despedida do Sr. Jorge agradeci a sua ajuda no “processo” de despedida da Indonésia, para mim o verdadeiro país dos sorrisos. 😀 O enclave de Oecussi estava mesmo à minha frente, só tinha que continuar a caminhar…

IMG_4189 (FILEminimizer) P.S. – Contacto do Sr. Jorge em Kefamenanu. Telemóvel: +62 81237865987.

A Organizada Singapura

Na fronteira entre a Malásia e Singapura, fui chamado à zona da alfândega para declarar bens. :/ A saber, uns maços de tabaco que foram comprados na ilha de Langkawi por cinco dólares e que nesse momento foram avaliados em cinquenta! 😛 Claro que face à situação criada, transmiti aos funcionários da alfândega que não estava interessado em pagar aquela taxa “absurda” e que podiam destruir os mesmos. Assim foi a minha entrada no pequeno país.

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Percebi então, que Singapura era necessariamente diferente dos países anteriores e não me enganei. Durante os dias que estive nesta Big Town Country houve características que sobressaíram: a limpeza, a organização, a meticulosidade, a eficiência, a riqueza… à medida que fui circulando no país/cidade, vi muitos cartazes de proibições – algumas delas bizarras, como o caso das pastilhas elásticas?! – e por esse motivo batizei Singapura, de Fine Country  o país das multas. 😛 Ao mesmo tempo observei um paradoxo interessante, o governo taxa de forma pesadíssima o tabaco, proíbe as pastilhas elásticas mas simultaneamente permite a prostituição! Enfim… há negócios que serão sempre inatacáveis.

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Na cidade voltei a encontrar o Rudy e com ele tive um jantar extraordinário: o delicioso e famosíssimo caranguejo picante de Singapura, lulas, ostras, arroz, doce de manga, água de coco e no final uma conta brutal, que ele fez questão de pagar! Merci, mon amie. 😀

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Nos dias que estive em Singapura, deambulei livremente e visitei a vibrante e colorida Little India; a zona de Chinatown, que me pareceu demasiado plástica e pouco autêntica; a moderna zona do centro financeiro onde quase “parti o pescoço”, de tanto olhar para cima 😀 ; os maravilhosos parques e jardins; a curiosa e “macabra” How Par Villa, onde muitos pais mostram aos filhos o que lhes pode acontecer se forem “más pessoas” – zona dos infernos chineses, extremamente gráfica e explícita – 😛 e a hiper turística ilha de Sentosa, onde se localiza o parque temático da Universal Studios e umas praias que até podiam ser agradáveis, mas com a linha do horizonte coberta de cargueiros, perdem todo o encanto.

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Para além das deambulações na cidade, mudei o “paradigma” do meu caderno e deixei de escrever nele como sendo um diário; continuei a provar deliciosa comida e relaxei no magnífico hostel – Green Kiwi  onde numa noites, tive um serão bastante animado e engraçado a jogar jenga – peças de madeira, que formam uma torre e que têm de ser removidas uma a uma, até alguém fazer a torre cair – com um grande grupo de australianos e canadianos. 🙂 A a ilha de Sumatra estava a um curto voo de distância…

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Em trânsito: Koh Phi Phi – Pulau Pangkor. Cruzando Fronteiras

Ato II – Malásia Side

Às 6.00 da manhã já estávamos acordados e prontos para seguir até um novo país. Mas não se pode dizer que estivéssemos frescos, pois à longa viagem do dia anterior juntou-se uma noite dormida miseravelmente, fruto do quarto “fabuloso” mas principalmente da preocupação que se apoderou dos nossos espíritos… uma vez que na noite anterior marcámos um hotel num resort em Pulau Pangkor e posteriormente vimos que a ilha ficava longíssimo da fronteira – “apenas” trezentos e cinquenta quilómetros! Para fazer em transportes públicos! E sem a noção de horários das ligações terrestres e marítimas… – caricato! Na única vez que tínhamos marcado um hotel realmente bom, havia a fortíssima probabilidade de não conseguirmos chegar a tempo de dormir a primeira noite. :/

A andar, rumámos para fronteira e à medida que o fazíamos, senti um nervoso miudinho pois não tinha nenhum comprovativo de saída da Malásia. A saída da Tailândia estava mais do que garantida mas… e a entrada no nosso destino imediato? Porém e após o controlo de passaporte em ambos os postos de  fronteira, a minha preocupação revelou-se totalmente infundada, pois ao olhar para o passaporte vi um carimbo que mostrava noventa dias! E sem pagar! 🙂 Já com a burocracia resolvida entrámos oficialmente na Malásia e à semelhança da passagem da China para o Laos, a fronteira foi cruzada a caminhar de mochila às costas. 🙂

Às 8.00 entrámos oficialmente na cidade Malaia de Padang Besar – o nome é exatamente igual ao da cidade da Tailândia! – e depois de levantarmos dinheiro, tentámos encontrar autocarros que nos levassem mais para sul. Quando chegámos à estação, a mesma estava fechada e com um aviso no portão a informar que apenas abria às 10.00! :/ Sentámo-nos no chão, abri o laptop e comecei a procurar alguma informação no guia da Lonely Planet. Esta cidade era muito menos desenvolvida do que imaginara e como não oferecia alternativas imediatas, disse à M. que tínhamos de ir para Kangar o mais rapidamente possível. Não existindo autocarros, tivemos de apanhar um táxi. No terminal, fiquei super admirado quando vi o valor da viagem afixado e o taxista a não querer negociar o preço! Depois das mafiosices constantes do sul da Tailândia, esta clareza era uma boa mudança! Ainda para mais quando o valor para fazer os trinta e poucos quilómetros se revelou justo. 🙂

De táxi, chegámos à estação de Kangar às 9.40 e já na bilheteira perguntei se existia um autocarro para Ipoh – a maior cidade do centro da Malásia e que tinha ligação com Lumut, a cidade portuária onde teríamos que apanhar o barco para Pulau Pangkor. Porém e felizmente a M. disse para reformular a pergunta para Lumut e assim fiz e… não é que havia um autocarro direto!? Pois é! Tudo indicava que estávamos “safos” e nesse momento as nossas probabilidades de chegar a Pulau Pangkor passaram de uma miragem para uma certeza absoluta. Que alívio! 😀

Antes de embarcarmos decidimos comer e pela primeira vez tivemos contacto com a comida Malaia  cheiro forte a especiarias, pratos com caril, picante q.b., muita variedade. Escolhemos o que queríamos comer e quando estávamos para pagar, um desconhecido que estava no balcão, apontou para a nossa mesa e fez sinal ao empregado que iria pagar-nos a refeição. Eu e a M. dissemos que não. Que não podíamos aceitar e ele respondeu-nos: ”Don´t be shy.” E acabou mesmo por pagar tudo! Comovidos com a bondade deste senhor, ficámos de lágrimas nos olhos e só pudemos dizer obrigado, várias vezes. 🙂

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Quando entrámos no autocarro, os assentos pareciam umas autênticas poltronas! 😀 Nunca tinha visto nada assim. Pusemo-nos à vontade e enquanto a M. dormia eu aproveitei para atualizar o caderno. A viagem até Lumut foi muito tranquila e confortável e com uma paragem que fizemos em Ipoh para mudarmos de autocarro, a mesma durou seis horas e meia! Já em Lumut e depois de verificarmos que havia muitas opções para posteriormente irmos para Kuala Lumpur, andámos dois minutos a pé até ao cais de embarque, onde apanhámos o barco. A viagem foi feita já com o sol em rota descendente e a paisagem revelou uma ilha muita verde. Já em Pulau Pangkor apanhámos uma carrinha táxi cor-de-rosa, de valor fixo até ao nosso hotel e já na receção demos com a conta impressa e o recibo pronto! Ehhhh, eficiência! 🙂 Quando chegámos ao quarto ficámos bastante agradados com o mesmo e depois de um mergulho na bonita piscina, jantámos num pequeno restaurante. Depois da refeição, voltámos ao quarto, onde aterrámos na cama, cansados das múltiplas viagens dos dias anteriores e de todo o carrossel de emoções que fomos vivendo.

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Em trânsito: Koh Phi Phi – Pulau Pangkor. Cruzando Fronteiras

Ato I – Tailândia Side

O último dia passado na Tailândia foi um dia extenuante, todo passado em viagens e tudo por culpa do bilhete vendido pela minha “amiga”. Esse famoso bilhete levou-nos até Had Yai  a cerca de quarenta quilómetros da fronteira! – mas a realidade é que para entrar na Malásia existem transfers diretos – geralmente até à ilha de Penang – por um valor semelhante ao que pagámos! Moral da história?

Na viagem para Had Yai os únicos factos que merecem destaque foi constatar que o desaparecimento de comprovativos de bilhetes no bolso dos motoristas é prática corrente e visualizar a mudança de ambiente religioso – o Budismo desaparece e dá lugar ao  Islamismo. Na chegada com muita dificuldade lá conseguimos comprar bilhetes para Padang Besar – cidade que fica na fronteira entre a Tailândia e a Malásia – e a curta viagem demorou uma eternidade, porque a estrada não era muito boa e o autocarro mais parecia um táxi coletivo! :/ Na chegada o nosso motorista, prestavelmente, quis deixar-nos na fronteira, mas como já eram 18.00 e consequentemente 19.00 na Malásia, pedimos para ele nos deixar num hotel barato.

Mas o que significa exatamente, ficar num hotel barato numa cidade de fronteira? Significa que o rececionista não fala convosco, emite alguns ruídos e grunhe, mas percebe-se que ele está a pedir o dinheiro e o passaporte. 😛 Após esta espécie de comunicação subimos ao quarto para largar as mochilas e quando entrámos o ar cheirava a bafio, “midades” e havia um espelho ao longo da cama! OK?! Abrimos a janela para ver se o cheiro desaparecia e entretanto desaparecemos nós daquela suite magnífica em busca de comida. Demos uma volta pela cidadezita, feia e desinteressante mas que em termos gastronómicos nos satisfez, apesar de alguns vendedores nos tentarem enganar nos preços! Pensei: ”Realmente é mais forte do que eles, nem numa terriola sem turistas perdem a oportunidade! ” Ai a felicidade de sair da Tailândia e do seu sul cheio de esquemas e m#$%@&!”

Já com o farnel voltámos ao nosso hotel e nas escadas da entrada, sentámo-nos para comer. À medida que comíamos, começámos a observar a nossa rua com mais atenção. Do outro lado, existiam dois bares de karaoke com luzes vermelhas acesas e algumas thais na entrada e perante este cenário virei-me para a M. e comentei: “Cá para mim, estes bares de karaoke são a Kikas cá do sítio.” A confirmação veio passado uma hora quando já estávamos no lobby do hotel a tentar marcar um hotel para os dias seguintes e vimos uma “menina” de vestido vermelho choque, acompanhada de um nativo, a sair da zona dos quartos com A/C. Não restavam dúvidas estávamos no hotel das _____ (espaço para darem a resposta). Exatamente! E gozámos com situação, principalmente por elas terem melhores quartos do que aquele onde ficaríamos a dormir… na nossa última noite, na romântica Tailândia. 😛

Em trânsito: Huay Xai/Chiang Khong – Chiang Mai. Nervoso Miudinho!

Quando apliquei o visto da Tailândia em Vientiane havia uma questão que ninguém me tinha conseguido esclarecer: quanto tempo podia ficar no país com o visto que tinha impresso no passaporte? As opiniões dividiam-se: havia os que afirmavam 60 dias, uma vez que era esse o número máximo permitido pelo visto turístico; havia quem referisse, que como estava a cruzar a fronteira por terra esse valor seria reduzido para 30 dias; e havia ainda quem dissesse que dependia do oficial de emigração, enfim… Nada claro! :/ E neste caso específico eu necessitava de clareza, pois estava prestes a receber uma visita muito especial, que já se sabia, teria direito a estar 30 dias no país sem precisar de visto – entrada via aérea. Portanto o número de dias a que teria direito, iria traçar não apenas o meu futuro imediato, mas também o de “alguém”, que estava prestes a viajar milhares de quilómetros para me acompanhar durante um mês por terras do Oriente.

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Ainda no Laos fomos levados ao controlo de emigração e aí tivemos de pagar mais uma vez a famosa “taxa de fim-de-semana”, ou como eu gosto de chamar-lhe corrupção encapuçada! Desta feita a taxa era 10.000 kips ou um dólar – eles são corruptos e espertalhões, uma vez que na saída do país já quase ninguém tem dólares e os dez mil kips valem mais do que um dólar. Paga a taxa e carimbado o passaporte, apanhámos o barquito que nos fez cruzar o Mekong e pisei pela primeira vez solo tailandês.

Na posto de entrada, estava uma grande confusão e concentração de pessoas e para não me separar do resto do grupo pedi a um homem que parecia monitor de um grande grupo de miúdos, se podia passar à frente deles. De óculos escuros, cara inexpressiva e séria disse que não com uma voz seca e gelada e depois de um grande compasso de espera, lá afirmou que estava a brincar. Enfim o axioma da estupidez a funcionar, mais uma vez! Adiante. Na janela do oficial de emigração entreguei o meu passaporte e quando ele me perguntou quanto tempo pretendia ficar no país, expliquei que na próxima sexta feira iria receber uma visita e que por esse motivo os 60 dias seriam muito bem aceites. Ele olhou para mim e começou a folhear o passaporte e passado um minuto, ouvi o som de carimbos a bater. O veredito estava dado, eu é que ainda não sabia o resultado. Recebi o passaporte e enquanto ele fazia o gesto para seguir, senti o nervoso miudinho da incerteza e tinha esperança que a burocracia e o tempo despendidos tivessem valido a pena.

Abri o passaporte e vi o carimbo azul… admitted untill… e a data carimbada a vermelho! Consegui! Tudo valeu a pena! 😀 De sorriso nos lábios dirigi-me ao resto do grupo, que já estava pronto e disse-lhes que tudo correra bem. Juntos esperámos pela nosso táxi/carrinha e passado meia hora arrancámos estrada fora pelas paisagens verdes do norte da Tailândia, rumo a Chiang Mai… a capital dourada do Norte. 🙂

Em trânsito: Xishuangbanna – Luang Nam Tah. Goodbye China. Hello Laos!

Antes de começar a minha travessia para o Laos estava um bocadito nervoso, pelo recomeço de tudo: língua, preços e dinheiro, pessoas, cultura… de qualquer modo penso que sentir esse nervoso miudinho, foi natural, positivo e sinal que aguardava a mudança com expetativaA viagem entre a China e o Laos começou num Sábado, depois de almoço e com a despedida de Jinghong que foi uma agradável surpresa. Saí da cidade acompanhado pelo Zhou Fan Chou  o “caramelo” já tem nome – e antes de começarmos a pedir boleia, andámos dois quilómetros para chegar ao perímetro exterior da cidade. Em menos de dez minutos já estávamos numa carrinha a caminho de Mèngla, vila que fica a cento e trinta quilómetros de Jinghong e à qual chegámos a meio da tarde. Decidimos não prosseguir para Mohan, não por falta de tempo, mas porque essa é uma cidade fronteiriça e seguramente com preços inflacionados. Desse modo, acabámos o dia a dormir em Mèngla, a cinquenta quilómetros da fronteira, numa espelunquinha. 😛

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No Domingo, acordámos cedo e andámos novamente dois quilómetros para chegar à estrada principal e aí ficámos à espera que alguma alma caridosa nos desse boleia para Mohan, a última cidade/vila chinesa antes da fronteira. Finalmente, passado uma hora e pouco alguém parou e não é que foi um carro com matrícula do Laos?! 😛 Metemos a bagagem na carrinha de caixa aberta e durante a viagem não conseguimos comunicar com o nosso condutor. Bonito… no entanto na chegada à vila ao parar o condutor do bólide fez-nos sinal de dinheiro. Eh lá! Com esta não contávamos. Ok, my friend no problem, toma lá uma ajudinha e não digas que vais daqui. Antes de sairmos de Mohan troquei os yuans que tinha por kips e mandei um e-mail a contar as novidades.

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A última parte do trajeto até à fronteira foi feita a caminhar e poucos minutos depois estava com o passaporte carimbado. Zheijiè (adeus) China! Até ao regresso. Seguimos o caminho sem ninguém por perto e nos últimos metros de China fomos “abençoados” por uma chuva suave. 🙂 No posto de fronteira do lado do Laos (Boten), preenchi o formulário, entreguei uma fotografia e paguei trinta e cinco doláres pela impressão do visto e mais uma “taxa de fim-de-semana” (10.000 kips ou 2 doláres). “Ok, ok! Leva lá um euro (10.000 kips) e não me peças mais dinheiro, ou levantes problemas”. 😛 Sem mais taxas manhosas entrei oficialmente no Laos pelo próprio pé. Hello! 🙂

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Passámos pela vila de Boten sempre a andar na Nacional 13 e na saída da vila estávamos a cinquenta e cinco quilómetros de Luang Nam Tha, nosso destino. Durante duas horas fomos andando, parando e tentando pedir boleia e passado todo esse tempo andámos quatro quilómetros! :/ Não estava fácil a nossa vida, quando… um carro com matrícula chinesa parou e nos deu boleia até ao nosso destino. 🙂 A estrada estava em excelentes condições – pelo menos para as minhas expetativas – e após uma hora de viagem ao aproximarmo-nos da cidade, apareceram montanhas, arrozais, nuvens…lindo! 😀

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Em trânsito: Hong Kong – Guangzhou. Hello China! See you again

Quando saí do hostel dirigi-me para a estação de comboios, Hung Hon e antes de sair da cidade aproveitei para comprar comida – “despachando” desse modo os dólares de HK que ainda me restavam – e ver o meu passaporte ser controlado mais uma vez. Durante a viagem aproveitei para comer e organizar algumas coisas pendentes, senti-me cansado e a partir de certo momento observei a chuva que caía pesadamente. Já em Guangzhou, o meu passaporte foi novamente controlado, desta feita pelas autoridades chinesas e nesta segunda entrada? No problem… Hello China! See you again… 🙂

Em trânsito: Macau – Hong Kong. Night Boat

Fui deixado no terminal à 1.00 onde tive de esperar pelas 2.30 pois o barco da 1.30 apenas tinha disponíveis, lugares de super class – bastante mais dispendiosos que os lugares regulares – e aguardei… aguardei… aguardei pela entrada no barco e finalmente pude fechar os olhos pelo menos durante o tempo da viagem. Em HK, saí do terminal às 3.40 e como não havia autocarros disponíveis pelo menos durante as próximas duas horas, andei… andei… andei pelas ruas quase desertas da cidade e às 4.20 cheguei finalmente ao hostel, suado e a necessitar de um banho fresco…

Macau. Cheiro a Portugal

O ferry para Macau, ou melhor dizendo o barco rápido demorou uma hora redondinha a efetuar a viagem e durante a mesma, fruto da elevada quantidade de salpicos, não me foi possível ver nada. Antes de colocar o pé, num território que já foi português o meu passaporte teve de ser controlado, à semelhança do que ocorreu em HK, antes de embarcar.

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Na chegada, o dia estava agradável e fui recebido com sol, céu azul e calor – felizmente mais suportável do que em HK 🙂 – e a primeira visão “portuguesa” que tive foi descortinar um arranha-céus dourado no horizonte e batizado de “Grand Lisboa”. Segui pela cidade e as primeiras coisas que me despertaram a atenção foi observar que os carros conduzem pela esquerda à semelhança de HK e as ruas têm nomes em português. 

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O primeiro local que visitei foi a colina da Guia e a sua fortaleza, cujo interior alberga uma bela capela – construída entre 1622 e 1638 – e o farol – datado de 1865 – e à medida que percorria este local, lembrei-me dos meus heróis juvenis de Uma Aventura e que puseram a minha mente a viajar por Macau, muitos anos antes de aqui chegar fisicamente. 🙂

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Da colina até à praça Tap Seac foi um pulinho e aí tive pela primeira vez contacto com a bela calçada portuguesa e com um grupo de pequenos escuteiros. 🙂 Antes de encontrar o cemitério, passei pela magnífica rua de São Roque, onde se podem encontrar charmosos edifícios de traço português e as bonitas igrejas de São Roque e São Lázaro – que estavam fechadas – e pelo “jardim” Vasco da Gama. Quando cheguei ao cemitério, as suas paredes imaculadamente brancas estavam a ser pintadas de verde água e não fora o aparecimento de caracteres chineses e retratos com olhos e feições asiáticas nas campas iria jurar que estava em Portugal. 🙂

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Daí segui até ao Parque Luís de Camões, onde encontrei o “Luís”  acompanhado dos seus primeiros versos de Os Lusíadas; vistas da cidade e velhotes a jogar às cartas ou sentados a conversar e a bonita casa Jardim onde se localiza a delegação da Fundação do Oriente de Macau. A caminho das ruínas de São Paulo, passei pela igreja de Santo António – construída antes de 1560 e reconstruída em 1875 e que assinala o local onde os Jesuítas se instalaram na cidade – e pelo pequeno templo de Na Tcha – 1888. Quando cheguei às ruínas, a sua escadaria recebeu-me de “braços abertos” e rodeou-me de hordas de turistas. :/ Sem me demorar longamente, segui para o forte do Monte -construído entre 1617 e 1626 – onde pude voltar a contemplar Macau do alto e visitar o interessante e pedagógico museu da cidade. 🙂 Prossegui pelas ruas de São Paulo  super-turística e atulhada de pessoas – da Palha e São Domingos até à catedral, onde fiz a minha chamada para o JRD, diretor do jornal, e combinei passar pela redação, percorrendo antes a palpitante e fascinante praça do Senado. 🙂

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