Uma Geografia. Uma Fotografia: Gunung Merapi

img_8323_fb

O Gunung Merapi foi o único vulcão que teve duas ascensões, uma pela “face errada” e outra pela “face certa”. Cada uma delas teve os seus percalços e momentos belos, cada uma delas iniciou-se de noite e realizou-se em rampas muito inclinadas. Na ascensão pela face certa, não foram necessárias muitas horas para chegar ao pico, mas foi preciso alguma estamina e endurance, principalmente depois de chegarmos ao último posto de controlo de atividade vulcânica e na zona em que a ascensão se fez numa rampa hiper inclinada de areia muito densa, pesada e escorregadia em que o mote era: “dois passos para a frente e um para trás”. Nessa altura, cheguei a pensar se iria conseguir chegar ao topo, mas passo a passo, lá fui avançando até chegarmos a uma zona de rocha firme, onde o caminho se tornou mais acessível. Quando atingimos a zona da cratera eram quase 5.00, e se durante a noite apenas se via o que a lua e as estrelas iluminavam, à medida que os minutos foram passando e o dia vencendo a noite, começámos a ver a plenitude do local. E o mesmo era belo! Muito belo! A cratera, com os seu fumos que corriam no céu azul e se fundiam com algumas das nuvens existentes, as nuvens cheias de cor e densidade – existia uma que se assemelhava a uma explosão atómica, tal a sua densidade – o sol a despontar e banhar a face de dourado, e com isso o castanho e o negro das rochas destacaram-se, os verdes nos vales em nosso redor, a grandiosidade da montanha Merbabu, à nossa frente! Espetacular! E tal como no Rinjani, fiquei com a certeza que adoro vulcões e as suas belas paisagens naturais.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Tanjung Puting

img_7731_fb

Para visitar o fabuloso parque natural de Tanjung Puting é necessário fazê-lo de barco. Este parque é conhecido por ser um “santuário” de Orangotangos, mas também por albergar outras espécies de primatas tais como probuscius, cauda longa, folha prateada, gibões…; múltiplas espécies de passáros e insectos – tarântulas, centopeias e “ilustres desconhecidos”. Naquele ambiente tropical pude encontrar árvores espinhosas, fungos e cogumelos – azuis, brancos e castanhos -, uma vegetação luxuriante, troncos caídos, plantas carnívoras; tive a oportunidade de ver o nascer do sol dois dias no rio, a neblina matinal, o céu prateado, reflexos na água, observar a água do rio a transitar de uma cor castanha e barrenta para o negro, como se do sangue da Terra se tratasse;  ter verdadeiros momentos National Geographic! Em que tive encontros imediatos com orangotangos no seu verdadeiro habitat; e ao ouvir o som da vida, da selva, pensar que nesta vida, há experiências únicas que valem certos investimentos.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Ilhéu de Jaco

img_5312_fb

Jaco é considerado uma reserva natural e um ilhéu sagrado no qual pernoitar é proibido, desse modo, as visitas apenas podem ser diurnas. Na chegada ao ilhéu, a primeira visão que tive foi MÁGICA! Virado para a costa este de Timor Leste, vi montanhas a sul, a linha do horizonte coberta de verde – um oceano de árvores e vegetação em todas as direções -, um mar de infinitos azuis, verdes e tive contacto com uma areia branca finíssima que em alguns locais parecia pó. Estava num local de beleza natural virgem e um deserto absoluto! Cheirava a mar… era a única pessoa na ilha… o rei do ilhéu! Em Jaco senti paz, serenidade, alegria e que estava a andar para o “fim do mundo”. O local era de facto único e singular e para além do som do mar, o som do vento a passar nos pinheiros era uma constante e fazia parte da ilha e da sua identidade. No ilhéu, acompanhado dos elementos e dos animais – águias, andorinhas, caranguejos, moscas, formigas, abelhas e peixinhos – tomei a resolução de não querer passar aí mais dias, para não partir totalmente “cheio” e desse modo guardá-lo de forma mais cuidada e carinhosa no meu coração, sentindo-me simultaneamente um privilegiado por estar no local. Ao longo do dia, existiram múltiplas variações da forma e cor das nuvens – escuras e claras – e desse modo ver as transições de luz foi um dos meus “desportos” favoritos. Em certos momentos fiquei na dúvida se algum dia estaria noutra praia/ilha assim e fui pensando que este local, seria com quase toda a certeza, o meu extremo Oriental da viagem e o mais longínquo de Portugal. O meu dia no paraíso, findou quando o sorridente pescador me veio buscar e o céu estava coroado com nuvens muito densas de prata – chuva – a sul e nuvens brancas – tipo algodão doce – a norte. Eu mantive-me no meio e a partir do caminho da “virtude”, vi todas as metamorfoses dos elementos de Timor Leste e na despedida… a natureza presenteou-me com as dádivas e visões dos Deuses da sagrada ilha de Jaco.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Kelimutu

Kelimutu_BlogUm dos grandes destaques da ilha das Flores é o singular vulcão Kelimutu – pode encontrar mais aqui – e as suas três crateras. Em cada uma dessas crateras, existe um lago e cada lago tem uma cor diferente: verde esmeralda, azul turquesa e negra. Naquele amanhecer, a paisagem envolvente estava em constante mutação: o sol, a neblina, as nuvens que eram fiapos esvoaçantes, os jogos de luz e sombra, a mescla de verdes e azuis dos lagos e das rochas de várias cores. A cada segundo, a cada instante, a cada olhar, a paisagem alterava-se e renovava-se. Belo!

Uma Geografia. Uma Fotografia: Parque Nacional de Komodo

KomodoNP_Blog

No parque nacional de Komodo – pode encontrar mais aqui – para além da visita à ilha de Rintja, onde encontrei os míticos e poderosos “dragões”, tive à semelhança de Sipadan, momentos de puro deleite. No parque natural, o mergulho é de facto inesquecível, mas aí fruto da enorme área abrangida, a quantidade de locais de mergulho é infinita. A variedade das condições aquáticas é riquíssima, existindo enormes paredes de coral cheias de formas requintadas e cor, parecendo que estamos num sonho; há zonas sem qualquer corrente, outras em que as correntes são perfeitas para se fazer um drift dive e locais em que as correntes são um verdadeiro “cavalo selvagem” podendo-nos levar a galope até às profundezas; a vida marinha é extraordinária e exuberante: peixes leão, peixes pedra, peixes escorpião, pelo menos duas espécies de tartarugas, várias espécies de tubarões, lagostas, escolas de peixes massivas e incontáveis, napoleões gigantes e claro as graciosas mantas… de todos os mergulhos, guardo bastantes no coração e na memória, mas os mais especiais serão sempre: o enorme susto na parede de Batu Balong onde fui apanhado por uma corrente descendente e arrastado num ápice dos cinco para os dezassete metros de profundidade e onde tive de acalmar-me ao máximo, recuperar o sangue frio e escalar uma parede de coral para sair daquele ambiente hostil e demoníaco – onde, tal como na selva, nas imediações de Belaga me senti realmente em perigo de vida -, a experiência em Crystal Rock, onde agarrado a uma pequena rocha observei toda a ação de escolas de múltiplos peixes e tubarões a caçar, tal como num ecrã gigante! E onde houve um momento em que olhando para o local onde tinha a mão e vendo a enorme quantidade de pequena vida marinha que aí estava, pensei: “ninguém vos dá atenção, não é verdade? Com tanta ação a acontecer à nossa volta!” e que “o Mundo era um local belo, onde tudo faz sentido!” e os múltiplos mergulhos em Manta Point, onde tive o privilégio de ver estes animais de enorme envergadura – algumas com sete metros de diâmetro – a “voar” no oceano e observar os detalhes dos seus corpos majestosos e os seus olhos curiosos, a menos de trinta centímetros de distância… mágico!

Uma Geografia. Uma Fotografia: Pulau Rintja

PulauRintja_Blog

Bem no centro do parque nacional de Komodo, na quente e verde ilha de Rintja – pode encontrar mais aqui  fiz uma caminhada agradável, onde pude observar parte da ilha e da sua fauna, principalmente os míticos dragões, que não desiludiram. Nada! Durante o tempo que estive na ilha, tive o privilégio de ver pelo menos nove deles e pude admirar a sua pele, o seu tamanho e envergadura, as suas garras, a sua língua serpenteante, a sua falsa lentidão… sem dúvida um momento “National Geographic“…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Gunung Rinjani

GunungRinjani_Blog

O Gunung Rinjani – pode encontrar mais aqui -, segundo vulcão mais alto da Indonésia – 3726 metros -, foi a minha ascensão mais elevada no país e uma das mais maravilhosas! À medida que a noite perdeu fulgor e intensidade, o Rinjani começou a revelar toda a sua beleza… o sol surgiu aos poucos e iluminou progressivamente, vales, montanhas, a cratera, o lago e o oceano; as nuvens que corriam no céu, formavam-se e dissipavam-se, e eram ora fiapos, ora camadas densas de “algodão doce; as cores mudavam de intensidade a cada instante fruto da luz que se intensificava e a paisagem era uma paleta rica: os negros e ocres na cratera do vulcão; múltiplos azuis no lago, no oceano e no céu; brancos e cinzas nas nuvens; verdes e castanhos nas florestas, vales, árvores, vegetação e montanhas; e toda a panorâmica envolvente que era absolutamente inesquecível – vales e montanhas, coroadas pela visão do poderoso vulcão de Bali  o Gunung Agung – e de três “pontos” no oceano, as Gili. Um festim para os olhos, um estrondo monumental para os corações, na despedida da ascensão até ao cume, de um dos vulcões mais belos da Indonésia! E uma das paisagens mais fascinantesencantadoras de toda a minha vida!

Uma Geografia. Uma Fotografia: Taman Negara

TamanNegara_BlogTaman Negara – pode encontrar mais aqui – é o maior e mais importante parque natural de toda a Malásia, uma vez que aí que se localiza a floresta primária mais antiga de todo o planeta. No parque natural, experienciei um trekking me levou para um reino de humidade elevadíssima, sanguessugas, suor abundante, lama, riachos e travessias em estreitas pontes, clorofila, árvores milenares, serpentes venenosas, rochas estranhas e belas. Penetrando cada vez mais profundamente na selva, pernoitei na deserta e grande caverna de Kepayang Besar, sendo essa uma das noites mais primitivas e memoráveis de toda a viagem – os morcegos, as sombras projetadas nas paredes da caverna, a fogueira, a partilha ao serão, o ambiente íntimo e a solidão de estarmos completamente sós naquele pedaço de selva. A selva antiga e primitiva de Taman Negara!

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Mulu

Mulu_BlogNo parque natural de Mulu – pode encontrar mais aqui – ouvi guias a falar da floresta como um ser vivo, sagrado e energético onde tudo está interligado; visitei quatro cavernas fabulosas onde senti que penetrava num mundo perdido; vi estranhas espécies de insetos, pássaros, milhões de morcegos a abandonar as cavernas ao entardecer; fiz um trekking memorável até aos pináculos; realizei a minha primeira caminhada noturna e percorrei a canopy mais longa do mundo… com tantas experiências vividas guardarei para sempre Mulu como um local selvagem, mágico e místico… o reino encantado da selva, onde é possível regressar a um mundo puro, natural e primitivo.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Kinabalu

GunungKinabalu

O nome Bornéu, sempre ressoou no meu imaginário como um nome mítico e místico, um nome que alimentou a minha imaginação e antes sequer de me “preocupar” com a sua geografia – percebendo a posteriori que era uma ilha e se localizava na Ásia – me ligou a terras distantes e exóticas de tribos, animais e selva. Deste modo, não posso deixar de achar caricato que já em terras asiáticas, foi uma descrição emotiva acerca de uma montanha – pode encontrar mais aqui – o motivo principal que me guiou de encontro ao selvagem Bornéu.