Rei do Ilhéu

A chegada à praia de Valu revelou-me uma praia de areia branca semi-deserta, um mar de múltiplos azuis e a visão do verde e esticadinho ilhéu de Jaco. Porém, apenas depois de tratar das questões práticas – arranjar poiso para dormir, local para comer e transporte para o ilhéu – é que consegui finalmente relaxar. Nessa altura estava contente, porque para além de ter conseguido encontrar as opções mais económicas, acabei por distribuir de forma bastante equitativa o dinheiro pelos intervenientes locais – o que é sempre benéfico. 🙂

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Acampado nas imediações da praia, fruto da escuridão reinante, vi um mágico céu hiper/mega estrelado e no dia seguinte bem cedo, depois de ver nascer o dia, de tomar um saboroso pequeno-almoço, dirigi-me ao local de embarque como previamente combinado, com um dos pescadores – porém e como o meu “barqueiro” não apareceu tive de acertar a travessia com outro. Na curta distância que separa o “continente”, de Jaco conseguimos ver simpáticos golfinhos e no desembarque combinámos o horário de regresso – Jaco é considerado, uma reserva natural e um ilhéu sagrado e como tal passar a noite no mesmo é proibido.

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Depois de me despedir, a primeira visão que tive foi MÁGICA! 😀 Virado de frente para a costa este de Timor Leste, vi montanhas a sul, a linha do horizonte coberta de verde – um oceano de árvores e vegetação em todas as direções -, um mar de infinitos azuis, verdes – lindo, lindo, lindo! – e tive contacto com uma areia branca finíssima que em alguns locais parecia pó – nesta altura lembrei-me de Maya beach na Tailândia e do tour que fizera há uns meses nas ilhas Phi Phi. Estava num local de beleza natural virgem e um deserto absoluto! Cheirava a mar… era a única pessoa na ilha… o rei do ilhéu! 😀

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Durante uma hora e tal percorri parte do ilhéu à beira mar – devido à existência de algumas paredes de rocha, não foi possível percorrer todo o seu perímetro e como estava sozinho, fui aconselhado previamente pelos nativos a não penetrar no interior da ilha -, tirei fotografias àquela paisagem de sonho, aos cómicos caranguejos e senti paz, serenidade, alegria e que estava a andar para o “fim do mundo”. O local era de facto único e singular e para além do som do mar, o som do vento a passar nos pinheiros era uma constante e fazia parte da ilha e da sua identidade.

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Em Jaco acompanhado dos elementos e dos animais – águias, andorinhas, caranguejos, moscas, formigas, abelhas, peixinhos – atualizei o caderno, continuei a ler Bukowski – “(…) an intelectual is a man who says a simple thing in a dificult way, an artist is a man who says a difficult thing in a simple way.” -, tomei banhos de sol e mar, estive deitado a dormitar, a sonhar e a fruir o local. Nessa altura tomei a resolução de não querer passar mais dias no ilhéu, para não partir totalmente “cheio” e desse modo guardá-lo de forma mais cuidada e carinhosa, no meu coração e senti-me um privilegiado por aí estar.

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Na hora do almoço, cheguei a pensar se o pescador se teria esquecido de mim e pensei que ficar no ilhéu só com água e bolachas, apesar do local ser um paraíso não teria muita graça… e a verdade é que o almoço chegou via marítima – um peixe inteiro, grelhado apenas com sal. A deliciosa simplicidade, servida numa praia de uma beleza comovente! 😀

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Ao longo do dia, existiram muitas variações da forma e cor das nuvens – escuras e claras – e desse modo ver as transições de luz foi um dos meus “desportos” favoritos; andei e tomei banho nu e fiquei na dúvida se algum dia estaria noutra praia/ilha assim! Também pensei que este local, seria com quase toda a certeza, o meu extremo Oriental da viagem e o mais afastado de Portugal – diga-se em abono da verdade, que independentemente de ser ou não o extremo oriental, Jaco seria sempre um digníssimo marco da viagem.

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O meu dia no paraíso, terminou quando o sorridente pescador me veio buscar e o céu estava coroado com nuvens muito densas de prata – chuva – a sul e nuvens brancas – tipo algodão doce – a norte. Eu mantive-me no meio e a partir do caminho da virtude, vi todas as metamorfoses dos elementos de Timor Leste e na despedida a natureza presenteou-me com as dádivas e visões dos Deuses e da sagrada ilha de Jaco.

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