Uma Geografia. Uma Fotografia: Monte Bromo

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O meu primeiro primeiro encontro com o Monte Bromo ocorreu por volta das 4.00 no miradouro de Pananjakan – 2706 m – em que na chegada me deparei com uma espessa cortina de nevoeiro que cobria todo a paisagem. De qualquer modo e sem nada poder fazer acabei por não me “irritar” com a situação, afinal a natureza é soberana nos seus tempos. A realidade é que com um cenário inicial tão “negro”, as melhores expectativas foram largamente superadas, uma vez que a visibilidade apesar de imperfeita, permitia ver o imponente Gunung Semaru – 3676 m -, a enorme e larguíssima cratera do Bromo  – 2392 m -, o pico do Gunung Batok – 2440 m -, a bruma a correr velozmente no céu e a paisagem a alterar-se a cada segundo. Misterioso! Belo! A beleza do “mistério”! Depois de deixar o miradouro, parti para as proximidades da enooooooooorme cratera do vulcão Bromo. Quando cheguei ao local, já existiam inúmeros jeep´s estacionados na bela e desolada planície de areia negra, rodeada de montes verdes seco. Em alegre romaria rumei à cratera, juntamente com outros turistas que se deslocavam a pé ou a cavalo e subi os degrau que levavam ao topo. Aí, apesar do vulcão não ser muito elevado, encontrei uma cratera larguíssima e fumegante, e vi múltiplas dunas de areia negra. Os muito turistas que se encontravam em redor, ajudavam a perceber a grandiosidade e a dimensão da paisagem e quando me preparava para subir ao ponto mais elevado da cratera, o vento começou a soprar vapores sulfurosos, obrigando-me a voltar para trás, sendo relembrado pela natureza e pelos deuses do fogo, que um vulcão é isso mesmo… um vulcão! E não um parque de diversões montado, para belo prazer do ser humano.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Borobudur

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Em toda a vastíssima e exótica Indonésia, o afamado templo de Borobudur – Património Mundial da Humanidade, construído entre 750 e 850 d.C. durante o reinado da dinastia Śailēndra e maior templo budista do planeta – era um dos locais que mais desejava conhecer. Depois de uma visita culturalmente fascinante à cidade de Yogyakarta, era altura de rumar ao templo. Quando dei os primeiros passos na área do templo, já com um sarong –  à cintura, a luz era dourada e suave, e o céu azul. A aurora estava de facto mágica e o imenso templo, aguardava serenamente por mim. Naquela hora matinal, ainda na companhia de poucos turistas, cirandei em redor do magnífico e imponente templo, construído em pedra de cores: preta, cinzenta e creme. Visto de topo, temos a visão em planta de uma enorme Mandala de base quadrangular – 120 X 120 metros -, visto de frente, encontramos uma estrutura piramidal, com uma escadaria que nos leva ao longo de cinco patamares e em cada um destes, existem incontáveis e serenos Budas a contemplarem-nos. A paisagem em redor está repleta de árvores e vegetação e é possível observar múltiplas colinas e montanhas numa palete de verdes, existindo dois cumes em grande destaque, o Gunung Merapi e o Gunung Merbabu, cada um deles coroado com uma ligeira névoa no cume. Fruto de umas nuvens “fabulásticas” e do imaculado céu azul, este grandioso templo estava particularmente fotogénico, sendo que o melhor momento da visita ocorreu quando no topo me deparei com estupas que tinham no seu interior estátuas de Buda, quais verdadeiros ovos “kinder surpresa”, dispostos em alinhamentos circulares e progressivamente concêntricos em redor da estupa maior e central. Quando os meus passos deixaram o templo, estava verdadeiramente FELIZ por ter tido o privilégio de visitar Borobudur. O maior, mais imponente e impressionante templo budista de todo o mundo. O templo entre cumes e vulcões.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Yogyakarta

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Yogyakarta é o coração da pulsante cultura Javanesa e nos seus arredores pude visitar o templo hindu de Prambanam, ficando a saber que quem faz a exploração deste templo, assim como o budista de Borobudur é uma empresa privada! Diga-se, que esta situação é demonstrativa da corrupção existente no país, uma vez que o património público está a ser explorado em benefício de privados. Uma vergonha! Relativamente ao complexo de templos propriamente dito, o principal deles é de facto impressionante em termos de área e construção “sólida”. Para além da visita, na zona em redor também tive a oportunidade de assistir a um espetáculo de bailado/ballet Ramayana e o mesmo valeu bastante a pena, residindo a sua beleza nos gestos dos bailarinos – ora delicados e precisos, ora mais enérgicos – na iluminação, nos trajes, na voz do narrador em sânscrito e no som dos diferentes instrumentos musicais. No centro da cidade visitei o museu Vredeburg – antigo forte holandês – que na atualidade é o museu da história da Independência da Indonésia -, o bonito Keraton, palácio do sultão, onde voltei a observar um espectáculo de dança javanesa e o agradável museu Sonobudoyo onde assisti pela primeira vez a um espetáculo de marionetas – Wuyang Kulit. Já no interior da sala, a performance destas marionetas e o ambiente envolvente – o som dos instrumentos de percurssão, as vozes femininas e a do narrador, os gestos lentos e delicados do “jogo” de sombras – transportaram-me para um mundo mágico, mítico e mitológico de Deuses e Deusas do Oriente.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Ilhéu de Jaco

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Jaco é considerado uma reserva natural e um ilhéu sagrado no qual pernoitar é proibido, desse modo, as visitas apenas podem ser diurnas. Na chegada ao ilhéu, a primeira visão que tive foi MÁGICA! Virado para a costa este de Timor Leste, vi montanhas a sul, a linha do horizonte coberta de verde – um oceano de árvores e vegetação em todas as direções -, um mar de infinitos azuis, verdes e tive contacto com uma areia branca finíssima que em alguns locais parecia pó. Estava num local de beleza natural virgem e um deserto absoluto! Cheirava a mar… era a única pessoa na ilha… o rei do ilhéu! Em Jaco senti paz, serenidade, alegria e que estava a andar para o “fim do mundo”. O local era de facto único e singular e para além do som do mar, o som do vento a passar nos pinheiros era uma constante e fazia parte da ilha e da sua identidade. No ilhéu, acompanhado dos elementos e dos animais – águias, andorinhas, caranguejos, moscas, formigas, abelhas e peixinhos – tomei a resolução de não querer passar aí mais dias, para não partir totalmente “cheio” e desse modo guardá-lo de forma mais cuidada e carinhosa no meu coração, sentindo-me simultaneamente um privilegiado por estar no local. Ao longo do dia, existiram múltiplas variações da forma e cor das nuvens – escuras e claras – e desse modo ver as transições de luz foi um dos meus “desportos” favoritos. Em certos momentos fiquei na dúvida se algum dia estaria noutra praia/ilha assim e fui pensando que este local, seria com quase toda a certeza, o meu extremo Oriental da viagem e o mais longínquo de Portugal. O meu dia no paraíso, findou quando o sorridente pescador me veio buscar e o céu estava coroado com nuvens muito densas de prata – chuva – a sul e nuvens brancas – tipo algodão doce – a norte. Eu mantive-me no meio e a partir do caminho da “virtude”, vi todas as metamorfoses dos elementos de Timor Leste e na despedida… a natureza presenteou-me com as dádivas e visões dos Deuses da sagrada ilha de Jaco.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Kelimutu

Kelimutu_BlogUm dos grandes destaques da ilha das Flores é o singular vulcão Kelimutu – pode encontrar mais aqui – e as suas três crateras. Em cada uma dessas crateras, existe um lago e cada lago tem uma cor diferente: verde esmeralda, azul turquesa e negra. Naquele amanhecer, a paisagem envolvente estava em constante mutação: o sol, a neblina, as nuvens que eram fiapos esvoaçantes, os jogos de luz e sombra, a mescla de verdes e azuis dos lagos e das rochas de várias cores. A cada segundo, a cada instante, a cada olhar, a paisagem alterava-se e renovava-se. Belo!

Uma Geografia. Uma Fotografia: Moni

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De Labuan Bajo parti para a vila de Moni – pode encontrar mais aqui -, nas imediações de verdes florestas, arrozais e do vulcão Kelimutu. Durante a minha estadia, passeei com um ojek, observei o processo de tecelagem de ikat´s, visitei casas tradicionais, túmulos e campas na aldeia de Jopu, vi uma bonita cascata no meio da floresta e tomei um relaxante banho nas hot springs locais.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Pulau Rintja

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Bem no centro do parque nacional de Komodo, na quente e verde ilha de Rintja – pode encontrar mais aqui  fiz uma caminhada agradável, onde pude observar parte da ilha e da sua fauna, principalmente os míticos dragões, que não desiludiram. Nada! Durante o tempo que estive na ilha, tive o privilégio de ver pelo menos nove deles e pude admirar a sua pele, o seu tamanho e envergadura, as suas garras, a sua língua serpenteante, a sua falsa lentidão… sem dúvida um momento “National Geographic“…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Labuan Bajo

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Na vila costeira de Labuan Bajo – pode encontrar mais aqui – às portas do parque Nacional de Komodo acabei por ficar mais de uma semana. O principal motivo? Mergulhar num dos locais mais fascinantes do nosso planeta, onde o oceano Índico e Pacífico se encontram. Claro que os míticos dragões de Komodo também eram um importante chamariz e como tal, nada como prestar-lhes uma justa homenagem, fazendo-lhes uma visita. Em Labuan Bajo tive um espectacular, memorável, divertido e delicioso jantar de Natal onde estive verdadeiramente feliz e partilhei a mesa com dez pessoas maravilhosas, de oito países e quatro continentes diferentes.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Bedegul

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Nos dias que estive em Bali na companhia de Manu, fui duas vezes até Bedugul – pode encontrar mais aqui – em busca do templo Ulun Danu. Na primeira tentativa estava um nevoeiro tão espesso, que se revelou impossível fazer a visita. Na segunda, tivemos mais sorte mas o local revelou-se uma enorme deceção, que o Manu resumiu na perfeição: “este templo não merecia uma visita, quanto mais duas!”. Porém, como nem tudo em viagem se resume felizmente, a visitas a templos e palácios, à medida que viajámos para norte tivemos a felicidade de encontrar verdes arrozais, observar os estéticos e imaculados trajes tradicionais e a bonita arquitetura balinesa, em que as casas tem tantos elementos associados ao hinduísmo que se chegam a confundir com a incrível quantidade de templos existentes, mas principalmente, pudemos contactar pela primeira vez com os educados e simpáticos balineses, fora da profana zona de Kuta.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Kuta

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Chegar à ilha de Bali nunca foi um sonho – posso até dizer que quando aterrei, não estava com grandes expetativas, antes curioso com o que iria encontrar. Relativamente à minha experiência pessoal, fiquei com a certeza que quanto mais afastado de Kuta  pode encontrar mais aqui – estive, melhor me senti, uma vez que o seu ambiente gira à volta de animação noturna, bares e álcool, sexo e prostituição e praia… depois de deixar o “inferno” de Kuta, o ambiente da ilha melhorou exponencialmente à medida que me afastava e rumava em direção a norte…