Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Mulu

Mulu_BlogNo parque natural de Mulu – pode encontrar mais aqui – ouvi guias a falar da floresta como um ser vivo, sagrado e energético onde tudo está interligado; visitei quatro cavernas fabulosas onde senti que penetrava num mundo perdido; vi estranhas espécies de insetos, pássaros, milhões de morcegos a abandonar as cavernas ao entardecer; fiz um trekking memorável até aos pináculos; realizei a minha primeira caminhada noturna e percorrei a canopy mais longa do mundo… com tantas experiências vividas guardarei para sempre Mulu como um local selvagem, mágico e místico… o reino encantado da selva, onde é possível regressar a um mundo puro, natural e primitivo.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Vang Vieng

VangVieng_BlogNa vila/cidade de Vang Vieng – pode encontrar mais aqui – comi inúmeros e deliciosos crepes, visitei pelo menos três ou quatro grutas espetaculares – tendo a oportunidade de fazer tubing numa delas; fiz canoagem; entediei-me… deu para tudo, inclusivamente… para refletir sobre as presunções que por vezes surgem na mente de alguns viajantes.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Muang Ngoi

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Na pequeníssima e sonolenta vila de Muang Ngoi – pode encontrar mais aqui – e que parece já não ser deste século, regressei a um tempo em que praticamente tudo parou. Em redor da vila visitei uma gruta negra como breu e bonitos arrozais, vi pela primeira vez monges de vestes laranjas, comi divinalmente e… cheguei ao Paraíso.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Nong Khiaw

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Na pequena vila ribeirinha de Nong Khiaw – pode encontrar mais aquifiz travessias de barco no rio Nam Ou, visitei uma gruta histórica dos tempos da Guerra do Vietname, esperei durante hoooooras por uma boleia que nunca se concretizou e fui polícia sinaleiro de pintainhos.

As Grutas de Pindaya e a Vila de Kalaw

Da viagem entre Bago e a vila de Kalaw, não há muito para relatar. A mesma foi realizada de noite, quase sempre a dormir e o único destaque prende-se com o primeiro cigarro nativo – sabor forte e intenso – que fumei numa paragem. Quando cheguei a Kalaw eram quatro e pouco da manhã e ao sair do autocarro fui abordado por um senhor de aparência muito humilde, que se apresentou como guia. Rapidamente, com a sua ajuda encontrei alojamento e às 4.30 já estavámos sentados a beber um chá, a falar sobre o trekking para o lago de Inle e as grutas de Pindaya. A minha viagem para esse reino, começou bastante cedo, uma vez que depois do chá apanhei um autocarro até à vila de Aungpan onde esperei uma hora até partir noutro autocarro (7.00), bebi um café e tirei algumas fotografias aos “nativos” nos seus afazeres diários. Na curta viagem até Pindaya (aproximadamente hora e meia), a paisagem surprendeu-me, uma vez que esta era muito mais seca do que imaginara – os campos de cultivo onde havia uma mistura de castanhos e verdes, fizeram-me regressar ao Alentejo na altura da Primavera 🙂 – e fui observando a vida simples dos camponeses, os seus pequenos gestos e rotinas, os búfalos, as carroças, as crianças…

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Na chegada à vila, confirmei a direção para as grutas, uma vez que da estrada se podiam observar as pagodas circundantes e dirigi os meus passos para o local. Durante o caminho, destaco as múltiplas pagodas douradas mas principalmente, as magníficas e antigas árvores que se podiam ver ao longo da estrada. Quando cheguei à entrada, consegui entrar sem pagar, uma vez que não havia troco para Kyat – a verdadeira moeda nacional – havendo quem quisesse que eu pagasse em doláres (não me parece “amigo”). Durante aproximadamente uma hora visitei, aquela caverna que está habitada por milhaaaaaaaaaaaares de budas – cerca de 8000! – a sua maioria dourados e no meio deles aproveitei para tirar algumas fotografias. O local é impressionante, pela quantidade “absurda” de estátuas que a cada passo nos vigia e observa, e percebi que caverna está em constante mutação, uma vez que qualquer pessoa pode doar uma estátua do iluminado – cheguei a ver estátuas provenientes de vários países, inclusivamente Japão, Coreia do Sul, China, Tailândia, Alemanha, França… 😉

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Ao regressar ao centro da vila, percorri um caminho alternativo e à medida que fui andando, fiquei muito satisfeito com a minha opção, pois tive a oportunidade de observar estupas de diversas cores e materiais – tijolo, brancas, douradas… e senti bastante tranquilidade e serenidade, uma vez que para além de mim não se via ninguém. 🙂 Já no centro, tentei perceber a que horas existiria um autocarro para Aungpan, mas como recebi informações tão distintas e contraditórias umas das outras, resolvi aguardar e observar o que se iria passar. Passadas duas horas sem nada para fazer, lá consegui apanhar um autocarro, bem… quer dizer… uma carrinha com cobertora de lona. 😛 E foi assim que o regresso, foi feito no tejadilho, na companhia de nativos sorridentes e em que as molas oscilantes do nosso bólide, faziam o nosso corpo saltitar. 🙂

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Já em Aungpan apanhei uma boleia até Kalaw e quando regressei à vila (cerca das 15.00) já não estava muito certo se a ideia de realizar o trekking a solo com o “meu guia”, era boa ideia. Principalmente, porque o preço me parecia demasiado baixo e para além disso iria confiar-lhe a minha bagagem para ser enviada para o lago de Inle, isto quando não o conhecia de lado nenhum! :/ No meio destes pensamentos, chegou um britânico (Nathan) à guesthouse que me falou que tinha acabado de marcar um trekking a começar no dia seguinte, com a companhia Sam´s (de quem eu lera bons feedback´s na internet) e rapidamente dirigi os meus passos para lá, na tentativa de assegurar o meu lugar. Felizmente, ainda havia uma vaga e nesse momento fiquei muito satisfeito por ter resolvido a questão do trekking de uma forma airosa. Nessa altura, apenas me restava falar com o guia e dizer-lhe que não iria fazer a viagem com ele.

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Durante o resto da tarde, passeei pela vila e arredores; vi um bocadinho de um jogo de futebol (“Unidos da Matola A” vS “Unidos da Matola B” 😛 ); comi qualquer coisa; recebi um curto briefing sobre o trekking; encontrei o guia, agradeci-lhe a oferta e depois expliquei-lhe que não iria com ele até ao lago de Inle; na companhia de Nathan, conheci Riccardo  – um rapaz italiano que também estava no nosso grupo – e na sua companhia fomos jantar a um restaurante indiano/nepalês; e de forma casual acabámos por conhecer os restantes companheiros de trekking – Melissa do Canadá, Fabianne da Suiça e Gil de Israel – com que ficámos automaticamente em amena cavaqueira. 🙂 Os dados para o trekking até ao lago de Inle, estavam lançados…   

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O Culto dos Mortos em Sagada

Em Sagada num dia solarengo e de céu azul, fiz um trekking interessante na companhia de Mr. Ingo, um guia local com quem fui até ao vale do Eco. Durante o percurso passámos por algumas paisagens bonitas e agradáveis: pinheiros, plantações de café, um rio subterrâneo, uma caverna, uma mini-cascata, arrozais, sobe e desce em colinas, zonas escorregadias de rocha e lama, formações calcárias, cursos de água e à semelhança do que encontrei em Tana Toraja, caixões suspensos em grandes paredes de rocha. 🙂

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Depois de regressarmos ao centro da vila, enveredei sozinho estrada fora até encontrar a fantástica entrada da Semeangui Cave (caverna grande) e daí parti em busca da Lemagui Cave (caverna dos enterros), onde encontrei múltiplos caixões antigos de madeira a apodrecer e onde já começavam ossos a despontar. Para encontrar este local de culto, demorei duas horas, uma vez que falhei a interseção no trilho. 😛 De qualquer modo, durante esse tempo, andei por estradas tranquilas e fui observando a rural e agradável paisagem em redor de Sagada, os arrozais, as montanhas, os pinheiros, as aldeias e os aldeões. Desse modo, a manhã e o início de tarde foram passadas em deambulações. 🙂

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No regresso à vila, parei para almoçar no simpático, Sagada Brew  bastante arranjado, para os padrões asiáticos habituais – e daí voltei à guesthouse onde aproveitei para escrever um par de textos para o blog. Enquanto fazia isso, comecei a ouvir um som muito intenso e ao olhar pela janela, vi que estava a chover torreeeeeeeencialmente e que inúmeros raios rasgavam o céu, de forma quase contínua! Automaticamente, abortei a utópica “missão” de ver o pôr do sol e fui a uma pequena casa de impressões, onde encontrei uma internet supeeeeeeeeer-lenta, mas que foi suficiente para enviar um e-mail de parabéns e publicar mais um texto no blog. 🙂 Ao despedir-me de Sagada, pensei: “Adeus, vila tranquila e serena. Adeus, inesquecíveis cavernas. Adeus, antigo culto dos mortos.”

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Sabang. O Dia do Rio

Depois da longa e memorável travessia até Sabang, este era o dia em que visitaríamos o famoso rio subterrâneo de Puerto Princesa (apesar de estarmos em Sabang, este é nome oficial! 😉 ) e para mim o mesmo começou bem cedo, uma vez que acordei antes do nascer do sol, tendo a oportunidade de ver o dia clarear e de observar, uma suave neblina. Depois do pequeno-almoço, o nosso grupo dirigiu-se para a zona do cais, onde se pagava o bilhete de entrada no parque natural e o barco.

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Ao embarcarmos fiquei surpreendido, pois vi que a bordo, para além do nosso capitão estava um casal de americanos (pergunta retórica, se o barco foi pago por seis pessoas, porque motivo embarcaram oito? Pois é caro leitor, isso mesmo! As terras do oriente são pródigas em “maroscas”, umas mais evidentes e claras, outras mais obscuras). O dia estava solarengo e de banca, partimos para as imediações do rio subterrâneo. À medida que nos afastávamos da vila, pudemos apreciar a beleza da costa: as colinas e montanhas, a vegetação, o mar de múltiplos azuis e  verdes, as rochas negras de calcário, semelhantes ao que vira anteriormente em Mulu. Devido a esta paisagem natural, a viagem foi de facto fascinante. 😀

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Quando chegámos à costa, desembarcámos num bonito areal e depois de dois ou três minutos a andar num trilho rodeado de uma vegetação densa e luxuriante, apanhámos um novo barco, desta feita um pequeno bote de madeira. Desde o local onde se embarca neste barquito, até à entrada da caverna, a água é super cristalina e tem uma cor espetacular, uma mescla de verdes esmeralda e azuis. O rio tem oito quilómetros de comprimento, mas nestes passeios turísticos nem sequer se chega a percorrer metade do mesmo e apesar do passeio ter sido engraçado, graças ao nosso guia, politicamente incorrecto, não posso dizer que tenha sido mágico. Bonito e divertido, sim, mas não mais do que isso. Inclusivamente, posso afirmar que depois do regresso à vila/aldeia de Sabang, o melhor desta visita foram mesmo as travessias de banca naquele lindíssima paisagem.

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Depois de regressarmos, Maiju e Steow partiram para El Nido enquanto eu, o Denis, o Yannick e a Aline fomos fazer um trekking até à nascente do rio subterrâneo, com Bob (o guia local que conhecêramos na noite anterior) e Maria (uma amiga dele, de Manila). Todos juntos, fizemos uma viagem de um quarto de hora num apinhadíssimo tuk-tuk, até ao local onde começaria a nossa caminhada. No início do trilho, vimos verdes campos, colinas de rocha a emergir do solo e agradáveis montanhas. Depois embrenhámo-nos por uma selva, não demasiado densa, mas muito bonita, repleta de árvores com formas bastante originais, riachos e formações rochosas. Até que chegámos a um local que se assemelhava a uma colina, e com cuidado começámos a trepar, pois a mesma era bastante íngreme e as rochas muito afiadas.

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Quando chegámos ao topo, estanquei maravilhado, estávamos numa entrada de uma gruta que parecia saída dum mundo perdido e primitivo! No ar podia-se observar uma ligeira névoa, fruto do ar saturadíssimo e da humidade reinante e tal como em Mulu quase que acreditei em dinossauros! 😀 Depois de uns minutos de contemplação, descemos com cuidado – fruto do piso bastante escorregadio – até ao interior da gruta e daí pudemos observar toda a beleza da entrada, mas do interior para o exterior e todas as rochas e plantas que aí habitavam. Espetacular! Memorável! 😀 Novamente, pé ante pé subimos até à entrada e voltamos a descer a íngreme colina.

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Pela selva, regressámos ao local onde começáramos o trekking três horas antes, com os olhos, o coração e alma cheios! 😀 O regresso a Sabang, foi feito novamente num tuk-tuk apinhadíssimo e desconfortável, mas com um estado de espírito leve e alegre. Já na vila, demos um mergulho naquele mar de múltiplos azuis, que mais parecia uma sopa e deitado a flutuar naquele líquido quente, vi o dia a desfilar na minha mente qual uma película perfeita. De manhã a vazante, à tarde a nascente. Em Sabang, o dia do rio! 😀

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Mulu. Back to the Primitive

Ato VI – Dicas, Atividades Finais e Despedida de Mulu     

Depois da “escalada” do dia anterior, parti do campo 5 na companhia do casal de romenos às 7.30 de volta a Kuala Litut e o caminho de regresso foi tranquilo. A viagem até ao HQ do parque correu dentro da normalidade, ou seja, tivemos de empurrar o barco algumas vezes e mais uma vez choveu torrencialmente! Três dias, três molhas! 100% de eficácia! 😛

Já na receção do parque perguntei se era possível antecipar a caminhada noturna para este dia e perante a resposta afirmativa, ficou automaticamente decidido que no dia seguinte partiria no voo da tarde.‏ Como fisicamente me sentia bem e simultaneamente tive conhecimento da existência de uma “Adventure Caving” de nível intermédio em Stonehorse (nesta altura, já sabia que não teria a oportunidade de ir até “Sarawak Chamber” ou “Clear Water Connection”) decidi que esta era a minha oportunidade de fazer algo diferente em termos de cavernas. 🙂

Logo no início desta atividade conheci Rudy, um rapaz indonésio que trabalha em Singapura e passados poucos minutos de conversa, ficou combinado que durante a tarde ele me daria umas dicas sobre o seu país. Antes de entrarmos na caverna recebemos um nano, mini, micro briefing e durante duas horas e meia penetrámos num reino de escuridão, humidade, morcegos, aranhas, escorpiões, lama, cordas, passagens estreitas próximas de alguns locais profundos; senti a imensidão do espaço negro; vi algumas formações rochosas interessantes (cavalo de pedra e que batiza a caverna; zona micro a fazer lembrar os pináculos…); e principalmente senti o coração a bater mais acelerado, em duas ou três passagens mais complicadas e perigosas (momentos cheios de adrenalina), onde apenas tínhamos recurso a uma corda e à nossa destreza física, pois as condições de segurança eram precárias (inexistência de sistemas alternativos de segurança). :/

Depois da adrenalizante experiência e tal como no primeiro dia, regressei ao observatório dos morcegos. Desta feita na companhia de Rudy, que me desenhou um mapa da Indonésia, com locais a visitar (informações privilegiadas para um novo destino no futuro próximo). Nesta observação, fiquei ainda mais fascinado com o fenómeno! Pois desta feita e apesar de a novidade não ser reinante, observei e apreciei ainda mais o movimento sincronizado e as formas variadas, desta dança aérea proporcionada pelos únicos mamíferos voadores! 😀

O objetivo das caminhadas noturnas, é sempre tentar encontrar o maior número possível de animais e na minha primeira caminhada deste género, percorri um trilho apenas com o auxílio de lanternas. Durante uma hora encontrámos insetos: pirilampos, aranhas, escorpiões, centopeias e outros ilustres desconhecidos alguns peludos, outros venenosos e bem granditos; sapos e rãs; pássaros a dormir com expressões serenas; mas o melhor de tudo era quando apagava a lanterna, ficava um pouco para trás e sentia-me a caminhar no reino das trevas.‏ 😀

A despedida de Mulu foi feita depois de percorrer uma das canopy mais longas do mundo (480 metros), aí caminhei a trinta metros do solo e em alguns momentos acima de copas de árvores, de ponte em ponte mas, infelizmente sem conseguir avistar muita vida animal. De qualquer modo Mulu, será sempre um local selvagem, mágico e especial… o reino encantado da selva, onde é possível regressar a um mundo puro, natural e primitivo! 😀

Mulu. Back to the Primitive

Ato III – A Avaria e as Grutas

Depois da tarde inolvidável do dia anterior, a nossa viagem para os Pináculos começou no cais do HQ do parque. Depois duma curta viagem de barco, parámos na aldeia de Batu Bungan para visitar o tradicional mercado de artesanato, que no final não se revelou nada de especial. Voltámos a embarcar e seguimos viagem, desta feita em direção a nordeste e às cavernas do “Wind” e “Clearwater”.

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Na chegada ao cais, tentei tirar uma fotografia e a máquina deu erro! Voltei a ligar e a desligar e novamente… erro! :/ “Eu não acredito nesta #*%$@! Agora a caminho dos Pináculos é que decidiste avariar!?” Quando Cristian (um dos romenos) chegou, pedi-lhe para experimentar a minha objetiva na máquina dele para ver se estava tudo bem com ela e… estava! Deste modo, concluímos que o problema estava no corpo da máquina! “Ai F%&@ – $&”! Era só mesmo isto que me faltava avariar!” Depois do laptop, do telemóvel e da antiga objetiva esta era a última coisa que eu queria que avariasse. 😦

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Stressado e irritado com esta situação comecei a subir os degraus que nos levaram à caverna do Vento e na medida do possível comecei a tentar controlar-me emocionalmente e a relativizar a situação. Uma vez que no imediato não podia fazer nada e, muito possivelmente aquela seria a minha primeira e última vez naquelas cavernas e nos Pináculos de Mulu, mais valia aproveitar o momento ao máximo. Claro que falar é fácil, fazer é mais díficil e só aos poucos e poucos me abstraí da situação e comecei realmente a viver o presente! E ainda bem que o consegui fazer pois a caverna do Vento revelou-se espetacular com uma forma inicial que se assemelhava a um túnel em elipse, fruto desta caverna ter sido criada por um rio que corria através do seu interior. À medida que fomos andando o caminho começou a estreitar e depois começámos a descer, escadas e mais escadas que nos levaram primeiro a uma “chaminé” perfeita, onde pudemos observar o céu azul que brilhava acima de nós e mais à frente estava a câmara do rei.

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Antes de partirmos para lá, o nosso guia propôs-nos que quando aí estivessemos conhecessemos pessoalmente o rei (“Today is your lucky day! You have the opportunity to meet the king.”). Descemos então ao magnífico “salão” real coberto de estalagmites e colunas, mas o rei não estava lá, desconfio que tenha ido caçar veados ou algumas aias! 🙂 Quando regressámos o guia perguntou-nos, a sorrir, se o tínhamos encontrado e claro que respondemos que não. Então e à maneira “muluense” começou a falar-nos por enigmas e com a “magia” associada à natureza e ao divino/ sagrado/ espiritual disse-nos que o rei estava entre nós, aliás estava em nós… uma vez que todos éramos reis e rainhas! E este foi mais um momento especialíssimo made in Mulu, proporcionado por um guia. 😀

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Fizemos o caminho de regresso e depois enveredámos por uma escadaria que nos levou primeiro à pequena Lady cave, batizada deste modo pois existe uma rocha que fruto da luz projeta a sombra de uma donzela; e depois à magnífica “Clearwater”, uma caverna que tem um enorme rio subterrâneo a correr no seu interior e que vai moldando a sua forma. A caverna é profunda, larga e enorme e a sua beleza não provém tanto das formações geológicas, como no caso da Lang cavemas sim das chaminés existentes, do canal subterrâneo e da dimensão e luz do espaço! Quatro cavernas em Mulu? Poker de Ases! 😉

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Mulu. Back to the Primitive

Ato II – Viagem Espiritual ao Coração de Mulu

A visita guiada começou pontualmente às 14.00 e no início andámos durante aproximadamente uma hora até às imediações das cavernas: Lang e Veado (“Deer”). Durante esse tempo, atravessámos um passadiço de madeira e pudemos ver alguma fauna (insetos: borboletas, uns que pareciam pequenos galhos, libelinhas (verdes) e outros não identificados; lagartos e um camaleão); flora (flores, incontáveis tipos de árvores, vegetação e fungos) e a mescla entre a vegetação e a rocha (sendo este o príncipio que está na génese dos Pináculos). 🙂

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Mas mais importante do que tudo isso, foi ouvir a nossa guia falar da floresta como um ser vivo, sagrado e energético onde tudo está interligado existindo uma teia de ligações e dependências entre todos os seres que a habitam. Foi muito especial ser guiado floresta adentro por esta pessoa e o meu sentimento geral é que estava a penetrar no coração e na alma de Mulu, acompanhado de uma guru espiritual! Fascinante! 😀

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A primeira caverna que visitámos foi a Lang e aqui estivemos cerca de meia hora. Apesar de na mesma existirem formações geológicas magníficas, não senti que estava num local verdadeiramente especial, uma vez que no Laos em redor de Vang Vieng já tinha visto muitas formações deste género. Quando saímos desta gruta, dirigimos os nossos passos para a caverna do Veado (que tem a maior passagem do mundo) e à medida que íamos penetrando, fui ficando siderado com a sua monumentalidade. A paisagem era esmagadora e eu senti-me uma pequena partícula no meio da mesma. Ao continuar a andar fui sentindo que estava a entrar num mundo perdido e completamente primitivo e se por acaso nesse momento visse um dinossauro a passar-me à frente do nariz, podia acreditar que o mesmo era real e que não era fruto da minha imaginação ou uma alucinação! 😀

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Quanto mais nos embrenhávamos na caverna, mais o ar se ia tornando pesado, fruto do cheiro criado pelas fezes dos milhões de morcegos que a habitam e a paisagem era surreal, pois para além de sentir que estava a penetrar num espaço cada vez maior, mais amplo e profundo, o cenário à nossa volta era desértico fruto das rochas que se fundiam com as fezes. A certa altura do percurso a nossa guia parou e convidou-nos a olhar para trás, para cumprimentarmos o Presidente Lincoln, pois na entrada/saída da caverna via-se na perfeição o perfil do mesmo. A natureza é realmente uma criadora inesgotável! 😀 O mundo à nossa volta ia-se tornando uma massa de escuridão e trevas e a única coisa que descortinava era o trilho marcado com discretas luzes de presença. Até que chegámos a um miradouro onde vislumbrámos a outra entrada da caverna, que marcava o início do “Garden of Eden Valley” e neste ponto fizemos inversão de marcha e voltámos para trás pelo mesmo caminho.

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Esta caverna magnífica, sedutora e exótica, esmagou-me, triturou-me, deixou-me boquiaberto e transportou-me para uma realidade natural, pura e primitiva! Quando saí da mesma estava maravilhado e pensei que mesmo que não visse mais nada, a viagem para Mulu já tinha valido a pena e se tivesse de regressar à “civilização” naquele instante, o faria de coração e alma cheios 😀 , porém… a história não acaba aqui!

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Depois de abandonar a caverna e já sentado no observatório dos morcegos na companhia de cerca de cinquenta almas, tive a oportunidade, o privilégio e a felicidade de observar um dos mais espetaculares eventos da vida animal que presenciei na vida! 😀 Durante uma hora, vi milhões de morcegos a sair das cavernas para caçarem insetos ao entardecer. Porém, os morcegos não saíram todos em debandada ao mesmo tempo, saíram sucessivamente e à vez, ordenados em nuvens negras de milhares, formando no céu imagens tridimensionais – espirais de morcegos no interior de “serpentes”! ESPETACULAR! E eu regressei já no lusco-fusco à entrada do parque a desejar:  “espero conseguir guardar esta tarde no coração e na memória por muitos, muitos, muitos… anos”. 😀

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