Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Dali

Dali_Blog

Na cidade antiga de Dali – pode encontrar mais aqui – fui novamente transportado até à China clássica. Porém aí encontrei um ambiente mais relaxado e menos turístico que nas cidades de LijiangPingyao.

Em trânsito: Dali – Kunming. O Fantasma de Olhos Cansados

Durante a viagem aproveitei para escrever sobre Dali e colar os bilhetes no caderno; comer qualquer coisa; observar a paisagem que era um pouco mais seca mas continuava verde; tentar comunicar com um chinês (mas tal veio a revelar-se impossível pois o seu inglês era demasiado pobre). Ao olhar para a paisagem pensei que se não existir intervenção humana, ela é “igual em toda a parte”: as árvores, o céu, o sol e senti que podia estar em qualquer lado (sentimento de universalidade). Na penumbra dos túneis observei um rosto de olhos inchados, enrugados e amarelados…Vi a velhice na sua crueza e a transformação do ser humano, num fantasma de olhos cansados.

Reflexão Daliniana

Dali é uma cidade que à semelhança de Lijiang e PingYao nos transporta de regresso à China antiga e clássica. Porém o ambiente é mais relaxado e menos turístico que nas cidades anteriores. 🙂

IMG_6388 (FILEminimizer)     IMG_6406 (FILEminimizer)

IMG_6558 (FILEminimizer)      IMG_6563 (FILEminimizer)

A cidade localiza-se entre montanhas – Cangshan – e um lago – Erhai – e está cheia de pequenos templos, muralhas, portões, pagodas, lojas de artesantao, oficinas de artesãos (prata, merceneiros…), cafés com “boa pinta”, restaurantes, parques, vida comum, água a correr… 🙂 Sem dúvida que vale bem a pena passar por cá pelo menos três dias e se se quiser preguiçar um pouco, facilmente chegar aos quatro, cinco… 😉

IMG_6583 (FILEminimizer)      IMG_6621 (FILEminimizer)

IMG_6643 (FILEminimizer)      IMG_6651 (FILEminimizer)

O Porco e o Macaco

Quando estava sentado numa das ruas mais turísticas de Dali, observei dois sujeitos mascarados, o Greedy Piggy and Monkey a enriquecerem, uma vez que estes cobram por cada fotografia que as pessoas tiram com/a eles cerca de 2.50€! E em menos de dez minutos devo ter visto pelo menos quinze pessoas a fazê-lo!

IMG_6770 (FILEminimizer)P.S. – Tenho a “ligeira” impressão que se o macaco e porco emigrassem para Portugal ou outros países da Europa, iriam definhar com fome ! 😉

Majhong

Num dos parques da cidade e durante pelo menos uma hora fiquei a observar este jogo e os seus intervenientes. Percebi alguma coisa do mesmo!? Naaaaaaa… Mas foi divertido na mesma! E a beleza dos gestos dos jogadores, essa ninguém me tira, fica guardada no coração e na memória.

IMG_6737 (FILEminimizer)      IMG_6742 (FILEminimizer)

Paradoxo. Urbanizações Fantasma

No terceiro e último dia na cidade resolvi ir até à Universidade de Dali pois recebi a informação que daí a vista sobre a cidade era bonita. Quando estava a caminho da mesma, percorri uma grande grande avenida – ou não estivesse eu na China – e ao longo da mesma apenas vi vivendas já construídas, blocos e blocos de vivendas. Mas não se pense que eram cá pechisbeque! Não senhor! Alto gabarito! O “pequeno” detalhe é que esta, era uma urbanização fantasma – diria que 99% das casas estavam desocupadas.

IMG_6693 (FILEminimizer)Em toda a China desde que cheguei, vejo construção, construção, construção. As minhas perguntas são: Mas para quê? Para quem? Desde do primeiro momento, vejo famílias por vezes numerosas a viver juntas sob o mesmo teto mas será que existe a ilusão que os chineses vão ser todos ricos!? Fica a questão…

Ferry, Folclores e Ai F#&$-@€!

No dia anterior e depois de chegar ao hostel, marquei um passeio no lago ErHai e na chegada ao porto de Cai Cun houve uma pequena confusão com o horário do ferry, sendo este adiado das 9.30 para as 10.00. Durante o caminho entre Dali e este porto verifiquei que existem muitos campos de cultivo, o que dá à cidade um ar campestre e tranquilo. 🙂

IMG_6410 (FILEminimizer)       IMG_6428 (FILEminimizer)

O passeio de ferry previa paragens nas ilhas de pequena PuTuo e NanZhao e chegada ao porto de TaoYuan. Quando vi o meu “ferry” pensei,  “Oh, diabo! Onde é que vieste parar”, pois o mesmo, era um barco gigante, super turístico e com música tradicional na receção. 😛 Assim que entrei, dirigi-me logo ao convés e assim que lá cheguei já havia chinesas a mascararem-se com os famosos trajes típicos e a tirarem fotografias. “Sim, senhor! Começamos cedo”. Mais interessante ainda, foi ao mesmo tempo ver formar-se uma fila gigante de pessoas – principalmente, homens – que aguardavam a sua vez, para tirar uma fotografia ao lado de uma menina bonita e vestida com um traje tradicional. 😛

IMG_6444 (FILEminimizer)IMG_6450 (FILEminimizer)Mas se eu pensava que a partir daí tudo iria correr melhor, tal não passou de um sonho… de uma utopia… de uma quimera, pois o prato principal ainda estava para ser servido! 😛 No bilhete que comprei, estava incluído uma prova de chás e quando dei por mim já estava preso numa gaiola – sala cheia de pessoas – a assistir a um “espectáculo de dança” ao mesmo tempo que fazia a tal prova. Depois de beber os chás, só pensava que tinha de sair dali rapidamente, porque aquele não era o meu ambiente e porque estava a perder as vistas do lago no exterior. Quando finalmente acabou o malfadado “espectáculo” fui imediatamente para o convés donde pude observar finalmente o lago, as montanhas com alguma neblina, vilas nas margens e pontes.

IMG_6460 (FILEminimizer)      IMG_6462 (FILEminimizer)

Quando desembarquei na ilha de pequena PuTuo, esta não passava de um pequeníssimo pedaço de terra, que albergava um pequeníssimo templo e hordas de vendedores ambulantes de comida – peixes e molúsculos principalmente – e quinquelharia religiosa. Quando voltei a entrar no meu “adorado” barco conheci um casal de chineses, com os quais combinei fazer a viagem de regresso à cidade de Dali. A ilha de NanZhao por sua vez, está completamente vestida e maquilhada para o turismo – estátuas, praças amplas, fontes… porém e mesmo assim foi um passeio agradável pois a ilha tem algumas rochas bonitas, algum verde e uma praia – a primeira que vi na China – com esculturas de mulheres nuas a banharem-se no lago, um must! 😉

IMG_6498 (FILEminimizer)      IMG_6503 (FILEminimizer) IMG_6529 (FILEminimizer)      IMG_6538 (FILEminimizer)

No total o passeio de barco durou aproximadamente três horas e quando chegámos ao porto de Tao Yuan tivemos de pagar um mini autocarro para regressar a Dali, pois daí à cidade distam vinte e seis quilómetros e não há transportes públicos ou alternativas! Não sei porque, mas parece-me que “alguém” anda a fazer mais uma bela negociata nas frondosas terras do Oriente. 😛

Deambulando em Cangshan

Quando acordei era bastante cedo e o céu estava fantástico, uma vez  que as nuvens estavam com uma densidade como nunca antes presenciara. 🙂 Depois de uma bela sopa de noodles, parti para Cangshan que é a montanha que fica a oeste de Dali. Logo no início tentei escapulir-me ao pagamento do bilhete e tentei entrar na montanha por trilhos alternativos, porém e mesmo assim não consegui evitar o controlo e tive mesmo de pagar bilhete, que diga-se em abono da verdade não foi assim tão dispendioso – cerca de 4€. 😛

IMG_6053 (FILEminimizer)      IMG_6057 (FILEminimizer)

Na subida para o templo de Zhanghe, o trilho de terra batida tinha algumas inclinações elevadas, mas o facto mais curioso era a encosta estar coberta de campas, estava por isso a fazer a minha ascenção no meio de um cemitério. A partir do templo segui o trilho do hiking, serpeteando pela montanha e vendo diferentes faces da mesma, verdes florestas, panorâmicas de Dali, rochedos com formas curiosas – caras e esqueletos – algumas escarpas, rochas com fungos verdes e infelizmente por ser época de incêndios grande parte dos trilhos estavam cortados – o que impossibilitou a ida a alguns locais, havendo um controlo das horas a que as pessoas passavam (checkpoints).

IMG_6070 (FILEminimizer)      IMG_6083 (FILEminimizer)IMG_6106 (FILEminimizer)      IMG_6132 (FILEminimizer)

No Grande Canyon de Cangshan, junto ao leito do rio que agora está seco tive a oportunidade de andar no meio de escarpas bastante altas e a partir de certo ponto do trilho a manutenção torna-se inexistente e ao continuar a andar, senti-me um pouco como o Indiana Jones a entrar na selva 🙂 e voltei para trás quando encontrei o trilho completemente destruído.

IMG_6110 (FILEminimizer)       IMG_6144 (FILEminimizer)

Na zona de Qing Bi e nas imediações do teleférico, pude ver uma bela cascata de águas azuladas e divertir-me ao observar as pessoas a jogar Xiàngqí em formato gigante. 🙂 Como o  teleférico que une as montanhas está altamente inflacionado, tentei arranjar uma alternativa ao mesmo e apesar de no mapa da montanha não aparecer nenhum trilho marcado, consegui perceber que de facto existe um! 😛 O mesmo está num estado de conservação absolutamente perfeito, é altamente dinâmico – sobe e desce constantes – e faz a ligação entre Qing Bi Xi e o templo de Gantong. Durante o caminho pude observar o verde da montanha, as campas nas imediações do templo e fui pensando se o facto do trilho não aparecer marcado se deve ao facto deste ser um caminho relativamente “recente” – concluído em Outubro de 2011 – ou de existir interesse em manter este trilho no anonimato para haver uma rentabilização do teleférico. 😉

IMG_6322 (FILEminimizer)      IMG_6328 (FILEminimizer)

Entre o caminho do templo de Gantong e o templo de Guan Yin – que foi sem dúvida o mais belo do dia, com as coloridas bandeiras e torres brancas a harmonizarem todo o espaço – encontrei uma zona em reconstrução total – pó, camiões, entulho, escavadoras… – e que me ofereceu panorâmicas para a montanha e sobre a cidade de Dali. Ao fazê-lo, senti-me bem porque andei por caminhos praticamente inexplorados, nos quais os turistas não circulam e vi a cidade não maquilhada, a cidade das crianças, dos velhotes e dos artesão. 😀

IMG_6299 (FILEminimizer)     IMG_6313 (FILEminimizer)

Em trânsito: Lijiang – Dali. Honestidade, a Bordo?

A viagem de comboio decorreu com normalidade, porém os lugares disponíveis não eram cadeiras mas sim camas. Porém, como esta viagem não era noturna, as mesmas tinham de ser partilhadas – não, não é no sentido literal! 😉 – e as pessoas sentavam-se lado a lado. Durante o percurso acabei de pôr o diário em dia, observei a verde paisagem, as montanhas, os inúmeros túneis, o grande e azulão lago Erhai no qual Dali se localiza, o sol a doirar e as nuvens a ganharem cor.

IMG_6042 (FILEminimizer)      IMG_6045 (FILEminimizer)

Quando cheguei a Xiàguān  cidade nova de Dali e onde se localiza a estação de comboios – tive de apanhar um autocarro – Nr. 4 – para o meu destino, uma vez que a cidade antiga e turística de Dali (Gǔchéng) fica aproximadamente a dezoito quilómetros de Xiàguān. Durante o trajeto, o autocarro estava completamente apinhado e como tal havia entradas e saídas em todas as portas do nosso veículo. E porque relato esta viagem? Bem, o que me deixou siderado e de olhos em bico, foi ver a honestidade? Capacidade para seguir regras? Destas pessoas! 🙂 Uma vez que as pessoas que entravam nas portas intermédias do autocarro entregavam o dinheiro e os passes electrónicos a outras pessoas e ambos – passes e dinheiro – iam circulando de mão em mão até à frente do autocarro onde as notas eram colocadas numa caixa transparente e os passes passavam pelas leitores electrónicos e eram imediatamente devolvidos às pessoas pela mesma via, mão em mão. Independentemente dos motivos que levam as pessoas a este “ritual”,  foi fantástico ter a oportunidade de observar algo assim. 😀