Uma Geografia. Uma Fotografia: Kabayan

O meu último destino, na RAC era Kabayan e as suas múmias. Desse modo, voltei a apanhar um autocarro em direção a Sagada, porém desta feita, apenas fiz uma hora e meia de viagem, e numa interseção com a estrada principal, fui deixado pelo prestável motorista. De monstrinho às costas e sempre a subir em rampas muito inclinadas, andei durante meia hora! Até decidir que se continuasse naquele ritmo não iria conseguir chegar às grutas de Kabayan que ficavam a mais de cinco quilómetros da estrada principal. Quando encontrei uma casa perdida naquela paisagem montanhosa, pedi aos seus donos para me guardarem a mochila e bem mais leve continuei a andar.  Passados poucos minutos, passou uma carrinha amarela a quem pedi boleia e a bordo deparei-me com um grupo de montanhistas filipinos que iam para o mesmo destino! Perfeito! Foi deste modo, que visita às múmias de Kabayan, foi realizada na companhia de um alegre grupo. Acompanhados de um nativo que protege o local, percorremos um curto e agradável trilho no meio de um pinhal, e numas pequenas grutas com portas fechadas a cadeado, que foram abertas para nós, encontrámos no interior de pequenos caixões, múmias em posição fetal – crença de voltarem à barriga materna.  Foi com eles que voltei a Baguio, ainda parando durante a viagem para almoçar, sendo à mesa e com gastronomia tradicional filipina que terminei a minha visita à RAC.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Banaue

Depois da visita à aldeia de Batad e aos seus terraços perfeitos, e do trekking do dia anterior, a visita aos terraços de Banaue afigurava-se como uma mera “formalidade” para concluir esses dias felizes na Região Administrativa da Cordilheira (RAC). Porém, mesmo estes revelaram bastante beleza e na travessia pelo seu interior, tive de contratar os serviços de dois miúdos de palmo e meio, Dave e Nick muito engraçados! Com eles percorri aquela verde paisagem, em passo relativamente rápido – os miúdos tinham asas nos pés -, fui fazendo alguns equilibrismos e tirando algumas fotografias em redor.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Batad

De Bontoc parti bem cedo para Banaue e durante a viagem aproveitei para tirar fotografias à fantástica paisagem de verdes vales e montanhas. Na chegada à famosa vila, dirigi-me ao posto de turismo, onde fiz algumas perguntas e fruto da informação recolhida, decidi aí guardar o “monstrinho” e partir o mais rapidamente possível para a aldeia de Batad, uma vez que o plano consistia em dormir lá e regressar a andar no dia seguinte. A travessia de aproximadamente vinte quilómetros, montanha acima durou aproximadamente uma hora e no topo de uma colina poeirenta, o jeepney estancou. Fim da estrada, fim da linha e como a estrada até à aldeia de Batad se encontra em construção, a única solução possível foi descer a montanha a andar. Quando encontrei uma placa que indicava: “Welcome to BATAD (….) 1100 m Elevation”, soube que estava perto do meu destino e segui alegremente. Na entrada da aldeia, encontrei um rudimentar posto de turismo e rapidamente tentei perceber quanto custaria contratar um guia para regressar a Banaue. Depois de poucos minutos de conversa, percebi que os valores eram elevados, mas que estavam totalmente nivelados e se realmente queria fazer o trekking (e queria!), não havia outra alternativa senão pagar que estava definido. Ao falar mais longamente com um dos guias, Jerr, consegui baixar ligeiramente o valor inicial e percebi que ele me acompanharia durante meio trajeto: Batad – Cambulo – Pula, uma vez que o trilho a partir dessa aldeia e até chegar a Banaue seria fácil de seguir. Finalizadas as negociações, ele levou-me até uma das guesthouses (Hillside Inn) e à entrada da mesma, combinámos reencontrar-nos no dia seguinte às 7.30, selando o nosso acordo com um aperto de mão.  Resolvidas as questões logísticas e depois de colocar a mochila no quarto, parti à descoberta da aldeia e da sua cascata. E se na entrada da aldeia a paisagem já é impressionante, com os verdíssimos e viçosos terraços a fazer uma escada perfeita montanha acima! O que dizer, quando a caminho da cascata, nos embrenhamos no meio dos mesmos? Fascinante! No meio dos terraços, sentimos a sua grandeza e quando olhamos para baixo, vemos um anfiteatro perfeito a desenhar-se à frente dos nossos olhos… Espetacular!  O caminho/trilho é feito no topo de terraços e por vezes o caminho torna-se menos óbvio, porém não é díficil de seguir e na parte terminal, o trilho para a cascata tem degraus bastante íngremes. Da cascata, regressei ao centro da aldeia e sempre em sentido ascendente, subi degraus e mais degraus, continuando a tirar fotografias aos fotogénicos terraços de arroz, até a luz desaparecer e a escuridão total cair sobre Batad. A aldeia, no meio de verdes montanhas e de perfeitos terraços de arroz!

Uma Geografia. Uma Fotografia: Maligcong

Do reino do culto dos mortos, parti bem cedinho para a cidade de Bontoc, onde rapidamente arranjei uma guesthouse. Resolvida a questão do poiso e do “monstrinho”, apanhei um jeepney montanha acimaaté à aldeia de Maligcong que ficava apenas a cinco quilómetros de distância, mas que fruto da estrada muito esburacada e da topografia acidentada, demorou mais de meia hora a ser alcançada. Na aldeia, estive toda a manhã em deambulações e aí tive a oportunidade de observar pela primeira vez, e verdadeiramente uns terraços de arroz made in Filipinas. Na aldeia encontrei terraços muito verdes e simultaneamente, cheios de água e reflexos. A paisagem era muito tranquila, serena e harmoniosa, e para além de mim, só se viam camponeses nos seus afazeres: cortar ervas, reconstruir terraços com lama, plantar arroz…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Sagada

Cheguei a Sagada, quando a noite já cobria a terra. Nessa altura, fiquei no primeiro quarto que encontrei, uma vez que estava sem muita paciência para procurar mais. Afinal tudo o que queria, era tomar banho e repousar do cansaço acumulado das viagens dos dias anteriores, Donsol – Sagada, a travessia de aproximadamente mil quilómetros. De sul para norte. Na ilha de Luzon. Na vila, fiz um trekking interessante na companhia de Mr. Ingo, um guia local com quem fui até ao vale do Eco. Durante o percurso passámos por algumas paisagens bonitas e agradáveis: pinheiros, plantações de café, um rio subterrâneo, uma caverna, uma mini-cascata, arrozais, sobe e desce em colinas, zonas escorregadias de rocha e lama, formações calcárias, cursos de água e à semelhança do que encontrei em Tana Torajacaixões suspensos em grandes paredes de rocha. Depois de regressar ao centro da vila, enveredei sozinho estrada fora até encontrar a fantástica entrada da Semeangui Cave – caverna grande – e daí parti em busca da Lemagui Cave – caverna dos enterros, onde encontrei múltiplos caixões antigos de madeira a apodrecer e onde já começavam ossos a despontar.  Ao despedir-me de Sagada, pensei: “adeus, vila tranquila e serena. Adeus, inesquecíveis cavernas. Adeus, antigo culto dos mortos.”

Uma Geografia. Uma Fotografia: Lemo

No último dia passado na presença dos Tana Toraja, estive em Lemo onde ao procurar mais um local de túmulos, encontrei crianças vestidas com trajes tradicionais. Instantaneamente pensei: “outro funeral!?”, mas depois de encontrar dois jeeps ornamentados, respondi-me em pensamento: “Naaaaaaaaaaa… casamento!” Depois de uma visita agradável, aos túmulos e quando regressava à estrada principal, fui convidado por um membro da família a assistir a cerimónia e foi-me dito para me dirigir à igreja/capela da vila. Uma vez mais, e fruto da boa sorte, estava a caminho de um casamento em Tana Toraja! A cerimónia de cariz protestante, foi simples mas bonita e falada em dialeto local. O pastor era uma figura carismática e pôs quase toda a plateia a escutá-lo com atenção, enquanto que nos noivos se podia observar um grande nervosismo mas bastante felicidade. Depois da cerimónia, fui convidado a juntar-me à parte da festa e fiquei admirado com a enorme quantidade de pessoas presentes, parecia que toda a aldeia tinha sido convidada! Aí, vi o desfilar de um loooooooongo cortejo de casamento, e observei o ambiente da festa, as danças e as dançarinas, o bolo a ser cortado pelos noivos – que nessa altura já envergavam trajes tradicionais – os múltiplos retratos com os convidados – iguais em qualquer parte do mundo – e comi uma vez mais a deliciosa, comida tradicional dos Tana Toraja. Assistir a tal momento e ver um casamento por terras do Oriente, fez-me sentir um privilegiado e deixou-me uma vez mais, realmente feliz! Em jeito de súmula, nos cinco dias que estive na presença desta tribo, tive o prazer de confraternizar com pessoas super hospitaleiras e genuínas, tendo o privilégio de observar um pouco as suas tradições. No meio daquela paisagem bela: arrozais, montanhas e vales, florestas de bambu, sol, nevoeiro, chuva, muitas nuvens… encontrei cavernas cheias de túmulos, caixões e ossadas… um funeral com sacrifícios de búfalos e porcos, trajes, música e cânticos tradicionais, um casamento… na despedida, senti-me realmente uma pessoa com sorte! Na Indonésia, ilha de Sulawesi, em “Torajilândia”, fiquei com a certeza que para esta tribo o funeral é o mais importante de todos os rituais. Mais importante que o casamento. Mais importante que o nascimento. Este é o reino, onde os mortos são mais importantes do que os vivos.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Pana

Túmulos para bebés em Pana

Após tantas emoções vividas nos dias anteriores, ao quarto dia de estadia, tive momentos um pouco mais tranquilos, rumando a Norte de Rantepao. Depois de alguns pequenos contratempos, consegui finalmente seguir aos zigue-zagues, montanha acima até Batu Tumanga. No caminho, apesar do espesso nevoeiro existente, foi-me possível observar a bonita paisagem de verdes arrozais em socalcos. Ao chegar ao meu destino, estava um nevoeiro de tal forma intenso que decidi seguir diretamente para Lokkomata, onde pude encontrar múltiplos túmulos dentro da rocha. Aí, fruto da bruma, fiz uma curta visita ao local e na pequena aldeia de Pana deparei-me com mais umas dezenas de  túmulos – desta feita para bebés – cravados numa enorme parede de rocha. Neste local, fruto da mescla perfeita de rocha e vegetação pareceu-me que tinha chegado ao “Mundo Perdido” ou a um cenário digno de uma película de Indiana Jones. Espetacular! Para além desta visita “selvagem”, foi nessa aldeia que conheci o simpático e afável Mr. Papakiki com tive a oportunidade de beber um café e de estar uns momentos em amena cavaqueira.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Rantepao

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No meu primeiro dia em Tana Toraja, uma das tribos mais interessantes e singulares da Indonésia, o meu primeiro passo foi tentar arranjar um mapa da área, para me poder orientar. Em redor da cidade de Rantepao, tive a minha primeira experiência dentro de uma pequena aldeia, onde observei com atenção os famosos telhados em forma de cornos de búfalos – os animais mais sagrados para os Tana Toraja – ou alternativamente de cascos de navios – os antigos antepassados, que segundo a mitologia Toranja se acredita terem vindo do mar – e onde ela primeira vez, encontrei inúmeros cornos de búfalos – vinte e três! – pregados a um poste em frente a uma das casas percebendo que aquela era a casa dominante e do poder. De regresso ao centro da cidade, rumei à colina de Singk donde pude avistar a cidade – mesquitas, igrejas, casas… -, os muitos arrozais que a “cercam”, o rio, as verdes colinas e montanhas em redor, e todo aquele cenário natural, tornaram a área um local muito aprazível e agradável…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Moni

Moni_Blog

De Labuan Bajo parti para a vila de Moni – pode encontrar mais aqui -, nas imediações de verdes florestas, arrozais e do vulcão Kelimutu. Durante a minha estadia, passeei com um ojek, observei o processo de tecelagem de ikat´s, visitei casas tradicionais, túmulos e campas na aldeia de Jopu, vi uma bonita cascata no meio da floresta e tomei um relaxante banho nas hot springs locais.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Ubud

Ubud_Blog

Em Ubud – pode encontrar mais aqui – que é considerado o centro espiritual de Bali, visitei o santuário sagrado da floresta dos macacos que está repleto de símios impertinentes e agressivos – como qualquer local da Ásia em que os macacos convivam com os turistas -, vi bonitos e serenos templos, lojas de artesanato – esculturas em pedra e madeira, pintura, mobiliário, decoração, quinquelharia – e os terraços de arroz que não se revelaram nada de extraordinário, mas nos quais tive a felicidade de observar uma cerimónia em que estudantes envergavam coloridos e tradicionais trajes balineses.