Uma Geografia. Uma Fotografia: Kawah Ijen

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Em Kawah Ijen, conheci Mr. Bain, que ao longo da noite revelou ser um dos melhores guias que tive no país e possivelmente em toda a viagem, e me levou a percorrer três quilómetros, sempre a subir em direção à cratera em ritmo Plan Plan”  devagar. Já na zona da cratera e a partir do local onde nos encontrávamos vimos ao longe um fogo azul bruxuleante, fruto da extração do enxofre. Entusiasmado, segui Mr. Bain, cratera abaixo e nessa altura recebi uma máscara, do género “Darth Vader” para suportar o fumo e os gases tóxicos – caso necessário. À medida que nos aproximámos, as chamas eram cada vez maiores e em redor, vi algo único e singular à minha frente… fogo azul a arder, no meio da escuridão! Espetacular! Belo! Na altura, em que observava aquele “fogo de artifício” natural, tive bastante sorte pois o vento estava a soprar o fumo noutra direção, ou será que não foi sorte, mas antes um feitiço de Mr. Bain, o feiticeiro branco do Ijen!? No caminho de regresso ao topo da cratera, vi alguns grupos de turistas a descer qual uma centopeia luminosa e senti-me muito satisfeito pois enquanto os outros grupos estavam a caminho, eu já estava a regressar. De regresso ao topo, fomos para um ponto mais elevado e aí, no silêncio quase absoluto da noite, vimos o progressivo aparecimento da luz do dia, as chamas azuis a arderem, o fumo a sair da cratera, o lago azul a ganhar cor, as estrelas a desaparecerem e o vulcão a passar do negro absoluto para vermelhos e castanhos! Belo! Belíssimo! Grandioso! E se o vulcão Bromo no dia anterior, já tinha sido monumental, o Ijen nesse dia deu “cabazada”. No regresso, o amanhecer estava carregado de cores suaves, e na despedida pude encontrar outros vulcões em redor, entre eles o Gunung Raung, que na primeira vez que estive em Yogyakarta, fez kabuuuuuuum! Obrigando-me a seguir mais cedo do que o previsto para a ilha de Kalimantan. Na despedida de Java posso afirmar que a ilha é de facto abençoada, pelos deuses dos vulcões e o Kawah Ijen um local magnífico. Observar as chamas azuis noturnas, foi sem dúvida, uma das MAIORES experiências que tive na Indonésia e em toda a viagem… e se existe algum lado negro a apontar, só posso referir a face “social” do vulcão e dos homens que carregam cestos de aproximadamente oitenta quilogramas de enxofre aos ombros e costas, mais do que uma vez por dia… recebendo cerca de 0,50€ por cada kg transportado! Trabalho pesadíssimo, que não dá saúde a ninguém…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Monte Bromo

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O meu primeiro primeiro encontro com o Monte Bromo ocorreu por volta das 4.00 no miradouro de Pananjakan – 2706 m – em que na chegada me deparei com uma espessa cortina de nevoeiro que cobria todo a paisagem. De qualquer modo e sem nada poder fazer acabei por não me “irritar” com a situação, afinal a natureza é soberana nos seus tempos. A realidade é que com um cenário inicial tão “negro”, as melhores expectativas foram largamente superadas, uma vez que a visibilidade apesar de imperfeita, permitia ver o imponente Gunung Semaru – 3676 m -, a enorme e larguíssima cratera do Bromo  – 2392 m -, o pico do Gunung Batok – 2440 m -, a bruma a correr velozmente no céu e a paisagem a alterar-se a cada segundo. Misterioso! Belo! A beleza do “mistério”! Depois de deixar o miradouro, parti para as proximidades da enooooooooorme cratera do vulcão Bromo. Quando cheguei ao local, já existiam inúmeros jeep´s estacionados na bela e desolada planície de areia negra, rodeada de montes verdes seco. Em alegre romaria rumei à cratera, juntamente com outros turistas que se deslocavam a pé ou a cavalo e subi os degrau que levavam ao topo. Aí, apesar do vulcão não ser muito elevado, encontrei uma cratera larguíssima e fumegante, e vi múltiplas dunas de areia negra. Os muito turistas que se encontravam em redor, ajudavam a perceber a grandiosidade e a dimensão da paisagem e quando me preparava para subir ao ponto mais elevado da cratera, o vento começou a soprar vapores sulfurosos, obrigando-me a voltar para trás, sendo relembrado pela natureza e pelos deuses do fogo, que um vulcão é isso mesmo… um vulcão! E não um parque de diversões montado, para belo prazer do ser humano.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Surakarta

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Na cidade de Surakarta, visitei o interessante mercado de antiguidades, fiz uma visita “semi guiada” ao Keraton Pura Mangkunegaran, comi deliciosa comida tradicional, abriguei-me várias vezes da chuva insistente e persistente, resolvi alguns assuntos importantes pendentes tais como a marcação do voo para as Filipinas e de dois hostels, o primeiro na ilha de Boracay já nas Filipinas e outro na cidade de Surabaya para a noite anterior à partida -, mas principalmente visitei a agradável e misteriosa paisagem nas encostas do Gunung Luwu, onde à semelhança das Terras Altas do Cameron senti uma temperatura mais fresca e agradável e me deparei com plantações de chá e de vegetais, florestas de pinheiros, nevoeiros a percorrer velozmente a paisagem e os templos de Candi Ceto, onde o destaque foram as múltiplas e engraçadas crianças que por lá se encontravam a fazer uma visita de estudo e o Candi Sukuh, que não achei nada erótico e onde destaco os relevos dos deuses e das deusas, as formas piramidais e a neblina existente que dava uma aura misteriosa ao local.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Gunung Merapi

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O Gunung Merapi foi o único vulcão que teve duas ascensões, uma pela “face errada” e outra pela “face certa”. Cada uma delas teve os seus percalços e momentos belos, cada uma delas iniciou-se de noite e realizou-se em rampas muito inclinadas. Na ascensão pela face certa, não foram necessárias muitas horas para chegar ao pico, mas foi preciso alguma estamina e endurance, principalmente depois de chegarmos ao último posto de controlo de atividade vulcânica e na zona em que a ascensão se fez numa rampa hiper inclinada de areia muito densa, pesada e escorregadia em que o mote era: “dois passos para a frente e um para trás”. Nessa altura, cheguei a pensar se iria conseguir chegar ao topo, mas passo a passo, lá fui avançando até chegarmos a uma zona de rocha firme, onde o caminho se tornou mais acessível. Quando atingimos a zona da cratera eram quase 5.00, e se durante a noite apenas se via o que a lua e as estrelas iluminavam, à medida que os minutos foram passando e o dia vencendo a noite, começámos a ver a plenitude do local. E o mesmo era belo! Muito belo! A cratera, com os seu fumos que corriam no céu azul e se fundiam com algumas das nuvens existentes, as nuvens cheias de cor e densidade – existia uma que se assemelhava a uma explosão atómica, tal a sua densidade – o sol a despontar e banhar a face de dourado, e com isso o castanho e o negro das rochas destacaram-se, os verdes nos vales em nosso redor, a grandiosidade da montanha Merbabu, à nossa frente! Espetacular! E tal como no Rinjani, fiquei com a certeza que adoro vulcões e as suas belas paisagens naturais.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Borobudur

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Em toda a vastíssima e exótica Indonésia, o afamado templo de Borobudur – Património Mundial da Humanidade, construído entre 750 e 850 d.C. durante o reinado da dinastia Śailēndra e maior templo budista do planeta – era um dos locais que mais desejava conhecer. Depois de uma visita culturalmente fascinante à cidade de Yogyakarta, era altura de rumar ao templo. Quando dei os primeiros passos na área do templo, já com um sarong –  à cintura, a luz era dourada e suave, e o céu azul. A aurora estava de facto mágica e o imenso templo, aguardava serenamente por mim. Naquela hora matinal, ainda na companhia de poucos turistas, cirandei em redor do magnífico e imponente templo, construído em pedra de cores: preta, cinzenta e creme. Visto de topo, temos a visão em planta de uma enorme Mandala de base quadrangular – 120 X 120 metros -, visto de frente, encontramos uma estrutura piramidal, com uma escadaria que nos leva ao longo de cinco patamares e em cada um destes, existem incontáveis e serenos Budas a contemplarem-nos. A paisagem em redor está repleta de árvores e vegetação e é possível observar múltiplas colinas e montanhas numa palete de verdes, existindo dois cumes em grande destaque, o Gunung Merapi e o Gunung Merbabu, cada um deles coroado com uma ligeira névoa no cume. Fruto de umas nuvens “fabulásticas” e do imaculado céu azul, este grandioso templo estava particularmente fotogénico, sendo que o melhor momento da visita ocorreu quando no topo me deparei com estupas que tinham no seu interior estátuas de Buda, quais verdadeiros ovos “kinder surpresa”, dispostos em alinhamentos circulares e progressivamente concêntricos em redor da estupa maior e central. Quando os meus passos deixaram o templo, estava verdadeiramente FELIZ por ter tido o privilégio de visitar Borobudur. O maior, mais imponente e impressionante templo budista de todo o mundo. O templo entre cumes e vulcões.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Yogyakarta

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Yogyakarta é o coração da pulsante cultura Javanesa e nos seus arredores pude visitar o templo hindu de Prambanam, ficando a saber que quem faz a exploração deste templo, assim como o budista de Borobudur é uma empresa privada! Diga-se, que esta situação é demonstrativa da corrupção existente no país, uma vez que o património público está a ser explorado em benefício de privados. Uma vergonha! Relativamente ao complexo de templos propriamente dito, o principal deles é de facto impressionante em termos de área e construção “sólida”. Para além da visita, na zona em redor também tive a oportunidade de assistir a um espetáculo de bailado/ballet Ramayana e o mesmo valeu bastante a pena, residindo a sua beleza nos gestos dos bailarinos – ora delicados e precisos, ora mais enérgicos – na iluminação, nos trajes, na voz do narrador em sânscrito e no som dos diferentes instrumentos musicais. No centro da cidade visitei o museu Vredeburg – antigo forte holandês – que na atualidade é o museu da história da Independência da Indonésia -, o bonito Keraton, palácio do sultão, onde voltei a observar um espectáculo de dança javanesa e o agradável museu Sonobudoyo onde assisti pela primeira vez a um espetáculo de marionetas – Wuyang Kulit. Já no interior da sala, a performance destas marionetas e o ambiente envolvente – o som dos instrumentos de percurssão, as vozes femininas e a do narrador, os gestos lentos e delicados do “jogo” de sombras – transportaram-me para um mundo mágico, mítico e mitológico de Deuses e Deusas do Oriente.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Jakarta

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A minha estadia em Timor Leste, estava quase, quase a terminar e depois de regressar da “via sacra” à montanha Ramelau fiquei em Dili mais um par de dias, onde fiz uma festa de despedida especial com a familia Nicolau. De Díli para Jakarta, tive a odisseia derradeira, depois de mais de quarenta horas de viagem consecutivas e quatro dias seguidos a dormir em autocarros. Aqueles dias em Jakarta, foram dias para resolução de assuntos pendentes – arranjar a máquina fotográfica e aplicar o visto das Filipinas. Jakarta não é conhecida por ser uma cidade turística, aliás até existem pessoas que detestam a cidade, porém e sem nada poder fazer para acelerar o tempo, aproveitei para conhecer um pouco melhor aquela megalópolis. O coração do turismo situa-se à volta da praça Fatahilah e da antiga zona de Kota, onde nos arredores se encontram edifícios antigos parcialmente destruídos, degradados e abandonados, um canal de águas sujíssimas, ruas cheias de lixo, pessoas pobres mas dignas, um tráfego caótico, uma poluição sonora e atmosférica bastante incómodas. Tudo somado resulta numa cidade “bruta” e realíssima, como poucas vezes presenciei na vida, tal como em Haikou e Semporna. Na capital, também passei nas imediações da gigantesca e branca Masjid Iqtal, visitei o monumento nacional MONAS e o Museu Nacional. Na cidade comi a deliciosa e baratíssima comida local e no dia previamente acordado fui buscar o passaporte e a objetiva, despedi-me de Jakarta e parti para Pontianak, a aventura no Bornéu Indonésio – Kalimantan -, estava prestes a começar.

Em trânsito: Rantepao – Surabaya. Boat days? F”$%&@& days!

Depois do casamento e de uma tarde tranquila, às 20.00 apanhei o autocarro de regresso a Makassar e na viagem de oito horas, ferrei-me a dormir. Às 4.00 já estávamos na cidade, porém até desembarcar, andámos uma hora para trás e para a frente a largar passageiros. Típico! 😉 Porém desta feita, fruto da hora noturna, ainda bem! 🙂 Na estação local, apanhei um ojek que me tentou enganar à descarada! Felizmente para mim, reconheci o nome da rua onde estava, conseguindo baixar o preço para menos de um terço do valor inicial e mesmo assim ainda lhe paguei mais do que se calhar devia, mas tudo bem… pelo menos o “sacaninha” era amistoso. 😛

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Às 5.30 já estava na zona do porto e durante horas fui escrevendo no caderno até embarcar às 11.30, sendo o único momento de pausa, a compra de mantimentos (água, bolachas e tabaco). O barco era gigantesco e inicialmente não consegui perceber onde era o meu poiso, pois andava à procura de um camarote de segunda classe, quando afinal o que tinha era um bilhete para a classe económica! Como não era isso que esperava, fiquei chocado com a “suite” que encontrei – uma cama nas profundezas do navio – e depois de largar a bagagem, pus-me a mexer daquele cafunfo quente e escuro!

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Rapidamente, tomei a decisão de tentar encontrar um local agradável para passar as minhas próximas vinte e quatro horas (no mínimo)! Felizmente no topo do navio, na cafetaria DEK VIII, encontrei um cafezito agradável e essa passou a ser a minha casa! Como nessa altura, ainda circulavam vendedores no barco que não iriam fazer a travessia, decidi voltar ao cafunfo por uma questão de segurança da bagagem e aí acabei por comprar alguma comida (dois ovos, dois bolos de arroz com feijão e dois bolos de arroz amarelado) e fiquei a dormitar até às 16.00, hora em que finalmente partimos rumo a Surabaya. Assim que a embarcação se fez ao mar, sai imediatamente em direção ao cafezito, ficando aí a escrever durante horas a fio, enquanto bebia uma coca-cola ou fumava um cigarro extemporaneamente. Apenas voltei à masmorra do dragão, para ir buscar comida e para ir dormir por volta das 21.00. Quando me deitei, estava um calooooooor dos diabos e nesse momento, não pude deixar de pensar “que m$%#& de sítio!”  Apesar do colchão não ser mau de todo, o calooooooooor era… sufocaaaaaaante! Uma autêntica sauna! Mas de borla! 😛

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Levantei-me às 5.15, acordado pelos cânticos da mesquita do barco, mas depois percebi que devido à diferença horária entre a ilhas de Sulawesi e Java, eram afinal 4.15! Ora bolas! De qualquer modo, como estar deitado no cafunfo/masmorra/sala de tortura não me fascinava, aproveitei para ir até ao meu porto de abrigo, o “abençoado” cafezito! 🙂 Onde à semelhança do dia anterior, fiquei durante horas a fio e aí vi o nascer do dia, tomei o pequeno almoço e continuei a escrever até acabar de atualizar o caderno. Quando acabei essa “tarefa”, o sol brilhava no céu azul e passado pouco tempo conheci um rapaz indonésio que se chamava Hulk e que me deu umas dicas de como chegar à guesthouse.

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Até chegar a Surabaya estive sem fazer nada de especial, descendo ao cafunfo para recolher a bagagem. Nesta viagem, até o desembarque que eu aguardava ansiosamente, foi MAU! Assim que as portas abriram, começaram a entrar pelo barco adentro pessoas a correr desalmadamente e nós, as pessoas que queríamos sair, tivemos que esperar que aquela torrente abrandasse! Enfim o pandemónio! E eu que já estava satisfeitíssimo com toda aquela viagem “paradisíaca”, quando sai do barco e pisei o solo de Surabaya estava com um “sorriso nos lábios”. Esta foi de looooooooooooonge a pior viagem de toda a Viagem!

Em trânsito: Kawah Ijen – Rantepao. Logros, Esperaaaaaaaaas e Sortes

Já na base do vulcão, despedi-me dos simpáticos Guillaume e Marianne, e regressei a Probolinggo com o meu “jarbas”. 🙂 Depois de chegar à cidade e de agradecer a boa organização do “passeio” (Mahkota Tour & Travel; Tel. 081 333 399 699; e-mail: mahkotatour@ymail.com), apanhei um autocarro para Surabaya, cujo valor ainda estava incluído no tour. 

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Na estação principal de autocarros da cidade e na agência de viagens, Linda Jaya Tour & Travel, percebi que a travessia para a ilha de Sulawesi teria de ser feita na ida de avião (apenas haveria barco dali a três dias) e que no regresso então, poderia vir de barco. Nesse local estive durante a tarde, a organizar as fotografias tiradas no vulcão Ijen, a atualizar a folha de despesas, a imprimir os bilhetes das viagens de avião e as confirmações dos hostels previamente marcados, tanto em Surabaya como em Boracay e… acabei por comprar a passagem marítima e aérea (o que se veio a revelar um grande erro, pois o simpático e afável Mr. Kustono, revelou-se uma pessoa desonesta, vendendo-me o bilhete de avião de tarifa económica ao preço da tarifa regular, isto depois de termos falado durante algum tempo de questões de honestidade! :/ Tenho a certeza que foi esta conversa, que me deixou mais triste com o logro).

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Parti então de autocarro para o aeroporto, onde cheguei por volta das 17.40 e a partir desse momento foi aguardar… aguardaaaaaaaaaar…aguardaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar! O check-in da bagagem foi feito às 4.00 e durante a longa espera aproveitei para marcar mais duas noites em Surabaya, publicar no blog, falar via skype com algumas pessoa da minha família e finalmente embarcar, por volta das 6.00! Dormindo finalmente, durante a viagem. 🙂 Na chegada ao aeroporto de Makassar, já na ilha de Sulawesi, tive uma “sorte dos diabos”, pois conheci um nativo com quem partilhei táxi para o centro da cidade e no final da viagem, ele ajudou-me a comprar o bilhete para a cidade de Rantepao! 😀 Desse modo, às 9.30 já estava a bordo de um autocarro super luxuoso, com assentos que pareciam poltronas! 😉 Durante a viagem a pulseira que o Kristian me oferecera quebrou-se 😦 , escrevi o nome de duas ou três guesthouses existentes no meu destino – para quando chegasse, tentar encontrar um local barato – comi e dormi. A partir de certo momento da viagem, acordei e vi a bonita, verde e agradável paisagem de vales e montanhas a caminho da zona de Sulawesi, onde habita a tribo dos Tana Toraja. À cidade de Rantepao, coração da “Torajilândia”, cheguei já depois do pôr do sol, cansado mas feliz. A última semana no país, estava prestes a começar…      

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3 Dias e 2 Noites no Tour dos Vulcões

Ato II – Kawah Ijen e as Chamas Azuis

De regresso ao jeep fui reconduzido ao hotel, onde tomei o pequeno-almoço e recolhi a bagagem, antes de voltar à cidade de Probolinggo, onde o grupo que tinha vindo comigo no dia anterior se fragmentou todo. Nesse momento, fiquei apenas na companhia de um casal bastante simpático de franceses (Guillaume e Marianne), com quem parti numa pequena carrinha, até às “imediações” de Kawah Ijen. Durante cinco horas, estivemos sempre acompanhados por música indonésia e uma condução acelerada e amalucada. 🙂 Inicialmente seguimos junto à costa, vendo arrozais e pequenas vilas, e depois à medida que subimos na direção de Bondowoso, observando árvores gigantes, pinheiros muito antigos, plantações de café, vegetação verdejante e sentindo uma temperatura fresca e agradável. A paisagem era de facto espetacular, e fiquei com a certeza que esta era uma das estradas mais bonitas, que percorri durante os meses que estive no país. Na aldeia de Jampit, ficámos hospedados na Arabic Homestay e tal como no dia anterior, fiquei alojado num quarto agradável e no qual me deitei bastante cedo.

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À 1.00, já com as mochilas no carro partimos para o Ijen, onde conhecemos Mr. Bain que ao longo da noite, revelou ser um dos melhores guias que tive no país! E possivelmente em toda a viagem! 😀 Os três quilómetros, a subir até à cratera foram feitos em ritmo Plan Plan (devagar) e até esse momento, pouco ou nada há que relatar. Porém, quando chegámos à cratera tudo mudou e do local onde nos encontrávamos víamos ao longe um fogo azul bruxuleante, fruto da extração do enxofre! Entusiasmados, seguimos o Mr. Bain, cratera abaixo e nessa altura recebemos máscaras, do género “Darth Vader” para suportarmos o fumo e os gases tóxicos – caso fosse necessário. À medida que nos fomos aproximando, fomos vendo as chamas cada vez maiores e quando chegámos às proximidades, vi algo único e singular à minha frente. Fogo azul, no meio da escuridão a arder! Espetacular! Belo! Na altura, em que observávamos aquele “fogo de artifício” natural, tivemos bastante sorte pois o vento estava a soprar o fumo noutra direção, ou será que não foi sorte, mas antes um feitiço do Mr. Bain, o feiticeiro branco do Ijen!? 🙂

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No caminho de regresso ao topo da cratera, vimos alguns grupos de turistas a descer qual uma centopeia luminosa e ficámos muito satisfeitos porque enquanto os outros grupos iam a caminho, nós já estávamos a regressar. 🙂 Na cratera, fomos para um ponto mais elevado e aí, no silêncio quase absoluto da noite, vimos o progressivo aparecimento da luz do dia, as chamas azuis a arderem, o fumo a sair da cratera , o lago azul a ganhar cor, as estrelas a desaparecerem e o vulcão a passar do negro absoluto para vermelhos e castanhos! Belo! Belíssimo! Grandioso! 😀 E se o Bromo no dia anterior, já tinha sido bom, o Ijen neste dia deu “cabazada”. 😉 No caminho de regresso, o amanhecer estava carregado de cores suaves, e na despedida do Ijen, vimos outros vulcões à nossa volta, entre eles o Gunung Raung, que na primeira vez que estive em Yogyakarta, fez kabuuuuuuum! Obrigando-me a seguir mais cedo do que o previsto para a ilha de Kalimantan.

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P.S. Java é de facto uma ilha abençoada, pelos deuses dos vulcões e o Kawah Ijen é um local magnífico. Observar as chamas azuis noturnas, foi sem dúvida, uma das MAIORES experiências que tive na Indonésia e em toda a viagem! 😀 E se existe algum lado negro a apontar, só se pode referir do lado “social” do vulcão e dos homens que carregam, cestos de cerca de oitenta quilogramas de enxofre aos ombros e às costas, mais do que uma vez por dia!! Recebendo cerca de 0,50€ por cada quilograma transportado! Trabalho pesadíssimo, que não dá saúde a ninguém… 😦

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