A Face Certa do Merapi

Quando voltei ao hostel, soube que havia um rapaz chinês de Xangai (Zhang Lu) interessado em escalar o Merapi, mas como desta feita não queria mais surpresas e aventuras, combinámos que iríamos fazer a ascensão com um guia! 🙂 Desse modo, e como a mesma iria ser realizada de noite, combinei com o staff do hostel para me guardarem a mala durante todo o dia e que apenas faria o check-in, depois do meu regresso. Durante a tarde, repousei fisicamente na área comum e comecei a investigar voos para as Filipinas. Quando o nosso “Jarbas” nos veio buscar, eram 22.00 e da cidade até à base do vulcão demorámos cerca de uma hora de viagem. Assim que chegámos, bebemos um café e esperámos pela uma da manhã (durante essas duas horas, adormeci fruto do cansaço e da falta de horas de sono dormidas na noite anterior). Durante o trekking tivemos muita sorte, pois estava uma enorme lua cheia que nos iluminava o trilho e um céu bastante estrelado. 🙂

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A ascensão foi quase sempre feita em rampas muito inclinadas e existiram poucos momentos, em que o vulcão nos deu tréguas! Fruto disso, o Zhang ficou para trás com o nosso guia e eu segui com um casal de americanos e o guia deles. Para chegar ao pico não foram necessárias muitas horas, mas foi preciso alguma estamina e endurance, principalmente depois de chegarmos ao último posto de controlo de atividade vulcânica e na zona em que a ascensão é feita numa rampa hiper inclinada de areia muito densa, pesada e escorregadia (dois passos para a frente e um para trás). Nessa altura, cheguei a pensar se iria conseguir chegar ao topo, mas passo a passo, lá fui avançando até chegarmos a uma zona de rocha firme, onde o caminho se tornou mais acessível. 🙂 Durante a ascensão até ao pico apenas existiram dois pequenos percalços, o primeiro quando o nosso guia nos tentou sacar mais dinheiro, dizendo que se quiséssemos chegar ao cume teríamos de pagar mais 100.000 IDR cada um, ao que respondi prontamente: “Nem pensar! O dinheiro que pagámos foi para chegar ao pico! E tu vais-nos lá levar, porque é essa a tua obrigação!” e o segundo quando quase no pico fiquei sem luz  – a pilha da lanterna, esgotou-se – e tive que fazer o resto da ascensão meio às “apalpadelas”.

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Quando atingimos a zona da cratera eram quase 5.00, e se durante a noite apenas se via o que a lua e as estrelas iluminavam, à medida que os minutos foram passando e o dia vencendo a noite, começámos a ver a plenitude do local. E o mesmo era belo! Muito belo! A cratera, com os seu fumos que corriam no céu azul e se fundiam com algumas das nuvens existentes, as nuvens cheias de cor e densidade – existia uma que se assemelhava a uma explosão atómica, tal a sua densidade – o sol a despontar e banhar a face nascente (onde nos encontrávamos) de dourado, e com isso o castanho e o negro das rochas destacaram-se, os verdes nos vales em nosso redor, a grandiosidade da montanha Merbabu, à nossa frente! Espetacular! E tal como no Rinjani, fiquei com a certeza que adoro vulcões e as suas belas paisagens naturais. 😀

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No caminho de regresso, pude ver e sentir melhor a monumentalidade, a grandiosidade do Merapi, sentindo-me minúsculo e “deliciando-me” com a riqueza e beleza natural da paisagem: o vulcão, as árvores e a vegetação, o céu azul, as nuvens, os vales… A descida foi feita pé ante pé, pois a mesma era bastante escorregadia (terreno meio argiloso) e com pedras pequenas e roladas. Quando chegámos à base, reencontrei o Zhang – que mesmo sem ter chegado ao cume estava esgotado – e juntos tomámos o pequeno almoço, antes de arrancarmos de regresso a Yogyakarta. Depois do desafio físico da subida e da beleza do que observei, fiquei com a certeza que o regresso, valeu realmente a pena! À segunda tentativa, desta feita na face certa, o vulcão Merapi estava conquistado! 😀

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