Uma Geografia. Uma Fotografia: Gunung Merapi

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O Gunung Merapi foi o único vulcão que teve duas ascensões, uma pela “face errada” e outra pela “face certa”. Cada uma delas teve os seus percalços e momentos belos, cada uma delas iniciou-se de noite e realizou-se em rampas muito inclinadas. Na ascensão pela face certa, não foram necessárias muitas horas para chegar ao pico, mas foi preciso alguma estamina e endurance, principalmente depois de chegarmos ao último posto de controlo de atividade vulcânica e na zona em que a ascensão se fez numa rampa hiper inclinada de areia muito densa, pesada e escorregadia em que o mote era: “dois passos para a frente e um para trás”. Nessa altura, cheguei a pensar se iria conseguir chegar ao topo, mas passo a passo, lá fui avançando até chegarmos a uma zona de rocha firme, onde o caminho se tornou mais acessível. Quando atingimos a zona da cratera eram quase 5.00, e se durante a noite apenas se via o que a lua e as estrelas iluminavam, à medida que os minutos foram passando e o dia vencendo a noite, começámos a ver a plenitude do local. E o mesmo era belo! Muito belo! A cratera, com os seu fumos que corriam no céu azul e se fundiam com algumas das nuvens existentes, as nuvens cheias de cor e densidade – existia uma que se assemelhava a uma explosão atómica, tal a sua densidade – o sol a despontar e banhar a face de dourado, e com isso o castanho e o negro das rochas destacaram-se, os verdes nos vales em nosso redor, a grandiosidade da montanha Merbabu, à nossa frente! Espetacular! E tal como no Rinjani, fiquei com a certeza que adoro vulcões e as suas belas paisagens naturais.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Ramelau

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A viagem à montanha mais elevada de Timor Leste foi um longo processo físico e mental, primeiro a viagem até à junção da estrada que seguia para Hatubuilico foi um verdadeiro “massacre” – temporal – cinco horas para percorrer oitenta quilómetros!! E de desconforto, pois a estrada estava em péssimas condições, a carrinha estava lotadíssima e era extremamente desconfortável. Quando finalmente coloquei os pés no solo e comecei a caminhar a paisagem era bela – verdes vales e serras, nuvens de múltiplos cinzentos, sol e pedacitos de céu azul. A segunda parte da viagem foi uma travessia de dezoito quilómetros, estrada fora que me levou até à vila de Hatubuilico, já nas imediações da montanha Ramelau e durante a mesma aproveitei para fotografar a bonita paisagem: as transições do céu cinzento e neblina para chuva, as plantações, as casas tradicionais, os cavalos, as vacas, as cabras; sentir o ambiente fresco e cheio de água que me envolvia; e pensar que os meus amigos e amigas vão tendo filhos, outros casando… e eu seguia a caminhar por aquelas terras timorenses. A última fase foi realizada sob o signo de um “desguia” minorca – em termos de idade -, de noite, em modo escorregadio e molhado, “tropeçante”, ventosa e na chegada ao topo apenas consegui ver uma estátua de Nossa Senhora envolta num denso nevoeiro. À medida que descemos, o dia foi clareando e apesar da neblina reinante, o Ramelau revelou-se uma montanha verde, de árvores místicas e mágicas

Uma Geografia. Uma Fotografia: Gunung Rinjani

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O Gunung Rinjani – pode encontrar mais aqui -, segundo vulcão mais alto da Indonésia – 3726 metros -, foi a minha ascensão mais elevada no país e uma das mais maravilhosas! À medida que a noite perdeu fulgor e intensidade, o Rinjani começou a revelar toda a sua beleza… o sol surgiu aos poucos e iluminou progressivamente, vales, montanhas, a cratera, o lago e o oceano; as nuvens que corriam no céu, formavam-se e dissipavam-se, e eram ora fiapos, ora camadas densas de “algodão doce; as cores mudavam de intensidade a cada instante fruto da luz que se intensificava e a paisagem era uma paleta rica: os negros e ocres na cratera do vulcão; múltiplos azuis no lago, no oceano e no céu; brancos e cinzas nas nuvens; verdes e castanhos nas florestas, vales, árvores, vegetação e montanhas; e toda a panorâmica envolvente que era absolutamente inesquecível – vales e montanhas, coroadas pela visão do poderoso vulcão de Bali  o Gunung Agung – e de três “pontos” no oceano, as Gili. Um festim para os olhos, um estrondo monumental para os corações, na despedida da ascensão até ao cume, de um dos vulcões mais belos da Indonésia! E uma das paisagens mais fascinantesencantadoras de toda a minha vida!

Uma Geografia. Uma Fotografia: Gunung Marapi

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Durante a ascensão ao vulcão Marapi  pode encontrar mais aqui – em apenas três quilómetros o sol deu lugar ao nevoeiro, seguindo-se uma chuva que se intensificou progressivamente. O trilho apesar de escorregadio e lamacento nalgumas zonas, era fácil de seguir, não deixando grande margem para equívocos. À medida que fomos subindo a temperatura desceu consideravelmente e a vegetação que foi possível observar praticamente até ao cume, extinguiu-se, tornando-se a paisagem desértica e lunar, repleta de pequenas pedras. A partir da zona onde a vegetação desapareceu, começámos a seguir as assinaturas grafitadas nas rochas e um trilho de lixo. Aliás, se existe algum defeito a apontar ao trekking é: “para não se perderem e chegarem a bom porto, sigam o trilho do lixo!” Quando chegámos ao pico – 2891 m – estávamos completamente imersos em neblina mas muito felizes, afinal o objetivo tinha sido cumprido. Já na fase descendente e de forma repentina o vento soprou o nevoeiro e as nuvens para fora do topo e pudemos ver o castanho das rochas, o verde vale e as planícies, Bukittinggi a iluminar-se, as encostas escuras do vulcão e eu recebi o meu presente de aniversário…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Gunung Sibayak

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Gunung Sibayak  pode encontrar mais aqui – representou a minha primeira oportunidade de escalar um vulcão, sendo o trekking até ao topo realizado numa encosta coberta de selva – lama e zonas barrentas, vegetação cerrada, muitos obstáculos e troncos caídos – com breves períodos de chuva leve e uma temperatura agradável. Na chegada à cratera, encontrámos um misto de castanhos, verdes e cinzentos e passados alguns momentos, quando começou a chover torrencialmente, a paisagem tornou-se surreal: as rochas de múltiplas cores – acinzentadas, acastanhadas, esverdeadas e avermelhadas -, a formação de rios e cascatas no meio do trilho, o contraste entre o vulcão “fumante” e o dilúvio! Belo e memorável.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Terras Altas do Cameron

TerrasAltasdoCameron_BlogNas Terras Altas do Cameron – pode encontrar mais aqui – deixei momentaneamente os ambientes tropicais do sudeste asiático e voltei a sentir uma frescura que me fez “regressar” à Europa. Durante os dias que estive na região a paisagem revelou-se uma caixinha de surpresas: colinas cobertas de estufas – couves, alfaces, morangos… -vastas florestas de pinheiros e de fetos; uma enorme e parasítica raflésia; no monte mais alto da região penetrei numa primitiva floresta Mosu repleta de antigas árvores, com os troncos cobertos de musgo e líquenes e que sob o espesso nevoeiro, propagava um ambiente pesado e misterioso e lindíssimas e grandiosas plantações de chá  o verde das colinas e dos arbustos de chá, associados às constantes alterações do céu, ora chuva, ora sol, ora nuvens… transformaram este lugar numa rica palete de cores. Quando me despedi das frescas Terras Altas, estava com um sorriso nos lábios.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Kinabalu

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O nome Bornéu, sempre ressoou no meu imaginário como um nome mítico e místico, um nome que alimentou a minha imaginação e antes sequer de me “preocupar” com a sua geografia – percebendo a posteriori que era uma ilha e se localizava na Ásia – me ligou a terras distantes e exóticas de tribos, animais e selva. Deste modo, não posso deixar de achar caricato que já em terras asiáticas, foi uma descrição emotiva acerca de uma montanha – pode encontrar mais aqui – o motivo principal que me guiou de encontro ao selvagem Bornéu.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Lushan

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Na verde montanha de Lushan – pode encontrar mais aqui – para além de passeios frescos e agradáveis, guardo memória do aparecimento de uma hemorróida dolorosa e debilitante.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Huangshan

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Na belíssima e extraordinária montanha Amarela – pode encontrar mais aqui – fiz maravilhosos trekkings e encontrei múltiplos carregadores que me espantaram com a sua determinação e capacidade física.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Wulingyuan

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No reino das “florestas de pedra” de Wulingyuan que inspirou James Cameron e o seu Avatar – pode encontrar mais aqui – passei três dias intensos de “sobes e desces” constantes, no meio de uma paisagem singular onde a pedra e a floresta se mesclam na perfeição.