Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Dali

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Na cidade antiga de Dali – pode encontrar mais aqui – fui novamente transportado até à China clássica. Porém aí encontrei um ambiente mais relaxado e menos turístico que nas cidades de LijiangPingyao.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Pingyao

Pingyao_Blog

A cidade antiga de Pingyao  pode encontrar mais aqui – é possivelmente a cidade muralhada mais bem preservada de toda a China e enquanto passeei e pedalei no seu interior, fiquei com a sensação de ter recuado aos tempos da China Imperial. No templo taoista de Qing Xu, tive o privilégio de encontrar dois monges a jogar uma partida de Xiàngqí (xadrez chinês).

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Mutianyu

Muntianyu_Blog

Das múltiplas secções existentes e visitáveis da Grande Muralha da China  pode encontrar mais aqui – estive na secção de Mutianyu, nas imediações de Pequim, onde tive a felicidade de sentir a aura de um dos monumentos mais marcantes da História da Humanidade. Na fotografia pode observar-se um pouco da sua forma serpenteante, ao longo de colinas, montes e montanhas.       

Reflexão Daliniana

Dali é uma cidade que à semelhança de Lijiang e PingYao nos transporta de regresso à China antiga e clássica. Porém o ambiente é mais relaxado e menos turístico que nas cidades anteriores. 🙂

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A cidade localiza-se entre montanhas – Cangshan – e um lago – Erhai – e está cheia de pequenos templos, muralhas, portões, pagodas, lojas de artesantao, oficinas de artesãos (prata, merceneiros…), cafés com “boa pinta”, restaurantes, parques, vida comum, água a correr… 🙂 Sem dúvida que vale bem a pena passar por cá pelo menos três dias e se se quiser preguiçar um pouco, facilmente chegar aos quatro, cinco… 😉

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O Dia da Cinza

Conforme o combinado no dia anterior, às 11.00 encontrei-me com um dos rapazes que conhecera em Huashan no Portão Sul da muralha. O dia era cinza e prata, pois uma nuvem de assentou sobre a cidade. :/

WalkingFomos andando pela cidade até ao portão Este e aí comprámos os bilhetes e começamos a percorrer a fortificação, vá, meia fortificação porque quando comparada com a de Pingyao a muralha de Xi´an tem mais do dobro da extensão! À medida que fomos andando, tirámos fotografias e conversámos e para além de alguns factos sobre a China, aprendi que o Cristiano Ronaldo foi rebatizado e se chama Luo C. 🙂

Queres andarQuando demos por findo o passeio – estávamos no portão Oeste – fomos almoçar e consegui pagar-lhe a refeição! Uhuhuh!!! Um feito inolvidável, uma vez que há sempre muita resistência por parte dos chineses em que lhe paguemos algo. 😉 Ah, e durante a refeição, tomámos um refresco típico de Xi´an, o Ice Peak.

       

Antes de nos despedirmos, escreveu-me duas ou três frases em caracteres chineses que me ajudariam a comprar qualquer bilhete, fosse ele de comboio ou autocarro e outra frase em que pedia aos motoristas de autocarro para que parassem em determinado local. Basicamente, esteve a escrever para a minha futura “sobrevivência” no país. 😉

Pedalando em Pingyao

Ato III – Regresso a Pingyao

Depois da visita ao templo, chegou a hora de regressar à cidade e desta vez não houve cá odisseias. Apenas um pedalar relaxado e um caminho pacífico até ao portão Este e ao meu restaurante de eleição. 🙂 Findado o repasto, resolvi deslocar-me ao longo do perímetro exterior da muralha e assim conhecer as diferentes facetas da mesma. Montei a minha “bicla” e passeei calmamente a olhar o espaço envolvente sentindo-me bem… feliz. 😀

No perímetro exteriorAtualmente esta zona ainda está em obras de requalificação existindo terra, pó, areia e algumas barreiras físicas de vez em quando, sendo necessário fazer o ritual: desmontar da bicicleta, passar a bicicleta e depois a nós próprios, mas este facto não impede ou retira interesse a este belo passeio. Antes de devolver e despedir-me da minha “querida” ainda pedalei sem destino por zonas tranquilas da “cidade velha”, sendo a minha despedida de Pingyao abençoada pelo signo da serenidade. 😉

Percorrendo a Muralha

No segundo dia em Pingyao, decidi percorrer todo o perímetro da muralha, qualquer coisa como seis quilómetros. No portão Norte subi as escadas de acesso, comecei a “deliciar-me” com as panorâmicas, tanto interiores (“cidade velha”) como exteriores, fui andando com “dranquilidade” e aproveitei para tirar umas fotografias.

          

          

Quando cheguei ao portão Sul comecei a ver uns cartazes (claro que incompreensíveis para mim) mas segui adiante até dar de caras com…uma vedação! Aí confirmei o motivo de tanta algazarra sinalética, uma vez que na China, quando se vê tal “fenómeno” geralmente não é bom pronúncio. 😛 A muralha a partir daquele ponto estava fechada. Desci até ao nível do solo, mas estava insatisfeito. Apenas tinha percorrido meio caminho, queria mais.

           

Decidi por isso continuar o percurso o mais colado à fortificação que conseguisse até dar a volta completa, mas houve uma ou duas zonas em que tal foi impossível, devido a obras de requalificação. Nesta segunda meia volta, e agora ao nível da base, vi bairros menos clean e mais autênticos e a partir desse momento baptizei Pingyao como “A Cidade das Texturas”.  Aqui as paredes das casas estão cheias de profundidade, o que dá às ruas um aspecto verdadeiro e não “mumificado”. Aqui junto à muralha, cheira a real, não cheira a turístico, e os habitantes dão a vida necessária ao quadro. Aqui, “A Cidade das Texturas” revela-se, ao contrário de outras paragens que não são mais que naturezas mortas.

Pôr-do-Sol

O Primeiro Dia em Pingyao

Que cidade é esta? Pelas descrições que fui lendo, Pingyao é possivelmente a cidade muralhada mais bem preservada do país, está classificada como Património Mundial pela UNESCO e localiza-se na província de Shānxī, a 800 km de Pequim e aproximadamente a 500 km de Xi´an. Esta foi a parte teórica, agora vamos à prática.

À chegada e quando o relógio marcava as 7.30, fui recebido por um frio de rachar. Sem mapa para me orientar e com umas indicações manhosas (providenciadas pela internet), aproveitei a “boleia” de um rebanho de franceses que iam na mesma direção e após dois dedos de conversa percebi que se deslocavam para o meu hostel. Ora cá está: o Zé tuga volta a ter sorte! 🙂 Depois de uma deambulação de quinze/vinte minutos lá o encontrámos. Depois de efectuado o check-in e de ter largado a bagagem na minha “suite” (onde ninguém dormiria naquela noite a não ser eu) parti à descoberta da cidade.

       

Ao percorrer as ruelas do burgo a caminho da residência da família Jin, fico com a sensação de ter recuado até aos tempos da China Imperial, com as suas casas com paredes de tijolo ou terra, caminhos cobertos de pó, pequenas lojas de ofícios e uma atmosfera silenciosa. 😀 Após a visita, dirigi-me ao magnífico Templo de Confúcio e na entrada, comprei um bilhete global, válido por três dias e com o qual se pode entrar em quase todos os locais turísticos. Segui junto à muralha até à zona do Portão Este e nas proximidades vi uma igreja católica e o Templo de Cheng Huang, outro local extasiante.

      

Só ao percorrer a Rua Sul é que comecei a perceber quão turística Pingyao pode ser: inúmeras lojas de quinquilharia barata a fazer-se passar por antiguidades; restaurantes com preços altamente inflacionados; hotéis; cafés e bares com “boa-pinta”. Nesta rua, visitei a torre do mercado onde acabei por ter uma visão mais panorâmica da cidade e algumas das inúmeras casas museu com os seus pátios espectaculares. Na Rua Este, continuei a visita às casas museu e nas imediações da muralha visitei o Templo de Qing Xu, que segundo as indicações na entrada é o único templo taoísta do mundo aberto ao público e onde vi a minha primeira partida de Xiang Qi (xadrez chinês).

Torre do Mercado      

Já no fim da tarde e após ser brindado com o laranja intenso do pôr-do-sol, havia que terminar o dia, e para terminar em beleza, nada como terminá-lo à mesa. O problema, vá, o ligeiro problema, é que o prato que me saiu em sorte no “jogo da roleta russa” foi de comer pouco e chorar muito…Era picante, picante, picante! O repasto consistia em rins de porco e couves que boiavam num líquido cor de sangue acompanhados por um mar de malaguetas vermelhas e de grãos de pimenta preta. Um espectáculo estrondoso, que tornou o primeiro dia em Pingyao num dia de extremos e me fez passar do gelo da manhã, para o intenso fogo da noite. 😛

Visita à Grande Muralha

Ato III – Na Muralha e Regresso à Poluição

Quando finalmente cheguei ao “interior” da Muralha estava felicíssimo e dirigi os meus passos na direção contrária à zona mais visitada. Claro que trilhar a Muralha em absoluta solidão é impossível, mas também não era esse o objetivo uma vez que aqui existe um verdadeiro sentimento de comunidade. A vibração desta e o peso da história fazem-se sentir e o resultado é uma energia diferente. Aqui não estamos apenas num local super ou hiper turístico, não! Aqui estamos na Grande Muralha! Um local especial para todas as pessoas do planeta – pelo menos para quem a visita.

   A ser espancado            Escadaria para o Paraiso

Durante quatro horas: subi e desci degraus; percorri diversas seções desde as mais suaves às hiper-inclinadas; visitei torres; cumprimentei e sorri para pessoas de diversas nacionalidades; tirei fotografias a pessoas que me pediram; tiraram-me fotografias porque eu pedi; fui “espancado” por uma vendedora com golpes de kung-fu e pousei com ela em posse militar; gracejei com umas beldades caídas literalmente dos céus, entre elas uma portuguesa de Santarém – o Mundo às vezes torna-se literalmente microscópico 😛 ; tirei fotografias à Muralha e à paisagem envolvente (montanhas, vegetação, neve); regatei o preço de um chocolate (desceu dos 20 para os 3 Yuans); conheci um Brasileiro (Alex) e combinei jantar com ele em Pequim; percebi que 99% das pessoas que visitam a Muralha o fazem em viagens organizadas; transpirei; senti o sol a bater-me na face; e senti-me um felizardo e ao mesmo tempo um bocadinho super-homem quando continuei a subir degraus e mais degraus até encontrar um local onde a minha única companhia era a Muralha, o sol e o vento.

Estava sobrio, sim senhor         Auto-retrato

Quando comecei a descida senti-me um pouco esgotado, os músculos volta e meia tremiam fruto da caminhada, do sono e da alimentação deficientes. Porém a felicidade e o orgulho por ter visitado a Muralha pelo próprio pé superaram qualquer cansaço físico. Já na base fui “assediado” para fazer compras – a esta hora, as bancas estavam todas abertas – e tal e qual uma enguia, escorreguei dali para fora. No parque de estacionamento procurei o meu Jarbas e quando entrei na carrinha ainda tentei re-negociar o preço do regresso, porém fruto da espera de quatro horas tal não foi possível. Porém devo referir que não insisti, uma vez que considerei o preço justo. No final de contas o meu Jarbas foi um querido, em Huairou  sim desta vez li o nome da cidade 😛 – deixou-me quase dentro do autocarro para Pequim e para um feliz regresso à poluição.

Visita à Grande Muralha

Ato II – Na base da Muralha

O dia estava radioso e chegados à base da Muralha, comecei a sacar das notas para pagar ao meu motorista, quando surpreendentemente ele me fez sinal que não. Por sinais compreendi que ele ia ficar à minha espera enquanto eu estivesse a visitar a Muralha e depois me levaria de volta à cidade. Portanto e sem me ter apercebido disso acabei por contratar o meu primeiro motorista privado na China. 😉

Inicio da dor

Seguidamente dirigi-me à bilheteira e comprei o bilhete apenas para a Muralha. Sim! Porque existe a possibilidade de comprar também um bilhete para um teleférico que nos leva ao colo até à Muralha propriamente dita, claro que se paga principescamente mas isso é apenas um detalhe.

A Muralha vista de baixo

O telemóvel batia as 9.00 e pouco quando comecei o meu trekking na base da Muralha. Aqui a palavra trekking associa-se a subir e a descer degraus e a andar entre as torres nas seções da Muralha. Refira-se ainda, que como local super-turístico a base está minada de pequenas bancas de venda de quinquilharia (felizmente para mim, como a hora era vespertina fui pouco abordado). Os primeiros degraus foram um pouco dolorosos, mas bastou os músculos aquecerem para tudo entrar literalmente no trilho. À medida que fui subindo, a Muralha agigantou-se, ganhou forma e proporção. Ainda nos degraus de acesso, encontrei uma vendedora já de idade avançada a carregar uns sacos e tal qual o samaritano da bíblia aliviei um pouco a senhora na sua provação diária…

No Shooping