Categorias
Fotografia

Uma Geografia. Uma Fotografia: Singapura

Singapura_Blog

Singapura – pode encontrar mais aqui – foi diferente dos países anteriores, havendo características que rapidamente sobressaíram: a limpeza, a organização, a meticulosidade, a eficiência, a riqueza…. à medida que fui circulando nesta Big Town Country, encontrei inúmeros cartazes de proibições, algumas delas bizarras – como o caso das pastilhas elásticas – batizando, por esse motivo, Singapura como o país das multas – Fine CountryNesta cidade/país, deambulei livremente e visitei a vibrante e colorida Little India; a plástica e pouco autêntica, Chinatown; a moderníssima zona do centro financeiro; os maravilhosos parques e jardins; a curiosa e “macabra” How Par Villa e a hiper turística ilha de Sentosa.

Categorias
Fotografia

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Huashan

Huashan_Blog

Na sagrada montanha taoista de Huashan  pode encontrar mais aqui e aqui  tive o privilégio de dormir na companhia de humildes e nobres construtores. O senhor presente na fotografia era o mais idoso de todos eles e o único que tive a oportunidade de registar.

Categorias
Crónicas Fotografia

A Organizada Singapura

Na fronteira entre a Malásia e Singapura, fui chamado à zona da alfândega para declarar bens. :/ A saber, uns maços de tabaco que foram comprados na ilha de Langkawi por cinco dólares e que nesse momento foram avaliados em cinquenta! 😛 Claro que face à situação criada, transmiti aos funcionários da alfândega que não estava interessado em pagar aquela taxa “absurda” e que podiam destruir os mesmos. Assim foi a minha entrada no pequeno país.

IMG_8810 (FILEminimizer)    IMG_8818 (FILEminimizer)    IMG_8824 (FILEminimizer)

IMG_8863 (FILEminimizer)    IMG_8864 (FILEminimizer)    IMG_8867 (FILEminimizer)

Percebi então, que Singapura era necessariamente diferente dos países anteriores e não me enganei. Durante os dias que estive nesta Big Town Country houve características que sobressaíram: a limpeza, a organização, a meticulosidade, a eficiência, a riqueza… à medida que fui circulando no país/cidade, vi muitos cartazes de proibições – algumas delas bizarras, como o caso das pastilhas elásticas?! – e por esse motivo batizei Singapura, de Fine Country  o país das multas. 😛 Ao mesmo tempo observei um paradoxo interessante, o governo taxa de forma pesadíssima o tabaco, proíbe as pastilhas elásticas mas simultaneamente permite a prostituição! Enfim… há negócios que serão sempre inatacáveis.

IMG_8911 (FILEminimizer)      IMG_8919 (FILEminimizer)
IMG_8954 (FILEminimizer)      IMG_8959 (FILEminimizer)

Na cidade voltei a encontrar o Rudy e com ele tive um jantar extraordinário: o delicioso e famosíssimo caranguejo picante de Singapura, lulas, ostras, arroz, doce de manga, água de coco e no final uma conta brutal, que ele fez questão de pagar! Merci, mon amie. 😀

IMG_8781 (FILEminimizer)      IMG_8777 (FILEminimizer)

IMG_9003 (FILEminimizer)      IMG_9009´ (FILEminimizer)

Nos dias que estive em Singapura, deambulei livremente e visitei a vibrante e colorida Little India; a zona de Chinatown, que me pareceu demasiado plástica e pouco autêntica; a moderna zona do centro financeiro onde quase “parti o pescoço”, de tanto olhar para cima 😀 ; os maravilhosos parques e jardins; a curiosa e “macabra” How Par Villa, onde muitos pais mostram aos filhos o que lhes pode acontecer se forem “más pessoas” – zona dos infernos chineses, extremamente gráfica e explícita – 😛 e a hiper turística ilha de Sentosa, onde se localiza o parque temático da Universal Studios e umas praias que até podiam ser agradáveis, mas com a linha do horizonte coberta de cargueiros, perdem todo o encanto.

IMG_9058 (FILEminimizer)     IMG_9065 (FILEminimizer)

IMG_9066 (FILEminimizer)      IMG_9086 (FILEminimizer)

Para além das deambulações na cidade, mudei o “paradigma” do meu caderno e deixei de escrever nele como sendo um diário; continuei a provar deliciosa comida e relaxei no magnífico hostel – Green Kiwi  onde numa noites, tive um serão bastante animado e engraçado a jogar jenga – peças de madeira, que formam uma torre e que têm de ser removidas uma a uma, até alguém fazer a torre cair – com um grande grupo de australianos e canadianos. 🙂 A a ilha de Sumatra estava a um curto voo de distância…

IMG_9164 (FILEminimizer)     IMG_9166 (FILEminimizer)IMG_9187 (FILEminimizer)     IMG_9200 (FILEminimizer)

IMG_9219 (FILEminimizer)      IMG_9121 (FILEminimizer)

IMG_9225 (FILEminimizer)      IMG_9230 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Fotografia Reflexões

Huashan a Primeira Montanha

Ato III – O Nascer do Dia, os Chineses e a Ratoeira Dourada

O Nascer do Dia

Acordei às 5.30, ainda de noite com o objetivo de ver nascer o sol e às 6.05 já estava a caminho do Pico Este (2096 m), o qual atingi às 6.20. Durante cinco/dez minutos observei o “terreno” e às 6.30 já estava instalado e pronto para o acontecimento. O sol nasceu algures entre as 6.50 e as 7.00, porém consequência das nuvens, para os espectadores de Huashan, apenas às 7.05 o astro rei se revelou. A partir desse momento e com o passar dos minutos uma luz dourada invadiu progressivamente a face oriental dos Picos Este e Sul, tornando a montanha num local mágico. Durante uma hora andei a passear no Pico Este e nesse tempo fotografei, vi um casal de “doidos” andar junto à beira de penhascos durante 5 minutos (!) :/ e estive no vai não vai para ir ao pavilhão Xia Qi Ting, o qual só é acessível se passarmos um penhasco, com uma corda de rappel.

7       8

Os chineses

Às 8.00, uma vez que a temperatura estava a subir muito rapidamente parei para um mini-striptease e para tomar o pequeno-almoço. Nesse momento conheci dois rapazes chineses de Guangzhou, que escalaram a montanha durante a noite e iriam seguir para Xi´an nessa tarde –  tal como eu. A partir dai ficámos juntos o resto do dia: fomos até ao Pico Sul; mostrei-lhes o exterior das tendas onde dormira, voltei a encontrar as nobres gentes do dia anterior e tirei uma fotografia com/e ao “avô” – que já tinha as minhas luvas postas 😀 e eles foram meus intérpretes num agradecimento com mais palavras; visitámos o escarpado Pico Oeste e começámos a descer a montanha (10.40). Sem nos apercebermos, durante a descida (11.30) fomos levados a seguir o trilho que conduz ao portão Este e a uma ratoeira dourada! Às 14.00 estávamos no portão Este.

     Estou aqui    11

A Ratoeira Dourada

A ratoeira dourada consiste em conduzir as pessoas (durante a descida), para o portão Este, em vez de as conduzir ao portão Oeste. Esta diferença à primeira vista insignificante, conduz as pessoas a um trilho – trilho dos soldados – desinteressante e monótono em que o objectivo é apenas descer degraus! :/ Porém a questão principal nem é essa e se fosse, já era grave! Uma vez que impede as pessoas de ver a verdadeira beleza da montanha durante a descida e no caso de alguns infelizes também na subida. O cerne da questão é que o portão Este fica a oito quilómetros do centro da pequena cidade de Huayin (华阴市), da estação de autocarros, da estação de comboios… enfim fica longe de tudo! E nesse momento, se as pessoas não tiverem carro – a grande maioria – é obrigada a apanhar um mini autocarro para regressar. Ou seja, sem o desejarem as pessoas são conduzidas a uma ratoeira da qual não conseguem escapar! 😦

Podíamos pensar, que ninguém é realmente obrigado a apanhar esse mini autocarro. Errado! A estrada que conduz ao centro de Huayin (华阴市) não tem bermas para peões e está cheia de curvas e contra-curvas, tornando-se um verdadeiro perigo para eventuais caminhadas! Toda esta questão, que eu considero abusiva por parte do parque natural, ganha requintes de ESCÂNDALO, quando no autocarro – operado por uma empresa independente – de regresso a Xi´an (西安) se pode ler um ALERTA  – em mandarim – que as pessoas que apresentarem o bilhete de entrada no parque natural antes de entrar nesse mini autocarro – todas as pessoas o têm – não teriam de pagar o bilhete do mesmo. Porém esta informação não existe em nenhum lugar, a não ser… já no interior de um autocarro que nos leva de regresso à grande urbe. Ou seja, o parque natural e a empresa de autocarros andam a encher os bolsos à conta das pessoas, por sonegação de informação. É legal? É…mas que não passa de um mais um esquema made in China, disso não restam dúvidas!

Categorias
Crónicas Fotografia O 1º Dia Reflexões

Huashan a Primeira Montanha

Ato I – A Ascensão e a Procura

A ascensão da montanha iniciou-se por volta do meio dia e os primeiros quatro quilómetros foram bastante simples e sem dificuldades de maior. Destacando-se os templos e altares taoístas em que fui entrado e os malabarismos de um chinês no topo de um rochedo – há gente muuuuuuuito marada! :/ Após esses momentos de passeio e lazer e a partir do momento em que apareceram os primeiros cadeados com fitas vermelhas – representação simbólica dos desejos das pessoas – presos nas correntes laterais – correntes essas que nos auxiliam na ascensão e nos separam da zona dos penhascos – começaram as dificuldades em Huashan.

3

Às 14.00 estava a almoçar na companhia de uma árvore milenar nas traseiras de um templo taoísta 🙂 e às 14.35 a subida complicou-se exponencialmente com seções de inclinações absolutamente diabólicas – Thousand foot Precipice e Hundred foot Crevice. Às 16.00 estava oficialmente no topo do Pico Norte – podia ter chegado antes, mas decidi percorrer uns trilhos alternativos para conhecer mais facetas da montanha – e nessa altura posso dizer que estava verdadeiramente FELIZ por ter chegado ao primeiro pico de Huashan e por ter a oportunidade de ver algo belo depois de o ter conquistado.

2     4    5


Reflexão: Os montanhistas, alpinistas e praticantes de trekking devem experienciar algo semelhante e quanto maior o esforço ou a provação, maior esse sentimento.


O Pico Norte tem uma altitude de 1614 m e é o anfiteatro de eleição para os restantes quatro picos. Sim! Huashan é uma montanha de cinco picos: Norte, Sul, Este, Oeste e Central. O Pico Norte foi o primeiro a ser conquistado e aí acabei de almoçar aproveitando para descansar um pouco antes de recomeçar a ascensão, o que aconteceu por volta da hora coca-cola light. Nesta altura, porque o tempo estava super-agradável e porque via a quantidade de roupa quente que ainda tinha na mochila, comecei a pensar seriamente em dormir ao relento, nalgum lugar abrigado e o mais próximo possível do Pico Este (local de excelência para ver o nascer do sol na montanha). 🙂

1

Às 17.00 estava na base do Jin Sue Guan, a seção que liga o Pico Norte à entrada para os restantes picos principais e posso afirmar que este trecho não é nenhuma pêra doce e que puxa pelo nosso corpo e mente. Cinquenta minutos depois estava no Pico Central (2037 m) e vinte minutos volvidos, cerca das 18.10 atingi o Pico Oeste (2082 m), do qual avistava a face do Pico Sul iluminada pela bela luz dourada do pôr do sol. 😀 Uns momentos antes desse belo acontecimento encontrei um americano e um neozelandês com que estive uns minutos à conversa e comecei a sentir-me desanimado relativamente à possibilidade de dormir ao relento (falaram do vento, do frio – temperaturas que podiam atingir os graus negativos… 😦 ) e comecei a olhar ainda com mais atenção para possíveis abrigos, notando que em alguns locais ainda existia neve.

Às 18.37 já estava a caminho do Pico Sul, o mais elevado da montanha (2155 m) o qual atingi já ao cair da noite, só para tirar a fotografia da praxe (no dia seguinte podia voltar mais calmamente). Quando comecei a descer do Pico Sul em direção ao Pico Este já as luzes dos trilhos da montanha estavam ligadas e iluminavam na medida do possível os degraus. Entretanto, continuava à procura de um abrigo, equacionando várias possibilidades, entre elas ficar num templo que estava a ser reconstruído…quando a meio da descida me deparei com duas grandes tendas.

Instantaneamente parei e comecei a vasculhar a mochila à procura de um papel (escrito em caracteres) que tinha a pergunta: “Quanto $ pela estadia?”. Nesse momento, saiu um homem da tenda e eu fiz-lhe sinal para esperar (enquanto continuava a minha procura pelo papel). O homem ficou completamente imóvel a olhar para mim, enquanto eu tirava papéis, papéis, papéis, papéis… mais pápeis e finalmente passados quatro minutos interminavéis lá achei o tal papel. 🙂 Ao mostrar-lho ele fez-me sinal para entrar com ele para dentro da tenda

Categorias
Crónicas Fotografia O 1º Dia

O Primeiro Dia em Pingyao

Que cidade é esta? Pelas descrições que fui lendo, Pingyao é possivelmente a cidade muralhada mais bem preservada do país, está classificada como Património Mundial pela UNESCO e localiza-se na província de Shānxī, a 800 km de Pequim e aproximadamente a 500 km de Xi´an. Esta foi a parte teórica, agora vamos à prática.

À chegada e quando o relógio marcava as 7.30, fui recebido por um frio de rachar. Sem mapa para me orientar e com umas indicações manhosas (providenciadas pela internet), aproveitei a “boleia” de um rebanho de franceses que iam na mesma direção e após dois dedos de conversa percebi que se deslocavam para o meu hostel. Ora cá está: o Zé tuga volta a ter sorte! 🙂 Depois de uma deambulação de quinze/vinte minutos lá o encontrámos. Depois de efectuado o check-in e de ter largado a bagagem na minha “suite” (onde ninguém dormiria naquela noite a não ser eu) parti à descoberta da cidade.

       

Ao percorrer as ruelas do burgo a caminho da residência da família Jin, fico com a sensação de ter recuado até aos tempos da China Imperial, com as suas casas com paredes de tijolo ou terra, caminhos cobertos de pó, pequenas lojas de ofícios e uma atmosfera silenciosa. 😀 Após a visita, dirigi-me ao magnífico Templo de Confúcio e na entrada, comprei um bilhete global, válido por três dias e com o qual se pode entrar em quase todos os locais turísticos. Segui junto à muralha até à zona do Portão Este e nas proximidades vi uma igreja católica e o Templo de Cheng Huang, outro local extasiante.

      

Só ao percorrer a Rua Sul é que comecei a perceber quão turística Pingyao pode ser: inúmeras lojas de quinquilharia barata a fazer-se passar por antiguidades; restaurantes com preços altamente inflacionados; hotéis; cafés e bares com “boa-pinta”. Nesta rua, visitei a torre do mercado onde acabei por ter uma visão mais panorâmica da cidade e algumas das inúmeras casas museu com os seus pátios espectaculares. Na Rua Este, continuei a visita às casas museu e nas imediações da muralha visitei o Templo de Qing Xu, que segundo as indicações na entrada é o único templo taoísta do mundo aberto ao público e onde vi a minha primeira partida de Xiang Qi (xadrez chinês).

Torre do Mercado      

Já no fim da tarde e após ser brindado com o laranja intenso do pôr-do-sol, havia que terminar o dia, e para terminar em beleza, nada como terminá-lo à mesa. O problema, vá, o ligeiro problema, é que o prato que me saiu em sorte no “jogo da roleta russa” foi de comer pouco e chorar muito…Era picante, picante, picante! O repasto consistia em rins de porco e couves que boiavam num líquido cor de sangue acompanhados por um mar de malaguetas vermelhas e de grãos de pimenta preta. Um espectáculo estrondoso, que tornou o primeiro dia em Pingyao num dia de extremos e me fez passar do gelo da manhã, para o intenso fogo da noite. 😛