Uma Geografia. Uma Fotografia: Mandalay

Mandalay, outra das capitais do reino da antiga Birmânia é mais uma cidade repleta de templos, mosteiros e pequenos detalhes de encher os olhos e a memória. Desde as múltiplas singularidades que existem nos numerosos templos da colina da cidade, e de onde se pode observar a cidade do alto, bem como os seus arredores: os verdes campos, os montes, as árvores, o rio, os templos, as estupas, as pagoda; o Palácio de Mandalay que é mais interessante no exterior, dada a dimensão do perímetro da sua muralha do que propriamente a zona turística interior que é minúscula e pouco interessante; o calor que se sentia nas ruas e que se colava à pele; a torre do relógio e o mercado de Zaycho; o templo de Maha Myat Muni, o mais importante e imponente da cidade, onde pude observar o contraste entre as incontáveis bancas de venda de quinquelharia e a zona dos artesãos que fabricam autênticas peças religiosas; o mosteiro de Shwe In Bin e a sua intricada estrutura exterior em madeira, verdadeiramente bela e singular;  o incessante movimento da cidade; e… o espetáculo semi burlesco e com uma enorme componente política e de resistência ao regime dos Mustache Brothters.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Kakku

Para conhecer este local, eu a Melissa e a Fabianne, necessitámos de um condutor e de um guia oficial, pois infelizmente os turistas/viajantes não podem visitar Kakku de forma independente. O trajeto entre o lago de Inle e Kakku foi longo, sensivelmente duas e meia em cada direção, mas agradável, fruto das florestas e dos campos muito verdes que pudemos observar. Kakku, é um reino de pagodas concentradas numa área de um quilómetro quadrado. Uma autêntica floresta de densidade impressionante.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Lago de Inle

O lago de Inle foi um dos locais mais memoráveis de toda esta odisseia asiática e para esta noção dos acontecimentos muito contribuiu o facto de o grupo não se ter fragmentado na chegada. Esta realidade foi decisiva para prolongar a minha estadia e dos dois dias inicialmente previstos, passei para quatro. Afinal, a beleza da viagem também é esta, ter planos e mudá-los, simplesmente porque queremos e temos vontade. Assim, Inle foi um local vasto, surpreendente e repleto de pequenas e grandes surpresas. Desses dias ficaram muitos, muitíssimos momentos para recordar: os diversos canais, como se estivessemos em Veneza, mas numa versão rural – onde pudemos observar as rotinas dos camponeses a trabalhar a terra, dos pescadores a remar graciosamente com a perna e lançarem as redes à água, das pessoas e mercadorias a serem transportadas em longas barcas de proa levantada e os pequenos barcos a deslizarem suavemente pelas águas; a povoação de In Dein – uma paisagem magnífica, coroada de estupas e pequenas pagodas; as maravilhosas matizes do lago – um misto de castanhos, azuis e prata; passeios de barco onde percorremos todas as “capelinhas” dos artesões locais – tecelagem, prata; tabaco – e visitámos o Mosteiro dos Gatos Saltitantes; passeios de bicicleta onde tranquilamente nos embrenhámos na vida local: as escolas, as crianças traquinas e sorridentes, os camponeses, os búfalos e as vacas, os viçosos arrozais, as palmeiras e florestas, as estupas e pagodas; a zona de vinhas, onde fizemos uma prova de vinhos e brindámos à saúde, à amizade e à generosidade de buda; a visita ao mercado local e uma aula de culinária que revelou ser mais um delicioso jantar de bons e velhos amigos… Inle foi assim mais do que um “simples” lago ou um local geográfico. Inle ficou para a minha história, como um local mágico, um local onde voltarei para mergulhar nas doces águas da memória, da amizade e da alegria…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Trekking Kalaw – Inle Lake

trekking até ao lago de Inle veio a revelar-se mais um passeio de amigos do que um desafio físico, uma vez que o ritmo foi quase sempre muito lento. De qualquer modo, a travessia até ao lago foi bastante agradável, fruto da bonita e serena paisagem e do facto de termos criado entre nós um grupo unido e coeso. Ao longo dos dias, a paisagem revelou-se um misto de campos de cultivo, pinhais, verdes colinas, alguma paisagem cársica, aldeias, mosteiros, escolas, árvores de buda (Paian). A nossa guia, Jully, mostrou ser bastante profissional e uma excelente pessoa, e sempre que podia foi-nos ensinando algo sobre Myanmar e sobre a sua etnia, a etnia Pa-o. Ao longo dos dias, conversei muito com os meus companheiros de trekking, com quem passei bons momentos; os almoços foram simples, mas saborosos e os jantares autênticos manjares, pois a comida era ultra-mega-deliciosa; os camponeses revelaram-se super simpáticos, afáveis e calorosos e as crianças, absolutamente encantadoras! Para além das fotografias à paisagem tranquila, aos camponeses nos seus afazares e às alegres crianças, tive a felicidade de encontrar alguns anciões, verdadeiramente belos. Depois de dois dias e meio de uma caminhada vagarosa, despedimo-nos de Jully e do nosso cozinheiro, seguimos o nosso barqueiro… estávamos prestes a entrar no reino de Inle .

Uma Geografia. Uma Fotografia: Pindaya

A minha viagem para o reino de Pindaya, começou bastante cedo, uma vez que depois de um autocarro noturno até Kalaw, apanhei novo autocarro até à vila de Aungpan onde aguardei uma hora até partir noutro autocarro, nessa hora bebi um café e tirei algumas fotografias aos “nativos” nos seus afazeres diários. Na curta viagem até Pindaya – aproximadamente hora e meia -, a paisagem surprendeu-me, uma vez que esta era muito mais seca do que imaginara, os campos de cultivo onde havia uma mistura de castanhos e verdes, fizeram-me regressar ao Alentejo na altura da Primavera e fui observando a vida simples dos camponeses, os seus pequenos gestos e rotinas, os búfalos, as carroças, as crianças… Na chegada à vila, confirmei a direção para as grutas, uma vez que da estrada se podiam observar as pagodas circundantes e dirigi os meus passos para o local. Durante o trajeto, destaco as múltiplas pagodas douradas mas principalmente, as magníficas e antigas árvores que se podiam ver ao longo da estrada. Durante aproximadamente uma hora visitei, aquela caverna que está habitada por milhaaaaaaaaaaaares de budas – cerca de 8000! – a sua maioria dourados e no meio deles aproveitei para tirar algumas fotografias. O local é impressionante, pela quantidade “absurda” de estátuas que a cada passo nos vigia e observa, e percebi que caverna está em constante mutação, uma vez que qualquer pessoa pode doar uma estátua do iluminado – cheguei a ver estátuas provenientes de vários países, inclusivamente Japão, Coreia do Sul, ChinaTailândia, Alemanha, França… 

 

Uma Geografia. Uma Fotografia: Kabayan

O meu último destino, na RAC era Kabayan e as suas múmias. Desse modo, voltei a apanhar um autocarro em direção a Sagada, porém desta feita, apenas fiz uma hora e meia de viagem, e numa interseção com a estrada principal, fui deixado pelo prestável motorista. De monstrinho às costas e sempre a subir em rampas muito inclinadas, andei durante meia hora! Até decidir que se continuasse naquele ritmo não iria conseguir chegar às grutas de Kabayan que ficavam a mais de cinco quilómetros da estrada principal. Quando encontrei uma casa perdida naquela paisagem montanhosa, pedi aos seus donos para me guardarem a mochila e bem mais leve continuei a andar.  Passados poucos minutos, passou uma carrinha amarela a quem pedi boleia e a bordo deparei-me com um grupo de montanhistas filipinos que iam para o mesmo destino! Perfeito! Foi deste modo, que visita às múmias de Kabayan, foi realizada na companhia de um alegre grupo. Acompanhados de um nativo que protege o local, percorremos um curto e agradável trilho no meio de um pinhal, e numas pequenas grutas com portas fechadas a cadeado, que foram abertas para nós, encontrámos no interior de pequenos caixões, múmias em posição fetal – crença de voltarem à barriga materna.  Foi com eles que voltei a Baguio, ainda parando durante a viagem para almoçar, sendo à mesa e com gastronomia tradicional filipina que terminei a minha visita à RAC.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Banaue

Depois da visita à aldeia de Batad e aos seus terraços perfeitos, e do trekking do dia anterior, a visita aos terraços de Banaue afigurava-se como uma mera “formalidade” para concluir esses dias felizes na Região Administrativa da Cordilheira (RAC). Porém, mesmo estes revelaram bastante beleza e na travessia pelo seu interior, tive de contratar os serviços de dois miúdos de palmo e meio, Dave e Nick muito engraçados! Com eles percorri aquela verde paisagem, em passo relativamente rápido – os miúdos tinham asas nos pés -, fui fazendo alguns equilibrismos e tirando algumas fotografias em redor.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Apo

Após aqueles dias de sonho em Sugar Beach, parti com a Nie Ying em direção à ilha de Apo e o nosso primeiro passo foi apanhar um barco de regresso a Sipalay. Depois da curta travessia marítima, apanhámos vários autocarros, o primeiro para Hinoba-an, seguidamente até Bayawan e finalmente para Zambuaguita, onde com muita sorte apanhámos uma banca. Durante a travessia, o mar estava um pouco agitado e os salpicos foram uma constante. Na chegada à ilha, a primeira visão da “praia” não foi muito paradisíaca, uma vez que para além da areia praticamente inexistente, se podiam ver muitas casitas. Ao longo dos dias, Apo revelou ser um rochedo no oceano, coberto de vegetação seca e onde a vida segue pacatamente o seu curso natural. Na ilha, a eletricidade apenas existe das 18.00 às 21.30 e as noites são escaldantes e ruidosas, fruto do cacarejar dos galos e dos latidos dos cães. Na ilha ficámos alojados na Mario´s guesthouse num dormitório simpático, que aquando da nossa chegada estava praticamente deserto. Aí encontrámos boa comida e pessoas muito simpáticas: Janice (filipina de Puerto Princesa); Arnold (holandês de 70 anos com um espírito incrivelmente jovem); Richard e Jackie (casal de australianos); Julie e Mark (casal de alemães); Mário e Jed (instrutores de mergulho). Em Apo mergulhei duas vezes, a primeira em Cagon e a segunda em South Point, onde encontrei um extraordinário jardim de corais – do melhor que já observei, tanto em variedade como em riqueza de formas e cores. No dia do aniversário de Julie, vi um bonito pôr do sol no antigo farol e daí pode observar as bonitas cores do fim do dia e a visão em simultâneo das múltiplas ilhas em redor: MindanaoLos NegrosCebuSiquijor e Bohol. Nessa noite, fizemos uma pequena mas agradável festa na praia, com direito a uns copitos de rum, muita e animada conversa, iluminados por lanternas, ao mesmo tempo que vários relâmpagos rasgavam o céu e uma tempestade se aproximava.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Sugar Beach

Sugar-Beach

A experiência que tive ao entrar em Sugar Beach, foi quase equivalente a sair do mundo. O ambiente era relaxado; o resort onde fiquei instalado (Driftwood Vilage), estava super bem concebido e não era muito dispendioso; existia um dormitório muito confortável, em que as camas eram praticamente de casal; a comida era deliciosa; e o staff impecável. Em Sugar Beach a areia era castanha escura ou se preferirem tinha um tom açúcar mascavado, por esse motivo a sua temperatura era quase sempre elevada. Por sua vez, a água do mar apesar de não ter aqueles tons de múltiplos azuis e verdes, que geralmente são visíveis em praias de areia branca e onde existem corais, era transparente, super límpida e tinha uma temperatura agradável. No areal existiam múltiplos coqueiros e palmeiras, e existiam mais dois ou três pequenos resorts com bungalows. Durante aqueles dias, escrevi e publiquei no blog, dormitei em hamokspasseei pela praia, joguei voleibol ao final da tarde, vi o pôr do sol enquanto jogávamos e depois do jogo terminar corria para e pelo mar, que era praticamente plano e raso e ao correr para o infinito, sentia-me livre! As noite também eram divertidas e animadas, uma vez que havia sempre uns torneios de snooker e bebíamos quase sempre umas cervejitas, em amena cavaqueira. Numa das manhãs, também fizemos um passeio de snorkeling para ver um navio afundado, a apenas cinco metros de profundidade. A água era cristalina e límpida, havia uma excelente visibilidade e foi possível ver corais e peixes de muitas cores ricas e variadas. Uma vez que a vida era relaxada e fácil – boa comida e cama; sossego e conforto; muitas e animadas conversas – não tinha vontade de partir e aqueles três dias ficar-me-ão para sempre na memória. Antes de seguir para a ilha de Apo, tive de perguntar-me algumas vezes: “Sugar Beach. Posso cá ficar para sempre? ”

Uma Geografia. Uma Fotografia: Moalboal

Moalboal

No último dia passado com Francis, acabámos por visitar a bonita cascata de Kawasan que apesar de cheia de pessoas acabou por ser um passeio agradável, uma vez que à paisagem verde e serena, juntou-se a água fresca de várias lagoas e riachos que desembocavam na grande cascata. O dia seguinte foi passado em praias, de manhã, rumei a sul e visitei a praia de Lumbung e de tarde rumei a norte e visitei a praia mais famosa da zona, a White beach. Neste périplo entre praias conheci um ojek simpatiquíssimo – Mr. Rodolfo – e a verdade é que nos demos tão bem que acabei por combinar com ele todas as viagens desse dia. Durante o dia, torrei ao sol, atualizei o caderno, fui ao mar inúmeras vezes e fiz snorkelingNo último dia em Moalboal fiz dois mergulhos, o primeiro na ilha do Pescador, onde fui recebido por uma parede vertical, de aproximadamente cem metros de profundidade e repleta de corais bastante vivos e coloridos, e onde senti algum nervosismo, ao lembrar-me de corrente brutal e descendente de Batubalong em Komodo. E o segundo já ao largo de Panagsama, onde tive um encontro com uma escola de milhões de sardinhas! BRUTAL! ABISSAL! MONUMENTAL! Espirais, círculos, arcos e nuvens… um verdadeiro turbilhão! Um dos melhores mergulhos da minha vida! Na despedida de Moalboal comecei a jantar sozinho, mas à semelhança de dias anteriores acabei acompanhado, desta feita por Zaskia com quem fiquei a conversar animadamente durante um par de horas. Foi nesse momento, que combinámos partir no dia seguinte para a ilha de Los Negros