Rota SW

Prólogo

Desde que regressei a Portugal, de tempos a tempos pensava na Rota Vicentina e no seu significado. A chegada ao Cabo de São Vicente, o antigo fim do Mundo! Isso antes de “nós” Portugueses iniciarmos a época dourada dos Descobrimentos. 🙂 Depois de receber mais uma “nega” britânica, resolvi que aquele era o momento ideal para regressar à “estrada” e limpar um pouco a mente de pensamentos menos otimistas. Desta feita e ao contrário da odisseia asiática, o monstrinho seria carregado de forma contínua ao longo do caminho, por isso na altura de tomar decisões sobre o que realmente levar, o PESO ainda foi um fator mais importante e tido em consideração. Como sempre, o processo de empacotamento foi um processo evolutivo, aqui fica a lista de itens que levei comigo:

PESO TOTAL (sem água e comida incluídas): 12 kg

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Kinabalu. Ascensão Infinita

Epílogo

Em termos turísticos Kinabalu é um dos grandes negócios dourados de Sabah e nenhum agente turístico no seu perfeito juízo, irá promover a ascensão num dia, afinal os pacotes turísticos giram à volta da estadia super dispendiosa em Laban Rata, que em termos de esforço físico – mas não distância – fica sensivelmente a meio caminho do cume da montanha. Para além disso e já no interior do parque natural também não há ninguém que promova esta possibilidade, contudo se já partirmos informados, ninguém nos irá mentir acerca da mesma.

Para quem não gosta de fazer planos com meses de antecedência, quer gastar uma exorbitante maquia e gosta de desafios físicos, o que posso dizer é… a ascensão de Kinabalu num dia é possível mas depende de vários fatores. Alguns dependem de nós e outros – tais como as condições meteorológicas – estão completamente fora do nosso alcance, desse modo… para completar a ascensão não é necessário ser nenhum super herói ou heroína, porém é preciso estamina, força de vontade e alguma sorte.

Mesmo que se cumpram as “barreiras” temporais: três horas para chegar a Laban Rata e se atinja o pico antes das 13.00 – cinco horas desde o início do trekking – tal não significa que a ascensão esteja garantida. Basta que os rangers do parque decidam que as condições meteorológicas não são aceitáveis e… fim do “jogo”. Basta o nosso guia decidir que estas mesmas condições se degradaram muito rapidamente – vento, chuva, nevoeiro – e… fim do “jogo”. Enfim, existe um enorme leque de variáveis desconhecidas na equação de Kinabalu que podem ditar o fim da ascensão e caso exista cancelamento durante a mesma, não há direito a reembolso. Por isso é fazer “figas” e esperar o melhor… mas quem estiver disposto a arriscar, a recompensa será de certo grandiosa… 😀

P.S. – A ascensão num dia é um assunto sério e deve ser feito sob a supervisão de um guia. Nem sequer pensem em fazê-lo sem o mesmo e por conta própria. Tal representa uma monumental falta de respeito para com a montanha e para com a vossa vida.

Dicas Made in China

1) Percam as peneiras ocidentais. Convém aprender umas palavras de mandarim, preparar o dia seguinte com os nomes dos sítios já escritos em chinês e sobretudo acabem de vez com a pretensão do “Ai, eu não estou a ir por um sítio turístico”. Aqui nunca podemos dizer, cheguei ao fim da estrada, não existe ninguém.

2) Misturem o campo com a cidade. A maneira certa para não deitar a China pelos olhos é ir metendo pelo meio alguma natureza. Façam isso porque as belezas naturais são espetaculares. Há lugares tão bonitos que chegam a ser comoventes.

3) Os chineses são uma massa humana gigantesca e que se move muito, por isso os transportes ficam rapidamente superlotados. Conselho: tratem das vossas ligações com antecedência.

4) Não se esqueçam, estão na Ásia… regateiem os preços mesmo que estes vos pareçam baratos. Acreditem! Estão inflacionados porque nós/vocês somos ocidentais e, apesar de fazer parte da sua cultura, nestas cabeças, existe o estigma:  “São todos ricos, podem pagar mais”.

Dica sobre Hostels na China

Na China, os hostels cobram quase sempre mais se marcarmos presencialmente ou pelo site oficial da YHA China do que por outros websites (hostelsworld e hostelbookers, por exemplo) e por vezes o aumento é bastante significativo! Nesse dia, tive mais um belo exemplo prático, pois antes de dormir falei com um casal (que estava no meu quarto) e descobrimos que eles estavam a pagar mais 20Y (cerca de 2,50€) do que eu, pelas mesmas condições!! Por um quarto num dormitório? A diferença é demasiada e despropositada! :/

Esquema Dourado Made In Xangai

À saída do parque fui interpelado por três jovens que me perguntaram se lhes podia tirar uma fotografia e a seguir continuámos na conversa enquanto nos dirigíamos ao Champs Elysées de Xangai. Segundo eles o museu da cidade  que era o meu destino – estava com umas filas bastante grandes e era melhor fazer um compasso de espera, antes de ir para lá. Antes de entrarmos nos Champs Elysées – centro comercial, pedi para lhes tirar uma fotografia e depois da mesma seguimos pelos corredores. Só quando comecei a entrar num local mais pequeno, comecei a estranhar o ambiente e quando vi os meus ”três amigos” a sentarem-se numa mesinha com chávenas de chá à frente, tive a certeza absoluta onde estava e com quem estava! E pensei: “Filhos da P$%€! Não acredito nesta m£§%@! Outra vez?!”. Claro que nesse momento e instantaneamente disse que tinha que ir e abandonei o local qual relâmpago. No caminho ainda houve um ligeiro momento no qual pensei voltar atrás e confrontar estes mafiosos e dizer-lhes na cara: “Eu sei perfeitamente quem vocês são e o que fazem!”. Mas logo de seguida pensei que não pretendia meter-me em chatices e que queria ultrapassar a situação o mais rapidamente possível.

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Durante o caminho de regresso ao parque recordei Pequim, o profissionalismo destes gangues e no à vontade que demonstram a enrolar a vítima e a distraí-la com conversa, para além de revelarem uma enorme capacidade de adaptação e de criação de empatia com a mesma. :/

Tigres e Escoceses

Ato VI – O  Grande Embuste!

Quando chegámos à Tina´s Guesthouse, bebemos finalmente a nossa cerveja sossegados e ficámos a conversar sobre o ocorrido. Durante a conversa, chegámos à conclusão que parte da informação recebida em Lijiang e antes de começarmos o trilho era em parte faliciosa e que a beleza natural do local não merecia um esquema destes! :/ Na despedida, trocámos e-mails e um abraço sentido e eu fiquei com uma certa pena das nossas rotas não coincidirem. Haveria de ter sido engraçado, viajar com este Escocês! 😀 Já no autocarro, a caminho de Lijiang vi o rio e a garganta mais de perto e com outra atenção e só então percebi, que o clímax do Tiger Liping Gorge se encontra no Upper Gorge. Aí, SIM! O rio mostra toda a sua força, presença, raça e carácter! E fiquei a matutar na seguinte questão: quem chega ao Tiger Lipping Gorge transportado por um autocarro da Tina´s Guesthouse é automaticamente levado a fazer o trekking e a seguir montanha acima em direção ao Middle Gorge e ao embuste! :/

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Relativamente ao trekking não tenho nada a opôr, o mesmo é excelente e oferece-nos uma palete de paisagens vasta, rica e distinta. Porém e remetendo-me apenas à informação, ou melhor desinformação providenciada pelos hostels/guesthouses/hotéis de Lijiang, impedir as pessoas de ver o verdadeiro Gorge, o Upper Gorge, só me faz sentir irritado e enganado, pois está-se a deturpar a realidade do local apenas com o objetivo de ganhar dinheiro e enriquecer à conta de um embuste. 😦 Por este motivo, se de algum modo, puder alertar todos os outros turistas/backpackers/viajantes para esta situação ou situações semelhantes noutros locais do planeta, será isso que farei! Afinal vivemos em comunidade e sociedade e se todos juntos podermos “quebrar” os “maus” sistemas que nos rodeiam diariamente, tanto melhor! 😉

Tigres e Escoceses

Ato V – O Tigre “Embusta” a Presa

“Reza a lenda” que houve uma família que construiu o caminho até ao rio e pelos vistos agora, essa família é dona dessa terra! Isto dentro da reserva natural!? Estranho!? Naaaaaaaaaaa… 😛 os factos começaram a cheirar a marosca fedorentaPara aumentar a “piada desta história, inicialmente na zona da “portagem” cobraram-nos 15Y por pessoa e depois de uma recusa, no minuto seguinte o valor já era 10Y por cabeça… por uma questão de PRÍNCIPIO resolvemos não pagar um centavo e logicamente a entrada foi-nos barrada.

IMG_5982 (FILEminimizer)Porém, os chineses desconheciam a resilência da Tag TeamTUGA-SCOTCH e com base nesta permissa partimos em busca de um caminho alternativo, e a verdade é que em menos de um minuto já estávamos num trilho marcado em rota descendente. Cinco minutos volvidos encontrámos mais um ponto de controlo – nesse momento tivemos a certeza que íamos bem encaminhados – e apesar dos avisos sonoros, ou seriam grunhidos!? 😛 Seguimos em frente. Passados poucos minutos encontrámos uma zona de descanso com chineses lá sentados e tentámos perguntar-lhes se estávamos perto, mas não nos responderam e quando seguimos, começaram a acenar e a dizer: “Danger! Danger!” Quando estávamos quase, quase a concretizar o nosso objectivo, esbarrámos num obstáculo que se veio a revelar intransponível, uma escada completamente abrupta e vertical com cerca de quinze metros de altura. Tínhamos a noção que bastava um movimento em falso para nos estatelarmos lá embaixo. Carregados com mochilas e com um estado de espírito pouco sereno resolvemos não arriscar, afinal daquele ponto avistávamos o rio e diga-se em abono da verdade que este, estava muito longe do rugir de um verdadeiro tigre, assemelhando-se mais a pequeno gatinho. 😛

IMG_5983 (FILEminimizer)Para “lixar” a cabeça dos chineses mafiosos resolvemos esperar quinze-vinte minutos antes de voltarmos a aparecer – o nosso objetivo era faze-los pensar que tínhamos chegado ao rio – e quando finalmente esse tempo passou, voltámos para trás apenas com um objetivo em mente, beber uma cerveja fresca sossegados na Tina´s Guesthouse. Claro que no caminho de regresso tivemos de voltar a passar pelo checkpoint e os chineses que inicialmente nos acenaram que não, que não podíamos seguir em frente, agora pediam-nos dinheiro! A falar em espanhol segui em frente e quando um chinês berrou mais alto: “MONEY!”, virei-me para ele com cara de poucos amigos e fiz-lhe um manguito de dedo em riste. Quase no topo do trilho esperei pelo Andy que tinha ficado uns metros para trás e quando voltámos a falar, relatou-me que o chinês tinha ficado completamente possuído! A parte final do trajeto foi feito pela estrada de alcatrão e antes da despedida definitiva do Tiger Liping Gorge aproveitámos para tirar fotografias à paisagem e à casa “portagem” dos mafiosos.

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Seguro

Viajar sem um Seguro pode vir a revelar-se problemático em alguns casos e em alguns destinos. Portanto, antes de o fazerem pensem se realmente vale a pena poupar uns “euritos”.

As coberturas chave e indispensáveis são: despesas médicas e evacuação de emergência. Será assim tão difícil imaginar a hipótese de um acidente e uma consequente necessidade de assistência hospitalar, internamento ou até uma intervenção cirúrgica? E uma evacuação médica de um país subdesenvolvido? E os custos envolvidos? 5.000? 25.000? 50.000€? Vale a pena o risco? 

Uma vez que não pertenço a nenhum site de viagens que tem por objetivo ganhar algum dinheiro em publicidade, não vou publicitar o seguro de viagem da World Nomads como sendo o melhor, o mais completo, etc… Da minha experiência pessoal e da minha investigação nas fontes (agências de turismo e seguradoras), posso declarar que os Seguros de Viagem são regra geral, bons produtos para viagens até um/dois meses. Acima deste prazo façam um Seguro Pessoal, em que estão protegidos 24h sobre 24h, todos os dias até a expiração da apólice.

Devo referir mais alguns factos que considero relevantes:

  • Os Seguros de Viagem são mais abrangentes que os Seguros Pessoais, uma vez que também incluem cláusulas sobre: bagagem e problemas em aeroportos.
  • As cláusulas relativamente às bagagens referem-se a questões que ocorram nos aeroportos (atrasos, extravios e roubos). NÃO EXISTE seguro à face da terra que cubra a bagagem noutros casos! (mesmo que tenham talões de compra, fotografias, registos na polícia…). A não ser que sejam os seguros específicos de cada equipamento.
  • Os Seguros de Viagem não podem ser constantemente renovados.
  • Os Seguros Pessoais podem ter prazos variados e as prestações podem ser pagas de um modo flexível (trimestral, semestral, anual).
  • Em termos de proteção da nossa Saúde e da nossa Vida dificilmente um Seguro Pessoal é batido, uma vez que em termos de prémios e condições da apólice é o que nos garante a melhor relação qualidade/preço.

O meu conselho é: Meçam os riscos e vejam se compensa a ausência de um seguro, em caso de dúvida? FAÇAM-NO! 

Malária

Geralmente, só de ouvir o nome desta doença soam os alarmes e as sirenes de alerta dos viajantes. A Malária ou Paludismo é uma doença tropical grave, que pode em último caso provocar a morte. A doença é transmitida pela picada do mosquito Anopheles (fêmea) e existe em diversos países espalhados pelos continentes Africano, Asiático e Americano.

O período de incubação, ou seja, o intervalo entre a picada do mosquito até ao aparecimento dos primeiros sintomas, pode variar de 8 a 17 dias e depende da espécie do parasita em questão.

Uma vez que os sintomas da malária podem ser inespecíficos e assemelhar-se aos da gripe, devemos sempre suspeitar da doença se estivermos numa zona endémica ou caso se tenha regressado há menos de um mês.

Alguns dos sintomas apresentados: Febre intensíssima ao final do dia; arrepios; dores de cabeça; dores musculares e fraqueza são geralmente acompanhados por dores abdominais, dores nas costas, tonturas, náuseas, vómitos e diarreia.

Considerando que ainda NÃO EXISTE uma vacina disponível contra a malária, a PREVENÇÃO torna-se fundamental e deve realizar-se com base em duas permissas:

1) Prevenção da Picada (o horário de maior atividade do mosquito transmissor da malária é entre o pôr do sol e o amanhecer)

  • Aplicação regular de repelentes de insectos (com as substâncias DEET: Tabard, Autan e R35 R35: Prebutix) nas partes do corpo expostas (cara, mãos, pescoço, orelhas, pés, tornozelos…)
  • Utilização de roupas claras, camisas de mangas longas e calças compridas, durante atividades de exposição elevada e particularmente depois do entardecer. 
  • Evitar, sempre que possível, atividades junto a cursos de água, lagos, ribeiras, zonas pantanosas e húmidas, devido ao habitat natural do mosquito.
  • Durante a noite permanecer de preferência,  em locais com ar condicionado e/ou redes protetoras nas portas e janelas. Alternativamente, pode aplicar-se repelente no exterior e utilizar um difusor elétrico.
  • Dormir debaixo de uma rede mosquiteira (esta pode ser impregnada com inseticida, algum tempo antes de se ir dormir) garantindo que nenhuma parte do corpo fica encostada à rede. Antes de se deitar deve garantir que não há mosquitos debaixo da rede e que esta não está rasgada.

2) Profilaxia da Malária

Apesar de não haver tratamentos perfeitos, a prevenção da Malária é feita à base de medicação profilática com a toma de um antipalúdico que preferencialmente será a Mefloquina cujo nome comercial é Mephaquin. Há situações que este medicamento não é aconselhado devendo ser substituído por outros (Malarone ou Doxiciclina), o problema é que os outros são mais caros e mais agressivos para o organismo do que o Mephaquin (aqui pode aplicar-se a máxima que nem sempre o mais caro é o melhor).

Dever ser tomado 1 comprimido ao jantar, uma semana e um dia antes da viagem; 1 comprimido na véspera da partida; 1 comprimido por semana durante a estadia e 1 comprimido por semana durante quatro semanas após o regresso.

MUITO IMPORTANTE!!  Neste dia não pode ser consumido álcool e o medicamento deve ser tomado após um jantar reforçado, com o objetivo de preparar o organismo.

Uma última nota que considero relevante. Fala-se e escreve-se muito – inclusivamente em sites/blogues de viagem – relativamente aos efeitos tóxicos que este medicamento provoca no organismo (fígado e rins). Não querendo desempenhar o papel de advogado do Diabo, essa informação é 99,9% das vezes FALSA!! Nas consultas do viajante em que estive, obtive sempre a mesma resposta. Tal facto em pessoas saudáveis não ocorre ou se ocorrer, estamos a falar de números muito diminutos. O que deve limitar-se, é o seu consumo ininterrupto até um ano.

Informação mais detalhada aqui.