Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Hong Kong

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Em Hong Kong – pode encontrar mais aqui – tive uma visita fascinante e vibrante, e esta foi a única “geografia” da odisseia asiática que teve um antes, um depois e no meio a palavra Portugal.

Em trânsito: Hong Kong – Guangzhou. Hello China! See you again

Quando saí do hostel dirigi-me para a estação de comboios, Hung Hon e antes de sair da cidade aproveitei para comprar comida – “despachando” desse modo os dólares de HK que ainda me restavam – e ver o meu passaporte ser controlado mais uma vez. Durante a viagem aproveitei para comer e organizar algumas coisas pendentes, senti-me cansado e a partir de certo momento observei a chuva que caía pesadamente. Já em Guangzhou, o meu passaporte foi novamente controlado, desta feita pelas autoridades chinesas e nesta segunda entrada? No problem… Hello China! See you again… 🙂

Em trânsito: Macau – Hong Kong. Night Boat

Fui deixado no terminal à 1.00 onde tive de esperar pelas 2.30 pois o barco da 1.30 apenas tinha disponíveis, lugares de super class – bastante mais dispendiosos que os lugares regulares – e aguardei… aguardei… aguardei pela entrada no barco e finalmente pude fechar os olhos pelo menos durante o tempo da viagem. Em HK, saí do terminal às 3.40 e como não havia autocarros disponíveis pelo menos durante as próximas duas horas, andei… andei… andei pelas ruas quase desertas da cidade e às 4.20 cheguei finalmente ao hostel, suado e a necessitar de um banho fresco…

Em trânsito: Hong Kong – Macau. Run Forrest… Run!

Em quase três meses de viagem e todos os dias despertei sem problemas de maior, porém e logo neste dia em que tinha encontro marcado com o diretor do jornal a Tribuna de Macau, o despertador não tocou e quando abri os olhos já eram 10.30! “Ai f#$@-&%! É preciso pontaria.” :/ Meio em pânico, liguei o computador para consultar o e-mail e enquanto ele se ligava, engoli o pequeno-almoço. Quando abri o e-mail e depois de ler a mensagem respirei de alívio, ele só podia encontrar-se comigo depois das 16.00. “Uff! Salvo pelo gongo!” 🙂 De qualquer modo, saí do hostel apressadamente pois os ferries para Macau partem de meia em meia hora e demoram uma hora a efetuar o percurso. Por isso e uma vez que ainda estava dentro da barreira, fisicamente possível, corri para apanhar o ferry do meio dia com todas as minhas forças. Run Forrest… Run! 😛

Back to HK. D(epois).P(ortugal).

No regresso a Hong Kong (HK), a cidade voltou a receber-me calorosa e abafadamente e o sentimento de destilação apenas era aliviado em locais onde havia ar condicionado. 😛 Nas ruas, fui serpenteando pela turba humana, pelos carros, elétricos e autocarros e tirando fotografias aos edifícios, aos habitantes, aos mercados de rua -comida, roupa e bugigangas – aos templos e ao movimento incessante e frenético, que apenas acalmou quando cheguei às imediações do emblemático Victoria Peak.

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A ascensão para o “pico” de HK pode ser feita no famoso elevador/elétrico ou a pé, mas como o Kiri é um tipo poupado mas que não se poupa, a subida foi encetada pelo próprio pé. 😛 A ascensão foi agradável e se no primeiro momento o caminho foi linear pois acompanhava o carril do elevador, finalizado o primeiro terço este mudou e transformou-se num trilho serpenteante que passava por áreas residenciais e zonas verdes. À medida que a vista sobre a cidade, abriu, abriu… abriu, a panorâmica da cidade começou-se a revelar: edifícios, baía, céu azul, piscinas. 🙂 As indicações desapareceram e na parte final do trajeto tive que recorrer a um mapa, à bússola, ao pedido de indicações e ao meu sentido de (des)orientação. Quase no topo fiz um atalho qual Indiana Jones e perdi-me momentaneamente, porém e graças a esse pequeno contra-tempo tive a oportunidade de ver o outro lado de HK e o seu lado mais selvagem e natural – paisagem verde de florestas, mar, baías e enseadas – a ponto de pensar se estaria de facto na mesma cidade. 😉

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Quando finalmente cheguei ao pico, estava feliz pois tinha concretizado o meu objetivo e maravilhado com a bela vista sobre a cidade. 😀 Posicionei-me para o entardecer e à medida que fui tirando fotografias conheci Carlos – Peruano emigrado no Canadá – e Sebastián – Argentino – e com eles encetei uma conversa muito interessante sobre economia, países, viagens e profissões. 🙂 Na despedida do Victoria Peak, dei mais uma mirada à cidade iluminada e acenei um adeus à única cidade que teve um A(ntes) e um D(epois) e no meio a palavra Portugal. 😉

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Em trânsito: Lisboa – Hong Kong. Back on Track

Para além de escrever sobre os dias em Portugal, durante os três voos e as duas escalas (Amesterdão e Pequim) aproveitei para dormir, escrever no computador, enviar e-mails e ver diferentes paisagens do alto, qual uma águia imperial. 🙂 Na entrada na China voltei a ser controlado com papéis, carimbos e… lérias! :/ E refleti sobre a segurança nos aviões, os lobbies e a estupidez associada a essa falsa noção de… segurança. E tudo isso, foi despontado quando tive a oportunidade de observar que os talheres que são utilizados em primeira classe nos aviões são de metal e com base nesse facto pergunto-me: “Será que apenas os não terroristas, viajam em primeira classe?” e “Porquê tanta alarido à volta de mini-tesouras e outros metais nas bagagens de bordo, quando esse metal é fornecido pelas próprias companhias aéreas?” Enfim… contradições do mundo moderno, assético e seguro em que vivemos. :/

Em trânsito: Hong Kong – Lisboa. Viagem a Portugal

A viagem para Portugal, começou no autocarro que me levou do centro de Hong Kong para o monumental, limpo e assético aeroporto da região. E o meu primeiro passo foi fazer o check-in da bagagem diretamente para Lisboa e continuar a escrever no caderno. A viagem Hong Kong – Lisboa teve múltiplos voos. Três para ser exato e duas escalas. No voo Hong Kong – Pequim, conheci um casal de brasileiros com quem falei durante quase toda a viagem. Na escala em Pequim, troquei yuans por doláres de HK com eles e mais uma vez pude observar a burocracia chinesa no seu melhor – confusão de selos para passaporte e bilhetes de avião; e esperei loooooongameeeeente pelo segundo voo.

No voo Pequim – Amesterdão, houve ligeiro atraso na partida, andei de autocarro… muuuuitooooooo tempo e com isso tive a noção da imensidão do aeroporto. Dormitei durante algumas horas, escrevi no caderno, vi uma paisagem que me deixou muitas dúvidas para perceber o que estava a ver – nuvens ou montanhas geladas e ainda hoje me questiono se seria real 🙂 e tive uma aterragem mágica, com nuvens de diferentes texturas e densidades – algodão doce, fiapos, superfícies geladas, pináculos quais florestas de lanças – reflexos do sol dourado, o mar de cor negra, as casas, as florestas escuras, as plantações viçosas, as estradas, as fábricas e o fumo. 😀 Já em terra o espetáculo continuou e vi uma fábrica em contra luz, fumo e nuvens, o céu azul, múltiplos e incontáveis cinzentos com dourados em alguns pontos… Foi uma das paisagens mais belas que alguma vez presenciei! 😀

Quando cheguei a Amesterdão era meio-dia e um quarto, porém fruto da diferença horária entre Pequim e Amesterdão tive que voltar às 6.15. Portanto, neste dia fui como o John Stewart, o homem que viveu duas vezes, no meu caso duas vezes, seis horas – das 6.15 ao 12.15 – 😛 e na escala de Amesterdão, aguardei mais uma vez pela passagem do tempo. No voo Amesterdão – Lisboa, tive a última etapa da viagem. Escrevi no caderno, percebendo que apenas o iria conseguir acabar de atualizar já em solo Luso e  tive uma aterragem cheia de vento e turbulência. Na chegada não tive a noção que realmente tinha regressado e que naquele momento o solo que pisava era o do nosso país, Portugal. Acho que só comecei a perceber tal facto quando comecei a ouvir a nossa língua e tudo escrito em português e… mesmo assim… lentamente.

Skyline Made in Hong Kong

Depois da deambulação, segui para a avenida das estrelas e escolhi um local para ver a transição entre o dia e a noite, e o espetáculo de luz e som que estava marcado para as 20.00. O tempo foi passando, algumas vezes arrastando-se, outras acelerando… 

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De vez em quando, lembrava-me que no dia seguinte iria começar a minha viagem de regresso a Portugal e esse facto pareceu-me um pouco irreal, como se só quando entrasse no avião tivesse a noção real de tal acontecimento. 🙂 Não que houvesse desagrado da minha parte. Não. Apenas a sensação que tudo fora rápido, muito rápido – uma semana entre a decisão e este momento… qual um meteorito que atinge a Lua.

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O espetáculo começou pontualmente e havia alguns edifícios com a iluminação a mudar e alguns lasers a cruzar os céus, mas sinceramente esperava mais. Não que o skyline da cidade me tivesse desiludido, mas senti que houve demasiado alarido à volta de algo que não cumpriu as expetativas. No final a montanha pariu um rato!

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Quanto aos edifícios em si gostei do que observei e se Xangai pode ser considerada um novo rico, Hong Kong fruto da sua linhagem (aristocrática/inglesa), cumpre pela sobriedade e “classicismo” mais do que pelo “fogo-de-artifício”. Os arranha-céus são belos mas não são espampanantes e na minha opinião brilham mais quando se mantêm fiéis a si mesmos e não se maquilham falsamente com excesso de iluminação pindérica, para representar aquilo que não são. Por isso quando o espetáculo terminou, foi um “alívio” pois tudo voltou à normalidade, os fingimentos acabaram e o skyline da cidade, voltou a tratar-me com respeito.  🙂

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Hong Kong. A(ntes).P(ortugal).

No dia seguinte iria partir para Portugal e fazer uma mini-paragem na viagem. Já a contar com as viagens de ida – Portugal – e regresso – Hong Kong  esperava que essa paragem durasse dezanove dias. A grande incógnita era a hemorróida e saber se esta iria sabotar ou não o meu regresso! :/ De qualquer modo e graças à medicação, a verdade é que me sentia consideravelmente melhor. 🙂 Desse modo e antes da minha partida resolvi aproveitar o dia e visitar a metrópole.

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Durante os primeiros instantes o que me saltou logo à vista foram as pessoas de diferentes origens – meelting pot  os prédios altos e uma pedinte à porta do metro de Causeway Bay e se inicialmente pensei visitar o Victoria Peak, fruto do dia muito pardacento e cinzento depressa desisti dessa ideia. Resolvi então deambular pela cidade e logo no início pude observar o grande contraste de ambiente entre o fancy Queensway plaza e os seus passadiços superiores. Devido a ser Domingo, dia de descanso, há multidões de mulheres sentadas que aproveitam para confraternizar entre si e através da culinária e da partilha de comida voltam aos seus países de origem, à sua cultura e raízes mais profundas. 🙂

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Ao longo de Harcourt Road e no HK Convention Center fui tirando fotografias, e no cais de Wan Chai apanhei um ferry em direção a Kowloon e à outra margem da cidade. Quando aí cheguei pude ver o luxo existente na zona de Canton Road e do Heritage e este pôs-me a magicar quanto custaria uma refeição ou até um simples e “humilde” café no seu interior.

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Desta zona, rumei a Nathan Road e aí pude observar alguns arranha-céus de aço e vidro, mas principalmente prédios velhos e sujos, letreiros espalhados por todo o lado e multidões a circular – principalmente na Sai Yeung Chai street que é uma rua  que está vedada ao trânsito. Desse modo a longa Nathan Road revelou-se um espetáculo diferente e o enorme tráfego humano e automóvel – principalmente táxis e autocarros – condimentaram a cidade e revelaram camadas mais profundas da mesma. Em Haiphong road o fogo-de-artifício continuou – (restaurantes porta sim, porta também – e o espectáculo foi encerrado pela Locked e pela Peking road. 🙂

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Em trânsito: Shenzhen – Hong Kong. Cruzando Fronteiras

Em Shenzhen apanhei um metro que me levou até às imediações da fronteira entre a República Popular da China e Hong Kong. E não há cá brincadeiras! A fronteira é bem real! O passaporte é controlado na saída e na entrada de ambos os territórios, por isso há que ter em conta toda a burocracia inerente à passagem. Outro facto que me ficou na retina, foi a existência de um rio que separa fisicamente os dois territórios e as múltiplas barreiras de arame farpado e guardas armados existentes. Assim que entrei em Hong Kong senti logo o aumento brutal dos preços e tal começou com um simples bilhete de comboio, que me levou da fronteira até ao centro da cidade, mais especificamente para Causeway Bay, a zona do meu hostel. Assim que saí da estação de metro, senti logo o calor e a humidade da cidade a abraçarem-me e a darem-me as boas vindas.