Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Huangshan

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Na belíssima e extraordinária montanha Amarela – pode encontrar mais aqui – fiz maravilhosos trekkings e encontrei múltiplos carregadores que me espantaram com a sua determinação e capacidade física.

Em trânsito: Tangkou – Lushan. Caminho entre Montanhas

A viagem para Lushan decorreu em duas fases distintas, a primeira durou seis horas e decorreu entre Tangkou e JiuJiang  e na mesma aproveitei para acabar de ler o livro a Arte da Viagem de Paul Theroux. A segunda fase decorreu entre JiuJiang e Lushan numa mini-van e antes de subirmos a montanha, tivemos de comprar um bilhete na base da mesma e só então pudemos arrancar, para o reino das florestas e da água. 🙂

Estão a Abusar da minha Boa Vontade

Terminado o trekking, jantei no restaurante do costume, mas infelizmente senti que as pessoas do mesmo agiram de má fé quando me tentaram vender muito mais comida do que a que conseguia realmente comer – um prato de carne, um prato de vegetais, arroz e um prato de peixe! Para apenas uma pessoa?!. Na altura de verificar quantos pratos tinha à minha frente, discuti com eles durante alguns minutos e tive inclusivamente de dar um murro na mesa, porque ninguém me parecia ouvir! :/ Durante esse período tirei o peixe da minha frente – pelo menos umas cinco vezes, ao mesmo tempo que fui fazendo sinais de forma veemente que não iria pagar o upgrade. Felizmente no final correu tudo bem e a conta não veio inflacionada, mas senti que aquele momento desagradável era absolutamente desnecessário. 😦

Huangshan, Montanha Amarela

Ato V – Dureza na Ascensão

Apesar das poucas horas dormidas, acordei com o objetivo de continuar o meu passeio em Huangshan. E se em Tangkou o tempo estava cinzento, quando cheguei ao “portão” da face Este da montanha, em YunGu estava um nevoeiro cerradíssimo. :/ A ascensão até ao White Goose Ridge foi muito, muito dura! E ao cansaço físico – as pernas não se queriam mexer – associou-se o cansaço mental – a cabeça só pensava que não se via nada e qual o objetivo de visitar a montanha naquelas condições atmosféricas, quando podia estar muito bem no hostel deitado num verdadeiro “ninho”. :/

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A verdade é que arrastando-me montanha acima, cheguei ao White Goose Ridge em noventa minutos e a partir daqui o dia melhorou consideravelmente, tanto em termos físicos e mentais, como meteorológicos. O meu primeiro destino foi o Seeing is Believing Peak, mas a verdade é que relativamente à questão de ver para acreditar a ironia era de facto elevada, pois na realidade via-se pouco ou nada e senti-me qual um comandante de um navio, a navegar na bruma, mas sem acesso a GPS. 😛 Daí segui até ao Tiger Pine e a melhor visibilidade da manhã foi entre esse local e o Lion Peak, pois via-se a neblina a circular velozmente entre os picos, belo! 😀

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Do Pico do Leão parti para o Purple Cloud Peak (1700 m) mas o panorama não se alterou, nevoeiro cerradíssimo! Com umas condições assim, a melhor parte do dia foi sem dúvida nenhuma percorrer a zona do Xihai Grand Canyon, uma vez que mesmo com um nevoeiro intenso, foi espectacular! 🙂 A atmosfera do local é verdadeiramente singular, descidas e subidas vertiginosas, faces escarpadas, trilhos estreitos e pelo menos uma ponte completamente louca – os guardas eram tão baixos que mais parecia uma ponte para crianças – num precipício! 😛

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No caminho de regresso falhei uma bifurcação e consequentemente a ligação entre o Cloud Dispeling Hotel e o Brigth Top Peak, não vendo por esse motivo a famosa Flying rock. O caminho de regresso foi exatamente igual ao do dia anterior, porém com a agravante que neste segundo dia não se via nada! Por isso o objetivo foi apenas um: andar, andar… andar! Até sair de Huangshan de papo cheio de trekkings e fisicamente, extenuado. 🙂

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Huangshan, Montanha Amarela

Ato IV – Corpo Aqui, Mente Distante

Devo referir que durante a travessia em Huangshan houve períodos que estava com a cabeça completamente noutro lado, ou seja, estava a pensar seriamente na proposta do dia anterior da M. – feita meio séria, meia a brincar – e a pesar os prós e os contras de tal decisão. A verdade é que encontrei muitos pontos a favor e poucos contra, sendo o mais forte destes a questão puramente monetária. Durante esse processo de pensar ir a Portugal não me senti oprimido e receoso, não! Senti-me feliz com essa possibilidade… os dados estavam lançados! E tomei a minha decisão! 😀

Huangshan, Montanha Amarela

Ato III – Engarrafamento e Fim de Trekking

Durante a ascensão, a montanha foi mudando de cor, alternando entre o branco e amarelado, mas sempre com manchas verdes associadas. No caminho para o Lotus Peak (1864 m) houve alguns momentos confusos, mas a paisagem circundante foi valendo cada degrau, cada passo e apesar do alegre caos que reinava no pico, deu-me um certo prazer lá chegar. 🙂 Mas, mais prazer ainda deu-me o percurso até ao topo. No Lotus Peak atingi a minha altitude máxima nesta montanha e o caminho descendente foi bastante rápido exceto quando apanhei um engarrafamento de pessoas a caminho do pico da Tartaruga – pico intermédio entre o Lotus Peak e o Bright-Top Peak. Sim é verdade! Um engarrafamento de pessoas numa montanha! Eu sei que é de difícil compreensão, mas estamos na China! 😉

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Sempre em rota descendente fui até Fairy Walking Bridge e nessa zona da montanha parecia que tinha regressado a WulingYuanpudendo verificar que Huangshan não era uma montanha “dupla”, antes uma montanha tripla e com extras: pontes, frinchas, caminhos estreitos… 😀 No caminho de regresso dirigi os meus passos ao Bright Top Peak e ao Pico do Alquimista e por essa altura o tempo estava novamente pardacento. Daí segui montanha abaixo durante duas horas e meia até ao “portão” da face Este da montanha, YunGu e quando aí cheguei eram 16.10, ou seja, todo o percurso demorou exatamente oito horas a ser concluído. 🙂

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Huangshan, Montanha Amarela

Ato II – Os Heróis da Montanha

Neste período o que mais me desiludiu foi ver o caminho para o Celestial Peak (1810 m) encerrado e o que mais me surpreendeu ao longo do dia foi ver a capacidade do ser humano para ser uma besta de carga, montanha acima, montanha abaixo. Vi homens a carregarem cerca de cinquenta quilogramas aos ombros e fiquei com a certeza que estes homens são uns heróis! E se existem momentos – particularmente nas ascensões – em que me sinto cansado, basta ver um destes homens para pensar que estou a ser piegas!

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Huangshan, Montanha Amarela

Ato I – Huangshan. Partida!

O trajeto entre Tangkou e o “portão” da face Oeste da montanha (Templo da Luz Misericordiosa) durou vinte minutos e a estrada era um conjunto de curvas e contra-curvas no meio de uma paisagem verde. 

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Quando comprei o bilhete (aproximadamente 29€!) referi que queria voltar no dia seguinte e recebi uma declaração para o devido efeito, deste modo o bilhete teve a validade de dois dias e não de apenas um como é normal – claro que isto não está escrito em lado nenhum e apenas soube deste “detalhe” graças à rececionista do meu hostel! 🙂 Às 8.10 comecei a ascensão da montanha Amarela e se inicialmente o dia estava bastante pardacento, a verdade é que à medida que o tempo passou, o dia foi-se tornando mais claro, o céu “azulou” e o sol despontou. 🙂 À medida que fui subindo degraus parecia que estava numa mistura de Huashan – faces escarpadas – e de Emeishan – verde, verde… verde – e a primeira parte da ascensão até Groting Guests Pine foi bastante rápida – aproximadamente duas horas. Por esta altura, a ascensão não estava ter a dificuldade que esperava, mas fruto da beleza da montanha, a experiência estava a ser muito boa.

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Hostel a Estrear

Na chegada ao hostel, ao falar com a rapariga da receção e ao contar-lhe o sucedido, ela confirmou-me que de facto Mr. Hu era da concorrência e que muitas vezes os motoristas dos autocarros páram em frente a determinados restaurantes ou hotéis para receberem umas luvinhas extra. Finalizados os esclarecimentos, coloquei a bagagem no quarto (que cheirava completamente a novo e estava imaculado) e fizemos um briefing (super-esclarecedor e elucidativo) sobre a montanha. 🙂 Aí, percebi que para ter uma boa visão do conjunto geral da montanha iria necessitar de dois dias inteiros de trekking e preparei o “plano de ataque” para os próximos dias.

P.S. – As camas do hostel eram FABULOSAS! Um verdadeiro ninho de conforto e de longe as melhores na China! 😀

Em trânsito: Hangzhou – Tangkou. Ao Deus Dará

No dia anterior despedi-me da Shue e ao trocarmos os e-mails ficou semi-prometido que voltaríamos a encontrar-nos, desta feita em Nachang a cidade onde ela estuda. Antes de partir para Tangkou – vila nas imediações de Huangshan, a montanha amarela – comi o pequeno almoço no mesmo restaurantezito dos dias anteriores, porém como já não tinha as raparigas comigo, enganaram-me no preço da comida! Claro que fiquei irritado, sabendo imediatamente o que estava a acontecer e antes de partir fi-los perceber que eu sabia que o preço estava inflacionado!

Quanto à viagem propriamente dita, esta demorou quatro horas e meia e decorreu de forma serena, numa paisagem verde e na mesma aproveitei para escrever no caderno. O momento alto ocorreu já depois da chegada quando o condutor do autocarro decidiu parar em frente a um restaurante  para receber umas “luvas”, certamente – e tal facto fez com que eu não fizesse a mínima ideia onde me encontrava! 😛 O que valeu é que apesar da sua honestidade duvidosa, foi simpático e prontificou-se a ligar para o meu hostel, para me virem buscar. 🙂

Enquanto esperava, apareceu um carro preto com um condutor que disse ter sido enviado pelo hostel e apesar de não estar 100% certo da veracidade desta informação segui viagem com ele. O facto de ser de dia e não pensar ser raptado ajudaram-me na tomada de decisão. 😛 No caminho recolhemos um casal de alemães e na viagem falámos de estadias no pico da montanha, em diferentes alternativas e fui observando que a cidade era apenas uma estrada com edifícios de ambos os lados e que era de longe o local mais desinteressante que vi na China até esse momento. Pouco depois, fui largado nas imediações do hostel e recebi uma cartão, o senhor mistério acabara de ser batizado, Mr. Hu. No final da viagem tive a certeza que ele era da “concorrência”, mas para mim pouco importava, estava no local certo e não tinha pago nada para lá chegar. 🙂