Emeishan. Montanha Budista

Ato I – A Ascensão e o Nevoeiro

Antes da partida para um dos portões de acesso à montanha, eu e o Li tomámos um pequeno-almoço reforçado, desta vez uns noodles bem picantes cheios de carninha e umas bolas de milho de massa pastosa muito pegajosa e consistente. Ainda na vila apanhámos um “táxi manhoso“ – nome pelo qual comecei a batizar os carros privados que fazem transporte de pessoas – que ficou ao mesmo preço de um autocarro público para Wannian. 🙂 Esta é a entrada que fica mais próxima do pico de Emeishan e serve quem tem poucos dias para fazer a ascensão e a descida – que era a nossa situação: apenas dois.

A ascensão do Monte Emei começou às 10.00 a partir de Wannian e daí até ao pico, Jin Ding (Pico Dourado) distam trinta e três quilómetros A surpresa inicial foi a vegetação luxuriante e completamente verde que cobria a montanha, ao contrário de Huashan por onde já tinha passado, muito mais árida, rochosa e de faces escarpadas. Para além dessa diferença e enquanto a Huashan era sagrada para os taoístas, Emeishan é uma das quatro montanhas sagradas do Budismo na China e destas a mais elevada.

A primeira parte da ascensão, a chegada ao Mosteiro da Longa Vida, onde almoçámos por volta das 13.00 com direito a passagem pelo templo de Wannian, não se revelou nada problemática. As dificuldades começaram quando iniciámos a subida para a “Elephant Bathing Pool” (2070 m) e daí em diante, primeiro para o “Jien Hall” (2540 m) e seguidamente para o Mosteiro Woyuen – muito próximo – do Jin Ding. Aí sim! A montanha conseguiu revelar todo o seu poder “destrutivo” e “demolidor” quer em distância, quer em grau de dificuldade. :/ As inclinações bastante elevadas durante longos períodos de tempo e algum gelo nos degraus fizeram com que atingisse o meu limite por volta das 16.30-17.00, quando o cansaço físico e mental era elevado e ao bater com biqueira da bota num dos milhares de degraus palmilhados larguei um F*%&-@$ das entranhas, algo como: estou farto de subir, estou farto da “P#$%” desta montanha!

      

Quando chegámos ao pico (3077 m) cerca das 18.00, estava um nevoeiro cerradíssimo e o caminho dourado não era mais do que um jogo de dourados, brancos e cinzas e os doze elefantes que guardavam a escadaria, a estátua do topo (Samantabhadra) e o enorme templo eram praticamente invisíveis. :/ Para além disso e nessa altura começou a nevar e o vento a soprar com intensidade, o que não ajudou em nada a colocação da bandeira e o encerramento do capítulo roubo – consciência – compensação.

     

A descida para o mosteiro onde dormimos e que ficava apenas a quinze minutos do topo, realizou-se já na penumbra total e envolta num mar de nevoeiro. Quando aí chegámos, deparámo-nos com as portas do templo parcialmente fechadas e com o som de cânticos/surdas budistas, ritmadas ao som de tambores e de um sino, que tocava esporadicamente. Após o fim das orações e de uma espera de quarenta e cinco minutos, lá conseguimos colocar as malas no quarto espartano e principalmente lavar e repousar os pés numa tina de madeira com água a ferver. Às 20.30 já estava na caminha, bem durinha por sinal mas bem quentinha, a dormir o merecido sono dos andarilhos. 😀

      

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