Uma Geografia. Uma Fotografia: Danau Sentarum

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Aquando da minha estadia em Lanjak, tive direito à minha incursão ao Danau Sentarum, sendo esta uma experiência deveras singular, uma vez que nunca tinha andando de mota dentro de um lago! A vastidão daquela paisagem surreal e assombrosa, transportou-me ao cenário de um “deserto” de lama. Na companhia de Safary fiz motocross com uma moto de estrada, aliás, ao longo do dia fizemos “patinagem” na lama. No topo de uma das colinas, da ilha de Semitau pude observar uma panorâmica do lago: as rochas, as zonas secas, as “ilhas” de árvores e fiquei estupefacto por observar o lago em plena época das chuvas, tão seco!! – ainda dizem que não há aquecimento global!? Ainda nesse dia, fizemos uma incursão a uma vila piscatória, onde as casas estavam construídas sobre estruturas de madeira, podendo ser casas flutuantes – como se de barcas se tratassem -, atravessámos riachos barrentos, vimos peixes a secar, outros mortos e em decomposição, nativos a pescar… no dia seguinte, em que a paisagem estava mais realçada fruto do sol e do céu azul, conseguimos chegar à ilha de Malaiu mas para isso, tive que desmontar do nosso “corcel” várias vezes. Nesses momentos, em que andava de pé descalço na lama mole e quente – por vezes enterrado até aos joelhos -, senti-me bem… senti-me feliz e livre! Estava fascinado com aquela paisagem, com aquele enoooooooooooooorme lago sazonal, situado no coração do Bornéu.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Putussibau

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À medida que me aproximava do meu destino, depois de uma maratona de autocarros – praticamente 24 horas em andamento – começou a chover, sentindo-se um intenso odor a terra molhada. O embalo do autocarro fazia-me quase, quase adormecer, até que ao passar por pontes de madeira os solavancos me faziam saltar do lugar – bump, bump! e na paisagem, viam-se pequenas aldeias e povoações, onde a maioria das casas estavam construídas sobre estacas e onde o acesso era feito por passadiços de madeira. O dia em Putissabau, foi um dia lento e de compasso de espera, porém como tinha contactos da ONG, WWF, passei por lá para conhecer os responsáveis daquela delegação – Albertus e Hermas – e saber detalhes acerca das áreas de intervenção…

Uma Geografia. Uma Fotografia: Pulau Lemukutan

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Aquando da minha estadia em Singkawang e na companhia de Supriadi, tive a oportunidade de visitar a agradável e simpática ilha de Lemukutan onde passei um fim-de-semana rodeado de palmeiras, um ambiente tropical, águas de múltiplos azuis, corais, barcos de pescadores, cabanas, uma produção fotográfica de casamento, mas principalmente de simpáticos e sorridentes nativos.

Uma Geografia. Uma Fotografia: Singkwang

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Em Singkawang encontrei-me com Supriadi, um professor de inglês e se inicialmente, contava ficar três dias, acabei por ficar uma semana! E quais os motivos que me levaram a ficar? O calor humano, o carinho e a amizade com que fui recebido, por aquelas pessoas maravilhosas. Durante aqueles dias, que vivi verdadeiramente na cidade, recordo especialmente vários momentos: os instrumentos de música tradicional – Dayak – que vi e que ajudei a pintar; os longos serões que passei a jogar PES 2013 e a conversar; as vezes que fui ao mercado com Teti e que cozinhei com ela; os muitos cafés e cappucino´s deliciosos que bebi; mas principalmente, o facto de me ter tornado um “guru da motivação”, quando ao visitar várias escolas, tentei deixar os alunos com vontade de aprenderem inglês. Em Singkawang fui verdadeiramente FELIZ! E aceitei de vez, o facto de visitar poucos locais em Kalimantan, mas ter experiências que valem-se realmente a pena!

Uma Geografia. Uma Fotografia: Pontianak

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Na chegada ao aeroporto de Pontianak, para evitar os taxistas locais e os seus preços inflacionadíssimos, comecei a caminhar em direção à cidade, acabando por ser bafejado pela sorte, uma vez que apanhei boleia com Surat  um senhor que trabalhava como engenheiro, na manutenção de aviões – para o centro. Para além da boleia, Surat ajudou-me a encontrar um hotel barato e levou-me a tomar o pequeno-almoço no Hajis  um afamado local da cidade, principalmente pelo seu Rujak Juhi. Junto ao rio, a minha boa sorte continuou, uma vez que no cais conheci Theresia e umas amigas, com quem fui até ao Tugu Khatulistiwa  monumento do local, onde fica a linha do equador, tendo nesse momento tido a oportunidade de ter um pé em cada hemisfério do nosso planeta. No regresso ao centro, encontrei-me com Awi, com que visitei uma casa tradicional da tribo Dayak e ao falar sobre Kalimantan comecei a perceber, que o meu plano de cruzar a ilha de costa a costa – Oeste a Este – era demasiado ambicioso. Naquela tarde tranquila, enquanto procurava um local com internet, a sorte e as boas estrelas mantiveram o seu rumo, pois ao conhecer MS. – um simpático rapaz que me deixou usar a sede do seu partido político – ele prontificou-se a ajudar-me a apanhar o autocarro para Singkwang durante a madrugada. Entretanto, como combinado fui jantar com o Awi e fiquei com a certeza que a cidade de Pontianak, pode não ser um destino turístico por excelência, mas que comida deliciosa essa, existe em abundância! Sentindo que para além da sua gastronomia vibrante, a cidade pulsa de vida e movimento… 

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Kuching

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Aquando da minha estadia em Mulu a máquina fotográfica avariou-se. Foi desse modo que os restantes destinos do estado de SarawakBelaga, Kapit e os parques naturais de Gunung Gading e Bako foram retratados por palavras. Apenas em Kuching – pode encontrar mais aqui – que foi de longe a cidade mais agradável e interessante de todo o Bornéu consegui resolver esse  problema e aí visitei alguns museus, a bonita mesquita da cidade e tive dias tranquilos e repousados no hostel que se transformou numa casa.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Mulu

Mulu_BlogNo parque natural de Mulu – pode encontrar mais aqui – ouvi guias a falar da floresta como um ser vivo, sagrado e energético onde tudo está interligado; visitei quatro cavernas fabulosas onde senti que penetrava num mundo perdido; vi estranhas espécies de insetos, pássaros, milhões de morcegos a abandonar as cavernas ao entardecer; fiz um trekking memorável até aos pináculos; realizei a minha primeira caminhada noturna e percorrei a canopy mais longa do mundo… com tantas experiências vividas guardarei para sempre Mulu como um local selvagem, mágico e místico… o reino encantado da selva, onde é possível regressar a um mundo puro, natural e primitivo.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Bandar Seri Begawan

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Na capital do Brunei Darassulam – pode encontrar mais aqui – conheci um simpático casal de espanhóis – Javier e Esther. Juntos, saboreámos, vimos e sentimos as suas diferentes facetas: as fabulosas e grandiosas mesquitas, a deliciosa comida de rua, as matinais e maquinais paradas da polícia, passeámos de barco no rio, Sungai Brunei, visitando o coração da antiga capital – o bairro de Kampung Ayer – à devida distância, o “absurdo” palácio da família real – Istana Nurul Iman – e um manguezal onde tentámos caçar fotografias de barrigudos macacos proboscis.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Kota Kinabalu

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Depois do périplo nas ilhas da costa oriental – Sibuan, Sipadan e Mabul – regressei à costa este de Sabah onde visitei a capital – pode encontrar mais aqui – e aí estive durante quatro dias… demasiado tempo! Nesses dias, fiz a aplicação do visto para a Indonésia, voltei ao hospital como medida de prevenção, uma vez que o tornozelo teimava em não desinchar, reencontrei-me com John, visitei a abooorreeeecidaaaa cidade e o interessante mercado de rua matinal em Jalan Gaya, mas acima de tudo, entediei-me profundaaaaaaaamenteeeeeeee

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Mabul

Mabul_BlogEm Mabul – pode encontrar mais aqui – descansei das emoções vividas em Sibuan e Sipadan e à medida que atualizava o diário aproveitei para abrandar um pouco o ritmo. Apesar de na ilha não existirem praias de sonho, existiam habitantes sorridentes e afáveis, crianças aos magotes, águas límpidas e cristalinas onde se podiam encontrar uma enorme variedade de pequenos e raros seres subaquáticos. Na ilha, relaxei, bebi uns copos e fumei uns cigarros, tive conversas mentalmente estimulantes, conheci muitas pessoas e fiz amigos. Parti com uma certa nostalgia e com a certeza de não querer regressar, desse modo, Mabul manter-se-á cristalizada no meu imaginário como um local onde se foi FELIZ, mas ao qual é impossível regressar… restando-nos continuar a viver, continuar a sonhar… para no futuro criar mais Mabul´s, essa ilha paradisíaca que existe no coração de cada um de nós.