Mulu. Back to the Primitive

Ato II – Viagem Espiritual ao Coração de Mulu

A visita guiada começou pontualmente às 14.00 e no início andámos durante aproximadamente uma hora até às imediações das cavernas: Lang e Veado (“Deer”). Durante esse tempo, atravessámos um passadiço de madeira e pudemos ver alguma fauna (insetos: borboletas, uns que pareciam pequenos galhos, libelinhas (verdes) e outros não identificados; lagartos e um camaleão); flora (flores, incontáveis tipos de árvores, vegetação e fungos) e a mescla entre a vegetação e a rocha (sendo este o príncipio que está na génese dos Pináculos). 🙂

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Mas mais importante do que tudo isso, foi ouvir a nossa guia falar da floresta como um ser vivo, sagrado e energético onde tudo está interligado existindo uma teia de ligações e dependências entre todos os seres que a habitam. Foi muito especial ser guiado floresta adentro por esta pessoa e o meu sentimento geral é que estava a penetrar no coração e na alma de Mulu, acompanhado de uma guru espiritual! Fascinante! 😀

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A primeira caverna que visitámos foi a Lang e aqui estivemos cerca de meia hora. Apesar de na mesma existirem formações geológicas magníficas, não senti que estava num local verdadeiramente especial, uma vez que no Laos em redor de Vang Vieng já tinha visto muitas formações deste género. Quando saímos desta gruta, dirigimos os nossos passos para a caverna do Veado (que tem a maior passagem do mundo) e à medida que íamos penetrando, fui ficando siderado com a sua monumentalidade. A paisagem era esmagadora e eu senti-me uma pequena partícula no meio da mesma. Ao continuar a andar fui sentindo que estava a entrar num mundo perdido e completamente primitivo e se por acaso nesse momento visse um dinossauro a passar-me à frente do nariz, podia acreditar que o mesmo era real e que não era fruto da minha imaginação ou uma alucinação! 😀

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Quanto mais nos embrenhávamos na caverna, mais o ar se ia tornando pesado, fruto do cheiro criado pelas fezes dos milhões de morcegos que a habitam e a paisagem era surreal, pois para além de sentir que estava a penetrar num espaço cada vez maior, mais amplo e profundo, o cenário à nossa volta era desértico fruto das rochas que se fundiam com as fezes. A certa altura do percurso a nossa guia parou e convidou-nos a olhar para trás, para cumprimentarmos o Presidente Lincoln, pois na entrada/saída da caverna via-se na perfeição o perfil do mesmo. A natureza é realmente uma criadora inesgotável! 😀 O mundo à nossa volta ia-se tornando uma massa de escuridão e trevas e a única coisa que descortinava era o trilho marcado com discretas luzes de presença. Até que chegámos a um miradouro onde vislumbrámos a outra entrada da caverna, que marcava o início do “Garden of Eden Valley” e neste ponto fizemos inversão de marcha e voltámos para trás pelo mesmo caminho.

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Esta caverna magnífica, sedutora e exótica, esmagou-me, triturou-me, deixou-me boquiaberto e transportou-me para uma realidade natural, pura e primitiva! Quando saí da mesma estava maravilhado e pensei que mesmo que não visse mais nada, a viagem para Mulu já tinha valido a pena e se tivesse de regressar à “civilização” naquele instante, o faria de coração e alma cheios 😀 , porém… a história não acaba aqui!

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Depois de abandonar a caverna e já sentado no observatório dos morcegos na companhia de cerca de cinquenta almas, tive a oportunidade, o privilégio e a felicidade de observar um dos mais espetaculares eventos da vida animal que presenciei na vida! 😀 Durante uma hora, vi milhões de morcegos a sair das cavernas para caçarem insetos ao entardecer. Porém, os morcegos não saíram todos em debandada ao mesmo tempo, saíram sucessivamente e à vez, ordenados em nuvens negras de milhares, formando no céu imagens tridimensionais – espirais de morcegos no interior de “serpentes”! ESPETACULAR! E eu regressei já no lusco-fusco à entrada do parque a desejar:  “espero conseguir guardar esta tarde no coração e na memória por muitos, muitos, muitos… anos”. 😀

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