Visita à Grande Muralha

Ato III – Na Muralha e Regresso à Poluição

Quando finalmente cheguei ao “interior” da Muralha estava felicíssimo e dirigi os meus passos na direção contrária à zona mais visitada. Claro que trilhar a Muralha em absoluta solidão é impossível, mas também não era esse o objetivo uma vez que aqui existe um verdadeiro sentimento de comunidade. A vibração desta e o peso da história fazem-se sentir e o resultado é uma energia diferente. Aqui não estamos apenas num local super ou hiper turístico, não! Aqui estamos na Grande Muralha! Um local especial para todas as pessoas do planeta – pelo menos para quem a visita.

   A ser espancado            Escadaria para o Paraiso

Durante quatro horas: subi e desci degraus; percorri diversas seções desde as mais suaves às hiper-inclinadas; visitei torres; cumprimentei e sorri para pessoas de diversas nacionalidades; tirei fotografias a pessoas que me pediram; tiraram-me fotografias porque eu pedi; fui “espancado” por uma vendedora com golpes de kung-fu e pousei com ela em posse militar; gracejei com umas beldades caídas literalmente dos céus, entre elas uma portuguesa de Santarém – o Mundo às vezes torna-se literalmente microscópico 😛 ; tirei fotografias à Muralha e à paisagem envolvente (montanhas, vegetação, neve); regatei o preço de um chocolate (desceu dos 20 para os 3 Yuans); conheci um Brasileiro (Alex) e combinei jantar com ele em Pequim; percebi que 99% das pessoas que visitam a Muralha o fazem em viagens organizadas; transpirei; senti o sol a bater-me na face; e senti-me um felizardo e ao mesmo tempo um bocadinho super-homem quando continuei a subir degraus e mais degraus até encontrar um local onde a minha única companhia era a Muralha, o sol e o vento.

Estava sobrio, sim senhor         Auto-retrato

Quando comecei a descida senti-me um pouco esgotado, os músculos volta e meia tremiam fruto da caminhada, do sono e da alimentação deficientes. Porém a felicidade e o orgulho por ter visitado a Muralha pelo próprio pé superaram qualquer cansaço físico. Já na base fui “assediado” para fazer compras – a esta hora, as bancas estavam todas abertas – e tal e qual uma enguia, escorreguei dali para fora. No parque de estacionamento procurei o meu Jarbas e quando entrei na carrinha ainda tentei re-negociar o preço do regresso, porém fruto da espera de quatro horas tal não foi possível. Porém devo referir que não insisti, uma vez que considerei o preço justo. No final de contas o meu Jarbas foi um querido, em Huairou  sim desta vez li o nome da cidade 😛 – deixou-me quase dentro do autocarro para Pequim e para um feliz regresso à poluição.

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