Uma Geografia. Uma Fotografia: Gunung Merapi

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O Gunung Merapi foi o único vulcão que teve duas ascensões, uma pela “face errada” e outra pela “face certa”. Cada uma delas teve os seus percalços e momentos belos, cada uma delas iniciou-se de noite e realizou-se em rampas muito inclinadas. Na ascensão pela face certa, não foram necessárias muitas horas para chegar ao pico, mas foi preciso alguma estamina e endurance, principalmente depois de chegarmos ao último posto de controlo de atividade vulcânica e na zona em que a ascensão se fez numa rampa hiper inclinada de areia muito densa, pesada e escorregadia em que o mote era: “dois passos para a frente e um para trás”. Nessa altura, cheguei a pensar se iria conseguir chegar ao topo, mas passo a passo, lá fui avançando até chegarmos a uma zona de rocha firme, onde o caminho se tornou mais acessível. Quando atingimos a zona da cratera eram quase 5.00, e se durante a noite apenas se via o que a lua e as estrelas iluminavam, à medida que os minutos foram passando e o dia vencendo a noite, começámos a ver a plenitude do local. E o mesmo era belo! Muito belo! A cratera, com os seu fumos que corriam no céu azul e se fundiam com algumas das nuvens existentes, as nuvens cheias de cor e densidade – existia uma que se assemelhava a uma explosão atómica, tal a sua densidade – o sol a despontar e banhar a face de dourado, e com isso o castanho e o negro das rochas destacaram-se, os verdes nos vales em nosso redor, a grandiosidade da montanha Merbabu, à nossa frente! Espetacular! E tal como no Rinjani, fiquei com a certeza que adoro vulcões e as suas belas paisagens naturais.

A Face Certa do Merapi

Quando voltei ao hostel, soube que havia um rapaz chinês de Xangai (Zhang Lu) interessado em escalar o Merapi, mas como desta feita não queria mais surpresas e aventuras, combinámos que iríamos fazer a ascensão com um guia! 🙂 Desse modo, e como a mesma iria ser realizada de noite, combinei com o staff do hostel para me guardarem a mala durante todo o dia e que apenas faria o check-in, depois do meu regresso. Durante a tarde, repousei fisicamente na área comum e comecei a investigar voos para as Filipinas. Quando o nosso “Jarbas” nos veio buscar, eram 22.00 e da cidade até à base do vulcão demorámos cerca de uma hora de viagem. Assim que chegámos, bebemos um café e esperámos pela uma da manhã (durante essas duas horas, adormeci fruto do cansaço e da falta de horas de sono dormidas na noite anterior). Durante o trekking tivemos muita sorte, pois estava uma enorme lua cheia que nos iluminava o trilho e um céu bastante estrelado. 🙂

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A ascensão foi quase sempre feita em rampas muito inclinadas e existiram poucos momentos, em que o vulcão nos deu tréguas! Fruto disso, o Zhang ficou para trás com o nosso guia e eu segui com um casal de americanos e o guia deles. Para chegar ao pico não foram necessárias muitas horas, mas foi preciso alguma estamina e endurance, principalmente depois de chegarmos ao último posto de controlo de atividade vulcânica e na zona em que a ascensão é feita numa rampa hiper inclinada de areia muito densa, pesada e escorregadia (dois passos para a frente e um para trás). Nessa altura, cheguei a pensar se iria conseguir chegar ao topo, mas passo a passo, lá fui avançando até chegarmos a uma zona de rocha firme, onde o caminho se tornou mais acessível. 🙂 Durante a ascensão até ao pico apenas existiram dois pequenos percalços, o primeiro quando o nosso guia nos tentou sacar mais dinheiro, dizendo que se quiséssemos chegar ao cume teríamos de pagar mais 100.000 IDR cada um, ao que respondi prontamente: “Nem pensar! O dinheiro que pagámos foi para chegar ao pico! E tu vais-nos lá levar, porque é essa a tua obrigação!” e o segundo quando quase no pico fiquei sem luz  – a pilha da lanterna, esgotou-se – e tive que fazer o resto da ascensão meio às “apalpadelas”.

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Quando atingimos a zona da cratera eram quase 5.00, e se durante a noite apenas se via o que a lua e as estrelas iluminavam, à medida que os minutos foram passando e o dia vencendo a noite, começámos a ver a plenitude do local. E o mesmo era belo! Muito belo! A cratera, com os seu fumos que corriam no céu azul e se fundiam com algumas das nuvens existentes, as nuvens cheias de cor e densidade – existia uma que se assemelhava a uma explosão atómica, tal a sua densidade – o sol a despontar e banhar a face nascente (onde nos encontrávamos) de dourado, e com isso o castanho e o negro das rochas destacaram-se, os verdes nos vales em nosso redor, a grandiosidade da montanha Merbabu, à nossa frente! Espetacular! E tal como no Rinjani, fiquei com a certeza que adoro vulcões e as suas belas paisagens naturais. 😀

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No caminho de regresso, pude ver e sentir melhor a monumentalidade, a grandiosidade do Merapi, sentindo-me minúsculo e “deliciando-me” com a riqueza e beleza natural da paisagem: o vulcão, as árvores e a vegetação, o céu azul, as nuvens, os vales… A descida foi feita pé ante pé, pois a mesma era bastante escorregadia (terreno meio argiloso) e com pedras pequenas e roladas. Quando chegámos à base, reencontrei o Zhang – que mesmo sem ter chegado ao cume estava esgotado – e juntos tomámos o pequeno almoço, antes de arrancarmos de regresso a Yogyakarta. Depois do desafio físico da subida e da beleza do que observei, fiquei com a certeza que o regresso, valeu realmente a pena! À segunda tentativa, desta feita na face certa, o vulcão Merapi estava conquistado! 😀

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A Face Errada do Merapi

Já depois do espetáculo, regressei ao hostel onde na zona do átrio, encontrei um grupo de australianos que iam tentar subir o vulcão Merapi nessa noite e ao falar com eles, decidi acompanhá-los. Assim, preparei uma pequena mochila para levar e sem dormir, aguardei pela hora da partida. Por volta da 1.00, tentámos arranjar um meio de transporte para a base do vulcão, mas não encontrámos nenhum táxi, carrinha ou carro, até que passados vinte-trinta minutos, apanhámos uma boleia negociada com dois miúdos, que não falavam inglês e que pareciam um “pouco alterados” (pelo menos uma garrafa de vodka estava no carro). 😛

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Começámos a nossa ascensão por volta das 3.00 e com as nossas lanternas fomos iluminando o caminho. Este, seguia pelo meio de vegetação densa e era íngreme, mas ao mesmo tempo claro e não dava azo a grandes dúvidas. Andando fomos encontrando pistas (construção humana) que nos levaram a crer que estávamos no bom caminho, principalmente duas zonas com pórtico e o dia foi clareando. Todos estávamos otimistas que chegaríamos ao topo! Por volta das seis e pouco já estávamos bastante alto, vendo à nossa frente o cume do vulcão e atrás de nós verdes montes e vales. Entretanto o caminho mudou, saímos da vegetação densa para uma zona de areia negra e pesada, onde o trilho estreitava e depois encontrámos faces verticais de rocha e areia compacta.

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No início fomos trepando/escalando sem grandes dificuldades, porém passado uma hora e já tendo subido um grande bocado, as faces começaram a ficar demasiado íngremes, instáveis (os pontos de apoio quebravam-se e desfaziam-se sem aviso) e a cota demasiado elevada. Comecei a ficar com medo e transmiti isso aos meus companheiros de ascensão, que me começaram a ajudar nalgumas partes. Durante mais meia hora fomos subindo, eu já mais relaxado pois sentia o apoio dos meus “companheiros de armas”, mas depois de atingirmos uma plataforma mais larga, parámos e ai ficámos a “discutir” sobre as nossas opções. Após um debate de dez minutos, optámos em voltar para trás com extremo cuidado! Pois se subir, já tinha sido complicado, a descida requeria concentração absoluta, a fim de evitar uma queda e consequente quebra de alguns ossinhos.

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Como as botas não ajudavam nada (a rigidez da sola era demasiado elevada), descalcei-me e aos poucos e poucos fomos descendo aquela parede de rocha e areia. Tudo correu muito bem, exceto um corte que fiz num dedo quando bati numa rocha mais afiada. Da base da parede, continuámos a descida e só quando olhei para trás, tive uma pequena noção onde tinha estado! Uma semi-loucura, que correu bem! E por isso entrou para o capítulo das aventuras, sem mazelas de maior (pequenas escoriações, esfoladelas e arranhadelas). Quando voltámos à zona da vegetação densa, tive a certeza que a parte mais difícil estava feita e que a partir daí apenas tinha de andar com alguma atenção, até chegar à base do vulcão. Da noite, passámos para um amanhecer suave, posteriormente para sol e céu azul e foi com um tempo radioso, que atingimos a base do todo poderoso Merapi, cansados mas felizes. Apesar de não termos atingido o topo, não havia ninguém desiludido com a experiência “maluca” que acabáramos de ter. 🙂

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Já na estrada de alcatrão fomos andando até à aldeia e durante esse período tentei entrar em contacto com os nossos “jarbas” (da noite anterior). Porém, passadas três horas de espera e de algumas sms´s trocadas desistimos, começando a andar na direção de Yogyakarta e pedindo boleia sempre que passava um carro por nós. A verdade é que tivemos sorte, pois apanhámos boleia de umas norueguesas e da sua guia. Com elas seguimos até Yogyakarta, onde almoçámos às cinco da tarde e depois do repasto, fomos deixados no hostel. Um final perfeito, para a tentativa de escalar o vulcão Merapi pela face errada! 😛

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