Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Muang Ngoi

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Na pequeníssima e sonolenta vila de Muang Ngoi – pode encontrar mais aqui – e que parece já não ser deste século, regressei a um tempo em que praticamente tudo parou. Em redor da vila visitei uma gruta negra como breu e bonitos arrozais, vi pela primeira vez monges de vestes laranjas, comi divinalmente e… cheguei ao Paraíso.

Shall We Start the “Game”?

Antes de iniciarmos o “jogo”, decidimos que queríamos pagar no máximo 30.000 kip por cada thai, por isso e uma vez que ninguém falava inglês, escrevi na terra 3 → 90.000, escolhi o meu thai – azul e dourado – e esperei que o Zhou escolhesse os outros dois. Porém, quando ele começou a olhar para eles, disse-me que eram todos tão bonitos que não era capaz de escolher. Passados dois ou três minutos estávamos a dialogar:

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Zhou: – “E se eu comprar muitos?”

Kiri: – “O que são muitos? Ou melhor, quantos são muitos?”

Zhou: – “Dez!? E tu ficas com um!?”

Kiri: – “Agora, estamos a falar!” 😉

Preparei-me, respirei fundo e lancei um preço “canhão”. No solo escrevi, por baixo do preço anterior, 10 → 200.000, a rapariga olhou para nós e exclamou: “Ohhhh!” e acenou que não com a cabeça. Primeiro apontei para o 3 → 90.000 e depois destaquei o 10 (círculo à volta) e olhei para ela. Ela olhou para nós e voltou a acenar que não. Olhei para o Zhou e perguntei-lhe o que queria fazer. Ele disse-me para subir o preço. No solo apaguei então o primeiro valor e escrevi 250.000 e acenei triunfante! 🙂 Qual não foi o meu espanto, quando a rapariga apagou o valor e escreveu 300.000. Eu acenei que não com a cabeça e apontei novamente 3 → 90.000, 10 (apaguei os números dela) → 250.000 e apontei várias vezes para o 10, algo do género: “Estás a vender dez de uma vez, o que queres mais?”.

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Porém ela manteve-se intransigente e nós também, por isso acabámos por comprar-lhe os três lenços por 90.000 kip. A partir desse momento, eu já estava satisfeito e por isso limitei-me a fotografar a aldeia e os seus habitantes, os seus thais e teares, o processo de execução de cestos, a paisagem envolvente… 🙂 enquanto o Zhou insatisfeito continuou a perguntar preços e a fazer negociações, acabando por ter “sorte” pois conseguiu comprar mais quatro lenços por 100.000 kip… Abandonámos a aldeia e o “tabuleiro de jogo” satisfeitos, presumo que os aldeões também, pelo menos aqueles que fizeram negócio, com a equipa Luso – Chinesa. 😉

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Muang Ngoi. Paraíso na Terra

Na pequena vila de Muang Ngoi e que parece já não ser deste século eu e o Zhou ficámos quatro dias e regressámos a uma era, em que tudo parou. Tudo se passa devagar e com tranquilidade. 🙂 Aqui a rua principal ainda é de terra e lama e as casas construídas principalmente com madeira e chapas de zinco.

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Durante o tempo que aqui estivemos passeámos em redor da vila, visitámos uma gruta negra como breu e bonitos arrozais, vi pela primeira vez monges de vestes laranjas, atualizei o caderno e escrevi para o blog, comi um par de vezes um delicioso caril de abóbora e múltiplas vezes um divinal arroz doce feito com leite de coco e… cheguei ao Paraíso. 😀

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Num desses dias, fomos pescar com um nativo – Bino – e posso dizer que foi uma experiência extraordinária e magnífica. 😀 Num barco muito estreito, partimos em direção a norte e no meio do largo rio, senti-me minúsculo com a monumentalidade da paisagem que a minha vista abarcava: o rio castanho e barrento; as colinas verdes erguendo-se de ambas as margens, coroadas com fiapos de nuvens; o nevoeiro nas copas das árvores. A viagem durou cinquenta minutos e em algumas zonas, a topografia das margens era mais aberta e menos acentuada, noutras as montanhas e colinas não estavam totalmente cobertas de vegetação, vendo-se as faces expostas da rocha – branca, preta e avermelhada – e nas restantes áreas via-se uma floresta densa, verde e luxuriante. 🙂

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Mesmo com chuva e à medida que subimos o rio, fui pensando que mesmo que não fizéssemos mais nada o passeio já estava pago! 🙂 E que se não o tivéssemos feito íamos perder muito, muitíssimo do que este lugar é. O corpo está na vila e arredores. A alma está aqui! No rio a norte. 😀

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Quando Bino atracou o barco estávamos num banco de lama e areia e não foi preciso muito para eu e o Zhou nos enterrarmos acima do tornozelo – claro que o nosso guia como bom nativo, não se sujou um pingo sequer. 🙂 Com os pés cheios de lama fomos até à aldeia de Banvattanatam e aí vimos pela primeira vez, bonitos thais artesanais, os quais fizeram o Zhou apaixonar-se perdida e imediatamente. Quando perguntámos o preço pediram-nos 50.000 kip (5€) por cada um deles e começámos as negociações… 😉

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Laos. A Primeira Semana

Durante a primeira semana no Laos para além de andar em modo de aprendizagem; estive um par de dias em Luang Nam Tha onde passeei de bicicleta pelos seus verdes arredores, e onde ao observar o ambiente semi-decadente do seu mercado noturno, regressei à década de 70-80; o meu corpo foi completamente “massacrado” pelas estradas do país, numa viagem de aproximadamente duzentos e trinta quilómetros até Nong Khiaw; fiz travessias de barco pela primeira vez no país, no rio Nam Ou – viagens entre Nong Khiaw e Muang Ngoi; entrei pela primeira vez em contacto com os extraordinários habitantes do Laos – gente quente, acolhedora e afável; fui polícia sinaleiro de pintainhos e visitei Muang Ngoi, o local onde o tempo perde sentido e significado. 😀

Luang Nam Tha

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Em trânsito: Luang Nam Tha – Nong Khiaw

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Em trânsito: Nong Khiaw – Muang Ngoi

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