Uma Geografia. Uma Fotografia: LaClubar

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Em Baucau reencontrei o Irmão Vitor e com ele segui por uma paisagem muito verde, por entre vales e montanhas até chegarmos à vila de Laclubar. Durante os cinco dias em que estive na pacífica e tranquila Laclubar, senti que estava a fazer uma pausa dentro da viagem e aí, tive a oportunidade de parar um pouco, antes de recomeçar o ciclo do movimento. Tive por isso, a rara oportunidade de estar “fora do mundo, dentro do mundo”. Durante os dias, conheci as diferentes seções que compõem o Centro de Apoio à Saúde e as fantásticas pessoas que por lá “habitam”, tanto o staff como os pacientes; pela primeira vez em longos anos tive contacto com literatura cristã/católica; tive múltiplas conversas interessantes com o Irmão Vitor sobre vários assuntos; caminhei o cénico Monte Maubère, donde pude observar panorâmicas da vila e da paisagem envolvente e visitei o concorrido mercado de Domingo, onde comprei um farri  porquito, neste caso uma porquita – para oferecer ao Irmão Vitor/Centro e retribuir assim um pouco, a generosa e inesquecível hospitalidade que me ofereceram.

Watabo & Com. Praias de Timor Leste

Do mundo tranquilo de Laclubar voltei a Baucau para reencontrar o Gregório como “prometido”. Primeiro apanhei um autocarro/carrinha de caixa aberta até Manatuto por entre serras, colinas, montes, florestas, plantações e ao longo da viagem, fizemos várias paragens para carregar mercadorias – lenha, vegetais, motorizadas… – e passageiros, muitos passageiros. 🙂 Já em Manatuto e na estrada principal do país, esperei que passasse um autocarro/carrinha para Baucau e à semelhança do primeiro “troço”, tive que acertar o preço do transporte sem inflações turísticas. 😛

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Na cidade fiquei mais um par de dias tranquilos com o Gregório e durante esse tempo continuei a visitar a família Nicolau, a falar com pessoas muito simpáticas e hospitaleiras, dormi sestas, mostrei as fotografias que tirei previamente tanto em Baucau como em Laclubar e visitei a famosa praia de areia branca e mar de múltiplos verdes e azuis de Watabo – coco.

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Daí segui para Com e a viagem durou sensivelmente três horas, no primeiro troço segui até Lautém e nessa vila apanhei um novo transporte que me levou por mais vinte quilómetros até finalizar a viagem. Durante todo o trajeto vi arrozais, aldeias, búfalos bem gordinhos, cabras e vacas, atravessei pontes, enseadas, colinas, coqueiros, campos de pasto, observei o céu azul e as nuvens brancas que corriam alegremente e senti a temperatura a ficar mais agradável à medida que me aproximava do meu destino.

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Na rudimentar “estância balnear” de Com, tentei dividir o “bem” pelas aldeias e desse modo, fiquei hospedado na Kati guesthouse e tomei todas as refeições na guesthouse da Dona Rosa. Aí para além de ter tido refeições agradáveis, fui informado que apenas existia um autocarro por dia para Asalaiunu e que o mesmo era de madrugada, negociei e acabei por comprar um lindo e colorido thai, e conheci a doce e educada Agnes – neta da Dona Rosa – que me pediu dinheiro para comprar cadernos para a escola.

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Em Com passeei ao longo da costa – tanto para este como para oeste da vila -, tirei múltiplas fotografias; fascinei-me com a areia muito fina, com uma zona mágica de manguezais, com aquele mar de incontáveis azuis, com o silêncio reinante em praias completamente desertas; vi múltiplos cemitérios que misturavam motivos religiosos católicos – cruzes, Nossas Senhoras, Cristos – com animistas – múltiplas ossadas de animais; observei búfalos a banharem-se em charcos de lama; fiz praia e tomei belas banhocas – tanto de mar, como de sol; atualizei o caderno; vi filmes – The Third Man e The Man who shot Liberty Valance; apanhei um par de boleias de mota e constatei que nas estradas em redor da vila circulam mais cabras, vacas, galinhas, porcos e búfalos que automóveis e motorizadas :D; e houve uma situação em que tive de furar literalmente por uma vegetação muito densa e verde de coqueiros, bananeiras, campos e cercas até chegar a uma praia deserta, estrondosa! 🙂 Nesse momento ao observar o mar apaixonei-me definitivamente por Com e pelas praias de Timor Leste.           

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Laclubar. O Irmão e o Ateu

A longa e “saltitante” viagem entre Baucau e Laclubar foi feita numa carrinha strakar, na companhia do Irmão Vitor, catequistas, freiras, um seminarista e antes de arrancarmos, houve uma oração a pedir proteção divina. Das cinco horas que durou a viagem, os momentos que mais recordo foram a paragem em Laleia onde visitámos o centro paroquial e a bonita igreja da vila, que foi restaurada com bastante bom gosto e que conserva os seus traços originais; as condições da estrada que foram piorando progressivamente, pois o asfalto estava cheio de crateras; a bonita paisagem, muito verde por entre vales e montanhas e a temperatura bastante fresca que encontrámos, na chegada ao nosso destino.

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Quando chegámos ao centro João de Deus em Laclubar fiquei instalado num quarto individual, que segundo os meus padrões de viagem era super-luxuoso! 🙂 E ao jantar conheci os nomes dos “aprendizes” do Irmão Vitor: Marcos, Mateus, Emílio, Álvaro e Bosco, uns rapazes muito simpáticos, educados e gentis, e perante eles assumi-me como ateu, devido à minha falta de fé e tivemos algumas conversas interessantes à volta do tema.

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Durante os cinco dias em que estive na pacífica e tranquila vila de Laclubar, senti que estava a fazer uma pausa dentro da viagem e aí, tive a oportunidade de parar um pouco, antes de recomeçar o ciclo do movimento. Tive por isso, a oportunidade rara de estar “fora do mundo, dentro do mundo”. 🙂

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Ao longo do tempo, conheci as diferentes seções que compõem o centro – a casa dos irmãos, a hospedaria, a parte hospitalar, a cozinha, a lavandaria, as hortas, as casas dos animais, o centro de internet, a receção, a capela, a biblioteca… – e as fantásticas pessoas que por lá “habitam”, tanto o staff como os pacientes. Pela primeira vez em longos anos tive contacto com literatura cristã/católica e li: Bento XVI, visto de perto – gostei da coerência demonstrada, ao longo da obra, pelo ex-papa e pelo jornalista, Peter Seewald – e Olhar para Cristo, Exercícios de Fé, Esperança e Caridade. Tive bastantes conversas muito interessantes com o Irmão Vitor sobre vários assuntos – sociedade e mudanças observáveis – não necessariamente para melhor, “excessos”, religião, Timor Leste, Portugal, Mundo… atualizei o caderno e escrevi textos para o blog. Tentei curar duas feridas incómodas que tinha abertas no pé direito – peito e entre os dedos. Conheci o Bruno e a Carolina, dois simpáticos portugueses que estavam a trabalhar no centro na parte hospitalar. Visitei o bonito Monte Maubère, donde pude observar panorâmicas da vila e da paisagem envolvente – muito, muito verde -, ver cavalos, vacas, aldeias, plantações, cercas sagradas e campas. Acompanhei o Irmão Vitor até à aldeia de Hadulas, onde houve uma reunião sobre as jornadas da juventude. Fui até ao concorrido e tradicional mercado de Domingo, onde comprei um farri – porquito, neste caso uma porquita – para oferecer ao Irmão Vitor/centro e poder assim retribuir um pouco, a generosa e inesquecível hospitalidade que me ofereceram.

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Muito obrigadu, Irmão Vitor e todos os demais, por me darem a oportunidade de vos conhecer e de partilharem o vosso tempo comigo e na despedida de Laclublar guardarei para sempre no coração e na memória o vosso carinho e bondade. 😀

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