Categorias
Reflexões

Rota SW

Epílogo

O filtro estilhaçado custou-me! Não o nego. Porém, analisando esse momento friamente, tal revelou-se apenas numa perda monetária. A Rota Vicentina foi muito mais do que isso! Uma travessia inesquecível, que durou oito dias – contando com o dia de descanso -, na qual percorri quase duzentos quilómetros – cento e noventa e oito, para ser exato! 🙂 – e que me levou por uma das paisagens mais belas singulares do nosso país. Paisagem essa que já conhecia, mas que agora foi explorada de um modo mais profundo e memorável, sendo o único efeito físico colateral as famosas bolhas. 😛

IMG_9411_Cut (FILEminimizer)

Voltar novamente à “estrada”, ainda que por um curto período deixou-me verdadeiramente FELIZ e animado. Não há muitas dúvidas. Viajar faz realmente parte de mim. 😀 Tenho é de conseguir encontrar um modo, uma saída em que a Viagem e a Vida Profissional se unam, uma vez que gostando muito ou pouco do conceito de dinheiro e do seu significado, a realidade é que não existe ninguém que viva do ar. 🙂 Em maior ou menor escala, todos os seres humanos precisam dele, seja o monge que medita ou reza no mosteiro, o pescador que pesca no lago, no rio ou no mar, o agricultor que planta a terra…

Categorias
Crónicas Em trânsito

Rota SW

Ato X – Em trânsito: Regresso a Norte

Depois de uns momentos felizes no “Fim do Mundo”, era altura de voltar a tomar decisões! Sabia que para regressar a Norte teria sempre de passar por Lagos, uma vez que em Sagres apenas existem alternativas durante o Verão. Como ainda me encontrava a seis quilómetros do centro da vila, me sentia cansado e já tendo concluído o meu objetivo – percorrer a pé a Rota Vicentina entre Porto Covo e o Cabo de São Vicente – aproveitei a presença de alguns turistas estrangeiros para lhes pedir boleia. Desse modo, foi a bordo de um Audi A6 novinho em folha e na companhia de uma prestável família espanhola que percorri a estrada até ao centro. 😉

Na chegada, ao falar com uma jovem nativa, confirmei onde se apanhavam os autocarros regionais para Lagos e recebi uma dica de um local abrigado onde poderia passar a noite. Porém, ao dirigir-me à paragem para confirmar os horários da manhã seguinte, reparei que apesar de já serem 19.30, daí a poucos minutos ainda iria haver um autocarro para Lagos. Nesse momento, quase sem bateria e saldo, consegui falar com a M. recebendo a informação que em Lagos existia um expresso que partiria à 1.30. Rapidamente e sem margem para indecisões, resolvi embarcar.

A travessia para Lagos realizou-se já de noite e o único momento que vale a pena relatar foi a conversa que tive com o motorista, na qual recebi a informação que a bilheteira em Lagos já estaria fechada e que na rede de expressos só poderia embarcar caso tivesse bilhete válido! :/ Não havendo a possibilidade de comprar o bilhete “físico”, não tendo computador e internet, perguntei-lhe se existiam alternativas, ao que ele respondeu que podia sempre ligar o 707 22 33 44 e comprar o bilhete via telefónica. Pareceu-me uma boa ideia, aliás não havia outra opção. 😛 O pequeeeeeeeeeeeno problema era que não tinha: saldo, bateria e o número supostamente estaria ativo até às 21.00 – nessa altura eram 20.40!

Na chegada ao pequeno e pouco convidativo terminal rodoviário, apontei o número de telefone e parti em busca de um local onde pudesse pôr o telemóvel a carregar. Felizmente, a cerca de 300 metros da estação encontrei um pequeno café que ainda estava aberto. Perguntei à dona se podia deixar o telemóvel a carregar, larguei o monstrinho e estuguei o passo até uma caixa MB. Já com saldo, regressei rapidamente ao café, liguei o telemóvel e comecei a ligar – eram 21.05! Pensei: “Vá lááááááááááá! Funciona!”. Depois de marcar os dígitos para falar com uma operadora, alguém me atendeu. Ufff! Em menos de um minuto, estava a receber uma mensagem com informações para o pagamento por multibanco. Apontei os dados num papel e voltei a sair do café. Novamente na caixa MB, paguei. Quando regressei ao café já tinha duas mensagens no telemóvel, uma delas era o bilhete! “CONSEGUI”! 😀

Eram 21.15, quando finalmente me sentei tranquilo à mesa com uma bica à frente. Nessa altura, sabia que o café poderia fechar a qualquer momento, mas como na esplanada ainda se encontrava um trio de Ucranianos a beber aguardentes de penalty e a brindar, fiquei mais descansado. 😉 Enquanto lia, chegou uma grande família e posteriormente um senhor que me pareceu cliente habitual. “Nada mau! Parece que me vou manter aqui sossegado, por mais uns tempinhos”. 🙂 A realidade é que apenas me despedi da simpática dona, quase há meia noite, isto depois dela negar pela décima vez, bebida ao trio “Odemira”. “Há profissões, em que se precisa uma paciência de Jo!”

Regressado ao terminal, aproveitei finalmente para comer e depois de mais um compasso de espera, embarquei finalmente no expresso para Lisboa. Na viagem, calhou-me em sorte um motorista realmente simpático e apesar do cansaço que sentia e enquanto não estava mais ninguém a bordo, aproveitámos para falar durante cerca de uma hora. A partir das 2.30 os meus olhos começaram-se a fechar e só os voltei a abrir, já na chegada ao terminal de Sete Rios – 5.50 – onde voltei a aguardar na companhia do meu livro, até embarcar no expresso para Rio Maior – 7.00.

Na chegada à minha cidade natal, resolvi passar por casa de um grande amigo para falar com ele sobre esta magnífica travessia. 🙂 Depois de uma hora de conversa animada e de um pequeno almoço reconfortante, ele ofereceu-me boleia para casa, e foi aí, mesmo à porta que… ao sair do carro, deixei cair a máquina fotográfica e ganhei como “prenda” um filtro completamente estilhaçado. :/ Tudo fora perfeito, até esse momento! Sendo caricato que foi precisamente na chegada, que o verdadeiro percalço desta viagem aconteceu – mais uma evidência que controlamos muito pouco na nossa vida.                  IMG_9247 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Fotografia

Rota SW

Ato V – No Arame

Depois de uma noite tranquila e antes de partir da Azenha do Mar, tirei algumas fotografias à zona do porto e à aldeia. Percorrendo verdes e floridas dunas, segui junto àquele mar azul numa manhã realmente primaveril. 🙂 Como sempre a primeira hora da caminhada passou rapidamente e às 8.30 já estava no topo da Ponta Branca, a observar a bonita e enooooorme praia de Odeceixe, onde bandos de gaivotas se banhavam alegremente. Daí e até ao centro da vila tive de percorrer quatro quilómetros de uma entediante estrada alcatroada, sendo a parte mais simbólica a travessia da ponte que une o Alentejo ao Algarve. Quatro etapas da Rota Vicentina concluídas, setenta e cinco quilómetros percorridos. 🙂

IMG_8827 (FILEminimizer)     IMG_8839 (FILEminimizer)

IMG_8840 (FILEminimizer)     IMG_8847 (FILEminimizer)

IMG_8854 (FILEminimizer)      IMG_8857 (FILEminimizer)

IMG_8860 (FILEminimizer)     IMG_8864 (FILEminimizer)

IMG_8866 (FILEminimizer)     IMG_8867 (FILEminimizer)

IMG_8871 - Copy (FILEminimizer)

Na pequena vila, aproveitei para comprar mais reservas alimentares e hídricas, e continuei a viagem. Os primeiros três quilómetros, já em solo algarvio, foram pouco interessantes, mas quando cheguei novamente à zona costeira, o circuito da Praia de Odeceixe tornou-se realmente agradável. Já na companhia de um céu cinzento, continuei para sul e entrei pela primeira vez numa etapa do caminho histórico. A verdade é que durante a tarde fui sentindo a falta da paisagem costeira e apesar do trilho seguir junto a um canal de rega bastante singular, os pés e a mochila estavam a matar-me lentamente. 😛 Durante o caminho passei por alguns campos de cultivo, pela povoação do Rogil e algumas zonas de eucaliptos e pinheiros. 

IMG_8874 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8875 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8876 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8878 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8880 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8883 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8884 - Copy (FILEminimizer)      IMG_8892 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8893 - Copy (FILEminimizer)      IMG_8895 - Copy (FILEminimizer)

Quando cheguei ao cruzamento onde começava o circuito da Praia da Amoreira, já tinha andado vinte e sete quilómetros, mas apesar do cansaço que já se fazia sentir e porque o dia estava novamente solarengo, resolvi continuar. Durante o trilho, pensei n vezes em montar abrigo naquele imenso pinhal e deitar-me a descansar, mas como as baterias da máquina fotográfica estavam esgotadas e eu não tomava um banho desde que começara a caminhada em Porto Covo, o lado racional foi vencendo lentamente a vontade imediata. Ao longo do circuito pude observar uma variação bem vincada entre os imensos pinhais e as dunas, onde encontrei muita vegetação e coloridas flores.

IMG_8899 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8900 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8901 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8906 - Copy (FILEminimizer)

Na chegada à bonita praia da Amoreira, uma vez que o vento soprava de oeste com muitaaaaaaaa intensidade e não existia nenhuma zona abrigada, não me demorei muito. Virando costas ao vento e ao mar, continuei o circuito agora por uma estrada de terra batida, penetrando por uma zona de verdes campos e montes. Quase no final deste longuíssimo dia, fruto de uma subida serpenteante e da qual não via o fim, a minha energia estava praticamente esgotada. No último par de quilómetros, até chegar ao parque de campismo do Serrão, senti-me fisicamente mais no arame, do que no dia em que escalei os 4095 m da Montanha Kinabalu, no Bornéu. Nessa altura, em que a mente puxou o corpo, o pensamento de um banho quente, fez-me continuar a caminhar, até chegar ao meu destino.

IMG_8911 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8917 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8922 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8925 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8927 - Copy (FILEminimizer)

Finalmente, já no parque de campismo, sem a mochila às costas e de havainas nos pés, reparei que pela primeira vez em quatro dias as botas estavam finalmente secas! Huuuuuuuuuuuuuuuuu! Huuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! 😀 E que me tinha aparecido mais bolha – a terceira. Antes de poder relaxar totalmente, e apesar do cansaço, tive de cumprir algumas tarefas: montar abrigo – mas como estava tanto, tantooo, tantoooooooooo vento acabei a dormir encostado à parede dos balneários; colocar todas as baterias a carregar – à vez; lavar e estender roupa; tomar banho 🙂 ; comer; dormir que nem um anjinho, fruto dos trinta e quatro quilómetros percorridos. 😉

Categorias
Crónicas Fotografia

Rota SW

Ato IV – Missão? Paparoca!

Felizmente, na segunda noite o efeito de estufa foi inexistente, porém o calor excessivo manteve-se – ainda não fora desta, que acertera em cheio na quantidade de roupa. O reinício da caminhada, ficou marcado por uma luz matinal cinzenta e mortiça, belos pinhais e pelo regresso à zona costeira onde pude observar maravilhosas falésias xistosas, a funda praia do Cavaleiro e do outro lado da Ponta da Carraça, o monumental Cabo Sardão. 🙂 Como neste local não é possível seguir junto à costa, tive de caminhar para o interior até à aldeia do Cavaleiro e daí continuar o trilho.

IMG_8640 (FILEminimizer)

IMG_8646 (FILEminimizer)      IMG_8656 (FILEminimizer)

IMG_8657 (FILEminimizer)     IMG_8669 (FILEminimizer)

Na zona do Cabo Sardão deambulei durante aproximadamente meia hora e nesse período, observei um simpático rebanho de cabras, graciosas cegonhas nos seus ninhos ou em voo, imponentes falésias, a força do oceano. À medida que o cabo foi ficando para trás, as enseadas e baías não concederam tréguas, continuando a manifestar toda a sua riqueza e variedade de formas e cores, principalmente na zona da praia do Tonel, onde coloridas flores deram um maior brilho à paisagem. 🙂 A descida para o porto de pesca da Entrada da Barca foi realizada com especial cuidado, uma vez que o declive era bastante acentuado e daí até à vila de Zambujeira do Mar, segui pela entediante estrada de alcatrão, até regressar à costa nas imediações da praia da Nossa Senhora.

IMG_8671 (FILEminimizer)     IMG_8672 (FILEminimizer)

IMG_8682 (FILEminimizer)      IMG_8691 (FILEminimizer)

IMG_8709 (FILEminimizer)      IMG_8716 (FILEminimizer)

IMG_8726 (FILEminimizer)     IMG_8735 (FILEminimizer)

IMG_8743 (FILEminimizer)     IMG_8752 (FILEminimizer)

À uma da tarde em ponto, estava junto à capela da Nossa Senhora do Mar já descalço a observar os pés e a verificar que me tinha aparecido mais uma bolha, desta feita junto aos dedos do pé direito. Depois de colocar o segundo compeed, “lavei” as mãos com uma toalhita e almocei com apetite. 🙂 Terminada a refeição, voltei a calçar-me, arrumei a mala e agora com um sol radioso, continuei viagem. Estava a caminho de Odeceixe, mas a minha “missão” era outra… paparoca! 😀 De qualquer modo e até esse momento chegar, segui por um dos pedaços de costa mais fascinantes de todo o Sudoeste Alentejano, encontrando falésias estratificadas de múltiplas cores – amareladas, alaranjadas, cinzentas, negras… -, pinhais, florestas de acácias e progressivamente as praias dos Alteirinhos, Carvalhal, Machados e Amália, onde pude observar no topo da falésia um rio a correr para o bravo mar! 🙂 Um verdadeiro festival natural, em que existem passagens por túneis de clorofila e múltiplos momentos de sobe e desce. À medida que me ia aproximando do meu objetivo, o dia progressivamente voltou à sua luz inicial e o meu corpo começou a sentir-se cansado. Nesta altura, a cada passo e ao imaginar o manjar que me esperava, a minha boca salivava abundantemente. Eram cinco e pouco da tarde, quando cheguei à aldeia da Azenha do Mar.

IMG_8756 (FILEminimizer)     IMG_8765 (FILEminimizer)

IMG_8767 (FILEminimizer)     IMG_8774 (FILEminimizer)

IMG_8776 (FILEminimizer)     IMG_8781 (FILEminimizer)

IMG_8787 (FILEminimizer)     IMG_8797 (FILEminimizer)

IMG_8802 (FILEminimizer)     IMG_8810 (FILEminimizer)

IMG_8771 (FILEminimizer)    IMG_8807 (FILEminimizer)    IMG_8818 (FILEminimizer)

Ao chegar ao abençoado restaurante, pedi para colocar o telemóvel a carregar e livrei-me do monstrinho17.37: meia salada de polvo à minha frente e uma mini no bucho, quase de penalty. 18.07: a sapateira acabara de chegar e a terceira mini estava bem encaminhada. 19.05: o manjar terminou, o bucho completamente recheado e a conta paga. 19.12: depois de falar com os donos do restaurante, fui colocar a mochila numa casinha onde passei a noite. 19.20: à espera que o telemóvel carregasse e quase a dormir em frente à televisão, onde os Lagartos goleavam o Vitória de Guimarães. 20.05: “os meus olhos não aguentam, mais! Vou-me deitar”. 20.30: Ferradíssimo a dormir.         

IMG_8821 (FILEminimizer)     IMG_8822 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Fotografia O 1º Dia

Rota SW

Ato II – Pufff…. Fez-se o Chocapic! 

Na chegada a Porto Covo não pude deixar de reparar que a maioria dos passageiros que “desembarcaram” na povoação eram estrangeiros. Portugal está definitivamente na moda! 🙂 Antes de iniciar o meu périplo andante, resolvi ter uma refeição mais consistente e na rua principal da cuidada vila, encontrei o que procurava: uma bela e generosa dose de peixe frito acompanhado de arroz de feijão e umas farófias divinais. A “caminhada” iniciava-se em beleza. 😀

IMG_8440 (FILEminimizer)     IMG_8443 (FILEminimizer)

IMG_8444 (FILEminimizer)     IMG_8447 (FILEminimizer)

IMG_8448 (FILEminimizer)

Terminado o delicioso repasto, eram 15.10 quando pus realmente os pés ao caminho e depois de confirmar a direção com um grupo de anciões locais, segui até ao pequeno porto da povoação. Nesta altura, o céu estava bastante prateado e fotogénico e na passagem de uma pequena enseada, fruto da maré e do eclipse lunar… pufff… fez-se o chocapic! No preciso momento que atravessava, veio uma onda que ultrapassou o cano das botas e que me deixou os pés a boiar, tal como se estes estivessem dentro de um aquário! Perfeito! 😛 Aparvalhado de todo… a minha mente foi lesta a processar a informação: “Então e agora? Regressar? Fora de questão! Tirando umas havainas, não tenho mais calçado. Nem pensar! Resta-me andar com as botas… mas o meu futuro, vai ser definido numa palavra: BOLHAS!”

IMG_8450 (FILEminimizer)     IMG_8451 (FILEminimizer)

IMG_8453 (FILEminimizer)

Com os pés completamente encharcados, segui colina acima e assim que encontrei um apoio, descalcei as botas, tirei-lhes a água do interior e espremi ao máximo as meias e as palmilhas. Uma vez que as botas estavam ensopadíssimas, decidi não calçar o par de meias extra que me restava e guardá-las para a noite – caro leitor, apesar de no momento esta me ter parecido uma decisão lógica, no presente posso claramente dizer, que este foi o meu primeiro grandeeeeee erro! – sem nada mais poder fazer, deixei de pensar neste molhado acontecimento e segui andando junto ao mar, no topo de pequenas arribas.

IMG_8455 (FILEminimizer)     IMG_8458 (FILEminimizer)

IMG_8461 (FILEminimizer)

Para Norte, avistava-se a silhueta das feias torres da central termoelétrica de Sines, para Sul a ilha do Pessegueiro dominava a prateada e azulada paisagem, onde se viam outras pequenas ilhotas, a que os locais chamam palheirões. Porto Covo ia ficando para trás e quando cheguei ao início da praia da ilha, fruto da maré tive que atravessar outra zona repleta de água. Uma vez que já tinha as botas encharcadas, segui em frente sem grandes preocupações. Agora estava outra vez com os pés a boiar, mas continuei a andar – segundo grandeeeeeee erro! – em direção às praias do Queimado e dos Aivados. Nessa altura, o trilho que até aí estava muito bem marcado, desapareceu e tive de continuar por dunas junto às praias, até o caminho contornar as praias da Galé e do Malhão e o seus extensos cordões dunares. À medida que ia fletindo ligeiramente para o interior a paisagem de dunas e vegetação rasteira, mudou um pouco e nesse momento pude ver uma densidade de clorofila mais verde e colorida, e pinheiros em meu redor. 🙂

IMG_8463 (FILEminimizer)     IMG_8465 (FILEminimizer)

IMG_8473 (FILEminimizer)     IMG_8479 (FILEminimizer)

IMG_8481 (FILEminimizer)     IMG_8486 (FILEminimizer)

Quase no final da praia da Malhão, regressei à zona realmente costeira e a partir desse local as arribas ganharam alguma dimensão, a paisagem tornou-se mais imponente e de vez em quando viam-se graciosas cegonhas. 🙂 O dia caminhava rapidamente para o seu término, e nessa altura em que já me sentia um pouco cansado, os meus olhos não paravam de perscrutar a paisagem de vegetação muito rasteira, em busca de um local onde pudesse montar abrigo. Finalmente, por volta das 18.40, a cerca de trinta metros do trilho encontrei o que procurava, um largo arbusto e foi debaixo deste, com o som do mar como companheiro, que passei a minha primeira noite…

IMG_8492 (FILEminimizer)      IMG_8496 (FILEminimizer)

Categorias
Fotografia Reflexões

Artigo Volta ao Mundo

IMG_8430

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Em trânsito: Mandalay – Bagan. Dia a Bordo

Se a viagem de madrugada para o cais decorreu com toda a tranquilidade o mesmo já não posso dizer da venda do bilhete para o barco, uma vez que ao tentar pagar em Kyat  e depois da minha insistência, os “diligentes” funcionários do governo, tornaram-se agressivos! :/ Quando embarquei, estava “puto da vida”! E nessa altura conheci uns bascos com quem comecei a falar.

IMG_5769 (FILEminimizer)     IMG_5771 (FILEminimizer)

IMG_5772 (FILEminimizer)     IMG_5775 (FILEminimizer)

IMG_5782 (FILEminimizer)      IMG_5787 (FILEminimizer)

O dia foi tranquilo e durante as mais de quinze horas de viagem (5.30 – 20.00) observei os nativos, falei com os meus companheiros de travessia – Ekhi, Jon e Aritxu – escrevi um bocadinho no caderno, dormitei, alimentei-me e vi a paisagem a mudar, a tornar-se mais seca à medida que viajávamos para sul.

      IMG_5792 (FILEminimizer)      IMG_0615 (FILEminimizer)

    IMG_5795 (FILEminimizer)     IMG_5803 (FILEminimizer)

    IMG_5806 (FILEminimizer)     IMG_0630 (FILEminimizer)

Na chegada a Bagan, mantivemo-nos juntos e depois de pagarmos o bilhete de entrada para a zona dos templos, fomos deixados numa guesthouse que tinha quartos quádrupulos. Perfeito! 🙂 Depois de jantarmos qualquer coisa, fomo-nos deitar, afinal o dia tinha sido longo e o dia seguinte iria começar de madrugada…

IMG_0654 (FILEminimizer)     IMG_5809 (FILEminimizer)

IMG_5814 (FILEminimizer)     IMG_5820 (FILEminimizer)

IMG_5821 (FILEminimizer)    IMG_5833 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Tour em Amarapura, Sagaing e Inwa

Depois da visita à interessante cidade de Mandalay, havia que visitar os seus arredores, uma vez que estes estão repletos de locais de interesse histórico e cultural. Tal como previamente combinado, o taxista apareceu à hora marcada e juntamente com as raparigas parti de espírito animado. A nossa primeira paragem ocorreu em Amarapura, onde encontrámos centenas de monges em fila para almoçar. A disciplina, os rostos sóbrios, serenos e sorridentes (dos mais jovens), os pés a caminhar, as vestes bordô, os turistas a tirar fotografias. Foi sem dúvida, um ritual interessante de observar. 🙂

IMG_5346 (FILEminimizer)    IMG_5352 (FILEminimizer)

IMG_5360 (FILEminimizer)    IMG_5361 (FILEminimizer)

IMG_5373 (FILEminimizer)    IMG_5379 (FILEminimizer)

IMG_5399 (FILEminimizer)

IMG_5407 (FILEminimizer)

Daí, seguimos para a colina de Sagaing, donde observámos uma paisagem coberta de pagodas, florestas, campos de cultivo, rios, pontes e para além da bonita panorâmica, o templo e a pagoda no topo, revelaram-se bastante fotogénicos e cheios de detalhes. Depois da simpática visita, o nosso motorista levou-nos até às imediações de Inwa e antes de atravessarmos o rio num pequeno barco, aproveitámos para almoçar.

IMG_5443 (FILEminimizer)    IMG_5451 (FILEminimizer)    IMG_5474 (FILEminimizer)

IMG_5444 (FILEminimizer)    IMG_5468 (FILEminimizer)

IMG_5475 (FILEminimizer)     IMG_5491 (FILEminimizer)

IMG_5498 (FILEminimizer)     IMG_5504 (FILEminimizer)

IMG_5537 (FILEminimizer)    IMG_5542 (FILEminimizer)

A curta travessia demorou menos de cinco minutos e na chegada, fomos completamente assediados por condutores de carroça, que queriam transportar-nos! Enquanto andávamos, eles seguiam-nos e não se calavam! Exasperante! :/ Depois de dez minutos de martírio, já estava no meu limite de paciência e assim que vi uma brecha de oportunidade – uma ponte pedonal – afastei-me daqueles chaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaatos! As raparigas seguiram-me os passos e sem fazermos ideia, esse foi o momento fulcral da nossa visita a Inwa. Logo de seguida, começámos a encontrar diferentes tipos de estupas e pagodas, construções antigas, até… os nossos olhos “colidaram” com a imagem de um grande templo amarelo “sujo”! Surreal! Espetacular… ficámos completamente fascinados e sem avistar vivalma, fomos deambulando pelo local. 😀 Daí, continuámos as explorações e vimos uma grande tempestade a aproximar-se, andámos livremente por campos de cultivo, vimos uma grande pagoda dourada, coqueiros e palmeiras, vacas, cavalos, camponeses, muralhas e uma torre a emergir do nada!

IMG_5596 (FILEminimizer)

IMG_5548 (FILEminimizer)      IMG_5553 (FILEminimizer)

IMG_5622 (FILEminimizer)     IMG_5623 (FILEminimizer)

IMG_5626 (FILEminimizer)     IMG_5628 (FILEminimizer)

IMG_5642 (FILEminimizer)      IMG_5646 (FILEminimizer)

IMG_5665 (FILEminimizer)

Terminada a fantástica e memorável visita a Inwa, voltámos a fazer a travessia do rio e já em terra o nosso “jarbas” conduziu-nos de regresso a Amarapura, desta feita até ao lago de Taung Tha Man. Aí, ao final do dia, mas sem pôr do sol passeámos calmamente sobre a bonita ponte de madeira de U Bain, onde vimos a tranquila paisagem em redor e as pessoas que por lá circulavam, principalmente os serenos monges de vestes esvoacentes. Esta foi a conclusão perfeita, para o tour nos arredores de Mandalay. 🙂

IMG_5675 (FILEminimizer)     IMG_5681 (FILEminimizer)

IMG_5710 (FILEminimizer)     IMG_5724 (FILEminimizer)

IMG_5728 (FILEminimizer)     IMG_5750 (FILEminimizer)

DSC_2751 (FILEminimizer)     IMG_5764 (FILEminimizer)

IMG_5768 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Em trânsito: Moalboal – Sipalay. Travessia para Sugar Beach

Na despedida de Moalboal, eu e a Zaskia tomámos o pequeno-almoço com Daniel e fruto da conversa muita animada à refeição, apenas partimos ao meio-dia mas com um objetivo bem definido. Chegar a Sugar beach, já nas imediações de Sipalay na costa oeste da ilha de Los Negros, uma vez que a descrição que Daniel fez do local, foi de tal modo apelativa que nos fez lá querer ir. 😀

IMG_1351 (FILEminimizer)     IMG_1352 (FILEminimizer)

O resto do dia, foi um longo périplo de múltiplos transportes terrestres e marítimos. Primeiro apanhámos um tuk-tuk para a vila de Moalboal, daí autocarro até ao porto de Bato  hora e meia – onde apanhámos um ferry para Tangi  meia hora – já na ilha de Los Negros e aí novo autocarro para Dumaguete  uma hora. Da capital de Los Negros oriental até Bayawan, mais cento e vinte quilómetros e duas horas e meia de viagem. Em Bayawan fruto da hora avançada e uma vez que já não existiam autocarros, tivemos uma paragem prolongada para negociações. Conversámos com ojeks, condutores de carrinhas, motoristas de autocarros, até acabarmos cada um montados à pendura numa scotter, a fazer uma viagem de oitenta quilómetros, até à vila de Sipalay. A viagem estava a ser memorável, as motas deslizando pela estrada (ora de asfalto, ora de brita), enquanto as estrelas brilhavam no céu e um sentimento de liberdade nos acompanhava, até que… ouvimos um ahhhhhhh! Abrandámos, olhámos para trás e havia poeira no ar! Zaskia e o seu jarbas tinham tido um acidente e estavam deitados no chão! Saímos da mota, corremos ao seu encontro e naquela hora tardia, o que nos valeu foi que ninguém se magoou seriamente! Apesar das escoriações, arranhadelas e cortes, pudemos seguir viagem, mas o encanto tinha-se quebrado. :/

IMG_1353 (FILEminimizer)     IMG_1355 (FILEminimizer)

Na chegada à vila de Sipalay encontrámos Daniel – um italiano, amigo de Zaskia – e com ele, e Mr. Tito seguimos num novo tuk-tuk até a um pequeníssimo porto perto de Sugar Beach. Toda esta louca odisseia, foi concluída exatamente na hora dos fantasmas, numa pequena viagem de barco feita no rio, no mar, na escuridão, iluminada pelo plâncton fluorescente que brilhava nas águas e pelas estrelas que brilhavam no céu. Quando desembarcámos em Sugar Beach e saltei para a areia, senti-me como um pirata, a chegar à ilha do tesouro… apenas não sabia quanto “ouro” ia encontrar…  

IMG_1362 (FILEminimizer)      IMG_1363 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

El Nido. Regresso às Phi Phi?

Depois da visita ao rio subterrâneo de “Puerto Princesa”, parti com o Denis mais para Norte, em direção a El Nido, onde chegámos depois duma viagem de aproximadamente seis horas, numa estrada bastante esburacada. Na chegada, deparámo-nos com calor… bastante calor. Um calor, abafado e pesado que se colava ao corpo. Nesse primeira tarde em El Nido, para além de visitarmos a agradável praia de Las Cabañas (onde comecei a observar melhor, a beleza daquela paisagem natural), reencontrámos Justine (uma Canadiana que conhecêramos em Boracay), Steow e Maiju, e comecei de algum modo a sentir-me farto de Denis, das suas “luas” e vontades. Apesar desse detalhe, o dia terminou em beleza fruto dum jantar (regado a “batidos” de manga com rum) e de um serão animado, com música ao vivo no bar de reggae da praia. 😀

IMG_0781 (FILEminimizer)      IMG_0784 (FILEminimizer)

IMG_0786 (FILEminimizer)     IMG_0793 (FILEminimizer)

No dia seguinte, acordei bastante cedo e mudei-me para o Austria´s hostel onde deixei a bagagem e daí segui até ao hotel de Derek e Justine, o local onde combinámos encontrar-nos para fazer um tour pelas múltiplas ilhas que ficam ao largo de El Nido. Apesar do preço do tour (combinação dos tours A + C), não poder ser considerado uma bagatela (cerca de 25€), posso afirmar que valeu cada cêntimo investido e algumas das paisagens que tive a felicidade de observar, ficarão para sempre como um dos grandes momentos desta viagem! 😀

IMG_0809 (FILEminimizer)     IMG_0812 (FILEminimizer)

IMG_0813 (FILEminimizer)    IMG_0814 (FILEminimizer)

Em El Nido, tal como nas Phi Phi, ihas calcárias emergem do mar, mas aqui o seu número para além de mais elevado é mais dramático, uma vez que existem ilhas de faces completamente escarpadas, formações bizarras e zonas que recordam os famosos pináculos de Mulu, mas com rochas negras como o breu! Durante o dia, navegámos de ilha em ilha, fazendo snorkeling  peixe-leão bebé, muitos peixes coloridos, algum coral e muitas, muitas alforrecas que provocavam desconforto e sensações de picadas na pele; visitando praias de sonho: praia escondida – baía escondida no oceano, rodeada de rochas belas e surreais; praia da estrela – mini praia onde almoçámos um delicioso e farto repasto: peixe grelhado, dois tipos diferentes de salada, camarão, porco grelhado, arroz, ananás! 😀 ; praia secreta – para encontrar a mesma tivemos de nadar em pleno mar, penetrar numa abertura na rocha e aí deparámo-nos com areal que estava completamente rodeado a 360º por rochas negras e afiadas e que apenas podia ser vista do ar. Monumental! Arrebatador! E a praia dos sete comandos – última visita do dia e local onde o motor da nossa banca “morreu” 😛 e nadando em lagoas – lagoa grande, lagoa pequena e lagoa azul – de infinitos azuis e verdes no meio do oceano?! 😀 . Foi sem dúvida, um dia de sonho que acabou em beleza quando ao final da tarde reencontrámos Yannick e Aline, ficando o grupo novamente reunido! 😀

IMG_0841 (FILEminimizer)

IMG_0843 (FILEminimizer)     IMG_0846 (FILEminimizer)

IMG_0854 (FILEminimizer)

No terceiro dia, o tempo esteve bastante cinzento e a manhã foi lenta e arrastou-se. Durante a tarde eu, o Denis, o Yannick e o Steow, pegámos numa melancia, alugámos uns caiaques e partimos à descoberta. Numa massa negra, vasta e serena remámos durante uma hora até à ilha de Cadlao que fica em frente à vila de El Nido e aí visitámos duas praias, a praia do paraíso – onde tudo em nosso redor era verde e selvagem e a praia “inominável” – na qual estivemos deitados dentro de água enquanto chovia torrencialmente. Nessa altura senti uma felicidade pura, fruto da comunhão com a natureza!. No regresso, em que já estava “fartinho” de remar, eu e o Denis conseguimos virar o caiaque um par de vezes em pleno oceano, rir-nos da nossa falta de perícia e quando chegámos a terra observámos que o meu dry bag, afinal não era assim tão dry! 😛 – o que valeu é que no seu interior, não havia nada realmente importante.

IMG_0860 (FILEminimizer)     IMG_0869 (FILEminimizer)

IMG_0872 (FILEminimizer)     IMG_0889 (FILEminimizer)

No último dia em El Nido, como o tempo foi melhorando progressivamente, acabámos por alugar umas scooters e partir para a bonita praia de Nacpan, que fica a norte da vila. Nessa praia de longo areal, localizada numa baía perfeita de coqueiros e de um mar sem corais, pude pela primeira vez na Ásia, cavalgar ondas com o corpo! Regressando aos meus tempos de adolescência, na praia da Foz (do Arelho) e da Nazaré! Enfim, divertimento em estado puro! 😀 Ao mesmo tempo que pensava: “Boys will be Boys“. 😉 Ao serão, reencontrei Tadd (americano de Boracay) e com ele estive a falar sobre o meu próximo destino, a ilha de Coron e casa de múltiplos navios japoneses afundados durante a segunda Guerra Mundial! 🙂

IMG_0902 (FILEminimizer)     IMG_0905 (FILEminimizer)

IMG_0908 (FILEminimizer)

El Nido, foi um local especial! Foi associar uma beleza natural estonteante e inebriante, ao convívio com um grupo de  boas pessoas. 😀 Foi com um enorme prazer que partilhei o meu tempo com elas, num local que conserva um certa pureza (talvez o que as ilhas Phi Phi eram há quinze/vinte anos). O único senão, de toda esta perfeição foi sentir uma certa pressão por não publicar nada no blog, desde então. 😉