Categorias
Crónicas Fotografia

Rota SW

Ato V – No Arame

Depois de uma noite tranquila e antes de partir da Azenha do Mar, tirei algumas fotografias à zona do porto e à aldeia. Percorrendo verdes e floridas dunas, segui junto àquele mar azul numa manhã realmente primaveril. 🙂 Como sempre a primeira hora da caminhada passou rapidamente e às 8.30 já estava no topo da Ponta Branca, a observar a bonita e enooooorme praia de Odeceixe, onde bandos de gaivotas se banhavam alegremente. Daí e até ao centro da vila tive de percorrer quatro quilómetros de uma entediante estrada alcatroada, sendo a parte mais simbólica a travessia da ponte que une o Alentejo ao Algarve. Quatro etapas da Rota Vicentina concluídas, setenta e cinco quilómetros percorridos. 🙂

IMG_8827 (FILEminimizer)     IMG_8839 (FILEminimizer)

IMG_8840 (FILEminimizer)     IMG_8847 (FILEminimizer)

IMG_8854 (FILEminimizer)      IMG_8857 (FILEminimizer)

IMG_8860 (FILEminimizer)     IMG_8864 (FILEminimizer)

IMG_8866 (FILEminimizer)     IMG_8867 (FILEminimizer)

IMG_8871 - Copy (FILEminimizer)

Na pequena vila, aproveitei para comprar mais reservas alimentares e hídricas, e continuei a viagem. Os primeiros três quilómetros, já em solo algarvio, foram pouco interessantes, mas quando cheguei novamente à zona costeira, o circuito da Praia de Odeceixe tornou-se realmente agradável. Já na companhia de um céu cinzento, continuei para sul e entrei pela primeira vez numa etapa do caminho histórico. A verdade é que durante a tarde fui sentindo a falta da paisagem costeira e apesar do trilho seguir junto a um canal de rega bastante singular, os pés e a mochila estavam a matar-me lentamente. 😛 Durante o caminho passei por alguns campos de cultivo, pela povoação do Rogil e algumas zonas de eucaliptos e pinheiros. 

IMG_8874 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8875 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8876 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8878 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8880 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8883 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8884 - Copy (FILEminimizer)      IMG_8892 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8893 - Copy (FILEminimizer)      IMG_8895 - Copy (FILEminimizer)

Quando cheguei ao cruzamento onde começava o circuito da Praia da Amoreira, já tinha andado vinte e sete quilómetros, mas apesar do cansaço que já se fazia sentir e porque o dia estava novamente solarengo, resolvi continuar. Durante o trilho, pensei n vezes em montar abrigo naquele imenso pinhal e deitar-me a descansar, mas como as baterias da máquina fotográfica estavam esgotadas e eu não tomava um banho desde que começara a caminhada em Porto Covo, o lado racional foi vencendo lentamente a vontade imediata. Ao longo do circuito pude observar uma variação bem vincada entre os imensos pinhais e as dunas, onde encontrei muita vegetação e coloridas flores.

IMG_8899 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8900 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8901 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8906 - Copy (FILEminimizer)

Na chegada à bonita praia da Amoreira, uma vez que o vento soprava de oeste com muitaaaaaaaa intensidade e não existia nenhuma zona abrigada, não me demorei muito. Virando costas ao vento e ao mar, continuei o circuito agora por uma estrada de terra batida, penetrando por uma zona de verdes campos e montes. Quase no final deste longuíssimo dia, fruto de uma subida serpenteante e da qual não via o fim, a minha energia estava praticamente esgotada. No último par de quilómetros, até chegar ao parque de campismo do Serrão, senti-me fisicamente mais no arame, do que no dia em que escalei os 4095 m da Montanha Kinabalu, no Bornéu. Nessa altura, em que a mente puxou o corpo, o pensamento de um banho quente, fez-me continuar a caminhar, até chegar ao meu destino.

IMG_8911 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8917 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8922 - Copy (FILEminimizer)     IMG_8925 - Copy (FILEminimizer)

IMG_8927 - Copy (FILEminimizer)

Finalmente, já no parque de campismo, sem a mochila às costas e de havainas nos pés, reparei que pela primeira vez em quatro dias as botas estavam finalmente secas! Huuuuuuuuuuuuuuuuu! Huuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! 😀 E que me tinha aparecido mais bolha – a terceira. Antes de poder relaxar totalmente, e apesar do cansaço, tive de cumprir algumas tarefas: montar abrigo – mas como estava tanto, tantooo, tantoooooooooo vento acabei a dormir encostado à parede dos balneários; colocar todas as baterias a carregar – à vez; lavar e estender roupa; tomar banho 🙂 ; comer; dormir que nem um anjinho, fruto dos trinta e quatro quilómetros percorridos. 😉

Categorias
Crónicas Fotografia

Rota SW

Ato IV – Missão? Paparoca!

Felizmente, na segunda noite o efeito de estufa foi inexistente, porém o calor excessivo manteve-se – ainda não fora desta, que acertera em cheio na quantidade de roupa. O reinício da caminhada, ficou marcado por uma luz matinal cinzenta e mortiça, belos pinhais e pelo regresso à zona costeira onde pude observar maravilhosas falésias xistosas, a funda praia do Cavaleiro e do outro lado da Ponta da Carraça, o monumental Cabo Sardão. 🙂 Como neste local não é possível seguir junto à costa, tive de caminhar para o interior até à aldeia do Cavaleiro e daí continuar o trilho.

IMG_8640 (FILEminimizer)

IMG_8646 (FILEminimizer)      IMG_8656 (FILEminimizer)

IMG_8657 (FILEminimizer)     IMG_8669 (FILEminimizer)

Na zona do Cabo Sardão deambulei durante aproximadamente meia hora e nesse período, observei um simpático rebanho de cabras, graciosas cegonhas nos seus ninhos ou em voo, imponentes falésias, a força do oceano. À medida que o cabo foi ficando para trás, as enseadas e baías não concederam tréguas, continuando a manifestar toda a sua riqueza e variedade de formas e cores, principalmente na zona da praia do Tonel, onde coloridas flores deram um maior brilho à paisagem. 🙂 A descida para o porto de pesca da Entrada da Barca foi realizada com especial cuidado, uma vez que o declive era bastante acentuado e daí até à vila de Zambujeira do Mar, segui pela entediante estrada de alcatrão, até regressar à costa nas imediações da praia da Nossa Senhora.

IMG_8671 (FILEminimizer)     IMG_8672 (FILEminimizer)

IMG_8682 (FILEminimizer)      IMG_8691 (FILEminimizer)

IMG_8709 (FILEminimizer)      IMG_8716 (FILEminimizer)

IMG_8726 (FILEminimizer)     IMG_8735 (FILEminimizer)

IMG_8743 (FILEminimizer)     IMG_8752 (FILEminimizer)

À uma da tarde em ponto, estava junto à capela da Nossa Senhora do Mar já descalço a observar os pés e a verificar que me tinha aparecido mais uma bolha, desta feita junto aos dedos do pé direito. Depois de colocar o segundo compeed, “lavei” as mãos com uma toalhita e almocei com apetite. 🙂 Terminada a refeição, voltei a calçar-me, arrumei a mala e agora com um sol radioso, continuei viagem. Estava a caminho de Odeceixe, mas a minha “missão” era outra… paparoca! 😀 De qualquer modo e até esse momento chegar, segui por um dos pedaços de costa mais fascinantes de todo o Sudoeste Alentejano, encontrando falésias estratificadas de múltiplas cores – amareladas, alaranjadas, cinzentas, negras… -, pinhais, florestas de acácias e progressivamente as praias dos Alteirinhos, Carvalhal, Machados e Amália, onde pude observar no topo da falésia um rio a correr para o bravo mar! 🙂 Um verdadeiro festival natural, em que existem passagens por túneis de clorofila e múltiplos momentos de sobe e desce. À medida que me ia aproximando do meu objetivo, o dia progressivamente voltou à sua luz inicial e o meu corpo começou a sentir-se cansado. Nesta altura, a cada passo e ao imaginar o manjar que me esperava, a minha boca salivava abundantemente. Eram cinco e pouco da tarde, quando cheguei à aldeia da Azenha do Mar.

IMG_8756 (FILEminimizer)     IMG_8765 (FILEminimizer)

IMG_8767 (FILEminimizer)     IMG_8774 (FILEminimizer)

IMG_8776 (FILEminimizer)     IMG_8781 (FILEminimizer)

IMG_8787 (FILEminimizer)     IMG_8797 (FILEminimizer)

IMG_8802 (FILEminimizer)     IMG_8810 (FILEminimizer)

IMG_8771 (FILEminimizer)    IMG_8807 (FILEminimizer)    IMG_8818 (FILEminimizer)

Ao chegar ao abençoado restaurante, pedi para colocar o telemóvel a carregar e livrei-me do monstrinho17.37: meia salada de polvo à minha frente e uma mini no bucho, quase de penalty. 18.07: a sapateira acabara de chegar e a terceira mini estava bem encaminhada. 19.05: o manjar terminou, o bucho completamente recheado e a conta paga. 19.12: depois de falar com os donos do restaurante, fui colocar a mochila numa casinha onde passei a noite. 19.20: à espera que o telemóvel carregasse e quase a dormir em frente à televisão, onde os Lagartos goleavam o Vitória de Guimarães. 20.05: “os meus olhos não aguentam, mais! Vou-me deitar”. 20.30: Ferradíssimo a dormir.         

IMG_8821 (FILEminimizer)     IMG_8822 (FILEminimizer)