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Tanjung Puting. No Reino dos Orangotangos

Ato III – No Meio do Reino e o Rei de Camp Leakey

Às 5.30 já estava acordado, depois de dormir poucas horas mas bem “ferradas”! E tive a oportunidade de ver o dia a clarear, a neblina matinal, o céu prateado. O pequeno almoço iniciou-se à mesa e terminou na proa, em observações zoológicas. No caminho para o campo Leakey (o local de observação de orangotangos mais interior de todo o parque natural), como “prometido” fomos encontrando bastantes espécies de pássaros e alguns macacos, e vimos a água do rio a transitar de uma cor castanha e barrenta para o negro, como se tratasse do sangue da Terra. Este fenómeno ocorre, devido às raízes das árvores e à ausência total de poluição, e este é um dos dois únicos locais do mundo, onde ocorre.

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Por volta das 9.00 já estávamos no nosso destino e durante duas horas andámos pela floresta tropical e vimos insectos, fungos e cogumelos (azuis, branco e castanhos), uma vegetação luxuriante, troncos caídos, plantas carnívoras, zonas em que a floresta desaparecia e apenas se viam fetos! E quase, quase no final da caminhada mesmo à nossa frente e a poucos passos, uma mamã orangotango com a sua pequena cria! 😀 Espetacular! Um verdadeiro momento National Geographic! E senti que ter a oportunidade de ver estes animais, no seu habitat é de facto uma experiência única.

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Por volta das 11.30 estávamos de regresso ao barco e a deliciar-nos com o almoço. Depois de mais uns momentos de conversa com o nosso guia voltámos a partir para Camp Leakey, desta feita rumo à plataforma onde alimentam os orangotangos. Mas antes, fomos recebidos por macacos de cauda longa, estivemos no centro de visitantes, vimos uma fêmea orangotango a repousar e percorremos mais um trilho alternativo. Quando chegámos à zona da plataforma, a área envolvente já estava semi preenchida com turistas e passados poucos segundos pude observar o meu primeiro gibão! 😀 (cara cómica; corpo desproporcionado – braços muito longos; veloz como uma bala) e esse foi o único primata que vimos no local. Enquanto esperávamos, o céu foi ficando carregado, carregado e passado uns minutos começou a chover. Toda a gente partiu, mas nós ficámos e nessa altura fui até à plataforma comer uma banana e declarar-me “rei” de Camp Leakey  uma vez que o meu “oponente” não apareceu! 😛

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Depois de breves instantes, estávamos a reentrar novamente na selva, com o nosso guia mas o passeio foi curto. Já no caminho de regresso e do nada, surgiu-nos Oscar – um jovem orangotango  mesmo à frente! E mesmo com o guia a dizer que o seu tamanho era médio, deu para ver o seu porte poderoso e sentir a sua presença! 🙂 Já nas imediações do centro de informação, vimos desta feita uma jovem fêmea. No cais, embarcámos e partimos para Panduk Ambung, onde esperámos que ficasse de noite. Aí, durante quarenta e cinco minutos fizemos a nossa caminhada noturna, encontrando: um kingfish (pássaro), tarântulas, centopeias, insectos estranhos, um ninho vazio e vimos a luz de múltiplos relâmpagos, fazendo figas para não começar a chover.

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Tal como no dia anterior jantámos bastante cedo e depois do meu primeiro banho em três dias, ficámos a falar com o nosso guia, antes de irmos dormir. Quando me deitei, voltei a ficar fascinado ao ouvir o som da selva… 😀

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 P.S. – Em ambos os dias fui sempre mordido por uma formiga do fogo! Aiiiiiiiiiiii! 😛    
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Tanjung Puting. No Reino dos Orangotangos 

Ato II – Partida para o Reino e o Campo 1

O barco onde “aterrei” juntamente com o Andreas era grande, espaçoso e tinha dois andares, para além disso, tinha uma WC com chuveiro e duas zonas para observação de animais (uma na proa e outra na popa). Logo no início da travessia, percebi que de facto era necessário um barco para visitar o parque natural, pois de Kamui até entrarmos na área oficial do parque, necessitámos de hora e meia e até chegarmos ao campo 1, duas horas.

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Durante a viagem, vimos palmeira e outros tipos de vegetação semi submersa, pequenos barcos de transporte de mercadorias, de pescadores, barcos turísticos de médio porte (como o nosso), muitas espécies de pássaros, alguns macacos probuscius e dois orangotangos muito disfarçados no meio da folhagem 🙂 ; recebemos um briefing do nosso guia (Mr. Supian Hadi, ou simplificando Mr. Uzo) e ficámos a perceber o plano de “festas” para os próximos dias; deliciámo-nos ao almoço (arroz + tempe + vegetais + peixe); e comecei a perceber que o dinheiro investido iria trazer bastantes regalias! 😀 (tripulação: mecânico, capitão, cozinheira e guia).

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Quando chegámos ao campo 1, Uzo levou-nos por um trilho alternativo até à plataforma dos orangotangos e durante o mesmo, deu para ver ninhos de orangotango (frescos e mais antigos), insectos e um pouco de selva. Quando desembocámos na zona da plataforma, havia uma fêmea a comer, de costas para os turistas e cerca de duas dezenas de pessoas a observar. Comparando este local, com Sepilok (Sabah, Bornéu Malaio) nunca tinha estado tão próximo como aqui (existe uma área delimitada, mas muito mais próxima) e visto uma fêmea tão grande. 🙂 Depois dela desaparecer, vimos mais um ou dois vultos nas árvores (mas bastante afastados) e um pequeno esquilo muito engraçado. Antes de voltarmos ao barco, ainda demos um pequeno passeio na selva com o nosso guia e deu para ver árvores espinhosas, fungos, insectos e muita vegetação.

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Já de regresso ao barco e até atracarmos, fomos percorrendo o rio e vendo muitas espécies de macacos: cauda longa, probuscius (principalmente), folha prateada, e os reflexos das árvores e das nuvens no rio enquanto o dia caminhava para o seu ómega. Antes de jantar, puseram uma grande rede mosquiteira branca a proteger os nossos fantásticos colchões! 😉 e o jantar, à semelhança do almoço, voltou a ser à grande: camarões panados, Mie Goreng (massa frita), vegetais, arroz, tudo isto à luz das velas! 🙂 Depois de jantar descemos ao “piso térreo”, onde dentro do barco (altura muito baixa, tínhamos de andar de cócoras) estivemos a falar com o nosso guia e com o capitão do barco até às 22.00, hora em que todos foram dormir, bem quase todos… 🙂 uma vez que, fiquei acordado a fazer um backup de fotografias… a ouvir o barulho dos insectos, da selva, a ver as estrelas e a pensar que a “aposta” de ficar, tinha sido totalmente acertada! A verdade é que nesta vida, há experiências únicas que valem mesmo o investimento! 😀

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Lanjak & Danau Sentarum. Sob o Signo da Vida Feliz

Em Lanjak fiquei alojado na companhia de Doni e de Yuda (o seu braço direito), numa casa do parque natural e durante aqueles dias, o denominador comum foi a boa disposição. 😀

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No primeiro dia, fui na companhia de Doni até à aldeia de Souah, onde visitámos uns amigos seus no meio de um arrozal. Aí, para além de conversarmos com as pessoas, tirei vários retratos e comi um babi (porco selvagem) delicioso, confeccionado de duas maneiras distintas – o primeiro tinha sido grelhado nas brasas, o segundo foi cozinhado em lume brando dentro de um tubo de bambo, com ervas (a carne era tenra, ligeiramente salgada e temperada) – Ponsoh. No regresso à vila, acabámos de organizar toda a logística necessária para o término do torneio de futebol organizado pelo parque natural do Danau Sentarum e assistimos à grande final, onde a equipa de Putussibau acabou por se sagrar campeã (3-1 contra a equipa da casa). Este primeiro dia, terminou com uma festa noturna no arrozal, bem regada com o tradicional tuak (vinho de arroz) e comigo a conduzir a carrinha no regresso! 😉

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No segundo dia, tive a minha primeira incursão no Danau (lago) Sentarum e esta foi uma experiência única, uma vez que nunca tinha andando de mota dentro de um lago! A vastidão da paisagem era surreal e assombrosa, parecia que estava num deserto de lama. Na companhia de Safary (um dos trabalhadores do parque) fiz motocross com uma moto de estrada, aliás, ao longo do dia fomos fazendo patinagem na lama. 😛 A caminho do topo de uma das colinas, da ilha de Semitau e de repente, o corpo da minha máquina avariou (recordei-me imediatamente de Mulu e da montanha Ramelau), mas felizmente desta vez, pude utilizar o corpo da máquina do parque natural! 🙂 Daí pude observar uma panorâmica do lago: as rochas, as zonas secas, as “ilhas” de árvores e fiquei estupefacto por o lago em plena época das chuvas, estar tão seco!! (Ainda dizem que não há aquecimento global!? :/ ). Antes de regressarmos a Lanjak, fizemos uma visita a uma vila piscatória, onde as casas estão construídas sobre estruturas de madeira, ou chegam a ser casas flutuantes (como se de barcas se tratassem), atravessámos riachos barrentos, vimos peixes a secar, outros mortos em decomposição e nativos a pescar… este dia tão perfeito, acabou quando conheci e tive a oportunidade de ter Oscar ao colo, um orangotango bebé de nove meses ainda muito frágil e delicado.

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Sábado foi muito semelhante ao dia anterior, porém desta feita, eu e o Safary fomos mesmo montados numa mota de cross. Neste dia, em que a paisagem estava mais realçada fruto do céu azul, conseguimos chegar à ilha de Malaiu (na primeiro dia, bem tentámos, mas foi de todo impossível lá chegar, tal a quantidade de lama existente) mas para isso, tive que desmontar da mota vários vezes. Nesses momentos, em que andava a pé descalço na lama mole e quente (por vezes enterrado até aos joelhos), senti-me bem… senti-me feliz e livre! Estava fascinado com aquela paisagem, com aquele enoooooooooooooooooorme lago sazonal, situado no coração do Bornéu. 😀 Da ilha, seguimos e visitámos a enorme aldeia piscatória de Selimbau/Labaoyan, onde acabei por ter a oportunidade de observar o dia-a-dia dos nativos e aí acabámos por almoçar. Quando cheguei a Lanjak, parecia um bonequinho de lama! 😛 Mas este dia só acabou depois de uma festa, onde houve um gigante peixe grelhado, karaoke, tudo regado com cerveja, animação, cantorias, cigarros e boa disposição.

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No Domingo, regressei a Sintang, na companhia de Doni, esse mágico da vida 😀 e de Yuda, mas antes de partirmos não nos livrámos de um susto, pois deflagrou um incêndio nas imediações do parque natural e só partimos depois da situação estar controlada (o Doni, apesar de muito brincalhão é um funcionário profissional, diligente e preocupado). Depois do fogo da manhã e ironicamente, na viagem de regresso (passada a dormitar, a falar e a ser massacrado pela estrada) apanhámos uma grande tempestade tropical, que nos atrasou (chegámos ao nosso destino por volta das 3.00). Deste modo, o dia da partida do coração do Bornéu ficou marcado pelos elementos. Pelo signo do fogo e da água.

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Família e Luta de Galos em Baucau

Inesperadamente parti para Baucau, na companhia de Gregório e de Cirilo, e mesmo antes de partirmos de Díli tivemos alguns problemas com a “malta” das carrinhas/autocarros, pois quando quisemos mudar de veículo, não nos queriam deixar tirar as bagagens. Durante a discussão, houve momentos em que pensei que iria haver pancadaria, pois o Gregório normalmente sempre calmo, estava passado! Felizmente o Cirilo, resolveu a questão com um misto de “tomates” e muita serenidade. 🙂

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Durante as três horas da viagem, colina abaixo, colina acima, fui alvo da curiosidade geral dos outros passageiros e fui observando a bonita costa timorense: o mar, as rochas, as árvores, as praias…, as aldeias muito simples e humildes, e as pessoas sempre sorridentes.

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Em Baucau, deixei o “monstrinho” em casa do irmão de Gregório e andámos até Yatua, uma pequena aldeia localizada nas imediações da cidade, no meio da serra, rodeada de vegetação e coqueiros, e onde chegámos já ao anoitecer. Aí, fomos extraordinariamente bem recebidos e pude sentir uma vez mais todo o calor, simpatia e grande coração do povo timorense, neste caso da família Nicolau! 🙂 Na aldeia conheci mais membros da família: os pais do Cirilo – o Sr. Joaquim e a Sra. Joaquina, os pais do Gregório – o Sr. Ricardo e a Sra. Isabel, o avô Júlio e mais tios, tias, sobrinhos e sobrinhas – e com eles tive um jantar, e serão muito animados, conversando sobre os nossos países em bom português.

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No dia seguinte, depois do pesado pequeno-almoço – folhas de papaia com arroz – e de nos despedirmos dos pais de Gregório e de Cirilo, voltámos ao centro de Baucau onde continuei a visitar a família Nicolau 🙂 e tive a oportunidade de ver as tradicionais e sangrentas lutas de galos. Em Timor Leste, estas lutas estão profundamente enraizadas na cultura do país e no mercado da cidade, vi a “loucura” que envolve esta tradição. A multidão frenética, o ruído, as apostas, as regras dos combates – vitória em caso de morte ou fuga -, os prémios – dinheiro e galo do perdedor, vivo ou morto -, a arena, os galos garbosos, as lâminas afiadíssimas presas nas patas, a “dança” mortal, os golpes na carne, o sangue espesso, os olhos dos animais no seu último fôlego e a morte a reclamar a vida dos vencidos…

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P. S. – Ainda em Baucau, despedi-me do Gregório com um abraço de até breve e reencontrei o irmão Vitor com quem parti para Laclubar…   

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Reflexões

Reflexões Lamalerianas

Após tudo o que vi em Lamalera, fiquei com a certeza que os pescadores/baleeiros têm uma vida bastante dura, de muito trabalho físico e não encontro nenhum motivo para se parar com a pesca tradicional, nesta vila. NENHUM! Os nativos apanham o que conseguem sem destruírem o ecossistema e não existem extermínios em massa, como acontece por exemplo no civilizadíssimo Japão. Após apanhada a “presa” quase tudo é aproveitado e os desperdícios são mínimos. Estas pessoas pescam para sobreviver e respeitam o mar com veneração, ou pelo menos sentem-lhe temor e sabem que se abusarem dele, no final não sobrará NADA! A não ser um deserto de ossadas e que a partir desse momento, a sua vida estará invariavelmente arruinada e perdida.

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Lamalera. Na Terra dos Pescadores

Ato II – Fishing Day

Às 6.40, como combinado no dia anterior dirigi-me à praia, mas não encontrando ninguém aproveitei para tirar algumas fotografias, principalmente às redes. Quando começaram a aparecer pescadores, o capitão perguntou-me se queria embarcar com eles, eu respondi que sim e depois de uma curta negociação, preparámo-nos para partir.

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Antes do bote sair da “garagem” e em conjunto, os pescadores fizeram uma curta oração em busca de proteção divina e quando esta terminou, começaram a colocar cilindros de madeira na areia, qual um “carril” empurrando o barco até ao oceano. Às 8.00 estávamos oficialmente de abalada e nos primeiros momentos tirei fotografias aos tripulantes, à paisagem e aguardei que víssemos alguma coisa, dividido se queria que arpoassem ou não o golfinho, mas… durante três horas nada vimos, a ponto de fazer uma mini-soneca. 🙂

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Finalmente, às 11.00, vimos golfinhos pela primeira vez e durante uma hora e tal, andámos a “jogar” ao gato e ao rato, com os cetáceos a superiorizarem-se claramente aos humanos. Se estivéssemos num jogo de futebol seria um “15-0”! 😛 A goleada cetácea, pode explicar-se pela falta de pontaria do arpoeiro no momento da verdade e/ou pela extraordinária capacidade dos golfinhos desaparecerem repentinamente, quais fantasmas aquáticos, apenas voltando à superfície, minutos depois e já afastados da embarcação. Comecei então a perceber, que a pesca é um processo looooooooongo e demoraaaaaaaaado, que se baseia na leitura de correntes e da observação da natureza – em modo sequencial: aves – peixes – golfinhos. Neste “jogo” não havia GPS, radares, pistolas ou redes, apenas e de um modo bastante justo, homem Vs. natureza . 🙂

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Entre o meio-dia e as duas, passei o meu momento mais negro do dia. Razões!? Primeira. Estava calor, muuuuuuuouito calor! Segunda. Sentia-me saturado do processo. Terceira. Não estava mentalmente preparado para passar tantas horas no mar, uma vez que queria regressar ainda nesse dia a Lewoleba. Porém, quando aceitei o facto que apenas iria regressar ao final da tarde e que teria de ficar um dia extra em Lamalera, o panorama geral melhorou. Nessa altura, também me consegui proteger um pouco do sol com a minha toalha, criando um mini-toldo e o meu sentimento relativamente à pesca mudou! Se era para ficar tantas horas no mar queria que arpoassem um golfinho! E nesse momento comecei a desejar “sangue” e uma “vitória” para os humanos. Porém…

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As horas foram passando, loooooooongos momentos sem que se avistasse nada, outros em que havia adrenalina na perseguição, mas na hora da “finalização”… ao lado! Os golfinhos continuaram a dar uma abada monumental ao humanos. A partir das 15.30, começámos a ver mais barcos no mar, o que dificultou ainda mais a pescaria – quanto mais barulho e ruídos, mais “esguios” os golfinhos se tornaram. O único momento em que vi um “golo”, foi quando vi um golfinho já arpoado por outro barco a ir abaixo e acima da superfície bastantes vezes e à medida que a corda ia sendo tensionada, ele foi-se aproximando do barco até ao momento que um pescador saltou do barco com um gancho na mão e nada mais vi, pois o nosso barco afastou-se para outras zonas.

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Às 18.00 estávamos finalmente de regresso à praia, dez horas depois da partida, sem nada arpoado! Antes de voltar à guesthouse vi os barcos a serem empurrados de regresso às “garagens” e o único golfinho que foi apanhado, a ser desmembrado osso a osso, víscera a víscera, pedaço a pedaço até não sobrar nada… e a areia ficar coberta de sangue… coberta de morte… coberta de vida.

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Lamalera. Na Terra dos Pescadores

Prólogo

Da sonolenta e poeirenta capital, “fugi” a vinte pés com destino a Lamalera, uma pequena aldeia piscatória no sul da ilha e um dos únicos locais – senão o único – do nosso planeta onde se podem pescar livremente baleias, tubarões e golfinhos! Apesar da distância não ser longa e uma vez que a estrada estava em péssimas condições a travessia foi demorada, cerca de quatro horas. Durante o trajeto, aproveitei para tirar fotografias ao ambiente, às pessoas e adormeci embalado pela topografia acidentada, pela estrada esburacada e pela música romântica que toca em quase todos os autocarros na Ásia. Ao fim da tarde estava no meu destino e na Abel Bending Homestay encontrei o meu poiso na Terra dos Pescadores.

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Ato I – Lumba Lumba

No primeiro dia do ano acordei cedo e depois de um saboroso pequeno-almoço – café, pão com doce e bolo -, quando ia a caminho da igreja vi pescadores na praia a desmembrar dois Lumba Lumba, vulgarmente conhecidos entre nós por golfinhos.

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Instantaneamente troquei o “sagrado” pelo “profano” e fui observar este “ritual”No areal dezenas de pescadores de corpos robustos, secos e extremamente morenos, desossavam com rapidez e eficácia os animais. A carne era vermelha e branca, havendo muitas partes que se assemelhavam à gordura do toucinho e à medida que se amontoavam peças de carne na areia negra, pescadores iam “lava-la” ao mar para uma posterior partilha entre os membros das embarcações que pescaram os golfinhosA areia estava a ser fecundada com sangue e no ar sentia-se um cheiro forte ao mesmo, a carne e a vísceras. Tudo foi aproveitado e no areal nada ficou, nem sequer as ossadas! Apesar do golfinho ser um animal “simpático”, este “ritual” não me chocou, possivelmente por saber que o mesmo, faz parte da cultura, tradição e modo de subsistência/sobrevivência, destas pessoas tão humanas e tão amistosas.

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Quando me estava a despedir dos pescadores fui convidado a acompanhá-los no dia seguinte, e a caminho da aldeia de Tapobali  direção oeste de Lamalera – passei pela igreja da vila. Durante hora e meia caminhei em estilo sobe e desce, estive com crianças e tirei-lhes alguns retratos, senti o sossego, o calor abafado e vi a paisagem envolvente: a vegetação, o mar, as enseadas e falésias de rocha vulcânica negra e castanha. Quando cheguei à igreja de Tapobali senti-me um alien a ser observado, pois estavam cerca de vinte pessoas paradas a olhar para mim, porém passado esse momento “estranho” tudo voltou à normalidade, os pedidos de retratos sucederam-se e foi aí que aprendi a desejar Bom Ano, na língua indonésia – Salamat Tahun Baru. 🙂

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De tarde fui até à aldeia de Wulandoni, desta feita parti na direção este. Ao contrário da manhã o caminho era muito mais plano e a topografia suave, existiam algumas praias com areia e o mar esteve sempre visível. Durante o trajeto e devido ao calor, suei, suei, suei e no regresso a Lamalera quase que sonhei com uma cola-cola fresca. 🙂 O primeiro dia do ano foi uma elipse perfeita, pois se começou com golfinhos a serem desossados na praia, acabou com estes no prato ao jantar – a carne era vermelha, um pouco rija, de sabor forte… não foi um manjar inesquecível, mas ficou para a posteridade.

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Labuan Bajo & Parque Nacional de Komodo

Em Labuan Bajo às portas do parque Nacional de Komodo acabei por ficar mais de uma semana. A principal razão? Mergulhar num dos locais mais fascinantes do nosso planeta, onde existem dezenas de pequenas ilhas e o oceano Índico e Pacífico se encontram. Claro que os dragões de Komodo também eram um importante chamariz e como tal, nada como fazer-lhes uma visitinha. 🙂

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Na verde e quente ilha de Rintja, na companhia de um grupo, de Max e de um guia fiz um trekking agradável, onde pude observar parte da ilha e da sua fauna, mas principalmente os famosos dragões. E este “meninos” não desiludiram. Nadinha! 🙂 Durante o tempo que estivemos em Rintja, tivemos a sorte de ver pelo menos nove deles e pudemos admirar o seu tamanho e envergadura, as suas garras, a sua língua serpenteante, a sua falsa lentidão… sem dúvida um momento National Geographic.

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Tal como em Sipadan, o mergulho é de sonho, mas aqui fruto da enorme área que abrange o parque, a quantidade de locais de mergulho é “infinita”, ou quase. 🙂 Em Komodo, o Natal chegou mais cedo e passei de dezoito mergulhos para a idade de Cristo – trinta e três. Para além disso, foi aqui que tirei o curso Rescue e de EFR, ficando um passo mais perto de um dia poder fazer o curso de Divemaster e eventualmente tornar-me instrutor de mergulho. 

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A variedade das condições e o que se pode ver é infinito. Existem enormes paredes de coral cheias de formas requintadas e cor, que mais parece que estamos num sonho; há zonas sem qualquer corrente, outras em que as correntes são perfeitas para se fazer drift dive e outras em que as correntes são um verdadeiro “cavalo selvagem” e que nos podem levar a galope até aos infernos; a vida marinha é extraordinária e exuberante: peixe-leão, peixe-pedra, peixe-escorpião, pelo menos duas espécies de tartarugas, várias espécies de tubarões, lagostas, escolas de peixes massivas e incontáveis, napoleões gigantes e claro as formosas mantas… 🙂

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Desta semana guardo vários momentos no coração e na memória. Mas os mais especiais serão sempre: os múltiplos mergulhos em Manta Point, onde tive a oportunidade de ver estes animais de enorme envergadura – algumas com sete metros de diâmetro – a “voar” no oceano e de observar os detalhes dos seus corpos graciosos e os seus olhos curiosos, a menos de trinta centímetros de distância! Mágico! :D; o mergulho em Crystal Rock, onde estive agarrado a uma pequena rocha a ver toda a ação de escolas gigantes de múltiplos peixes e tubarões a caçar, tal como num ecrã gigante! E onde houve um momento em que olhando para o local onde tinha a mão e vendo a enorme quantidade de pequena vida marinha que aí estava, pensei: “Ninguém vos dá atenção, não é verdade? Com tanta ação a acontecer à nossa volta!” e que “O Mundo era um local belo, onde tudo faz sentido!” :D; o enorme susto em Batu Balong onde fui apanhado por uma corrente descendente e arrastado num ápice dos cinco para os dezassete metros de profundidade e onde tive de acalmar-me ao máximo, recuperar o sangue frio e escalar uma parede de coral para sair daquele ambiente hostil e demoníaco – tal como na selva, nas imediações de Belaga, aqui senti-me realmente em perigo de vida  e o espectacular, memorável, divertido e delicioso jantar de Natal onde estive verdadeiramente FELIZ! E partilhei a mesa com dez pessoas maravilhosas, de oito países e quatro continentes diferentes! 😀

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Crónicas Fotografia

Chill Out em Gili Air

De Bali, partimos para as Gili  três pequenas ilhas a Noroeste de Lombok – primeiro de carrinha até à baía de Padang, onde encontrámos uma paisagem “dominada” pelo vulcão Agung, por arrozais e pela costa de águas azuis e límpidas e depois de barco até Gili Air.

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Os dias em “Air” foram tranquilos e na ilha dormi todas as noites confortavelmente num dos dois hammocks do Manu, depois da minha primeira experiência em Sumatra ter sido desconfortável e gelada, em “Air” dormi literalmente no ar. 🙂

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A ilha ficará para sempre recordada como um local de pessoasCécile, Peter e Agus – dona e staff do Gecko cafe/parque de campismo; Cécile “II” – instrutora de mergulho, que conheci no barco para Gili Air; Francis  um rapaz de Singapura, amigo de Manu com quem travei longas conversas sobre a China, vida, cultura, mundo e juntos mergulhámos nas cristalinas águas em redor da ilha; Mark – neozelandês; Amza e Justine – um casal de seres livres; Monika – rapariga alemã, amiga do Manu; Bruno – um rapaz sul-africano e luso-descendente!; Debora – uma rapariga espanhola, muito cómica e espevitada – e Jason  um americano que já conhece as Gili há uns anos e que estava constantemente em estado Zen. 😛

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Durante os dias, fizemos snorkeling e vi bonitos e coloridos corais, muitos peixes, uma tartaruga e um peixe-leão; andei descalço; ri-me e diverti-me muito com o Manu, com a Debora e o corrosivo humor espanhol de ambos; comemos comida deliciosa e sumos divinais no pequeno restaurante Sabah; tive um primeiro e super-sónico encontro com portuguesas; percorri a ilha a pé na companhia do Manu, em todo o seu perímetro – ilha minorca – e observámos águas cristalinas de múltiplos azuis e a beleza do vulcão Agung que se assemelhava a uma pintura suave e delicada e tive longas e espetaculares conversas. Vida tranquila… vida simples… vida feliz! 😀 E foi em Gili Air, que me despedi do Manu, com um abraço apertado. Hasta un día destes Manu, non te olvidare, mi hermano mas viejo! 😀   

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Crónicas Fotografia Reflexões

Pulau Tanahmasa. O Paraíso Escondido!

Na praia fomos recebidos por crianças sorridentes e curiosas, que assim que atracámos começaram logo a desmontar o motor do nosso barco. Fizemos uma pequena caminhada até à “catedral” construída pelo “Luke the builder” e a cada passo dado, fui sentindo um respeito quase “sagrado” pelo local. Entrei lentamente e subi ao primeiro andar, para por a bagagem no quarto. Era simples, mas limpo e sólido e o colchão e a almofada um “luxo”! 🙂 Quando voltei ao piso térreo, disse-lhe o quanto apreciava aquela casa e o respeito que tinha por ele e pela sua criação.

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Em pulau – ilha – Tanahmasa fiquei alguns dias e durante esse tempo, deambulei sem objetivos; vi e tirei algumas fotografias a uma paisagem bela de selva, coqueiros, praias de areia branca, dourada e coral partido, reflexos de céu espelhados em pequenas piscinas naturais, mar de múltiplos azuis e verdes; barcos; canoas e pescadores; senti tranquilidade e sossego; passei por pequenas aldeias, onde cumprimentei muitas pessoas amistosas e curiosas e senti o seu calor humano; fui convidado para discursar num funeral!? – agradeci, mas não o fiz -; visitei escolas, repletas de crianças às quais tirei retratos e senti a sua alegria infantil e joguei voleibol, noutra escola com miúdos um pouco mais velhos e espertalhões, sentindo que a sua pureza infantil, já se tinha ido.

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Para além disso, fui apelidado de turista pela primeira vez por crianças e não gostei nada – depois “caí” em mim e percebi que a conotação negativa estava em mim e não nelas, ao mesmo tempo que percebi que eu era mesmo isso, um turista, quer o aceitasse ou não! E lembrei-me das palavras de Klaus em Xing Ping: “Serás sempre um turista, a menos que estejas na tua terra natal!” -; fiz um pouco de praia e escolhi pequenos corais para guardar; acabei de atualizar o caderno; li o “The Great Gatsby” e apreciei a sua simplicidade lírica, bem como o excelente retrato que traça de uma sociedade, que ainda hoje se mantém atual; ajudei o Luke em pequenos biscates – canalização, montagem de um esquentador… -; fiz snorkeling algumas vezes e vi a beleza do sol a penetrar na água e a espalhar reflexos e cores, a perfeição dos tubos das ondas a serem formados, alguns peixes coloridos, o Luke a pescar com arpão e num dos dias… também tentei pescar com ele, mas não correu muito bem devido a alguns fatores: forte corrente, demasiado próximos, coral raso e ondas, algum cansaço físico, não ter força suficiente para armar o arpão, que mais parecia uma arma para elefantes! 😛 E nesse momento pensei que não pode correr sempre bem, desde que não acabe mal! 😉 E a ilha de Tanahmasa, ficará para sempre guardada no meu coração como um paraíso escondido, um local dentro do mundo, mas que praticamente foi esquecido por este. 😀

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E você caro leitor, já teve a felicidade de estar num local do mundo, praticamente esquecido por este?