Categorias
Fotografia

Uma Geografia. Uma Fotografia: Wulandoni

Wulandoni_Blog

A caminho da aldeia de Wulandoni – pode encontrar mais aqui – percorri uma estrada plana e de topografia suave, observando o mar e algumas praias com areia. Durante o trajeto, encontrei um grupo de jovens nativos que celebravam o novo ano e devido ao abafado calor suei abundantemente, ao ponto de quase sonhar com uma cola-cola fresca, no regresso a Lamalera.

Categorias
Fotografia

Uma Geografia. Uma Fotografia: Tapobali

Tapobali_Blog

A oeste de Lamalera, visitei a aldeia de Tapobali – pode encontrar mais aqui – e durante hora e meia caminhei em constante regime de sobe e desce, estive com crianças e tirei-lhes alguns retratos, senti o sossego, o calor abafado e vi a paisagem envolvente: a verde vegetação, o azul do mar, as enseadas e falésias de rocha vulcânica negra e castanha. Já na igreja de Tapobali, senti-me um autêntico alien ao ser observado por aproximadamente vinte pessoas, que estavam  especadas a olhar para mim. Porém, passado esse momento lost in translation, tudo regressou à normalidade, os pedidos de retratos sucederam-se e aprendi a desejar Bom Ano, na língua indonésia – Salamat Tahun Baru.

Categorias
Fotografia Reflexões

Uma Geografia. Uma Fotografia: Lamalera

Lamalera_Blog

Depois do longo périplo e de uma noite dormida na sonolenta e poeirenta Lewoleba, rumei à aldeia piscatória de Lamalera – pode encontrar mais aqui – um dos únicos locais do nosso planeta onde se podem pescar livremente baleias, tubarões e golfinhos. Na mesma tive a oportunidade de observar “rituais” de desmembramento de cetáceos e desse modo, vi golfinhos a serem cortados osso a osso, víscera a víscera, pedaço a pedaço até não sobrar nada… e a areia ficar coberta de sangue… coberta de morte… coberta de vida; e passei um dia inteiro no mar, a bordo de um barco onde observei o que é a pesca tradicional sem recurso a tecnologia, apenas o homem Vs. natureza… após tudo o que presenciei em Lamalera, fiquei com a certeza que estes pescadores têm uma vida bastante dura, de muito trabalho físico e não consegui encontrar nenhum motivo válido para se parar com a pesca tradicional, nesta aldeia. Os nativos apanham o que conseguem de uma forma justa e limpa, sem destruírem o ecossistema, não existindo extermínios em massa, como acontece por exemplo no civilizadíssimo Japão. Estas pessoas pescam para sobreviver e respeitam o mar com veneração, ou pelo menos sentem-lhe temor e sabem que se abusarem dele, no final não sobrará NADA! A não ser um deserto de ossadas…

Categorias
Reflexões

Reflexões Lamalerianas

Após tudo o que vi em Lamalera, fiquei com a certeza que os pescadores/baleeiros têm uma vida bastante dura, de muito trabalho físico e não encontro nenhum motivo para se parar com a pesca tradicional, nesta vila. NENHUM! Os nativos apanham o que conseguem sem destruírem o ecossistema e não existem extermínios em massa, como acontece por exemplo no civilizadíssimo Japão. Após apanhada a “presa” quase tudo é aproveitado e os desperdícios são mínimos. Estas pessoas pescam para sobreviver e respeitam o mar com veneração, ou pelo menos sentem-lhe temor e sabem que se abusarem dele, no final não sobrará NADA! A não ser um deserto de ossadas e que a partir desse momento, a sua vida estará invariavelmente arruinada e perdida.

Categorias
Crónicas Fotografia

Lamalera. Na Terra dos Pescadores

Ato II – Fishing Day

Às 6.40, como combinado no dia anterior dirigi-me à praia, mas não encontrando ninguém aproveitei para tirar algumas fotografias, principalmente às redes. Quando começaram a aparecer pescadores, o capitão perguntou-me se queria embarcar com eles, eu respondi que sim e depois de uma curta negociação, preparámo-nos para partir.

IMG_3814 (FILEminimizer)       IMG_3825 (FILEminimizer)

IMG_3836 (FILEminimizer)      IMG_3848 (FILEminimizer)

Antes do bote sair da “garagem” e em conjunto, os pescadores fizeram uma curta oração em busca de proteção divina e quando esta terminou, começaram a colocar cilindros de madeira na areia, qual um “carril” empurrando o barco até ao oceano. Às 8.00 estávamos oficialmente de abalada e nos primeiros momentos tirei fotografias aos tripulantes, à paisagem e aguardei que víssemos alguma coisa, dividido se queria que arpoassem ou não o golfinho, mas… durante três horas nada vimos, a ponto de fazer uma mini-soneca. 🙂

IMG_3859 (FILEminimizer)     IMG_3865 (FILEminimizer)

IMG_3871 (FILEminimizer)

Finalmente, às 11.00, vimos golfinhos pela primeira vez e durante uma hora e tal, andámos a “jogar” ao gato e ao rato, com os cetáceos a superiorizarem-se claramente aos humanos. Se estivéssemos num jogo de futebol seria um “15-0”! 😛 A goleada cetácea, pode explicar-se pela falta de pontaria do arpoeiro no momento da verdade e/ou pela extraordinária capacidade dos golfinhos desaparecerem repentinamente, quais fantasmas aquáticos, apenas voltando à superfície, minutos depois e já afastados da embarcação. Comecei então a perceber, que a pesca é um processo looooooooongo e demoraaaaaaaaado, que se baseia na leitura de correntes e da observação da natureza – em modo sequencial: aves – peixes – golfinhos. Neste “jogo” não havia GPS, radares, pistolas ou redes, apenas e de um modo bastante justo, homem Vs. natureza . 🙂

IMG_3872 (FILEminimizer)      IMG_3881 (FILEminimizer)

Entre o meio-dia e as duas, passei o meu momento mais negro do dia. Razões!? Primeira. Estava calor, muuuuuuuouito calor! Segunda. Sentia-me saturado do processo. Terceira. Não estava mentalmente preparado para passar tantas horas no mar, uma vez que queria regressar ainda nesse dia a Lewoleba. Porém, quando aceitei o facto que apenas iria regressar ao final da tarde e que teria de ficar um dia extra em Lamalera, o panorama geral melhorou. Nessa altura, também me consegui proteger um pouco do sol com a minha toalha, criando um mini-toldo e o meu sentimento relativamente à pesca mudou! Se era para ficar tantas horas no mar queria que arpoassem um golfinho! E nesse momento comecei a desejar “sangue” e uma “vitória” para os humanos. Porém…

IMG_3884 (FILEminimizer)       IMG_3899 (FILEminimizer)

IMG_3904 (FILEminimizer)     IMG_3906 (FILEminimizer)

As horas foram passando, loooooooongos momentos sem que se avistasse nada, outros em que havia adrenalina na perseguição, mas na hora da “finalização”… ao lado! Os golfinhos continuaram a dar uma abada monumental ao humanos. A partir das 15.30, começámos a ver mais barcos no mar, o que dificultou ainda mais a pescaria – quanto mais barulho e ruídos, mais “esguios” os golfinhos se tornaram. O único momento em que vi um “golo”, foi quando vi um golfinho já arpoado por outro barco a ir abaixo e acima da superfície bastantes vezes e à medida que a corda ia sendo tensionada, ele foi-se aproximando do barco até ao momento que um pescador saltou do barco com um gancho na mão e nada mais vi, pois o nosso barco afastou-se para outras zonas.

IMG_3911 (FILEminimizer)    IMG_3917 (FILEminimizer)

IMG_3918 (FILEminimizer)   IMG_3916 (FILEminimizer)

IMG_3931 (FILEminimizer)   IMG_3922 (FILEminimizer)

Às 18.00 estávamos finalmente de regresso à praia, dez horas depois da partida, sem nada arpoado! Antes de voltar à guesthouse vi os barcos a serem empurrados de regresso às “garagens” e o único golfinho que foi apanhado, a ser desmembrado osso a osso, víscera a víscera, pedaço a pedaço até não sobrar nada… e a areia ficar coberta de sangue… coberta de morte… coberta de vida.

IMG_3936 (FILEminimizer)     IMG_3942 (FILEminimizer)

IMG_3952 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Fotografia

Lamalera. Na Terra dos Pescadores

Prólogo

Da sonolenta e poeirenta capital, “fugi” a vinte pés com destino a Lamalera, uma pequena aldeia piscatória no sul da ilha e um dos únicos locais – senão o único – do nosso planeta onde se podem pescar livremente baleias, tubarões e golfinhos! Apesar da distância não ser longa e uma vez que a estrada estava em péssimas condições a travessia foi demorada, cerca de quatro horas. Durante o trajeto, aproveitei para tirar fotografias ao ambiente, às pessoas e adormeci embalado pela topografia acidentada, pela estrada esburacada e pela música romântica que toca em quase todos os autocarros na Ásia. Ao fim da tarde estava no meu destino e na Abel Bending Homestay encontrei o meu poiso na Terra dos Pescadores.

IMG_3481 (FILEminimizer)     IMG_3503 (FILEminimizer)IMG_3508 (FILEminimizer)     IMG_3982 (FILEminimizer)


Ato I – Lumba Lumba

No primeiro dia do ano acordei cedo e depois de um saboroso pequeno-almoço – café, pão com doce e bolo -, quando ia a caminho da igreja vi pescadores na praia a desmembrar dois Lumba Lumba, vulgarmente conhecidos entre nós por golfinhos.

IMG_3522 (FILEminimizer)      IMG_3816 (FILEminimizer)

IMG_3534 (FILEminimizer)      IMG_3524 (FILEminimizer)

Instantaneamente troquei o “sagrado” pelo “profano” e fui observar este “ritual”No areal dezenas de pescadores de corpos robustos, secos e extremamente morenos, desossavam com rapidez e eficácia os animais. A carne era vermelha e branca, havendo muitas partes que se assemelhavam à gordura do toucinho e à medida que se amontoavam peças de carne na areia negra, pescadores iam “lava-la” ao mar para uma posterior partilha entre os membros das embarcações que pescaram os golfinhosA areia estava a ser fecundada com sangue e no ar sentia-se um cheiro forte ao mesmo, a carne e a vísceras. Tudo foi aproveitado e no areal nada ficou, nem sequer as ossadas! Apesar do golfinho ser um animal “simpático”, este “ritual” não me chocou, possivelmente por saber que o mesmo, faz parte da cultura, tradição e modo de subsistência/sobrevivência, destas pessoas tão humanas e tão amistosas.

IMG_3538 (FILEminimizer)      IMG_3545 (FILEminimizer)

IMG_3611 (FILEminimizer)      IMG_3650 (FILEminimizer)

IMG_3574 (FILEminimizer) IMG_3652 (FILEminimizer) IMG_3633 (FILEminimizer)

IMG_3665 (FILEminimizer)     IMG_3668 (FILEminimizer)

IMG_3692 (FILEminimizer)      IMG_3698 (FILEminimizer)

Quando me estava a despedir dos pescadores fui convidado a acompanhá-los no dia seguinte, e a caminho da aldeia de Tapobali  direção oeste de Lamalera – passei pela igreja da vila. Durante hora e meia caminhei em estilo sobe e desce, estive com crianças e tirei-lhes alguns retratos, senti o sossego, o calor abafado e vi a paisagem envolvente: a vegetação, o mar, as enseadas e falésias de rocha vulcânica negra e castanha. Quando cheguei à igreja de Tapobali senti-me um alien a ser observado, pois estavam cerca de vinte pessoas paradas a olhar para mim, porém passado esse momento “estranho” tudo voltou à normalidade, os pedidos de retratos sucederam-se e foi aí que aprendi a desejar Bom Ano, na língua indonésia – Salamat Tahun Baru. 🙂

IMG_3707 (FILEminimizer)      IMG_3712 (FILEminimizer)

IMG_3719 (FILEminimizer)      IMG_3721 (FILEminimizer)

IMG_3723 (FILEminimizer)      IMG_3736 (FILEminimizer)

IMG_3749 (FILEminimizer)     IMG_3751 (FILEminimizer)

De tarde fui até à aldeia de Wulandoni, desta feita parti na direção este. Ao contrário da manhã o caminho era muito mais plano e a topografia suave, existiam algumas praias com areia e o mar esteve sempre visível. Durante o trajeto e devido ao calor, suei, suei, suei e no regresso a Lamalera quase que sonhei com uma cola-cola fresca. 🙂 O primeiro dia do ano foi uma elipse perfeita, pois se começou com golfinhos a serem desossados na praia, acabou com estes no prato ao jantar – a carne era vermelha, um pouco rija, de sabor forte… não foi um manjar inesquecível, mas ficou para a posteridade.

IMG_3772 (FILEminimizer)IMG_3784 (FILEminimizer)      IMG_3791 (FILEminimizer)

IMG_3793 (FILEminimizer)      IMG_3799 (FILEminimizer)