Categorias
Crónicas Fotografia Reflexões

Tiger Kingdom

A dez quilómetros de Chiang Mai, eu e o Kristian começámos a avistar umas placas a assinalar Tiger Kingdom e antes de chegarmos à entrada estivemos a conversar durante uns minutos, para decidir se entrávamos ou não. Eu disse-lhe que pela descrição de Max  – um alemão que conhecemos em Pak Beng  não tinha muita vontade de ir, mas caso fosse, era para ver o local com os meus olhos e depois relatar a minha experiência. O Kristian por sua vez disse que tinha curiosidade de ver os pequenos tigres, pois uma amiga tinha-lhe relatado maravilhas desse encontro.

DSCN4229 (FILEminimizer)     IMG_9439 (FILEminimizer)

Depois de esgrimidos os nossos argumentos, dirigimo-nos à entrada onde verificámos que para entrar na jaula dos mais pequenos tínhamos de pagar o bilhete mais caro, mas como entrar nas jaulas dos maiores e fazer-nos passar por hércules” não era o nosso objetivo, fomos visitar as crias sem nos importarmos com essa diferença – que diga-se em abono da verdade não era assim tão elevada. No entanto antes de entrarmos tivemos de assinar uns papéis de termos de responsabilidade e seguros. Já na zona dos benjamins tivemos de lavar as mãos, descalçar-nos e ler uma série de regras e avisos que devíamos cumprir enquanto, estivéssemos em contacto com eles, por exemplo: podíamos tocar-lhes, mas não na cabeça; não devíamos brincar com eles e “atiçar” o seu lado mais selvagem; fotografias sem flash.

IMG_9448 (FILEminimizer)     IMG_9437 (FILEminimizer)

A experiência foi engraçada. As pequenas crias são de facto adoráveis e as suas patas felpudas e gordas um must! 🙂 É giro ver como mesmo as crias têm patas tão poderosas e como o seu instinto já está vivo mas sem grande controlo. Nos quinze, vinte minutos que estivemos mais próximos deles deu para sentir a patita felpuda e “gorda”; vê-los brincar/praticar com os seus pares – mordiscar orelhas, ferrar os dentes, agitar as patas, engalfinharem-se uns nos outros de forma caótica e desordenada; observar o seu belo e lustroso pêlo e os seus olhos vivos. Apenas houve um momento que me deixou com uma sensação estranha e não muito confortável e aconteceu quando observei os olhos de uma cria enquanto ela estava no limbo entre dormir e acordar. Os seus olhos pareciam ausentes, baços e vazios como se a cria estivesse perdido toda a sua alma e vitalidade. Foi estranho! :/ Mas como foi caso único penso, quero pensar que a cria estava apenas a dormitar e que não estava drogada!

IMG_9434 (FILEminimizer)

Quando saímos da mini-jaula voltámos a calçar-nos e a lavar as mãos e seguimos pelo reino dos tigres apenas observando os tigres maiores do exterior das jaulas. Alguns deles pelo seu comportamento – andar repetidamente ao longo da jaula – apresentavam sinais claros de uma doença mental típica de espaços confinados; outros tinham os olhos vivos e brilhantes e estavam tranquilos, e outros brincavam com um tronco de aproximadamente três metros de comprimento, dentro de água. 🙂

DSCN4261 (FILEminimizer)     IMG_9520 (FILEminimizer)

Os tigres são animais com uma envergadura impressionante e uma presença poderosa e massiva, impondo na mesma dose e proporção, respeito e admiração. Acredito que ver uma criatura destas no seu habitat seja capaz de gerar emoções suficientes capaz de ressuscitar um morto, vê-los assim em cativeiro a servir de adereços para “hércules e herculinas” humanas provarem a sua “bravura e coragem”, não me agrada, fascina, atrai ou tem qualquer significado. Aliás, até significa mas no pólo negativo, porque está-se a reduzir um animal magnífico a um momento egocêntrico e de puro exibicionismo. 😦

DSCN4260 (FILEminimizer)

E para mim o relato do Reinos dos Tigres acaba aqui, porque a questão dominante de: os tigres estão ou não drogados? É complexa e de difícil ajuizamento. Houve alturas que pensei que sim, outras que não e no final saí sem certezas relativamente à questão. O que posso afirmar é que não gostei da “energia/vibração” do local, mas não me arrependo de lá ter ido, pois nem sempre uma pessoa paga e obtém uma boa experiência. Paguei, vi com os meus olhos e senti a atmosfera do local e isso foi suficiente para fazer valer a pena a ida ao Reino dos Tigres e dos Hércules.

IMG_9518 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Fotografia

Aranhas & Silver Beach

Apesar do dia anterior ter terminado com alguns excessos, este começou com uma caminhada saudável em Guantauling Mountain, nas imediações de Beihai onde o mais impressionante foram as aranhas, o seu tamanho e as suas magníficas teias. 🙂

IMG_5782 (FILEminimizer)      IMG_5783 (FILEminimizer)

Depois do passeio matinal, voltei ao centro da cidade (hostel) para trocar de indumentária e parti para Silver beach. E o que se pode dizer, acerca da mesma? Que não desiludiu, bem pelo contrário! 🙂 O seu areal era vastíssimo e de cor acinzentada (silver), a água estava de tal modo quente, que mais parecia uma sopa e fruto dum calor dos diabos fui cozendo ao longo da tarde. Para além disso, ainda deu para conhecer uns pescadores com os quais petisquei, bebi uma “zurrapinha” e para terminar em beleza, vi um final de tarde mágico proporcionado pelo pôr do sol, cor de sangue e por umas nuvens fabulosas que corriam no céu. Foi um dia muito agradável e o complemento ideal do dia anterior e só posso dizer: ”Saio de Behai de papo e alma, cheios!”. 😀

IMG_5872 (FILEminimizer)       IMG_5889 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Fotografia

WulingYuan Floresta de Pedra

Ato V – Reencontro na Montanha

O último dia começou quando apanhei o autocarro e fui largado exactamente no mesmo local onde tinha chegado na tarde/noite anterior e logo no início do trilho, a primeira ponte estava guardada por macacos que felizmente não me arreliaram. 🙂 Desta vez o caminho foi feito em sentido ascendente, sendo por isso mais duro, mas ao mesmo tempo mais relaxado, pois já não havia a pressão do tempo associada e durante a ascensão fui observando com atenção o verde da “selva” e os picos que me rodeavam.

IMG_8035 (FILEminimizer)A ascensão durou hora e meia e quando cheguei ao topo dei de caras com a chinesa do dia anterior. 🙂 Quando nos reencontrámos, rimo-nos da coincidência e ficámos a conversar um pouco. Vim a saber que ela era de Suzhou e ao trocarmos os e-mails ficou combinado encontrarmo-nos lá e que ela seria minha cicerone na cidade. 😉

IMG_8040 (FILEminimizer)     IMG_8058 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Fotografia O 1º Dia

WulingYuan Floresta de Pedra

Ato II – Macacos e Desvios

Antes de começar a andar, tomei o pequeno almoço – uma lata de feijões doces que tinha sobrado da viagem pelo Yangtze  e segui pelo trilho marcado onde fui penetrando na escura floresta. À medida que fui andando, comecei a ver algumas pessoas – mas nada de aflitivo, segundo os padrões chineses – e finalmente alguns picos e não pequenas amostras, como até esse momento. Ah! E numa zona específica, macacos! Felizmente, bem mais calmos que os pequenos demónios de Emeishan. 🙂

IMG_7555 (FILEminimizer)      IMG_7604 (FILEminimizer)

A certa altura percebi que me enganara no caminho, pois por sugestão da rapariga do hostel deveria ter cortado por um trilho mais antigo. Voltei então atrás e na zona dos macacos – que felizmente  não me incomodaram – encontrei a passagem que procurava. E a partir daí… WulingYuan mudou de tom e subiu de interesse, pelo menos durante três horas e meia. A primeira parte deste trilho levou-me em rota ascendente, sempre a subir, sem banquinhos, sem comes e bebes, sem pessoas e com uma paisagem envolvente verde e selvagem, quase que me “cheirava” a selva! 😀

IMG_7645 (FILEminimizer)      IMG_7657 (FILEminimizer)

Quando parei a ascensão, vi pela primeira vez os picos bastante próximos e antes de subir ao topo de um “monte”, cruzei a ponte do paraíso e não posso negar que no início, estava com um bocadinho de “cagunfa”. 😛 Depois desse momento e quando terminei a pequena ascensão de um “monte”, vi finalmente os picos ao nível do meu olhar ou de cima. A vista era magnífica e à medida que “circum-naveguei” o topo deparei-me com um mar, um oceano de picos que emergiam do solo. Belo! 😉

IMG_7671 (FILEminimizer)      IMG_7723 (FILEminimizer)

A ausência de pessoas era total e findado o desvio, voltei ao trilho que entretanto mudou de inclinação. Em rota descendente cheguei às proximidades da entrada Sul do parque, por volta das 16.00 e uma vez que ainda tinha tempo, parti para a ascensão do monte na zona de Hungshi. Enquanto trepava degraus só via pessoas a descer – a grande maioria dos visitantes fazem a ascensão com recurso ao teleférico e depois descem a pé – e na parte final da ascensão estava bastante cansado uma vez que estava com um ritmo demolidor – a certa altura da ascensão encontrei umas chinesas que me informaram que ainda estava longe do topo – e quando cheguei ao topo suava em bica. De qualquer modo, a visão do topo compensou o esforço físico e foi recompensa mais que suficiente para me deixar animado e recarregar as baterias para a parte final do trilho. 🙂 Desse modo e uma vez que o tempo estava perfeitamente controlado, o caminho em sentido descendente foi bastante mais pacífico e tranquilo e às 18.00 já estava de saída do parque e dentro de um mini-bus no qual regressei à povoação de WulingYuan.

IMG_7750 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Fotografia

Emeishan. Montanha Budista

Ato II – A Descida e Os Macacos

Antes do nascer do sol, acordei e dirigi-me novamente ao Jin Ding – “quem corre por gosto não cansa” – mas a tentativa de ver nascer o astro rei foi novamente frustrada pelo nevoeiro. Não tão intenso como no dia anterior, pois desta feita era possível vislumbrar a enorme estátua de Samantabhadra no topo, mas mesmo assim intenso. De qualquer modo fiquei feliz por observar que as bandeiras colocadas no dia anterior, apesar de congeladas ainda estavam no mesmo local. 🙂

Ao amanhecer

             Detalhe de uma porta

Por volta das 8.00 começámos a descida num bom ritmo, uma vez que durante a tarde tínhamos de apanhar um autocarro para regressar a Chengdu. Às 10.00 já estávamos no “Elephant Bathing Pool” e depois de um engano no caminho que nos levou para uma rota bastante mais longa, tivemos um infeliz encontro com uma das famosas tribos de macacos de Emeishan. :/

Nesse encontro, o Li foi assaltado pelo “rei” que reclamou posse imediata da sua mochila e de todo o seu conteúdo. Durante meia hora assistimos a um espectáculo de destruição e agressividade! :/ E se ao observar as traquinices dos pequenos símios, não pude deixar de os olhar com alguma ternura, o mesmo não posso dizer em relação ao “rei”! Uma vez que em mais de uma ocasião, senti raiva pelo macaco e o meu instinto era claro, apredejá-lo ou dar-lhe uma “coronhada” com um pau! Felizmente para nós, passado esse tempo – que pareceu interminável – o “rei” fartou-se e de todos os itens destruídos, felizmente a máquina fotográfica, o dinheiro e os documentos do Li passaram incólumes.

      

Sem nada a fazer, continuámos o nosso caminho em direção ao Mosteiro do Pico Mágico (1752 m) e ao Venerável Terraço das Árvores (1120 m). Ao longo do percurso observámos a riqueza natural da montanha e dei graças ao engano que nos fez continuar a descobrir toda a beleza da mesma. Antes de chegarmos ao Pavilhão de Qing Yin (710 m) ainda tivemos mais um “date” com macacos, tentando passar por eles sem lhes dar muita importância, algo do género “vocês aí, nós aqui”, mas mesmo assim um macaquito ainda me saltou para as costas/pescoço quando passei por ele. Uns metros mais à frente, finalmente, percebemos que o problema em Emeishan não são os macacos mas as pessoas que lidam com estes: as que tiram fotografias com eles como adornos; as que os alimentam; as que fazem deles um negócio,  habituando-os à presença humana da pior maneira possível. Resultado? Os macacos tornam-se uns autênticos demónios! :/

Serpente      Flores no mosteiro

Já na fase final da descida encontrámos a parte mais descaracterizada e feia da montanha. A montanha humana e a montanha como negócio e comprovámos que se a ascensão for realizada a partir de Wuxiangang (portão mais distante do Jing Ding) é muito mais dura e difícil não sendo possível realizá-la apenas num dia, uma vez que a nossa descida – trinta e quatro quilómetros – foi realizada em sete horas. Quando saímos da montanha, apanhámos mesmo “à pele” um autocarro que estava de partida para Baoguo, a vila do Teddy Bear hotel e onde deixámos os nossos “monstrinhos”.

Categorias
Crónicas Fotografia Reflexões

Pandas, os Adjectiváveis. Estupidez, a Axiomática.

Para chegar ao centro de proteção dos pandas foi-me necessário apanhar dois autocarros. Nada de muito complicado, a não ser que…o vosso hostel vos dê uma informação errada! Assim, no jardim zoológico de Chengdu – local onde tinha de apanhar o segundo autocarro – andei a “patinar” durante uns minutos até me valerem: a boa vontade nativa, um papel e uma caneta. 🙂

         

Relativamente ao centro de proteção, o local é bastante agradável. Tem um lago com peixes e patos, caminhos verdes e tranquilos, flores, pavões e claro: Pandas! Gordos, peludos, pachorrentos, fofos, traquinas, engraçados, pretos e brancos, comilões, dorminhocos. Principalmente as crias. Um must!!! 😀

      
       

Para quem nunca contactou com eles, este é de facto o local certo, uma vez que é pedagógico e oferece-nos uma excelente oportunidade de aprendizagem.  A experiência foi por isso diferente e engraçada e só não achei muita piada aos rugidos que alguns chineses faziam para os chamar! Esses sim, uns autênticos animaizinhos! :/ Mas vamos ser justos: A estupidez é axiomática e é uma das poucas constantes desta vida, estando presente independemente do estrato social, da educação ou do país.