Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Beihai

Beihai_BlogNa cidade de Beihai – pode encontrar mais aqui – conheci pessoas extraordinárias que me proporcionaram um dos dias e uma das noites mais memoráveis de todo o país. E como se isso não bastasse, deparei-me com graaaaaaandes aranhas e destilei na bonita e escaldante Praia da prata.

Em trânsito: Beihai – Jinghong. Interminável

A viagem que ligou Beihai a Jinghong começou às 11.50 e terminou no dia seguinte às 17.30, com muito pouco de espera entre as ligações. Em traços gerais, a viagem decorreu em três partes: Beihai Nanning e Nanning – Kunming (comboios) e Kunming Jinghong (autocarro). Durante todo este tempo fui escrevendo no caderno, comi toda a comida que tinha comigo, dormi, comecei a ler e a filtrar informação sobre o meu novo destino – Laos  e observei a paisagem predominantemente rural – vilas minúsculas, plantações, bananeiras, cursos de água barrentos, colinas verdes, vegetação luxuriante e super-densa, a ponto de pensar se não estaria a ver, a selva. 🙂

Aranhas & Silver Beach

Apesar do dia anterior ter terminado com alguns excessos, este começou com uma caminhada saudável em Guantauling Mountain, nas imediações de Beihai onde o mais impressionante foram as aranhas, o seu tamanho e as suas magníficas teias. 🙂

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Depois do passeio matinal, voltei ao centro da cidade (hostel) para trocar de indumentária e parti para Silver beach. E o que se pode dizer, acerca da mesma? Que não desiludiu, bem pelo contrário! 🙂 O seu areal era vastíssimo e de cor acinzentada (silver), a água estava de tal modo quente, que mais parecia uma sopa e fruto dum calor dos diabos fui cozendo ao longo da tarde. Para além disso, ainda deu para conhecer uns pescadores com os quais petisquei, bebi uma “zurrapinha” e para terminar em beleza, vi um final de tarde mágico proporcionado pelo pôr do sol, cor de sangue e por umas nuvens fabulosas que corriam no céu. Foi um dia muito agradável e o complemento ideal do dia anterior e só posso dizer: ”Saio de Behai de papo e alma, cheios!”. 😀

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Noite de Festa

Era fim de tarde quando abandonámos o local e montados nas scooters – desta feita, fui à boleia com um amigo deles – partimos até às imediações de HaiJiao Road onde comprámos os ingredientes para uma mariscada monumental! 🙂 Daí seguimos para uma zona de restaurantes e num deles, eles entregaram tudo o que compraram e ficámos à espera da comida! Nunca tinha estado num restaurante assim, um local que recebe os ingredientes comprados pelos clientes e que apenas trata do processo da confeção. O jantar foi soberbo: lingueirões, camarão frito, ostras, lulas, carne com pimento verde, caranguejos e um peixe fresquíssimo, tudo regado com cerveja a rodos. 😀 O ambiente era espetacular, a temperatura amena, a boa disposição imperava, fotografias eram tiradas! Senti-me feliz, feliz, FELIZ e um enorme sortudo e privilegiadoEstava completamente inebriado de felicidade e esta foi para mim a refeição na China! 😀

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Depois desta jantarada épica e surreal, montámos os nossos corcéis de metal e voltámos ao prédio da KTV. Porém, fomos para outro piso e inicialmente não consegui perceber onde estava, mas depois e com alguma concentração lá me “situei” e percebi que estava num bar de karaoke. Mas este não era um bar qualquer, era um bar de luxo onde havia múltiplas salas privadas, com comida e bebida à descrição! 🙂

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Fomos andando ao longo do corredor e quando chegámos ao número 12, rodámos a maçaneta, abrimos a porta e entrámos na sala. No início só lá estava eu, o meu “casal de salvadores” e um amigo deles e que me deu boleia, Li Yang Zang e com os três, aprendi a dizer amigo em chinês, PonYu. 🙂 Entretanto começámos a escolher músicas e começaram a aparecer amigos deles… e mais… e mais! 😛 Quando me decidi a  contá-los, já éramos dez pessoas. O tempo foi passando, começaram a cantar, a fumar, a beber, a jogar para beber e o ambiente foi aquecendo. A cerveja inicial esgotou-se, vieram mais dois cestos de cerveja que também se esgotaram, veio comida e mais bebida e a sala 12 passou literalmente para a fase da “loucura”: T-shirts abertas e peitos de galo à mostra, posições de sumo e de kung-fu, ruído a galopar, pessoas em cima de bancos corridos… enfim um clima de festa brava! 😉

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Era uma e tal quando os meus amigos decidiram que já chegava de loucura e me foram pôr ao hostel, novamente os três na scooter, mas não sem antes pararmos para comer mais duas travessas de amêijoas, numa tasca de rua. Quando chegámos perto do hostel “invisível” ainda andei a correr rua acima e rua abaixo para encontrá-lo e para entrar tive de acordar Wang – o dono – porque o portão já estava fechado. Na despedida demos um grande e sentido abraço e agradeci-lhes por aquele dia tão memorável. Na China é assim! É tudo à GRANDE… 😀

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P.S. – Apenas a título de curiosidade, durante a noite as músicas que cantei, foram: Sting (I´m a portuguese man in Behai); Shakira (Te dejo Lisbona); Sinatra (Fly me to the moon); Lady Gaga (Bad Romance e Poker Face); Ricky Martin (Living la Vida Loca); e Katy Perry (I kiss the girl). Muito eclético, portanto! 😛

Dia de Festa

O dia começou com o meu personal Jesus a conduzir-me até Guizhou Lu, onde o dono do hostel me foi buscar e antes de nos despedirmos, dei-lhe um grande abraço e pedi-lhe o número de telemóvel. 😀 Depois de fazer o check-in, estive a falar sobre Beihai e recebi muita informação útil sobre a cidade – o que visitar, como me deslocar, onde comer… e antes de sair do hostel, pedi ao dono do hostel para ligar ao meu casal de “salvadores”, pois queria voltar a encontrar-me com eles. 🙂 Ficou então combinado que nos encontraríamos às 15.00 em frente ao hotel Shangri-la e como ainda tinha tempo aproveitei para visitar algumas zonas da cidade.

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Comecei então pela Beibuwan Square, coração da cidade moderna e onde se encontra toda uma profusão de tuk-tuk´s, scooters e motas que a qualquer momento abrandam e nos “oferecem” os seus serviços. 😛 Sempre rumo a norte, percorri a Sichuan Lu até encontrar a Zhuhaixi Lu e a Zhunhaidong Lu que são por sua vez o coração da zona antiga de Beihai – muito semelhante à de Haikou. Porém aqui, as ruas estão fechadas ao trânsito e os negócios nos pisos térreos são turísticos, existindo por isso uma falta de realismo que abundava em Haikou. De qualquer modo as fachadas semi-degradadas são lindíssimas, em abundante número e revelam todo o charme do estilo Nanyang Qilou  mescla de arquitectura europeia colonial e elementos chineses. 🙂

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Quando cheguei ao hotel Shangri-la o relógio marcava 15.05 e aguardei até às 15.30, hora em que eles apareceram. Seguimos então, para o seu mini-apartamento e aí mostrei-lhes fotografias de Sanya e Beihai, bebi uma deliciosa Tang Shui  água com mel – e aprendi finalmente os seus nomes: Li Jing Lei e Fu Xue Rui. De scooter (os três! 😛 ) partimos para o prédio da KTV, onde fomos até a um clube de snooker e aí tive a oportunidade de “jogar”, quer dizer, mandar umas tacadas numa mesa de snooker profissional  os quatro metros de comprimento, fizeram-me sentir a imponência da mesa e a extraordinária dificuldade do jogo. 🙂 Depois disso o Li, foi jogar com um amigo e como eles jogavam com classe e havia dinheiro envolvido, não me entediei nada e durante duas horas, observei as posições dos braços, ante-braços e dedos, a concentração espelhada no olhar e de como uma bola de sorte pode mudar o rumo de uma partida e decidir o vencedor da mesma.

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Em trânsito: Haikou – Beihai. Atribulações e Bondade

A viagem para Beihai correu de forma atribulada, primeiro de tudo o autocarro que deveria ter partido às 15.30, partiu às 19.30, “apenas” quatro horitas de atraso! 😛 De qualquer modo estou a ser injusto, pois às 16.30 avisaram-nos desta mudança. Merci! 🙂 Durante esse tempo, coloquei músicas no telemóvel, escrevi no caderno e conheci um casal de chineses que se preocuparam comigo e que mesmo sem falarem inglês me ajudaram durante a viagem. 🙂

Quando finalmente apanhámos o autocarro… fizemos uma viagem de cinco minutos, até ao porto onde fomos largado e aí tivemos que esperar, desta feita pelo ferry até às 21.00. Durante a travessia que durou aproximadamente duas horas aproveitei para comer com eles: dois ovos, gelatinas, sementes para mascar, frutos secos, uma maçaroca de milho e uma perna de frango do KFC. 🙂 Às 23.00 e já na China continental entrámos finalmente no autocarro e eu preparei-me para dormir até ao amanhecer, porém… Nova surpresa, o “amanhecer” foi às 3.15 e nessa altura fomos largados em Beihai! Ups! :/

O que valeu foi que eles, bondosamente, não me abandonaram, meteram-se num tuk-tuk comigo e pediram ao motorista para nos conduzir até ao hostel. O problema é que o mesmo… era numa rua “quaternária” 😛 e depois de meia hora às voltas e de um telefonema não atendido, nada de hostel! Por volta das 4.00, voltaram a revelar toda a sua bondade e disseram – linguagem gestual – para não me preocupar, pois ficaria a dormir em casa deles. 😀

Antes de partirmos dei dinheiro ao nosso motorista, pedi-lhe desculpa pelo sucedido e arrancámos a todo o gás até ao KFC mais próximo. Quando aí chegámos, o rapaz saltou primeiro do tuk-tuk e depois um separador central e em menos de nada estava de volta com um saco de papel nas mãos, sorridente e triunfante. Na chegada à casa deles comemos cada um, um belo hambúrguer e depois de um banho, dormimos o merecido sono dos heróis. 😀