Categorias
Crónicas Fotografia

Pontianak. Dia de Sorte na Linha do Equador

Sem grandes demoras e depois de comprar o bilhete, parti para Pontianak às 6.50 já com o contacto de Awi (um nativo que Sonja conheceu, aquando da sua passagem pela cidade). Na chegada, recolhi a bagagem, tentei ligar-lhe (sem sucesso) e comecei a andar na direção de Pontianak, para evitar os taxistas locais. Nesse momento, tive um momento de sorte, pois apanhei boleia de Surat (um senhor que trabalhava como engenheiro, na manutenção de aviões) para o centro. Para além dessa boleia, Surat ajudou-me a encontrar um hotel barato (Rahayu) e levou-me a tomar o pequeno-almoço no Hajis (um local famoso da cidade, principalmente pelo seu Rujak Juhi). 😀 Na despedida, deixou-me no cais turístico, com a indicação do preço a pagar ao barqueiro.

IMG_5887 (FILEminimizer)      IMG_5889 (FILEminimizer)

Na travessia, a minha boa sorte continuou, pois conheci uma rapariga (Theresia) e as suas amigas, com quem fui até ao Tugu Khatulistiwa  (monumento do local, onde fica a linha do equador) sob o signo da sua “proteção”. 🙂 No regresso ao centro, encontrei-me com Awi, com que visitei uma casa tradicional da tribo Dayak, falei sobre Kalimantan (comecei a perceber, que o meu plano de cruzar a ilha de costa a costa, era demasiado ambicioso), almocei um Gado Gado, absolutamente divinal e combinei um reencontro para jantar.

IMG_5892 (FILEminimizer)       IMG_5898 (FILEminimizer)

IMG_5910 (FILEminimizer)       IMG_5915 (FILEminimizer)

Quando voltei ao hotel, fiz o check-in e fiquei agradavelmente surpreendido com o quarto, pois este era amplo e arejado. Naquela tarde tranquila, quando procurava um local com internet, novamente a sorte a ajudar. Conheci MS., um simpático rapaz que me deixou usar a sede do seu partido político e que se prontificou a ajudar-me a apanhar o autocarro para Singkwang (nessa altura, graças novamente a Sonja já tinha o contacto de Supriadi, um professor de inglês que vivia nessa cidade! 🙂 ) durante a madrugada (ficou combinado que iria ter comigo ao hotel, dormiria lá e depois me levaria de mota até ao local da paragem).

IMG_5921 (FILEminimizer)      IMG_5922 (FILEminimizer)

Entretanto, como combinado fui jantar com o Awi e fiquei com a certeza que a cidade de Pontianak, pode não ser um destino turístico, mas comida deliciosa? Essa existe em abundância! 😀 Para além da sua gastronomia, senti que esta, é uma cidade muito viva e cheia de movimento. Quando regressei ao hotel, apesar de anteriormente não ter “sentido” nada de estranho relativamente ao MS., comecei a pensar na disponibilidade que ele manifestou tão rapidamente. Assim, para me precaver de eventuais problemas, falei com a recepcionista para quando ele chegasse, ela lhe pedir a identificação. No serão, dormi um pouco e ao falar com ele percebi tudo, MS. era gay e queria “algo mais” do que amizade. Eu agradeci-lhe a disponibilidade, a coragem demonstrada, mas disse que não podia “ajudá-lo” nesse campo e depois de ele me dar boleia, despedimo-nos com um sorriso envergonhado.

IMG_5927 (FILEminimizer)

IMG_5928 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Díli – ? Nova Odisseia no Oriente

Depois da festa de despedida (Domingo), a noite acabou comigo e com o Gregório a esperar no “terminal” de Tasitalu por um autocarro da 1.00 às 5.00, hora em que finalmente o autocarro/carrinha se dignou a aparecer. 😛 A viagem até Batugade, nas imediações da fronteira demorou cinco horas e foi um martírio, pois para além do “bólide” estar apinhadíssimo, a estrada estava em péssimas condições (nada de novo, em Timor Leste) e eu desconhecia o local onde tinha de sair. Já depois de “desembarcar”, enquanto andava até à fronteira, recordava a data de nascimento errada no visto e pensava que se tivesse que voltar a Díli por causa desse “detalhe”, iria desejar “cortar a cabeça” a alguém! 😛

No controlo de passaporte, no lado da fronteira Timorense tudo foi muito rápido, no lado Indonésio um pouco mais demorado (vários agentes militares e da alfândega) mas simultaneamente todos os intervenientes foram muito simpáticos comigo. Nesse altura, ao olhar para eles, lembrei-me do que aconteceu em 1999 e houve um sentimento estranho ao pensar, se estas pessoas tinham estado envolvidas. :/ Depois dos múltiplos controlos, entrei oficialmente e pela segunda vez no maior país/arquipélago do nosso planeta. 🙂 Já no interior de um mikrolet para Atambua, falei em português com indonésios (o que foi curioso) e passados apenas quarenta minutos, estava a ser largado no centro desta cidade, cinzenta e desinteressante. Aí, não me demorei muito, levantei dinheiro, comprei “mantimentos”, uma capa para a chuva e apanhei um autocarro para a capital de Timor Oeste, Kupang.

Quando cheguei ao destino (22.30 de segunda feira), tive algumas dificuldades de comunicação com o meu condutor (que não percebeu que queria ser deixado numa guesthouse barata). Apesar de tudo o Senhor Félix, revelou-se muito generoso pois deixou-me dormir no interior do autocarro e chamou um ojek (Senhor Nando) com quem combinei partir para o aeroporto nessa madrugada. 🙂 Às 4.30, no meio da escuridão e de uma chuva miudinha, já estava a caminho do aeroporto e quando lá cheguei comprei um bilhete para Bali via Maumerè (6.30). O voo sobre a ilha das Flores e a sua topografia “louca”, revelou-me uma nova visão com uma beleza renovada e senti que a chegada a Bali, passados dois meses, via aérea e vindo de Leste foi como o fechar de um círculo. 🙂

Na chegada à ilha do Hinduísmo, desta vez sem a companhia do meu amigo Manu, o meu primeiro passo foi apanhar um táxi para a Fuji Professional (nome da loja de fotografia, que me foi dado em Díli), porém quando lá cheguei… um balde de água gelada! Assistência técnica e reparações, só em Jakarta! 😦 Desilusão, espelhada na minha face e a “oferta” imediata de uma objetiva por duzentos dólares. Saí da loja um pouco desanimado, mas decidido a ver mais algumas objetivas/preços sem me precipitar demasiado, ao mesmo tempo ponderava seriamente a hipótese de seguir para Jakarta. No meio dos meus pensamentos, comprei um kit limpeza para ver os resultados, mas… 0! Quando andava neste processo físico e mental, encontrei uma agência de viagens que vendia bilhetes de autocarro para a capital e foi assim que decidi, mudar a minha rota e seguir para a ilha de Java 

A viagem que esteve para começar às 15.00 na estação de Ubung, atrasou-se, apenas se iniciando às 19.00 (terça feira) e quando parti para mais uma odisseia nas terras do Oriente, apesar de um pouco cansado, estava de espírito animado. Da maratona para Jakarta, não há muito a dizer, a travessia fez-se pelo norte da ilha de Java, através de estradas em más condições, arrozais, campos de cultivo, muitas vilas e cidades caóticas, em que à semelhança de alguns locais de Sumatra e da Malásia, as construções mais bonitas são as mesquitas – refletindo a importância que a religião/espiritualidade tem na cultura asiática; apanhámos múltiplos engarrafamentos; consegui atualizar o “diário de bordo”; os filmes que passaram eram de pancadaria e sangue a rodos… 😛

À capital cheguei às 12.30 de quinta feira, depois de mais de quarenta horas de viagem consecutivas e se somar as noites passadas em Timor (tanto a de espera em Díli, como a de Kupang), depois de quatro dias seguidos a dormir em autocarros… De Díli para Jakarta, a odisseia derradeira…

Categorias
Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Bukittinggi – Kuta. A Beleza do Improviso

Depois das emoções vividas no Gunung Marapi ficámos a repousar durante o dia em Bukittinggi, até porque tudo indicava que no dia seguinte nos iríamos separar. A mim, esperava-me um longuíssima viagem para a vila de Kersik Tua nas imediações do vulcão mais alto da Indonésia, o Gunung Kerinci  3805 m – e o Manu queria ir até à ilha de Siberut, no arquípelago das Mentawai. Porém nesse dia, fiquei a saber que tinha havido um terremoto nas imediações da zona do vulcão e o meu plano ruiu literalmente, uma vez que tentar a ascensão poderia revelar-se perigoso, devido ao risco de erupção.

Às 7.00, acordei a pensar nas minhas opções e cheguei à conclusão que podia voar de Padang diretamente para Jakarta – ilha de Java – ou alternativamente ir até ao lago Kerinci e voar de Jambi para o mesmo destino. A verdade é que ao pequeno-almoço ao falar com o Manu, surgiu uma terceira opção, partir com ele para a ilha de Siberut, porém e antes de sairmos da guesthouse, recebemos a informação que apenas teríamos barco dali a dois dias. Plano afundado! 😦 Sem a possibilidade de ir a Siberut, o Manu decidiu que iria para Bali e eu fiquei de o acompanhar até ao aeroporto de Padang.

A verdade é que durante a viagem, comecei a pensar, a pensar… e quanto mais pensava mais motivos válidos encontrava para ir para Bali com o Manu! Assim que tive certezas, transmiti-lhe a minha ideia e ele ficou radiante por continuarmos juntos durante mais uns dias. 😀 Já no aeroporto comprámos os nossos bilhetes e aguardámos durante umas horas pelo embarque. Porém e antes de o fazermos, tivemos de pagar uma taxa que o governo da Indonésia cobra a todos os passageiros para voar – voos nacionais ou internacionais! – o denominado “assalto” legal!

Para chegar à ilha de Bali, tivemos de efetuar dois voos, fazendo escala em Jakarta e se do primeiro não há referências especiais, o segundo permitiu-me ver o radioso despontar do dia, campos verdes – ficando com a ideia que a ilha de Java é um território bastante fértil – montanhas e florestas na névoa, o impressionante cone do vulcão Bromo rodeado de nuvens, um mar de nuvens brancas e douradas, montes azul petróleo, o céu a ficar ligeiramente rosado, azulado e prateado, o oceano de múltiplos azuis e verdes, e observar a curta distância que parece separar as ilhas de Java, Bali e SulawesiNa chegada ao aeroporto de Denpassar, vi uma mistura de azuis e reflexos espelhados na água e pensei que tão bela como aquela paisagem, só a liberdade do improviso! 😀

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia

Em trânsito: Regresso a Sumatra, no Mar das “Maldivas”

Para regressar à ilha de Sumatra, voei num pequeno avião a partir da zona norte da ilha de Tanahmasa, porém para lá chegar, tivemos de fazer um espécie de triangulação de barco: Tanahmasa – Telo – Tanahmasa, uma vez que a ilha não tem estradas. À medida que nos afastávamos da ilha, tomei consciência que a primeira linha está coberta de coqueiros e a partir daí, existe apenas selva “pura”. A primeira parte da viagem foi bastante agitada, o céu estava bastante carregado e uma vez que as ondas estavam orientadas contra o proa do nosso barquito, tivemos imensos ressaltos na água. Apesar de ter chegado à ilha de Telo completamente ensopado, não houve problemas de maior, tirando o banho forçado que o passaporte sofreu.

IMG_0791 (FILEminimizer)

Quando chegámos a Telo e apesar da curta distância, o céu estava azul e com nuvens brancas e depois de um curto compasso de espera, durante o qual almoçámos partimos novamente para Tanahmasa, desta feita para a zona do aeroporto. A segunda parte da viagem, realizou-se sob o signo de um tempo quente e agradável, e a chegada ao cais foi espetacular, uma vez que existia um bonito contraste entre as nuvens cinzentas, espessas e carregadas e o mar de múltiplos verdes e azuis.

IMG_0785 (FILEminimizer)      IMG_0788 (FILEminimizer)

No aeroporto mais pequeno e rudimentar que vi na vida, tivemos que esperar três horas, fruto de um atraso do nosso avião, mas felizmente graças à conversa, o tempo voou. À semelhança do aeroporto, o avião no qual fiz a viagem para Padang era “minorca” – apenas doze lugares – e para além disso, posso afirmar que essa viagem valeu todos os cêntimos investidos, pois a paisagem revelou ser deslumbrante.

IMG_0795 (FILEminimizer)     IMG_0801 (FILEminimizer)

IMG_0799 (FILEminimizer)

Uma paisagem tipo postal das Maldivas, onde os corais, os bancos de areia e os diferentes azuis desenhavam formas belas e requintadas, que apenas eram visíveis do céu! Belíssimo, arrepiante e a natureza a mostrar uma vez mais, todo o seu esplendor! Este, foi o perfeito “Happy Ending”, para esta história inesquecível que foi Tanahmasa. Uma história que começou com uma odisseia e terminou com uma ode triunfal da natureza… 😀

IMG_0813 (FILEminimizer)      IMG_0829 (FILEminimizer)

IMG_0837 (FILEminimizer)     IMG_0880 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia O 1º Dia

Medan. Luz e Escuridão

O meu primeiro destino na Indonésia foi a cidade de Medan, no norte da ilha de Sumatra e na chegada ao aeroporto internacional, este era tão moderno, limpo e eficiente que cheguei a pensar se ainda estaria em Singapura! Porém, quando tive de esperar duas horas pelo comboio para chegar ao centro da cidade, as dúvidas desvaneceram-se, estava mesmo na Indonésia. 😛

IMG_9238 (FILEminimizer)      IMG_9244 (FILEminimizer)

Na saída da estação de comboios, ao ser abordado por uma horda de taxistas que perguntavam: “Hei Mr.! Where you go?”, não pude deixar de pensar: “o mito urbano é verdadeiro! Welcome to the wild”. Felizmente nessa altura, um cidadão indonésio ajudou-me e apanhámos um táxi juntos. Na despedida, deixou a viagem paga e indicações claras para o taxista me levar até ao local que eu estava à procura, o Hotel Zakia, nas imediações da mesquita branca – Masjid Raya – e eu agradeci a sua extrema bondade. 🙂

IMG_9248 (FILEminimizer)      IMG_9271 (FILEminimizer)

Depois de negociar o preço do quarto, visitei a bonita e branca Masjid Raya de sarong posto e a zona do palácio, onde fui pela primeira vez entrevistado na cidade por simpáticas estudantes – quando saí de Medan, tinha sido entrevistado três vezes. 😛

IMG_9283 (FILEminimizer)      IMG_9284 (FILEminimizer)

Durante o tempo que estive na cidade, a mesma revelou ser suja e cinzenta, cheia de tráfego e fumo – motas, motorizadas, autocarros/carrinhas, carros – barulhenta, frenética, caótica, vibrante, autêntica e real, ah!… e cheia de comida deliciosa. 😀

IMG_9290 (FILEminimizer)      IMG_9327 (FILEminimizer)

Ainda em Medan e num pequeno cyber-café senti um lado negro da Ásia que nunca presenciei antes, pois fui abordado por um estranho indivíduo que me ofereceu crianças – tanto do sexo masculino, como feminino, para sexo? – e perguntou-me se queria adotar/comprar um órfão!? Acenei que não, ainda meio aparvalhado, e depois de mandar rapidamente um e-mail, pus-me a milhas daquele ambiente bizarro e pesado, a pensar que o ser humano pode transformar-se numa besta, capaz de tudo. 😦

IMG_9359 (FILEminimizer)      IMG_9385 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Reflexões

Crónica de um Regresso

Como medir dezasseis meses fora do nosso país? No regresso nada e tudo mudou. Nós, os outros, os demais… As casas estão iguais, os cheiros e as conversas imutáveis, até o aspeto da maioria das pessoas pouco se alterou… mas e nós? Podem dizer-nos que estamos mais magros e a nossa pele mais escura… mas será que isso é o fundamental? 🙂

A 21 de Fevereiro de 2013, escrevi no primeiro dos meus cadernos que me acompanharam durante toda a viagem asiática: “ (…) cheguei a Pequim, que o meu sonho se transforme finalmente em realidade! Agora é tempo de agarrar a mesma, com toda a força do meu ser e neste período, que dure o que durar, eu o veja e sinta sempre como um período de aprendizagem e de enriquecimento pessoal e que saia da viagem: mais humano e mais completo; com uma ânsia de viver e de conhecer continuamente renovada; e com o meu caminho de vida pessoal mais clarificado ou iluminado, tal como um bodhisattva.”

Passado este tempo e relendo um dos últimos parágrafos do separador “Sobre” no meu blog, não posso deixar de sorrir… 😀 Fiquei a milhas de chegar a Istambul na Turquia e tão pouco me aproximei do estado de iluminação. Não sou Buda, não sou Jesus, nem tão pouco Alá e não pretendo ser nenhuma destas pessoas… Sou humano, tenho ossos e músculos, carne e sangue, tenho a mesma luz e sombra, a mesma destruição e criação, que todos temos dentro de nós e a minha vida é tão mais interessante e desafiante desse modo.

Ontem dia 21 de Junho de 2014, quase a aterrar escrevi: “(…) quase, quase a chegar a Lisboa posso afirmar que estou contente… sinto-me feliz por regressar e vou tentar aproveitar ao máximo estes primeiros tempos no meio da minha família e dos meus amigos que me amam. Vou continuar a escrever e a viajar na minha vida. Ambas fazem parte da minha essência e não me tenciono negar mais a mim mesmo. Acredita em ti miúdo! Não hesites! Não desistas do teu sonho de viajar! A jornada é demasiado bela para parar e o vento uma força demasiado poderosa para ser travada! O mundo é um local belo! Que merecer ser visto e revisto, e eu faço parte dele e ele parte de mim! Hoje no regresso ao meu país que me criou como homem e cidadão do mundo, faço votos de casamento com o Mundo! Não me abandones! Que eu ser-te-ei fiel.”

P.S. – No aeroporto e depois de uma espera interminável pela bagagem (que cheguei a pensar que se tinha extraviado) reencontrei a minha mãe, a minha irmã, uma prima e um dos meus melhores amigos e depois de os abraçar e beijar e de um pequeno compasso de espera partimos para a minha cidade natal. Aí e na casa de uma das minhas avós… recebi o maior presente de todos! 😀 Grande parte da minha família e dos meus amigos organizaram-me uma festa surpresa! 😀 Saí do carro aparvalhado e mega FELIZ e com eles partilhei as minhas primeiras horas em solo luso. A todos eles e a todos vós, MUITO OBRIGADO, por fazerem parte da minha vida e por me deixarem fazer parte da vossa. É um privilégio e uma honra! E eu sei que sou uma pessoa com sorte… 😀

Categorias
Crónicas Em trânsito O 1º Dia

Mulu. Back to the Primitive

Ato I – Chegada & Logística

Depois da curta visita ao país do Brunei, voltei a reentrar na Malásia, desta feita de autocarro e no estado de Sarawak. Para chegar ao parque nacional de Mulu, tive que apanhar um pequeno avião na cidade de Miri e pela primeira vez na vida apareci no aeroporto sem voo marcado, pois os preços que estavam na internet eram ridiculamente elevados! :/ A verdade é que arrisquei e ganhei a aposta e deste modo aprendi uma importante lição: na Ásia, voos comprados diretamente nos aeroportos muitas vezes, compensam. 😉

IMG_5503 (FILEminimizer)

Ir até Mulu foi como ir até uma ilha, porém em vez de estar rodeado de água, estava rodeado de selvaIMPRESSIONANTE! 😀 Depois de meia hora de voo, aterrei no coração da selva e de sorriso nos lábios saí do aeroporto a caminhar…

IMG_5505 (FILEminimizer)

O primeiro passo foi arranjar um poiso para dormir nas imediações do Parque Natural e concluída essa tarefa, fui até à receção do mesmo, confirmar em que dias teria as atividades que estavam previamente marcadas, uma vez que por e-mail já tínhamos “discutido” alguns detalhes.

IMG_5514 (FILEminimizer)

Nessa altura recebi a excelente notícia que poderia juntar-me, no dia seguinte a um grupo para fazer uma viagem que duraria três dias, até aos Pináculos de Mulu (um dos ex-líbris do parque) e ao mesmo tempo visitar duas cavernas: “Wind” e “Clearwater”. Fruto desta oportunidade caída dos céus tive de adaptar-me muito rapidamente pois havia questões logísticas a resolver, antes de partir: que mantimentos comprar – quantidades e que “tipo” – e onde os comprar – pois dentro do parque, tudo era vendido ao preço do ouro; falar com os donos da guesthouse para tentar transferir uma das duas noite que já tinha pago para quando voltasse dos Pináculos e perguntar se poderia lá deixar quase toda a minha bagagem.

IMG_5513 (FILEminimizer)

Depois de resolvidas as questões logísticas, voltei ao parque natural onde comprei uns sapatos de borracha – fundamentais para a viagem até os Pináculos, almocei, enviei uns e-mails, encomendei comida para o dia seguinte e parti para uma visita guiada, a um mundo mágico… 😀

IMG_5515 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Em trânsito Fotografia O 1º Dia

Kinabalu. Ascensão Infinita

Ato I – Viagem e Preparação

Na viagem para a montanha Kinabalu no Bornéu – Sabah – houve um misto de tristeza e alegria, por um lado a despedida da M. estava bem presente, pelo outro estava a caminho de um local que se encontrava no meu imaginário graças à descrição de Andy, esse mágico da vida que conheci nas terras do Império do Meio.

IMG_3263 (FILEminimizer)

Depois do voo matinal que me levou de Kuala Lumpur até Kota Kinabalu, apanhei uma boleia semi atribulada – o meu “condutor” não sabia onde era a estação de autocarros – com o John Ho, um médico que trabalha em operações de salvamento e que estava na cidade há poucas semanas. Depois de uma hora de viagem e muitos pedidos de desculpa, fui finalmente deixado na estação de carrinhas, onde apanhei o meu meio de transporte para a montanha. 😛

photo

Na chegada às imediações da montanha, fui largado perto de uma placa que indicava o meu alojamento – Kinabalu Mt Lodge – e de mochila às costas andei um quilómetro até chegar ao destino, uma casa no topo de uma colina, voltada para um vale verde e de onde se via a névoa a correr no meio de árvores e vegetação, comovente. 😀 Nos meus aposentos conheci uma alemã que tinha regressado da montanha nesse dia e quando lhe contei que o meu objetivo era fazer a ascensão e descida num dia, olhou para mim com olhos esbugalhados e exclamou: ”A sério!? Acho que não vais conseguir, mas se o fizeres tens o meu respeito!”. Oh diabo! Comentário animador. Minutos depois apareceu um americano, que é capitão de um barco nas Filipinas, que por sua vez disse: “É apenas uma montanha. Hás-de chegar ao topo!”.

IMG_3281 (FILEminimizer)     IMG_3282 (FILEminimizer)

Com estas duas opiniões tão distintas parti para o HQ (headquarters) do parque natural e na receção disseram-me que antes de preencher os formulários de inscrição, tinha de falar com o Mr. Dick, o responsável do parque. No centro de conservação tive um pequeno meeting, onde falámos sobre a ascensão num dia e como a mesma é considerada um caso “especial”, existem regras muitos específicas, tais como limites de tempo e afins. Na despedida apertou-me a mão, desejou-me boa sorte e uma boa ascensão…

IMG_3301 (FILEminimizer)

Categorias
Crónicas Reflexões

Crónica de Palavras Nunca Antes Pronunciadas

No aeroporto tivemos de despedir-nos por um período indeterminado e abraçados durante uns minutos o tempo congelou. Foi neste local que as coisas foram difíceis e eu senti o coração a apertar… apertar. As despedidas nunca são fáceis! Queremos manter as pessoas que gostamos por perto, mas existem momentos da nossa vida que fisicamente tal não é possível, pois para se estar num local não se consegue estar no outro. Parece que nesta vida não há nada de borla e que há sempre um “preço” a pagar por tudo! O que fizemos, o que fazemos, o que queremos fazer… viajar é muito bom, mas também é duro! Afasta-nos de quem gostamos, mas simultaneamente pode fazer-nos sentir mais gratos pelo que temos e por sabermos que há pessoas que gostam de nós… mesmo separadas por mares e oceanos de águas azuis e cristalinas e praias de areia branca! O coração e a memória ajudam a manter a “chama” viva…

Categorias
Em trânsito Reflexões

Em trânsito: Lisboa – Hong Kong. Back on Track

Para além de escrever sobre os dias em Portugal, durante os três voos e as duas escalas (Amesterdão e Pequim) aproveitei para dormir, escrever no computador, enviar e-mails e ver diferentes paisagens do alto, qual uma águia imperial. 🙂 Na entrada na China voltei a ser controlado com papéis, carimbos e… lérias! :/ E refleti sobre a segurança nos aviões, os lobbies e a estupidez associada a essa falsa noção de… segurança. E tudo isso, foi despontado quando tive a oportunidade de observar que os talheres que são utilizados em primeira classe nos aviões são de metal e com base nesse facto pergunto-me: “Será que apenas os não terroristas, viajam em primeira classe?” e “Porquê tanta alarido à volta de mini-tesouras e outros metais nas bagagens de bordo, quando esse metal é fornecido pelas próprias companhias aéreas?” Enfim… contradições do mundo moderno, assético e seguro em que vivemos. :/