Em trânsito: Odisseia para Pulau Tanahmasa

Prólogo

Quando estive em Georgetown, fui convidado por Luke a visitá-lo na ilha (pulau) de Tanahmasa. Esta crónica relata a viagem, aliás a odisseia que foi trilhada.


Na ilha de Samosir, o dia acordou prateado e em Tuk-Tuk apanhei um ferry para a tristonha vila de Parapat. Do cais, segui andando de mochila às costas até encontrar a estrada principal e após um pequeno compasso de espera, passou uma carrinha que “supostamente” estava a caminho de Sibolga. Pelas estradas esburacadas de Sumatra, segui empacotado no meio de sacas e caixas, até à pequena vila de Parsea Jaya, onde todos os outros passageiros saíram e daí segui até Siborong-Borong, sozinho com o motorista, qual co-piloto de um carro de ralis. Durante esse “troço”, fizemos sinais de comunicação, fumámos, vi uma frase que é o resumo perfeito da condução Indonésia: “I do my best, God do the rest!” (eu faço o meu melhor, Deus faz o resto) e assisti in-loco à bestialidade da corrupção da polícia quando fomos mandados abrandar e o senhor agente depois de receber em mão uma notinha, lá nos mandou seguir… 😦

IMG_0257 (FILEminimizer)

Na cidade de Siborong – Borong a carrinha estancou e fui mandado sair da mesma. Com alguns sinais e poucas palavras, lá consegui perceber que naquele local iria mudar de veículo e passados vinte minutos de espera, seguimos viagem. Durante o trajeto, assisti a mais corrupção “policiana”, mandei uns quantos saltos, fruto da estrada estar completamente partida em alguns troços e voltei a sentir na pele a imaginação laosiana, uma vez que a carrinha que tinha inicialmente capacidade para doze pessoas, chegou ao destino com dezasseis! 😛

IMG_0261 (FILEminimizer)

Já em Sibolga e graças ao telemóvel de um rapaz indonésio – Ronald – contactei Beng Beng, um amigo de Luke, que durante o dia se tornou no meu “anjo da guarda” e que para além de me ajudar a comprar o bilhete para o ferry, foi meu condutor na cidade. Depois de me despedir de Beng Beng com um forte abraço e uma hora antes da partida – 20.00 – estava a entrar no ferry para a ilha de Nias, rodeado de crianças que queriam guiar-me até ao meu assento, para depois tentar vender-me comida e água de forma insistente. Nesse momento só queria que me deixassem em paz! E a minha expressão devia transmitir esse sentimento. Depois de colocar a bagagem no meu espaço da plataforma, uma rapariga indonésia que estava ao meu lado sorriu e depois de ouvir algumas crianças a gritar: “Hei Mister! I love you!”, comecei aos poucos a sorrir e a “máscara” da cara séria caiu por terra.

IMG_0262 (FILEminimizer)     IMG_0268 (FILEminimizer)

Durante a viagem noturna, dormitei algumas horas, escrevi no caderno, vi as plataformas encherem de pessoas e bagagens e senti aquele ambiente barulhento, quente e fumarento a tomar conta do espaço. Tal como o Luke me tinha “avisado”, esta viagem só por si, já é uma experiência! 😉 Cheguei à ilha de Nias – cidade de Gunung Sitoli – ainda o dia não tinha nascido e ainda antes de sair do ferry, já tinha arranjado uma carrinha para Teluk Dalam, uma pequena vila piscatória, na parte sul da ilha. A viagem durou cerca de duas horas em ritmo prega fundo e durante a mesma, foram-me oferecidos cigarros pelo motorista e por passageiros, vi centenas de crianças em uniformes a caminho da escola e uma paisagem que misturava selva, plantações e praias e senti-me bastante FELIZ pois naquele momento sabia que iria conseguir apanhar o barco para a ilha de Telo. 🙂

IMG_0279 (FILEminimizer)     IMG_0305 (FILEminimizer)

À semelhança do que aconteceu em Sibolga, em Teluk Dalam tive que esperar pela partida do barco e durante esse tempo a minha prioridade foi tentar avisar o Luke que estava a caminho, uma vez que da ilha de Telo para a ilha de Tanahmasa, não há transportes! E o caminho apenas pode ser feito pequenas embarcações privadas. Tentei ligar-lhe. O telemóvel estava desligado! Tentei ir a um cyber café. Não havia internet! Decidi então, enviar-lhe uma SMS e como uns minutos depois ele acabou por responder, relaxei a “molécula” pois soube que na ilha de Telo, ele estaria lá para me receber. Depois de aproximadamente três horas em waiting mode, estava finalmente de partida e num pequeno barco fiz uma travessia que durou cerca de seis horas. Durante a viagem, dormitei um pouco, escrevi no caderno, tirei fotografias à paisagem e às pessoas, observei os nativos e a pesca de um atum, falei com um rapaz que trabalhava num resort da ilha e pensei várias vezes que estava a chegar, antes de realmente chegar! Pois estava no meio do arquipélago de Batu e não conseguia identificar onde se localizava o meu destino. 😛

IMG_0332 (FILEminimizer)      IMG_0356 (FILEminimizer)

IMG_0370 (FILEminimizer)     IMG_0375 (FILEminimizer)

Na chegada, o Luke estava à minha espera e depois de nos abraçarmos, dirigimo-nos para o seu bote a motor. A looooooooooooooooooooonga odisseia  quatro barcos e duas carrinhas – estava a chegar ao seu final e bastou apenas mais meia hora de viagem, através de uma paisagem de manguezais, nuvens e reflexos cor de prata e cinza no oceano, para chegarmos ao nosso destino. Às 18.00, já no lusco-fusco estava a desembarcar na praia, tinha acabado de chegar ao paraíso escondido de Tanahmasa 😀

IMG_0412 (FILEminimizer)      IMG_0419 (FILEminimizer)

P.S. – Contactos de Beng Beng em Sibolga. E-mail: beng2nge@yahoo.co.id; Telemóveis: +62 81361077406; +62 81262265233.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s