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Coron. Mergulho nas Trevas

De El Nido parti com a Maiju e o Steow em direção à ilha de Coron. Durante as oito horas que durou a travessia marítima, observei a bonita paisagem que nos rodeava (as múltiplas ilhas, o céu azul, as nuvens brancas, o sol radioso e escaldante, o mar de infinitos azuis e verdes…) e falei com os meus companheiros de viagem durante algum tempo. Já na pequena vila e capital da ilha, ficámos hospedados na agradável Marley´s Guesthouse, onde conhecemos um staff impecável que nos contou histórias impressionantes do super tufão – que apesar da longa distância percorrida, ainda chegou a atingir Coron – e que partilhou connosco o seu gosto por música ritmada e tribalista. 🙂

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Nos arredores da ilha, tive dois dias de mergulho intenso num ambiente pesado e sombrio de navios japoneses afundados durante a Segunda Guerra Mundial e aí senti um nervoso acrescido por ter entrado pela primeira vez debaixo de água, em espaços realmente confinados. Neste mundo submerso, senti o lado “negro” do mergulho, principalmente no navio Irako onde atingi a minha profundidade máxima (trinta e oito metros e meio). Porém, mesmo naquele mundo de trevas, existia luz e sempre que esta penetrava pelas frinchas e buracos existentes naquelas estruturas de aço gigantes, parecia que estava numa catedral sub-aquática! Fenomenal! Inesquecível! 😀 Para além disso, observar “algo” feito pelo homem, onde se pode ver vestígios da sua presença (as cargas inalteradas dos navios afundados) e onde ainda existem componentes que funcionam (tais como válvulas e torneiras…) é algo de inolvidável. Ao largo de Coron, foi ainda possível mergulhar nas águas escaldantes (38 ºC) de um lago de água doce. Aí, vi de forma perfeita as linhas térmicas onde a água mudava drasticamente de temperatura, sentindo em simultâneo metade do corpo quente e metade fria! Tirei as barbatanas e fiz “escalada” sub-aquática, atravessei troncos de árvore qual equilibrista e em slide, e senti possivelmente o que sente um astronauta ao pisar solo lunar.

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Em Coron, para além desses mergulhos míticos, tive serões animados, regados a rum e cola, na companhia dos meus companheiros de viagem e de dois engenheiros Irlandeses (Donald e Richard); vi procissões noturnas onde as velas dos fiéis iluminavam e espalhavam uma luz mortiça pelas ruas escuras da vila; visitei de barco uma praia de sonho, rodeada de rochas mágicas, negras como o breu e repleta de águas cristalinas e transparentes que brilhavam como safiras e esmeraldas; tive um delicioso jantar festivo onde o caranguejo e o camarão foram reis e senhores; e tive um reencontro com o passado

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Numa daquelas noites festivas, ao sair dum bar na companhia de Arnold  gerente de um resort que trabalhava na ilha – encontrámos um nativo, que o conhecia e que nos convidou a ir até ao cemitério, para fazer uma homenagem fúnebre. Arnold imediatamente e de uma forma rude, declarou que não ia, mas eu naquele momento senti algo que me impeliu a acompanhar o nativo. Comprei umas velas, ele umas cervejas, montámos um tuk-tuk e quando estávamos prestes a partir, o Arnold acabou por se dignar a acompanhar-nos. Na escuridão da noite, seguimos estrada fora e depois de uma viagem que não sei precisar quanto demorou chegámos à entrada do cemitério. Aí, passo a passo e silenciosamente, penetrámos naquele espaço vasto, negro e sereno, até chegarmos à campa. Assim que chegámos, Arnold deitou-se na campa do lado e adormeceu pesadamente. O seu ressonar competia em decibéis, com a pirosa música de discoteca que era projetada pelo seu telemóvel.

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Como estátuas de mármore e alheios a esse facto, acendemos uns cigarros e as velas, abrimos as cervejas e fizemos uma homenagem fúnebre e sentida à sua esposa e ao seu filho – que tinham falecido há um ano. Depois desse momento, dentro de mim, algo se quebrou. Repentinamente, lembrei-me do meu pai e das saudades que sentia dele. Longe de Portugal, longe de todas as pessoas que conhecia, um pouco tocado pelos copos bebidos e sem filtros e barreiras de espécie alguma, comecei a chorar… De joelhos agarrado àquela campa, larguei um peso que carreguei durante quase dezassete anos. Chorei, chorei, chorei. Chorei baba e ranho. Chorei durante largos minutos e não houve nenhum travão que parasse as lágrimas. Apenas quando senti uma leveza a ressoar dentro de mim, parei. Nesse momento, passei as mãos pelos olhos, desajoelhei-me e abracei o nativo. Naquele cemitério perdido das Filipinas, dois “orfãos” de lados opostos do nosso planeta, foram irmãos durante momentos. Juntos partilharam uma dor comum. A dor da perda e juntos reencontraram um calor e uma luz humana, que aqueceu e iluminou a escuridão da noite e o frio da morte…

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El Nido. Regresso às Phi Phi?

Depois da visita ao rio subterrâneo de “Puerto Princesa”, parti com o Denis mais para Norte, em direção a El Nido, onde chegámos depois duma viagem de aproximadamente seis horas, numa estrada bastante esburacada. Na chegada, deparámo-nos com calor… bastante calor. Um calor, abafado e pesado que se colava ao corpo. Nesse primeira tarde em El Nido, para além de visitarmos a agradável praia de Las Cabañas (onde comecei a observar melhor, a beleza daquela paisagem natural), reencontrámos Justine (uma Canadiana que conhecêramos em Boracay), Steow e Maiju, e comecei de algum modo a sentir-me farto de Denis, das suas “luas” e vontades. Apesar desse detalhe, o dia terminou em beleza fruto dum jantar (regado a “batidos” de manga com rum) e de um serão animado, com música ao vivo no bar de reggae da praia. 😀

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No dia seguinte, acordei bastante cedo e mudei-me para o Austria´s hostel onde deixei a bagagem e daí segui até ao hotel de Derek e Justine, o local onde combinámos encontrar-nos para fazer um tour pelas múltiplas ilhas que ficam ao largo de El Nido. Apesar do preço do tour (combinação dos tours A + C), não poder ser considerado uma bagatela (cerca de 25€), posso afirmar que valeu cada cêntimo investido e algumas das paisagens que tive a felicidade de observar, ficarão para sempre como um dos grandes momentos desta viagem! 😀

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Em El Nido, tal como nas Phi Phi, ihas calcárias emergem do mar, mas aqui o seu número para além de mais elevado é mais dramático, uma vez que existem ilhas de faces completamente escarpadas, formações bizarras e zonas que recordam os famosos pináculos de Mulu, mas com rochas negras como o breu! Durante o dia, navegámos de ilha em ilha, fazendo snorkeling  peixe-leão bebé, muitos peixes coloridos, algum coral e muitas, muitas alforrecas que provocavam desconforto e sensações de picadas na pele; visitando praias de sonho: praia escondida – baía escondida no oceano, rodeada de rochas belas e surreais; praia da estrela – mini praia onde almoçámos um delicioso e farto repasto: peixe grelhado, dois tipos diferentes de salada, camarão, porco grelhado, arroz, ananás! 😀 ; praia secreta – para encontrar a mesma tivemos de nadar em pleno mar, penetrar numa abertura na rocha e aí deparámo-nos com areal que estava completamente rodeado a 360º por rochas negras e afiadas e que apenas podia ser vista do ar. Monumental! Arrebatador! E a praia dos sete comandos – última visita do dia e local onde o motor da nossa banca “morreu” 😛 e nadando em lagoas – lagoa grande, lagoa pequena e lagoa azul – de infinitos azuis e verdes no meio do oceano?! 😀 . Foi sem dúvida, um dia de sonho que acabou em beleza quando ao final da tarde reencontrámos Yannick e Aline, ficando o grupo novamente reunido! 😀

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No terceiro dia, o tempo esteve bastante cinzento e a manhã foi lenta e arrastou-se. Durante a tarde eu, o Denis, o Yannick e o Steow, pegámos numa melancia, alugámos uns caiaques e partimos à descoberta. Numa massa negra, vasta e serena remámos durante uma hora até à ilha de Cadlao que fica em frente à vila de El Nido e aí visitámos duas praias, a praia do paraíso – onde tudo em nosso redor era verde e selvagem e a praia “inominável” – na qual estivemos deitados dentro de água enquanto chovia torrencialmente. Nessa altura senti uma felicidade pura, fruto da comunhão com a natureza!. No regresso, em que já estava “fartinho” de remar, eu e o Denis conseguimos virar o caiaque um par de vezes em pleno oceano, rir-nos da nossa falta de perícia e quando chegámos a terra observámos que o meu dry bag, afinal não era assim tão dry! 😛 – o que valeu é que no seu interior, não havia nada realmente importante.

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No último dia em El Nido, como o tempo foi melhorando progressivamente, acabámos por alugar umas scooters e partir para a bonita praia de Nacpan, que fica a norte da vila. Nessa praia de longo areal, localizada numa baía perfeita de coqueiros e de um mar sem corais, pude pela primeira vez na Ásia, cavalgar ondas com o corpo! Regressando aos meus tempos de adolescência, na praia da Foz (do Arelho) e da Nazaré! Enfim, divertimento em estado puro! 😀 Ao mesmo tempo que pensava: “Boys will be Boys“. 😉 Ao serão, reencontrei Tadd (americano de Boracay) e com ele estive a falar sobre o meu próximo destino, a ilha de Coron e casa de múltiplos navios japoneses afundados durante a segunda Guerra Mundial! 🙂

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El Nido, foi um local especial! Foi associar uma beleza natural estonteante e inebriante, ao convívio com um grupo de  boas pessoas. 😀 Foi com um enorme prazer que partilhei o meu tempo com elas, num local que conserva um certa pureza (talvez o que as ilhas Phi Phi eram há quinze/vinte anos). O único senão, de toda esta perfeição foi sentir uma certa pressão por não publicar nada no blog, desde então. 😉

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Em trânsito: Boracay – Sabang. Travessia para Palawan

Depois do party Bum de Boracay, eu e o Denis tentámos seguir para a ilha de Coron, via San Jose (ilha de Mindoro), porém como apenas tínhamos barco dali a três dias, optámos por seguir para Iloilo no extremo sul da ilha de Panay e aí apanhar um barco para Puerto Princesa, já na ilha de Palawan. Contudo, depois de uma viagem bem apertada de aproximadamente sete horas, fomos informados já no cais, que barcos só no dia seguinte! :/ Foi assim que fomos obrigados a ficar vinte e quatro horas em modo de espera, na pouca interessante Iloilo.

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A travessia marítima para Puerto Princesa durou aproximadamente trinta e oito horas, porém o tempo até passou bastante rápido, fruto de termos conhecido algumas pessoas, com as quais passámos bastante tempo – Isabela (senhora Filipina), Steow (inglês), Maiju (Finlandesa), Yannick e Aline (um casal belga); de dormirmos duas noites a bordo; e da agradável paragem que fizemos na bonita ilha de Cuyo  aproximandamente oito horas – que psicologicamente fez uma enorme diferença positiva! 😀 Durante a travessia, para além de dormir e passar bastante tempo a conversar com as pessoas, aproveitei para atualizar o caderno e comi pela primeira vez uma famosíssima iguaria Filipina, o Balut  ovo cozido com um embrião de pato, parcialmente desenvolvido – conseguindo fazer rir alguns Filipinos com o meu entusiasmo e enojar o Steow com o que acabara de comer. 😛

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Quando chegámos a Puerto Princesa, já na ilha de Palawan, o grupo manteve-se unido (exceto a simpática Isabela) e junto seguiu para Sabang. Essa viagem, que durou apenas duas horas e uns pozinhos, foi uma das mais loucas e memoráveis até à data, pois todos sem execeção fomos sentados/deitados no tejadilho do jeepney (autocarro típico das Filipinas)! 😀 A partir desse espaço aberto em andamento, pudemos começar a observar a beleza da ilha (selva verde e densa) e já nas imediações de Sabang, vi bastantes arrozais viçosos, e colinas a emergir do solo, recordando imediatamente a paisagem maravilhosa e singular de Yangshuo/Xin Ping na China.

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Uma vez que imaginava uma vila “perdida” no meio da selva, fiquei admirado por ver que Sabang afinal se localizava na costa, tendo o mar azulado/acinzentado a banhá-la e múltiplas montanhas em redor. 🙂 Quando saímos do autocarro, fomos recebidos por Mr. Horward, um americano que geria o Alport Resort e que nos levou aos nossos aposentos – um quarto tão “minúsculo” que apenas tinha quatro camas de casal no seu interior e uma casa de banho ensuite. À nossa frente, tínhamos o mar e um ambiente bastante sereno! 😉 À noite, todos juntos jantámos um delicioso e gigantesco red snapper grelhado, arroz, salada e fruta; e passámos o serão com Bob, um rastamen e guia local, com quem fomos beber uma cervejas e falar com alguns nativos. O final de dia perfeito, na chegada à ilha mágica de Palawan.     

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Em trânsito: Travessia para as Filipinas

Depois da travessia marítima absolutamente “fantástica” entre Makassar e Surabaya, aguardei durante dois dias e meio, pelo meu voo para as Filipinas. Durante esse tempo descansei um pouco; comprei alguns produtos de higiene pessoal que estavam a começar a escassear e um disco externo, no qual fiz um backup – isto antes do computador, ter um bug e ser novamente formatado!; desfiz e refiz a mala toda; juntei uma série de objetos – mapas, ikats e sarongs Indonésios e Timorenses, café de Java, as placas de madeira de Tana Toraja, o disco externo, pequenas rochas dos vários vulcões… – para enviar numa encomenda para Portugal, antes de sair do país (neste “processo”, foi fundamental a ajuda de um desconhecido, Mr. Benny, que andou comigo pela cidade até encontrarmos uma estação do correios, da qual eu pudesse enviar o caixote); para voltar a comer no Macdonald´s e para voar para Singapura, fechando o ciclo da Indonésia de um modo circular (quando cheguei ao país voei a partir de Singapura, no final acabei por regressar a Singapura). 🙂

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No moderno e organizado aeroporto de Chiangi passei toda a noite acordado, em modo de espera, pela manhã e pelo voo que me levasse ao meu novo destino. 🙂 Durante a travessia para as Filipinas vi uma paisagem azul: o céu, o mar, algumas ilhas… tudo era azul! Demasiado azul! 😛 Preenchi os papéis burocráticos da praxe, para entregar na chegada; escrevi no caderno; tirei duas ou três fotografias, aliás nove, dez, onze… a paisagem começou a “espetacularizar-se” com águas de múltiplos azuis, pequenas ilhas, bancos de corais e nuvens estupendas! 😀 Antes de chegarmos à ilha de Pannay (muito montanhosa do lado Oeste e repleta de campos verdes no lado Este), houve uma ligeira turbulência e pude ver do alto a massiva ilha de Mindanao. Na descida sobre o aeroporto de Kalibo, viam-se terrenos “alagados”, múltiplas palmeiras e na descida do avião encontrei um pequeno aeroporto e um clima tropical.

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Depois de recolher a bagagem, o processo de emigração foi um pouco lento mas simples, estava oficialmente nas Filipinas! 🙂 Nessa altura, como não consegui levantar dinheiro numa ATM, troquei alguns euros por pesos. Como na chegada estava cansado e não me apetecia complicações, paguei um transfer direto para a ilha de Boracay. A partir desse momento foi receber papéis, um autocolante e seguir na “manada” (sentimento do género “não quero saber das dificuldades da estrada, levem-me!”). Durante a viagem de bus até Caticlan dormitei, observei a paisagem, as casas e pensei que existiam muitas semelhanças com a Indonésia. Na chegada ao cais de Caticlan, consegui levantar dinheiro pela primeira vez no país e depois aguardei uns minutos pelo barco que me levaria até à ilha de Boracay. A curta travessia entre ilhas foi feita já com o astro rei em rota descendente. Quando cheguei ao hostel MNL era já lusco fusco. Tinha acabado de chegar à ilha de Boracay, a ilha do party BUM! 😉          

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Em trânsito: Rantepao – Surabaya. Boat days? F”$%&@& days!

Depois do casamento e de uma tarde tranquila, às 20.00 apanhei o autocarro de regresso a Makassar e na viagem de oito horas, ferrei-me a dormir. Às 4.00 já estávamos na cidade, porém até desembarcar, andámos uma hora para trás e para a frente a largar passageiros. Típico! 😉 Porém desta feita, fruto da hora noturna, ainda bem! 🙂 Na estação local, apanhei um ojek que me tentou enganar à descarada! Felizmente para mim, reconheci o nome da rua onde estava, conseguindo baixar o preço para menos de um terço do valor inicial e mesmo assim ainda lhe paguei mais do que se calhar devia, mas tudo bem… pelo menos o “sacaninha” era amistoso. 😛

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Às 5.30 já estava na zona do porto e durante horas fui escrevendo no caderno até embarcar às 11.30, sendo o único momento de pausa, a compra de mantimentos (água, bolachas e tabaco). O barco era gigantesco e inicialmente não consegui perceber onde era o meu poiso, pois andava à procura de um camarote de segunda classe, quando afinal o que tinha era um bilhete para a classe económica! Como não era isso que esperava, fiquei chocado com a “suite” que encontrei – uma cama nas profundezas do navio – e depois de largar a bagagem, pus-me a mexer daquele cafunfo quente e escuro!

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Rapidamente, tomei a decisão de tentar encontrar um local agradável para passar as minhas próximas vinte e quatro horas (no mínimo)! Felizmente no topo do navio, na cafetaria DEK VIII, encontrei um cafezito agradável e essa passou a ser a minha casa! Como nessa altura, ainda circulavam vendedores no barco que não iriam fazer a travessia, decidi voltar ao cafunfo por uma questão de segurança da bagagem e aí acabei por comprar alguma comida (dois ovos, dois bolos de arroz com feijão e dois bolos de arroz amarelado) e fiquei a dormitar até às 16.00, hora em que finalmente partimos rumo a Surabaya. Assim que a embarcação se fez ao mar, sai imediatamente em direção ao cafezito, ficando aí a escrever durante horas a fio, enquanto bebia uma coca-cola ou fumava um cigarro extemporaneamente. Apenas voltei à masmorra do dragão, para ir buscar comida e para ir dormir por volta das 21.00. Quando me deitei, estava um calooooooor dos diabos e nesse momento, não pude deixar de pensar “que m$%#& de sítio!”  Apesar do colchão não ser mau de todo, o calooooooooor era… sufocaaaaaaante! Uma autêntica sauna! Mas de borla! 😛

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Levantei-me às 5.15, acordado pelos cânticos da mesquita do barco, mas depois percebi que devido à diferença horária entre a ilhas de Sulawesi e Java, eram afinal 4.15! Ora bolas! De qualquer modo, como estar deitado no cafunfo/masmorra/sala de tortura não me fascinava, aproveitei para ir até ao meu porto de abrigo, o “abençoado” cafezito! 🙂 Onde à semelhança do dia anterior, fiquei durante horas a fio e aí vi o nascer do dia, tomei o pequeno almoço e continuei a escrever até acabar de atualizar o caderno. Quando acabei essa “tarefa”, o sol brilhava no céu azul e passado pouco tempo conheci um rapaz indonésio que se chamava Hulk e que me deu umas dicas de como chegar à guesthouse.

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Até chegar a Surabaya estive sem fazer nada de especial, descendo ao cafunfo para recolher a bagagem. Nesta viagem, até o desembarque que eu aguardava ansiosamente, foi MAU! Assim que as portas abriram, começaram a entrar pelo barco adentro pessoas a correr desalmadamente e nós, as pessoas que queríamos sair, tivemos que esperar que aquela torrente abrandasse! Enfim o pandemónio! E eu que já estava satisfeitíssimo com toda aquela viagem “paradisíaca”, quando sai do barco e pisei o solo de Surabaya estava com um “sorriso nos lábios”. Esta foi de looooooooooooonge a pior viagem de toda a Viagem!

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Em “Torajilândia”

Ato II – Rumo a Sudeste e à Magia

No dia anterior, tinha decidido que no primeiro dia a “sério” seguiria para Norte, mas como nessa direção, o tempo estava meio encoberto e cinzento, mudei de ideias e parti rumo a Sudeste. Antes de sair do centro da cidade, muni-me de água e comida e de mochila às costas, segui andando. O primeiro local que visitei foi Kerassik e encontrei-o um pouco ao acaso, uma vez que não havendo separação física, pensei que ainda estava na cidade de Rantepao. 🙂 Aí, vi pedras que pareciam minin megalitos e umas casas tradicionais. Continuei a andar por uma estrada de alcatrão, numa paisagem dominada por verdes arrozais e rapidamente cheguei a Bantu Pune, onde encontrei casas tradicionais que pareciam bastante antigas – telhados cheios de vegetação – uma zona cerimonial no topo de uma colina e na base da mesma, caixões suspensos com ossos a aparecerem pelas frinchas e buracos da madeira já podre. Diferente! Estranho! Belo! A magia da morte em “Torijilândia” começava a revelar-se.

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Sempre a andar e mantendo-se a paisagem de arrozais em redor, continuei até Ke´te Kesu, que segundo a informação que tinha lido era um dos locais mais completos e fascinantes em Tana Toraja. A verdade é que Ke´te Kesu, não desiludiu! Nada mesmo! Primeiro deambulei em redor do seu bonito enquadramento natural: o lago, as palmeiras, as árvores, os trilhos verdes, as colinas e as grutas. Seguidamente, visitei a área das casas tradicionais, onde numa loja de artesanato local, apaixonei-me pelo trabalho efetuado por uma idosa artesã e sai de lá com três placas de madeira, gravadas e pintadas à mão com motivos típicos. 🙂 Daí fui até à zona das colinas, onde à semelhança de Bantu Pune vi múltiplos caixões suspensos e esqueletos, mas depois encontrei muito mais “representações” dos mortos: figuras de “anciões” esculpidos em madeira, uma gruta/túmulo onde repousava um caixão, túmulos escavados na rocha e “jazigos” gigantes e coloridos. Enfim, muita diversidade que me fez ficar, cada vez mais fascinado com a cultura desta tribo. 😀

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Pela estrada fora, cheguei a Sullukan onde falei com um nativo muito simpático que me deu umas pequenas explicações sobre os Toraja e sobre o que acabara de observar, e depois parti em busca de Pala Tokke, uma colina cársica já afastada da estrada principal, rodeada de belos e idílicos arrozais onde no topo encontrei mais caixões, esqueletos e ossadas. O caminho para La´bo e Randan Batu, continuou a levar-me por uma paisagem de arrozais, colinas cobertas de vegetação e pequenas aldeias com casas tradicionais. Quando estava quase, quase a chegar à povoação de Sangalla falei com uns nativos que me informaram que Suaya, o meu próximo destino, ainda ficava a dez quilómetros de distância, por esse motivo e pelo avançar do relógio, acabei por negociar a “travessia” com um ojek.

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Em Suaya, logo na entrada da zona turística, o porteiro cobrou-me metade do bilhete e ficou com o dinheiro (corrupção direta), ao invés de eu receber um papel e de pagar para os cofres de alguém (corrupção indireta). Nestes casos, nada a apontar. Ganho eu. Ganha o trabalhador, que tem um salário baixíssimo. Perde o estado podre e corrupto da Indonésia, que ensinou aos seus habitantes como se “deve” fazer. No local, encontrei uma enoooooorme parede de rocha, com inúmeras estátuas de madeira e com túmulos escavados ao longo de grande parte da superfície. Brutal! 🙂 Dessa parede, continuei a andar despreocupadamente, até que comecei a ver muitas, muitas pessoas e algumas trajas vermelhas e pensei: “comício político!?”. Passei, por uma banca que parecia ser um piquet de controlo e as pessoas a sorrir, a fazerem-me sinal para avançar. Dei mais uns passos e começo a ver 

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Em trânsito: Kawah Ijen – Rantepao. Logros, Esperaaaaaaaaas e Sortes

Já na base do vulcão, despedi-me dos simpáticos Guillaume e Marianne, e regressei a Probolinggo com o meu “jarbas”. 🙂 Depois de chegar à cidade e de agradecer a boa organização do “passeio” (Mahkota Tour & Travel; Tel. 081 333 399 699; e-mail: mahkotatour@ymail.com), apanhei um autocarro para Surabaya, cujo valor ainda estava incluído no tour. 

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Na estação principal de autocarros da cidade e na agência de viagens, Linda Jaya Tour & Travel, percebi que a travessia para a ilha de Sulawesi teria de ser feita na ida de avião (apenas haveria barco dali a três dias) e que no regresso então, poderia vir de barco. Nesse local estive durante a tarde, a organizar as fotografias tiradas no vulcão Ijen, a atualizar a folha de despesas, a imprimir os bilhetes das viagens de avião e as confirmações dos hostels previamente marcados, tanto em Surabaya como em Boracay e… acabei por comprar a passagem marítima e aérea (o que se veio a revelar um grande erro, pois o simpático e afável Mr. Kustono, revelou-se uma pessoa desonesta, vendendo-me o bilhete de avião de tarifa económica ao preço da tarifa regular, isto depois de termos falado durante algum tempo de questões de honestidade! :/ Tenho a certeza que foi esta conversa, que me deixou mais triste com o logro).

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Parti então de autocarro para o aeroporto, onde cheguei por volta das 17.40 e a partir desse momento foi aguardar… aguardaaaaaaaaaar…aguardaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar! O check-in da bagagem foi feito às 4.00 e durante a longa espera aproveitei para marcar mais duas noites em Surabaya, publicar no blog, falar via skype com algumas pessoa da minha família e finalmente embarcar, por volta das 6.00! Dormindo finalmente, durante a viagem. 🙂 Na chegada ao aeroporto de Makassar, já na ilha de Sulawesi, tive uma “sorte dos diabos”, pois conheci um nativo com quem partilhei táxi para o centro da cidade e no final da viagem, ele ajudou-me a comprar o bilhete para a cidade de Rantepao! 😀 Desse modo, às 9.30 já estava a bordo de um autocarro super luxuoso, com assentos que pareciam poltronas! 😉 Durante a viagem a pulseira que o Kristian me oferecera quebrou-se 😦 , escrevi o nome de duas ou três guesthouses existentes no meu destino – para quando chegasse, tentar encontrar um local barato – comi e dormi. A partir de certo momento da viagem, acordei e vi a bonita, verde e agradável paisagem de vales e montanhas a caminho da zona de Sulawesi, onde habita a tribo dos Tana Toraja. À cidade de Rantepao, coração da “Torajilândia”, cheguei já depois do pôr do sol, cansado mas feliz. A última semana no país, estava prestes a começar…      

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3 Dias e 2 Noites no Tour do Vulcões

Ato I – O Monte Bromo e a Bruma

Em Surakarta, como previamente combinado, passou uma carrinha para me ir buscar e do primeiro dia do tour não há muito a dizer. Apenas, que fiz uma longa viagem de cerca de dez horas pelas estradas meio loucas da Indonésia, entre Surakarta e Ngadisiri (onde ficava o hotel Sion View, já nas imediações do vulcão Bromo e ao qual cheguei por volta das 21.00).

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Às 3.00 já estava acordado, à espera que passasse um jeep que me levasse até ao miradouro de Pananjakan (2706 m) e quando lá cheguei, depois de uma viagem bastante apertada e cheia de solavancos, encontrei um nevoeiro espesso que cobria todo a paisagem. “Oh diabo!” De qualquer modo, acabei por não ficar irritado com a situação, afinal a natureza é soberana e aguardei pelo nascer do dia.

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A verdade, é que com um cenário inicial tão “negro”, as minhas melhores expectativas foram largamente superadas! 😀 Uma vez que a visibilidade apesar de não ser perfeita, permitia ver o grande Gunung Semaru (3676 m), a enorme cratera do Bromo (2392 m), o pico do Gunung Batok (2440 m), a bruma a correr velozmente no céu e a paisagem a alterar-se a cada segundo. Misterioso! Belo! A beleza do “mistério”!

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Quando deixei o miradouro voltei a montar o jeep e parti para as proximidades da enooooooooorme cratera do Bromo. Quando chegámos, já existiam inúmeros jeep´s estacionados na bela e desolada planície de areia negra, com montes verdes seco em redor. Saí de dentro do veículo, partindo em alegre romaria rumo à cratera, juntamente com outros turistas que se deslocavam a pé ou a cavalo e subi os degrau que levavam ao topo.

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Aí, apesar do vulcão não ser muito alto, encontrei uma cratera larguíssima e fumegante, e vi múltiplas dunas de areia negra e belas! Os muito turistas que se encontravam no vulcão, ajudavam a perceber a grandiosidade e a dimensão da paisagem! E quando me preparava para subir ao ponto mais elevado da cratera, o vento começou a soprar vapores sulfurosos, obrigando-me a voltar para trás, sendo relembrado pela natureza e pelos deuses do fogo, que um vulcão é isso mesmo! Um vulcão! E não um parque de diversões montado, para nosso belo prazer.

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Surakarta. Templos e Resoluções

Momentos antes de apanhar o comboio para Surakarta, marquei um quarto no hotel Griya Surya aproveitando a ligação wi-fi da estação 🙂 e na chegada à cidade, o mesmo não desiludiu – limpo, bom colchão, ar condicionado, internet e pequeno-almoço incluído – sendo o único fator menos positivo a distância (cerca de cinco quilómetros) para o centro “histórico”.

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Na saída da guesthouse e depois de comer um bakso absolutamente divinal, o meu primeiro passo foi tentar encontrar agências de turismo para marcar o tour dos vulcões, porém rapidamente percebi que na cidade não havia muitas opções e que os preços encontrados em Yogyakarta eram muito mais competitivos (ver explicação no post scriptum). Continuei a caminhar até à avenida principal da cidade (Jalan Brigjen Slamet Riyadi) e por sorte encontrei uma agência de turismo, onde conheci o Mr. S. com que negociei longamente uma ida aos templos de Sukuh e Ceto, na manhã seguinte. Assim que este assunto ficou resolvido, liguei ao Mr. Ari (agente em Yogyakarta) a marcar o tour com a sua companhia, e a partir daí a minha semana ficou praticamente decidida.

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No restante tempo que estive na cidade de Surakarta, visitei o interessante mercado de antiguidades, fiz uma visita “semi guiada” ao Keraton Pura Mangkunegaran, comi deliciosa comida tradicional, abriguei-me várias vezes da chuva insistente e persistente, resolvi alguns assuntos importantes que estavam pendentes (marcação do voo para as Filipinas; de um hostel magnífico na ilha de Boracay e de outro na cidade de Surabaya, na noite anterior à partida), mas principalmente visitei a agradável e misteriosa paisagem nas encostas do Gunung Luwu (a temperatura mais fresca, o nevoeiro, as plantações de chá e de vegetais, as florestas de pinheiros…) e os templos que lá se localizam (no Candi Ceto, o destaque foram as múltiplas e engraçadas crianças que se encontravam no local a fazer uma visita de estudo; e quanto ao Candi Sukuh, que não achei nada erótico, destaco os relevos dos deuses e das deusas, as formas piramidais e a neblina existente). Depois da visita a Surakarta e arredores, o tour dos vulcões estava prestes a começar… 🙂

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P.S. – O turismo nas ilhas de Java e de Bali está montado, de modo ao vulcão Bromo ser um ponto intermédio nos grandes fluxos turísticos existentes: Yogyakarta – Bromo – Bali ou inversamente Bali – Bromo – Yogyakarta, e o que está entre estes locais “chave” cai no vazio/esquecimento (que é o caso da cidade de Surakarta).

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Tanjung Puting. No Reino dos Orangotangos

Ato I – Impacto na Chegada!

A viagem aérea foi curta, enevoada e pouco interessante. Na chegada a Pangkalabun estive à espera da bagagem durante quinze minutos e nessa altura aproveitei para perguntar o preço de alguns pacotes turísticos (5.000.000 IDR! Aproximadamente 320€ :/ ). No mesmo instante, um rapaz ocidental cheio de tatuagens veio ter comigo perguntar se queria juntar-me a ele num tour, pois desse modo seria mais barato, mas como me vinham buscar ao aeroporto, respondi-lhe que não podia ir com ele.

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Na saída do aeroporto, conheci o Mr. Ani e um colega seu, e numa carrinha do parque natural fui à boleia até à vila/cidade de Kumai, já nas imediações do parque de Tanjung Puting, ficando a saber durante a viagem, o valor do guia (mandatório) e dos spedboat. Na chegada ao edifício do parque, estava à minha espera uma mulher de vestido azul forte com quem comecei a falar. Ela apresentou-se como não fazendo parte de nenhuma agência de viagens (percebi imediatamente que essa informação era MENTIRA!) e começou a escrever num papel uma lista de itens: barco + taxas + guia + entrada + comida + … = 5.000.000 IDR (4dias/3noites) ou alternativamente  4.000.000 IDR (3dias/2noites)! Olhei para o preço, disse que era demasiado caro, que não estava interessado e que apenas queria contratar um guia para um ou dois dias. Ela respondeu-me que o parque natural apenas podia ser visitado com um barco. Nessa altura, em que me comecei a sentir como um animal encurralado e conduzido a uma armadilha, liguei ao Doni bastante zangado e irritado. Na chamada, tentei explicar-lhe o que se estava a passar e disse-lhe para conversar diretamente com minha “carrasca”, passado dois ou três minutos ela voltou a passar-me o telefone e o Doni disse que estava tudo incluído, etc… Quando desliguei senti-me injustiçado e completamente encurralado. De cabeça perdida e farto daquela “macacada”, decidi partir para Jakarta! Pedi então ao Mr. Ani para me levar de volta ao aeroporto.

Já na rua, antes de entrar na carrinha, comecei a pensar que já tinha gasto um milhão de rupias para ali chegar e que iria sair dali, sem ver absolutamente nada! Achei que tal era estúpido e acalmei-me um pouco (senti que tinha à frente um copo de veneno, agora “só” faltava beber!). Voltei ao balcão, recomecei a falar com a minha “amiga”, e nesse momento ela informou-me que havia outro turista para fazer o tour, que se quisesse me podia juntar a ele e desse modo o preço do pacote 3dias/2noites seria 2.350.000 IDR – valor “ligeiramente” inferior, não!? – sem olhá-la nos olhos, retorqui secamente: “2.000.000 IDR!” Ela disse que tinha de ligar ao marido e passado um minuto estava a confirmar que o preço podia ser esse, mas pediu para não falar disso com o outro turista, uma vez que estaria a arranjar-lhes problemas. Disse-lhe então que podia ficar descansada e que apesar de não gostar da situação, manteria a minha palavra. Entreguei-lhe então os famosos milhões e o passaporte, para ela formalizar os papéis do negócio.

Já com a burocracia tratada, partimos para o hotel da agência que ficava logo nas imediações do parque. No hall de entrada, sentei-me e pus o telemóvel a carregar, enquanto aguardava para partir. Durante uma hora e tal fui aguardando, até que finalmente o outro turista – Andreas –  apareceu, sendo esse momento caricato, uma vez que era o mesmo rapaz que tinha falado comigo no aeroporto. Já na companhia do nosso guia, partimos finalmente na direção do nosso barco que estava no cais. A  verdadeira aventura, estava prestes a começar! 😀