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Vientiane? M.M.E.D.G.Z.

Muitas pessoas associam a capital do Laos, às palavras: tédio e desinteressante. Porém e ao contrário dessas pessoas, Vientiane, foi para mim uma cidade cheia de boas recordações e memórias. 🙂 E terá sempre algumas palavras chave, associadas: o todo poderoso Mekong e os finais de dia de sonho; a estranha sensação que tive ao Meditar pela primeira vez na vida – observar que a mente/cérebro/pensamento não param! Aliás, aprender que é impossível parar de pensar e apenas podemos abrandar esse fluxo e observar o que se está a pensar. É quase como se nos tornássemos espetadores do nosso pensamento/mente – acompanhado pelo Zhou; na Embaixada da Tailândia, apliquei pela primeira vez um formulário para obter o visto de entrada no país; ganhei algum Dinheiro, fruto de câmbios sucessivos entre o Kip e o Dólar – economia paralela e aqui me despedi do Zhou. Goodbye, Zhou! Goodbye, my “crazy” friend! Goodbye, my good friend! 😀

MEKONG

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MEDITAÇÃO

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     EMBAIXADA

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DINHEIRO

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     GOODBYE ZHOU

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Segunda Oportunidade e a Cascata de Kuangsi

Depois de uma noite, muito mal dormida voltei a levantar-me muito cedo e dei uma segunda “oportunidade” ao ritual dos monges, mas desta feita o Zhou não me acompanhou. E a verdade é que em frente à nossa guesthouse, no templo de Wat That vi muitos mais monges que no dia anterior. Porém e apesar de ter apreciado, a simplicidade e humildade do ritual, a magia já estava desfeita! Foi pena… :/

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Mais recomposto fisicamente da sova infligida pela bactéria, parti durante a tarde numa carrinha turística para a cascata de Kuangsi. E meus caros não há muitas palavras para descrever o local, ora observem… 😀

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Dívidas, Templos & Lady Boys

Depois da desilusão, voltámos ao quarto e eu perguntei ao Zhou se queria visitar o museu do palácio real e o Haw Prabang, ao que ele respondeu que ficaria a dormir. Como naquela altura, já me devia um milhão de kip – 100€ – e não se mostrava muito preocupado em pagar, o que me estava a deixar irritado – até porque já não “nos” restava muito dinheiro – resolvi levar o portátil comigo, não fosse o diabo tecê-las – afinal conhecia o Zhou há menos de duas semanas. O dinheiro custar-me-ia a engolir mas seria suportável, o computador… nem por isso! :/

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Combinámos então que depois da visita, eu voltaria à guesthouse e continuaríamos juntos a ver a cidade e os seus incontáveis templos (Wat). Depois de uma visita agradável mas não memorável, voltei à guesthouse e apanhei o Zhou, que não tinha aproveitado a minha ausência para fugir… 😛 a partir desse momento, relaxei mentalmente e decidi confiar nele a 100%. 🙂

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Seguimos pelas agradáveis ruas de Prabang, a vasculhar a melhor taxa de câmbio para os dólares do Zhou e entrar em quase todos os templos que encontrávamos. Chegámos então ao Wat Xieng Thong – templo da cidade dourada – e como se tinha que pagar o Zhou manteve-se fiel à sua filosofia económica e não entrou. As surpresas começaram logo à entrada, pois na bilheteira encontrei um lady boy e fiquei admirado, pois não esperava encontrar um Laos tão aberto relativamente a esta questão, mas… ao que parece é uma questão cultural e novamente fui relembrado que os países são como as pessoas, todos diferentes. 🙂 Já dentro do templo, maravilhei-me com os seus telhados, com as suas figuras desenhadas com vidros coloridos, com os seus dourados e misturas de cores, com os trajes açafrão e laranja dos monges e no final fui presenteado com a oportunidade de falar com um noviço e aspirante a monge. 😉

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Monges Açafrão? Grande Desilusão!

No nosso primeiro dia inteiro em Luang Prabang, acordámos às quatro da manhã para ir ver os monges no seu ritual diário, de pedir comida. Porém ao sairmos da guesthouse não se via ninguém nas ruas, a não ser uns vendedores ambulantes que estavam a montar os seus estaminés e aos quais perguntei a que horas começava o ritual. Fomos então informados que apenas começava às 5.45 e como tínhamos muito tempo, percorremos a cidade deserta com o objetivo de escolher um bom local. Em frente ao Wat May, sentámo-nos num banco e ficámos a aguardar.

IMG_7204 (FILEminimizer)Enquanto esperávamos, ouvimos as vozes dos monges a recitar surdas e a sua voz era profunda, ritmada e quente. A noite foi progressivamente dando lugar ao dia  e muito timidamente começaram a aparecer outros turistas. Comecei a perguntar-me se estaríamos no local correto e quanto mais o relógio se aproximava da hora marcada, mais a sensação de que algo não batia certo se acentuava. Às 5.45 uma dúzia de turistas, comigo e com o Zhou incluídos, viu cerca de vinte monges a dar a volta ao mosteiro, a recolher comida e a desaparecer instantaneamente. Fiquei a olhar e a esperar por mais monges, mas ninguém apareceu. Vi as senhoras a recolher os cestos onde tinham a comida para os monges e tive a certeza que tinha acabado. Encolhi os ombros e perguntei ao Zhou: “É só isto?”, ao que parecia era. Monges açafrão? Grande desilusão! :/

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Jinghong. Jardins e Cheirinho a Cultura Thai

Durante o dia na cidade decidi visitar os seus múltiplos jardins e parques e abrigar-me um pouco do calor semi-tropical da região – Xishuangbanna. A caminho do jardim botânico, passei por inúmeros mercados e bancas de fruta e o que me ficou mais entranhado na memória, foi o cheiro doce e frutado que exalava das ruas: mangas, papaias, abacaxis, linchas, bananas, uvas e cerejas… 😀

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Nos jardins da cidade (botânico e das plantas medicinais) passeei tranquilamente por debaixo de copas frondosas, palmeiras, bungavílias, borracheiras, vi laranjas gigantes, jacas, abacaxis. 🙂 Depois visitei o parque Minzu Feng Qing e o seu ambiente semi-decadente e o parque Manting onde encontrei um templo que só me fez lembrar a Tailândia e a cultura Thai – o estilo arquitectónico, os dourados, os pináculos, a representação dos Deuses…

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Ao entardecer tirei umas fotografias ao magnífico céu e ao rio Lancang (nome dado pelos chineses ao Mekong) – que vi pela primeira vez, aqui em Jinghong – e na despedida da cidade, posso afirmar que a mesma tem um cheiro que já não é da China e se me dissessem que estava na Tailândia, em Myanmar, no Laos… acreditaria. 😀

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Crónicas O 1º Dia

Inferno e Purgatório em Ciqikou

Depois de falar com o rececionista do hostel, ele aconselhou-me a visitar a cidade antiga de Ciqikou durante a tarde e como não tinha nenhuns planos, segui o seu conselho e embarquei no moderno, limpo e eficiente metro da cidade. 🙂 Quarenta minutos volvidos, cheguei ao destino e inicialmente não estava a perceber o interesse do local, uma vez que apenas via casas pintadas de branco e castanho com alguns detalhes em madeira. Só passados dez/quinze minutos percebi que tinha falhado a entrada do local. Upsss! 😛 Quando finalmente entrei, desejei ardentemente não o ter feito, pelo menos durante os primeiros três quartos de hora, tal a quantidade de pessoas e lojinhas turísticas. Desembocara no “Inferno” e só desejava sair de lá! :/ Comecei a andar à procura de uma saída e passado esse período inicial, desemboquei então num local que se assemelhava a uma feira (bancas de comida e divertimentos semi-decadentes) à beira-rio. E daí pude observar a cidade pernaltuda de Chongqing na outra margem, um mega viaduto e o pardacento rio.

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Porém, não desisti totalmente de Ciqikou, dei-lhe mais uma oportunidade e procurei uma entrada alternativa. E aí,  esta cidade antiga passou pelo purgatório, redimiu-se das suas falhas e expiou os seus pecados. 😉 Fui trilhando algumas ruas tranquilas e cheias de charme – china clássica – e encontrei o templo de Po Lun que foi um deleite de visita, principalmente a sua Torre do relógio de onde tive uma vista panorâmica sobre o templo mas também sobre a cidade de Chongqing. Infelizmente, não pude acabar a visita sem entrar uma vez mais no Inferno, mas desta feita com um estado de espírito mais Zen e “iluminado”, cortei Ciqikou qual uma faca afiada e saí incólume no outro lado da vila. 🙂

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Crónicas O 1º Dia Reflexões

Manhã em Chongqing

Quando cheguei à cidade dirigi-me imediatamente ao hostel que tinha marcado e diga-se em abono da verdade que só o consegui fazer, porque tinha a morada escrita em caracteres chineses, senão tinha sido impossível, pois as indicações que estão disponíveis no hostelworld, não estão nada claras! :/

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Ao chegar, pedi algumas informações sobre a cidade e alguns papéis escritos em chinês para apontar caso necessitasse, uma vez que não tinha nenhum mapa. E meu primeiro passo foi ir até Chiao Tien Men – porto dos barcos recreativos – comprar o bilhete para partir para o rio Yangtze nessa mesma noite, uma vez que só existia um barco por dia e apesar de ter o hostel marcado não me apetecia passar dois dias inteiros na cidade. Quando comprei o bilhete fiquei a saber que a viagem duraria quarenta horas e apenas chegaria ao destino por volta das 14.00 de Domingo – a viagem estava programada começar na sexta feira, às 22.00!

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Com a minha vida organizada pelo menos durante os próximos dias comecei a deambular pela cidade e fui andando ao longo do rio naquele dia cinzento e encoberto. A primeira atração turística que vi foi o HangYadong, que é um conjunto de antigos edifícios e grutas, mas que achei desapontante. :/ Daí segui em direção ao centro da cidade e no caminho encontrei um Carrefour onde aproveitei para comprar mantimentos para a longa viagem que se avizinhava. 😉 Depois do “shopping” encontrei o templo de Arhat e aí foi super interessante ver o contraste entre o mesmo e as torres que o rodeiam, sentindo que estava a ver a dialéctica da cidade na sua forma mais física e material. Já no seu interior e à semelhança de Leshan vi as estátuas das centenas de discípulos de Buda; observei com atenção um monge que estava a abençoar as pessoas; e vi algo que me deixou entusiasmado e que nunca tinha visto anteriormente, um templo parcialmente demolido, andando durante alguns momentos a fotografar os seus escombros. 🙂 Quando sai do templo dirigi-me a Jifongbei e aí encontrei o coração palpitante da cidade moderna e pude observar o lado mais cosmopolita, luxuoso e capitalista de Chongqing: lojas, hóteis e centros comerciais de luxo, um movimento incessante e uma profusão de arranha-céus.

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Quando regressei ao hostel (13.05) falei com o staff e disse-lhes que não iria passar a noite no mesmo, uma vez que tinha viagem marcada para essa noite, mas que entendia se me quisessem cobrar a noite. Para minha surpresa, disseram que não havia problema nenhum e inclusivamente disseram que podia utilizar o hall, a internet do hostel e que a mala podia continuar guardada! Impecavéis. 😉

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Deambulando em Cangshan

Quando acordei era bastante cedo e o céu estava fantástico, uma vez  que as nuvens estavam com uma densidade como nunca antes presenciara. 🙂 Depois de uma bela sopa de noodles, parti para Cangshan que é a montanha que fica a oeste de Dali. Logo no início tentei escapulir-me ao pagamento do bilhete e tentei entrar na montanha por trilhos alternativos, porém e mesmo assim não consegui evitar o controlo e tive mesmo de pagar bilhete, que diga-se em abono da verdade não foi assim tão dispendioso – cerca de 4€. 😛

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Na subida para o templo de Zhanghe, o trilho de terra batida tinha algumas inclinações elevadas, mas o facto mais curioso era a encosta estar coberta de campas, estava por isso a fazer a minha ascenção no meio de um cemitério. A partir do templo segui o trilho do hiking, serpeteando pela montanha e vendo diferentes faces da mesma, verdes florestas, panorâmicas de Dali, rochedos com formas curiosas – caras e esqueletos – algumas escarpas, rochas com fungos verdes e infelizmente por ser época de incêndios grande parte dos trilhos estavam cortados – o que impossibilitou a ida a alguns locais, havendo um controlo das horas a que as pessoas passavam (checkpoints).

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No Grande Canyon de Cangshan, junto ao leito do rio que agora está seco tive a oportunidade de andar no meio de escarpas bastante altas e a partir de certo ponto do trilho a manutenção torna-se inexistente e ao continuar a andar, senti-me um pouco como o Indiana Jones a entrar na selva 🙂 e voltei para trás quando encontrei o trilho completemente destruído.

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Na zona de Qing Bi e nas imediações do teleférico, pude ver uma bela cascata de águas azuladas e divertir-me ao observar as pessoas a jogar Xiàngqí em formato gigante. 🙂 Como o  teleférico que une as montanhas está altamente inflacionado, tentei arranjar uma alternativa ao mesmo e apesar de no mapa da montanha não aparecer nenhum trilho marcado, consegui perceber que de facto existe um! 😛 O mesmo está num estado de conservação absolutamente perfeito, é altamente dinâmico – sobe e desce constantes – e faz a ligação entre Qing Bi Xi e o templo de Gantong. Durante o caminho pude observar o verde da montanha, as campas nas imediações do templo e fui pensando se o facto do trilho não aparecer marcado se deve ao facto deste ser um caminho relativamente “recente” – concluído em Outubro de 2011 – ou de existir interesse em manter este trilho no anonimato para haver uma rentabilização do teleférico. 😉

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Entre o caminho do templo de Gantong e o templo de Guan Yin – que foi sem dúvida o mais belo do dia, com as coloridas bandeiras e torres brancas a harmonizarem todo o espaço – encontrei uma zona em reconstrução total – pó, camiões, entulho, escavadoras… – e que me ofereceu panorâmicas para a montanha e sobre a cidade de Dali. Ao fazê-lo, senti-me bem porque andei por caminhos praticamente inexplorados, nos quais os turistas não circulam e vi a cidade não maquilhada, a cidade das crianças, dos velhotes e dos artesão. 😀

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Emeishan. Montanha Budista

Ato II – A Descida e Os Macacos

Antes do nascer do sol, acordei e dirigi-me novamente ao Jin Ding – “quem corre por gosto não cansa” – mas a tentativa de ver nascer o astro rei foi novamente frustrada pelo nevoeiro. Não tão intenso como no dia anterior, pois desta feita era possível vislumbrar a enorme estátua de Samantabhadra no topo, mas mesmo assim intenso. De qualquer modo fiquei feliz por observar que as bandeiras colocadas no dia anterior, apesar de congeladas ainda estavam no mesmo local. 🙂

Ao amanhecer

             Detalhe de uma porta

Por volta das 8.00 começámos a descida num bom ritmo, uma vez que durante a tarde tínhamos de apanhar um autocarro para regressar a Chengdu. Às 10.00 já estávamos no “Elephant Bathing Pool” e depois de um engano no caminho que nos levou para uma rota bastante mais longa, tivemos um infeliz encontro com uma das famosas tribos de macacos de Emeishan. :/

Nesse encontro, o Li foi assaltado pelo “rei” que reclamou posse imediata da sua mochila e de todo o seu conteúdo. Durante meia hora assistimos a um espectáculo de destruição e agressividade! :/ E se ao observar as traquinices dos pequenos símios, não pude deixar de os olhar com alguma ternura, o mesmo não posso dizer em relação ao “rei”! Uma vez que em mais de uma ocasião, senti raiva pelo macaco e o meu instinto era claro, apredejá-lo ou dar-lhe uma “coronhada” com um pau! Felizmente para nós, passado esse tempo – que pareceu interminável – o “rei” fartou-se e de todos os itens destruídos, felizmente a máquina fotográfica, o dinheiro e os documentos do Li passaram incólumes.

      

Sem nada a fazer, continuámos o nosso caminho em direção ao Mosteiro do Pico Mágico (1752 m) e ao Venerável Terraço das Árvores (1120 m). Ao longo do percurso observámos a riqueza natural da montanha e dei graças ao engano que nos fez continuar a descobrir toda a beleza da mesma. Antes de chegarmos ao Pavilhão de Qing Yin (710 m) ainda tivemos mais um “date” com macacos, tentando passar por eles sem lhes dar muita importância, algo do género “vocês aí, nós aqui”, mas mesmo assim um macaquito ainda me saltou para as costas/pescoço quando passei por ele. Uns metros mais à frente, finalmente, percebemos que o problema em Emeishan não são os macacos mas as pessoas que lidam com estes: as que tiram fotografias com eles como adornos; as que os alimentam; as que fazem deles um negócio,  habituando-os à presença humana da pior maneira possível. Resultado? Os macacos tornam-se uns autênticos demónios! :/

Serpente      Flores no mosteiro

Já na fase final da descida encontrámos a parte mais descaracterizada e feia da montanha. A montanha humana e a montanha como negócio e comprovámos que se a ascensão for realizada a partir de Wuxiangang (portão mais distante do Jing Ding) é muito mais dura e difícil não sendo possível realizá-la apenas num dia, uma vez que a nossa descida – trinta e quatro quilómetros – foi realizada em sete horas. Quando saímos da montanha, apanhámos mesmo “à pele” um autocarro que estava de partida para Baoguo, a vila do Teddy Bear hotel e onde deixámos os nossos “monstrinhos”.

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Emeishan. Montanha Budista

Ato I – A Ascensão e o Nevoeiro

Antes da partida para um dos portões de acesso à montanha, eu e o Li tomámos um pequeno-almoço reforçado, desta vez uns noodles bem picantes cheios de carninha e umas bolas de milho de massa pastosa muito pegajosa e consistente. Ainda na vila apanhámos um “táxi manhoso“ – nome pelo qual comecei a batizar os carros privados que fazem transporte de pessoas – que ficou ao mesmo preço de um autocarro público para Wannian. 🙂 Esta é a entrada que fica mais próxima do pico de Emeishan e serve quem tem poucos dias para fazer a ascensão e a descida – que era a nossa situação: apenas dois.

A ascensão do Monte Emei começou às 10.00 a partir de Wannian e daí até ao pico, Jin Ding (Pico Dourado) distam trinta e três quilómetros A surpresa inicial foi a vegetação luxuriante e completamente verde que cobria a montanha, ao contrário de Huashan por onde já tinha passado, muito mais árida, rochosa e de faces escarpadas. Para além dessa diferença e enquanto a Huashan era sagrada para os taoístas, Emeishan é uma das quatro montanhas sagradas do Budismo na China e destas a mais elevada.

A primeira parte da ascensão, a chegada ao Mosteiro da Longa Vida, onde almoçámos por volta das 13.00 com direito a passagem pelo templo de Wannian, não se revelou nada problemática. As dificuldades começaram quando iniciámos a subida para a “Elephant Bathing Pool” (2070 m) e daí em diante, primeiro para o “Jien Hall” (2540 m) e seguidamente para o Mosteiro Woyuen – muito próximo – do Jin Ding. Aí sim! A montanha conseguiu revelar todo o seu poder “destrutivo” e “demolidor” quer em distância, quer em grau de dificuldade. :/ As inclinações bastante elevadas durante longos períodos de tempo e algum gelo nos degraus fizeram com que atingisse o meu limite por volta das 16.30-17.00, quando o cansaço físico e mental era elevado e ao bater com biqueira da bota num dos milhares de degraus palmilhados larguei um F*%&-@$ das entranhas, algo como: estou farto de subir, estou farto da “P#$%” desta montanha!

      

Quando chegámos ao pico (3077 m) cerca das 18.00, estava um nevoeiro cerradíssimo e o caminho dourado não era mais do que um jogo de dourados, brancos e cinzas e os doze elefantes que guardavam a escadaria, a estátua do topo (Samantabhadra) e o enorme templo eram praticamente invisíveis. :/ Para além disso e nessa altura começou a nevar e o vento a soprar com intensidade, o que não ajudou em nada a colocação da bandeira e o encerramento do capítulo roubo – consciência – compensação.

     

A descida para o mosteiro onde dormimos e que ficava apenas a quinze minutos do topo, realizou-se já na penumbra total e envolta num mar de nevoeiro. Quando aí chegámos, deparámo-nos com as portas do templo parcialmente fechadas e com o som de cânticos/surdas budistas, ritmadas ao som de tambores e de um sino, que tocava esporadicamente. Após o fim das orações e de uma espera de quarenta e cinco minutos, lá conseguimos colocar as malas no quarto espartano e principalmente lavar e repousar os pés numa tina de madeira com água a ferver. Às 20.30 já estava na caminha, bem durinha por sinal mas bem quentinha, a dormir o merecido sono dos andarilhos. 😀