Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Cascata de Kuangsi

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A visita à cascata de Kuangsi – pode encontrar mais aqui – realizou-se depois de uma noite de recuperação da malfadada bactéria. Apesar de nesse dia, o vigor físico não estar no auge, todo o enquadramento da beleza natural – a grandeza da cascata e dos seus três patamares, a luxuriante e verde paisagem, as múltiplas piscinas de água azul cristalina – fizeram com que a visita, vale-se de facto a resilência.

Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Luang Prabang

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Na antiga capital dourada de Luang Prabang e centro cultural do país – pode encontrar mais aqui – reencontrei o rio Mekong, assisti ao ritual matinal e diário dos monges açafrão, levei uma sova de uma bactéria e nas suas imediações visitei a cristalina cascata de Kuangsi.

Em trânsito: Luang Prabang – Huay Xai. Pelo Mekong Acima

Prólogo. Autocarro Noturno para Prabang

Em Vientiane apanhei um autocarro noturno para regressar a Luang Prabang e logo no início da viagem fruto da barafunda reinante, partimos com meia hora de atraso. Preparei o meu kit “dormida”: palas para os olhos, tampões para os ouvidos, a minha rica almofada de ar e encostei-me à janela preparado para dormir.

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A viagem foi passada quase toda a dormitar, mas mesmo assim ainda tive tempo para experienciar duas epifanias. Ambas ocorreram na paragem em Nathong, a primeira quando o autocarro estacionou e chovia torrencialmente. Nesse momento, fiquei a pensar se devia ou não sair do autocarro e balancei entre o sentimento de conforto vS a experiência de vida e os momentos experienciados, ou metaforicamente falando, da possibilidade de ver a vida a passar pela janela ou “saltar” para a estrada. 🙂 A segunda aconteceu no pequeno restaurante onde jantei. Aí encontrei um relógio pregado na parede, parado e tive a certeza que aquela era a metáfora perfeita do país, um local onde o tempo parou e se cristalizou, algures na década de 70 do século XX. 😉

Segunda Oportunidade e a Cascata de Kuangsi

Depois de uma noite, muito mal dormida voltei a levantar-me muito cedo e dei uma segunda “oportunidade” ao ritual dos monges, mas desta feita o Zhou não me acompanhou. E a verdade é que em frente à nossa guesthouse, no templo de Wat That vi muitos mais monges que no dia anterior. Porém e apesar de ter apreciado, a simplicidade e humildade do ritual, a magia já estava desfeita! Foi pena… :/

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Mais recomposto fisicamente da sova infligida pela bactéria, parti durante a tarde numa carrinha turística para a cascata de Kuangsi. E meus caros não há muitas palavras para descrever o local, ora observem… 😀

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Doente em Prabang

Depois de deambularmos mais um bocado pela cidade, voltámos à guesthouse e senti-me mole com o calor da rua. Deitei-me um bocado para repousar e durante horas fui dormitando. Por volta da 18.00 disse ao Zhou para ele ir jantar, que não me apetecia mexer e fui até à casa de banho onde fiz diarreia – pela primeira vez na viagem. Depois disso comi uma banana e em menos de cinco minutos estava a vomitar e fui à mala buscar o termómetro, para ver se tinha febre e tinha… 38.5 °C. Como sentia o corpo todo partido e  por uma questão de prevenção, decidi ir ao hospital  o que na Europa não nos mata, aqui nunca se sabe. :/

Já na rua e uma vez que o hospital ficava a quatro quilómetros do centro da cidade, fiz sinal para um tuk-tuk parar e mesmo cheio de febre consegui negociar o preço e baixar o mesmo para metade – de 30.000 kip passou para 15.000 kip – aliás parte da argumentação baseou-se em: “Estou doente e cheio de febre e você quer aproveitar-se da minha fragilidade”. Quando cheguei às urgências do hospital, sentei-me e esperei que alguém reparasse em mim e passados dez minutos duas enfermeiras vieram ter comigo. À medida que fui respondendo às questões de rastreio, fui sendo encaminhado para uma zona do hospital que estava deserta e aí numa sala, deitei-me numa maca até ao médico chegar.

Quando ele chegou começou a fazer-me perguntas, a apalpar-me – de um modo clínico… juízo! 🙂 – e depois de me medirem novamente a temperatura (39 °C), tiraram-me sangue para fazer análises. Antes de se ir embora o médico deu-me um paracetamol e disse-me que podia estar infetado com Dengue. :/ Enquanto estava sozinho na maca, a olhar para o teto branco e para a ventoinha que girava, pensei que não queria ser vencido por um mosquito e que caso estivesse infetado com Dengue, esperava poder resolver o problema no Laos! Após meia hora de espera, o médico apareceu com os resultados e disse que não tinha Dengue ou Malária – esta era difícil, uma vez que ando a fazer a sua profilaxia – e que tinha uma forte infeção bacteriológica, fruto muito possivelmente de alguma comida em piores condições. Fui medicado com os minha própria medicação (antibiótico – ciprofloxacina; imodium para a diarreia; e paracetamol até ficar sem febre) e na despedida agradeci várias vezes o bom auxílio prestado e saí do hospital bastante aliviado com o diagnóstico. 🙂

Para voltar ao centro da cidade tive que voltar a regatear o preço da viagem com o condutor do tuk-tuk e na chegada ao centro, ia-me espetando no chão quando tive a péssima ideia de saltar do veículo quando ele ainda não estava completamente parado. “Ai, Kiri, Kiri…não te armes em John Rambo! A bactéria já é suficiente para te dar uma sova!” 😛

Dívidas, Templos & Lady Boys

Depois da desilusão, voltámos ao quarto e eu perguntei ao Zhou se queria visitar o museu do palácio real e o Haw Prabang, ao que ele respondeu que ficaria a dormir. Como naquela altura, já me devia um milhão de kip – 100€ – e não se mostrava muito preocupado em pagar, o que me estava a deixar irritado – até porque já não “nos” restava muito dinheiro – resolvi levar o portátil comigo, não fosse o diabo tecê-las – afinal conhecia o Zhou há menos de duas semanas. O dinheiro custar-me-ia a engolir mas seria suportável, o computador… nem por isso! :/

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Combinámos então que depois da visita, eu voltaria à guesthouse e continuaríamos juntos a ver a cidade e os seus incontáveis templos (Wat). Depois de uma visita agradável mas não memorável, voltei à guesthouse e apanhei o Zhou, que não tinha aproveitado a minha ausência para fugir… 😛 a partir desse momento, relaxei mentalmente e decidi confiar nele a 100%. 🙂

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Seguimos pelas agradáveis ruas de Prabang, a vasculhar a melhor taxa de câmbio para os dólares do Zhou e entrar em quase todos os templos que encontrávamos. Chegámos então ao Wat Xieng Thong – templo da cidade dourada – e como se tinha que pagar o Zhou manteve-se fiel à sua filosofia económica e não entrou. As surpresas começaram logo à entrada, pois na bilheteira encontrei um lady boy e fiquei admirado, pois não esperava encontrar um Laos tão aberto relativamente a esta questão, mas… ao que parece é uma questão cultural e novamente fui relembrado que os países são como as pessoas, todos diferentes. 🙂 Já dentro do templo, maravilhei-me com os seus telhados, com as suas figuras desenhadas com vidros coloridos, com os seus dourados e misturas de cores, com os trajes açafrão e laranja dos monges e no final fui presenteado com a oportunidade de falar com um noviço e aspirante a monge. 😉

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Monges Açafrão? Grande Desilusão!

No nosso primeiro dia inteiro em Luang Prabang, acordámos às quatro da manhã para ir ver os monges no seu ritual diário, de pedir comida. Porém ao sairmos da guesthouse não se via ninguém nas ruas, a não ser uns vendedores ambulantes que estavam a montar os seus estaminés e aos quais perguntei a que horas começava o ritual. Fomos então informados que apenas começava às 5.45 e como tínhamos muito tempo, percorremos a cidade deserta com o objetivo de escolher um bom local. Em frente ao Wat May, sentámo-nos num banco e ficámos a aguardar.

IMG_7204 (FILEminimizer)Enquanto esperávamos, ouvimos as vozes dos monges a recitar surdas e a sua voz era profunda, ritmada e quente. A noite foi progressivamente dando lugar ao dia  e muito timidamente começaram a aparecer outros turistas. Comecei a perguntar-me se estaríamos no local correto e quanto mais o relógio se aproximava da hora marcada, mais a sensação de que algo não batia certo se acentuava. Às 5.45 uma dúzia de turistas, comigo e com o Zhou incluídos, viu cerca de vinte monges a dar a volta ao mosteiro, a recolher comida e a desaparecer instantaneamente. Fiquei a olhar e a esperar por mais monges, mas ninguém apareceu. Vi as senhoras a recolher os cestos onde tinham a comida para os monges e tive a certeza que tinha acabado. Encolhi os ombros e perguntei ao Zhou: “É só isto?”, ao que parecia era. Monges açafrão? Grande desilusão! :/

Em trânsito: Nong Khiaw – Luang Prabang. Uma Questão de Imaginação

Na saída de Nong Khiaw tentámos apanhar boleia, mas como em meia hora não passou nenhum carro e como já estávamos a prever o que iria acontecer, quando o autocarro passou por nós fizemos sinal para ele parar. O Zhou ficou a olhar e disse: ”Mas isto não é um tuk-tuk?” e eu respondi: “Isto é mesmo o autocarro!”. Assim que entregámos as bagagens ao motorista estas foram imediatamente postas no tejadilho, pagámos e embarcámos num autocarro mixado de tuk-tuk para Luang Prabang. 🙂

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Só que para além de se assemelhar a um tuk-tuk, o nosso autocarro já estava quase lotado! 😛 Assim, tive de me sentar na chapa, encostar-me e fazer figas para não haver muitos buracos e solavancos, se não ia ficar todo partido. Nessa altura a preocupação principal foram as costas e a coluna e tentei ao máximo criar amortecimento para elas, quanto ao rabo… paciência! 😛 O que ia valendo é que a estrada não era nada má. E quanto à lotação? É tudo uma questão de relatividade, pois quando pensamos que a carrinha está cheia, arranja-se sempre espaço para mais alguém. Mesmo que os nossos olhos não vejam esse lugar, é porque a nossa imaginação é limitada e ainda não atingiu o estágio de desenvolvimento da imaginação Laosiana! 😀 Assim, a viagem foi passada entre conversas com um casal de neozelandeses e mudanças de lugar constantes, pois à medida que o autocarro parava alteravam-se o número das peças de Tetris, que éramos todos nós. 🙂