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Família e Luta de Galos em Baucau

Inesperadamente parti para Baucau, na companhia de Gregório e de Cirilo, e mesmo antes de partirmos de Díli tivemos alguns problemas com a “malta” das carrinhas/autocarros, pois quando quisemos mudar de veículo, não nos queriam deixar tirar as bagagens. Durante a discussão, houve momentos em que pensei que iria haver pancadaria, pois o Gregório normalmente sempre calmo, estava passado! Felizmente o Cirilo, resolveu a questão com um misto de “tomates” e muita serenidade. 🙂

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Durante as três horas da viagem, colina abaixo, colina acima, fui alvo da curiosidade geral dos outros passageiros e fui observando a bonita costa timorense: o mar, as rochas, as árvores, as praias…, as aldeias muito simples e humildes, e as pessoas sempre sorridentes.

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Em Baucau, deixei o “monstrinho” em casa do irmão de Gregório e andámos até Yatua, uma pequena aldeia localizada nas imediações da cidade, no meio da serra, rodeada de vegetação e coqueiros, e onde chegámos já ao anoitecer. Aí, fomos extraordinariamente bem recebidos e pude sentir uma vez mais todo o calor, simpatia e grande coração do povo timorense, neste caso da família Nicolau! 🙂 Na aldeia conheci mais membros da família: os pais do Cirilo – o Sr. Joaquim e a Sra. Joaquina, os pais do Gregório – o Sr. Ricardo e a Sra. Isabel, o avô Júlio e mais tios, tias, sobrinhos e sobrinhas – e com eles tive um jantar, e serão muito animados, conversando sobre os nossos países em bom português.

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No dia seguinte, depois do pesado pequeno-almoço – folhas de papaia com arroz – e de nos despedirmos dos pais de Gregório e de Cirilo, voltámos ao centro de Baucau onde continuei a visitar a família Nicolau 🙂 e tive a oportunidade de ver as tradicionais e sangrentas lutas de galos. Em Timor Leste, estas lutas estão profundamente enraizadas na cultura do país e no mercado da cidade, vi a “loucura” que envolve esta tradição. A multidão frenética, o ruído, as apostas, as regras dos combates – vitória em caso de morte ou fuga -, os prémios – dinheiro e galo do perdedor, vivo ou morto -, a arena, os galos garbosos, as lâminas afiadíssimas presas nas patas, a “dança” mortal, os golpes na carne, o sangue espesso, os olhos dos animais no seu último fôlego e a morte a reclamar a vida dos vencidos…

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P. S. – Ainda em Baucau, despedi-me do Gregório com um abraço de até breve e reencontrei o irmão Vitor com quem parti para Laclubar…   

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Dias em Díli? Dias em Família

Nos dias que permaneci em Díli em casa do Garey, tive a oportunidade de viver com ele, com os seus primos espetaculares  o Cirilo, a Amélia, a Digani, a Jenny e todos os demais… – e de conhecer outros membros da sua magnífica e simpática família… a família Nicolau. 😀

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Com eles tive a oportunidade de aprender muito, muitíssimo sobre o país e falámos sobre muitos assuntos: os fatídicos e negros episódios de 1999 relatados na primeira pessoa pelo Sr. Nicolau e com os quais me emocionei – as perseguições, os assassinatos, as mortes, as fugas para as montanhas/colinas em redor da cidade, a fome existente em 2000… -; os motivos que levaram a Austrália a intervir na invasão – exclusivamente económicos!; a evolução bastante positiva que o país tem tido, apesar das dificuldades existentes – sendo a corrupção generalizada um dos maiores entraves ao desenvolvimento sustentado -; o ensino e as dificuldades da adoção do português como língua oficial – principalmente para a geração de transição, que viveu entre o ensino obrigatório da língua indonésia e da língua portuguesa -; o enorme poder detido pela igreja católica e os sonhos, desejos e anseios destas pessoas tão boas e de coração tão grande.

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Durante aqueles dias, li bastante; escrevi textos para o blog e passei a gerir o mesmo de um modo distinto; falei muito com as pessoas – tradição Timorense/Ocidental – número de filhos; relações; casamento; família e dos “modelos imperfeitos” existentes em cada sociedade -; ganhei ideias sobre que locais deveria visitar no país; mostrei fotografias da minha viagem e contei episódios que vivi; comprei pela primeira vez um cartão SIM fora de Portugal; corrigi o português da monografia do Cirilo; fui em alegre “romaria” com os primos Nicolau até à zona do Cristo Rei já fora do centro da cidade e fiquei com ideia que Díli se assemelha a um senhor alto e magrinho – como a cidade se encontra entre o oceano e as colinas, não existe praticamente margem para crescer em largura, apenas em comprimento – e concluí que a cidade é bastante humilde, pacata, sem grandes locais turísticos a visitar e que a pouco e pouco se está a refazer e modificar, mas que tem no seu interior uma população com um coração ENORME! 😀

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Em Díli vivi dias lentos, mas regra geral tranquilos, tirando os momentos surreais que tive quando me desloquei três vezes para aplicar um novo visto na caótica e burocrática embaixada da Indonésia! O caos na parte exterior da entrada; a falta de organização, informação e cortesia; as portas com gradeamentos – parecia que estava numa prisão -; as cinquenta senhas diárias que se esgotavam em menos de nada; o preço exorbitante do visto – quando comparado com outros países da região -; as regras ridículas, nunca antes vistas em nenhuma embaixada – formulários preenchidos exclusivamente com canetas de tinta preta, fotografias tipo passe com fundos vermelhos! – Ahhhhhhhhhhhh! “Preciso” gritaaaaaaaaaaaaaar! Exasperante… horrível… uma experiência a nunca mais repetir! :/

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Na cidade vivi verdadeiramente em família e senti-me um felizardo por ter essa oportunidade. Obrigado família Nicolau, pelo carinho e amor… seguramente que vou voltar… mas “agora” seguirei para Baucau na companhia do Garey e do Cirilo! 😀

P.S. – Se tiverem de obter o visto da Indonésia – com antecedência – aconselho vivamente a fazerem-no noutro país. Fazê-lo em Timor Leste revelar-se-á um duro teste à vossa paciência e sanidade mental.

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Em trânsito: Oecussi – Dili. À Flor da Pele

De manhã acordei às 4.30 para comprar o bilhete de barco para Dili no porto. Depois duma curta boleia, numa carrinha de pedreiros e serventes, e assim que cheguei ao destino, deitei-me em frente da bilheteira no chão, onde dormi durante cerca de uma hora na companhia de outros vultos noturnos. Assim que o dia começou a clarear, as pessoas começaram a despertar e eu sentado aguardei, aguardei, até que…. perto das 7.00 se começaram a vender os bilhetes. A fila que parecia estar criada desapareceu, gerou-se um enorme caos  empurrões, safanões, apertos – e senti que estava no meio de animais a lutarem pela sobrevivência! :/ No meio desse estrafego, conheci Garey  um estudante de Dili – e combinámos que quem chegasse primeiro ao guichet compraria o bilhete do outro. Depois de uma hora de “luta” e já depois de entregarmos o dinheiro e os documentos de identificação, os “diligentes” funcionários chamaram-nos para nos entregarem os bilhetes num guichet lateral.

Ao Garey entregaram-lhe o bilhete e a mim devolveram-me o passaporte, o dinheiro e disseram: “Já não há bilhetes de classe económica” – atenção, nesse momento todas as pessoas que estavam em “luta” na “fila” estavam a comprar esse mesmíssimo bilhete. Passei-me! Já com uma postura física de quem podia cometer uma loucura, de dedo apontado em riste e com a voz meio alterada, disse-lhes: “Há sim senhor! Estas pessoas estão a comprá-lo e o senhor vai vender-mo! Senão faço queixa de si em Dili!”. Nesse momento o Garey agarrou-me o braço, disse para eu ter calma e de dentro da bilheteira disseram para eu não preocupar e aparecer no porto à tarde. Entretanto o Garey ficou a falar com um funcionário, enquanto eu fiquei parado, desolado e a pensar: ” FDP! Eu não acredito que isto me está a acontecer!” Saí do porto revoltado com aquela corrupção gritante! No regresso à cidade combinámos reencontrar-nos ao meio dia para voltarmos ao porto juntos e ele me ajudar a apanhar o barco para Dili.

À hora marcada, na residência dos profissionais de saúde encontrei-me com Garey – Gregório -, Benny – Bendito -, outros médicos e enfermeiros timorenses e contei-lhes a história do porto e o motivo da minha fúria momentânea: “Não é o dinheiro em si que me revolta, mas o falta de princípios destes “tipos”, roubarem impunemente, quando existem pessoas que trabalham arduamente e que não ganham um caracol!”. Depois destas palavras, Benny apenas disse: “Não se preocupa, não Tomás. Fica comigo que tudo vai correr bem.”

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Já no porto, entrámos por um portão lateral e não houve nenhum funcionário “diligente” ou segurança que se atreveu a pedir-nos, “propina”. Durante uma hora e enquanto esperávamos, falei tranquilamente com eles sobre vários assuntos, sendo um deles a possibilidade de ficar na casa da família de Garey em Dili. Até que… soaram as buzinas e se gerou rapidamente um grande aglomerado de pessoas na zona de embarque, que estava rodeada de arame farpado e de um contingente de polícia militar e civil! À medida que íamos andando lentamente – e eu pensava no exagero de tal aparato -, o Benny ia dizendo: “Mantêm-te, junto a mim Tomás” e no controlo de bilhete graças aos seus “conhecimentos” entrámos sem pagar nada. De um momento para o outro e sem esperar, tive a minha recompensa… estava a bordo do barco para Dili, sem pagar bilhete e/ou “propina”. 😀

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Durante as doze horas de viagem para Dili, observei a bonita paisagem na saída do enclave, tirei fotografias, atualizei o caderno, distribui sorrisos, cumprimentei muitas pessoas – e vice-versa – e falei com um rapaz Timorense – Raimundo – sobre vários temas: binómio – Timor/Ásia, Portugal/Europa e os contrastes abissais das sociedades – explosão demográfica Vs. envelhecimento da população; riqueza primária do país – petróleo, gás, minérios, sândalo… e a inexistência de um setor secundário – fábricas e produção; desemprego; emigração. Para além disso, falei com um senhor português – Vitor – que tinha visto anteriormente na Timor Telekom, que fazia parte dos irmãos São João de Deus, que estava em Timor Leste há dez anos, a fazer trabalho na área dos doentes mentais em Laclubar e fui convidado a fazer-lhe uma visita 😀 , continuei a falar com o Benny e o Garey e dormi umas horas deitado no deck, até chegarmos a Dili por volta da uma da manhã. Depois do enclave de Oecussi, estava a desembarcar na capital de Timor Leste. 😀

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Oecussi. Por Timor com Amor

Tal como em outros destinos – Laos, Tailândia e Malásia -, em Timor Leste passei a fronteira, de mochila às costas, a caminhar. Quando encontrei o primeiro controlo e comecei a falar com os polícias em português, emocionei-me por ouvir a nossa língua passados tantos meses e comecei a chorar de alegria e emoção, parecia uma Maria Madalena. 😛 Foi como sentir-me em casa, sem realmente estar em casa! 😀 No segundo controlo de passaporte, já no posto de fronteira tudo correu com sorrisos e com um carimbo vermelho a marcar 90 “diaz” segui a caminhar, desta feita já na companhia de um tímido rapaz timorense.
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Na pequeníssima aldeia de Bobometo, esperei uma hora por um mikrolet – carrinha/bus – e quando este chegou, rapidamente ficou apinhadíssimo de pessoas muito sorridentes e simpáticas. Durante a viagem, de cerca de duas horas, segui primeiro até Tono e daí até Oecussi e ao longo do trajeto a paisagem mostrou um misto de verdes colinas, montanhas, arrozais e estradas esburacadas e poeirentas. Oecussi revelou-se uma vila muito mais “rudimentar” e pequena do que esperava, mas envolvida por uma paisagem natural bela, serena – entre o mar azul e colinas/montes verdejantes, muitas vezes cobertos de nuvens nos topos – e nos três dias que aí estive, comecei a descobrir Timor Leste, a simpatia do seu povo e o lado mais obscuro do país.

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Na vila e nas suas imediações, passeei à beira-mar encontrando praias de areia clara e outras de areia negra, zonas de arvoredo, manguezais, campos de cultivo, cabras, vacas e galinhas; disse olá a muitas pessoas e crianças e senti uma energia super-positiva e contagiante; vi muitas crianças a banharem-se no mar nuas com uma pureza cristalina; em mais do que uma ocasião houve nativos que se aproximaram, que me tentaram dar beijos e me apalparam a “salada” – “mas o que é que se se passa em Oecussi!?” -; visitei Linfau e o seu monumento histórico – local onde os portugueses desembarcaram pela primeira vez em Timor em 18 de Agosto de 1515; estive alguns momentos no bonito e tranquilo café das irmãs Dominicanas, onde bebi sumos extraordinários, entre os quais de papaia e abacate 😀 ; fui até à colina de Fatusaba, onde encontrei vestígios de um antigo forte e pude observar a vila do topo; estive na Timor Telekom  único local com internet – a enviar e-mails para a minha família; visitei a longa praia de Mahata; atualizei o caderno e escrevi textos para o blog; percebi que o país é bastante mais caro que outros aqui no Sudeste asiático e que existe um aumento generalizado de preços – comida, alojamento, transportes, etc… – mas que tal é natural, uma vez que tudo ou quase tudo é importado – maioritariamente da Indonésia; tive um serão na “cavacada” a beber tuasabo  vinho timorense, feito de palma – e a esfumaçar com timorenses, entre os quais Benny – um médico que esteve a estudar em Cuba e no Brazil e que agora estagia no enclave – e senti na pele algo que nunca tinha sentido antes…
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Em trânsito: Oecussi via Kefa. Com a Ajuda do Sr. Jorge

Na chegada ao porto de Kupang e depois de evitar alguns “taxistas” trapaceiros apanhei uma carrinha coletiva que me levou para o centro da cidade. Aí apanhei uma nova carrinha/autocarro para Oinlasi e até sair de Kupang andei a passear um par de horas, uma vez que a carrinha andava para trás e para a frente a tentar angariar passageiros – a tradição indonésia não falha! 😛 . Durante a viagem que me levou por paisagens bastante verdes e algumas estradas esburacadas, mudei de ideias e decidi seguir diretamente para Kefamenanu  Kefa -, uma vez que o “fogo no rabo” para chegar a Timor Leste estava a aumentar. 🙂

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No simpático e tranquilo Hotel Cendana consegui negociar o preço do quarto, com o dono e passado pouco tempo conheci o Sr. Jorge, um senhor muito tranquilo que era simultaneamente tradutor e guia turístico. Depois de falarmos um pouco acordámos que ele me levaria até à fronteira com Timor Leste – enclave de Oecussi -, ajudar-me-ia a arranjar dólares e durante a minha estadia na cidade seria simultaneamente meu guia num passeio turístico e ojek. Vida orientada e simplificada! 🙂

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Na manhã seguinte, o Sr. Jorge foi-me buscar e juntos seguimos rumo à pequena aldeia de Bitauni  acerca de trinta quilómetros de Kefa, no estrada que segue para Atambua – onde visitámos uma gruta/santuário, que no seu interior albergava uma estátua de Cristo, levada por portugueses. Na gruta, a escuridão não era total pois a luz entrava por alguns buracos, existiam morcegos a voar e no ar sentia-se um odor pesado às suas fezes. Em frente à estátua da Nossa Senhora e da estátua do Redentor, o Sr. Jorge acendeu velas e rezou durante alguns momentos – ao que parece parte das suas orações foram a pedir proteção divina para mim – :), enquanto eu observava silenciosamente. No caminho de regresso acenei algumas vezes aos simpáticos nativos e parámos algumas vezes para tirar fotografias à paisagem: as verdes colinas; as montanhas, entre as quais Tatamailau – a maior montanha de Timor -; as casas típicas – Lopos as mais ricas e Umes as mais humildes e os campos de cultivo. Já em Kefa, imprimi e ofereci ao Sr. Jorge algumas fotografias do nosso passeio, troquei rúpias indonésias por dólares americanos – a moeda oficial de Timor Leste – e estive sossegado no quarto a ler alguma informação sobre o meu próximo destino.

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Como combinado, o Sr. Jorge foi-me buscar às 8.00 e no caminho de sobes e desces continuámos a ver a paisagem verde típica da ilha de Timor: montanhas, vales e colinas. Na chegada à fronteira o Sr. Jorge, desmontou da mota e acompanhou-me pelos múltiplos controlos de passaporte, até sair de território indonésio. O primeiro efetuado pela polícia militar, o segundo pela polícia civil e o último e mais “complexo”, no posto de fronteira – tudo começou porque não tinha um papel de controlo emitido pela embaixada de Timor Leste – tentei explicar-lhe que era português e que por esse facto, não precisava dele -; depois porque não tinha o cartão de emigração comigo, que me tinha sido entregue no aeroporto de Medan – tentei explicar-lhes que alguém mo perdeu e pedi desculpa por isso. Comecei então a ouvir falar da sua importância, etc… continuei a dizer que não podia fazer nada, a não ser preencher um novo e que sim, que percebia a sua importância. Passados cinco minutos e depois de me carimbarem o passaporte, lá me deixaram seguir viagem e na despedida do Sr. Jorge agradeci a sua ajuda no “processo” de despedida da Indonésia, para mim o verdadeiro país dos sorrisos. 😀 O enclave de Oecussi estava mesmo à minha frente, só tinha que continuar a caminhar…

IMG_4189 (FILEminimizer) P.S. – Contacto do Sr. Jorge em Kefamenanu. Telemóvel: +62 81237865987.

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Em trânsito: Lembata – Timor Oeste. Fantasmas Mentais

Durante a viagem de regresso a Lewoleba, que durou uma eternidade – cerca de cinco horas – o autocarro encheu que nem um ovo, prestes a rebentar e infelizmente ao meu lado calhou-me em rifa, uma senhora e a sua irrequieta “cria”. A viagem foi um martírio: demorada, apertada, a cabeça a bater nas barras laterais, o bebé não parava quieto e de “guinchar”… o cansaço e a falta de paciência não ajudavam e a certa altura já o queria vaporizar, mas depois refleti que também é essa a beleza da viagem. Não temos que “amar” tudo e todos SEMPRE! O melhor de tudo, é que o nosso estado de espírito muda e num segundo e num sorriso passamos a adorar a criança. 🙂 Esta viagem fez-me entender claramente que viajar longamente e de forma contínua é uma montanha russa emocional e os nossos sentimentos transitam entre estados, como tudo ou praticamente tudo, nesta vida.

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Na secaaaaaaaaaaaante capital da ilha, aguardei um dia e meio pela possibilidade de existir um ferry para Kupang, a capital de Timor Oeste, uma vez que a realidade era esta: ninguém tinha certezas e durante esse tempo em que a comunicação com os nativos era feita às quinze pancadas, recebi várias informações contraditórias. 😛 A única certeza que tinha era, caso não existisse esse ferry, existiria um avião no dia seguinte. 🙂

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Felizmente houve ferry e não tive que passar mais tempo na ilha de Lembata, esse paraíso tropical. 😉 Antes de embarcar, tirei fotografias à cor da água de múltiplos azuis e verdes e sorri com a pureza infantil das crianças que nadavam nuas, nas imediações do cais. Quando cheguei ao meu lugar, fiquei bastante satisfeito com o mesmo e durante a viagem escrevi alguns textos para o blog, atualizei o caderno, tirei fotografias à bonita paisagem e ao sereno pôr do sol, continuei a ler a “loucura” de Bukowski, pensei que na manhã seguinte iria estar em Timor e adormeci por volta das 19.00.

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Durante o sono, sonhei que estava num barco que afundava com pessoas que conhecia a bordo, mas das quais não me recordo as feições e de repente num estado de vigília senti o ferry a embater com bastante violência nas ondas, ao mesmo tempo que ouvi pessoas a gritar – pareciam verdadeiramente assustadas. A realidade é que nem sequer abri os olhos, mas lembrei-me que acabara de sonhar que estava num barco que afundava… curioso. Voltei a adormecer pesadamente e quando abri os olhos parecia que tinha dormido uma eternidade, porém eram apenas 23.30. Voltei a adormecer e acordei à 1.16 quando comi qualquer coisa. Às 3.26 acordei novamente, liguei o laptop para tirar o nome de destinos em Timor Oeste e decidi que queria partir de Kupang o mais rapidamente possível, voltei a adormecer. Acordei às 5.20, já era de dia e sentei-me a escrever: “Espero que não falte muito tempo para chegar!” e depois continuei a ler.

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Eram 7.40 quando escrevi: “Estamos três horas atrasados, o dia está cor de prata e eu estou como ele, melancólico”. Pensei na minha inabilidade/habilidade de estar sozinho, de como a internet encurta as distâncias, de como podemos nunca estar sós, sobre o vício de estar “ligado” – blog/facebook… e de como o prazer de viajar não pode/deve depender disso. Pensei nas mesclas de prazer/prisões que o ser humano cria para si mesmo, e de como a liberdade total de tudo e de todos me parece uma quimera – “a nossa vida é uma rede de conexões e ligações e sem elas não temos nada. Há sempre dois lados na moeda, não vejas apenas o negativo – no caso específico, o blog – escrever dá-te prazer! É assim que deves encarar a questão e não como uma prisão/obrigação! Relaxa e deixa-te ir… estás quase em Timor”.        

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Lamalera. Na Terra dos Pescadores

Ato II – Fishing Day

Às 6.40, como combinado no dia anterior dirigi-me à praia, mas não encontrando ninguém aproveitei para tirar algumas fotografias, principalmente às redes. Quando começaram a aparecer pescadores, o capitão perguntou-me se queria embarcar com eles, eu respondi que sim e depois de uma curta negociação, preparámo-nos para partir.

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Antes do bote sair da “garagem” e em conjunto, os pescadores fizeram uma curta oração em busca de proteção divina e quando esta terminou, começaram a colocar cilindros de madeira na areia, qual um “carril” empurrando o barco até ao oceano. Às 8.00 estávamos oficialmente de abalada e nos primeiros momentos tirei fotografias aos tripulantes, à paisagem e aguardei que víssemos alguma coisa, dividido se queria que arpoassem ou não o golfinho, mas… durante três horas nada vimos, a ponto de fazer uma mini-soneca. 🙂

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Finalmente, às 11.00, vimos golfinhos pela primeira vez e durante uma hora e tal, andámos a “jogar” ao gato e ao rato, com os cetáceos a superiorizarem-se claramente aos humanos. Se estivéssemos num jogo de futebol seria um “15-0”! 😛 A goleada cetácea, pode explicar-se pela falta de pontaria do arpoeiro no momento da verdade e/ou pela extraordinária capacidade dos golfinhos desaparecerem repentinamente, quais fantasmas aquáticos, apenas voltando à superfície, minutos depois e já afastados da embarcação. Comecei então a perceber, que a pesca é um processo looooooooongo e demoraaaaaaaaado, que se baseia na leitura de correntes e da observação da natureza – em modo sequencial: aves – peixes – golfinhos. Neste “jogo” não havia GPS, radares, pistolas ou redes, apenas e de um modo bastante justo, homem Vs. natureza . 🙂

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Entre o meio-dia e as duas, passei o meu momento mais negro do dia. Razões!? Primeira. Estava calor, muuuuuuuouito calor! Segunda. Sentia-me saturado do processo. Terceira. Não estava mentalmente preparado para passar tantas horas no mar, uma vez que queria regressar ainda nesse dia a Lewoleba. Porém, quando aceitei o facto que apenas iria regressar ao final da tarde e que teria de ficar um dia extra em Lamalera, o panorama geral melhorou. Nessa altura, também me consegui proteger um pouco do sol com a minha toalha, criando um mini-toldo e o meu sentimento relativamente à pesca mudou! Se era para ficar tantas horas no mar queria que arpoassem um golfinho! E nesse momento comecei a desejar “sangue” e uma “vitória” para os humanos. Porém…

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As horas foram passando, loooooooongos momentos sem que se avistasse nada, outros em que havia adrenalina na perseguição, mas na hora da “finalização”… ao lado! Os golfinhos continuaram a dar uma abada monumental ao humanos. A partir das 15.30, começámos a ver mais barcos no mar, o que dificultou ainda mais a pescaria – quanto mais barulho e ruídos, mais “esguios” os golfinhos se tornaram. O único momento em que vi um “golo”, foi quando vi um golfinho já arpoado por outro barco a ir abaixo e acima da superfície bastantes vezes e à medida que a corda ia sendo tensionada, ele foi-se aproximando do barco até ao momento que um pescador saltou do barco com um gancho na mão e nada mais vi, pois o nosso barco afastou-se para outras zonas.

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Às 18.00 estávamos finalmente de regresso à praia, dez horas depois da partida, sem nada arpoado! Antes de voltar à guesthouse vi os barcos a serem empurrados de regresso às “garagens” e o único golfinho que foi apanhado, a ser desmembrado osso a osso, víscera a víscera, pedaço a pedaço até não sobrar nada… e a areia ficar coberta de sangue… coberta de morte… coberta de vida.

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Lamalera. Na Terra dos Pescadores

Prólogo

Da sonolenta e poeirenta capital, “fugi” a vinte pés com destino a Lamalera, uma pequena aldeia piscatória no sul da ilha e um dos únicos locais – senão o único – do nosso planeta onde se podem pescar livremente baleias, tubarões e golfinhos! Apesar da distância não ser longa e uma vez que a estrada estava em péssimas condições a travessia foi demorada, cerca de quatro horas. Durante o trajeto, aproveitei para tirar fotografias ao ambiente, às pessoas e adormeci embalado pela topografia acidentada, pela estrada esburacada e pela música romântica que toca em quase todos os autocarros na Ásia. Ao fim da tarde estava no meu destino e na Abel Bending Homestay encontrei o meu poiso na Terra dos Pescadores.

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Ato I – Lumba Lumba

No primeiro dia do ano acordei cedo e depois de um saboroso pequeno-almoço – café, pão com doce e bolo -, quando ia a caminho da igreja vi pescadores na praia a desmembrar dois Lumba Lumba, vulgarmente conhecidos entre nós por golfinhos.

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Instantaneamente troquei o “sagrado” pelo “profano” e fui observar este “ritual”No areal dezenas de pescadores de corpos robustos, secos e extremamente morenos, desossavam com rapidez e eficácia os animais. A carne era vermelha e branca, havendo muitas partes que se assemelhavam à gordura do toucinho e à medida que se amontoavam peças de carne na areia negra, pescadores iam “lava-la” ao mar para uma posterior partilha entre os membros das embarcações que pescaram os golfinhosA areia estava a ser fecundada com sangue e no ar sentia-se um cheiro forte ao mesmo, a carne e a vísceras. Tudo foi aproveitado e no areal nada ficou, nem sequer as ossadas! Apesar do golfinho ser um animal “simpático”, este “ritual” não me chocou, possivelmente por saber que o mesmo, faz parte da cultura, tradição e modo de subsistência/sobrevivência, destas pessoas tão humanas e tão amistosas.

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Quando me estava a despedir dos pescadores fui convidado a acompanhá-los no dia seguinte, e a caminho da aldeia de Tapobali  direção oeste de Lamalera – passei pela igreja da vila. Durante hora e meia caminhei em estilo sobe e desce, estive com crianças e tirei-lhes alguns retratos, senti o sossego, o calor abafado e vi a paisagem envolvente: a vegetação, o mar, as enseadas e falésias de rocha vulcânica negra e castanha. Quando cheguei à igreja de Tapobali senti-me um alien a ser observado, pois estavam cerca de vinte pessoas paradas a olhar para mim, porém passado esse momento “estranho” tudo voltou à normalidade, os pedidos de retratos sucederam-se e foi aí que aprendi a desejar Bom Ano, na língua indonésia – Salamat Tahun Baru. 🙂

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De tarde fui até à aldeia de Wulandoni, desta feita parti na direção este. Ao contrário da manhã o caminho era muito mais plano e a topografia suave, existiam algumas praias com areia e o mar esteve sempre visível. Durante o trajeto e devido ao calor, suei, suei, suei e no regresso a Lamalera quase que sonhei com uma cola-cola fresca. 🙂 O primeiro dia do ano foi uma elipse perfeita, pois se começou com golfinhos a serem desossados na praia, acabou com estes no prato ao jantar – a carne era vermelha, um pouco rija, de sabor forte… não foi um manjar inesquecível, mas ficou para a posteridade.

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Crónicas Em trânsito Fotografia

Em trânsito: Até ao Infinito? Naaaaaaaaaaaaaaaa… Lewoleba

Se chegar a Moni já foi uma looooooooonga viagem pelo interior da ilha das Flores, a ida até à ilha de Lembata revelou ser uma jornaaaaaaaaaaada e uma caixinha de surpresas. 🙂 A viagem durou dia e meio, e para lá chegar apanhei dois autocarros, três ojek – táxi-mota – e dois barcos. Mas vamos aos factos…


Depois de visitar o bonito vulcão Kelimutu e as suas três crateras/lagos, apanhei um autocarro para as imediações da pequena aldeia piscatória de Sikka. Durante a viagem, à medida que fui descendo o ar começou a ficar mais denso, o ritmo mais lento e a vegetação, tornou-se novamente, tropical. Completamente rodeado de sacos e “nativos”, segui por verdes vales, escarpados e profundos, vendo em algumas ocasiões o mar azul, enseadas e baías, pequenas vilas, praias de areia negra e outras de areia branca – nas imediações de Sikka. Já na aldeia, estive com crianças na praia que gritavam: ”Photo, photo, photo…” mas que quando chegava a “hora da verdade” se escondiam com feições envergonhadas, falei um pouco e bebi um café com um grupo de senhoras e visitei a bonita igreja que tem no seu interior uma estátua de Cristo, que se acredita ter sido trazida pelos portugueses em 1641, aquando da queda de Malaca às mãos dos holandeses.

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Em Sikka apanhei um ojek para Maumere, mas desta feita, segui montado num “foguetão”, veloz e poderoso. Durante a curta viagem, de meia hora, pensei – principalmente a partir do momento que começou a chover – que se caíssemos, íamos ficar agarrados ao asfalto qual hambúrgueres na grelha. 😛 Maumere, que se situa entre o mar e montanhas, mostrou-se à semelhança de tantas outras cidades Indonésias, suja, pobre e deixada à sua sorte mas com pessoas incrivelmente sorridentes e calorosas. Porém, o que recordo principalmente da cidade é o encontro que tive com um “verdadeiro viajante”. Um senhor de mais idade, cheio de sentimentos de soberba, por nunca apanhar aviões e que à primeira opinião contrária que ouvia, se afastava imediatamente. Depois de assistir ao seu comportamento, desejei nunca me vir a transformar nele e no seu slogan: “Eu é que sou o verdadeiro Viajante!”.

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Em Maumere, não me fiz de velho e no dia seguinte, bem cedo apanhei um autocarro para a cidade de Larantuka. Novamente, a viagem fez-se pelo meio de uma cordilheira montanhosa, desta feita de norte para sudeste. Durante o trajeto e enquanto a música distorcia fruto da elevada intensidade sonora das colunas roufenhas, dormi aos poucos, fumei à grande com os nativos, tirei retratos e retribuíram-me a gentileza, vi muitas carrinhas decoradas com motivos religiosos, observei um grande mercado que estava a haver em Boru – pessoas, galinhas, motos, carrinhas, vegetais… -, senti que me estão sempre a pedir coisas – lenços, óculos de sol, pulseiras – como se o estrangeiro fosse uma “vaca leiteira”, pensei: “porque é que têm de conduzir tão depressa” e tive pensamentos soltos: viajar sozinho/acompanhado; tempos mortos; inabilidade para comunicar com os nativos e necessidade de comunicação; binómio andar/parar – “onde queres ir? Onde queres chegar? O que queres ver?”. Tal como no resto das montanhas das Flores, o cenário era deslumbrante e ao fim de três horas surgiu no horizonte, Larantuka e as ilhas de Solor e Adonara. A proximidade dessas ilhas à costa fazia com que o mar se assemelhasse a um lago rodeado de montanhas. Incrível!

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Em Larantuka, tentei informar-me acerca de barcos e ligações para chegar a Timor Oeste, mas devido ao mau tempo não havia ligações. Como não consegui arranjar nenhuma opção barata para dormir decidi partir para Wureh em Pulau Adonara e visitar mais vestígios portugueses, porém fruto de problemas nas negociações da travessia, desisti da ideia – “às vezes é chato e cansativo verem-me apenas como dinheiro andante”. Sem muitas opções, parti então para Pulau Solor, onde em Lahayong encontraria as ruínas de um forte português do século XVII. A fortaleza construída pelos descobridores lusos como entreposto militar, servia de apoio e defesa aos seus barcos que faziam o transporte de madeira de sândalo de Timor para Malaca.

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Na partida da ilha das Flores e enquanto esperava pelo barco, pensei no desgaste de viajar, na sua beleza, no seu desafio e improviso constantes! E se escrevi improviso, foi isso que acabou por acontecer. Soa a “piada”, mas afinal o barco estava em rota para Pulau Adonara! Instantaneamente desisti de visitar Wureh e Lahoyang. O plano imediato, passou a ser dormir em Waiwerang e na manhã seguinte seguir para Pulau Lembata, porém… assim que desembarquei no porto, voltei a embarcar noutro barco que estava de partida. Para? … exatamente – caro leitor – para a ilha de Lembata! Mais precisamente para a capital, Lewoleba e foi aí que acabei por ficar. Viagem até ao Infinito? Naaaaaaaaaaaaaaaaaaaa… Lewoleba! 😀

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Crónicas Em trânsito Fotografia

Moni & o Vulcão das três Crateras, Kelimutu

Depois de uma enooooooorme viagem de “sobes e desces” constantes pela topografia acidentada da bonita e verde ilha das Flores, e de apanhar três autocarros – o primeiro em Labuan Bajo, o segundo em Ruteng e o último em Ende, onde passei a noite – cheguei à pequena vila de Moni, nas imediações de verdes florestas, arrozais e do vulcão Kelimutu.

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O dia em Moni foi tranquilo e durante o mesmo passeei com um ojek, observei o processo de tecelagem de ikat´s e gostei tanto deles, que cheguei a comprar um, na aldeia de Jopu visitei casas tradicionais – de madeira e palha -, túmulos e campas, vi uma bonita cascata no meio da floresta e tomei um relaxante banho nas hot springs.

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Na madrugada seguinte, acordei como previamente combinado com a dona da minha guesthouse – Maria -, para tentar ver o nascer do sol no topo do vulcão. Porém à hora marcada – 4.00 – o meu ojek não apareceu e pela primeira vez na Indonésia, tive de andar a bater a portas no meio da noite para ver a situação resolvida – “don´t play games with me Maria!” – por volta das 5.00, lá consegui partir e durante a rápida subida – cerca de meia hora -, o dia foi clareando e ganhando cor, mas fruto da elevada densidade de nuvens não houve um nascer de dia exuberante.

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Do parque de estacionamento onde fui largado, até às primeiras duas crateras e lagos, o caminho fez-se num ápice e se o lago verde esmeralda já era bonito, o lago azul turquesa era lindíssimo! A paisagem envolvente estava em constante mutação: o sol, a neblina, as nuvens que eram fiapos esvoaçantes, os jogos luz/sombra, a mescla de verdes e azuis dos lagos e das rochas de várias cores. Belo! Continuei a subir degraus e quando cheguei ao topo, vi a terceira cratera e um lago de águas negras e espessas, as nuvens continuavam a aparecer e a desaparecer velozmente e como consequência a  paisagem alterava-se e renovava-se a cada segundo, a cada instante, a cada olhar.

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Depois de visitar o singular vulcão Kelimitu e as suas três crateras, fiz o serpenteante caminho de regresso a Moni – treze quilómetros – num ritmo tranquilo. Durante o trajeto vi verdes e agradáveis florestas, vales e montanhas, nuvens brancas, um sol radioso… Porém à medida que me aproximava da vila, o tempo foi piorando e progressivamente entrei num mundo de cinzas, chuva, arrozais, campos de cultivo e a última memória que guardo da vila de Moni, é o tempo quente e abafado que se fazia sentir, em contraponto à frescura do Kelimutu.

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