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Inle Days? Group Days

Ato II – A Bordo e a “Desbordo” 

No nosso primeiro dia realmente a “sério” em Inle, passeámos de barco todo o dia no lago e nos seus arredores. Primeiro, fizemos uma longa e serena travessia numa superfície de prata até à povoação de In Dein, onde encontrámos o mercado diário – no lago de Inle, todos os dias existe um mercado, a sua localização é que se vai alterando – e durante quarenta e cinco minutos vimos toda a sua azáfama e movimento, e apanhámos uma grande chuvada, que foi tão rápida a chegar como a partir. 🙂

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De regresso ao lago, fizemos as “famosas” paragens nas lojas dos artesãos locais, ao mesmo tempo que vimos a vida do local e dos seus habitantes a desfilar à nossa frente, tal como os frames de um filme. 🙂 Primeiro, parámos numa loja de tecelagem e vimos como da flor de lótus se extrai a fibra, que depois se transforma em linhas para tecer peças de roupa, lenços, toalhas… cada uma destas peças, tecida com a linha desta flor é caaaaaaaaaaaríssima – muito mais do que a seda – mas ao observar a sua textura crua e tosca, não pude deixar de me questionar: “quem comprará, estas peças!?”. De qualquer modo, as linhas de lótus podem ser combinadas com as linhas de seda e quando tal acontece, o seu aspeto visual torna-se muito mais apelativo e luxuoso. O destino seguinte, foi uma loja de prata, onde vimos o interessante processo de fundição e onde encontrámos um cãozito muito engraçado e traquinas! 😛

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Nova paragem, desta feita numa “fábrica” tradicional de tabaco onde comprei cem cigarros para levar como recuerdos para Portugal e felizmente essa foi a nossa última “loja” do dia! 😉 Na paragem para almoçar, conseguimos negociar o valor do repasto e depois da paparoca, ficámos lá um bocado deitados a dormitar. 😛 Quando voltámos a embarcar, partimos para o Mosteiro dos Gatos Saltitantes, onde encontrámos um bonito mosteiro e gatos sonolentos e preguiçosos. 😛 A verdade é que durante o resto do dia não fizemos mais paragens, exceto algures no meio do lago para um mergulho, mas mesmo assim o tempo passou num ápice e apenas regressámos à vila de Nyuang Shwe depois das cinco da tarde. 🙂

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Findado o passeio, regressámos ao barzito do dia anterior e antes de pedir algo, notei que me faltava o telemóvel. :/ Sem muita confiança, mas por descargo de consciência voltei ao cais para falar com o nosso barqueiro e antes de perguntar, já ele estava a acenar com o telemóvel na mão! Porreiro pá! 😀 Já mais animado, voltei à “base” e aí fiquei em amena cavaqueira durante o resto da tarde e príncipio da noite. Nessa altura e incrivelmente, passados algumas semanas e fruto do acaso, reencontrei Luke e Alexa  um casal de britânicos – que conhecera em Sugar Beach, Filipinas! O mundo é mesmo um T0! 😉

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Inle Days? Group Days

Ato I – Entrada Gloriosa 

A entrada no lago de Inle, foi fabulosa e auspiciosa, uma vez que para chegar ao lago verdadeiramente dito tivemos de percorrer diversos canais, como se estivessemos em Veneza, mas versão rural! 😀 O nosso primeiro destino, foi a povoação de In Dein onde encontrámos uma paisagem magnífica, coroada de estupas e pequenas pagodas, e onde eu tive um pequeno cheirinho do que poderia vir a ser Bagan (segundo as palavras dos meus companheiros de trekking). No alto de uma colina, deparámo-nos com um pequeno mosteiro, onde habitava um velho monge que nos ofereceu chá 🙂 e daí avistámos a bonita paisagem em redor: colinas verdes, campos verdíssimos e viçosos com casas espalhadas aqui e acolá, as estupas e pagodas de In Dein! Espetacular! 😀

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No regresso ao barco, o tempo começou a ficar bastante fechado e na viagem para a vila de Nyaung Shwe tivemos muita sorte, pois parecia que as nuvens escuríssimas se estavam a afastar de nós. 🙂 Nessa travessia, voltámos a passar por dentro de canais e vimos pessoas nas suas rotinas: camponeses a trabalhar a terra, pescadores a remar graciosamente com a perna e lançarem as redes à água, pessoas e mercadorias a serem transportadas em longas barcas de proa levantada, pequenos barcos a deslizarem suavemente pelas águas. Depois da maravilha dos canais e da sua vida serena, chegámos ao lago, um misto de castanhos, azuis e prata que parecia ser bastante raso.

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Na chegada ao nosso destino, como todos estávamos hospedados em locais diferentes o grupo separou-se, porém foi nesse momento que aconteceu o momento chave da semana, uma vez que combinámos reencontrar-nos para jantar. Assim e contrariamente a outras ocasiões desta odisseia asiática, o grupo não se fragmentou e no lago de Inle estivemos sempre juntos. Este facto, contribuiu de forma decisiva para prolongar a minha estadia e dos dois dias iniciais, passei para quatro. Afinal, a beleza da viagem também é esta, ter planos e mudá-los, simplesmente porque queremos e temos vontade… 🙂

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Nesse dia ao jantar, fomos até ao mercado noturno e comida no geral foi boa, principalmente a sopa de Shan Noodle. Excelente! 😀 No lado oposto da balança? O barbecue Thai. Horrível e de longe a pior comida não apenas de Myanmar, mas de toda a viagem… de fugir! :/ Depois do nosso repasto, encontrámos um bar porreirito, onde ficámos a beber umas cervejitas e antes de nos despedir-mos combinámos reencontrar-nos bem cedo, no dia seguinte.  

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Trekking para Inle

O trekking até ao lago de Inle veio a revelar-se mais um passeio de amigos do que um desafio físico, uma vez que o ritmo foi quase sempre muito lento. 😛 De qualquer modo, a travessia até ao lago foi bastante agradável, fruto da bonita e serena paisagem e do facto de termos criado entre nós um grupo unido e coeso! 😀

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Ao longo dos dias, a paisagem revelou-se um misto de campos de cultivo, pinhais, verdes colinas, alguma paisagem cársica – já na parte final do trekking –  aldeias, mosteiros, escolas, árvores de buda (Paian). A nossa guia, Jully, mostrou ser bastante profissional e uma excelente pessoa, e sempre que podia foi-nos ensinando algo sobre Myanmar e sobre a sua etnia, a etnia Pa-o   como por exemplo a lenda da mãe dragão e do pai alquimista e de como os ovos negros, deram origem aos trajes tradicionais das mulheres Pa-o, as filhas do dragão. 🙂 E em termos meteorológicos, também tivemos sorte, pois nem choveu, nem fez muito calor. Perfeito! 😉

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Ao longo dos dias, conversei muito com os meus companheiros de trekking, com quem passei bons momentos; os almoços foram simples, mas saborosos e os jantares autênticos manjares, pois a comida era ultra-mega-deliciosa! 😀 ; os camponeses revelaram-se super simpáticos, afáveis e calorosos e as crianças, absolutamente encantadoras! 😀 Para além das fotografias à paisagem tranquila, aos camponeses nos seus afazares e às alegres crianças, tive a felicidade de encontrar alguns anciões, verdadeiramente belos. 🙂 Depois de dois dias e meio de uma caminhada vagarosa, despedimo-nos de Jully e do nosso cozinheiro, seguimos o nosso barqueiro… estávamos prestes a entrar no reino de Inle.

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Rumo a Myanmar e à Caixinha de Surpresas

Durante a minha última tarde em Manila, estive em compasso de espera no aeroporto. Nesse “não espaço”, atualizei a minha folha de gastos, publiquei textos no blog, falei via skype com a minha família, li informações sobre Myanmar, ao pagar a taxa de saída do país fiquei sem dinheiro para jantar, troquei doláres por pesos e comi como se não houvesse amanhã. 😛

Na viagem entre Manila e Kuala Lumpur (KL), dormi durante quase toda a viagem, exceto quando observei as luzes de Manila, as estrelas no céu limpo e reparei que a Ursa Maior,  se encontrava praticamente, em posição vertical. 🙂 Quando cheguei ao aeroporto de KL, o relógio marcava a 1.00 e depois de esperar para fazer o controlo do passaporte, recolhi a bagagem e vi quão grande o KLIA 2 é! Neste terminal, que estava com as obras praticamente finalizadas, fiquei a aguardar até fazer o check-in do monstrinho e embarcar para Yangon.

Durante o voo entre KL e Yangon, dormitei, atualizei o caderno, preenchi as papéis da emigração (burocracias), observei a neblina que envolvia o avião (ligeira turbulência) e percebi que o fuso horário para Portugal era cinco horas e meia (o mínimo de toda a viagem). Mas, principalmente, senti que queria chegar e começar a viajar no país, a descobrir os seus habitantes, paisagens e cultura! “Receios?” Apenas as questões relacionadas com os câmbios (as notas de dólares americanos, supostamente deveriam “estalar” de tão imaculadas) e de não querer colocar nenhum habitante do país em risco! (proibição de alojamentos em casas particulares). :/

Na chegada a Yangon, pouco ou nada consegui ver, apenas rios, verde e neblina. Quando sai do avião, estava um pouco nervoso, principalmente com as questões dos câmbios e na fila para o controlo do passaporte fui esperando com alguma ansiedade. Depois de ter o passaporte carimbado (a entrada foi rápida e sem perguntas), fui direto a um dos guichets de câmbio e da bolsa de segurança, saquei de 300$ USD (os que estavam em pior estado) para trocar por Kyat. No primeiro deles, tentei convencer a empregada a trocar as notas, mas como ela se revelou extremamente inflexível, dirigi-me a um segundo guichet. Aí, a empregada mostrou-se muito prestável e lá consegui trocar o dinheiro. 🙂 Uma vez que a moeda do país “não vale um caracol”, estive algum tempo a verificar os grandes maços de notas que recebi (285.000 Kyat) e terminada essa tarefa, comecei a dirigir-me para a saída. Porém, depois de um rápido momento de reflexão, decidi trocar mais 40$ USD (37.700 Kyat) e tentei levantar dinheiro com o cartão multibanco para confirmar se este funcionava (havia muito pouca informação disponível acerca deste assunto). E… funcionou! 🙂 Já com mais 300.000 Kyat no bolso e com as questões monetárias totalmente resolvidas, aliviei o meu estado de espírito 😀 , passei pela alfândega e a bordo de um táxi, saí do aeroporto em direção à estação de autocarros. A minha travessia, neste país profundamente budista, estava prestes a começar e eu esperava uma grande caixinha de surpresas! Mas principalmente, que estas fossem boas! 😀

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Reflexões

Reflexões Filipinas

Nos quase dois meses que estive no país, houve algumas coisas que me surprenderam: a quantidade de ladyboys foi totalmente inesperada, ainda para mais num país católico, aliás ferverosamente católico, como comprovam os acontecimentos que ocorrem durante as celebrações da semana Santa (enormes procissões, chicoteamentos, crucificações…). Também fiquei admirado com a quantidade de “vovozinhos” e não só, que anda de mãos dadas com raparigas/mulheres Filipinas! E ao vê-los, recordei que não acredito que exista um “pinguinho” de amor, nestas relações.

O país é sem dúvida, um país de praia (Boracay, El Nido, Sugar Beach…), mergulho (Coron, Malapascua, Moalboal, Apo, Dauin, Balicasag…) e de belezas naturais (o vulcão Mayon e toda a Região Administrativa da Cordilheira, onde depois da China encontrei os terraços de arroz mais perfeitos de toda a viagem, principalmente na aldeia de Batad). 😀 Também foi neste destino, que fruto das companhias e do ambiente geral, tive mais festa em dois meses, do que num ano em todos os outros países. 😛

Tal como na Indonésia, a larga maioria dos habitantes são boas pessoas, quentes e afáveis, mas nas Filipinas fiquei agradavelmente surpreendido com a honestidade da larga maioria dos agentes de transportes, e se me posso “queixar” de algo, acho que só mesmo da comida. Um pouco aborrecida, tirando os famosos Baluts!  😛

Foi na cidade de Manila, que encontrei pela primeira vez na Ásia uma pobreza mais crua e real. A sujidade, as vestes esfarrapadas, famílias inteiras a dormir nas ruas. Não posso dizer que me tenha sentido inseguro, mas o ambiente pode e torna-se mais pesado. Para além disso, há muita corrupção, tanto da polícia, como dos agentes políticos, nada de novo portanto, naquelas terras abençoadas do Sudeste Asiático.

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Em trânsito: Mayon & Luzon de Sul a Norte

Depois da visita a Donsol e ao reino dos simpáticos e dóceis gigantes, era altura de rumar ao norte da iha de Luzon. Bem cedinho rumei até Malabog, onde visitei as ruínas de Cagsawa e encontrei… o bonito, aliás o espetacular e praticamente simétrico cone do vulcão Mayon a dominar a paisagem! 🙂 Aí, passeei um pouco no meio daquela paisagem rural e escaldante. 😛 Os arrozais, os camponeses, os riachos e cursos de água, as vacas e os búfalos, as palmeiras, os verdes campos, os trilhos de areia negra. Tudo isto, com o vulcão como pano de fundo. Perfeito! 😀

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Findada a breve mas entusiasmante visita ao reino do Mayon, segui para a cidade de Legzapi, onde tive a sorte de apanhar um autocarro para Manila, que estava mesmo, mesmo de saída! 🙂 O dia foi passado a dormitar, a observar a paisagem e passadas catorze horas, estava de regresso à grande metrópole. O “desembarque” na zona de Baclaran, foi feito na hora dos fantasmas e depois de perguntar onde podia apanhar um autocarro para norte, fiz um curto e rapidíssimo trajeto a pé naquelas ruas de ambiente soturno e um pouco negro até ao terminal da companhia Five Star. Sem sucesso na obtenção do bilhete, segui até à companhia Patras, onde fiquei um pouco agastado com a inoperância dos vendedores e na saída deste terminal, tentei apanhar um táxi para a zona de Cubao, onde existe o maior terminal de autocarros de Manila. Porém e apenas à terceira tentativa consegui seguir viagem, porque particularmente nesta cidade, os taxistas são cobras oportunistas e o processo de negociação deve ser conduzido com bastante atenção e prudência! Antes de seguirmos até Cubao, o meu “jarbas” disse-me que devíamos, ainda na zona de Baclaran tentar o terminal da companhia Victoria, e aí finalmente, consegui comprar o bilhete para Baguio.

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Apesar de existir um autocarro que estava de saída (1.00), apenas consegui comprar bilhete para as 4.00, e nesse compasso de aproximadamente três horas, escrevi no caderno, observei o ambiente circundante, atualizei a minha folha de gastos, li sobre Baguio e outros locais a visitar no norte, e falei via skype com a minha irmã. Já a bordo, tirei fotografias ao romper da colorida e vibrante aurora, adormeci e quando reabri os olhos reparei que o autocarro estava praticamente lotado 😛 , voltei a adormecer, observei a paisagem, e na chegada a Baguio (depois de sete horas e meia de travessia) a primeira impressão que tive, foi a de uma cidade fragmentada, construída em colinas e rodeada de pinheiros. Já depois de desembarcar e à medida que percorria a cidade, fiquei com a noção que o centro era mega compacto, muito movimentado e quanto mais observava, menos vontade tinha de ficar. Sentado à mesa do Macdonald´s, enquanto almoçava, ponderei as minhas alternativas e decidir arrancar para a vila de Sagada (ainda mais a norte). 🙂

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Quando parti desta cidade entre pinheiros, eram 13.00 e viagem até ao meu destino final durou aproximadamente seis horas e meia. Durante a travessia, continuei a dormitar, vi uma paisagem muito verde, de montes, vales, colinas, montanhas, pinheiros e outras árvores, socalcos castanhos, amarelos e verdes, estufas de vegetais, muitas transições no céu, desde o cinza/prateado até ao azul, neblina, a estrada sempre a serpentear, aldeias farruscas e quase, quase no final, rios, cascatas e uma estrada bastante esburacada. Quando cheguei a Sagada, já a noite cobria a terra. Nesta altura, fiquei no primeiro quarto que encontrei, uma vez que estava sem muita paciência para procurar mais. Afinal tudo o que queria, era tomar banho e repousar do cansaço acumulado das viagens dos dias anteriores. DonsolSagada. A travessia de aproximadamente mil quilómetros. De sul para norte. Na ilha de Luzon.

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Em trânsito: Travessia para… e em Luzon

Da ilha de Bohol, partimos via marítima para a ilha de Cebu, onde ficámos uma tarde e uma noite em compasso de espera, até partirmos para Manila via aérea. Durante essa tarde estive com a Nie no Cebu SM Mall, onde ela comprou recuerdos para a família, amigos e colegas do trabalho e eu aproveitei para comprar um telemóvel baratinho para substituir o defunto, que morrera em El Nido. 😛 No dia seguinte, partimos para o aeroporto internacional de Cebu-Mactan e aí enquanto esperava pelo embarque decidi que em Manila, apanharia um autocarro direto para Donsol.

A travessia entre ilhas foi praticamente passada a dormir, porém devido a uns exercícios militares, apenas pudemos aterrar quarenta minutos depois do horário previsto. Uma seeeeeeeeeeeca! No aeroporto de Manila, despedi-me da Nie (que nesse dia regressou à China) e apanhei um táxi para a estação de autocarros de Baclaran, que ficava nas imediações do terminal 3. Assim que cheguei, comprei o bilhete, mas como ainda tinha tempo aproveitei para comer qualquer coisinha e comprar reservas hídricas.

No regresso à estação, aproveitei para ir atualizando o caderno até partir. O autocarro arrancou às 18.00, já com uma horita de atraso – nada fora da normalidade – e durante o início da viagem, continuei a escrever, observei a bruta paisagem da enorme metrópole que hoje em dia é Manila  uma junção de cinco cidades e casa de doze milhões de almas – até que adormeci profundamente. Durante a longa travessia de doze horas para sul, apenas abri os olhos esporadicamente.

Na chegada à cidade de Legazpi, ao amanhecer, pude pela primeira vez observar o bonito cone praticamente simétrico do Vulcão Mayon, que dominava aquela paisagem verde, serena e rural. 🙂 Daí, até ao centro da vila de Donsol demorei aproximadamente uma hora e meia e assim que pûs os pés no chão, apanhei logo um tuk-tuk para o centro de interação. Eram 8.00, quando cheguei ao reino dos butandings.

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Em trânsito: Longa Jornada para Cebu

Depois das emoções passadas na ilha de Coron e arredores, a ilha de Cebu e ponto de encontro com o meu amigo Francis, era o meu próximo destino. Como tinha dois dias até à sua chegada, o meu objetivo passou por tentar gastar o mínimo dinheiro possível na travessia. Ainda em Coron, apanhei um pequeno barco que levou sete horas para chegar a San Jose, na costa oeste da ilha de Mindoro. Assim que atracámos – eu, Maiju e Steow – apanhámos uma carrinha que nos levou até Calapan, já na costa norte da ilha, onde chegámos já de noite, depois de uma viagem de cerca de cinco horas. Essa vila, marcou a minha separação de Maiju e Steow, uma vez que na manhã seguinte eles seguiram para Puerto Galera e eu apanhei um barco para o porto de Batangas, já na ilha de Luzon.

Na curta travessia entre ilhas – aproximadamente hora e meia – recebi informações de como chegar ao aeroporto de Manila da maneira mais económica e consequência disso a minha manhã foi completamente preenchida com viagens de autocarros e jeepneys: Batangas – Alabang – Zapote – Baclaran. Quando cheguei ao terminal 3 do aeroporto, o relógio batia o meio-dia e sem a viagem marcada e com o encontro com o Francis ao “virar da esquina” tive que me sujeitar aos “elevados” preços da companhias aéreas. :/

Durante a tarde e como apenas tinha o voo às 22.30, aproveitei para marcar todas as ligações aéreas que me faltavam até ao final da viagem e assim evitar mais surpresas desagradáveis com aumentos repentinos de tarifas, assim: Manila – Kuala Lumpur (que ficou mais barato que o voo interno entre Manila e Cebu! Devido a ter sido marcado com mais de um mês de antecedência); os voos de ida e volta Kuala Lumpur – Yagon e o voo de regresso a Portugal que teria duas escalas, uma em solo asiático e outra já em solo europeu (Kuala Lumpur – Guangzhou – Paris – Lisboa). Estava assim definida, a data para o meu regresso. Nunca, durante toda a viagem soube com tanta antecedência, quais os meus destinos… mas nesta situação, não existiam muitas alternativas, a partir deste momento e no prazo de dois meses, estaria em Lisboa.

Quando aterrei em Cebu-Mactan, era meia noite e pouco, mas como o Francis apenas chegava por volta do meia dia e um quarto, passei a noite no aeroporto em modo de espera. Durante essas doze horas, para além de dormir o que o corpo deixou, organizei as fotografias de Coron, enviei e-mails e aproveitei para escrever para o blog. Tic- tac… tiiiiiiiiiiiiiiiic-taaaaaaaaac… tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiic-taaaaaaaaaaaaaaaaac, o tempo passou e o Francis, chegou. 😀 

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Coron. Mergulho nas Trevas

De El Nido parti com a Maiju e o Steow em direção à ilha de Coron. Durante as oito horas que durou a travessia marítima, observei a bonita paisagem que nos rodeava (as múltiplas ilhas, o céu azul, as nuvens brancas, o sol radioso e escaldante, o mar de infinitos azuis e verdes…) e falei com os meus companheiros de viagem durante algum tempo. Já na pequena vila e capital da ilha, ficámos hospedados na agradável Marley´s Guesthouse, onde conhecemos um staff impecável que nos contou histórias impressionantes do super tufão – que apesar da longa distância percorrida, ainda chegou a atingir Coron – e que partilhou connosco o seu gosto por música ritmada e tribalista. 🙂

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Nos arredores da ilha, tive dois dias de mergulho intenso num ambiente pesado e sombrio de navios japoneses afundados durante a Segunda Guerra Mundial e aí senti um nervoso acrescido por ter entrado pela primeira vez debaixo de água, em espaços realmente confinados. Neste mundo submerso, senti o lado “negro” do mergulho, principalmente no navio Irako onde atingi a minha profundidade máxima (trinta e oito metros e meio). Porém, mesmo naquele mundo de trevas, existia luz e sempre que esta penetrava pelas frinchas e buracos existentes naquelas estruturas de aço gigantes, parecia que estava numa catedral sub-aquática! Fenomenal! Inesquecível! 😀 Para além disso, observar “algo” feito pelo homem, onde se pode ver vestígios da sua presença (as cargas inalteradas dos navios afundados) e onde ainda existem componentes que funcionam (tais como válvulas e torneiras…) é algo de inolvidável. Ao largo de Coron, foi ainda possível mergulhar nas águas escaldantes (38 ºC) de um lago de água doce. Aí, vi de forma perfeita as linhas térmicas onde a água mudava drasticamente de temperatura, sentindo em simultâneo metade do corpo quente e metade fria! Tirei as barbatanas e fiz “escalada” sub-aquática, atravessei troncos de árvore qual equilibrista e em slide, e senti possivelmente o que sente um astronauta ao pisar solo lunar.

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Em Coron, para além desses mergulhos míticos, tive serões animados, regados a rum e cola, na companhia dos meus companheiros de viagem e de dois engenheiros Irlandeses (Donald e Richard); vi procissões noturnas onde as velas dos fiéis iluminavam e espalhavam uma luz mortiça pelas ruas escuras da vila; visitei de barco uma praia de sonho, rodeada de rochas mágicas, negras como o breu e repleta de águas cristalinas e transparentes que brilhavam como safiras e esmeraldas; tive um delicioso jantar festivo onde o caranguejo e o camarão foram reis e senhores; e tive um reencontro com o passado

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Numa daquelas noites festivas, ao sair dum bar na companhia de Arnold  gerente de um resort que trabalhava na ilha – encontrámos um nativo, que o conhecia e que nos convidou a ir até ao cemitério, para fazer uma homenagem fúnebre. Arnold imediatamente e de uma forma rude, declarou que não ia, mas eu naquele momento senti algo que me impeliu a acompanhar o nativo. Comprei umas velas, ele umas cervejas, montámos um tuk-tuk e quando estávamos prestes a partir, o Arnold acabou por se dignar a acompanhar-nos. Na escuridão da noite, seguimos estrada fora e depois de uma viagem que não sei precisar quanto demorou chegámos à entrada do cemitério. Aí, passo a passo e silenciosamente, penetrámos naquele espaço vasto, negro e sereno, até chegarmos à campa. Assim que chegámos, Arnold deitou-se na campa do lado e adormeceu pesadamente. O seu ressonar competia em decibéis, com a pirosa música de discoteca que era projetada pelo seu telemóvel.

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Como estátuas de mármore e alheios a esse facto, acendemos uns cigarros e as velas, abrimos as cervejas e fizemos uma homenagem fúnebre e sentida à sua esposa e ao seu filho – que tinham falecido há um ano. Depois desse momento, dentro de mim, algo se quebrou. Repentinamente, lembrei-me do meu pai e das saudades que sentia dele. Longe de Portugal, longe de todas as pessoas que conhecia, um pouco tocado pelos copos bebidos e sem filtros e barreiras de espécie alguma, comecei a chorar… De joelhos agarrado àquela campa, larguei um peso que carreguei durante quase dezassete anos. Chorei, chorei, chorei. Chorei baba e ranho. Chorei durante largos minutos e não houve nenhum travão que parasse as lágrimas. Apenas quando senti uma leveza a ressoar dentro de mim, parei. Nesse momento, passei as mãos pelos olhos, desajoelhei-me e abracei o nativo. Naquele cemitério perdido das Filipinas, dois “orfãos” de lados opostos do nosso planeta, foram irmãos durante momentos. Juntos partilharam uma dor comum. A dor da perda e juntos reencontraram um calor e uma luz humana, que aqueceu e iluminou a escuridão da noite e o frio da morte…

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Em trânsito: Boracay – Sabang. Travessia para Palawan

Depois do party Bum de Boracay, eu e o Denis tentámos seguir para a ilha de Coron, via San Jose (ilha de Mindoro), porém como apenas tínhamos barco dali a três dias, optámos por seguir para Iloilo no extremo sul da ilha de Panay e aí apanhar um barco para Puerto Princesa, já na ilha de Palawan. Contudo, depois de uma viagem bem apertada de aproximadamente sete horas, fomos informados já no cais, que barcos só no dia seguinte! :/ Foi assim que fomos obrigados a ficar vinte e quatro horas em modo de espera, na pouca interessante Iloilo.

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A travessia marítima para Puerto Princesa durou aproximadamente trinta e oito horas, porém o tempo até passou bastante rápido, fruto de termos conhecido algumas pessoas, com as quais passámos bastante tempo – Isabela (senhora Filipina), Steow (inglês), Maiju (Finlandesa), Yannick e Aline (um casal belga); de dormirmos duas noites a bordo; e da agradável paragem que fizemos na bonita ilha de Cuyo  aproximandamente oito horas – que psicologicamente fez uma enorme diferença positiva! 😀 Durante a travessia, para além de dormir e passar bastante tempo a conversar com as pessoas, aproveitei para atualizar o caderno e comi pela primeira vez uma famosíssima iguaria Filipina, o Balut  ovo cozido com um embrião de pato, parcialmente desenvolvido – conseguindo fazer rir alguns Filipinos com o meu entusiasmo e enojar o Steow com o que acabara de comer. 😛

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Quando chegámos a Puerto Princesa, já na ilha de Palawan, o grupo manteve-se unido (exceto a simpática Isabela) e junto seguiu para Sabang. Essa viagem, que durou apenas duas horas e uns pozinhos, foi uma das mais loucas e memoráveis até à data, pois todos sem execeção fomos sentados/deitados no tejadilho do jeepney (autocarro típico das Filipinas)! 😀 A partir desse espaço aberto em andamento, pudemos começar a observar a beleza da ilha (selva verde e densa) e já nas imediações de Sabang, vi bastantes arrozais viçosos, e colinas a emergir do solo, recordando imediatamente a paisagem maravilhosa e singular de Yangshuo/Xin Ping na China.

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Uma vez que imaginava uma vila “perdida” no meio da selva, fiquei admirado por ver que Sabang afinal se localizava na costa, tendo o mar azulado/acinzentado a banhá-la e múltiplas montanhas em redor. 🙂 Quando saímos do autocarro, fomos recebidos por Mr. Horward, um americano que geria o Alport Resort e que nos levou aos nossos aposentos – um quarto tão “minúsculo” que apenas tinha quatro camas de casal no seu interior e uma casa de banho ensuite. À nossa frente, tínhamos o mar e um ambiente bastante sereno! 😉 À noite, todos juntos jantámos um delicioso e gigantesco red snapper grelhado, arroz, salada e fruta; e passámos o serão com Bob, um rastamen e guia local, com quem fomos beber uma cervejas e falar com alguns nativos. O final de dia perfeito, na chegada à ilha mágica de Palawan.     

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