A caminho do lago Toba, percorri um longo caminho, penetrando lentamente no coração e alma do povo Batak, uma antiga tribo canibal que foi convertida maioritariamente ao cristianismo. Na pequena aldeia de Dokan – pode encontrar mais aqui – visitei uma casa tradicional, onde viviam oito famílias, sendo-me explicado os “símbolos” – osgas, cornos de búfalos… – que decoram o exterior das habitações Batak e as protegem dos espíritos funestos.
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O Gunung Sibayak – pode encontrar mais aqui – representou a minha primeira oportunidade de escalar um vulcão, sendo o trekking até ao topo realizado numa encosta coberta de selva – lama e zonas barrentas, vegetação cerrada, muitos obstáculos e troncos caídos – com breves períodos de chuva leve e uma temperatura agradável. Na chegada à cratera, encontrámos um misto de castanhos, verdes e cinzentos e passados alguns momentos, quando começou a chover torrencialmente, a paisagem tornou-se surreal: as rochas de múltiplas cores – acinzentadas, acastanhadas, esverdeadas e avermelhadas -, a formação de rios e cascatas no meio do trilho, o contraste entre o vulcão “fumante” e o dilúvio! Belo e memorável.
Na cidade de Berastagi – pode encontrar mais aqui – localizada nas frescas terras altas do Karo, vi igrejas, mesquitas, camponeses e cenouras… muitas cenouras; visitei a zona do mercado, onde encontrei uma grande variedade de frutas e produtos desconhecidos, sentindo o calor e simpatia dos “nativos”; subi à colina de Gundaling de onde observei uma panorâmica da vila e já no topo, uma visão magnífica de… neblina e trevas.
Uma Geografia. Uma Fotografia: Medan
Medan – pode encontrar mais aqui – no norte da ilha de Sumatra, foi o meu primeiro destino na Indonésia. Na cidade o grande destaque vai para a imaculada mesquita branca – Masjid Raya – que visitei de sarong posto e a zona do palácio onde fui pela primeira vez entrevistado por simpáticas estudantes. Medan revelou-se uma cidade, suja e cinzenta, cheia de tráfego e fumo – motas, motorizadas, autocarros/carrinhas, carros – barulhenta, frenética, caótica, vibrante e repleta de… comida deliciosa.
Na ilha de Penang – pode encontrar mais aqui – estive na praia de Batu Feringgi que se revelou uma grande desilusão e nas imediações do parque natural mais pequeno de toda o país; deambulei no maior templo budista do sudeste asiático, Kek Lok Si; calcorreei a cidade de Georgetown e visitei magníficas e antiquíssimas mansões chinesas, mesquitas harmoniosas, ricos e dourados templos chineses e indianos, antigas construções coloniais deixadas pelos britânicos, ruas muito vivas, coloridas e movimentadas; comi a deliciosa e viciante comida que se consegue encontrar espalhada por toda a cidade e conheci Luke, um carpinteiro/surfista australiano que estava a acabar de construir uma pequeno resort em Pulau Tanahmasa e que me convidou a visitá-lo.
Langkawi – pode encontrar mais aqui – ficará associada ao extenso areal da praia de Pantai Cenang e aos seus fotogénicos crepúsculos; à escrita; aos agradáveis serões na companhia das Americanas e às panorâmicas visões do topo da montanha de Mat Cincang, donde pudemos observar quão verde era a ilha, a grande cascata de Temurun, o azul do mar, as bonitas baías e enseadas, e a vasta quantidade de ilhas e ilhotas em nosso redor.
Depois de todas as emoções vividas nos estados malaios do Bornéu e do regresso a Kuala Lumpur e à Malásia continental, o meu primeiro destino foi a ilha de Perhentian Kecil – pode encontrar mais aqui. Como a época das monções estava ao virar da esquina, encontrei a ilha em processo acelerado de fim de temporada, porém e antes do encerramento total, conheci pessoas de múltiplas nacionalidades acabando por criar com elas uma rotina de deliciosos jantares de barbecue, conversa e alguma festa; fiz um mergulho nas águas azuis e cristalinas da ilha; torrei ao sol na bonita praia de areia branca… e tive um momento que ensombrou a estadia, quando levei dois chapadões de um nativo que meteu na cabeça que lhe tinha roubado uma lata de cerveja! Depois desse insólito episódio, tirei a ilação que na Ásia, apesar das pessoas serem na maioria das vezes extremanente afáveis e serenas, se existir alguma ação que lhes “manche” a honra, podem tornar-se extremamente agressivas e fiquei com a sensação, que neste continente a vida de uma pessoa pode valer menos que uma “lata de cerveja”.
Aquando da minha estadia em Mulu a máquina fotográfica avariou-se. Foi desse modo que os restantes destinos do estado de Sarawak: Belaga, Kapit e os parques naturais de Gunung Gading e Bako foram retratados por palavras. Apenas em Kuching – pode encontrar mais aqui – que foi de longe a cidade mais agradável e interessante de todo o Bornéu consegui resolver esse problema e aí visitei alguns museus, a bonita mesquita da cidade e tive dias tranquilos e repousados no hostel que se transformou numa casa.
Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Mulu
No parque natural de Mulu – pode encontrar mais aqui – ouvi guias a falar da floresta como um ser vivo, sagrado e energético onde tudo está interligado; visitei quatro cavernas fabulosas onde senti que penetrava num mundo perdido; vi estranhas espécies de insetos, pássaros, milhões de morcegos a abandonar as cavernas ao entardecer; fiz um trekking memorável até aos pináculos; realizei a minha primeira caminhada noturna e percorrei a canopy mais longa do mundo… com tantas experiências vividas guardarei para sempre Mulu como um local selvagem, mágico e místico… o reino encantado da selva, onde é possível regressar a um mundo puro, natural e primitivo.
Na capital do Brunei Darassulam – pode encontrar mais aqui – conheci um simpático casal de espanhóis – Javier e Esther. Juntos, saboreámos, vimos e sentimos as suas diferentes facetas: as fabulosas e grandiosas mesquitas, a deliciosa comida de rua, as matinais e maquinais paradas da polícia, passeámos de barco no rio, Sungai Brunei, visitando o coração da antiga capital – o bairro de Kampung Ayer – à devida distância, o “absurdo” palácio da família real – Istana Nurul Iman – e um manguezal onde tentámos caçar fotografias de barrigudos macacos proboscis.





