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Vang Vieng. Grutas e Presunções

Depois dos magníficos dias na planície dos jarros, eu e o Zhou partimos para Vang Vieng, vila/cidade onde estivemos quatro dias. O local, está cheio de bares; restaurantes; vendedores de crepes e sumos de fruta, a cada dez metros; guesthouses; agências de viagens e empresas de aventura. A cidade é feia, desinteressante e está completamente virada para o turismo e para o turista ocidental… porém e à sua volta existe o rio Nam Xang e formações calcárias – montanhas e grutas – que a salvam do Inferno. 🙂

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Ao longo dos dias que aí estivemos, comi inúmeros e deliciosos crepes; comprámos dez ananases de uma assentada; visitei pelo menos três ou quatro grutas espetaculares e numa das quais fiz tubing  andar numa caverna cheia de água e fazer parte de uma centopeia humana luminosa – pessoas em cima de bóias, com lanternas na cabeça em fila indiana, foi algo de especial e singular; escrevi para o blog; fiz canoagem; passeei nos arredores da vila; molhei-me – fruto de tempestades tropicais e das atividades aventura; entediei-me… deu para tudo. 😉

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E para refletir que existem experiências que se têm ou coisas que se fazem em viagem que são turísticas? Certamente! Muito mesmo! Podem ser especiais? Sem dúvida. Por isso um pequeno lembrete para os “viajantes” puros ou snobes que não fazem isto ou aquilo porque é turístico. Deixem-se de tretas e complexos! Nós só não somos turistas na nossa terra Natal. De resto, até no nosso país, Portugal o somos!

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Por isso o meu conselho para todas as pessoas que viajam é: “Façam tudo o que quiserem, o que vos der prazer. Tudo o mais são balelas de pessoas que pensam que são especiais, quando na realidade são iguais a todos os outro que viajam”. O ego é tramado e gosta de nos fazer acreditar na nossa “individualidade”, mas o que realmente importa é sentirem-se bem, em paz, tranquilos e felizes. Sejam felizes, vivam felizes, só assim vale a pena viver a vida, a única que temos. Agarrem-na bem e não a desperdicem!”

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Pedalando em Phonsavanh

Ato VI – Sítios número 2 & 3. A Surrealidade Continua

Após este percalço seguimos viagem e às sete e pouco avistámos a placa que anunciava “Plain of Jars Site 3”. Desmontámos das bicicletas, prendemo-las e seguimos a pé por um trilho que nos conduziu por um arrozal adentro até nos depararmos com o local arqueológico propriamente dito no topo de uma colina verdejante. Os jarros estavam dispostos no meio de árvores, havia vacas a pastar no meio deles e a paisagem circundante era magnífica: céu azul, nuvens cinza e prata, campos, colinas e montanhas verdejantes alternando o verde escuro com o verde claro e alguns retalhos castanhos! 🙂

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Depois da visita, decidimos aproveitar e tomar o pequeno almoço num pequeno “tasco” colado ao local arqueológico e quando já estávamos à mesa, apareceu então o porteiro, que nos vendeu o bilhete do local que acabáramos de visitar! Surreal! 😛 Já com a barriguita mais composta, seguimos viagem para o sítio arqueológico número 2 e o único que nos faltava, para darmos por concluída a nossa visita à Planície dos Jarros e regressarmos a Phonsavanh.

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O caminho que uniu o sítio número dois ao número três não foi o mais espetacular mas ainda deu para passar por uma manada de vacas que estava no meio da estrada, ter de desmontar várias vezes da bicicleta, ver arrozais e aldeias e visitar a cascata de Tad Lang que foi uma desilusão. Eram quase dez da manhã quando literalmente pulei a cerca para entrar no sítio arqueológico número dois, pois mesmo pagando bilhete esta era a única forma de entrar! Eu já disse que este local é surreal, não disse? 🙂

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Desta feita fiz a visita sozinho, pois o Zhou já estava cansado e depois de subir uma “escadaria” de tijolo e terra, cheguei ao topo de uma colina onde encontrei o menor número de jarros, mas os mais bizarros, com árvores a brotar literalmente do seu interior. O que se via era um jarro já completamente partido ao meio, ou em mais bocados devido à pressão exercida pelo tronco da árvore. 🙂 Na segunda colina, deste local deparei-me com mais uns jarros no meio da relva verde e de algumas árvores, mas principalmente, deleitei-me com a paisagem que se avistava do local: rios, campos, montanhas e colinas, mosaicos de arrozais, ilhas de múltiplos verdes, enfim uma belíssima panorâmica na despedida, deste local mágico que é a planície dos Jarros. 😀

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Pedalando em Phonsavanh

Ato V – O Kiri também Voa

A estrada onde pedalávamos estava em boas condições, mas as rampas inclinadas e a impossibilidade de pormos mudanças, fazia com que existissem momentos em que tivéssemos que desmontar das “biclas” e levá-las pela mão colina acima. O facto positivo é que depois das subidas, geralmente seguiam-se descidas e foi numa delas que voei qual super-homem. 😛 Mas vamos aos factos…


Depois da compra de dois ananases e quase no final de uma mega descida, seguia montado na bicla, quando ouvi um pequeno ruído metálico e senti a roda da frente a ficar ligeiramente presa. Quando olhei para perceber o motivo, já era tarde demais! :/ A roda dianteira bloqueou completamente enquanto a traseira continuou a girar. O resultado foi a bicicleta empinar bruscamente para a frente, qual uma égua selvagem e catapultar-me – nesse momento pensei: “ Ai, F#$@-$%! Já foste!” – por cima da bicicleta, fazendo-me aterrar violentamente de peito num dos ananases. Prostrado e com a face colada ao solo, estive aproximadamente dois minutos, porém esse tempo esticou e pareceu uma eternidade. Nessa altura, pensei: “Que tralho FDP! Espero não ter nada partido”.

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Finalmente, levantei-me e pus-me a observar os estragos causados no impacto: pára-sol da máquina fotográfica partido em dois, um dos ananases esmagado – o outro sobreviveu – a mão direita sangrava e o pulso esquerdo tinha escoriações. A T-shirt cinzenta/creme e os calções estavam sujos de terra e por fim a bicicleta ficou com a roda da frente praticamente bloqueada. Depois de a observar, percebi finalmente, o que aconteceu. O barulho metálico que ouvi, foi causado pelos parafusos que prendiam o cesto que caíram e isso provocou uma reação em cadeia:  o cesto descaiu, pressionou o guarda-lamas contra a roda, esta parou de girar e… PUM, CATRAPUM! Kiri a voar, mas sem se magoar… muito! 😛

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Nessa altura, o Zhou não estava no horizonte e fui andando com a bicicleta pela mão até uma casa, onde por gestos consegui comunicar e lavar o sangue da ferida da mão direita. Para além disso e por sorte em frente da casa, estava uma carrinha de uma oficina e ao mostrar a bicicleta ao mecânico, este resolveu-me o problema com um sorriso na face… 🙂

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Voltei a montar a bicla e quando cheguei ao pé do Zhou – que me aguardava numa curva mais adiante – estava bastante irritado pois não conseguia perceber porque é que ele não tinha voltado atrás para me ajudar. Foi então que ele me explicou que não tinha visto nada pois já estava muito para a frente do local, onde voei qual águia imperial… 😛

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Pedalando em Phonsavanh

Ato IV – Tempestade e Nascer do dia

Já de volta ao mercado, estacionámos, prendemos as bicicletas uma à outra e à mesa e preparámo-nos para dormir. Nessa altura chovia torrencialmente, o céu estava a ser rasgado por raios enormes e eu pensava que aquela tempestade ia ser a nossa proteção e que o cretino mor não ia aparecer mais, naquela noite abençoada pela chuva e pela luz do céu. 🙂

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Quando nos deitámos eram cerca de 21.00 e antes de o fazer forrei-me ao máximo com toda a roupa que trazia na mala: meias, transformei os calções em calças, softshell, bonnie – para proteger a cabeça e as orelhas da mosquitagem; pus por cima de mim o lençol de seda e a almofada insuflável no pescoço; prendi a mala ao meu braço e adormeci no meio das trevas – pois nessa altura, a aldeia estava sem eletricidade – embalado pelo doce som da chuva torrencial e dos trovões.

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Ao longo da noite fui acordando e adormecendo, não conseguia ter um sono sereno e continuado, talvez fruto da preocupação inconsciente com a bagagem e fruto do frio da noite que criava um ambiente desconfortável. Seriam talvez 1.00 quando acordei com o som de relinchos e ao abrir os olhos o mercado tinha sido invadido por cavalos, que se quiseram abrigar da tempestade, da chuva torrencial e dos raios que cruzavam o céu. Ou melhor dizendo, vultos e sombras com formas de cavalos, em que o seu som -relinchos, cascos a bater no solo… – era a única coisa que os desligava do mundo dos espetros e das trevas. Voltei a adormecer e por volta das 4.30 acordei com o som de badalos e mugidos, desta feita o mercado fora invadido por espetros de vacas que apenas voltaram a ganhar corpo e densidade quando o relógio avançou e o dia começou a vencer a noite. 😉 Às 5.00 levantámo-nos, arrumámos a bagagem e seguimos viagem, afinal já tínhamos luz suficiente para continuarmos a pedalar e não queríamos mais encontros imediatos do décimo segundo grau com o cretino mor & Lda. 😉

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O início do dia foi algo de maravilhoso e um dos momentos altos do Laos! 😀 A saber: um céu cheio de nuvens densas que reflectiam as múltiplas cores do nascer do astro rei, as verdíssimas montanhas e colinas circundantes, as plantações de arroz, os campos cheios de água, os búfalos, os reflexos do céu na água, a estrada de argila castanha transformada numa estrada dourada… a experiência de pedalar ao longo de tanta beleza foi de tal modo gratificante que senti que se o dia  acabasse naquele instante já teria valido a pena vivê-lo… 😀

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Crónicas O 1º Dia

Pedalando em Phonsavanh

Ato III – Phonsavanh, Phonsavanh, Phonsavanh…

Vindo das trevas, o nativo atravessou-se à nossa frente, parou a lambreta no meio da estrada e abriu os braços para pararmos. Nós parámos e ele começou a gritar: “Phonsavanh, Phonsavanh, Phonsavanh…” qual um disco riscado e a acenar com o dedo nessa direção. :/ Percebemos que ele queria que voltássemos para trás e fruto da sua agressividade, apesar de contrariados, começámos a pedalar em direção da aldeia. Ele montou a lambreta, seguiu-nos durante um bocado a poucos metros de distância e assim que reentrámos na aldeia ele virou para uma casa e nós seguimos devagar a “discutir” as nossas opções, comigo a praguejar: “Filho da P&%@! Já viste aquele c”$#%zinho de &$#£@?” e nisto demos de caras com o que parecia ser a nossa solução, a área de um mercado, com um telheiro gigante e com mesas de madeira a servir de bancadas de venda. Perfeito! 🙂 Estacionámos as bicicletas e prendemo-las com um cadeado. Nos entretantos fomos aliviar o peso das bexigas e sentámo-nos nas mesas prontos a descansar, quando…

Vimos a luz da lambreta e o nosso amigo a dirigir-se na nossa direção. “Ai a &$#£@, ãh! Marcação cerrada!?” :/ Assim que chegou recomeçou: “Phonsavanh, Phonsavanh, Phonsavanh…” e eu com a mão a acenar para ele ter calma e em inglês: “Yes, Yes… We go.. After. Now we need to rest”. Uns minutos depois ele voltou a montar na lambreta e desapareceu, mas foi sol de pouca dura, porque quase imediatamente voltou com o seu amigo tradutor. Este tentou dissuadir-nos de dormirmos ali: “Cuidado com a vossa segurança. Ai os assaltos. Ai os mosquitos. Vocês têm de ter cuidado, convosco” e eu a responder-lhe: “O Laos é um país muito seguro e com pessoas muito afáveis. Muito obrigado pela vossa preocupação. Não se preocupem que nós temos repelente. E nós vamos voltar a Phonsavanh, claro! Mas agora estamos a repousar e para além disso o Zhou, o meu amigo, tem medo de trovoadas”. 😛 Tudo isto com um sorriso irónico estampado. Entretanto apareceu um nativo mais velho a falar francês e embriagado, ao qual eu cravei um cigarro e ouvi durante cinco minutos, até ele desaparecer do mercado e da equação. 😛

Passados poucos minutos os nossos amigos começaram a falar em polícia e que tínhamos de sair dali porque podíamos ir presos ao que lhes respondi que se a polícia nos desse boleia para Phonsavanh sairíamos dali com todo o prazer. De outro modo, impossível, porque estávamos muito cansados. Voltaram a desaparecer e eu nesta altura só me ria e dizia ao Zhou: “Mas esta &$#£@ não acaba? Ai santa de paciência!” e claro que quem aparece e desaparece tantas vezes, não pode deixar a estória morrer aqui. Quando voltaram, traziam consigo um telefone portátil com eles. “Oh diabo! Mas para que raio querem aquilo?”, enquanto falava com o amigo tradutor, que entretanto já sabia tratar-se do professor da escola da aldeia – bem pelo menos foi o que ele disse – o cretino mor começou a falar em alta voz e pareceu-me que estava ao telefone com uma telefonista ou operadora de linha.

Quando o telefonema acabou fizeram-nos sinal para os seguirmos e o “professor” explicou-me que íamos ficar no centro de turismo, ao que respondi que não tinha nenhum problema com isso. Durante o trajeto, o “professor” desapareceu e nós seguimos o cretino mor até ao “centro”, estacionámos as bicicletas e ficámos sentados debaixo do telheiro. Nesse período, saiu de dentro do edifício um idiotazito a gritar-nos Phonsavanh e a enxotar-nos até que apareceu o cretino mor a fazer sinal que as bicicletas tinham de pagar “parque”. Eu no telemóvel pûs 5000 kip (0.50€) e mostrei-lhe, ele apagou o valor e pôs 3.000.000 kip (300€). Nessa altura não me contive e ri-me na cara dele, aquela era a confirmação que eu esperara a noite toda, o cretino mor não passava de um palhaço corrupto à procura de dinheiro. Nessa altura o pouco respeito que já lhe tinha desapareceu por completo.

Eu e o Zhou levantámo-nos e ele perguntou: “Phonsavanh?” e eu disse: “Sim. Sim. Phonsavanh”. Começámos a pedalar, com o cretino mor na nossa roda traseira e perguntei ao Zhou se íamos encenar a despedida ou se íamos diretamente para o mercado. A resposta foi-me dada, quando ao passarmos pelo mercado o Zhou cortou bruscamente para lá e eu segui na sua roda, enquanto o cretino mor, parado na estrada gritava de braços abertos: “Phonsavanh, Phonsavanh, Phonsavanh…” e eu a dizer para mim próprio: “Sim… sim… Phonsavanh…”     

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Pedalando em Phonsavanh

Ato II – A Rota Certa e o Insólito

Depois da nossa visita, voltámos a pegar nos nossos corcéis de metal, seguimos viagem e já numa estrada de alcatrão, após uma dança mortal entre galos e meia hora de circulação percebemos que tínhamos estado a tarde inteira em estradas erradas! Pois nessa altura começámos a ver indicações turísticas sobre a planície dos Jarros. Ups! Desculpa Laos, fui precipitado na minha análise anterior. 🙂

IMG_7810 (FILEminimizer)Finalmente e já na rota certa, continuámos a pedalar e por volta das 17.00 entrámos numa estrada de terra batida que nos levaria aos outros dois locais que queríamos visitar. A paisagem era um misto de arrozais, campos verdes, lagos e charcos, pastagens, alguns montes e colinas, o céu estava azul e havia nuvens cheias de densidade, textura e reflexos que se assemelhavam a um arco-íris. 🙂 A estrada por sua vez era um misto de terra argilosa e lamacenta, zonas cheias de pó e pedras. O pôr do sol foi visto quando parámos para comer os poucos mantimentos que carregávamos connosco e nos sentámos na erva de frente para um mini lago muito perto da estrada.

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Enquanto comíamos o insólito começou, primeiro lentamente com o aparecimento de um nativo que parou a sua motorizada junto das nossas bicicletas e se dirigiu a nós a falar em Laosiano. Nós acenámos que não com a cabeça, que não percebíamos nada do que ele dizia e passados cinco minutos, foi-se embora. Após dez minutos o nativo estava de volta, com um companheiro que começou a servir de tradutor. Os rostos eram amigáveis e começaram a fazer perguntas: De onde éramos? Para onde íamos? Onde íamos ficar a dormir? Nós lá fomos respondendo com naturalidade, mas aos poucos e poucos eu que já no primeiro momento não tinha gostado muito do nativo, comecei a ficar desconfiado e assim que acabámos de comer disse ao Zhou para seguirmos viagem. Montámos as bicicletas e fruto da minha desconfiança ficámos à espera que eles arrancassem primeiro. Esperámos durante cinco minutos e como eles não arrancaram, arrancámos nós. O ambiente era estranho e pouco claro e pedalámos muito lentamente para ver a reação deles.

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Passados mais dois ou três minutos eles aceleraram a lambreta, passaram por nós e desapareceram da nossa vista. Aleluia! 🙂 Continuámos a pedalar, agora já com um ritmo normal e em menos de dez minutos estávamos a entrar numa pequena aldeia. Nessa altura víamos no céu, de tempos a tempos a luz de relâmpagos e decidimos falar com alguém para nos abrigarmos nalgum telheiro e aí ficarmos a dormir. Parámos e tentámos falar com os donos de um pequeno restaurante, mas eles não nos compreenderam e continuámos a pedalar até sairmos da aldeia e, no cruzamento que dava acesso aos sítios 2 e 3, o insólito absoluto aconteceu…

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Pedalando em Phonsavanh

Ato I – A Desorientação e o Sítio número 1

Partimos de Phonsavanh pedalando em direção à planície dos Jarros, seguindo a N7 para Oeste. Ao sairmos da cidade passámos pela estação de autocarros Norte para verificarmos os horários para Vang Vieng, mas a estação estava… deserta!

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À medida que pedalávamos, tentávamos encontrar indicações na estrada, mas como não víamos nada fomos perguntando às pessoas o caminho para Xieng Khuang. Enveredámos então por uma estrada de terra batida, mas que se notava perfeitamente estar em construção – fase de terraplanagem – e com a companhia de um céu azul, das nuvens e do sol fomos apreciando a vastidão da paisagem, o silêncio e eu ia pensando que só no Laos mesmo, um caminho para um destino turístico não ter indicações absolutamente nenhumas. 😛

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Pedalámos até encontrarmos casas e, após umas deambulações nas redondezas  – uma hora para trás e para a frente – e de termos perguntado muitas vezes por Xieng Khuang e qual a sua direção, lá demos com uma placa que indicava: Plain of Jars → 500 m. Seguimos a estrada e passadas três horas de sairmos de Phonsavanh estávamos finalmente na entrada do Sítio número 1. 😛 Nessa altura pensei que mesmo que não visse mais nenhum local, pelo menos aquele ninguém mo tirava, bem como a estória para lá chegar. 😉

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Este sítio, que se encontra completamente desminado, é o maior e o mais vasto de todos os locais arqueológicos abertos ao público – área de vinte e cinco hectares, trezentos e trinta e quatro jarros entre os quais o maior deles tem um diâmetro de dois metros e meio e dois metros e cinquenta e sete centímetros de altura! – e é um local distinto, com um carácter muito particular e surreal. 🙂 Os jarros brotam do solo quais flores de pedra e os mais bem conservados têm tendência para ter água no seu interior. A paisagem é verde, cheia de erva, algumas árvores, campos de cultivo à volta, vêem-se crateras de bombardeamentos que entretanto estão cobertas de vegetação, montes, alguns charcos… um misto de pedra e vegetação que se funde, que se mescla, que se complementa. Estranho! Belo! 😀

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P.S. – Mas o que são os Jarros?

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Segunda Oportunidade e a Cascata de Kuangsi

Depois de uma noite, muito mal dormida voltei a levantar-me muito cedo e dei uma segunda “oportunidade” ao ritual dos monges, mas desta feita o Zhou não me acompanhou. E a verdade é que em frente à nossa guesthouse, no templo de Wat That vi muitos mais monges que no dia anterior. Porém e apesar de ter apreciado, a simplicidade e humildade do ritual, a magia já estava desfeita! Foi pena… :/

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Mais recomposto fisicamente da sova infligida pela bactéria, parti durante a tarde numa carrinha turística para a cascata de Kuangsi. E meus caros não há muitas palavras para descrever o local, ora observem… 😀

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Doente em Prabang

Depois de deambularmos mais um bocado pela cidade, voltámos à guesthouse e senti-me mole com o calor da rua. Deitei-me um bocado para repousar e durante horas fui dormitando. Por volta da 18.00 disse ao Zhou para ele ir jantar, que não me apetecia mexer e fui até à casa de banho onde fiz diarreia – pela primeira vez na viagem. Depois disso comi uma banana e em menos de cinco minutos estava a vomitar e fui à mala buscar o termómetro, para ver se tinha febre e tinha… 38.5 °C. Como sentia o corpo todo partido e  por uma questão de prevenção, decidi ir ao hospital  o que na Europa não nos mata, aqui nunca se sabe. :/

Já na rua e uma vez que o hospital ficava a quatro quilómetros do centro da cidade, fiz sinal para um tuk-tuk parar e mesmo cheio de febre consegui negociar o preço e baixar o mesmo para metade – de 30.000 kip passou para 15.000 kip – aliás parte da argumentação baseou-se em: “Estou doente e cheio de febre e você quer aproveitar-se da minha fragilidade”. Quando cheguei às urgências do hospital, sentei-me e esperei que alguém reparasse em mim e passados dez minutos duas enfermeiras vieram ter comigo. À medida que fui respondendo às questões de rastreio, fui sendo encaminhado para uma zona do hospital que estava deserta e aí numa sala, deitei-me numa maca até ao médico chegar.

Quando ele chegou começou a fazer-me perguntas, a apalpar-me – de um modo clínico… juízo! 🙂 – e depois de me medirem novamente a temperatura (39 °C), tiraram-me sangue para fazer análises. Antes de se ir embora o médico deu-me um paracetamol e disse-me que podia estar infetado com Dengue. :/ Enquanto estava sozinho na maca, a olhar para o teto branco e para a ventoinha que girava, pensei que não queria ser vencido por um mosquito e que caso estivesse infetado com Dengue, esperava poder resolver o problema no Laos! Após meia hora de espera, o médico apareceu com os resultados e disse que não tinha Dengue ou Malária – esta era difícil, uma vez que ando a fazer a sua profilaxia – e que tinha uma forte infeção bacteriológica, fruto muito possivelmente de alguma comida em piores condições. Fui medicado com os minha própria medicação (antibiótico – ciprofloxacina; imodium para a diarreia; e paracetamol até ficar sem febre) e na despedida agradeci várias vezes o bom auxílio prestado e saí do hospital bastante aliviado com o diagnóstico. 🙂

Para voltar ao centro da cidade tive que voltar a regatear o preço da viagem com o condutor do tuk-tuk e na chegada ao centro, ia-me espetando no chão quando tive a péssima ideia de saltar do veículo quando ele ainda não estava completamente parado. “Ai, Kiri, Kiri…não te armes em John Rambo! A bactéria já é suficiente para te dar uma sova!” 😛

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Dívidas, Templos & Lady Boys

Depois da desilusão, voltámos ao quarto e eu perguntei ao Zhou se queria visitar o museu do palácio real e o Haw Prabang, ao que ele respondeu que ficaria a dormir. Como naquela altura, já me devia um milhão de kip – 100€ – e não se mostrava muito preocupado em pagar, o que me estava a deixar irritado – até porque já não “nos” restava muito dinheiro – resolvi levar o portátil comigo, não fosse o diabo tecê-las – afinal conhecia o Zhou há menos de duas semanas. O dinheiro custar-me-ia a engolir mas seria suportável, o computador… nem por isso! :/

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Combinámos então que depois da visita, eu voltaria à guesthouse e continuaríamos juntos a ver a cidade e os seus incontáveis templos (Wat). Depois de uma visita agradável mas não memorável, voltei à guesthouse e apanhei o Zhou, que não tinha aproveitado a minha ausência para fugir… 😛 a partir desse momento, relaxei mentalmente e decidi confiar nele a 100%. 🙂

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Seguimos pelas agradáveis ruas de Prabang, a vasculhar a melhor taxa de câmbio para os dólares do Zhou e entrar em quase todos os templos que encontrávamos. Chegámos então ao Wat Xieng Thong – templo da cidade dourada – e como se tinha que pagar o Zhou manteve-se fiel à sua filosofia económica e não entrou. As surpresas começaram logo à entrada, pois na bilheteira encontrei um lady boy e fiquei admirado, pois não esperava encontrar um Laos tão aberto relativamente a esta questão, mas… ao que parece é uma questão cultural e novamente fui relembrado que os países são como as pessoas, todos diferentes. 🙂 Já dentro do templo, maravilhei-me com os seus telhados, com as suas figuras desenhadas com vidros coloridos, com os seus dourados e misturas de cores, com os trajes açafrão e laranja dos monges e no final fui presenteado com a oportunidade de falar com um noviço e aspirante a monge. 😉

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