Pedalando em Phonsavanh

Ato IV – Tempestade e Nascer do dia

Já de volta ao mercado, estacionámos, prendemos as bicicletas uma à outra e à mesa e preparámo-nos para dormir. Nessa altura chovia torrencialmente, o céu estava a ser rasgado por raios enormes e eu pensava que aquela tempestade ia ser a nossa proteção e que o cretino mor não ia aparecer mais, naquela noite abençoada pela chuva e pela luz do céu. 🙂

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Quando nos deitámos eram cerca de 21.00 e antes de o fazer forrei-me ao máximo com toda a roupa que trazia na mala: meias, transformei os calções em calças, softshell, bonnie – para proteger a cabeça e as orelhas da mosquitagem; pus por cima de mim o lençol de seda e a almofada insuflável no pescoço; prendi a mala ao meu braço e adormeci no meio das trevas – pois nessa altura, a aldeia estava sem eletricidade – embalado pelo doce som da chuva torrencial e dos trovões.

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Ao longo da noite fui acordando e adormecendo, não conseguia ter um sono sereno e continuado, talvez fruto da preocupação inconsciente com a bagagem e fruto do frio da noite que criava um ambiente desconfortável. Seriam talvez 1.00 quando acordei com o som de relinchos e ao abrir os olhos o mercado tinha sido invadido por cavalos, que se quiseram abrigar da tempestade, da chuva torrencial e dos raios que cruzavam o céu. Ou melhor dizendo, vultos e sombras com formas de cavalos, em que o seu som -relinchos, cascos a bater no solo… – era a única coisa que os desligava do mundo dos espetros e das trevas. Voltei a adormecer e por volta das 4.30 acordei com o som de badalos e mugidos, desta feita o mercado fora invadido por espetros de vacas que apenas voltaram a ganhar corpo e densidade quando o relógio avançou e o dia começou a vencer a noite. 😉 Às 5.00 levantámo-nos, arrumámos a bagagem e seguimos viagem, afinal já tínhamos luz suficiente para continuarmos a pedalar e não queríamos mais encontros imediatos do décimo segundo grau com o cretino mor & Lda. 😉

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O início do dia foi algo de maravilhoso e um dos momentos altos do Laos! 😀 A saber: um céu cheio de nuvens densas que reflectiam as múltiplas cores do nascer do astro rei, as verdíssimas montanhas e colinas circundantes, as plantações de arroz, os campos cheios de água, os búfalos, os reflexos do céu na água, a estrada de argila castanha transformada numa estrada dourada… a experiência de pedalar ao longo de tanta beleza foi de tal modo gratificante que senti que se o dia  acabasse naquele instante já teria valido a pena vivê-lo… 😀

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2 thoughts on “Pedalando em Phonsavanh

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