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Em trânsito: Até ao Infinito? Naaaaaaaaaaaaaaaa… Lewoleba

Se chegar a Moni já foi uma looooooooonga viagem pelo interior da ilha das Flores, a ida até à ilha de Lembata revelou ser uma jornaaaaaaaaaaada e uma caixinha de surpresas. 🙂 A viagem durou dia e meio, e para lá chegar apanhei dois autocarros, três ojek – táxi-mota – e dois barcos. Mas vamos aos factos…


Depois de visitar o bonito vulcão Kelimutu e as suas três crateras/lagos, apanhei um autocarro para as imediações da pequena aldeia piscatória de Sikka. Durante a viagem, à medida que fui descendo o ar começou a ficar mais denso, o ritmo mais lento e a vegetação, tornou-se novamente, tropical. Completamente rodeado de sacos e “nativos”, segui por verdes vales, escarpados e profundos, vendo em algumas ocasiões o mar azul, enseadas e baías, pequenas vilas, praias de areia negra e outras de areia branca – nas imediações de Sikka. Já na aldeia, estive com crianças na praia que gritavam: ”Photo, photo, photo…” mas que quando chegava a “hora da verdade” se escondiam com feições envergonhadas, falei um pouco e bebi um café com um grupo de senhoras e visitei a bonita igreja que tem no seu interior uma estátua de Cristo, que se acredita ter sido trazida pelos portugueses em 1641, aquando da queda de Malaca às mãos dos holandeses.

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Em Sikka apanhei um ojek para Maumere, mas desta feita, segui montado num “foguetão”, veloz e poderoso. Durante a curta viagem, de meia hora, pensei – principalmente a partir do momento que começou a chover – que se caíssemos, íamos ficar agarrados ao asfalto qual hambúrgueres na grelha. 😛 Maumere, que se situa entre o mar e montanhas, mostrou-se à semelhança de tantas outras cidades Indonésias, suja, pobre e deixada à sua sorte mas com pessoas incrivelmente sorridentes e calorosas. Porém, o que recordo principalmente da cidade é o encontro que tive com um “verdadeiro viajante”. Um senhor de mais idade, cheio de sentimentos de soberba, por nunca apanhar aviões e que à primeira opinião contrária que ouvia, se afastava imediatamente. Depois de assistir ao seu comportamento, desejei nunca me vir a transformar nele e no seu slogan: “Eu é que sou o verdadeiro Viajante!”.

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Em Maumere, não me fiz de velho e no dia seguinte, bem cedo apanhei um autocarro para a cidade de Larantuka. Novamente, a viagem fez-se pelo meio de uma cordilheira montanhosa, desta feita de norte para sudeste. Durante o trajeto e enquanto a música distorcia fruto da elevada intensidade sonora das colunas roufenhas, dormi aos poucos, fumei à grande com os nativos, tirei retratos e retribuíram-me a gentileza, vi muitas carrinhas decoradas com motivos religiosos, observei um grande mercado que estava a haver em Boru – pessoas, galinhas, motos, carrinhas, vegetais… -, senti que me estão sempre a pedir coisas – lenços, óculos de sol, pulseiras – como se o estrangeiro fosse uma “vaca leiteira”, pensei: “porque é que têm de conduzir tão depressa” e tive pensamentos soltos: viajar sozinho/acompanhado; tempos mortos; inabilidade para comunicar com os nativos e necessidade de comunicação; binómio andar/parar – “onde queres ir? Onde queres chegar? O que queres ver?”. Tal como no resto das montanhas das Flores, o cenário era deslumbrante e ao fim de três horas surgiu no horizonte, Larantuka e as ilhas de Solor e Adonara. A proximidade dessas ilhas à costa fazia com que o mar se assemelhasse a um lago rodeado de montanhas. Incrível!

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Em Larantuka, tentei informar-me acerca de barcos e ligações para chegar a Timor Oeste, mas devido ao mau tempo não havia ligações. Como não consegui arranjar nenhuma opção barata para dormir decidi partir para Wureh em Pulau Adonara e visitar mais vestígios portugueses, porém fruto de problemas nas negociações da travessia, desisti da ideia – “às vezes é chato e cansativo verem-me apenas como dinheiro andante”. Sem muitas opções, parti então para Pulau Solor, onde em Lahayong encontraria as ruínas de um forte português do século XVII. A fortaleza construída pelos descobridores lusos como entreposto militar, servia de apoio e defesa aos seus barcos que faziam o transporte de madeira de sândalo de Timor para Malaca.

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Na partida da ilha das Flores e enquanto esperava pelo barco, pensei no desgaste de viajar, na sua beleza, no seu desafio e improviso constantes! E se escrevi improviso, foi isso que acabou por acontecer. Soa a “piada”, mas afinal o barco estava em rota para Pulau Adonara! Instantaneamente desisti de visitar Wureh e Lahoyang. O plano imediato, passou a ser dormir em Waiwerang e na manhã seguinte seguir para Pulau Lembata, porém… assim que desembarquei no porto, voltei a embarcar noutro barco que estava de partida. Para? … exatamente – caro leitor – para a ilha de Lembata! Mais precisamente para a capital, Lewoleba e foi aí que acabei por ficar. Viagem até ao Infinito? Naaaaaaaaaaaaaaaaaaaa… Lewoleba! 😀

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Moni & o Vulcão das três Crateras, Kelimutu

Depois de uma enooooooorme viagem de “sobes e desces” constantes pela topografia acidentada da bonita e verde ilha das Flores, e de apanhar três autocarros – o primeiro em Labuan Bajo, o segundo em Ruteng e o último em Ende, onde passei a noite – cheguei à pequena vila de Moni, nas imediações de verdes florestas, arrozais e do vulcão Kelimutu.

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O dia em Moni foi tranquilo e durante o mesmo passeei com um ojek, observei o processo de tecelagem de ikat´s e gostei tanto deles, que cheguei a comprar um, na aldeia de Jopu visitei casas tradicionais – de madeira e palha -, túmulos e campas, vi uma bonita cascata no meio da floresta e tomei um relaxante banho nas hot springs.

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Na madrugada seguinte, acordei como previamente combinado com a dona da minha guesthouse – Maria -, para tentar ver o nascer do sol no topo do vulcão. Porém à hora marcada – 4.00 – o meu ojek não apareceu e pela primeira vez na Indonésia, tive de andar a bater a portas no meio da noite para ver a situação resolvida – “don´t play games with me Maria!” – por volta das 5.00, lá consegui partir e durante a rápida subida – cerca de meia hora -, o dia foi clareando e ganhando cor, mas fruto da elevada densidade de nuvens não houve um nascer de dia exuberante.

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Do parque de estacionamento onde fui largado, até às primeiras duas crateras e lagos, o caminho fez-se num ápice e se o lago verde esmeralda já era bonito, o lago azul turquesa era lindíssimo! A paisagem envolvente estava em constante mutação: o sol, a neblina, as nuvens que eram fiapos esvoaçantes, os jogos luz/sombra, a mescla de verdes e azuis dos lagos e das rochas de várias cores. Belo! Continuei a subir degraus e quando cheguei ao topo, vi a terceira cratera e um lago de águas negras e espessas, as nuvens continuavam a aparecer e a desaparecer velozmente e como consequência a  paisagem alterava-se e renovava-se a cada segundo, a cada instante, a cada olhar.

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IMG_3221 (FILEminimizer)  IMG_3279 (FILEminimizer)  IMG_3302 (FILEminimizer)

Depois de visitar o singular vulcão Kelimitu e as suas três crateras, fiz o serpenteante caminho de regresso a Moni – treze quilómetros – num ritmo tranquilo. Durante o trajeto vi verdes e agradáveis florestas, vales e montanhas, nuvens brancas, um sol radioso… Porém à medida que me aproximava da vila, o tempo foi piorando e progressivamente entrei num mundo de cinzas, chuva, arrozais, campos de cultivo e a última memória que guardo da vila de Moni, é o tempo quente e abafado que se fazia sentir, em contraponto à frescura do Kelimutu.

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Labuan Bajo & Parque Nacional de Komodo

Em Labuan Bajo às portas do parque Nacional de Komodo acabei por ficar mais de uma semana. A principal razão? Mergulhar num dos locais mais fascinantes do nosso planeta, onde existem dezenas de pequenas ilhas e o oceano Índico e Pacífico se encontram. Claro que os dragões de Komodo também eram um importante chamariz e como tal, nada como fazer-lhes uma visitinha. 🙂

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Na verde e quente ilha de Rintja, na companhia de um grupo, de Max e de um guia fiz um trekking agradável, onde pude observar parte da ilha e da sua fauna, mas principalmente os famosos dragões. E este “meninos” não desiludiram. Nadinha! 🙂 Durante o tempo que estivemos em Rintja, tivemos a sorte de ver pelo menos nove deles e pudemos admirar o seu tamanho e envergadura, as suas garras, a sua língua serpenteante, a sua falsa lentidão… sem dúvida um momento National Geographic.

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Tal como em Sipadan, o mergulho é de sonho, mas aqui fruto da enorme área que abrange o parque, a quantidade de locais de mergulho é “infinita”, ou quase. 🙂 Em Komodo, o Natal chegou mais cedo e passei de dezoito mergulhos para a idade de Cristo – trinta e três. Para além disso, foi aqui que tirei o curso Rescue e de EFR, ficando um passo mais perto de um dia poder fazer o curso de Divemaster e eventualmente tornar-me instrutor de mergulho. 

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A variedade das condições e o que se pode ver é infinito. Existem enormes paredes de coral cheias de formas requintadas e cor, que mais parece que estamos num sonho; há zonas sem qualquer corrente, outras em que as correntes são perfeitas para se fazer drift dive e outras em que as correntes são um verdadeiro “cavalo selvagem” e que nos podem levar a galope até aos infernos; a vida marinha é extraordinária e exuberante: peixe-leão, peixe-pedra, peixe-escorpião, pelo menos duas espécies de tartarugas, várias espécies de tubarões, lagostas, escolas de peixes massivas e incontáveis, napoleões gigantes e claro as formosas mantas… 🙂

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Desta semana guardo vários momentos no coração e na memória. Mas os mais especiais serão sempre: os múltiplos mergulhos em Manta Point, onde tive a oportunidade de ver estes animais de enorme envergadura – algumas com sete metros de diâmetro – a “voar” no oceano e de observar os detalhes dos seus corpos graciosos e os seus olhos curiosos, a menos de trinta centímetros de distância! Mágico! :D; o mergulho em Crystal Rock, onde estive agarrado a uma pequena rocha a ver toda a ação de escolas gigantes de múltiplos peixes e tubarões a caçar, tal como num ecrã gigante! E onde houve um momento em que olhando para o local onde tinha a mão e vendo a enorme quantidade de pequena vida marinha que aí estava, pensei: “Ninguém vos dá atenção, não é verdade? Com tanta ação a acontecer à nossa volta!” e que “O Mundo era um local belo, onde tudo faz sentido!” :D; o enorme susto em Batu Balong onde fui apanhado por uma corrente descendente e arrastado num ápice dos cinco para os dezassete metros de profundidade e onde tive de acalmar-me ao máximo, recuperar o sangue frio e escalar uma parede de coral para sair daquele ambiente hostil e demoníaco – tal como na selva, nas imediações de Belaga, aqui senti-me realmente em perigo de vida  e o espectacular, memorável, divertido e delicioso jantar de Natal onde estive verdadeiramente FELIZ! E partilhei a mesa com dez pessoas maravilhosas, de oito países e quatro continentes diferentes! 😀

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Em trânsito: Kuta – Labuanbajo. Travessia para as Flores

No dia em que parti com Max para as Flores, despedimo-nos de Monika que estava de regresso à Alemanha e no adeus não pude deixar de dar um abraço apertado à minha companheira de Gili e de Lombok. 🙂 No terminal de Mandalika, esperámos umas horas e durante esse tempo falámos sobre clichés de surfistas e de backpackers; almoçámos e acabei de atualizar o caderno. O autocarro chegou a horas, porém, depois de entrarmos ainda estivemos uma hora e meia à espera de arrancar, afinal a bordo havia uma confusão dos diabos, fruto da enorme quantidade de vendedores e vendedoras em grande algazarra. 😛

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Finalmente acabámos por partir e percorrendo a ilha de oeste a este, estivemos sempre acompanhados de uma música em altos berros, de um tempo chuvoso e de um ar-condicionado gelado. No pequeno porto de Lebuhan Lombak e já ao final do dia, embarcámos num ferry para fazer a curta travessia para Sumbawa. Já no meio da noite, seguimos ilha adentro até Bima e da viagem pouco há a dizer para além da música gritante constante, da condução acelerada e amalucada e do sono em estado de vigília.

SUNBAWA (6)      IMG_2742 (FILEminimizer)  SUNBAWA (7)  Já na capital da ilha, mudámos para um autocarro minúsculo, atulhado de pessoas e bagagens e partimos para a minúscula vila portuária de Sape, onde apanhámos um novo ferry, desta feita para a ilha das Flores. A última fase da viagem, durou cerca de sete horas e nesta travessia marítima: li sobre Labuanbajo; tirei fotografias ao barco e à paisagem envolvente de múltiplas ilhas – entre as quais a “mítica” ilha de Komodo e lar dos dragões do mesmo nome – que alternavam entre os verdes e os castanhos; senti o corpo a colar fruto do calor; escrevi no caderno; escolhi fotografias para o blog; o Max desinfetou-me uma ferida que tinha no pé de aspecto pouco “simpático” e conhecemos Anok – Belga – e Hansel – Holandesa -, com quem desembarcámos no final de uma loooooooonga travessia que nos levou ao coração de Nusa Teggara.    

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As Crianças de Kuta

Terminado o maravilhoso périplo no Rinjani, no norte da ilha, o nosso grupo seguiu para locais distintos. O Mark e a Rahel para Senggigi, eu e a Monika para Kuta, no sul. E felizmente a única semelhança entre Kuta´s – Bali e Lombok – era mesmo o nome. 🙂 

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Durante um par de dias, estivemos tranquilamente nesta zona de praias e surf. A praia que ficava em frente à pequeníssima vila era uma enorme “salada russa”: a água não era tão límpida e cristalina como nas Gili, mas a areia era confortável e parecia grãos de pimenta; podiam-se encontrar rochas vulcânicas, cheias de óxidos e sulfatos e uma zona com manguezais; existiam macacos e cabras; muitos adolescentes a fazer as “célebres” entrevistas – como em Sumatra -, vendedoras muito insistentes – à semelhança de Koh Samui – e principalmente, muitas crianças alegres e sorridentes – tal como em Mabul. Para além de visitarmos a praia, comprámos saborosa e dulcíssima fruta – abacaxis, mangas e fruta da serpente -, comemos comida e sumos deliciosos; preparei algumas coisas para enviar para Portugal, entre as quais os tradicionais sarongs – como prendas -, publiquei textos no blog, atualizei o caderno e conhecemos Max, um surfista alemão com quem decidi seguir para a ilha das Flores

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Gunung Rinjani. Essa Maravilha!

Ato III – Montanha Russa e o Grande Final

Depois da ascensão ao reino da beleza, regressámos ao acampamento base onde reencontrámos a Rahel que estava desolada por ter desistido e por esse motivo refreámos as nossas demonstrações de entusiasmo com a paisagem memorável que acabáramos de presenciar. Às 8.15 estávamos sentados a tomar o delicioso pequeno almoço dos “super-heróis” e depois de arrumarmos a bagagem e desfazermos o acampamento, partimos.

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A viagem encosta abaixa levou-nos até ao Danau Segara Anak, que está à cota dos 2000 m e durante o trajeto, que durou sensivelmente três horas, vimos os nossos carregadores quase a “correrem” encosta abaixo de flip-flops nos pés – impressionante! – e penetrámos num mundo de nevoeiro e neblina, encostas pedregosas e escorregadias, árvores e erva verde.

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Na chegada ao lago, pudemos maravilhar-nos com a beleza do local: um lago azul entre verdes florestas e montanhas de faces grandiosas e uma imponente cratera e desiludir-nos com a face negra do Rinjani  nas zonas dos acampamentos, principalmente, vê-se muito lixo! Uma pena! – No lago descansámos um pouco, almoçámos e partimos para o momento ZEN do dia, as fontes de água quente naturais. Relativamente a estas, só posso dizer que foi um deleite relaxar imerso naquelas águas e estar debaixo de cascatas, sentindo a pressão da água a massajar-me os músculos! Magnífico. 🙂

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Quando recomeçámos a andar, começou a chover e a última secção do dia foi uma “luta” a solo com a ascensão de uma encosta bastante inclinada, pedregosa e por vezes muito escorregadia. Durante esta “travessia” molhada, a única coisa positiva era mesmo a visão magnífica do lago e da cratera. Na chegada ao acampamento base, tal como dia anterior estava um nevoeiro cerradíssimo e o meu primeiro passo foi colocar alguma roupa molhada num saco, outra a secar na medida do possível e vestir roupa seca para me manter quente. No resto do dia dormitei, jantei, falei um pouco com a Monika – que estava esgotada – e adormeci bastante cedo, fruto do cansaço.

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Ao acordar, o sol brilhava no céu azul e via-se perfeitamente o lago Segara Anak e a cratera, as ilhas Gili no oceano e o pico do vulcão Agung em Bali, envolto em nuvens suaves. Depois do pequeno-almoço e de desfazermos o acampamento partimos para a última fase do trekking. Neste último dia, a nossa rota foi sempre em sentido descendente e levou-nos de uma cota de 2641 m até aos 601 m e do reino do sol e céu azul para o da neblina. Primeiro, percorremos vales secos, depois verdes florestas e terminámos na selva, já com uma temperatura de um país tropical. Durante o caminho fizemos múltiplas paragens e fruto ritmo lento, o trekking acabou depois de almoço e de uma foto de grupo. O Gunung Rinjani, essa MARAVILHA, estava conquistado! Ou melhor dizendo o Gunung Rinjani, essa MARAVILHA, conquistou-me completamente! 😀       

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Gunung Rinjani. Essa Maravilha!

Ato II – A Ascensão 

Às 2.00 despertámos, vestimos roupas quentes, bebemos um chá e partimos rumo ao pico. Passados vinte minutos de caminhada nas trevas, a Rahel – que não se estava a sentir bem fisicamente – desistiu e o Jo foi instigado por nós a acompanhá-la ao acampamento base e a regressar para nos reencontrarmos ainda durante a ascensão. Assim, com duas lanternas para três pessoas, transformei-me no improvável “guia da expedição” e no meio da escuridão, lá fomos caminhando até ao cume do Rinjani acompanhados por um céu estrelado perfeito e por vultos e sombras criados pelas rochas. Devo confessar que o caminho não foi fácil, mas por motivos distintos: o Mark estava cansado fisicamente, a Monika estava fisicamente no arame e a gelar devido ao vento e eu estava fisicamente perfeito, mas era forçado a parar e a quebrar o ritmo de ascensão pois “tinha” de esperar por eles. Para além disso, como almejava ver o nascer do sol no pico e via o dia a clarear progressivamente, sentia-me irritado por eles não andarem mais depressa e pensei várias vezes: “Porque é que não desistem?”. Psicologicamente estava a ser desgastante, pois lutava mentalmente com a minha natureza egoísta e só quando pensei: “que se lixe o nascer do sol no topo, vou vendo daqui” é que comecei realmente a aproveitar a parte final da ascensão.

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Fruto da luz e das nuvens, a paisagem era bela, mudando muito rapidamente e como nessa altura, eles estavam a caminhar muito devagar, aproveitei para fotografar todas aquelas cambiantes. Às 5.50, todos juntos atingimos o pico que estava envolto em nevoeiro e senti-me muito orgulhoso por eles terem conseguido fazê-lo, principalmente a Monika que estava de rastos. Mentalmente eles revelaram uma imensa resiliência e força de vontade, sendo uns autênticos “leões”. 😀 Depois de dez minutos no topo e das fotografias da praxe reencontrámos Jo, que estava com um ar completamente miserável e cansadíssimo.

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Já todos juntos e em rota descendente, o Rinjani começou a revelar toda a sua beleza e eu tive a felicidade e o privilégio de presenciar uma das paisagens mais fascinantes e encantadoras da minha vida! O sol surgiu aos poucos e foi iluminando progressivamente, vales, montanhas, a cratera, o lago e o oceano; as nuvens que corriam no céu, formavam-se e dissipavam-se, e eram ora fiapos, ora camadas densas de “algodão doce; as cores mudavam de intensidade a cada instante fruto da luz que se intensificava e a paisagem era uma paleta rica: os negros e ocres na cratera; múltiplos azuis no lago, no oceano e no céu; branco e cinzas nas nuvens; verdes e castanhos nas florestas, vales, árvores, vegetação e montanhas.

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Enquanto na ascensão a “areia” de elevada densidade foi um tormento – a cada dois passos dados, deslizávamos um – na descida foi uma diversão, uma vez que existiam secções que dava para descer a correr, quais cavalinhos a galope e outras a “deslizar”. 🙂 Até chegarmos ao acampamento base, fomos tirando fotografias à paisagem envolvente e maravilhámo-nos a cada passo, a cada olhar. O pico foi ficando para trás e fomos aproximando-nos da enorme cratera que nos revelou a beleza do lago – Danau Segan Anak – de múltiplos azuis, do vulcão – Gunung Baro – negro e vermelho e a envolvente avassaladoraaaaaaaaaaa de verdes vales e montanhas, coroadas pela visão do poderoso vulcão de Bali, o Gunung Agung e de três “pontos” no oceano, as Gili. Um festim para os nossos olhos, um estrondo monumental e inesquecível para os nossos corações, na despedida da ascensão até ao cume de um dos mais belos vulcões da Indonésia!

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Gunung Rinjani. Essa Maravilha!

Ato I – A “Antecâmara” e o Início da Caminhada

Ainda em Gili e no Gecko Cafe comprei um pack de trekking  três dias e duas noites com tudo incluído – para escalar o todo poderoso Rinjani, o segundo vulcão mais alto da Indonésia – 3726 m. No dia em que me despedi do Manu e das maravilhosas pessoas que conheci, saí de Gili na companhia da Monika. O nosso objetivo era começar o trekking o mais rapidamente possível, porém, depois da curta travessia entre as ilhas e quando chegámos a Lombok fomos aconselhados pelo Mr. Suparman e a sua companhia a começar a ascensão no dia seguinte, bem cedinho. Como não tivemos despesas acrescidas, aceitámos a sugestão com naturalidade e acabámos por ter um dia tranquilo na base do vulcão em Senaru, vila onde ficámos a dormir e onde tivemos um pequeno briefing com o nosso guia Jo, um “miúdo” de vinte anos.

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O amanhecer do dia foi esplendoroso, o sol, os azuis fortes e carregados, as nuvens densas e douradas. Depois desse momento ZEN e do pequeno-almoço partimos numa carrinha, juntamente com um simpático casal – Rahel e Mark – de Suiços para o outro lado do vulcão e durante a viagem por estradas esburacadas e sinuosas, encontrámos uma paisagem muito verde de florestas e um grande mercado tradicional.

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Começámos a ascensão na companhia do nosso guia e dos nossos carregadores, que fruto da sua excelente condição física depressa desapareceram. 🙂 Na base, encontrámos pastores, uma bonita paisagem de múltiplos verdes – desde os mais vibrantes aos mais “secos” -, vales e colinas e aos poucos e poucos e à medida que subíamos começou a intensificar-se o nevoeiro, parecia que estávamos na Escócia.

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Durante o dia encontrámos Mark 🙂 que vinha em rota descendente, conversámos e rimos uns com os outros e na paragem para almoço, vimos alguns macacos. A partir desse momento, o caminho endureceu progressivamente, o nevoeiro aumentou consideravelmente e entrámos num mundo encantando de nevoeiro, sombras e vultos de árvores.

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Quando cheguei ao local do acampamento – 2639 m -, estava um nevoeiro cerradíssimo e a visibilidade era praticamente nula, porém e passados alguns minutos, quando o grupo se voltou a reunir as nuvens e a neblina já tinham desaparecido parcialmente e podemos ver pela primeira vez o altivo Rinjani. As diferentes cores: os múltiplos castanhos, amarelos e verdes, as nuvens a correrem velozmente no céu, o vale a nossos pés e o pico formavam uma “sinfonia” bela! E esta paisagem e um jantar delicioso de frango e arroz fritos, aconchegaram o corpo e a alma para “algo” que estava ao virar da esquina…

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Chill Out em Gili Air

De Bali, partimos para as Gili  três pequenas ilhas a Noroeste de Lombok – primeiro de carrinha até à baía de Padang, onde encontrámos uma paisagem “dominada” pelo vulcão Agung, por arrozais e pela costa de águas azuis e límpidas e depois de barco até Gili Air.

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Os dias em “Air” foram tranquilos e na ilha dormi todas as noites confortavelmente num dos dois hammocks do Manu, depois da minha primeira experiência em Sumatra ter sido desconfortável e gelada, em “Air” dormi literalmente no ar. 🙂

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A ilha ficará para sempre recordada como um local de pessoasCécile, Peter e Agus – dona e staff do Gecko cafe/parque de campismo; Cécile “II” – instrutora de mergulho, que conheci no barco para Gili Air; Francis  um rapaz de Singapura, amigo de Manu com quem travei longas conversas sobre a China, vida, cultura, mundo e juntos mergulhámos nas cristalinas águas em redor da ilha; Mark – neozelandês; Amza e Justine – um casal de seres livres; Monika – rapariga alemã, amiga do Manu; Bruno – um rapaz sul-africano e luso-descendente!; Debora – uma rapariga espanhola, muito cómica e espevitada – e Jason  um americano que já conhece as Gili há uns anos e que estava constantemente em estado Zen. 😛

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Durante os dias, fizemos snorkeling e vi bonitos e coloridos corais, muitos peixes, uma tartaruga e um peixe-leão; andei descalço; ri-me e diverti-me muito com o Manu, com a Debora e o corrosivo humor espanhol de ambos; comemos comida deliciosa e sumos divinais no pequeno restaurante Sabah; tive um primeiro e super-sónico encontro com portuguesas; percorri a ilha a pé na companhia do Manu, em todo o seu perímetro – ilha minorca – e observámos águas cristalinas de múltiplos azuis e a beleza do vulcão Agung que se assemelhava a uma pintura suave e delicada e tive longas e espetaculares conversas. Vida tranquila… vida simples… vida feliz! 😀 E foi em Gili Air, que me despedi do Manu, com um abraço apertado. Hasta un día destes Manu, non te olvidare, mi hermano mas viejo! 😀   

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Reflexões

Reflexão Balinesa

Bali é uma das mecas do turismo na Ásia e quem visita a Indonésia, dificilmente não pára aqui. Existem factores incontornáveis que explicam o sucesso da ilha como destino turístico:

  • A ilha é profundamente marcada por uma espiritualidade hinduísta e isso é notório a todos os níveis – culturais, religiosos, comportamentais… -, fruto dessa premissa a ilha tem um ambiente singular no enorme conjunto de ilhas que formam a Indonésia;
  • em termos de área, quando comparada com outras ilhas do país – Java, Sulawesi, Sumatra, Kalimantan… – é minúscula e muitas das estradas estão em excelentes condições, desse modo, percorrer a ilha é fácil e relativamente rápido;
  • o aeroporto de Denpassar, está ligado via low-cost à Austrália – país riquíssimo e com elevado poder económico – e outros destinos asiáticos – Singapura, Kuala Lumpur, Bangkok…;
  • existe um marketing poderoso à volta do nome Bali, que vende a ilha como “pãozinho quente”;

Quanto à minha experiência pessoal, fiquei com a certeza que quanto mais afastado de Kuta estive melhor me senti. O ambiente de Kuta  tal como em muitos locais da Tailândia – gira à volta do que a grande maioria dos ocidentais procura – é triste, mas é a realidade – animação noturna, bares e álcool, sexo e prostituição e praia para assarem que nem camarões, procurando a maioria das vezes, o que já têm nos seus países mas a preços mais baixos.

Depois de sair do “inferno” de Kuta, o ambiente da ilha melhora exponencialmente à medida que nos afastamos e rumamos em direção a norte. Como em todo o lado, quanto mais afastados dos centros turísticos estamos, melhor somos tratados pelas locais e cada vez menos vistos como um cifrão andante.

Depois de percorrer um pouco de Sumatra onde a maioria das pessoas eram extremamente genuínas e calorosas, chegar a Bali e conhecer os balineses comparou-se a comer comida sem sal. Sem dúvida, que eram corteses e polidos a maioria das vezes, mas simpatia pura? Poucas vezes a senti! :/

Com base nestas considerações, guardarei na memória Bali como uma ilha agradável, culturalmente interessante e que merece ser visitada por alguns dias, mas que não deixou muitas saudades, nem tão pouco uma marca impagável no meu coração.