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Gunung Marapi e Parabéns

No lago de Maninjau, apanhámos uma carrinha para regressar a Bukittingg  e depois de largarmos os “monstrinhos” na guesthouse onde ficámos anteriormente, saímos com umas mochilas mais pequenas, preparados para fazer a ascensão do vulcão Marapi. Ao sairmos da guesthouse, o Manu encontrou na rua e “caída do céu”, uma amiga espanhola que já não via há dezassete anos!! E que estava a dar a volta ao mundo de mota com o namorado. Com esta situação, ficou mais uma vez provado que o mundo é um cubículo! 🙂 Depois de ficarmos durante um bocado à conversa, partimos para a vila de Kota Baru, onde almoçámos e comprámos mantimentos para o trekking: pão, doce de coco, donuts e um bolo de chocolate e o kit aniversário: cerveja, velas e dois bolos de chocolate.

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A entrada do trilho para o vulcão ficava a cerca de três quilómetros da vila e de um tempo agradável e solarengo, passámos primeiro para o nevoeiro e depois para  a chuva, que se foi intensificando progressivamente. Na chegada ao início do trilho, pediram-nos dinheiro e o Manu começou a ficar irritado por nos estarem a cobrar “bilhete”, depois de poucos minutos de discussão eu disse para ele ter calma e no final acabámos por pagar metade cada um. Perguntámos qual a distância até ao pico e ficámos a saber que estávamos a oito quilómetros do mesmo e que a zona para acampar ficava, apenas a um quilómetro do local onde nos encontrávamos. Como ainda eram apenas 14.00 e tínhamos tempo decidimos subir o máximo que conseguíssemos.

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O trilho era fácil de seguir e não deixava grande margem para equívocos, e apesar de ser um pouco escorregadio e lamacento nalgumas zonas, lá fomos seguindo sem grandes problemas. Aliás, o trilho foi-se revelando bastante agradável e seguiu selva acima quase até ao cume do vulcão. Enquanto subíamos e como o tempo não mostrava grandes melhorias, resolvemos fazer ascensão até ao pico – 2891 m – e depois descer o máximo que conseguíssemos e que a luz permitisse, assim e uma vez que não havia perspectivas de ver o nascer do sol, estávamos a aligeirar um pouco o dia seguinte. Subimos, subimos, subimos e ao longo do caminho fomos encontrando nativos, principalmente, acampados na zona de transição onde terminava a selva e apenas se viam rochas.

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À medida que subimos a temperatura foi descendo e a paisagem tornou-se desértica e lunar, cheia de rochas pequenas e roladas. A partir da zona de transição, necessitámos de quarenta minutos e seguir as assinaturas grafitadas nas rochas e um trilho de lixo, aliás se há algum defeito a apontar ao trekking é: “Para não se perderem e chegarem a bom porto, sigam o trilho do lixo!” 😛 Quando chegámos ao pico estávamos envoltos em neblina mas muito felizes, pois tínhamos cumprido o nosso objetivo. Tirámos os retratos da praxe, comemos um bolo de chocolate, que tinha ficado “prometido” para a ocasião e vesti o corta-vento com o qual fiquei mais confortável. Já na fase descendente e de forma repentina o vento soprou o nevoeiro e as nuvens para fora do pico e pudemos ver o verde vale e as planícies, Bukittinggi a iluminar-se, as encostas escuras do vulcão e eu recebi o meu presente de aniversário! 😀

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Como já estávamos no lusco-fusco e já não havia muita luz, não descemos muito e assim que entrámos na zona das árvores montámos os nossos hammocks, protegemos as nossas mochilas, vestimos roupa seca – calcei umas meias, depois de horas com os pés molhados – e em camadas para aquecer o corpo, jantámos, cantámos os Parabéns em castelhano, soprei as velas e bebemos as cervejas que nesta altura estavam bem geladinhas 😀 e deitámo-nos para dormir. A verdade é que fomos dormindo aos bocados e quando recomeçou a chover, comecei a ficar molhado, pois o nosso “teto” estava mal montado! Upsssss! Desse modo, o Manu teve de mudar a localização do meu hammock e ficámos a dormir na mesma árvore mas em alturas diferentes.

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Por volta das três da manhã, estava tanto frio que disse ao Manu, que mais valia desfazer o nosso “acampamento” e seguir para baixo no meio das trevas acompanhados das nossas lanternas e foi isso que acabámos por fazer. Da descida o relato resume-se em poucas palavras: ambiente escuro, piso muito escorregadio e transição da noite para o dia. Já na base do vulcão, havia zonas com boa visibilidade e sem nevoeiro e em alguns momentos a vista do cume estava perfeita. Com um pouquinho de sol a iluminar a paisagem em nosso redor e bem cedinho já estávamos de regresso a Bukittinggi, transportando o Gunung Marapi na nossa memória e nos nossos corações. 

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Berastagi & Gunung Sibayak

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Nos dias em que estive em Berastagi e à semelhança de Medan, fui entrevistado umas quantas vezes; vi igrejas, mesquitas, camponeses e cenouras… muitas cenouras 😛 ; visitei a zona do mercado, onde encontrei uma grande variedade de frutas e produtos desconhecidos, sentindo o calor e simpatia dos “nativos”; subi à colina de Gundaling de onde observei a panorâmica da vila e já no topo, uma visão magnífica de… neblina e trevas! Berastagi também marca o meu primeiro encontro com o delicioso martabak de chocolate e amendoins. Huuuuuuuuuumm! 😀

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Já nas imediações da vila, na companhia de duas raparigas francesas e de um guia, tive a minha primeira oportunidade de escalar um vulcão ativo, mas adormecido, o Gunung Sibayak e diga-se que o trekking não desiludiu. Nadinha! 🙂 O nosso primeiro “passo” foi apanhar um pequeno autocarro – no qual observei, o motorista que fumava qual um dragãozinho – para as imediações da cascata de Sikulikap e depois de a contemplarmos a partir de um miradouro elevado, começámos a nossa ascensão.

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O trekking fez-se por uma encosta coberta de selva: lama e zonas barrentas, vegetação cerrada, muitos obstáculos e troncos caídos, períodos de chuva leve e uma temperatura agradável, assim foi a nossa ascensão. Quando chegámos à zona da cratera, nuvens corriam velozmente no céu, mudando rapidamente a nossa perceção, sendo a paisagem um misto de cinzentos, verdes e fumos. Passados apenas dez minutos de aí termos chegado, começou a chover torrencialmente.

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A partir desse momento tudo mudou, tornando-se a paisagem surreal: as rochas de múltiplas cores – cinzentas, esverdeadas, avermelhadas -, a formação de rios e cascata no meio do trilho, o contraste entre o vulcão “fumante” e o dilúvio! Belo e memorável. 😀 No meio daquela tempestade, fomos andando o mais rápido que conseguimos e quando chegámos à estrada o nosso guia contactou um amigo para nos ir buscar.

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Passados vinte minutos chegou uma pequena carrinha com um sorridente Rastman a bordo, Smiley o nosso “taxista” era  relaxado, simpático e muito “boa onda” e levou-nos até às hot springs, lá do sítio. Foi aí que o nosso trekking teve o seu final perfeito, todos de molho numa piscina a fumegar, a chuva a cair e o Gunung Sibayak no horizonte. 😉    

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Taman Negara? Selva Antiga!

Taman Negara é o maior e o mais importante parque natural de toda a Malásia, pois é aqui que se localiza a floresta primária – selva – mais antiga de todo o planeta!! Uma vez que o degelo que há milénios “tocou” quase todas as áreas do globo não atingiu esta zona. Quando cheguei a Kuala Tahan, não tinha nenhum plano específico para visitar o parque natural, mas como conheci um nativo que me “ofereceu” um bom preço para um trekking de três dias e duas noites na selva com tudo incluído, acabei por aceitar a sua “oferta”. Depois de dormir uma noite num hostel barato nas imediações do parque, fui levado até à casa do meu guia e aí conheci os meus companheiros de jornada – dois rapazes austríacos e um rapaz chinês – e preparei uma mochila, com alguma roupa, um saco de cama, uma esteira e alguns mantimentos. A bordo de um barquito de madeira, atravessámos o rio e fomos até ao HQ fazer o controlo mais ridículo que alguma vez vi na vida, uma vez que tivemos de contar quantos plásticos, baterias, etc… cada um de nós possuía antes de entrar na área do parque – o controlo até poderia ter alguma lógica se fosse efetuado na entrada e na saída, mas como estamos na Ásia, obviamente isso não veio a acontecer! :/

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Terminado o “controlo”, seguimos rio acima até chegarmos à zona da canopy, onde a 45 metros do solo pudemos observar a verde e pernaltuda floresta em redor. Finalizado o emocionante passeio nas alturas, voltámos a embarcar e durante duas horas continuámos até Kuala Trenggan, sendo a travessia de tal modo agradável – permitindo-me observar pequenos mamíferos e enormes e exóticas árvores – que senti um imenso prazer a viajar – “como é possível que viajar não seja das melhores coisas/experiências desta vida?” Antes de penetrarmos na selva e começarmos realmente o trekking, parámos para almoçar.

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O trekking levou-nos para o reino da humidade elevadíssima, das sanguessugas, do suor abundante, da lama, dos riachos e das travessias em estreitas pontes, da clorofila, das árvores milenares, das serpentes venenosas, das rochas estranhas e belas, da selva antiga e primitiva de Taman Negara! 😀 Durante a tarde percorremos em ritmo elevado um trilho de oito quilómetros, colina abaixo, colina acima, atravessando cursos de água, saltando por cima de grandes troncos que bloqueavam o caminho, acompanhados de uma chuva intermitente, penetrando cada vez mais profundamente na selva, até chegarmos ao nosso destino, a caverna de Kepayang Besar. Nessa enoooooorme caverna absolutamente deserta, pernoitámos e foi aí que tive uma das noites mais primitivas e memoráveis de toda a viagem – os morcegos, as sombras projetadas nas paredes da caverna, a fogueira, a comida, a partilha durante o serão, o ambiente íntimo e a solidão de estarmos sós naquele pedaço de selva! 😀

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No segundo dia, acordámos bastante cedo e depois de arrumarmos tudo e tomarmos o pequeno-almoço, seguimos até uma pequena caverna, que existia nas imediações para observar centenas de morcegos. 🙂 Durante a manhã a aventura continuou: maissanguessugas, mais leitos de rio – naquela altura sem água, mas lamacentos e escorregadios – partes de selva muito densa, atravessamentos de riachos com a ajuda de cordas e pontes improvisadas, mais humidade e transpiração, já falei das sanguessugas!? 😛 Mais selva! Depois daquela manhã em alta-rotação, a tarde passou-se tranquilamente na companhia de uma tribo onde pudemos observar, casebres de madeira e palha e nativos com características africanas!? – pele escuríssima, cabelo negro e encarapinhado – e fiquei admiradíssimo, pois foi a primeira vez que vi alguém naÁsia com aquelas características físicas. Nas imediações da aldeia, tomei banho num rio completamente lamacento e ao submergir nas suas águas, senti-me estranho, uma vez que não conseguia ver NADA!

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No terceiro e último dia a viagem foi tranquila e serena, pois o regresso a Kuala Tahan foi novamente realizado no barquito de madeira. Já na vila, arrumei as mochilas e depois de um almoço simples apanhei um autocarro praticamente deserto para regressar a Jerantut. Obrigado Taman Negara! Deixaste-me o coração cheio e o corpo com menos uns mililitros de sangue. 😉

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P.S. – Para chegar ao parque nacional de Taman Negara não há um caminho direto e por essa razão a viagem foi feita em alguns passos. A primeira parte da viagem ligou Tanah Rata  ainda nas terras altas – a Jerantut e a mesma foi feita numa mini-van. Na chegada a Jerantut fui deixado na agência de viagens NKS, que parecia ter o monopólio de toda a região e aí aguardei durante algumas horas – durante esse tempo percebi que havia outras alternativas ao barco que acabei por apanhar, o único problema foi que o pacote vendido em todas as agências de viagens nas Terras Altas não oferecia alternativas ao mesmo. :/ Passado esse tempo fiz uma curtíssima viagem – novamente de mini-van – até ao jetty de Kuala Tembelling e aí apanhei um barco que me levou rio acima, durante três horas até Kuala Tahan, uma pequena vila colada à entrada do parque natural. A verdade é que a viagem no rio foi bastante agradável – sol, chuva torrencial, suave neblina na floresta… observei búfalos, macacos e aves e apreciei a paisagem envolvente do rio e da floresta. Deste modo não posso considerar a compra forçada, como grave! A única questão que se levanta, é o mau princípio que esta situação cria e que impossibilita as pessoas de escolherem livremente que tipo de viagem pretendem – barco ou autocarro.

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Trilhos de Bako

Para chegar ao parque nacional de Bako, primeiro apanhei um autocarro local para um cais que fica nos arredores de Kuching e seguidamente um barco que seguiu primeiro num rio de águas barrentas e depois no oceano. A viagem durou aproximadamente meia hora e na chegada à praia de Tanjung – local do HQ – vi uma paisagem dramática e surreal de árvores já secas e mortas, mas com a água do mar a submergir grande parte dos seus troncos… Belo! Trágico! Inesquecível! 😀 

Nos dois dias que estive no parque, maravilhei-me com o meu último pedaço de selva do Bornéu e todas as caminhadas que fiz nos múltiplos trilhos mostraram-me diferentes faces da ilha. 🙂 Aliás, em Bako foi fascinante observar como num espaço tão curto, existem tantas variações de paisagem, tanto em termos de vegetação, como de geologia! Na ilha existem florestas tropicais, manguezais, locais que se assemelham a florestas mediterrânicas! Praias desertas e selvagens – Paku, Tajor, Besar e mais bonita de todas, Kecil; enseadas, baías, falésias de rocha negra, formações rochosas que brotam do mar, rochas areníticas: castanhas, cinzentas, brancas, bordôs. 😀

Para além da fantástica paisagem vi muitos tipos diferentes de animais:  macacos – silver leaf, proboscis – a menos de um metro de distância 🙂 , cauda longa; porcos selvagens mas inofensivos; serpentes – uma verde, uma castanha e pequena e outra negra e amarela; pássaros – King Fish; escorpiões; aranhas, peixes; e um sapo minúsculo, mas altamente venenoso; e ao final de cada dia falei com diferentes pessoas, sobre diferentes assuntos. Dias de Bako? Dias muito felizes! 😀


P.S. – O único senão na experiência da ilha de Bako, foi observar a “marosca” legal na venda de bilhetes para o barco, uma vez que no cais somos “forçados” a comprar bilhetes de ida e volta! :/ O ideal mesmo é embarcar com pessoas que voltem no mesmo dia, para se poder dividir a despesa.

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Gunung Gading. Raflésia e Jungle Trek

Depois dos acontecimentos “obscuros” de Kapit 😛 , fiz uma grande viagem para Kuching. Primeiro regressei a Sibu no barco das 9.00 e já nessa cidade apanhei um autocarro que me transportou por quatrocentos e sessenta e dois quilómetros e oito horas de viagem até à cidade dos gatos. Depois da noite em Kuching, acordei bem cedo e fui até ao centro dos parques naturais, aí quando me preparava para marcar a estadia no Parque Nacional de Bako, vi um aviso sobre o Parque Nacional de Gunung Gading e da existência de uma raflésia em flor – extremamente rara. 🙂 Desse modo, alterei um pouco a minha rota e parti imediatamente para esse parque natural.


Na estação central, apanhei um autocarro para Lundu e depois de uma curta viagem de hora e meia, cheguei à pequena cidade onde me abasteci de mantimentos e água. A caminho da entrada do parque, carregado com sacos e com uma pequena mochila, apanhei uma boleia de scooter e a viagem foi uma risada, pois o meu condutor era muito bem disposto. 😀

Já no parque e depois de largar os mantimentos e a mochila parti para ver a famosa flor, uma vez que a mesma estava muito próxima de um dos trilhos, porém e até a encontrar andei aos “papéis” durante meia hora. 😛 Passado esse tempo, consegui vislumbrá-la e quando me aproximei da mesma fiquei impressionado com o seu tamanho (cerca de meio metro de diâmetro). No entanto a flor, já estava a morrer e a ficar enegrecida e desse modo este encontro, não foi assim tão memorável e espetacular… :/

Muito mais especial e ainda durante essa tarde, foi o momento em que reencontrei o casal de espanhóis que conheci no Brunei e quando apanhei uma mega trovoada nas imediações da cascata número 7! Quando fiz o caminho de regresso ao HQ, a água escorria por todos os lados e tive a sensação que descia não um trilho, mas um rio! E a verdade é que em dois locais do trilho foi isso que encontrei. Rios criados pela água da chuva e que transformaram de tal modo a paisagem que só acreditei que aquele era o caminho de regresso pois as árvores continuavam pintadas com as mesmas cores. Surreal! 😀 E senti-me muito feliz por ter tido a oportunidade de experienciar e viver, a força da natureza sem quaisquer filtros ou barreiras.

Espetacular e memorável em Gunung Gading, foi o trekking na selva que fiz desde o HQ até Rock Well e o caminho de regresso (aproximadamente dezassete quilómetros). Inicialmente a caminhada estava para ser feita apenas até Gudung Gading (três quilómetros e seiscentos metros), porém como cheguei ao “topo” em apenas duas horas e fiquei admirado com a facilidade da “ascensão” – as estimativas do parque apontavam para três/quatro horas – decidi continuar e embrenhar-me na selva e ir até Batu Berkubu. E… ainda bem que o fiz! Pois essa opção revelou-se um desafio físico intenso e apaixonante. 😀 O trilho estava bem marcado e só havia que manter a concentração para não cometer nenhum erro, uma vez que estava completamente sozinho e não havia ninguém que me pudesse ajudar num raio de quilómetros. Sozinho no meio do trilho, no meio da selva, lá fui seguindo. Intenso! Ainda para mais, porque havia algumas zonas do trilho que estavam cheias de pequenos obstáculos, troncos caídos e vegetação densa que intensificavam ainda mais a experiência! A verdade é que às 11.30 já estava no final do trilho, em Rock Well, uma zona de formações rochosas interessantes. Já mais relaxado, mas sempre concentrado fiz o caminho de regresso ao HQ! E o parque de Gunung Gading, ficará para sempre associado às palavras… JUNGLE TREK! 😀

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Viagem ao Coração do Bornéu por Palavras

Ato III – A Caminho da Tribo. Encontro com Mao

Já na margem, despedi-me e agradeci profundamente ao meu barqueiro. Recomecei a andar e as diferenças para a primeira vez eram mais do que temporais (duas horas de distância), eram essencialmente emocionais, desta vez sabia que ia correr tudo bem e que não haveriam mais enganos ou dúvidas! Agora independentemente do trilho ia ser fácil, era isto que sentia. 🙂 Com estes pensamentos em mente, fui percorrendo o mesmo sempre com cuidado e realmente não haviam mesmo dúvidas! O trilho era claro e inequívoco! O único problema mesmo era o atrito, aliás a sua ausência.

Durante quase duas horas andei ladeira acima, ladeira abaixo, passando o rio em pequenas pontes sempre carregado com a minha mochila pequena e com o super-desconfortável cesto de verga. De vez em quando, amaldiçoava o peso do mesmo e o facto de ter de o carregar, mas quando finalmente avistei uma casa de madeira com telhado de zinco soube que a minha penitência estava a terminar e estuguei o passo. Ao encontrar um nativo, sentado na entrada da casa, perguntei-lhe por Mao e ele fez-me um gesto largo, para seguir em frente.

Passei por mais um par de casas, uma delas abandonada e por umas hortas e quando encontrei outra casa com outro nativo sentado nos degraus da entrada, ao perguntar-lhe por Mao ele fez-me sinal para subir. Muito devagar pronunciei Daniel e simultaneamente fiz-lhe sinal de dormir. Quando me aproximei, ele ajudou-me a tirar o cesto de verga das costas e depois de o pousarmos no chão, virei-me para ele, apontei para mim e pronunciei: “Kiri”, ele fez o mesmo e pronunciou, Tawing.

Entrei então na casa, paredes altas, toda em madeira, telhado de zinco e tirando um pequeno cubículo com posters de alguns jogadores de futebol e um colchão no chão, todo o espaço era uma única divisão, como se de um salão se tratasse e tudo parecia muito humilde. Até que os meus olhos pararam nalgumas fotografias da família e numa estante com alguns aparelhos eletrónicos: colunas, leitor de DVD, rádio, um computador portátil… fiquei surpreendido! Não esperava encontrar estes itens no interior da selva, no coração do Bornéu e numa aldeia Sian (tribo semi-nómada), mas tal facto não retirou encanto ao local, apenas me recordou os tempos modernos em que vivemos e de como a globalização chega a todo, ou quase todo o lado.

Quando os meus olhos voltaram a focar o “salão” mas ao nível do solo vi que estava sentada uma senhora muito idosa vestida de forma tradicional, os braços abaixo da linha dos cotovelos e o peito dos pés estavam tatuados. Usava um chapéu alto preto, tinha largos brincos que faziam com que as orelhas estivessem muito descaídas e fumava um cigarro largo que volta e meia se apagava e que ela depois voltava a acender. A senhora levantou-se e enquanto me apertava a mão, Tawing apontou para ela e disse: “Mao”. Fiquei surprendido, afinal Mao era o nome de uma mulher e a casa onde eu ia ficar a dormir não era a de nenhum patriarca, mas sim a de uma matriarca Sian. 🙂

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Viagem ao Coração do Bornéu por Palavras

Ato II – A Caminho da Tribo. Perdido na Selva

Regressei a Belaga bem cedo, com o Madam e a sua família e assim que chegámos, dirigi-me à guesthouse do Daniel onde me abasteci de produtos alimentares para levar para a tribo. Dentro de um cesto de verga, colocámos uma saca com dez quilogramas de arroz, dois quilogramas de açúcar e uma garrafa de vinho de arroz… e depois de continuarmos a falar, perguntei-lhe o que poderia comprar mais. Ele respondeu que geralmente café e galinhas eram sempre bem aceites e desse modo aproveitei para ir tomar o pequeno-almoço e comprar mais mantimentos. 🙂

Quando regressei, ele entregou-me um papel com algumas palavras básicas escritas em Malay (comer, dormir, beber, andar…), alguns nomes de pessoas da tribo e explicou-me de forma simplificada o caminho para chegar à tribo semi-nómada dos Sian (a mesma ficava a duas horas de Belaga, no interior da selva).

Por volta das 11.00 apanhei um barquito para cruzar o rio e de mochila ao peito e cesto de verga nas costas, parti rumo à outra margem e ao trilho que me levaria a uma nova experiência. 🙂 Assim que comecei a andar vi que tinha de seguir com bastante cuidado, pois o pavimento (um misto de betão, pedras, vegetação e musgo) era muito, muito escorregadio e senti que ao mínimo deslize me poderia magoar, ainda para mais carregado como estava. :/ Pé ante pé lá fui avançando e quando cheguei a um pequeno rio e, me pareceu que era possível atravessá-lo, segui nessa direção (Daniel na sua “explicação” me falou da existência de um rio que deveria ser cruzado).

Antes de começar a andar e por instinto decidi olhar para a bússola. Assim que fiz a travessia, comecei imediatamente a subir por um caminho enlameado e que me parecia bem marcado. Trilho abaixo, trilho acima fui penetrando na selva e comecei a suar abundantemente fruto da elevadíssima humidade e do esforço físico associado a caminhar num terreno tão acidentado. Numa passagem mais enlameada escorreguei e vi a minha garrafa de água rolar vinte metros colina abaixo, ficando numa zona cheia de vegetação. :/ Nessa altura pensei que ir buscá-la não valia o esforço e segui em frente. Dez minutos depois deste pequeno incidente, cheguei a uma zona onde deixei de ver o trilho, percebendo nesse momento que tinha de voltar para trás e que me tinha enganado no caminho. :/ Quando comecei a andar para trás, bastou dar dois ou três passos para ficar desorientado (pois não havia pontos de referência) e percebi imediatamente que estava perdido no meio da selva, carregado e sem água! :/

Instantaneamente o meu cérebro começou a carburar a todo o gás e os pensamentos foram: ”Vais morrer aqui! Estúpido! Por que é que não voltaste atrás para ir buscar a garrafa de água!? Se não tinhas a certeza relativamente ao caminho, porque seguiste em frente!? Vais morrer aqui! Ninguém te vem procurar! Ninguém sabe que estás aqui! Não te vão encontrar! Vais morrer aqui!” À medida que o meu cérebro em stress estava neste processo destrutivo, o meu lado racional tentava manter a calma e o controlo. Num minuto já estava a olhar para a bússola e comecei a andar na direção contrária à qual tinha vindo.

Selva adentro, monte abaixo, monte acima fui desbravando terreno. A vegetação era cerradíssima e muitas vezes agressiva e o ar sufocante. :/ Suava, suava em bica a cada passo, a cada metro que avançava só pensava: “tens de chegar ao rio, tens de chegar ao rio”. Passados mais ou menos quarenta e cinco cheguei ao topo de uma colina mais elevada, mas mesmo daí não conseguia avistar nada! :/ A vegetação parecia uma parede e eu continuei a caminhar e a suar em bica até que encontrei o pequeno rio! 🙂 Nesse momento, fiquei muito FELIZ, sabia que estava no caminho certo, apenas não conseguia perceber se estava a sul ou a norte do ponto onde atravessara mas, decidi continuar a andar em linha recta até chegar ao Rajang.

Claro que pensar é fácil, executar bem mais difícil ainda para mais num terreno tão acidentado, cheio de “alçapões e ratoeiras”, plantas espinhosas, uma densidade de vegetação que se assemelha a uma muralha, árvores, galhos e ramos podres que cedem facilmente e que não oferecem um apoio seguro, desníveis de terreno que surgem sem aviso, enfim… fisicamente, mentalmente e emocionalmente desgastante… extenuante. :/

A partir de certa altura comecei a ouvir o barulho de motores! Aleluia! Estava quase a chegar, porém ainda me faltava descer uma colina mega íngreme, cheia de plantas e árvores espinhosas. A cada passo e cada vez que um espinho se cravava na minha carne, eu gritava: ”Porque é que me magoas, FDP? Porquê?” e depois lá reconsiderava e pensava que não era a selva que me estava a magoar, eu é que me estava a magoar!

Quando finalmente cheguei à margem do rio, respirei de alívio. Estava salvo! Nessa altura vi que estava a cerca de cem / cento e cinquenta metros a norte do local onde tinha sido largado pelo barco. Comecei então a gritar e a acenar, para a margem de Belaga: “Help! Help! Help!” e passados cinco minutos vi finalmente um barco a sair da outra margem e a vir na minha direção! Quando este atracou, estava a sentir-me um farrapo emocional e quando me sentei, soltei duas ou três lágrimas de emoção! O meu “salvador” perguntou-me se queria seguir para Belaga, mas acenei que não e pedi para ele me levar até ao local onde começara o trilho

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Mulu. Back to the Primitive

Ato V – Guiado por Lucas a Caminho das Alturas

Durante a noite acordei múltiplas vezes e às 5.30 já estava a tomar um pequeno-almoço reforçado. A partida para os Pináculos ocorreu às 6.35 e a caminho do topo, andámos no meio de uma selva de rochas e raízes de árvores em que estes dois elementos combatiam entre si pela supremacia da paisagem. 🙂 Aliás, às vezes, sentia que estava mais a observar uma fusão ou uma mescla perfeita entre os elementos, do que uma batalha! Surreal, belo e escorregadio! 😀 Durante a ascensão fui quase sempre a sombra de Lucas, o nosso guia e desse modo pude observar a sua tatuagem na “barriga” da perna direita: “Jesus is the Lord”. Ao imaginar que fui guiado por um “apóstolo” a caminho das alturas, não pude deixar de sorrir. 😛

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O caminho em distância percorrida foi curto, apenas 2400 metros mas em altitude fomos de uma cota quase nula até aos 1200 metros, ou seja o declive era muuuuuuuuuito acentuado e os últimos 400 metros de distância transformaram-se mais num desafio de escalada, com recurso a escadas, cordas e busca de bons apoios para os pés e para as mãos. Neste momento a minha concentração estava no “pico”, pois a rocha que nos rodeava mais parecia um mar de lanças e facas afiadíssimas prontas para ao mínimo descuido nos partir facilmente um osso, ou cortar a pele, a carne, os músculos e os tendões. Aliás nessa altura fui pensando várias vezes: “Como raio vou voltar para baixo!?” :/

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Atingi o pico por volta das 10.40 e a paisagem foi de facto algo de totalmente novo e inesperado. Estávamos num miradouro de onde víamos uma floresta de picos de rocha, a emergir do meio das árvores e suplantarem estas em altura. Ver para crer! A natureza criadora na terra da magia e dos espíritos selvagens. 😀 No topo estivemos cerca de uma hora e durante esse tempo aproveitámos para almoçar, para tirar fotografias (nesta altura o casal de romenos tirou-me alguns retratos) e observar uns esquilos verdes que por lá passeavam.

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Perto do meio-dia iniciei a minha descida e nos primeiros 400 metros a concentração estava novamente elevadíssima e à medida que ia descendo fui procurando os melhores apoios possíveis. Nesta altura, agradeci à boa sorte ter optado por fazer o trekking com os sapatos de borracha, uma vez que os mesmos são muito mais flexíveis e menos largos e escorregadios do que as botas, pois a sola é completamente deformável. Deste modo, consegui encaixar os pés em quase todos os nichos existentes na rocha, a única desvantagem era sentir todas as variações da superfície na planta dos pés, principalmente porque as rochas eram completamente afiadas! :/

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Lentamente, o caminho foi sendo percorrido e aos poucos e poucos os obstáculos e desafios ultrapassados. Quando cheguei ao final da secção dos 400 metros, estava contente pois a parte mais problemática estava ultrapassada. Porém… o São Pedro pregou uma partida ao seu amigo Lucas e respetivo rebanho pois quando estava a chegar à placa que indicava, 1900 metros começou a chover torrencialmente! “Bonito! Agora é que vão ser elas!” E infelizmente não me enganei! :/

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O caminho em condições normais já é escorregadio e como se pode deduzir, a chover tornou-se num ringue de patinagem no gelo e cada passo começou a requerer concentração absoluta, pois o mínimo descuido poderia revelar-se catastrófico. A energia necessária para manter a concentração foi de tal modo elevada, que o caminho não me trouxe quase nenhum prazer… :/ o esforço físico tornou-se irrelevante quando comparado ao esforço mental associado ao “jogo” do sempre em pé e quase no final do trilho só desejava que esta aventura terminasse de vez, pois estava entediado e cansado de manter a concentração. Felizmente consegui descer sem me magoar e por volta das 16.20 cheguei finalmente ao campo 5, onde respirei de alívio… sem mazelas, os Pináculos de Mulu estavam conquistados. 😀

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Crónicas Em trânsito Fotografia

Mulu. Back to the Primitive

Ato IV – A Caminho do Campo 5 e o Repouso

Depois da visita às lindíssimas cavernas, retemperámos forças num cenário idílico: rio cor de esmeralda, água transparente, areia fina e uma floresta verdíssima e luxuriante; onde almoçámos (delicioso caril de abóbora, encomendado no dia anterior) e nessa altura comecei a conhecer melhor os meus companheiros de trekking: Cristian e Ana (casal de romenos a viver em Londres); Amas e Alexa (casal de australianos); Igor e Mia (casal de Cazaques) e uma rapariga chinesa, bastante reservada.

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Findada a pausa e o repasto, mudei de calçado (usei pela primeira vez os meus sapatos de borracha) e despedimo-nos do nosso guia. Voltámos a embarcar, mas desta feita com destino a Kuala Litut (que fica ainda mais a norte) e durante a travessia tivemos de desmontar várias vezes do nosso barco e empurrá-lo, pois havia seções onde o rio estava muito raso. Claro que nestes processos de monta e desmonta, os calções ficaram bem encharcados e quase, quase no final do percurso no rio, houve mais um twist, o dia que até ao momento estava solarengo, ficou muito, muito escuro e… começou a chover torrencialmente. 😛

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Na despedida dos barcos e antes de começarmos a caminhada para o campo 5 já estávamos completamente encharcados, pois o que o rio não molhou a chuva terminou o “serviço” e durante pelo menos metade dos dez quilómetros, choveu com uma intensidade brutal! A ponto do meu único objetivo ser: andar, andar…andar. A certa altura da caminhada, tive de parar para pôr umas meias, pois os famosos sapatos de borracha estavam a começar a ferir-me o peito do pé. :/

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Passados poucos minutos depois de ter recomeçado a andar a chuva parou finalmente! 🙂 O trilho tornou-se então mais agradável, pois finalmente a água não me fustigava o rosto e a floresta estava mais clara, havendo por isso uma melhor visibilidade, porém a verdade é que a caminhada nunca passou da fasquia do agradável.

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Quando finalmente cheguei, quase todo o grupo já lá estava, só faltava eu e o casal de romenos. Durante o resto da tarde esvaziei a mochila e pus roupa a secar; organizei a comida, a água, os produtos de higiene, o calçado e o pouco vestuário que me restava seco; tomei um retemperador duche de água fria; comi; estive na converseta; preparei o almoço para o dia seguinte; e ouvi um breve briefing sobre os Pináculos, o dia seguinte tudo indicava, seria longo e desgastante

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Dicas Reflexões

Kinabalu. Ascensão Infinita

Epílogo

Em termos turísticos Kinabalu é um dos grandes negócios dourados de Sabah e nenhum agente turístico no seu perfeito juízo, irá promover a ascensão num dia, afinal os pacotes turísticos giram à volta da estadia super dispendiosa em Laban Rata, que em termos de esforço físico – mas não distância – fica sensivelmente a meio caminho do cume da montanha. Para além disso e já no interior do parque natural também não há ninguém que promova esta possibilidade, contudo se já partirmos informados, ninguém nos irá mentir acerca da mesma.

Para quem não gosta de fazer planos com meses de antecedência, quer gastar uma exorbitante maquia e gosta de desafios físicos, o que posso dizer é… a ascensão de Kinabalu num dia é possível mas depende de vários fatores. Alguns dependem de nós e outros – tais como as condições meteorológicas – estão completamente fora do nosso alcance, desse modo… para completar a ascensão não é necessário ser nenhum super herói ou heroína, porém é preciso estamina, força de vontade e alguma sorte.

Mesmo que se cumpram as “barreiras” temporais: três horas para chegar a Laban Rata e se atinja o pico antes das 13.00 – cinco horas desde o início do trekking – tal não significa que a ascensão esteja garantida. Basta que os rangers do parque decidam que as condições meteorológicas não são aceitáveis e… fim do “jogo”. Basta o nosso guia decidir que estas mesmas condições se degradaram muito rapidamente – vento, chuva, nevoeiro – e… fim do “jogo”. Enfim, existe um enorme leque de variáveis desconhecidas na equação de Kinabalu que podem ditar o fim da ascensão e caso exista cancelamento durante a mesma, não há direito a reembolso. Por isso é fazer “figas” e esperar o melhor… mas quem estiver disposto a arriscar, a recompensa será de certo grandiosa… 😀

P.S. – A ascensão num dia é um assunto sério e deve ser feito sob a supervisão de um guia. Nem sequer pensem em fazê-lo sem o mesmo e por conta própria. Tal representa uma monumental falta de respeito para com a montanha e para com a vossa vida.