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Tanjung Puting. No Reino dos Orangotangos

Ato III – No Meio do Reino e o Rei de Camp Leakey

Às 5.30 já estava acordado, depois de dormir poucas horas mas bem “ferradas”! E tive a oportunidade de ver o dia a clarear, a neblina matinal, o céu prateado. O pequeno almoço iniciou-se à mesa e terminou na proa, em observações zoológicas. No caminho para o campo Leakey (o local de observação de orangotangos mais interior de todo o parque natural), como “prometido” fomos encontrando bastantes espécies de pássaros e alguns macacos, e vimos a água do rio a transitar de uma cor castanha e barrenta para o negro, como se tratasse do sangue da Terra. Este fenómeno ocorre, devido às raízes das árvores e à ausência total de poluição, e este é um dos dois únicos locais do mundo, onde ocorre.

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Por volta das 9.00 já estávamos no nosso destino e durante duas horas andámos pela floresta tropical e vimos insectos, fungos e cogumelos (azuis, branco e castanhos), uma vegetação luxuriante, troncos caídos, plantas carnívoras, zonas em que a floresta desaparecia e apenas se viam fetos! E quase, quase no final da caminhada mesmo à nossa frente e a poucos passos, uma mamã orangotango com a sua pequena cria! 😀 Espetacular! Um verdadeiro momento National Geographic! E senti que ter a oportunidade de ver estes animais, no seu habitat é de facto uma experiência única.

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Por volta das 11.30 estávamos de regresso ao barco e a deliciar-nos com o almoço. Depois de mais uns momentos de conversa com o nosso guia voltámos a partir para Camp Leakey, desta feita rumo à plataforma onde alimentam os orangotangos. Mas antes, fomos recebidos por macacos de cauda longa, estivemos no centro de visitantes, vimos uma fêmea orangotango a repousar e percorremos mais um trilho alternativo. Quando chegámos à zona da plataforma, a área envolvente já estava semi preenchida com turistas e passados poucos segundos pude observar o meu primeiro gibão! 😀 (cara cómica; corpo desproporcionado – braços muito longos; veloz como uma bala) e esse foi o único primata que vimos no local. Enquanto esperávamos, o céu foi ficando carregado, carregado e passado uns minutos começou a chover. Toda a gente partiu, mas nós ficámos e nessa altura fui até à plataforma comer uma banana e declarar-me “rei” de Camp Leakey  uma vez que o meu “oponente” não apareceu! 😛

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Depois de breves instantes, estávamos a reentrar novamente na selva, com o nosso guia mas o passeio foi curto. Já no caminho de regresso e do nada, surgiu-nos Oscar – um jovem orangotango  mesmo à frente! E mesmo com o guia a dizer que o seu tamanho era médio, deu para ver o seu porte poderoso e sentir a sua presença! 🙂 Já nas imediações do centro de informação, vimos desta feita uma jovem fêmea. No cais, embarcámos e partimos para Panduk Ambung, onde esperámos que ficasse de noite. Aí, durante quarenta e cinco minutos fizemos a nossa caminhada noturna, encontrando: um kingfish (pássaro), tarântulas, centopeias, insectos estranhos, um ninho vazio e vimos a luz de múltiplos relâmpagos, fazendo figas para não começar a chover.

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Tal como no dia anterior jantámos bastante cedo e depois do meu primeiro banho em três dias, ficámos a falar com o nosso guia, antes de irmos dormir. Quando me deitei, voltei a ficar fascinado ao ouvir o som da selva… 😀

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 P.S. – Em ambos os dias fui sempre mordido por uma formiga do fogo! Aiiiiiiiiiiii! 😛    
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Tanjung Puting. No Reino dos Orangotangos 

Ato II – Partida para o Reino e o Campo 1

O barco onde “aterrei” juntamente com o Andreas era grande, espaçoso e tinha dois andares, para além disso, tinha uma WC com chuveiro e duas zonas para observação de animais (uma na proa e outra na popa). Logo no início da travessia, percebi que de facto era necessário um barco para visitar o parque natural, pois de Kamui até entrarmos na área oficial do parque, necessitámos de hora e meia e até chegarmos ao campo 1, duas horas.

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Durante a viagem, vimos palmeira e outros tipos de vegetação semi submersa, pequenos barcos de transporte de mercadorias, de pescadores, barcos turísticos de médio porte (como o nosso), muitas espécies de pássaros, alguns macacos probuscius e dois orangotangos muito disfarçados no meio da folhagem 🙂 ; recebemos um briefing do nosso guia (Mr. Supian Hadi, ou simplificando Mr. Uzo) e ficámos a perceber o plano de “festas” para os próximos dias; deliciámo-nos ao almoço (arroz + tempe + vegetais + peixe); e comecei a perceber que o dinheiro investido iria trazer bastantes regalias! 😀 (tripulação: mecânico, capitão, cozinheira e guia).

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Quando chegámos ao campo 1, Uzo levou-nos por um trilho alternativo até à plataforma dos orangotangos e durante o mesmo, deu para ver ninhos de orangotango (frescos e mais antigos), insectos e um pouco de selva. Quando desembocámos na zona da plataforma, havia uma fêmea a comer, de costas para os turistas e cerca de duas dezenas de pessoas a observar. Comparando este local, com Sepilok (Sabah, Bornéu Malaio) nunca tinha estado tão próximo como aqui (existe uma área delimitada, mas muito mais próxima) e visto uma fêmea tão grande. 🙂 Depois dela desaparecer, vimos mais um ou dois vultos nas árvores (mas bastante afastados) e um pequeno esquilo muito engraçado. Antes de voltarmos ao barco, ainda demos um pequeno passeio na selva com o nosso guia e deu para ver árvores espinhosas, fungos, insectos e muita vegetação.

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Já de regresso ao barco e até atracarmos, fomos percorrendo o rio e vendo muitas espécies de macacos: cauda longa, probuscius (principalmente), folha prateada, e os reflexos das árvores e das nuvens no rio enquanto o dia caminhava para o seu ómega. Antes de jantar, puseram uma grande rede mosquiteira branca a proteger os nossos fantásticos colchões! 😉 e o jantar, à semelhança do almoço, voltou a ser à grande: camarões panados, Mie Goreng (massa frita), vegetais, arroz, tudo isto à luz das velas! 🙂 Depois de jantar descemos ao “piso térreo”, onde dentro do barco (altura muito baixa, tínhamos de andar de cócoras) estivemos a falar com o nosso guia e com o capitão do barco até às 22.00, hora em que todos foram dormir, bem quase todos… 🙂 uma vez que, fiquei acordado a fazer um backup de fotografias… a ouvir o barulho dos insectos, da selva, a ver as estrelas e a pensar que a “aposta” de ficar, tinha sido totalmente acertada! A verdade é que nesta vida, há experiências únicas que valem mesmo o investimento! 😀

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Berastagi & Gunung Sibayak

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Nos dias em que estive em Berastagi e à semelhança de Medan, fui entrevistado umas quantas vezes; vi igrejas, mesquitas, camponeses e cenouras… muitas cenouras 😛 ; visitei a zona do mercado, onde encontrei uma grande variedade de frutas e produtos desconhecidos, sentindo o calor e simpatia dos “nativos”; subi à colina de Gundaling de onde observei a panorâmica da vila e já no topo, uma visão magnífica de… neblina e trevas! Berastagi também marca o meu primeiro encontro com o delicioso martabak de chocolate e amendoins. Huuuuuuuuuumm! 😀

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Já nas imediações da vila, na companhia de duas raparigas francesas e de um guia, tive a minha primeira oportunidade de escalar um vulcão ativo, mas adormecido, o Gunung Sibayak e diga-se que o trekking não desiludiu. Nadinha! 🙂 O nosso primeiro “passo” foi apanhar um pequeno autocarro – no qual observei, o motorista que fumava qual um dragãozinho – para as imediações da cascata de Sikulikap e depois de a contemplarmos a partir de um miradouro elevado, começámos a nossa ascensão.

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O trekking fez-se por uma encosta coberta de selva: lama e zonas barrentas, vegetação cerrada, muitos obstáculos e troncos caídos, períodos de chuva leve e uma temperatura agradável, assim foi a nossa ascensão. Quando chegámos à zona da cratera, nuvens corriam velozmente no céu, mudando rapidamente a nossa perceção, sendo a paisagem um misto de cinzentos, verdes e fumos. Passados apenas dez minutos de aí termos chegado, começou a chover torrencialmente.

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A partir desse momento tudo mudou, tornando-se a paisagem surreal: as rochas de múltiplas cores – cinzentas, esverdeadas, avermelhadas -, a formação de rios e cascata no meio do trilho, o contraste entre o vulcão “fumante” e o dilúvio! Belo e memorável. 😀 No meio daquela tempestade, fomos andando o mais rápido que conseguimos e quando chegámos à estrada o nosso guia contactou um amigo para nos ir buscar.

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Passados vinte minutos chegou uma pequena carrinha com um sorridente Rastman a bordo, Smiley o nosso “taxista” era  relaxado, simpático e muito “boa onda” e levou-nos até às hot springs, lá do sítio. Foi aí que o nosso trekking teve o seu final perfeito, todos de molho numa piscina a fumegar, a chuva a cair e o Gunung Sibayak no horizonte. 😉    

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Taman Negara? Selva Antiga!

Taman Negara é o maior e o mais importante parque natural de toda a Malásia, pois é aqui que se localiza a floresta primária – selva – mais antiga de todo o planeta!! Uma vez que o degelo que há milénios “tocou” quase todas as áreas do globo não atingiu esta zona. Quando cheguei a Kuala Tahan, não tinha nenhum plano específico para visitar o parque natural, mas como conheci um nativo que me “ofereceu” um bom preço para um trekking de três dias e duas noites na selva com tudo incluído, acabei por aceitar a sua “oferta”. Depois de dormir uma noite num hostel barato nas imediações do parque, fui levado até à casa do meu guia e aí conheci os meus companheiros de jornada – dois rapazes austríacos e um rapaz chinês – e preparei uma mochila, com alguma roupa, um saco de cama, uma esteira e alguns mantimentos. A bordo de um barquito de madeira, atravessámos o rio e fomos até ao HQ fazer o controlo mais ridículo que alguma vez vi na vida, uma vez que tivemos de contar quantos plásticos, baterias, etc… cada um de nós possuía antes de entrar na área do parque – o controlo até poderia ter alguma lógica se fosse efetuado na entrada e na saída, mas como estamos na Ásia, obviamente isso não veio a acontecer! :/

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Terminado o “controlo”, seguimos rio acima até chegarmos à zona da canopy, onde a 45 metros do solo pudemos observar a verde e pernaltuda floresta em redor. Finalizado o emocionante passeio nas alturas, voltámos a embarcar e durante duas horas continuámos até Kuala Trenggan, sendo a travessia de tal modo agradável – permitindo-me observar pequenos mamíferos e enormes e exóticas árvores – que senti um imenso prazer a viajar – “como é possível que viajar não seja das melhores coisas/experiências desta vida?” Antes de penetrarmos na selva e começarmos realmente o trekking, parámos para almoçar.

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O trekking levou-nos para o reino da humidade elevadíssima, das sanguessugas, do suor abundante, da lama, dos riachos e das travessias em estreitas pontes, da clorofila, das árvores milenares, das serpentes venenosas, das rochas estranhas e belas, da selva antiga e primitiva de Taman Negara! 😀 Durante a tarde percorremos em ritmo elevado um trilho de oito quilómetros, colina abaixo, colina acima, atravessando cursos de água, saltando por cima de grandes troncos que bloqueavam o caminho, acompanhados de uma chuva intermitente, penetrando cada vez mais profundamente na selva, até chegarmos ao nosso destino, a caverna de Kepayang Besar. Nessa enoooooorme caverna absolutamente deserta, pernoitámos e foi aí que tive uma das noites mais primitivas e memoráveis de toda a viagem – os morcegos, as sombras projetadas nas paredes da caverna, a fogueira, a comida, a partilha durante o serão, o ambiente íntimo e a solidão de estarmos sós naquele pedaço de selva! 😀

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No segundo dia, acordámos bastante cedo e depois de arrumarmos tudo e tomarmos o pequeno-almoço, seguimos até uma pequena caverna, que existia nas imediações para observar centenas de morcegos. 🙂 Durante a manhã a aventura continuou: maissanguessugas, mais leitos de rio – naquela altura sem água, mas lamacentos e escorregadios – partes de selva muito densa, atravessamentos de riachos com a ajuda de cordas e pontes improvisadas, mais humidade e transpiração, já falei das sanguessugas!? 😛 Mais selva! Depois daquela manhã em alta-rotação, a tarde passou-se tranquilamente na companhia de uma tribo onde pudemos observar, casebres de madeira e palha e nativos com características africanas!? – pele escuríssima, cabelo negro e encarapinhado – e fiquei admiradíssimo, pois foi a primeira vez que vi alguém naÁsia com aquelas características físicas. Nas imediações da aldeia, tomei banho num rio completamente lamacento e ao submergir nas suas águas, senti-me estranho, uma vez que não conseguia ver NADA!

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No terceiro e último dia a viagem foi tranquila e serena, pois o regresso a Kuala Tahan foi novamente realizado no barquito de madeira. Já na vila, arrumei as mochilas e depois de um almoço simples apanhei um autocarro praticamente deserto para regressar a Jerantut. Obrigado Taman Negara! Deixaste-me o coração cheio e o corpo com menos uns mililitros de sangue. 😉

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P.S. – Para chegar ao parque nacional de Taman Negara não há um caminho direto e por essa razão a viagem foi feita em alguns passos. A primeira parte da viagem ligou Tanah Rata  ainda nas terras altas – a Jerantut e a mesma foi feita numa mini-van. Na chegada a Jerantut fui deixado na agência de viagens NKS, que parecia ter o monopólio de toda a região e aí aguardei durante algumas horas – durante esse tempo percebi que havia outras alternativas ao barco que acabei por apanhar, o único problema foi que o pacote vendido em todas as agências de viagens nas Terras Altas não oferecia alternativas ao mesmo. :/ Passado esse tempo fiz uma curtíssima viagem – novamente de mini-van – até ao jetty de Kuala Tembelling e aí apanhei um barco que me levou rio acima, durante três horas até Kuala Tahan, uma pequena vila colada à entrada do parque natural. A verdade é que a viagem no rio foi bastante agradável – sol, chuva torrencial, suave neblina na floresta… observei búfalos, macacos e aves e apreciei a paisagem envolvente do rio e da floresta. Deste modo não posso considerar a compra forçada, como grave! A única questão que se levanta, é o mau princípio que esta situação cria e que impossibilita as pessoas de escolherem livremente que tipo de viagem pretendem – barco ou autocarro.

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Trilhos de Bako

Para chegar ao parque nacional de Bako, primeiro apanhei um autocarro local para um cais que fica nos arredores de Kuching e seguidamente um barco que seguiu primeiro num rio de águas barrentas e depois no oceano. A viagem durou aproximadamente meia hora e na chegada à praia de Tanjung – local do HQ – vi uma paisagem dramática e surreal de árvores já secas e mortas, mas com a água do mar a submergir grande parte dos seus troncos… Belo! Trágico! Inesquecível! 😀 

Nos dois dias que estive no parque, maravilhei-me com o meu último pedaço de selva do Bornéu e todas as caminhadas que fiz nos múltiplos trilhos mostraram-me diferentes faces da ilha. 🙂 Aliás, em Bako foi fascinante observar como num espaço tão curto, existem tantas variações de paisagem, tanto em termos de vegetação, como de geologia! Na ilha existem florestas tropicais, manguezais, locais que se assemelham a florestas mediterrânicas! Praias desertas e selvagens – Paku, Tajor, Besar e mais bonita de todas, Kecil; enseadas, baías, falésias de rocha negra, formações rochosas que brotam do mar, rochas areníticas: castanhas, cinzentas, brancas, bordôs. 😀

Para além da fantástica paisagem vi muitos tipos diferentes de animais:  macacos – silver leaf, proboscis – a menos de um metro de distância 🙂 , cauda longa; porcos selvagens mas inofensivos; serpentes – uma verde, uma castanha e pequena e outra negra e amarela; pássaros – King Fish; escorpiões; aranhas, peixes; e um sapo minúsculo, mas altamente venenoso; e ao final de cada dia falei com diferentes pessoas, sobre diferentes assuntos. Dias de Bako? Dias muito felizes! 😀


P.S. – O único senão na experiência da ilha de Bako, foi observar a “marosca” legal na venda de bilhetes para o barco, uma vez que no cais somos “forçados” a comprar bilhetes de ida e volta! :/ O ideal mesmo é embarcar com pessoas que voltem no mesmo dia, para se poder dividir a despesa.

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Gunung Gading. Raflésia e Jungle Trek

Depois dos acontecimentos “obscuros” de Kapit 😛 , fiz uma grande viagem para Kuching. Primeiro regressei a Sibu no barco das 9.00 e já nessa cidade apanhei um autocarro que me transportou por quatrocentos e sessenta e dois quilómetros e oito horas de viagem até à cidade dos gatos. Depois da noite em Kuching, acordei bem cedo e fui até ao centro dos parques naturais, aí quando me preparava para marcar a estadia no Parque Nacional de Bako, vi um aviso sobre o Parque Nacional de Gunung Gading e da existência de uma raflésia em flor – extremamente rara. 🙂 Desse modo, alterei um pouco a minha rota e parti imediatamente para esse parque natural.


Na estação central, apanhei um autocarro para Lundu e depois de uma curta viagem de hora e meia, cheguei à pequena cidade onde me abasteci de mantimentos e água. A caminho da entrada do parque, carregado com sacos e com uma pequena mochila, apanhei uma boleia de scooter e a viagem foi uma risada, pois o meu condutor era muito bem disposto. 😀

Já no parque e depois de largar os mantimentos e a mochila parti para ver a famosa flor, uma vez que a mesma estava muito próxima de um dos trilhos, porém e até a encontrar andei aos “papéis” durante meia hora. 😛 Passado esse tempo, consegui vislumbrá-la e quando me aproximei da mesma fiquei impressionado com o seu tamanho (cerca de meio metro de diâmetro). No entanto a flor, já estava a morrer e a ficar enegrecida e desse modo este encontro, não foi assim tão memorável e espetacular… :/

Muito mais especial e ainda durante essa tarde, foi o momento em que reencontrei o casal de espanhóis que conheci no Brunei e quando apanhei uma mega trovoada nas imediações da cascata número 7! Quando fiz o caminho de regresso ao HQ, a água escorria por todos os lados e tive a sensação que descia não um trilho, mas um rio! E a verdade é que em dois locais do trilho foi isso que encontrei. Rios criados pela água da chuva e que transformaram de tal modo a paisagem que só acreditei que aquele era o caminho de regresso pois as árvores continuavam pintadas com as mesmas cores. Surreal! 😀 E senti-me muito feliz por ter tido a oportunidade de experienciar e viver, a força da natureza sem quaisquer filtros ou barreiras.

Espetacular e memorável em Gunung Gading, foi o trekking na selva que fiz desde o HQ até Rock Well e o caminho de regresso (aproximadamente dezassete quilómetros). Inicialmente a caminhada estava para ser feita apenas até Gudung Gading (três quilómetros e seiscentos metros), porém como cheguei ao “topo” em apenas duas horas e fiquei admirado com a facilidade da “ascensão” – as estimativas do parque apontavam para três/quatro horas – decidi continuar e embrenhar-me na selva e ir até Batu Berkubu. E… ainda bem que o fiz! Pois essa opção revelou-se um desafio físico intenso e apaixonante. 😀 O trilho estava bem marcado e só havia que manter a concentração para não cometer nenhum erro, uma vez que estava completamente sozinho e não havia ninguém que me pudesse ajudar num raio de quilómetros. Sozinho no meio do trilho, no meio da selva, lá fui seguindo. Intenso! Ainda para mais, porque havia algumas zonas do trilho que estavam cheias de pequenos obstáculos, troncos caídos e vegetação densa que intensificavam ainda mais a experiência! A verdade é que às 11.30 já estava no final do trilho, em Rock Well, uma zona de formações rochosas interessantes. Já mais relaxado, mas sempre concentrado fiz o caminho de regresso ao HQ! E o parque de Gunung Gading, ficará para sempre associado às palavras… JUNGLE TREK! 😀

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Viagem ao Coração do Bornéu por Palavras

Ato V – A Italiana e o Coração do Bornéu

No regresso a Belaga e na casa/hostel/guesthouse do Daniel conheci Valentina, uma rapariga italiana que viveu na Austrália durante dois anos, aproveitando a oportunidade (que certas nacionalidades podem usufruir) de poder viajar no país enquanto trabalhava (working holiday visa) e durante horas falámos de experiências de viagem, planos, opções para o futuro… 🙂

Por volta das 15.00 partimos com o Rowdy, um amigo dele e os dois cães da família para pescar, bem… quer dizer… apanhar peixes, pois a técnica de pesca daqueles “meninos” consistia em dar um choque elétrico localizado na água e depois só tinham de apanhar os peixes mortos ou inconscientes! 😛

Partimos da pequena e sonolenta cidade pelo rio Rajang rumo a sul e depois de duas interseções com outros rios (um deles o Belaga), atracámos o barco partindo à aventura! No início eu e a Valentina fomos acompanhando o desenvolvimento da “pescaria”, mas passado um bocado começámos a andar mais depressa e quanto mais penetrávamos nas margens do rio e mais víamos, mais queríamos ver! 🙂

O local estava a revelar-se um mini-desafio físico de equilíbrios e encontrar passagens escondidas. Quanto mais andávamos, mais selvagem a paisagem era. 🙂 Às rochas, pequenas cascatas e piscinas naturais, iam-se juntando bancos de areia que formavam ilhas cobertas de vegetação luxuriante, troncos e árvores centenárias, lianas. Surreal, eletrizante, magnético… estávamos a ser atraídos para o olho do furacão, mas queríamos mais! 😀 Queríamos trespassar o coração do Bornéu com uma faca afiada e ao romper o seu tecido, ficar cobertos de sangue, cobertos de vida.

E eis que conseguimos chegar à sua alma! 😀 Depois de escalarmos mais umas rochas, “batemos” de frente com uma cascata que era quase uma parede vertical e ao ter tal visão, senti que este era o meu final feliz, o meu final perfeito para a minha viagem ao coração do Bornéu por palavras! 😀

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Viagem ao Coração do Bornéu por Palavras

Ato IV – Na Tribo. “Bro… Steady…Slow” e Experiência ZEN

Tawing disse-me então: “Bro. Sit.” E eu sentei-me de costas contra uma parede e senti toda a minha roupa a colar-se ao meu corpo, fruto do suor abundante. Tawing começou então a mexer no cesto de verga e a retirar todos os mantimentos. Depois de o fazer, agradeceu e quando dei por mim já estava a separar o arroz, o açúcar e o café e a entregá-los a duas pessoa que entretanto tinham entrado na casa: Yean (um velhote de cabelos brancos e curtos, bastante magro) e Ngawet (uma senhora de meia idade que trazia com ela duas crianças, uma menina e um rapaz de olhos vivos e curiosos, mas envergonhados).

Feita a divisão e entregues os mantimentos, Yean e Ngawet partiram e eu fiquei novamente a sós com Mao e Tawing, que por esta altura pegou na garrafa de vinho de arroz e me perguntou: “Bro, drink?” e após bebermos dois copos, virou-se para mim e disse: “You…eat.” Durante cerca de meia hora não o vi e apenas ouvi o barulho de utensílios metálicos a baterem na cozinha (fosse o som de um cutelo a atingir a madeira, fosse o som de uma espátula a raspar um wok), nesse tempo Mao continuava impávida e serena, sentada e volta e meia mascava as tais raízes vermelhas, tal como eu presenciara no dia anterior na longhouse. Eu entretanto, tentava esvaziar a mente.

Quando o Tawing voltou, trazia consigo arroz, frango cozinhado de duas maneiras (uma em forma de caldo e a outra guisado) e uma caneca gigante de café preto que tinha uma dose bastante generosa de açúcar. 😛 A comida dava para um batalhão e eu apontei para a comida e para eles os dois e disse-lhes: “Eat.” Tawing acenou que não com a cabeça e respondeu: “Eat, Bro, eat”. Comecei então a comer e a verdade é que estava esfomeado e durante meia hora mantive-me calado e de boca cheia. Comi, comi, comi… e mesmo deixando muita comida, fiquei completamente saciado. Assim que terminei, Tawing começou a arrumar tudo, não me deixando fazer nada e foi então que apontou na direção do rio e disse: “You Bro, swim”.

Sentia-me um bocadinho incomodado com o facto de estar a ser lord, mas como não conseguia comunicar com ele, vesti os calções de banho e de chinelos nos pés e toalha na mão parti para o mesmo. Em menos de dois minutos estava à beira não de um rio, mas sim de um riachozito e neste local tive um momento completamente relaxado, de paz e “iluminação”. 😀 Um momento ZEN de plena comunhão com a natureza! Deitado de costas nas pedras do riacho, sentia a água que corria a refrescar-me o corpo cansado e a retirar o som do ambiente (ouvidos tapados com água), os meus olhos estavam cerrados e a minha mente relativamente apaziguada e eis que surgiu o momento… quando voltei a abrir os olhos e com o corpo na mesma posição, vi nuvens brancas a correrem no céu, veloz e alegremente e os ramos e as folhas das árvores a serem agitados pelo vento e senti que tudo na vida e na natureza estava ligado ao movimento. O rio que corre, as nuvens que desfilam, os ramos e folhas que se agitam. Tudo muda, tudo é mutável, tudo se transforma, adapta, reformula e reinventa. 😀

Ao voltar a casa de Mao e Tawing estava muito mais fresco, sentia-me bem e assim que cheguei aproveitei para me hidratar, primeiro com água e depois com mais um “caneco” de café. Tawing disse-me então: “Friend, steady…slow” e fiquei a vê-lo mascar as famosas raízes vermelhas e tentei manter-me focado naquele momento, mesmo que este fosse um bocado parado demais! 😛 Passado quase uma hora e depois de mais alguns “Friend, steady…slow”, Tawing fez-me sinal para o acompanhar na visita a casa de uns amigos e aí ficámos apenas na zona do alpendre, “quietos e vagarosos” a fumar um cigarro.

Regressámos a casa de Mao, onde permanecemos mais meia hora “quietos e vagarosos” e já depois do lusco-fusco e da noite cair, fomos descalços até casa de Ngawet, onde estivemos quase uma hora. Aí para além de continuar a ouvir o Tawing a pronunciar: “Steady and slow”, vi os hábeis dedos de Ngawet a construírem um “tapete” gigante de verga, com o auxílio da luz bruxuleante de uma candeia rudimentar… e neste ambiente místico e misterioso, fumámos um jacolait (um cigarro enrolado com um tabaco particularmente forte e intenso). 😀 No regresso à casa de Mao, recusei educadamente a refeição, pois ainda me sentia saciado do almoço e pouco mais havendo a fazer, apenas me restou deitar para dormir e repousar o corpo e a mente, após um dia simultaneamente adrenalizante, como “steady and slow”. 😉

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Viagem ao Coração do Bornéu por Palavras

Ato III – A Caminho da Tribo. Encontro com Mao

Já na margem, despedi-me e agradeci profundamente ao meu barqueiro. Recomecei a andar e as diferenças para a primeira vez eram mais do que temporais (duas horas de distância), eram essencialmente emocionais, desta vez sabia que ia correr tudo bem e que não haveriam mais enganos ou dúvidas! Agora independentemente do trilho ia ser fácil, era isto que sentia. 🙂 Com estes pensamentos em mente, fui percorrendo o mesmo sempre com cuidado e realmente não haviam mesmo dúvidas! O trilho era claro e inequívoco! O único problema mesmo era o atrito, aliás a sua ausência.

Durante quase duas horas andei ladeira acima, ladeira abaixo, passando o rio em pequenas pontes sempre carregado com a minha mochila pequena e com o super-desconfortável cesto de verga. De vez em quando, amaldiçoava o peso do mesmo e o facto de ter de o carregar, mas quando finalmente avistei uma casa de madeira com telhado de zinco soube que a minha penitência estava a terminar e estuguei o passo. Ao encontrar um nativo, sentado na entrada da casa, perguntei-lhe por Mao e ele fez-me um gesto largo, para seguir em frente.

Passei por mais um par de casas, uma delas abandonada e por umas hortas e quando encontrei outra casa com outro nativo sentado nos degraus da entrada, ao perguntar-lhe por Mao ele fez-me sinal para subir. Muito devagar pronunciei Daniel e simultaneamente fiz-lhe sinal de dormir. Quando me aproximei, ele ajudou-me a tirar o cesto de verga das costas e depois de o pousarmos no chão, virei-me para ele, apontei para mim e pronunciei: “Kiri”, ele fez o mesmo e pronunciou, Tawing.

Entrei então na casa, paredes altas, toda em madeira, telhado de zinco e tirando um pequeno cubículo com posters de alguns jogadores de futebol e um colchão no chão, todo o espaço era uma única divisão, como se de um salão se tratasse e tudo parecia muito humilde. Até que os meus olhos pararam nalgumas fotografias da família e numa estante com alguns aparelhos eletrónicos: colunas, leitor de DVD, rádio, um computador portátil… fiquei surpreendido! Não esperava encontrar estes itens no interior da selva, no coração do Bornéu e numa aldeia Sian (tribo semi-nómada), mas tal facto não retirou encanto ao local, apenas me recordou os tempos modernos em que vivemos e de como a globalização chega a todo, ou quase todo o lado.

Quando os meus olhos voltaram a focar o “salão” mas ao nível do solo vi que estava sentada uma senhora muito idosa vestida de forma tradicional, os braços abaixo da linha dos cotovelos e o peito dos pés estavam tatuados. Usava um chapéu alto preto, tinha largos brincos que faziam com que as orelhas estivessem muito descaídas e fumava um cigarro largo que volta e meia se apagava e que ela depois voltava a acender. A senhora levantou-se e enquanto me apertava a mão, Tawing apontou para ela e disse: “Mao”. Fiquei surprendido, afinal Mao era o nome de uma mulher e a casa onde eu ia ficar a dormir não era a de nenhum patriarca, mas sim a de uma matriarca Sian. 🙂

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Ato II – A Caminho da Tribo. Perdido na Selva

Regressei a Belaga bem cedo, com o Madam e a sua família e assim que chegámos, dirigi-me à guesthouse do Daniel onde me abasteci de produtos alimentares para levar para a tribo. Dentro de um cesto de verga, colocámos uma saca com dez quilogramas de arroz, dois quilogramas de açúcar e uma garrafa de vinho de arroz… e depois de continuarmos a falar, perguntei-lhe o que poderia comprar mais. Ele respondeu que geralmente café e galinhas eram sempre bem aceites e desse modo aproveitei para ir tomar o pequeno-almoço e comprar mais mantimentos. 🙂

Quando regressei, ele entregou-me um papel com algumas palavras básicas escritas em Malay (comer, dormir, beber, andar…), alguns nomes de pessoas da tribo e explicou-me de forma simplificada o caminho para chegar à tribo semi-nómada dos Sian (a mesma ficava a duas horas de Belaga, no interior da selva).

Por volta das 11.00 apanhei um barquito para cruzar o rio e de mochila ao peito e cesto de verga nas costas, parti rumo à outra margem e ao trilho que me levaria a uma nova experiência. 🙂 Assim que comecei a andar vi que tinha de seguir com bastante cuidado, pois o pavimento (um misto de betão, pedras, vegetação e musgo) era muito, muito escorregadio e senti que ao mínimo deslize me poderia magoar, ainda para mais carregado como estava. :/ Pé ante pé lá fui avançando e quando cheguei a um pequeno rio e, me pareceu que era possível atravessá-lo, segui nessa direção (Daniel na sua “explicação” me falou da existência de um rio que deveria ser cruzado).

Antes de começar a andar e por instinto decidi olhar para a bússola. Assim que fiz a travessia, comecei imediatamente a subir por um caminho enlameado e que me parecia bem marcado. Trilho abaixo, trilho acima fui penetrando na selva e comecei a suar abundantemente fruto da elevadíssima humidade e do esforço físico associado a caminhar num terreno tão acidentado. Numa passagem mais enlameada escorreguei e vi a minha garrafa de água rolar vinte metros colina abaixo, ficando numa zona cheia de vegetação. :/ Nessa altura pensei que ir buscá-la não valia o esforço e segui em frente. Dez minutos depois deste pequeno incidente, cheguei a uma zona onde deixei de ver o trilho, percebendo nesse momento que tinha de voltar para trás e que me tinha enganado no caminho. :/ Quando comecei a andar para trás, bastou dar dois ou três passos para ficar desorientado (pois não havia pontos de referência) e percebi imediatamente que estava perdido no meio da selva, carregado e sem água! :/

Instantaneamente o meu cérebro começou a carburar a todo o gás e os pensamentos foram: ”Vais morrer aqui! Estúpido! Por que é que não voltaste atrás para ir buscar a garrafa de água!? Se não tinhas a certeza relativamente ao caminho, porque seguiste em frente!? Vais morrer aqui! Ninguém te vem procurar! Ninguém sabe que estás aqui! Não te vão encontrar! Vais morrer aqui!” À medida que o meu cérebro em stress estava neste processo destrutivo, o meu lado racional tentava manter a calma e o controlo. Num minuto já estava a olhar para a bússola e comecei a andar na direção contrária à qual tinha vindo.

Selva adentro, monte abaixo, monte acima fui desbravando terreno. A vegetação era cerradíssima e muitas vezes agressiva e o ar sufocante. :/ Suava, suava em bica a cada passo, a cada metro que avançava só pensava: “tens de chegar ao rio, tens de chegar ao rio”. Passados mais ou menos quarenta e cinco cheguei ao topo de uma colina mais elevada, mas mesmo daí não conseguia avistar nada! :/ A vegetação parecia uma parede e eu continuei a caminhar e a suar em bica até que encontrei o pequeno rio! 🙂 Nesse momento, fiquei muito FELIZ, sabia que estava no caminho certo, apenas não conseguia perceber se estava a sul ou a norte do ponto onde atravessara mas, decidi continuar a andar em linha recta até chegar ao Rajang.

Claro que pensar é fácil, executar bem mais difícil ainda para mais num terreno tão acidentado, cheio de “alçapões e ratoeiras”, plantas espinhosas, uma densidade de vegetação que se assemelha a uma muralha, árvores, galhos e ramos podres que cedem facilmente e que não oferecem um apoio seguro, desníveis de terreno que surgem sem aviso, enfim… fisicamente, mentalmente e emocionalmente desgastante… extenuante. :/

A partir de certa altura comecei a ouvir o barulho de motores! Aleluia! Estava quase a chegar, porém ainda me faltava descer uma colina mega íngreme, cheia de plantas e árvores espinhosas. A cada passo e cada vez que um espinho se cravava na minha carne, eu gritava: ”Porque é que me magoas, FDP? Porquê?” e depois lá reconsiderava e pensava que não era a selva que me estava a magoar, eu é que me estava a magoar!

Quando finalmente cheguei à margem do rio, respirei de alívio. Estava salvo! Nessa altura vi que estava a cerca de cem / cento e cinquenta metros a norte do local onde tinha sido largado pelo barco. Comecei então a gritar e a acenar, para a margem de Belaga: “Help! Help! Help!” e passados cinco minutos vi finalmente um barco a sair da outra margem e a vir na minha direção! Quando este atracou, estava a sentir-me um farrapo emocional e quando me sentei, soltei duas ou três lágrimas de emoção! O meu “salvador” perguntou-me se queria seguir para Belaga, mas acenei que não e pedi para ele me levar até ao local onde começara o trilho