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3 Dias e 2 Noites no Tour do Vulcões

Ato I – O Monte Bromo e a Bruma

Em Surakarta, como previamente combinado, passou uma carrinha para me ir buscar e do primeiro dia do tour não há muito a dizer. Apenas, que fiz uma longa viagem de cerca de dez horas pelas estradas meio loucas da Indonésia, entre Surakarta e Ngadisiri (onde ficava o hotel Sion View, já nas imediações do vulcão Bromo e ao qual cheguei por volta das 21.00).

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Às 3.00 já estava acordado, à espera que passasse um jeep que me levasse até ao miradouro de Pananjakan (2706 m) e quando lá cheguei, depois de uma viagem bastante apertada e cheia de solavancos, encontrei um nevoeiro espesso que cobria todo a paisagem. “Oh diabo!” De qualquer modo, acabei por não ficar irritado com a situação, afinal a natureza é soberana e aguardei pelo nascer do dia.

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A verdade, é que com um cenário inicial tão “negro”, as minhas melhores expectativas foram largamente superadas! 😀 Uma vez que a visibilidade apesar de não ser perfeita, permitia ver o grande Gunung Semaru (3676 m), a enorme cratera do Bromo (2392 m), o pico do Gunung Batok (2440 m), a bruma a correr velozmente no céu e a paisagem a alterar-se a cada segundo. Misterioso! Belo! A beleza do “mistério”!

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Quando deixei o miradouro voltei a montar o jeep e parti para as proximidades da enooooooooorme cratera do Bromo. Quando chegámos, já existiam inúmeros jeep´s estacionados na bela e desolada planície de areia negra, com montes verdes seco em redor. Saí de dentro do veículo, partindo em alegre romaria rumo à cratera, juntamente com outros turistas que se deslocavam a pé ou a cavalo e subi os degrau que levavam ao topo.

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Aí, apesar do vulcão não ser muito alto, encontrei uma cratera larguíssima e fumegante, e vi múltiplas dunas de areia negra e belas! Os muito turistas que se encontravam no vulcão, ajudavam a perceber a grandiosidade e a dimensão da paisagem! E quando me preparava para subir ao ponto mais elevado da cratera, o vento começou a soprar vapores sulfurosos, obrigando-me a voltar para trás, sendo relembrado pela natureza e pelos deuses do fogo, que um vulcão é isso mesmo! Um vulcão! E não um parque de diversões montado, para nosso belo prazer.

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Surakarta. Templos e Resoluções

Momentos antes de apanhar o comboio para Surakarta, marquei um quarto no hotel Griya Surya aproveitando a ligação wi-fi da estação 🙂 e na chegada à cidade, o mesmo não desiludiu – limpo, bom colchão, ar condicionado, internet e pequeno-almoço incluído – sendo o único fator menos positivo a distância (cerca de cinco quilómetros) para o centro “histórico”.

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Na saída da guesthouse e depois de comer um bakso absolutamente divinal, o meu primeiro passo foi tentar encontrar agências de turismo para marcar o tour dos vulcões, porém rapidamente percebi que na cidade não havia muitas opções e que os preços encontrados em Yogyakarta eram muito mais competitivos (ver explicação no post scriptum). Continuei a caminhar até à avenida principal da cidade (Jalan Brigjen Slamet Riyadi) e por sorte encontrei uma agência de turismo, onde conheci o Mr. S. com que negociei longamente uma ida aos templos de Sukuh e Ceto, na manhã seguinte. Assim que este assunto ficou resolvido, liguei ao Mr. Ari (agente em Yogyakarta) a marcar o tour com a sua companhia, e a partir daí a minha semana ficou praticamente decidida.

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No restante tempo que estive na cidade de Surakarta, visitei o interessante mercado de antiguidades, fiz uma visita “semi guiada” ao Keraton Pura Mangkunegaran, comi deliciosa comida tradicional, abriguei-me várias vezes da chuva insistente e persistente, resolvi alguns assuntos importantes que estavam pendentes (marcação do voo para as Filipinas; de um hostel magnífico na ilha de Boracay e de outro na cidade de Surabaya, na noite anterior à partida), mas principalmente visitei a agradável e misteriosa paisagem nas encostas do Gunung Luwu (a temperatura mais fresca, o nevoeiro, as plantações de chá e de vegetais, as florestas de pinheiros…) e os templos que lá se localizam (no Candi Ceto, o destaque foram as múltiplas e engraçadas crianças que se encontravam no local a fazer uma visita de estudo; e quanto ao Candi Sukuh, que não achei nada erótico, destaco os relevos dos deuses e das deusas, as formas piramidais e a neblina existente). Depois da visita a Surakarta e arredores, o tour dos vulcões estava prestes a começar… 🙂

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P.S. – O turismo nas ilhas de Java e de Bali está montado, de modo ao vulcão Bromo ser um ponto intermédio nos grandes fluxos turísticos existentes: Yogyakarta – Bromo – Bali ou inversamente Bali – Bromo – Yogyakarta, e o que está entre estes locais “chave” cai no vazio/esquecimento (que é o caso da cidade de Surakarta).

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Bailados e Danças em Yogyakarta

Às 11.30, estava de regresso ao hostel onde fiz finalmente o check-in e o meu primeiro passo foi tomar, finalmente um banho 😛 e lavar roupa. Durante a tarde, para além de repousar da ascensão, comecei a informar-me sobre tours para o vulcão Bromo e eventualmente para o vulcão Ijen (informação dada por Doni, aquando da minha estadia em Sintang), porém havia duas questões importantes. A companhia escolhida tinha de apanhar-me na cidade de Surakarta  meu próximo destino – e quando o tour terminasse, deixar-me em Surabaya   donde partiria para a ilha de Sulawesi.

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Nesse sábado à noite, na zona do templo de Prambanan assisti a um espetáculo de bailado/ballet Ramayana e o mesmo valeu bastante a pena. 🙂 A sua beleza residiu principalmente nos gestos dos bailarinos, ora delicados e precisos (que algumas vezes parecem robóticos), ora mais enérgicos. A iluminação, os trajes, a voz do narrador em sânscrito e o som dos instrumentos musicais, à semelhança da performance de Wuyang Kulit, ajudaram à difusão da magia e voltei a ser transportado para o mundo místico dos deuses hindus. 🙂

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No último dia em Yogyakarta, visitei o bonito Keraton (palácio do sultão), onde tive a oportunidade de ver mais um espectáculo de dança javanesa (quatro performances de dança mais curtas, com diferentes bailarinos) e o agradável museu de Sonobudoyo. Antes de voltar ao hostel onde tive uma tarde tranquila (arrumar a mala, organizar as fotografias e descansar…), voltei a comer pizza passados vários meses, mas no final fiquei ligeiramente desiludido com o sabor da  Pizza Hut. Enfim, nada como a comida indonésia tradicional! 😉

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A Face Certa do Merapi

Quando voltei ao hostel, soube que havia um rapaz chinês de Xangai (Zhang Lu) interessado em escalar o Merapi, mas como desta feita não queria mais surpresas e aventuras, combinámos que iríamos fazer a ascensão com um guia! 🙂 Desse modo, e como a mesma iria ser realizada de noite, combinei com o staff do hostel para me guardarem a mala durante todo o dia e que apenas faria o check-in, depois do meu regresso. Durante a tarde, repousei fisicamente na área comum e comecei a investigar voos para as Filipinas. Quando o nosso “Jarbas” nos veio buscar, eram 22.00 e da cidade até à base do vulcão demorámos cerca de uma hora de viagem. Assim que chegámos, bebemos um café e esperámos pela uma da manhã (durante essas duas horas, adormeci fruto do cansaço e da falta de horas de sono dormidas na noite anterior). Durante o trekking tivemos muita sorte, pois estava uma enorme lua cheia que nos iluminava o trilho e um céu bastante estrelado. 🙂

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A ascensão foi quase sempre feita em rampas muito inclinadas e existiram poucos momentos, em que o vulcão nos deu tréguas! Fruto disso, o Zhang ficou para trás com o nosso guia e eu segui com um casal de americanos e o guia deles. Para chegar ao pico não foram necessárias muitas horas, mas foi preciso alguma estamina e endurance, principalmente depois de chegarmos ao último posto de controlo de atividade vulcânica e na zona em que a ascensão é feita numa rampa hiper inclinada de areia muito densa, pesada e escorregadia (dois passos para a frente e um para trás). Nessa altura, cheguei a pensar se iria conseguir chegar ao topo, mas passo a passo, lá fui avançando até chegarmos a uma zona de rocha firme, onde o caminho se tornou mais acessível. 🙂 Durante a ascensão até ao pico apenas existiram dois pequenos percalços, o primeiro quando o nosso guia nos tentou sacar mais dinheiro, dizendo que se quiséssemos chegar ao cume teríamos de pagar mais 100.000 IDR cada um, ao que respondi prontamente: “Nem pensar! O dinheiro que pagámos foi para chegar ao pico! E tu vais-nos lá levar, porque é essa a tua obrigação!” e o segundo quando quase no pico fiquei sem luz  – a pilha da lanterna, esgotou-se – e tive que fazer o resto da ascensão meio às “apalpadelas”.

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Quando atingimos a zona da cratera eram quase 5.00, e se durante a noite apenas se via o que a lua e as estrelas iluminavam, à medida que os minutos foram passando e o dia vencendo a noite, começámos a ver a plenitude do local. E o mesmo era belo! Muito belo! A cratera, com os seu fumos que corriam no céu azul e se fundiam com algumas das nuvens existentes, as nuvens cheias de cor e densidade – existia uma que se assemelhava a uma explosão atómica, tal a sua densidade – o sol a despontar e banhar a face nascente (onde nos encontrávamos) de dourado, e com isso o castanho e o negro das rochas destacaram-se, os verdes nos vales em nosso redor, a grandiosidade da montanha Merbabu, à nossa frente! Espetacular! E tal como no Rinjani, fiquei com a certeza que adoro vulcões e as suas belas paisagens naturais. 😀

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No caminho de regresso, pude ver e sentir melhor a monumentalidade, a grandiosidade do Merapi, sentindo-me minúsculo e “deliciando-me” com a riqueza e beleza natural da paisagem: o vulcão, as árvores e a vegetação, o céu azul, as nuvens, os vales… A descida foi feita pé ante pé, pois a mesma era bastante escorregadia (terreno meio argiloso) e com pedras pequenas e roladas. Quando chegámos à base, reencontrei o Zhang – que mesmo sem ter chegado ao cume estava esgotado – e juntos tomámos o pequeno almoço, antes de arrancarmos de regresso a Yogyakarta. Depois do desafio físico da subida e da beleza do que observei, fiquei com a certeza que o regresso, valeu realmente a pena! À segunda tentativa, desta feita na face certa, o vulcão Merapi estava conquistado! 😀

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No Templo de Borobudur ao Amanhecer

Eram 3.30 quando cheguei à estação de comboios de Yogyakarta e na saída da mesma, apanhei um ojek até ao Edu hostel. Quando entrei, a receção estava fechada, tentando por esse motivo convencer os seguranças a fazer o tour para Borobudor nessa madrugada, pagando à posteriori aos rececionistas. Quando a carrinha apareceu para vir buscar outros hóspedes, perguntei à guia se ainda havia espaço e se podia seguir com eles, ao que ela respondeu que não havia qualquer problema. Assunto resolvido! 🙂

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Assim, eram 5.00 quando parti para o templo de Borobudur, feliz por ter conseguido fazê-lo. Durante a viagem, a noite começou a perder intensidade, as cores do céu ganharam fulgor, a forma do Merapi tornou-se imponente e viam-se arrozais no meio da neblina. Belo! Às 6.15 estava a entrar na área do templo, já com um ikat à cintura, a luz era dourada e suave, e o céu azul. Estava de facto um dia radioso! 🙂

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Durante duas horas, ainda na companhia de poucos turistas, andei a cirandar em redor deste magnífico templo. Visto de frente, encontramos uma estrutura piramidal, construída em patamares com incontáveis estátuas de Buda a contemplarem-nos. A paisagem envolvente é muito agradável: bastante verde, árvores e montanhas em que existem dois cumes em destaque o Gunung Merapi e o Gunung Merbabu, coroados com uma ligeira névoa nos cumes. Fruto de umas nuvens “fabulásticas” e do céu azulíssimo, o templo estava altamente fotogénico e o melhor momento da visita, aconteceu quando cheguei ao topo e me deparei com “sinos” (que tinham no seu interior estátuas de Buda, quais ovos “kinder surpresa”) dispostos em alinhamentos circulares e progressivamente concêntricos em redor de uma estupa maior e central. No final da visita, fiquei muito feliz por ter regressado a Yogyakarta e visitado o templo de Borobudur, o maior, o mais imponente e impressionante templo budista de todo o país. O templo entre cumes e vulcões. 😀

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P.S. – À semelhança do que ocorre no templo de Prambanam, o preço para visitar Borobudur está altamente inflacionado para turistas ocidentais, mas fica o AVISO que existe a possibilidade de comprar um bilhete conjunto para estes templos, a um preço mais razoável (não se vê nenhum aviso, mas se perguntarem por essa possibilidade, verão que os ingressos vos serão vendidos).

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Jakarta Days? Waiting Days

Regressado de Kalimantan, voltei a Jakarta para resolver assuntos pendentes: a máquina fotográfica, que se avariou em pleno Danau Sentarum, e fazer a aplicação do visto de Myanmar. Desse modo, os cinco dias que fique na caótica capital indonésia foram principalmente, dias de espera.

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Nesses dias, a máquina voltou a ficar operacional, podendo desta vez tirar algumas fotografias na cidade; o visto demorou quatro dias úteis a ficar pronto, mas esse assunto também ficou resolvido – até ao fim da viagem, as burocracias ficaram oficialmente encerradas; visitei alguns centros comerciais; voltei a comer deliciosa e barata comida indonésia; escrevi textos para o blog; conheci um espanhol que trabalha na DESIGUAL, como responsável pela montagem de lojas na Ásia – Victor com que fui até ao gigantesco centro comercial de Manga Dua à procura de fios elétricos “alternativos” para decorações; passeei sem pressas; ao pensar na minha rota, desisti de ir até ao paraíso de mergulho de Bunaken, uma vez que as Filipinas já começavam a “avistar-se”; testei diferentes rotas e voos; atualizei a folha de despesas; lavei roupa e voltei a partir para Yogyakarta. O templo de Borobudur estava à minha espera e desta feita sem mais erupções! 😀

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Tanjung Puting. No Reino dos Orangotangos

Ato IV – Despedidas e o Campo 2

No nosso último dia, no interior do parque natural de Tanjung Puting, voltei a acordar cedíssimo e a ver o nascer do dia. Depois do pequeno almoço fui até à proa tirar fotografias: as margens, a vegetação, os barcos, a água, os reflexos, os macacos, os tucanos, os kingfish e outras espécies de pássaros e um crocodilo bebé! 🙂

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Às 8.40 já estávamos no Campo 2 e passados quinze minutos na zona da plataforma. Neste dia tivemos muita sorte, pois vimos muita ação e interação! 😀 Um macho com vinte anos, bastante corpulento e com a cara mais gorda e chapada – efeito da testosterona nos machos dominantes; uma fêmea acompanhada da sua cria (já maiorzita) e o seu comportamento para afastar o grande macho da comida  – partir galhos e atirá-los, fazer barulho, mostrar-se “furiosa”; o transporte do leite para o topo de uma árvore – tentativa de dar de beber à cria); e finalmente um segundo macho também apareceu na plataforma. Depois de tanta ação, entrámos na floresta para continuar a seguir esta “algazarra”, um ambiente tal como dia anterior, totalmente National Geographic. 😀

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Voltámos a embarcar e partimos de regresso a Kumai, mas antes arrumei a mala, fiz um backup de todas as fotografias, falei mais um bocado com o Mr. Uzo e com Andreas (que estava de partida para Banjarmasin), almoçámos e antes de nos despedirmos daquela super tripulação, retribuímos o excelente serviço prestado com uma gorjeta geral. 🙂

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Já na vila/cidade, falei com o dono da agência de viagens (CV. Satria Majid Tour: +62 0532 61740) e transmiti-lhe a minha opinião acerca do tour (empregados super competentes, profissionais e que o serviço proporcionado tinha sido de excelência -apesar de não ter apreciado da maneira como começaram as nossas “negociações” – no final o serviço foi perfeito! 😀 ); paguei o voo que eles me marcaram -para o dia seguinte; liguei para a guesthouse de Jakarta (onde já tinha ficado); estive a repousar num quarto (que me arranjaram de borla) e combinei com o Mr. Ani as horas de regresso ao aeroporto de Pangkalanbun.

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Epílogo

No dia seguinte, bem cedo, estava a voar de regresso à ilha de Java de coração e alma cheios. Sei que Tanjung Puting, o reino dos orangotangos foi uma experiência única e singular, o meu final perfeito para o Bornéu! 😀 Na despedida de Kalimantan fiquei com a certeza, que esta ilha é de facto um local mágico e selvagem, com zonas bastante remotas e de acesso complicado. Mas, mais do que isso, para além dos extraordinários locais por onde passei, levo comigo no coração e na memória, todas as pessoas que partilharam o seu tempo comigo, principalmente o Supriadi em Singkawang e o Doni em Lanjak e Sintang. Até um dia, meus amigos! 😀

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Tanjung Puting. No Reino dos Orangotangos

Ato III – No Meio do Reino e o Rei de Camp Leakey

Às 5.30 já estava acordado, depois de dormir poucas horas mas bem “ferradas”! E tive a oportunidade de ver o dia a clarear, a neblina matinal, o céu prateado. O pequeno almoço iniciou-se à mesa e terminou na proa, em observações zoológicas. No caminho para o campo Leakey (o local de observação de orangotangos mais interior de todo o parque natural), como “prometido” fomos encontrando bastantes espécies de pássaros e alguns macacos, e vimos a água do rio a transitar de uma cor castanha e barrenta para o negro, como se tratasse do sangue da Terra. Este fenómeno ocorre, devido às raízes das árvores e à ausência total de poluição, e este é um dos dois únicos locais do mundo, onde ocorre.

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Por volta das 9.00 já estávamos no nosso destino e durante duas horas andámos pela floresta tropical e vimos insectos, fungos e cogumelos (azuis, branco e castanhos), uma vegetação luxuriante, troncos caídos, plantas carnívoras, zonas em que a floresta desaparecia e apenas se viam fetos! E quase, quase no final da caminhada mesmo à nossa frente e a poucos passos, uma mamã orangotango com a sua pequena cria! 😀 Espetacular! Um verdadeiro momento National Geographic! E senti que ter a oportunidade de ver estes animais, no seu habitat é de facto uma experiência única.

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Por volta das 11.30 estávamos de regresso ao barco e a deliciar-nos com o almoço. Depois de mais uns momentos de conversa com o nosso guia voltámos a partir para Camp Leakey, desta feita rumo à plataforma onde alimentam os orangotangos. Mas antes, fomos recebidos por macacos de cauda longa, estivemos no centro de visitantes, vimos uma fêmea orangotango a repousar e percorremos mais um trilho alternativo. Quando chegámos à zona da plataforma, a área envolvente já estava semi preenchida com turistas e passados poucos segundos pude observar o meu primeiro gibão! 😀 (cara cómica; corpo desproporcionado – braços muito longos; veloz como uma bala) e esse foi o único primata que vimos no local. Enquanto esperávamos, o céu foi ficando carregado, carregado e passado uns minutos começou a chover. Toda a gente partiu, mas nós ficámos e nessa altura fui até à plataforma comer uma banana e declarar-me “rei” de Camp Leakey  uma vez que o meu “oponente” não apareceu! 😛

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Depois de breves instantes, estávamos a reentrar novamente na selva, com o nosso guia mas o passeio foi curto. Já no caminho de regresso e do nada, surgiu-nos Oscar – um jovem orangotango  mesmo à frente! E mesmo com o guia a dizer que o seu tamanho era médio, deu para ver o seu porte poderoso e sentir a sua presença! 🙂 Já nas imediações do centro de informação, vimos desta feita uma jovem fêmea. No cais, embarcámos e partimos para Panduk Ambung, onde esperámos que ficasse de noite. Aí, durante quarenta e cinco minutos fizemos a nossa caminhada noturna, encontrando: um kingfish (pássaro), tarântulas, centopeias, insectos estranhos, um ninho vazio e vimos a luz de múltiplos relâmpagos, fazendo figas para não começar a chover.

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Tal como no dia anterior jantámos bastante cedo e depois do meu primeiro banho em três dias, ficámos a falar com o nosso guia, antes de irmos dormir. Quando me deitei, voltei a ficar fascinado ao ouvir o som da selva… 😀

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 P.S. – Em ambos os dias fui sempre mordido por uma formiga do fogo! Aiiiiiiiiiiii! 😛    
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Tanjung Puting. No Reino dos Orangotangos 

Ato II – Partida para o Reino e o Campo 1

O barco onde “aterrei” juntamente com o Andreas era grande, espaçoso e tinha dois andares, para além disso, tinha uma WC com chuveiro e duas zonas para observação de animais (uma na proa e outra na popa). Logo no início da travessia, percebi que de facto era necessário um barco para visitar o parque natural, pois de Kamui até entrarmos na área oficial do parque, necessitámos de hora e meia e até chegarmos ao campo 1, duas horas.

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Durante a viagem, vimos palmeira e outros tipos de vegetação semi submersa, pequenos barcos de transporte de mercadorias, de pescadores, barcos turísticos de médio porte (como o nosso), muitas espécies de pássaros, alguns macacos probuscius e dois orangotangos muito disfarçados no meio da folhagem 🙂 ; recebemos um briefing do nosso guia (Mr. Supian Hadi, ou simplificando Mr. Uzo) e ficámos a perceber o plano de “festas” para os próximos dias; deliciámo-nos ao almoço (arroz + tempe + vegetais + peixe); e comecei a perceber que o dinheiro investido iria trazer bastantes regalias! 😀 (tripulação: mecânico, capitão, cozinheira e guia).

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Quando chegámos ao campo 1, Uzo levou-nos por um trilho alternativo até à plataforma dos orangotangos e durante o mesmo, deu para ver ninhos de orangotango (frescos e mais antigos), insectos e um pouco de selva. Quando desembocámos na zona da plataforma, havia uma fêmea a comer, de costas para os turistas e cerca de duas dezenas de pessoas a observar. Comparando este local, com Sepilok (Sabah, Bornéu Malaio) nunca tinha estado tão próximo como aqui (existe uma área delimitada, mas muito mais próxima) e visto uma fêmea tão grande. 🙂 Depois dela desaparecer, vimos mais um ou dois vultos nas árvores (mas bastante afastados) e um pequeno esquilo muito engraçado. Antes de voltarmos ao barco, ainda demos um pequeno passeio na selva com o nosso guia e deu para ver árvores espinhosas, fungos, insectos e muita vegetação.

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Já de regresso ao barco e até atracarmos, fomos percorrendo o rio e vendo muitas espécies de macacos: cauda longa, probuscius (principalmente), folha prateada, e os reflexos das árvores e das nuvens no rio enquanto o dia caminhava para o seu ómega. Antes de jantar, puseram uma grande rede mosquiteira branca a proteger os nossos fantásticos colchões! 😉 e o jantar, à semelhança do almoço, voltou a ser à grande: camarões panados, Mie Goreng (massa frita), vegetais, arroz, tudo isto à luz das velas! 🙂 Depois de jantar descemos ao “piso térreo”, onde dentro do barco (altura muito baixa, tínhamos de andar de cócoras) estivemos a falar com o nosso guia e com o capitão do barco até às 22.00, hora em que todos foram dormir, bem quase todos… 🙂 uma vez que, fiquei acordado a fazer um backup de fotografias… a ouvir o barulho dos insectos, da selva, a ver as estrelas e a pensar que a “aposta” de ficar, tinha sido totalmente acertada! A verdade é que nesta vida, há experiências únicas que valem mesmo o investimento! 😀

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Crónicas Em trânsito

Tanjung Puting. No Reino dos Orangotangos

Ato I – Impacto na Chegada!

A viagem aérea foi curta, enevoada e pouco interessante. Na chegada a Pangkalabun estive à espera da bagagem durante quinze minutos e nessa altura aproveitei para perguntar o preço de alguns pacotes turísticos (5.000.000 IDR! Aproximadamente 320€ :/ ). No mesmo instante, um rapaz ocidental cheio de tatuagens veio ter comigo perguntar se queria juntar-me a ele num tour, pois desse modo seria mais barato, mas como me vinham buscar ao aeroporto, respondi-lhe que não podia ir com ele.

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Na saída do aeroporto, conheci o Mr. Ani e um colega seu, e numa carrinha do parque natural fui à boleia até à vila/cidade de Kumai, já nas imediações do parque de Tanjung Puting, ficando a saber durante a viagem, o valor do guia (mandatório) e dos spedboat. Na chegada ao edifício do parque, estava à minha espera uma mulher de vestido azul forte com quem comecei a falar. Ela apresentou-se como não fazendo parte de nenhuma agência de viagens (percebi imediatamente que essa informação era MENTIRA!) e começou a escrever num papel uma lista de itens: barco + taxas + guia + entrada + comida + … = 5.000.000 IDR (4dias/3noites) ou alternativamente  4.000.000 IDR (3dias/2noites)! Olhei para o preço, disse que era demasiado caro, que não estava interessado e que apenas queria contratar um guia para um ou dois dias. Ela respondeu-me que o parque natural apenas podia ser visitado com um barco. Nessa altura, em que me comecei a sentir como um animal encurralado e conduzido a uma armadilha, liguei ao Doni bastante zangado e irritado. Na chamada, tentei explicar-lhe o que se estava a passar e disse-lhe para conversar diretamente com minha “carrasca”, passado dois ou três minutos ela voltou a passar-me o telefone e o Doni disse que estava tudo incluído, etc… Quando desliguei senti-me injustiçado e completamente encurralado. De cabeça perdida e farto daquela “macacada”, decidi partir para Jakarta! Pedi então ao Mr. Ani para me levar de volta ao aeroporto.

Já na rua, antes de entrar na carrinha, comecei a pensar que já tinha gasto um milhão de rupias para ali chegar e que iria sair dali, sem ver absolutamente nada! Achei que tal era estúpido e acalmei-me um pouco (senti que tinha à frente um copo de veneno, agora “só” faltava beber!). Voltei ao balcão, recomecei a falar com a minha “amiga”, e nesse momento ela informou-me que havia outro turista para fazer o tour, que se quisesse me podia juntar a ele e desse modo o preço do pacote 3dias/2noites seria 2.350.000 IDR – valor “ligeiramente” inferior, não!? – sem olhá-la nos olhos, retorqui secamente: “2.000.000 IDR!” Ela disse que tinha de ligar ao marido e passado um minuto estava a confirmar que o preço podia ser esse, mas pediu para não falar disso com o outro turista, uma vez que estaria a arranjar-lhes problemas. Disse-lhe então que podia ficar descansada e que apesar de não gostar da situação, manteria a minha palavra. Entreguei-lhe então os famosos milhões e o passaporte, para ela formalizar os papéis do negócio.

Já com a burocracia tratada, partimos para o hotel da agência que ficava logo nas imediações do parque. No hall de entrada, sentei-me e pus o telemóvel a carregar, enquanto aguardava para partir. Durante uma hora e tal fui aguardando, até que finalmente o outro turista – Andreas –  apareceu, sendo esse momento caricato, uma vez que era o mesmo rapaz que tinha falado comigo no aeroporto. Já na companhia do nosso guia, partimos finalmente na direção do nosso barco que estava no cais. A  verdadeira aventura, estava prestes a começar! 😀