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Danau Toba. Dias Tranquilos

De Berastagi parti numa mini-van, acompanhado por Smiley e Margot – uma das raparigas francesas do trekking e que estava em Sumatra, a fazer um doutoramento sobre as “malfadadas” plantações de palmeiras – em direção ao porto de Tigaras, na parte norte do lago – danau – Toba. Para lá chegar tivemos de percorrer um longo caminho e penetrar lentamente no coração e na alma do povo Batak, uma antiga tribo canibal que foi convertida maioritariamente ao cristianismo.

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Pelo caminho, fomos parando e o nosso guia mostrou-nos vários tipos de plantas e árvores – canela, cravinho… – visitámos a pequena aldeia de Dokan e uma casa tradicional onde habitavam oito famílias!!! E aprendemos um pouco sobre os símbolos – osgas, cornos de búfalos… – que decoravam os exteriores das habitações e as protegiam dos maus espíritos 🙂 ; observámos a beleza natural – o lago azul, os verdes montes, os pinheiros, as pequenas aldeias, o céu a escurecer – que rodeava a pequena vila de Tanging; comemos um delicioso peixe na grelha com um piri-piri caseiro bombástico e descobri o “fabulástico” sumo de abacate, que se tornou uma espécie de revelação! 😀 ; ao percorrer parte da margem oeste do lago, vimos a neblina a correr nas verdes encostas, o processo de tecelagem de ikat´s tradicionais, visitámos pequenas aldeias, cheias de pessoas amistosas e alegres crianças, e assistimos a uma importante cerimónia Batak – que ocorre de dez em dez anos! – onde a dança e a música assumiam um papel fundamental – ritmo hipnótico. 😀

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Na manhã seguinte continuámos até ao porto de Tigaras, onde nos despedimos do relaxado e sorridente Smiley e aí apanhámos um pequeno ferry para Simanindo, uma povoação na ilha de Samosir – já no interior do lago Toba e que é a maior ilha do planeta existente no interior de uma ilha – e posteriormente uma mini-van para as imediações de Tuk-Tuk, onde Margot se despediu apressadamente. :/ Depois de apanhar uma boleia de scooter para essa vila, encontrei poiso na simples mas agradável Horas Sugary Guesthouse e aí junto ao sereno lago azul, fiquei alguns dias.

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Na ilha de Samosir, bem no coração da tribo Batak passei dias tranquilos e continuei a penetrar naquele mundo tribal, extraordinário e misterioso; percorri a pé as vilas de Tuk-TukTomok e Ambarita nas quais visitei casas tradicionais, museus, o túmulo do rei e zonas onde os anciões se reuniam antigamente para tomar decisões importantes – as cadeiras do “Poder” – observei e senti a tranquilidade da paisagem rural de campos de cultivo e arrozais, cascatas, enormes montes verdes e do grande Toba; escrevi e organizei textos para o blog e na despedida apenas posso dizer, Mao Lia Te – obrigado na língua Batak – pela estadia e simpatia, não vos esquecerei povo Batak… 😀

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Berastagi & Gunung Sibayak

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Nos dias em que estive em Berastagi e à semelhança de Medan, fui entrevistado umas quantas vezes; vi igrejas, mesquitas, camponeses e cenouras… muitas cenouras 😛 ; visitei a zona do mercado, onde encontrei uma grande variedade de frutas e produtos desconhecidos, sentindo o calor e simpatia dos “nativos”; subi à colina de Gundaling de onde observei a panorâmica da vila e já no topo, uma visão magnífica de… neblina e trevas! Berastagi também marca o meu primeiro encontro com o delicioso martabak de chocolate e amendoins. Huuuuuuuuuumm! 😀

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Já nas imediações da vila, na companhia de duas raparigas francesas e de um guia, tive a minha primeira oportunidade de escalar um vulcão ativo, mas adormecido, o Gunung Sibayak e diga-se que o trekking não desiludiu. Nadinha! 🙂 O nosso primeiro “passo” foi apanhar um pequeno autocarro – no qual observei, o motorista que fumava qual um dragãozinho – para as imediações da cascata de Sikulikap e depois de a contemplarmos a partir de um miradouro elevado, começámos a nossa ascensão.

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O trekking fez-se por uma encosta coberta de selva: lama e zonas barrentas, vegetação cerrada, muitos obstáculos e troncos caídos, períodos de chuva leve e uma temperatura agradável, assim foi a nossa ascensão. Quando chegámos à zona da cratera, nuvens corriam velozmente no céu, mudando rapidamente a nossa perceção, sendo a paisagem um misto de cinzentos, verdes e fumos. Passados apenas dez minutos de aí termos chegado, começou a chover torrencialmente.

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A partir desse momento tudo mudou, tornando-se a paisagem surreal: as rochas de múltiplas cores – cinzentas, esverdeadas, avermelhadas -, a formação de rios e cascata no meio do trilho, o contraste entre o vulcão “fumante” e o dilúvio! Belo e memorável. 😀 No meio daquela tempestade, fomos andando o mais rápido que conseguimos e quando chegámos à estrada o nosso guia contactou um amigo para nos ir buscar.

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Passados vinte minutos chegou uma pequena carrinha com um sorridente Rastman a bordo, Smiley o nosso “taxista” era  relaxado, simpático e muito “boa onda” e levou-nos até às hot springs, lá do sítio. Foi aí que o nosso trekking teve o seu final perfeito, todos de molho numa piscina a fumegar, a chuva a cair e o Gunung Sibayak no horizonte. 😉    

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Crónicas Em trânsito Fotografia

Em trânsito: Medan – Berastagi. Fórmula Zuuuum!!!

Em Medan e nas imediações do meu hotel de “sonho”, apanhei um tuk-tuk que me levou pelas caóticas e fumegantes ruas da cidade. O meu condutor foi tão Sócrates (“porreiro pá!”) que me deixou dentro do autocarro. Vá… quase… 😉

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O autocarro era um mini-bus de cerca de vinte lugares, bancos azuis e verde alface e carregadíssimo de bagagem no tejadilho. Quando me sentei, fiquei fascinado a observar as pessoas a deitar fumo pela boca, qual dragões! Ao mesmo tempo que ouvia um cascabulho altíssimo (saído das colunas roufenhas) que quase nos deixava surdos. Estava num psycotrance bus, só faltavam as luzes e os flashes a piscar. 😛

Durante a serpenteante viagem até às terras altas do Karo, saímos da humidade e calor da cidade, para um mundo mais fresco de selva, floresta e neblina e apenas notei que chegara ao meu destino quando me apontaram a saída já no interior de uma pequena e cinzenta vila, perdida nas nuvens. 🙂

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Ainda acerca da viagem, gostaria de referir que o meu condutor buzinou freneticamente, observei imensas pessoas a viajar nos tejadilhos dos mini-bus/carrinhas! E vi a minha vida a andar para trás em algumas situações, uma vez que as ultrapassagens eram efetuadas em todos os lados: subidas, descidas, curvas fechadas, pela direita, pela esquerda… nunca estive num local com uma condução tão louuuuuuuuca! Welcome to Indonesia. O país da fórmula Zuuuuum! 😛

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Crónicas Em trânsito Fotografia O 1º Dia

Medan. Luz e Escuridão

O meu primeiro destino na Indonésia foi a cidade de Medan, no norte da ilha de Sumatra e na chegada ao aeroporto internacional, este era tão moderno, limpo e eficiente que cheguei a pensar se ainda estaria em Singapura! Porém, quando tive de esperar duas horas pelo comboio para chegar ao centro da cidade, as dúvidas desvaneceram-se, estava mesmo na Indonésia. 😛

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Na saída da estação de comboios, ao ser abordado por uma horda de taxistas que perguntavam: “Hei Mr.! Where you go?”, não pude deixar de pensar: “o mito urbano é verdadeiro! Welcome to the wild”. Felizmente nessa altura, um cidadão indonésio ajudou-me e apanhámos um táxi juntos. Na despedida, deixou a viagem paga e indicações claras para o taxista me levar até ao local que eu estava à procura, o Hotel Zakia, nas imediações da mesquita branca – Masjid Raya – e eu agradeci a sua extrema bondade. 🙂

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Depois de negociar o preço do quarto, visitei a bonita e branca Masjid Raya de sarong posto e a zona do palácio, onde fui pela primeira vez entrevistado na cidade por simpáticas estudantes – quando saí de Medan, tinha sido entrevistado três vezes. 😛

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Durante o tempo que estive na cidade, a mesma revelou ser suja e cinzenta, cheia de tráfego e fumo – motas, motorizadas, autocarros/carrinhas, carros – barulhenta, frenética, caótica, vibrante, autêntica e real, ah!… e cheia de comida deliciosa. 😀

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Ainda em Medan e num pequeno cyber-café senti um lado negro da Ásia que nunca presenciei antes, pois fui abordado por um estranho indivíduo que me ofereceu crianças – tanto do sexo masculino, como feminino, para sexo? – e perguntou-me se queria adotar/comprar um órfão!? Acenei que não, ainda meio aparvalhado, e depois de mandar rapidamente um e-mail, pus-me a milhas daquele ambiente bizarro e pesado, a pensar que o ser humano pode transformar-se numa besta, capaz de tudo. 😦

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A Organizada Singapura

Na fronteira entre a Malásia e Singapura, fui chamado à zona da alfândega para declarar bens. :/ A saber, uns maços de tabaco que foram comprados na ilha de Langkawi por cinco dólares e que nesse momento foram avaliados em cinquenta! 😛 Claro que face à situação criada, transmiti aos funcionários da alfândega que não estava interessado em pagar aquela taxa “absurda” e que podiam destruir os mesmos. Assim foi a minha entrada no pequeno país.

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Percebi então, que Singapura era necessariamente diferente dos países anteriores e não me enganei. Durante os dias que estive nesta Big Town Country houve características que sobressaíram: a limpeza, a organização, a meticulosidade, a eficiência, a riqueza… à medida que fui circulando no país/cidade, vi muitos cartazes de proibições – algumas delas bizarras, como o caso das pastilhas elásticas?! – e por esse motivo batizei Singapura, de Fine Country  o país das multas. 😛 Ao mesmo tempo observei um paradoxo interessante, o governo taxa de forma pesadíssima o tabaco, proíbe as pastilhas elásticas mas simultaneamente permite a prostituição! Enfim… há negócios que serão sempre inatacáveis.

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Na cidade voltei a encontrar o Rudy e com ele tive um jantar extraordinário: o delicioso e famosíssimo caranguejo picante de Singapura, lulas, ostras, arroz, doce de manga, água de coco e no final uma conta brutal, que ele fez questão de pagar! Merci, mon amie. 😀

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Nos dias que estive em Singapura, deambulei livremente e visitei a vibrante e colorida Little India; a zona de Chinatown, que me pareceu demasiado plástica e pouco autêntica; a moderna zona do centro financeiro onde quase “parti o pescoço”, de tanto olhar para cima 😀 ; os maravilhosos parques e jardins; a curiosa e “macabra” How Par Villa, onde muitos pais mostram aos filhos o que lhes pode acontecer se forem “más pessoas” – zona dos infernos chineses, extremamente gráfica e explícita – 😛 e a hiper turística ilha de Sentosa, onde se localiza o parque temático da Universal Studios e umas praias que até podiam ser agradáveis, mas com a linha do horizonte coberta de cargueiros, perdem todo o encanto.

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Para além das deambulações na cidade, mudei o “paradigma” do meu caderno e deixei de escrever nele como sendo um diário; continuei a provar deliciosa comida e relaxei no magnífico hostel – Green Kiwi  onde numa noites, tive um serão bastante animado e engraçado a jogar jenga – peças de madeira, que formam uma torre e que têm de ser removidas uma a uma, até alguém fazer a torre cair – com um grande grupo de australianos e canadianos. 🙂 A a ilha de Sumatra estava a um curto voo de distância…

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Viagem Sentimental a Malaca

A Malaca, essa histórica terra de sultões malaios, portugueses – durante centro e trinta anos: 1511 a 1641 – holandeses, britânicos e posteriormente chineses e indianos, cheguei às sete da manhã, depois de uma viagem noturna de comboio – a primeira e única que fiz no país – que ligou Jerantut a Tampin e de uma breve travessia de autocarro entre Tampin e Malaca.

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Nos três dias que estive na quente, sonolenta e turística cidade, que é património da UNESCO desde 2008, lavei toda a roupa que usei na selva de Taman Negara e que estava um “caco” 😛 ; desfiz toda a mala e decidi o que enviar para Portugal via correios; marquei o meu voo para entrar na Indonésia, via Sumatra; escrevi postais; vi muitos episódios de uma série, que tinha em atraso; marquei hostel em Singapura e combinei reencontrar-me com o Rudy  um rapaz Indonésio que conhecera no parque natural de Mulu; tive um jantar delicioso de comida tradicional de Malaca, na companhia de um rapaz britânico, um rapaz malaio e uma rapariga singapurense e deambulei pela cidade fazendo dois percursos pedestres, muito interessantes. 🙂

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O primeiro percurso chamava-se a herança holandesa e assim que vi essa denominação, pensei instantaneamente “que os portugueses também mereciam algum crédito”, afinal a Porta de São Tiago – “A Famosa” – e a Igreja de São Paulo foram construídas por nós bravos lusos! 😉 Durante o passeio, percorri a Jalan Kota, observando o exterior de bonitos museus de fachadas brancas – arquitetura, antiguidades, selos… – e o jardim da coroação. Na Porta de São Tiago, detive-me mais tempo e senti orgulho por ver um bocadinho de Portugal, num país que fica a tantos quilómetros de distância e segui até ao cemitério holandês – que na verdade de holandês tem muito pouco, uma vez que das trinta e oito campas existentes, apenas cinco são holandesas! As restantes são britânicas 😛 – e até às ruínas da Igreja de São Paulo – antiga igreja da Nossa Senhora da Conceição, mandada construir pelo capitão luso, Duarte Coelho em honra da Virgem Maria e que posteriormente foi rebatizada pelos holandeses. Do alto tive uma agradável panorâmica da cidade e segui andando até à margem oeste do rio.

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Nessa margem, a herança revelou uma faceta mais moderna de Malaca, pois aqui destacaram-se bonitas casas de fachadas coloridas – de antigas famílias chinesas -, grandes e belos antiquários, o hotel Puri; o fresco, delicioso e tradicional gelado malaio – cendol  e a rua da harmonia onde numa curta distância existe, o templo hindu mais antigo do país – Sri Poyyatha Vinayagar Maarthi, 1781 – a mesquita de Kampung Kling  1868 – e o templo chinês, das nuvens brilhantes – Cheng Haan Teng, 1654 – e de facto foi emocionante visitar esses locais tão distintos, mas ao mesmo tempo tão próximos entre si. 🙂

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Nestes percursos para além dos emblemáticos monumentos, vi a multiplicidade da decoração e riqueza que os tuk-tuk/riquexós ostentam: corações, flores, yellow kitty´s, motivos religiosos. Numa palavra? Kitch! Para além do forte impacto visual, quando estão em andamento provocam um impacto auditivo ainda mais estrondoso! 😛 Uma vez que há recurso a sistemas sonoros complexos e potentes que emitem decibéis de músicas de amor chorosas, hits em inglês, lambada e o chamado “cascabulho”. Sem dúvida que estes veículos se fazem notar, nas ruas da cidade e na minha opinião deviam fazer parte da lista da UNESCO, tal como os inúmeros monumentos… 🙂 E na despedida de Malaca e da Malásia, senti-me orgulhoso por ser Português!

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Taman Negara? Selva Antiga!

Taman Negara é o maior e o mais importante parque natural de toda a Malásia, pois é aqui que se localiza a floresta primária – selva – mais antiga de todo o planeta!! Uma vez que o degelo que há milénios “tocou” quase todas as áreas do globo não atingiu esta zona. Quando cheguei a Kuala Tahan, não tinha nenhum plano específico para visitar o parque natural, mas como conheci um nativo que me “ofereceu” um bom preço para um trekking de três dias e duas noites na selva com tudo incluído, acabei por aceitar a sua “oferta”. Depois de dormir uma noite num hostel barato nas imediações do parque, fui levado até à casa do meu guia e aí conheci os meus companheiros de jornada – dois rapazes austríacos e um rapaz chinês – e preparei uma mochila, com alguma roupa, um saco de cama, uma esteira e alguns mantimentos. A bordo de um barquito de madeira, atravessámos o rio e fomos até ao HQ fazer o controlo mais ridículo que alguma vez vi na vida, uma vez que tivemos de contar quantos plásticos, baterias, etc… cada um de nós possuía antes de entrar na área do parque – o controlo até poderia ter alguma lógica se fosse efetuado na entrada e na saída, mas como estamos na Ásia, obviamente isso não veio a acontecer! :/

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Terminado o “controlo”, seguimos rio acima até chegarmos à zona da canopy, onde a 45 metros do solo pudemos observar a verde e pernaltuda floresta em redor. Finalizado o emocionante passeio nas alturas, voltámos a embarcar e durante duas horas continuámos até Kuala Trenggan, sendo a travessia de tal modo agradável – permitindo-me observar pequenos mamíferos e enormes e exóticas árvores – que senti um imenso prazer a viajar – “como é possível que viajar não seja das melhores coisas/experiências desta vida?” Antes de penetrarmos na selva e começarmos realmente o trekking, parámos para almoçar.

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O trekking levou-nos para o reino da humidade elevadíssima, das sanguessugas, do suor abundante, da lama, dos riachos e das travessias em estreitas pontes, da clorofila, das árvores milenares, das serpentes venenosas, das rochas estranhas e belas, da selva antiga e primitiva de Taman Negara! 😀 Durante a tarde percorremos em ritmo elevado um trilho de oito quilómetros, colina abaixo, colina acima, atravessando cursos de água, saltando por cima de grandes troncos que bloqueavam o caminho, acompanhados de uma chuva intermitente, penetrando cada vez mais profundamente na selva, até chegarmos ao nosso destino, a caverna de Kepayang Besar. Nessa enoooooorme caverna absolutamente deserta, pernoitámos e foi aí que tive uma das noites mais primitivas e memoráveis de toda a viagem – os morcegos, as sombras projetadas nas paredes da caverna, a fogueira, a comida, a partilha durante o serão, o ambiente íntimo e a solidão de estarmos sós naquele pedaço de selva! 😀

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No segundo dia, acordámos bastante cedo e depois de arrumarmos tudo e tomarmos o pequeno-almoço, seguimos até uma pequena caverna, que existia nas imediações para observar centenas de morcegos. 🙂 Durante a manhã a aventura continuou: maissanguessugas, mais leitos de rio – naquela altura sem água, mas lamacentos e escorregadios – partes de selva muito densa, atravessamentos de riachos com a ajuda de cordas e pontes improvisadas, mais humidade e transpiração, já falei das sanguessugas!? 😛 Mais selva! Depois daquela manhã em alta-rotação, a tarde passou-se tranquilamente na companhia de uma tribo onde pudemos observar, casebres de madeira e palha e nativos com características africanas!? – pele escuríssima, cabelo negro e encarapinhado – e fiquei admiradíssimo, pois foi a primeira vez que vi alguém naÁsia com aquelas características físicas. Nas imediações da aldeia, tomei banho num rio completamente lamacento e ao submergir nas suas águas, senti-me estranho, uma vez que não conseguia ver NADA!

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No terceiro e último dia a viagem foi tranquila e serena, pois o regresso a Kuala Tahan foi novamente realizado no barquito de madeira. Já na vila, arrumei as mochilas e depois de um almoço simples apanhei um autocarro praticamente deserto para regressar a Jerantut. Obrigado Taman Negara! Deixaste-me o coração cheio e o corpo com menos uns mililitros de sangue. 😉

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P.S. – Para chegar ao parque nacional de Taman Negara não há um caminho direto e por essa razão a viagem foi feita em alguns passos. A primeira parte da viagem ligou Tanah Rata  ainda nas terras altas – a Jerantut e a mesma foi feita numa mini-van. Na chegada a Jerantut fui deixado na agência de viagens NKS, que parecia ter o monopólio de toda a região e aí aguardei durante algumas horas – durante esse tempo percebi que havia outras alternativas ao barco que acabei por apanhar, o único problema foi que o pacote vendido em todas as agências de viagens nas Terras Altas não oferecia alternativas ao mesmo. :/ Passado esse tempo fiz uma curtíssima viagem – novamente de mini-van – até ao jetty de Kuala Tembelling e aí apanhei um barco que me levou rio acima, durante três horas até Kuala Tahan, uma pequena vila colada à entrada do parque natural. A verdade é que a viagem no rio foi bastante agradável – sol, chuva torrencial, suave neblina na floresta… observei búfalos, macacos e aves e apreciei a paisagem envolvente do rio e da floresta. Deste modo não posso considerar a compra forçada, como grave! A única questão que se levanta, é o mau princípio que esta situação cria e que impossibilita as pessoas de escolherem livremente que tipo de viagem pretendem – barco ou autocarro.

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Chás & Raflésias

Nas Terras Altas do Cameron, na zona central do país, senti uma frescura que poucas vezes sentira até esse momento e quando saí da carrinha parecia que tinha regressado à Europa. 🙂 Durante os dias que estive na região a paisagem revelou-se uma caixinha de surpresas: colinas cobertas de estufas – couves, alfaces, morangos – verdíssimas e lindíssimas plantações de chá, vastas florestas de pinheiros… 😀

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Enquanto aí estive, tive a felicidade de fazer um tour que me levou até ao mundo da enoooooorme e parasítica raflésia – que ao contrário do Bornéu, ainda estava “viçosa”; visitei grandiosas plantações de chá – “o verde das colinas e dos arbustos de chá, associados às constantes alterações do céu, ora chuva, ora sol, ora nuvens… transformaram este lugar numa palete rica de cores. Foi de facto um momento único nesta viagem e uma paisagem diferente de tudo o que vi até aqui!” 😀 – e o seu local de expedição – fábrica da BOH; no monte mais alto da região vi apenas névoa e nevoeiro; e penetrei numa primitiva floresta Mosu  floresta secundária, que se assemelha mais a uma floresta europeia do que tropical – que estava repleta de antigas árvores, com os troncos cobertos de musgo e líquenes e que sob o espesso nevoeiro, propagava um ambiente pesado e misterioso. 🙂

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Em Tanah Rata conheci o caloroso Ivica – croata – e a simpática Maud – holandesa – e na companhia de ambos fiz uma agradável caminhada, num dos muitos trilhos viçosos da região; aprendi um pouco mais sobre a realidade da Malásia e sobre a enorme corrupção existente na classe política do país, quando ouvi a opinião do guia do tour – Bala – e de um grande agente turístico da região – Don – e despedi-me das frescas terras altas com um sorriso nos lábios. 😀

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Pulau Penang & Georgetown a Multifacetada

Da verde ilha de Langkawi segui de ferry para a ilha de Penang e na mesma, fiquei hospedado na simpática cidade de Georgetown durante cinco noites.

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Nos dias que estive na ilha visitei a sua praia mais famosa, Batu Feringgi e que se revelou uma grande desilusão – mar acastanhado, areia grossa e amarelada… :/ ; estive nas imediações do parque natural mais pequeno de toda a Malásia; deambulei no maior templo budista do sudeste asiático, Kek Lok Si, onde me diverti imensamente com a fotografia e graças a ela, sentindo uma enorme lucidez para a beleza estética do espaço, principalmente a zona da pagoda; percorri a pé grande parte da cidade de Georgetown e visitei magníficas e antiquíssimas mansões chinesas – Pinang Paranak e Cheong Fatt Tze – mesquitas harmoniosas – Kapitan Keling – ricos e dourados templos chineses – Khoo Kangsi e Teochew – e indianos, antigas construções coloniais deixadas pelos britânicos – o forte de Cornewallis, as igrejas, a torre do relógio, o edifício da câmara municipal… – ruas muito vivas, coloridas e movimentadas. 😀

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Para além disso continuei a escrever no meu caderno, até acabar de o atualizar (“Vamos lá continuar a viver mais experiências para te continuar a deixar desatualizado! E depois ter de voltar a parar um pouco para te atualizar, escrever e dizer o que vi, o que senti, o que penso, o que quero sentir! És o meu contra-ponto ao movimento, tu és o meu porto de abrigo! Obrigado, por existires”); relaxei no pequeno e tradicional café de bairro de Sin Guat Keng; continuei a deambular pelas ruas da cidade; comi a deliciosa e viciante comida que se consegue encontrar espalhada por toda a cidade – a comida em Georgetown é tão famosa que Malaios de outros pontos do país, visitam a cidade apenas para fazer um roteiro gastronómico! 😀 ; e conheci Luke, um carpinteiro australiano que estava a acabar de construir uma “catedral” em Pulau Tanahmasa  nas imediações da ilha de Sumatra na Indonésia  com as próprias mãos. “Catedral” essa que servirá de casa e de meio de subsistência para o futuro (pequeno resort de surf) e que no final da nossa conversa, me convidou a visitá-lo. Merci Luke! 😉

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Crónicas Fotografia

Pulau Langkawi. As Americanas e a Escrita

Como a ilha de Perhentian Kecil estava em avançado estado de encerramento, acelerei a minha partida para a ilha de Langkawi na costa oeste da Malásia, na companhia de duas raparigas americanas (Wendy e Rachel). Devido à pouca oferta de transportes entre Kuala Besut e Kuala Perlis, estivemos um dia inteiro atascados em Kota Bharu e apenas conseguimos fazer a ligação entre estas cidades, já de noite.

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De qualquer modo e após uma confortável viagem de autocarro que durou nove horas, estávamos num ferry a caminho da maior cidade de Langkawi, Kuah, onde tivemos de apanhar um táxi para chegarmos à praia mais famosa da ilha, Pantai Cenang.

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Antes de procurarmos poiso, fomos ver a praia e a mesma revelou-se, um exteeeeeeeeeeeenso areal de areia muito branca e fina. Apesar desta ser bastante turística, não havia demasiada gente e decidimos ficar uns dias. 🙂

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Durante os dias que estive em Langkawi, aproveitei para escrever bastante. Quando estava na praia escrevia no caderno, quando estava no quarto e nos tempos mortos criava textos para o blog. Para além disso apanhei banhos de sol, tive serões agradáveis com as Americanas e no último dia em que estivemos juntos, visitámos o topo da montanha mais alta da ilha, Mat Cincang. Do alto vimos quão verde era a ilha; avistámos bonitas baías, enseadas e uma grande quantidade de ilhas em nosso redor; observámos uma cascata gigante – Temurun – e na despedida daqueles dias solarengos e tranquilos, tirámos um retrato. Goodbye Girls! Safe Travels! 🙂

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