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Koh Tao e o Mergulho

Depois da “manhã animada“, chegámos finalmente a Koh Tao, a nossa primeira ilha da Tailândia. Na chegada ao quarto, estava um calor dos diabos, o mesmo parecia o Inferno!? Naaaaaaaaa… o Inferno era capaz de ser mais fresco! 😛 O quarto e a guesthouse até eram “porreiritos”, mas este “pequeno“ detalhe estragou o que de bom ambos podiam ter. :/

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Em Koh Tao, encontrámos a nossa primeira praia com areia fininha, água de diferentes azuis – escuro na zona de rochas e corais, e clarinho, quase transparente na zona da areia – e vegetação luxuriante. Até na praia havia árvores e estas não eram apenas coqueiros e palmeiras. 🙂

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Aqui e passados tantos meses, voltei a comer, um pouco de comida ocidental tal a oferta variada e os preços convidativos e principalmente… enquanto a M. aproveitou para relaxar na praia, eu tive a minha primeira experiência subaquática e mergulhei literalmente nas profundezas oceânicas e num mundo totalmente diferente e singular. 🙂

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Na ilha de Koh Tao, tirei um curso de mergulho certificado. Um curso que me permitirá mergulhar em qualquer local do planeta até uma profundidade máxima de vinte metros e vi um mundo rico e variado em seres, cores e acima de tudo muito silencioso e sereno. E na despedida fiquei com a certeza que o “fundo do oceano” é o paraíso, mas que exige muita paz de espírito, respeito e serenidade para que não se torne numa autêntica tormenta. 🙂

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P.S. – Durante os três dias que o curso durou, fiz um mergulho em águas rasas e quatro no oceano e após cada mergulho senti-me mais confortável, menos concentrado na respiração e mais relaxado com o ambiente que me rodeava. E no final, fiquei com a certeza que esta experiência seria para repetir muito mais vezes. A cada mergulho, felicidade em estado puro… 😀

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Em trânsito: Bangkok – Koh Tao. Máfia Legal

Na estação de comboios de Bangkok, tanto no dia em que comprámos o bilhete, como no dia em que partimos da cidade, houve sempre um funcionário “diligente” a querer vender-nos um bilhete para um barco rápido e para os transfers entre a estação de comboios e o cais. Aliás, no dia da compra esse bilhete até estava combinado com o bilhete de comboio. :/

Chegar à ilha de Koh Tao revelou-se um verdadeiro e exasperante quebra-cabeças. Depois da viagem de comboio noturna – que desta feita não teve surpresas, “chocantes”, pois comprámos um bilhete para segunda classe – chegámos à cidade de Chumphon onde nos deparámos e enfrentámos o maior lobby, aliás máfia legal que já vi(mos) até ao momento na viagem. :/ Mas vamos aos factos…

Os nossos problemas começaram logo ao sair da estação, pois ao perguntar a um condutor de tuk-tuk quanto ele cobrava para nos levar até ao cais, ele perguntou-nos pelo bilhete do barco rápido! Respondemos-lhe que não o tínhamos e ele disse-nos para o comprarmos na estação de comboios, fizemos sinal que não e ele devolveu-nos o mesmo. “Ridículo!” (pensei na altura).

Seguimos de mochilas às costas caminhando por Chumphon na tentativa de apanharmos um meio de transporte (autocarro, tuk-tuk, táxi…) para o cais tudo servia desde que o valor que nos pedissem não fosse “estapafúrdio”. Já na avenida principal da cidade, fomos perguntando por barcos, ferries, cais… mas ninguém parecia muito interessado em ajudar-nos, nem sequer os condutores de tuk-tuk, que costumam ser muuuuuuuuuuuuuuito voluntariosos e “altruístas”, queriam nada connosco. Estranho! :/ Parecia que tínhamos uma doença altamente contagiosa e perigosa.

Até que um tuk-tuk parou perto de nós e quando dissemos a fórmula mágica: “Pier, ferry, Koh Tao”, pegou no telemóvel, começou a fazer uma chamada e depois passou-mo para a mão, encostei-o ao ouvido e disse: “Yes?”. Na resposta: ”Lomprayah assistance. Today you still have a boat at 1PM. Do you want to buy the ticket?”, tirei o telemóvel do ouvido, devolvi-lho e fiz sinal ao motorista que não. Estava chocado! :/ E contei o episódio à M.

Tudo começava a fazer sentido, a companhia Lomprayah controlava todo, ou quase todo mercado e estendia os seus tentáculos desde Bangkok – no momento da compra de um simples bilhete de comboio – até aos transportes locais de Chumphon! Quando um peixinho sai da rede, convém apanhá-lo o quanto antes e este “pescador” estava a revelar-se implacável e a encostar-nos ao fundo…


 Notas Finais

Nunca tinha visto, nada assim! Uma empresa, com a conivência das autoridades, a tomar conta duma cidade e ter o monopólio de um negócio, que neste caso é o negócio de transportes, entre Bangkok e as ilhas da costa Este: Koh Tao, Koh Pha-ngan e Koh Samui. Impressionante! 😦

Depois de encostados ao fundo, tivemos mais umas horas de odisseia em Chumphon e arredores. No final acabámos por chegar a Koh Tao… no famoso barco rápido, da Lomprayah! Mas pagando mais e perdendo mais tempo do que se o tivéssemos feito em Bangkok! Caricato! Mas serviu de aprendizagem!

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Bangkok Days

Em Bangkok estivemos cinco dias e nos mesmos para além de visitarmos a cidade, aproveitámos para abrandar um pouco o ritmo da semana anterior e ter dias mais relaxados. 🙂 Para além disso e com a devida antecedência  quatro dias – comprámos o nosso bilhete de comboio para sul, rumo às famosas ilhas paradisíacas da Tailândia e ainda bem que o fizemos, pois à semelhança da China, parece que certos comboios esgotam facilmente.     

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Durante o tempo que estive na cidade, fiquei com sensação que a cidade é grande, mas que não é demasiado caótica, uma vez que nos conseguimos mover facilmente em transportes públicos – autocarros, barcos, metro… – e atravessar as estradas sem sermos atropelados quinze vezes. 😛  Relativamente aos “transportes”, apenas uma nota negativa. Por vezes chega a ser irritante recusar, centenas de vezes as ofertas dos famosos tuk-tuk´s e taxistas, mas penso que tal facto, já faz parte da tradição asiática. :/

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Na cidade visitámos bastantes templos, mas os destaques principais vão para: o  Wat Pho, templo onde “nasceram” as famosas massagens tailandesas e casa de um Buda gigantesco – em posição deitada – que tem a planta dos pés enfeitadas com detalhes madrepérola! Espetacular; o Wat Arun  templo do amanhecer – na margem Este do rio e onde existem estupas de inclinações absolutamente vertiginosas e temos a sensação de cair a pique! e o Wat Phra Kaew – templos no complexo do Grande Palácio. Antes de entrar e como estava de calções, tive que alugar umas calças e em rifa calharam-me umas “belas” calças tipo aladino que os ocidentais veneram quando chegam à Ásia. 😛 Depois da visita, fiquei com opinião que este é o templo mais impressionante de Bangkok e de todo o país. Monumental! 😀 E onde a riqueza é tão imensa e tão concentrada que chega a ser “sufocante”. Parece que o mesmo não nos dá um segundo de “sossego” para apreciar os detalhes seguintes, pois existe um estímulo visual constante e incessante – foi como sentir que estava a beber vinhos excecionais, uns a seguir aos outros mas de “penalty” e por isso os mesmos, não tinham tempo para respirar.

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Deu para visitar diferentes locais da cidade entre eles: Chinatown, Little India, o “infame” gueto mochileiro de Khao San Road que fiquei sem perceber qual o motivo de tanta fama; a moderna zona de Siam Square, os quarteirões adjacentes e alguns dos seus centros comerciais absolutamente gigantescos e delirantes – principalmente os de gadgets eletrónicos – onde comprei uma objetiva de elevada qualidade, em segunda mão, porque a objetiva que trouxe de Portugal estava com uns problemas de focagem e resolvi prevenir uma eventual “catástrofe”.

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Visitámos um dos maiores mercados da Ásia, o monumental mercado de fim-de-semana de Chatuchak, onde se pode comprar tudo, ou… quase tudo: animais, flores, vestuário novo e em segunda mão, loiças, recuerdos, bijuteria, quinquelharia, colchas, toalhas, almofadas, artesanato, pinturas, comida, relógios…enfim uma loucura! Tudo isto espalhado por uma área vastíssima, tanto ao ar livre como em recinto coberto. 🙂

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A cidade também fica na memória, para as nossas papilas gustativas e deixa-nos a salivar. Come-se muito e bem, uma vez que a cada esquina se encontra comida de rua deliciosa e baratíssima! Bangkok nesse aspecto é impressionante! E eu saí da cidade a gostar dela e a querer regressar – um dia – para voltar a mergulhar em toda a sua gama de cores, cheiros e sabores. 😀

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E tal como em Pequim e noutras cidades da China voltei a encontrar um metro anti-suicídio, mas desta vez feita, tenho a prova! 😉

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Em trânsito: Nakhon Ratchasima – Bangkok. Shocking Train

Para chegar a Bangkok, apanhámos um comboio noturno em Nakhon Ratchasima e na estação encontrámos um ambiente soturno, mas que pareceu seguro. Quando o comboio chegou à plataforma, dirigimo-nos à nossa carruagem: Número 11,  3ª classe. Quando entrámos sentimos um calor abrasador, vimos que estava bem apinhada e que os olhos dos nativos não descolavam de nós, parecíamos ET´s e o planeta onde aterrámos revelou-se demasiado chocante para a M.

Depois de eu colocar as bagagens por cima das “nossas cabeças” e de nos sentarmos nos nossos lugares com as mochilas pequenas, protegidas entre as pernas, olhei para a M. que estava com lágrimas nos olhos e dizia: “Nunca mais. Nunca mais, uma viagem destas em terceira classe”. Os lugares eram de facto minorcas e o espaço reduzido, mas acho que o que lhe fez confusão foi ver as pessoas completamente coladas umas às outras e saber que durante a viagem não se podia mexer, porque não havia um espaço individual! Não havia a mínima fronteira na ausência de contacto. Penso que foi isto que a chocou!

Quanto a mim, não posso dizer que foi uma viagem agradável, mas fruto de todas as experiências que já tive na Ásia penso que relativizei facilmente a situação, isto apesar de poder dizer que foi o comboio mais sujo onde já andei e no qual o espaço disponível o mais reduzido. Com base nesta experiência fiquei a acreditar que a mesma, foi uma ligeira amostra do que posso encontrar futuramente na Índia, tais os relatos que me chegam aos ouvidos.


P.S. – Apenas uma curiosidade relacionada com os hábitos dos nativos. Quase todos tinham consigo kits  com um pano húmido – para limparem a cara assim que chegassem ao destino; e estavam munidos com panos/mini-toalhas para porem na cara e protegerem os olhos da luz. Estes pequenos detalhes levaram-me a pensar que os nossos “companheiros” de carruagem estão muito habituados a fazer viagens longas regularmente e como tal já criaram mecanismos de “trânsito” altamente aperfeiçoados! 🙂

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No Templo de Phimai

Para chegar ao último destino cultural a Norte de Bangkoknecessitámos de fazer a viagem a partir de Khao Yai em alguns passos. Primeiro, apanhámos boleia de um Mitsubishi Lancer Evolution VII completamente “kitado” de regresso à cidade de Pak Chong  mas em vez de um acelera maluco, estivemos na companhia de uma família pacata que era amante das pérolas musicais da década de 90, nomeadamente Céline Dion mas numa cover de qualidade duvidosa 😛 ; depois embarcámos num comboio que se atrasou quarenta minutos e durante a viagem mais vinte; e para finalizar, fizemos uma viagem desastrada de sessenta quilómetros a bordo de um autocarro em que no interior da cidade de Nakhon Ratchasima íamos a 20 km/h! E já no exterior duvido que tenhamos passados dos 40 km/h! O motorista, até falhava o tempo de entrada das mudanças. 😛

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Phimai foi o nosso último vértice dos antigos reinos. Diz-se que o local serviu de modelo para Angkor Wat no Cambodja e apesar de não ter a dimensão de Sukhothai, nem a magnificência de Ayuttaya, o seu estado de conservação é muito superior. 🙂 Acredito que o mesmo, está relacionado com o material da construção. Aqui a pedra é rainha e senhora, ao contrário dos locais anteriores onde o tijolo reinava. Aqui não precisamos de imaginar ou tentar visualizar como seria. Em Phimai vemos realmente como era! 😀

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Para além de conservada, a sua área é muito verde e cuidada e existem locais realmente singulares, tais como o Santuário Central e a Ponte das Najas, onde a profusão de detalhes é espetacular. A luz, fruto de uma magnífico dia de sol, que iluminava todo o espaço estava no “ponto” e deu o impulso final para uma bela experiência e uma visita memorável. 😀

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Khao Yai!? Na Selva!

Ato III – A Cereja

Tiradas umas fotografias e filmado o encontro, seguimos viagem e o trilho continuou sedutor e exótico! Selva! Estávamos na selva! 😀 Era isso que sentíamos e até deu para fazer uma travessia de rio em cima de um tronco, com um auxílio de uma corda. Ao andar, fomo-nos maravilhando com tanta vegetação luxuriante. Espetacular! Até que nas imediações de uma pequena cascata, começou a chover torrencialmente e a luz do dia a esmorecer. Nessa altura seguimos o mais rápido que conseguíamos, mas o terreno acidentado e completamente alagado não ajudava muito a nossa progressão! De qualquer modo e passados vinte minutos chegámos ao final do trilho, completamente encharcados e de nada ou pouco valeram as nossas capas “impermeáveis”. 😛

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No Orchid Campsite procurámos abrigo e nessa altura a M. respirou de alívio pois soube que não iria ficar “perdida” na selva, sem a luz do dia. Aliás, apenas nesse momento percebi o quão stressada ela tinha estado, porque no trilho limitámo-nos a andar depressa. De qualquer modo eram apenas cinco da tarde, não havia motivos para alarme! Mas concordo que no meio de uma vegetação densa e debaixo de uma chuva torrencial, a luz esbatida induzia a uma distorção da realidade. Nessa altura apenas queríamos voltar ao HQ para comermos algo e seguir para a nossa “suite” repousar, quando…

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Num golpe de sorte apanhámos boleia de um casal, que nos falou da possibilidade de fazer um safari noturno no parque e ficámos entusiasmados com essa possibilidade e assim que fomos deixados no HQ fomos tentar inscrever-nos no mesmo. Marcado o safari para as 19.00, fomos jantar e tentámos manter-nos o mais confortáveis que conseguimos – as roupas estavam encharcadas e não tínhamos tempo ou possibilidade para as mudar – enquanto esperávamos.

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À hora marcada, entrámos numa carrinha de caixa aberta, equipada com um foco poderoso e partimos pelas estradas de alcatrão do parque à “caça” de animais. O ambiente era engraçado e misterioso, uma vez que estávamos na escuridão absoluta e apenas víamos o local que o foco iluminava. Durante o safari, vimos muitos veados, um animal que parecia um furão ou dessa família, ouvimos o coaxar incessante de rãs e sapos e… a cereja no topo do bolo. Um elefante! É verdade! 😀 À semelhança do crocodilo, foi espetacular, ver este animal no seu habitat e ver a sua forma e dimensão na escuridão da noite.

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Khao Yai ao longo do dia passou de besta a bestial e a “salvação” foi operada por um fantástico trilho, um crocodilo e um elefante! Experiência inesquecível e sem dúvidas um dos grandes momentos desta viagem! 😀

P.S. – Khao Yai é um parque natural de selva e esta deve ser tratada com respeito! Fazer trilhos – exceto os que não necessitam de guias – por iniciativa própria pode parecer uma ideia muito romântica, mas não passa de uma idiotice que pode realmente acabar mal – por exemplo, alguém  perder-se na selva e não sair de lá tão depressa.

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Khao Yai!? Na Selva!

Ato II – A Redenção   

Depois do almoço e de recarregarmos um pouco as baterias, partimos a caminhar para o Orchid campsite, uma vez que era aí que começava o trilho número 2 – um dos dois, que se podia fazer sem guia. Porém e quando seguíamos pela estrada de alcatrão, voltámos a apanhar boleia de uma carrinha do parque natural e esta largou-nos na Haew Suwat Waterfall. Como já estávamos no final do trilho resolvemos visitar primeiro a cascata e depois seguir no mesmo no sentido inverso. Posso afirmar que a cascata não desiludiu, pois o seu caudal era realmente massivo e a sua altura imponente! Rugia como um tigre, selvagem! 🙂

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Daí partimos então para o trilho e às três da tarde começou a redenção de Khao Yai! O caminho estava bem marcado e era de facto no meio da selva, lamacento, havia alguns troncos caídos, a vegetação era abundante e cerrada por vezes. Sentia-se finalmente o sabor da selva e o seu toque exótico, mas uma selva que podíamos penetrar sem ajudas de terceiros. À medida que progredíamos sentia o meu estado de espírito a modificar-se e nesta altura já estava a achar que a vinda a Khao Yai não tinha sido nenhum desperdício. 🙂

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Chegámos então às imediações de um rio e do primeiro aviso: “Beware of Crocodile”. Prosseguimos e uns minutos mais à frente, novo aviso: “No Swimming”, mais uns metros e novamente: “Beware of Crocodile”, a cada passo sentíamos que estávamos a aproximar-nos, até que… o trilho lamacento tornou-se mais lamacento e a sua direção virou completamente para o rio! Para além disso havia uma curva muito fechada e que nos cortava completamente a visibilidade. “Oh diabo! Tanto aviso ao crocodilo e agora somos encaminhados para os seus domínios!? Ainda para mais num terreno tão escorregadio e empapado!? Mau!” Parámos e ficámos a olhar um para o outro. :/

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Alternativas? Subir uma ladeira íngreme e embrenhar-nos no meio da selva? Não! Não era opção. Aliás não havia muito a fazer, ou voltávamos para trás ou seguíamos em frente. Foi o que fizemos. Muni-me com um pau grosso, de dois metros de comprimento e segui em frente, com a M. logo atrás de mim. Pé ante pé… Tum, Tum… Tum, Tum… o meu coração batia mais acelerado fruto da adrenalina e logo a seguir à curva, estancámos! Ali estava ele! Em cima de um tronco, no meio do rio a apanhar um banho de sol. Naquele momento relaxámos um pouco, pois soubemos onde estava o nosso “bichano” e qual o seu tamanho – aproximadamente três metros – e aparência – verde claro e olhos dissimulados, que nunca sabemos para onde estão a olhar. Foi realmente emocionante ver um predador no seu habitat e tão perto de nós – cerca de oito metros! Muito mesmo! E Khao Yai podia ter acabado ali que a redenção já estava feita! 😀 Porém a história não acaba aqui

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Khao Yai!? Na Selva!

Ato I – Carrossel

De Pak Chong para uma das entradas do parque natural distam apenas vinte e seis quilómetros, mas os mesmos foram feitos de forma muito… muito vagarosa num dos famosos táxis coletivos do país. Já no pórtico de entrada, pagámos o bilhete e assim que metemos o pé na estrada, pedimos boleia a uma carrinha do staff que estava de passagem. 🙂 Os últimos dez quilómetros da viagem – que começara nessa manhã em Ayutthaya – já em direção ao HQ (Headquarters) foram desse modo, feitos numa carrinha de caixa aberta e com um sentimento profundo de felicidade e liberdade. 😀

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Quando aí chegámos marcámos duas noites num dos bungalows e recebemos mapas e informações gerais sobre o parque e o seu funcionamento: horários, regras, trilhos… Do HQ até à zona do nosso alojamento, distavam dois quilómetros e os mesmos foram feitos de mochilas às costas, num ambiente quente e húmido numa estrada de alcatrão, que ficava no meio de uma paisagem vasta e muito verde. Belo! Senti que estava num lugar “mesmo” natural e esse sentimento foi acentuado pela presença de macacos e de “bambis” que fomos vendo à medida que caminhávamos. 🙂

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O segundo dia, foi um carrossel de emoções. Mas vamos aos factos. De manhã eu e a M. decidimos fazer uns passeios em trilhos marcados mas por conta própria, porque desconfiámos da informação que referia que apenas dois dos trilhos existentes no parque, poderiam fazer-se sem recurso a guias/rangers – achámos que aquela era mais uma tentativa de “sacar” dividendos e uma armadilha made in Tailândia, para turistas – porém…

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A manhã foi passada nas imediações do HQ a ser atacados por exércitos de mini sanguessugas muito persistentes e a andar para trás e para a frente sem conseguirmos quase sair do mesmo sítio! Os trilhos no início pareciam claros e óbvios, mas bastavam apenas cinco minutos, para mudarmos de opinião e voltarmos para trás. O ambiente era quente, húmido e a vegetação muito, muito, muito densa… pela primeira vez vimos e sentimos o que era a SELVA! Aos poucos caímos na realidade e percebemos que a informação que recebêramos não era nenhuma “balela” para “papalvos”, mas uma verdade cristalina! Só com o acompanhamento de alguém experiente e devidamente treinado se poderia chegar a bom porto.

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Nessa altura, senti um misto de irritação e desilusão. Sentia-me preso e confinado a um espaço muito pequeno e com alternativas muito reduzidas, num local tão vasto como é o parque. Naquele momento pensei que a visita não estava a valer o investimento – tanto em termos de tempo, como de dinheiro – e que seria necessário algo realmente especial, para haver uma mudança no meu estado de espírito e eu modificar a minha opinião acerca de Khao Yai.

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Em trânsito: Viagens Malucas no Norte da Tailândia

Durante a segunda semana no país, mas a primeira em trânsito as viagens transformaram-se sempre em momentos surreais e amalucados. Na saída de Chiang Mai para Sukhothai os autocarros matinais foram suprimidos, sem qualquer aviso ou explicação! 😛

Na viagem para Ayutthaya eu e a M. fomos largados na berma da auto-estrada a cinco quilómetros do nosso destino, o centro da cidade! Pelos vistos na Tailândia quando se compra um bilhete de autocarro convém perguntar se este pára no centro da cidade! No final acabámos por sobreviver aos lobos humanos – taxistas – e com algum esforço e sorte à mistura lá conseguimos chegar à nossa guesthouse. 🙂

Na viagem para Pak Chong apanhámos uma carrinha e durante duas horas andámos pelas estradas do país às voltas sem sabermos para onde íamos. Quando a carrinha parou estávamos numa estação de autocarros com o motorista a mandar-nos sair da mesma sem nos dizer mais nada. :/ Estávamos completamente aos papéis e apontámos para os bilhetes que tínhamos, foi então que ele apontou para uma segunda carrinha e aí entregámos os bilhetes a outro motorista. Passados cinco minutos estávamos a arrancar  e apenas nessa altura percebi que estávamos em Saratobi. Desta feita a viagem apenas demorou quarenta e cinco minutos e nessa altura não havia dúvidas estávamos em rota para Pak Chong e consequentemente para o Parque Natural de Khao Yai, nosso destino. Três viagens, três viagens malucas… 100% de eficácia! Bem vindos à Tailândia! 😛

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Pedalando em Ayutthaya

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À semelhança de Sukhothai, os templos continuam a ser construídos em tijolo mas a principal diferença é que em Ayutthaya os mesmos estão espalhados pela cidade e são mais impressionantes, uma vez que estão melhor conservados dado serem “ligeiramente” mais recentes e o reinado da cidade mais duradouro. A visita aos principais templos foi feita de bicicleta e o passeio fez-se num dia solarengo e num ritmo tranquilo e descontraído. 🙂

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Dos inúmeros templos que vimos destaco o Wat Maha That com a sua enorme profusão de estátuas, principalmente um Buda em posição sentada, que era lindíssimo; a sua vastíssima área com chedis viharas; as deformações absurdas das paredes e das lajes; as colunas, as torres e… “algo” que foi uma das coisas mais singulares que vi na vida: uma estátua que era uma cabeça de Buda, completamente embutida e envolvida pelas raízes de uma árvore! Rocha e madeira fundidos, mas aqui a rocha já fora trabalhada por mãos humanas. Espetacular! É mesmo ver para crer. 🙂

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Na cidade e a quatro quilómetros do seu centro também é possível encontrar-se sinais da presença portuguesa e o local apesar de pequeno e de estar em obras de requalificação – com o apoio de uma fundação que merecia muito mais destaque no nosso país, a fundação Calouste Gulbenkian – deixou-nos orgulhosos! Foi um prazer imenso, visitar um local onde os nossos antepassados estiveram, construíram, viveram e morreram e poder sentir um pouco da antiga grandeza de Portugal. 😀

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P.S. – Na cidade e tal como em Chiang Mai continuámos a deliciar-nos com a maravilhosa comida thai. Encontrámos pela primeira vez um elefante na Ásia  muito mais pequeno que o seu irmão africano – que carregava turistas e tinha um olhar triste. :/ E foi com uma grande alegria – fruto do mais inesperado acaso – que voltei a reencontrar, Sam. Merci mon ami! 😀