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Uma “Geografia”. Uma Fotografia: Khao Yai

KhaoYai_BlogNo parque natural de Khao Yai – pode encontrar mais aqui – penetrei pela primeira vez num ambiente de selva, encontrando um ambiente extremamente húmido, uma vegetação verde e densa, chuvas torrenciais, cascatas de águas barrentas, várias espécies de pássaros, macacos, incontáveis e saltitantes sanguessugas, veados, um crocodilo, um furão e um elefante no meio da folhagem.

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Khao Yai!? Na Selva!

Ato III – A Cereja

Tiradas umas fotografias e filmado o encontro, seguimos viagem e o trilho continuou sedutor e exótico! Selva! Estávamos na selva! 😀 Era isso que sentíamos e até deu para fazer uma travessia de rio em cima de um tronco, com um auxílio de uma corda. Ao andar, fomo-nos maravilhando com tanta vegetação luxuriante. Espetacular! Até que nas imediações de uma pequena cascata, começou a chover torrencialmente e a luz do dia a esmorecer. Nessa altura seguimos o mais rápido que conseguíamos, mas o terreno acidentado e completamente alagado não ajudava muito a nossa progressão! De qualquer modo e passados vinte minutos chegámos ao final do trilho, completamente encharcados e de nada ou pouco valeram as nossas capas “impermeáveis”. 😛

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No Orchid Campsite procurámos abrigo e nessa altura a M. respirou de alívio pois soube que não iria ficar “perdida” na selva, sem a luz do dia. Aliás, apenas nesse momento percebi o quão stressada ela tinha estado, porque no trilho limitámo-nos a andar depressa. De qualquer modo eram apenas cinco da tarde, não havia motivos para alarme! Mas concordo que no meio de uma vegetação densa e debaixo de uma chuva torrencial, a luz esbatida induzia a uma distorção da realidade. Nessa altura apenas queríamos voltar ao HQ para comermos algo e seguir para a nossa “suite” repousar, quando…

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Num golpe de sorte apanhámos boleia de um casal, que nos falou da possibilidade de fazer um safari noturno no parque e ficámos entusiasmados com essa possibilidade e assim que fomos deixados no HQ fomos tentar inscrever-nos no mesmo. Marcado o safari para as 19.00, fomos jantar e tentámos manter-nos o mais confortáveis que conseguimos – as roupas estavam encharcadas e não tínhamos tempo ou possibilidade para as mudar – enquanto esperávamos.

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À hora marcada, entrámos numa carrinha de caixa aberta, equipada com um foco poderoso e partimos pelas estradas de alcatrão do parque à “caça” de animais. O ambiente era engraçado e misterioso, uma vez que estávamos na escuridão absoluta e apenas víamos o local que o foco iluminava. Durante o safari, vimos muitos veados, um animal que parecia um furão ou dessa família, ouvimos o coaxar incessante de rãs e sapos e… a cereja no topo do bolo. Um elefante! É verdade! 😀 À semelhança do crocodilo, foi espetacular, ver este animal no seu habitat e ver a sua forma e dimensão na escuridão da noite.

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Khao Yai ao longo do dia passou de besta a bestial e a “salvação” foi operada por um fantástico trilho, um crocodilo e um elefante! Experiência inesquecível e sem dúvidas um dos grandes momentos desta viagem! 😀

P.S. – Khao Yai é um parque natural de selva e esta deve ser tratada com respeito! Fazer trilhos – exceto os que não necessitam de guias – por iniciativa própria pode parecer uma ideia muito romântica, mas não passa de uma idiotice que pode realmente acabar mal – por exemplo, alguém  perder-se na selva e não sair de lá tão depressa.

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Khao Yai!? Na Selva!

Ato II – A Redenção   

Depois do almoço e de recarregarmos um pouco as baterias, partimos a caminhar para o Orchid campsite, uma vez que era aí que começava o trilho número 2 – um dos dois, que se podia fazer sem guia. Porém e quando seguíamos pela estrada de alcatrão, voltámos a apanhar boleia de uma carrinha do parque natural e esta largou-nos na Haew Suwat Waterfall. Como já estávamos no final do trilho resolvemos visitar primeiro a cascata e depois seguir no mesmo no sentido inverso. Posso afirmar que a cascata não desiludiu, pois o seu caudal era realmente massivo e a sua altura imponente! Rugia como um tigre, selvagem! 🙂

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Daí partimos então para o trilho e às três da tarde começou a redenção de Khao Yai! O caminho estava bem marcado e era de facto no meio da selva, lamacento, havia alguns troncos caídos, a vegetação era abundante e cerrada por vezes. Sentia-se finalmente o sabor da selva e o seu toque exótico, mas uma selva que podíamos penetrar sem ajudas de terceiros. À medida que progredíamos sentia o meu estado de espírito a modificar-se e nesta altura já estava a achar que a vinda a Khao Yai não tinha sido nenhum desperdício. 🙂

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Chegámos então às imediações de um rio e do primeiro aviso: “Beware of Crocodile”. Prosseguimos e uns minutos mais à frente, novo aviso: “No Swimming”, mais uns metros e novamente: “Beware of Crocodile”, a cada passo sentíamos que estávamos a aproximar-nos, até que… o trilho lamacento tornou-se mais lamacento e a sua direção virou completamente para o rio! Para além disso havia uma curva muito fechada e que nos cortava completamente a visibilidade. “Oh diabo! Tanto aviso ao crocodilo e agora somos encaminhados para os seus domínios!? Ainda para mais num terreno tão escorregadio e empapado!? Mau!” Parámos e ficámos a olhar um para o outro. :/

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Alternativas? Subir uma ladeira íngreme e embrenhar-nos no meio da selva? Não! Não era opção. Aliás não havia muito a fazer, ou voltávamos para trás ou seguíamos em frente. Foi o que fizemos. Muni-me com um pau grosso, de dois metros de comprimento e segui em frente, com a M. logo atrás de mim. Pé ante pé… Tum, Tum… Tum, Tum… o meu coração batia mais acelerado fruto da adrenalina e logo a seguir à curva, estancámos! Ali estava ele! Em cima de um tronco, no meio do rio a apanhar um banho de sol. Naquele momento relaxámos um pouco, pois soubemos onde estava o nosso “bichano” e qual o seu tamanho – aproximadamente três metros – e aparência – verde claro e olhos dissimulados, que nunca sabemos para onde estão a olhar. Foi realmente emocionante ver um predador no seu habitat e tão perto de nós – cerca de oito metros! Muito mesmo! E Khao Yai podia ter acabado ali que a redenção já estava feita! 😀 Porém a história não acaba aqui

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Khao Yai!? Na Selva!

Ato I – Carrossel

De Pak Chong para uma das entradas do parque natural distam apenas vinte e seis quilómetros, mas os mesmos foram feitos de forma muito… muito vagarosa num dos famosos táxis coletivos do país. Já no pórtico de entrada, pagámos o bilhete e assim que metemos o pé na estrada, pedimos boleia a uma carrinha do staff que estava de passagem. 🙂 Os últimos dez quilómetros da viagem – que começara nessa manhã em Ayutthaya – já em direção ao HQ (Headquarters) foram desse modo, feitos numa carrinha de caixa aberta e com um sentimento profundo de felicidade e liberdade. 😀

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Quando aí chegámos marcámos duas noites num dos bungalows e recebemos mapas e informações gerais sobre o parque e o seu funcionamento: horários, regras, trilhos… Do HQ até à zona do nosso alojamento, distavam dois quilómetros e os mesmos foram feitos de mochilas às costas, num ambiente quente e húmido numa estrada de alcatrão, que ficava no meio de uma paisagem vasta e muito verde. Belo! Senti que estava num lugar “mesmo” natural e esse sentimento foi acentuado pela presença de macacos e de “bambis” que fomos vendo à medida que caminhávamos. 🙂

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O segundo dia, foi um carrossel de emoções. Mas vamos aos factos. De manhã eu e a M. decidimos fazer uns passeios em trilhos marcados mas por conta própria, porque desconfiámos da informação que referia que apenas dois dos trilhos existentes no parque, poderiam fazer-se sem recurso a guias/rangers – achámos que aquela era mais uma tentativa de “sacar” dividendos e uma armadilha made in Tailândia, para turistas – porém…

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A manhã foi passada nas imediações do HQ a ser atacados por exércitos de mini sanguessugas muito persistentes e a andar para trás e para a frente sem conseguirmos quase sair do mesmo sítio! Os trilhos no início pareciam claros e óbvios, mas bastavam apenas cinco minutos, para mudarmos de opinião e voltarmos para trás. O ambiente era quente, húmido e a vegetação muito, muito, muito densa… pela primeira vez vimos e sentimos o que era a SELVA! Aos poucos caímos na realidade e percebemos que a informação que recebêramos não era nenhuma “balela” para “papalvos”, mas uma verdade cristalina! Só com o acompanhamento de alguém experiente e devidamente treinado se poderia chegar a bom porto.

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Nessa altura, senti um misto de irritação e desilusão. Sentia-me preso e confinado a um espaço muito pequeno e com alternativas muito reduzidas, num local tão vasto como é o parque. Naquele momento pensei que a visita não estava a valer o investimento – tanto em termos de tempo, como de dinheiro – e que seria necessário algo realmente especial, para haver uma mudança no meu estado de espírito e eu modificar a minha opinião acerca de Khao Yai.