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Crónicas Fotografia

Criar Mabul´s

Depois de três dias muito intensos de mergulho e de tantas emoções vividas, virei as minhas agulhas para outras prioridades: fazer praia e descansar numa ilha paradisíaca, ao mesmo tempo que atualizava o meu caderno e fruto do acaso a minha escolha acabou por recair na ilha de Mabul.

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Quando inicialmente parti, apenas tinha o palpite que talvez lá ficasse três/quatro dias. Mas exatamente, quantos? Não o sabia. Primeiro, desconhecia a ilha e seguidamente não estava certo do ambiente que ia encontrar no lodge, uma vez que os comentários encontrados na internet eram bastante díspares.

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A realidade é que fruto de algumas circunstâncias, acabei por ficar em Mabul, uma semana! 🙂 A ilha per si não tinha nenhuma praia de sonho, mas tinha habitantes sorridentes e afáveis; crianças aos magotes; grandes lagartos (alguns com cerca de dois metros!), morcegos e até um macaco; águas límpidas, cristalinas e onde se podiam encontrar uma enorme variedade de pequenos e raros seres sub-aquáticos; um sol abrasador que às nove da manhã me punha a destilar sem parar… 😛

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Em Mabul transformei-me em escriba e consegui finalmente atualizar o caderno que estava cerca de um mês atrasado! Fiz pela primeira vez um muck dive e o meu primeiro mergulho noturno, onde entrei nas trevas, no vazio, no vácuo absoluto! Onde só faltava aparecer o Alien! SURREAL! 🙂 Relaxei. Bebi uns copos e fumei uns cigarros. Tive conversas super-interessantes e mentalmente estimulantes. Conheci muitas pessoas e fiz amigos, com especial destaque para o Moo (um nativo que tinha uns calções da nossa seleção), James (inglês e instrutor da escola), Kyle (australiano) e Stefanie e Nicole (duas raparigas suiças).

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Na despedida de Mabul, parti com alguma tristeza. O Moo emocionado chorava sem parar e os abraços dados a quem ficou, foram apertados e sentidos. Em Mabul fui verdadeiramente FELIZ e senti-me verdadeiramente em casa… uma casa que raras vezes tive durante esta viagem. De tal modo que decidi que não quero regressar! E Mabul ficará para sempre no meu imaginário como um local onde se é FELIZ! Mas ao qual é impossível regressar… a única coisa que se pode fazer é continuar a viver, continuar a sonhar… para no futuro criar mais Mabul´s, essa ilha paradisíaca que existe no coração de cada um de nós. 😀

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Crónicas Em trânsito Fotografia O 1º Dia

Kinabalu. Ascensão Infinita

Ato I – Viagem e Preparação

Na viagem para a montanha Kinabalu no Bornéu – Sabah – houve um misto de tristeza e alegria, por um lado a despedida da M. estava bem presente, pelo outro estava a caminho de um local que se encontrava no meu imaginário graças à descrição de Andy, esse mágico da vida que conheci nas terras do Império do Meio.

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Depois do voo matinal que me levou de Kuala Lumpur até Kota Kinabalu, apanhei uma boleia semi atribulada – o meu “condutor” não sabia onde era a estação de autocarros – com o John Ho, um médico que trabalha em operações de salvamento e que estava na cidade há poucas semanas. Depois de uma hora de viagem e muitos pedidos de desculpa, fui finalmente deixado na estação de carrinhas, onde apanhei o meu meio de transporte para a montanha. 😛

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Na chegada às imediações da montanha, fui largado perto de uma placa que indicava o meu alojamento – Kinabalu Mt Lodge – e de mochila às costas andei um quilómetro até chegar ao destino, uma casa no topo de uma colina, voltada para um vale verde e de onde se via a névoa a correr no meio de árvores e vegetação, comovente. 😀 Nos meus aposentos conheci uma alemã que tinha regressado da montanha nesse dia e quando lhe contei que o meu objetivo era fazer a ascensão e descida num dia, olhou para mim com olhos esbugalhados e exclamou: ”A sério!? Acho que não vais conseguir, mas se o fizeres tens o meu respeito!”. Oh diabo! Comentário animador. Minutos depois apareceu um americano, que é capitão de um barco nas Filipinas, que por sua vez disse: “É apenas uma montanha. Hás-de chegar ao topo!”.

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Com estas duas opiniões tão distintas parti para o HQ (headquarters) do parque natural e na receção disseram-me que antes de preencher os formulários de inscrição, tinha de falar com o Mr. Dick, o responsável do parque. No centro de conservação tive um pequeno meeting, onde falámos sobre a ascensão num dia e como a mesma é considerada um caso “especial”, existem regras muitos específicas, tais como limites de tempo e afins. Na despedida apertou-me a mão, desejou-me boa sorte e uma boa ascensão…

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Crónicas Reflexões

Crónica de Palavras Nunca Antes Pronunciadas

No aeroporto tivemos de despedir-nos por um período indeterminado e abraçados durante uns minutos o tempo congelou. Foi neste local que as coisas foram difíceis e eu senti o coração a apertar… apertar. As despedidas nunca são fáceis! Queremos manter as pessoas que gostamos por perto, mas existem momentos da nossa vida que fisicamente tal não é possível, pois para se estar num local não se consegue estar no outro. Parece que nesta vida não há nada de borla e que há sempre um “preço” a pagar por tudo! O que fizemos, o que fazemos, o que queremos fazer… viajar é muito bom, mas também é duro! Afasta-nos de quem gostamos, mas simultaneamente pode fazer-nos sentir mais gratos pelo que temos e por sabermos que há pessoas que gostam de nós… mesmo separadas por mares e oceanos de águas azuis e cristalinas e praias de areia branca! O coração e a memória ajudam a manter a “chama” viva…

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Crónicas Fotografia

Faces de KL

Kuala Lumpur é à semelhança de Bangkok, uma cidade de várias faces e ficará na memória pela soma das suas partes. A primeira delas será a incrível quantidade de massagistas – oficiais e oficiosas – que oferecem os seus serviços ao longo da Jalan Bukit Bintang e que foi o local onde acabámos por ficar hospedados, num minúsculo e bafiento quarto de dez metros quadrados. Nas suas imediações, a Jalan Alor também fica na retina pela quantidade absurda de restaurantes de rua, mas principalmente pelos seus empregados que nos assediam constantemente. Chega a ser exasperante! E consegue ser pior que qualquer rua, praia, estação/terminal de autocarros/comboios da Tailândia! É obra! 😛

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KL tais como outras cidades asiáticas, está minada de centro comerciais monumentais e gigantescos, cheios de lojas e restaurantes de fast food e quando visitámos o Macdonald´s, o seu interior estava minado de muçulmanos, que consumiam alegremente um dos mais famosos ícones ocidentais. Aliás um dos motivos que nos levou a “visitar” o local, foi a desapontante e inflacionada gastronomia malaia, isto apesar de haver uma grande mescla na cozinha fruto da aceitação natural de todas as culturas e cidadãos que compõem o país: malaios, indianos e chineses.

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Outra das faces da cidade é a sua Chinatown, que fica nas imediações da Jalan Petaling e onde é possível encontrar magníficos mercados de rua cheios de contrafações: roupas, óculos, relógios, perfumes; templos chineses e hindus e não muito longe o agradável Central Market. 🙂

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Nas nossas deambulações – tanto a pé como de metro de superfície – deu para notar que a cidade apresenta um elevado ritmo de construção e às vezes imaginei-me na mesma, há cerca de vinte, trinta anos atrás, numa altura em que o grande ícone da cidade, as Torres Petronas ainda não existiam. E a propósito, depois das visitarmos, posso afirmar que pagar para subir às “petroninhas” não vale a pena. Apesar da vista ser fascinante – vê-se tudo de cima! Tudo mesmo! Outros arranha-céus, mesquitas, piscina no topo de edifícios – o que se aprende é residual e no final sentimos que pagámos para ver uma mera panorâmica de Kuala Lumpur.

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Mais fascinante foi observá-las já iluminadas, ao final da tarde e mesmo nessa altura houve um certo desapontamento pois esperávamos uma iluminação muito mais intensa. Só quando começámos a tirar fotografias é que percebemos que a luz extra vinha da máquina fotográfica. Os nossos olhos veem a luz “real” e a fotografia distorce e amplifica a realidade, transformando estas torres num projeto de fição científica. 😉

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Koh Phi Phi – Pulau Pangkor. Cruzando Fronteiras

Ato I – Tailândia Side

O último dia passado na Tailândia foi um dia extenuante, todo passado em viagens e tudo por culpa do bilhete vendido pela minha “amiga”. Esse famoso bilhete levou-nos até Had Yai  a cerca de quarenta quilómetros da fronteira! – mas a realidade é que para entrar na Malásia existem transfers diretos – geralmente até à ilha de Penang – por um valor semelhante ao que pagámos! Moral da história?

Na viagem para Had Yai os únicos factos que merecem destaque foi constatar que o desaparecimento de comprovativos de bilhetes no bolso dos motoristas é prática corrente e visualizar a mudança de ambiente religioso – o Budismo desaparece e dá lugar ao  Islamismo. Na chegada com muita dificuldade lá conseguimos comprar bilhetes para Padang Besar – cidade que fica na fronteira entre a Tailândia e a Malásia – e a curta viagem demorou uma eternidade, porque a estrada não era muito boa e o autocarro mais parecia um táxi coletivo! :/ Na chegada o nosso motorista, prestavelmente, quis deixar-nos na fronteira, mas como já eram 18.00 e consequentemente 19.00 na Malásia, pedimos para ele nos deixar num hotel barato.

Mas o que significa exatamente, ficar num hotel barato numa cidade de fronteira? Significa que o rececionista não fala convosco, emite alguns ruídos e grunhe, mas percebe-se que ele está a pedir o dinheiro e o passaporte. 😛 Após esta espécie de comunicação subimos ao quarto para largar as mochilas e quando entrámos o ar cheirava a bafio, “midades” e havia um espelho ao longo da cama! OK?! Abrimos a janela para ver se o cheiro desaparecia e entretanto desaparecemos nós daquela suite magnífica em busca de comida. Demos uma volta pela cidadezita, feia e desinteressante mas que em termos gastronómicos nos satisfez, apesar de alguns vendedores nos tentarem enganar nos preços! Pensei: ”Realmente é mais forte do que eles, nem numa terriola sem turistas perdem a oportunidade! ” Ai a felicidade de sair da Tailândia e do seu sul cheio de esquemas e m#$%@&!”

Já com o farnel voltámos ao nosso hotel e nas escadas da entrada, sentámo-nos para comer. À medida que comíamos, começámos a observar a nossa rua com mais atenção. Do outro lado, existiam dois bares de karaoke com luzes vermelhas acesas e algumas thais na entrada e perante este cenário virei-me para a M. e comentei: “Cá para mim, estes bares de karaoke são a Kikas cá do sítio.” A confirmação veio passado uma hora quando já estávamos no lobby do hotel a tentar marcar um hotel para os dias seguintes e vimos uma “menina” de vestido vermelho choque, acompanhada de um nativo, a sair da zona dos quartos com A/C. Não restavam dúvidas estávamos no hotel das _____ (espaço para darem a resposta). Exatamente! E gozámos com situação, principalmente por elas terem melhores quartos do que aquele onde ficaríamos a dormir… na nossa última noite, na romântica Tailândia. 😛

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Bangkok Days

Em Bangkok estivemos cinco dias e nos mesmos para além de visitarmos a cidade, aproveitámos para abrandar um pouco o ritmo da semana anterior e ter dias mais relaxados. 🙂 Para além disso e com a devida antecedência  quatro dias – comprámos o nosso bilhete de comboio para sul, rumo às famosas ilhas paradisíacas da Tailândia e ainda bem que o fizemos, pois à semelhança da China, parece que certos comboios esgotam facilmente.     

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Durante o tempo que estive na cidade, fiquei com sensação que a cidade é grande, mas que não é demasiado caótica, uma vez que nos conseguimos mover facilmente em transportes públicos – autocarros, barcos, metro… – e atravessar as estradas sem sermos atropelados quinze vezes. 😛  Relativamente aos “transportes”, apenas uma nota negativa. Por vezes chega a ser irritante recusar, centenas de vezes as ofertas dos famosos tuk-tuk´s e taxistas, mas penso que tal facto, já faz parte da tradição asiática. :/

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Na cidade visitámos bastantes templos, mas os destaques principais vão para: o  Wat Pho, templo onde “nasceram” as famosas massagens tailandesas e casa de um Buda gigantesco – em posição deitada – que tem a planta dos pés enfeitadas com detalhes madrepérola! Espetacular; o Wat Arun  templo do amanhecer – na margem Este do rio e onde existem estupas de inclinações absolutamente vertiginosas e temos a sensação de cair a pique! e o Wat Phra Kaew – templos no complexo do Grande Palácio. Antes de entrar e como estava de calções, tive que alugar umas calças e em rifa calharam-me umas “belas” calças tipo aladino que os ocidentais veneram quando chegam à Ásia. 😛 Depois da visita, fiquei com opinião que este é o templo mais impressionante de Bangkok e de todo o país. Monumental! 😀 E onde a riqueza é tão imensa e tão concentrada que chega a ser “sufocante”. Parece que o mesmo não nos dá um segundo de “sossego” para apreciar os detalhes seguintes, pois existe um estímulo visual constante e incessante – foi como sentir que estava a beber vinhos excecionais, uns a seguir aos outros mas de “penalty” e por isso os mesmos, não tinham tempo para respirar.

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Deu para visitar diferentes locais da cidade entre eles: Chinatown, Little India, o “infame” gueto mochileiro de Khao San Road que fiquei sem perceber qual o motivo de tanta fama; a moderna zona de Siam Square, os quarteirões adjacentes e alguns dos seus centros comerciais absolutamente gigantescos e delirantes – principalmente os de gadgets eletrónicos – onde comprei uma objetiva de elevada qualidade, em segunda mão, porque a objetiva que trouxe de Portugal estava com uns problemas de focagem e resolvi prevenir uma eventual “catástrofe”.

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Visitámos um dos maiores mercados da Ásia, o monumental mercado de fim-de-semana de Chatuchak, onde se pode comprar tudo, ou… quase tudo: animais, flores, vestuário novo e em segunda mão, loiças, recuerdos, bijuteria, quinquelharia, colchas, toalhas, almofadas, artesanato, pinturas, comida, relógios…enfim uma loucura! Tudo isto espalhado por uma área vastíssima, tanto ao ar livre como em recinto coberto. 🙂

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A cidade também fica na memória, para as nossas papilas gustativas e deixa-nos a salivar. Come-se muito e bem, uma vez que a cada esquina se encontra comida de rua deliciosa e baratíssima! Bangkok nesse aspecto é impressionante! E eu saí da cidade a gostar dela e a querer regressar – um dia – para voltar a mergulhar em toda a sua gama de cores, cheiros e sabores. 😀

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E tal como em Pequim e noutras cidades da China voltei a encontrar um metro anti-suicídio, mas desta vez feita, tenho a prova! 😉

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Nakhon Ratchasima – Bangkok. Shocking Train

Para chegar a Bangkok, apanhámos um comboio noturno em Nakhon Ratchasima e na estação encontrámos um ambiente soturno, mas que pareceu seguro. Quando o comboio chegou à plataforma, dirigimo-nos à nossa carruagem: Número 11,  3ª classe. Quando entrámos sentimos um calor abrasador, vimos que estava bem apinhada e que os olhos dos nativos não descolavam de nós, parecíamos ET´s e o planeta onde aterrámos revelou-se demasiado chocante para a M.

Depois de eu colocar as bagagens por cima das “nossas cabeças” e de nos sentarmos nos nossos lugares com as mochilas pequenas, protegidas entre as pernas, olhei para a M. que estava com lágrimas nos olhos e dizia: “Nunca mais. Nunca mais, uma viagem destas em terceira classe”. Os lugares eram de facto minorcas e o espaço reduzido, mas acho que o que lhe fez confusão foi ver as pessoas completamente coladas umas às outras e saber que durante a viagem não se podia mexer, porque não havia um espaço individual! Não havia a mínima fronteira na ausência de contacto. Penso que foi isto que a chocou!

Quanto a mim, não posso dizer que foi uma viagem agradável, mas fruto de todas as experiências que já tive na Ásia penso que relativizei facilmente a situação, isto apesar de poder dizer que foi o comboio mais sujo onde já andei e no qual o espaço disponível o mais reduzido. Com base nesta experiência fiquei a acreditar que a mesma, foi uma ligeira amostra do que posso encontrar futuramente na Índia, tais os relatos que me chegam aos ouvidos.


P.S. – Apenas uma curiosidade relacionada com os hábitos dos nativos. Quase todos tinham consigo kits  com um pano húmido – para limparem a cara assim que chegassem ao destino; e estavam munidos com panos/mini-toalhas para porem na cara e protegerem os olhos da luz. Estes pequenos detalhes levaram-me a pensar que os nossos “companheiros” de carruagem estão muito habituados a fazer viagens longas regularmente e como tal já criaram mecanismos de “trânsito” altamente aperfeiçoados! 🙂

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Em trânsito: Viagens Malucas no Norte da Tailândia

Durante a segunda semana no país, mas a primeira em trânsito as viagens transformaram-se sempre em momentos surreais e amalucados. Na saída de Chiang Mai para Sukhothai os autocarros matinais foram suprimidos, sem qualquer aviso ou explicação! 😛

Na viagem para Ayutthaya eu e a M. fomos largados na berma da auto-estrada a cinco quilómetros do nosso destino, o centro da cidade! Pelos vistos na Tailândia quando se compra um bilhete de autocarro convém perguntar se este pára no centro da cidade! No final acabámos por sobreviver aos lobos humanos – taxistas – e com algum esforço e sorte à mistura lá conseguimos chegar à nossa guesthouse. 🙂

Na viagem para Pak Chong apanhámos uma carrinha e durante duas horas andámos pelas estradas do país às voltas sem sabermos para onde íamos. Quando a carrinha parou estávamos numa estação de autocarros com o motorista a mandar-nos sair da mesma sem nos dizer mais nada. :/ Estávamos completamente aos papéis e apontámos para os bilhetes que tínhamos, foi então que ele apontou para uma segunda carrinha e aí entregámos os bilhetes a outro motorista. Passados cinco minutos estávamos a arrancar  e apenas nessa altura percebi que estávamos em Saratobi. Desta feita a viagem apenas demorou quarenta e cinco minutos e nessa altura não havia dúvidas estávamos em rota para Pak Chong e consequentemente para o Parque Natural de Khao Yai, nosso destino. Três viagens, três viagens malucas… 100% de eficácia! Bem vindos à Tailândia! 😛

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Em trânsito: Huay Xai/Chiang Khong – Chiang Mai. Nervoso Miudinho!

Quando apliquei o visto da Tailândia em Vientiane havia uma questão que ninguém me tinha conseguido esclarecer: quanto tempo podia ficar no país com o visto que tinha impresso no passaporte? As opiniões dividiam-se: havia os que afirmavam 60 dias, uma vez que era esse o número máximo permitido pelo visto turístico; havia quem referisse, que como estava a cruzar a fronteira por terra esse valor seria reduzido para 30 dias; e havia ainda quem dissesse que dependia do oficial de emigração, enfim… Nada claro! :/ E neste caso específico eu necessitava de clareza, pois estava prestes a receber uma visita muito especial, que já se sabia, teria direito a estar 30 dias no país sem precisar de visto – entrada via aérea. Portanto o número de dias a que teria direito, iria traçar não apenas o meu futuro imediato, mas também o de “alguém”, que estava prestes a viajar milhares de quilómetros para me acompanhar durante um mês por terras do Oriente.

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Ainda no Laos fomos levados ao controlo de emigração e aí tivemos de pagar mais uma vez a famosa “taxa de fim-de-semana”, ou como eu gosto de chamar-lhe corrupção encapuçada! Desta feita a taxa era 10.000 kips ou um dólar – eles são corruptos e espertalhões, uma vez que na saída do país já quase ninguém tem dólares e os dez mil kips valem mais do que um dólar. Paga a taxa e carimbado o passaporte, apanhámos o barquito que nos fez cruzar o Mekong e pisei pela primeira vez solo tailandês.

Na posto de entrada, estava uma grande confusão e concentração de pessoas e para não me separar do resto do grupo pedi a um homem que parecia monitor de um grande grupo de miúdos, se podia passar à frente deles. De óculos escuros, cara inexpressiva e séria disse que não com uma voz seca e gelada e depois de um grande compasso de espera, lá afirmou que estava a brincar. Enfim o axioma da estupidez a funcionar, mais uma vez! Adiante. Na janela do oficial de emigração entreguei o meu passaporte e quando ele me perguntou quanto tempo pretendia ficar no país, expliquei que na próxima sexta feira iria receber uma visita e que por esse motivo os 60 dias seriam muito bem aceites. Ele olhou para mim e começou a folhear o passaporte e passado um minuto, ouvi o som de carimbos a bater. O veredito estava dado, eu é que ainda não sabia o resultado. Recebi o passaporte e enquanto ele fazia o gesto para seguir, senti o nervoso miudinho da incerteza e tinha esperança que a burocracia e o tempo despendidos tivessem valido a pena.

Abri o passaporte e vi o carimbo azul… admitted untill… e a data carimbada a vermelho! Consegui! Tudo valeu a pena! 😀 De sorriso nos lábios dirigi-me ao resto do grupo, que já estava pronto e disse-lhes que tudo correra bem. Juntos esperámos pela nosso táxi/carrinha e passado meia hora arrancámos estrada fora pelas paisagens verdes do norte da Tailândia, rumo a Chiang Mai… a capital dourada do Norte. 🙂

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Em trânsito: Luang Prabang – Huay Xai. Pelo Mekong Acima

Ato II – Pak Beng – Huay Xai. Pânico Matinal  

A viagem entre Pak Beng e Huay Xai, já na fronteira com a Tailândia decorreu com normalidade e foi em tudo uma fotocópia, do dia anterior. Mesma paisagem, mesmo preço do bilhete, mesmo número de horas de viagem, mais conversa com as mesmas pessoas, procura da guesthouse e jantar em grupo. 🙂

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(Através do olhar do Kristian)

Porém, houve um momento que ativou o meu modo de pânico e fez esta viagem ficar ainda mais memorável. Mas vamos aos factos: estava já no interior do barco a falar com um casal de americanos sobre fronteiras e vistos quando mecanicamente pus a mão no bolso lateral dos calções e… caiu-me tudo ao chão! Principalmente as bolas! Não tinha comigo as bolsas dos cartões e documentos – passaporte, cartões MB e de crédito – e onde estava todo o dinheiro tailandês que tinha arranjado no Laos – 35.000 Bath! Cerca de 875€!. Tinha ficado tudo debaixo da almofado no quarto! Fiquei em pânico e disse ao meus companheiros de viagem para não deixarem sair o barco enquanto não regressasse – isto com as mochilas a bordo. :/

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Larguei a correr encosta acima até ao local da guesthouse e quando lá cheguei as portas estavam todas fechadas! “Eu não acredito nesta m#%£@! Logo hoje é que tinha de encontrar uma guesthouse que funciona a meio gás!?”. Dirigi-me ao piso do quarto… Tudo fechado! Entrar pela janela? Impossível. Grades na mesma! “Ai a P%#@ da minha vida!”. Voltei a descer ao piso térreo e mesmo com um cadeado na porta – metálica e de correr – comecei a tentar abrir a mesma. Passados dois minutos desisti, nada feito! “E agora?”. Quando me preparava para procurar alguém nas redondezas, chegou uma carrinha com parte da família que geria a guesthouse. Muito rapidamente e freneticamente tentei explicar-lhes que me tinha esquecido do passaporte no quarto e num minuto deram-me a chave do mesmo. Galguei os degraus à velocidade da luz, abri a porta, dirigi-me à cama e ao levantar a almofada… lá estavam as famosas bolsas! 🙂 Deitei-lhes uma mirada rápida e pû-las no bolso. Tranquei o quarto, desci as escadas a voar, entreguei as chaves e voltei a correr desalmadamente encosta abaixo. Desta feita com a “santa” gravidade a ajudar-me no caminho de regresso ao barco.

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Quando lá entrei, disse aos meus companheiros de viagem que estava tudo bem e sentei-me dez minutos num banco, sozinho, a respirar e a deixar o meu corpo regressar a um ritmo normal. Durante esses minutos o barco acabou mesmo por partir e agradeci à boa sorte o facto de quase todos os transportes no Laos, atrasarem. Ai boa sorte, fortuna, estrela, destino, fado… ou outro nome que tenhas. Agradeço-te novamente, salvaste-me o pêlo! 😀

P.S. – A viagem de dois dias foi longuíssima, mas perfeita e o Mekong merece uma viagem destas. Porém ouvi relatos que a viagem feita na direção inversa, Tailândia – Laos, pode por vezes transformar-se num verdadeiro inferno e tormento, devido à lotação completamente esgotada dos barcos.