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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Shaoxing e Simbolismos

Depois do pequeno almoço e de comprarmos uma capa de chuva para a Shue, uma vez que chovia com bastante intensidade, partimos à descoberta da cidade e dirigimo-nos para o seu centro histórico, onde a figura de monta é o escritor Lu Xun.

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Quando começámos a visita ao lago Este da cidade, inicialmente o local não parecia nada de especial, mas à medida que o percorremos, este foi-se revelando e acabou por ser de longe a melhor visita do dia: o lago, as pontes, as colinas escarpadas, os barcos, as paredes brancas e as telhas negras, a vista do topo das colinas, a diferença de cor entre o rio e o lago, as rochas, a vegetação e a conversa! 🙂 E esta – à semelhança do que aconteceu no museu de Suzhou com a Yue – girou em torno dos números e do seu significado na cultura chinesa: número 4 – evoca a morte; número 6 – as “coisas” vão correr suavemente; número 8 – associado ao dinheiro; número 9 – associado ao Imperador, à longevidade sendo o maior número individual. 🙂

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Para chegarmos aos outros locais que pretendíamos visitar ainda tivemos que percorrer uma longa distância e durante o percurso deu para observar que: a cidade é bastante grande e que a área envolvente é muito rica em água. Apesar dos outros locais que visitámos terem sido ligeiramente desapontantes, uma vez que não corresponderam às expetativas que inicialmente tinha, a conversa foi ótima e eu continuei a aprender sobre a cultura chinesa – poder e influência da família e da tradição na vida dos jovens – “advocacia, não é profissão de mulher!”, frase proferida pela família da Shue, apesar de ser para isso que ela está a estudar. :/

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Crónicas Fotografia Reflexões

Incompreensões

Na zona da cidade que abrange a concessão francesa e apesar de lá ter visto algumas casas elegantes, fiquei a pensar qual o encanto especial da área ou no porquê de tanta fama, uma vez que para mim não passou de mais um local, que aposto se revelará facilmente “esquecível”.

IMG_0579 (FILEminimizer)O que de facto me saltou mais à vista, foi observar os ocidentais – principalmente, mas não só – nalgumas esplanadas da zona e ficar com a certeza que nunca ou muito dificilmente vou compreender estas pessoas que esbanjam o dinheiro a comprar cafés, cervejas e pizzas ao preço dos seus países de origem, como se o preço não tivesse que “obrigatoriamente” que descer porque estão na China. :/

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No final a sensação que me dá, é que estas pessoas buscam nos outros países o que já têm nos seus países, ou sejam buscam a standarderização, a globalização e os luxos/confortos que os fazem sentir em casa. Não percebendo que para haver evolução é preciso existir dialética e esta só existe se houver antagonismo e diferenciação espacial – cultural – temporal.

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Suzhou – Xangai. A Viagem que se Cristalizou no Tempo

Já mais aliviado fui comprar o bilhete para Xangai e verifiquei que por acaso, o número do comboio era o mesmo que utilizara dois dias antes para chegar a Suzhou! 🙂 Por isso, neste dia continuei a viagem que começara na quinta-feira e batizei a mesma de, a viagem que se cristalizou no tempo. 😉

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Crónicas Em trânsito

Doente… em Suzhou

Durante a noite não me senti muito bem do estômago, mas quando acordei tentei forçar-me a tomar alguns noodles para o pequeno almoço, porém passado um quarto da tigela comecei a sentir-me enfastiado e tive de parar. Na viagem de autocarro para a estação de comboios, comecei a sentir-me indisposto e a pensar que talvez fosse vomitar. Durante a viagem, não se passou nada mas assim que saí do autocarro e numa zona verde, ajoelhei-me e comecei a vomitar, felizmente o vómito não foi amargo e apenas saíram os noodles.

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Fotografia O 1º Dia

Passeio Noturno ao Anoitecer

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Crónicas O 1º Dia

Perplexo!

Na cidade de Yangzhou, o almoço foi saboroso mas teve um sabor bastante amargo, pois antes de começar a comer pediram-me o dinheiro! 😦 Fiquei perplexo! E depois da refeição ainda fiquei mais desiludido, pois percebi que fora a única pessoa – por ser ocidental – a quem isso acontecera, e antes de me ir embora não pude deixar de demonstrar o meu desagrado por gestos e pela minha expressão facial. 

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Fotografia

Fotografias Made in Nanquim

Palácio Presidencial

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Biblioteca de Nanquim

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Área cénica de ZhongShan

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Crónicas Fotografia O 1º Dia Reflexões

Nanquim e o Massacre

O dia ainda estava a meio, mas já tinha havido muitas emoções. Porém eu queria mais e achei que a minha viagem em Nanquim devia começar pelo Museu do Massacre, que é o local que homenageia os 300.000 mortos da cidade durante o período que antecedeu a segunda Guerra Mundial. Em 1937 o Japão invadiu a China e tomou de assalto grande parte do vasto território chinês e durante um “curto” período de seis semanas – 13 de Dezembro de 1937 a final de Janeiro de 1938 – a cidade foi reduzida a escombros e a população vítima da brutalidade de grande parte do exército japonês: violações – individuais e em grupo – fuzilamentos indiscriminados, abusos sobre a população, decapitações… enfim o lado negro do ser humano em todo o seu ”esplendor”. 😦

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A experiência começou na porta de entrada com a observação de uma gigante “massa” chinesa à espera de entrar, mas felizmente depois de uns minutos a situação foi desbloqueada. Assim que entrei no recinto vi que o complexo está dividido em duas zonas: exterior – Parque e Memorial e interior – Museu e Arquivo.

IMG_8419 (FILEminimizer)Porque via o relógio a andar depressa e a hora de encerramento a aproximar-se fui primeiro à zona interior e logo de início tomei a resolução de não tirar fotografias, não sentia aquele lugar como turístico, apesar da quantidade de pessoas que por lá circulavam. Antes como um grande memorial da tragédia e um local para preservação da memória histórica e colectiva de uma cidade, de uma nação, da humanidade.

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Na primeira sala, a entrada tinha o molde de uma mão e coloquei a minha mão lá, não sei se para sentir o metal se o peso da história. A sala ampla estava pouco iluminada. No teto o fatídico número 300.000 brilhava, no chão um ponto luminoso por cada vítima. Nas paredes o nome das vítimas gravado em relevo. Não aguentei, fiquei comovido e soltei duas lágrimas furtivas. A visita continuou e sala após sala vou observando o museu e as pessoas que lá circulavam e encontro de tudo: semblantes carregados, graves e sérios, sorridentes (?), atentos e comovidos até às lágrimas – mulheres. O museu vai pintando os negros acontecimentos e eu sigo por aquele espaço, tornando-me menos ignorante. Um dos momentos mais surpreendentes surge quando vi uma suástica nazi pintada das cores da cruz vermelha e ao lado deste, outros dois momentos me ficam particularmente na memória, o da grande parede dos arquivos e a zona dos 12 segundos: 300.000 mortos em seis semanas. A cada 12 segundos o som de uma gota a cair e o retrato de uma das vítimas a iluminar-se – durante essas fatídicas seis semanas, uma vida desapareceu a cada doze segundos na cidade de Nanquim!

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Na zona exterior circulei pelo parque e pelos memoriais, e o momento mais marcante ocorreu quando vi as ossadas humanas encontradas numa escavação arqueológica. A diferença aqui foi saber que não morreram há milhares ou centenas de anos, foram mortas durante o século XX e enterradas em valas comuns. Tão distante e tão próximo…

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Crónicas Fotografia O 1º Dia

Guerra e Paz

A chegada ao hostel foi complicada, pois se a viagem de autocarros decorreu sem problemas, a partir do momento em que comecei a andar as coisas complicaram-se, pois a tradução da morada que tinha era “manhosa” e os chineses não sabiam onde ficava aquela rua. Finalmente encontrei um rapaz chamado Lou e este com um pouco mais de tempo e muito boa vontade levou-me até ao mesmo. Aleluia! 🙂

Já no hostel, verifiquei que os preços caso marcasse ao “vivo” eram mais caros que na internet! E com acesso ao wi-fi do mesmo, marquei a minha noite de Domingo. Porém era Sábado e naquele momento, aquele hostel apenas tinha quartos individuais, ou seja o dormitório estava cheio e eu não tinha lugar onde ficar! Para além disso estava com alguns problemas com a rececionista que estava a ser inicialmente antipática e depois muito desagradável. Eu não me fiquei e disse-lhe que ela estava a ser desagradável e pouco educada. Entretanto andava no booking.com a ver se me safava – no preço da dormida sim, na localização nem por isso – e como não tinha nada a ganhar com aquele ambiente, enterrei o machado de guerra e perguntei-lhe se havia algum hospital nas imediações e se ela me guardava a bagagem, pois nessa noite iria lá dormir. Ela ficou admirada e surpreendida e foi então que ela me falou na possibilidade de dormir numa cama extra que o quarto tinha, por 50Y – antes de eu falar em hospitais esta cama não existia! Estranho? No mínimo, bizarro! Aceitei imediatamente, pois afinal e depois daquela viagem interminável apenas queria um local para dormir e tomar banho. 🙂

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Com a questão da dormida resolvida tornámo-nos os “melhores amigos” e veio então o período de paz e prosperidade, no qual ela me ajudou a definir a rota até Xangai – escolha de cidades mais “pequenas” até lá chegar – deu-me um livrinho com detalhes de todas as pousadas da juventade chinesas – extremamente útil e fez-me um briefing sobre Nanquim. Perfeito! 😉

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Crónicas Em trânsito

Em trânsito: Hankou – Nanquim. A Estupada Continua!

Cheguei à bonita e clássica estação de Hankou por volta da 1.10 e depois de comprar o bilhete para a ligação final, fui até ao Macdonald´s onde comi e tentei apanhar wi-fi – sem sucesso. Uma vez que o comboio apenas estava marcado para as 4.20 aproveitei para organizar as fotografias de Fenghuang, atualizar o Excel, vi chover na rua e escrevi no caderno “em tempo real”. Quando finalmente me dirigi à estação de comboios senti-me esmagado pela monumentalidade do átrio superior e aí apanhei wireless e verifiquei que em Nanquim iria ter de improvisar – relativamente ao hostel – e quando vi as pessoas a apressarem-se para entrar no comboio, fiz o mesmo. Ao chegar dentro do comboio e quando verifiquei que tinha de ficar à espera para partir, pensei que fora um idiota, pois devia ter aproveitado a ligação para pelo menos ter tirado a morada de um hostel. :/

IMG_8409 (FILEminimizer)Às 7.00 da manhã acordei com o rabo a doer do assento rijo e com vontade de dar uns safanões ao vizinho do lado, pois ele estava a “abusar” do “meu” espaço, e momentos antes de chegar ao meu destino ainda deu para “assistir” a um assalto de uma bolsa. Aliás, não assistir, pois ali à volta ninguém viu nada e só percebemos o que aconteceu quando dono da mesma se começou a queixar que o tinham roubado! 😦 A minha estupada continuou na chegada à cidade, pois quando desembarquei não tinha nenhum hostel marcado, nem sequer uma simples morada onde dirigir-me! Por isso e antes de abandonar a estação de comboios andei a tentar arranjar uma ligação à internet. Após muito custo e algumas tentativas falhadas, encontrei um casal de espanhóis com um smartphone e estes lá me ajudaram. Finalmente, comecei a ver alguma luz ao fundo do túnel e um final à vista para esta odisseia, que ligou Fenghuang a Nanquim. 🙂