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Em trânsito: Hankou – Nanquim. A Estupada Continua!

Cheguei à bonita e clássica estação de Hankou por volta da 1.10 e depois de comprar o bilhete para a ligação final, fui até ao Macdonald´s onde comi e tentei apanhar wi-fi – sem sucesso. Uma vez que o comboio apenas estava marcado para as 4.20 aproveitei para organizar as fotografias de Fenghuang, atualizar o Excel, vi chover na rua e escrevi no caderno “em tempo real”. Quando finalmente me dirigi à estação de comboios senti-me esmagado pela monumentalidade do átrio superior e aí apanhei wireless e verifiquei que em Nanquim iria ter de improvisar – relativamente ao hostel – e quando vi as pessoas a apressarem-se para entrar no comboio, fiz o mesmo. Ao chegar dentro do comboio e quando verifiquei que tinha de ficar à espera para partir, pensei que fora um idiota, pois devia ter aproveitado a ligação para pelo menos ter tirado a morada de um hostel. :/

IMG_8409 (FILEminimizer)Às 7.00 da manhã acordei com o rabo a doer do assento rijo e com vontade de dar uns safanões ao vizinho do lado, pois ele estava a “abusar” do “meu” espaço, e momentos antes de chegar ao meu destino ainda deu para “assistir” a um assalto de uma bolsa. Aliás, não assistir, pois ali à volta ninguém viu nada e só percebemos o que aconteceu quando dono da mesma se começou a queixar que o tinham roubado! 😦 A minha estupada continuou na chegada à cidade, pois quando desembarquei não tinha nenhum hostel marcado, nem sequer uma simples morada onde dirigir-me! Por isso e antes de abandonar a estação de comboios andei a tentar arranjar uma ligação à internet. Após muito custo e algumas tentativas falhadas, encontrei um casal de espanhóis com um smartphone e estes lá me ajudaram. Finalmente, comecei a ver alguma luz ao fundo do túnel e um final à vista para esta odisseia, que ligou Fenghuang a Nanquim. 🙂

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A Bondade dos Desconhecidos

Quando cheguei a Wuchang já passava da meia noite e meia e o senhor que conheci no comboio, levou-me até à estação autocarros e disse-me para aguardar ali. Estava frio, bastante frio e à minha volta havia muito “ruído de fundo” com chineses a tentar forçar “negócios” de transportes. :/ Nesse local e enquanto esperava conheci outro chinês (Zhang Shu) que estava em camisa porque ofereceu o casaco à namorada e imediatamente abri a minha mala e ofereci-lhe um casaco. Ele ofereceu-me um cigarro! 🙂 E ficámos a conversar enquanto esperávamos pelo autocarro. Como estava muito frio, ele convenceu-me a apanhar um “táxi-carrinha” com eles para a estação de comboios de Hankou e durante aquela viagem noturna, cidade dentro falou-me dos seus problemas e da pressão exercida à sua volta: sociedade, família e tradição, o que esperam dele e eu tentei animá-lo. Na despedida ele pagou-me o táxi e eu senti mais uma vez a bondade dos desconhecidos a aquecer-me o coração e a alma. 😀

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Em trânsito: Fenghuang – Wuchang. Estupada!

Desde o momento que comecei a preparar a minha viagem, sabia que havia uma zona da China onde as ligações eram uma incógnita completa. Esse momento acabara de chegar, pois a ligação entre a zona central do país e Nanquim  uma das únicas três cidades que foi a capital da China, para além de Xi´an e Pequim  e que não fica assim tão distante de Xangai era o meu próximo passo. E este, era um graaaaaaande passo! Pelo menos em termos de distância. 🙂

A primeira fase da viagem decorreu entre Fenghuang – partida às 12.30 – e Changsha e foi feita de autocarro. Durante a viagem escrevi no caderno, dormitei um pouco e observei a paisagem que se resume em poucas palavras: auto-estrada e tempo muito cinzento. Quando entrámos em Changsha, não fazia a mínima ideia para onde é que estaria a ser levado e mentalmente estava a tentar relaxar pois o tempo estava a passar muito rapidamente e o meu limite para apanhar o comboio estava a ficar muito reduzido. Quando saí do autocarro (18.30) chovia e fazia frio – em contraste ao dia anterior quente e abafado – e fiquei muito feliz porque ao ver que a estação de autocarros, estava mesmo “colada” com a de comboios, soube imediatamente que iria conseguir apanhar o comboio para WuChang o que me permitia a ligação posterior para Hankou e daí para Nanquim.

Uma vez que o comboio estava cheio, comprei o bilhete sem lugar marcado, e dirigi-me para a plataforma e… o comboio só apareceu às 19.50! Já dentro do comboio o atraso continuou a aumentar e só saímos da estação de Changsha às 21.00. Era a primeira vez que tal acontecia durante a viagem! E tinha de ser precisamente neste dia de ligações altamente intricadas! :/ Nesse momento tive a certeza absoluta que não iria chegar a tempo, rosnei pragas e estava irritado, muito irritado: “Tanta m@§£€, para uma caganita!” Sem nada poder fazer relativamente a esse assunto, aproveitei a viagem entre Changsha e WuChang – uma das três cidades que forma a megalópole de Wuhan – para escrever no caderno, levantar-me para “esticar” o corpo, comer qualquer coisa e sentir os olhos a fechar fruto do cansaço. Pensei: “Quando lá chegar, logo se vê como mudo de estação” e conheci um chinês que era engenheiro informático (mas que parecia um rapazito) e em quinze minutos de conversa, ele informou-me que existiam autocarros que ligavam as diferentes estações de comboio de Wuhan, vinte e quatro horas por dia. 🙂


Reflexão: Aprende de vez… que sofrer por antecipação, não compensa!  😉